sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O ADVOGADO DO DIABO [Resenha 154/20]


Publicado originalmente em 1959, O advogado do diabo consagrou o australiano Morris West como um dos melhores escritores de sua geração. Cuida dos personagens. Introduz nuances psicológicas, problemas sociais, e, além disso, é um excelente observador da natureza humana, de suas frustrações e insatisfações. Conhece e retrata os valores de cada personagem com abundância de detalhes e economia de palavras que fazem um texto enxuto, preciso e ponderado. Encantador.

O cenário do romance é um vilarejo miserável do sul da Itália nos primeiros anos após a Segunda Guerra Mundial. Este vilarejo tem por nome Calábria, onde surge um culto à memória de um homem chamado Giacomo Nerone, que fora assassinado por comunistas e é visto como santo pelos habitantes locais logo após sua morte e a quem são atribuídos milagres. A devoção popular chama a atenção do Vaticano, que avalia a possibilidade de abrir um processo de canonização. Para confirmar a santidade, o sacerdote inglês Blaise Meredith é enviado com a missão de descobrir e denunciar fatos que possam impedir a santificação de Nerone.

Blaisse Meredith, “um homem que traz em seu coração a poeira das bibliotecas" é designado pelo Bispo de Valenta para exercer as funções de advogado do diabo: cuja obrigação é encontrar e denunciar todos os fatos que possam depor contra a honra do candidato a santidade. Na ocasião em que precisa decidir se aceita ou não a missão descobre após uma consulta médica que tem um carcinoma em estágio adiantado e que uma cirurgia pode lhe dá algum alivio e mais algum tempo de vida. Ele reflete sobre toda a sua vida e percebe o quanto ela foi inútil. Seguiu a carreira que sua vocação indicou cheio de esperanças e ideais, os anos passaram-se e os ideais foram esquecidos era apenas mais um padre entre tantos outros. Vivendo do lado de dentro dos muros do Vaticano pouco vira do mundo e pouco fizera por outras pessoas, não amara e não fora amado, ninguém jamais sentiria falta dele. No entanto ainda poderia mudar alguma coisa, sabia dos riscos dessa viagem com relação a sua saúde, pois teria de renunciar a cirurgia que poderia vir a lhe trazer algum alivío e também mais algum tempo de vida.

Dentre os personagens, podemos conhecer Ana de Sanctis, a condessa da região que se apaixonou por Nerone em vão. Nina Sanduzzi, que deu origem à Paolo Sanduzzi, jovem que despertava desejos homossexuais no pintor Nicholas Black. E Aldo Meyer, principal testemunha que depôs a verdadeira história de Giacomo.

No decorrer de sua investigação entremeado pelas crises terríveis causadas por sua doença em estágio cada vez mais avançado com o passar dos dias, vê-se envolvido em uma rede de intrigas e dissimulações movida pelas pessoas que conhecera o beato, inclusive sua amante que teve um filho dele, um médico judeu e uma rica e bela condessa.

É um livro com uma mensagem forte e um final surpreendente e comovente.
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WEST, Morris. O Advogado do diabo. São Paulo, SP. Editora Círculo do Livro, 1986.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A LEI DA PERFEITA LIBERDADE [Resenha 153/2020]


A primeira coisa a se dizer sobre os Dez mandamentos é que eles existem e que sua condição é o de comando divino. Eles não são ideias brilhantes de Moisés, mas exigências categóricas de Deus. A Escritura Afirma que as duas tábuas da lei foram escritas diretamente por Deus (Ex 31.8). Assim, Deus disse ao mundo que tipo de comportamento o agrada: ele deixou isso bem claro por meio das suas dez proibições quanto a qualquer tipo de vida. Embora proclamado como parte do pacto de Deus com Israel, o Decálogo mostra a vontade de Deus para todas as criaturas humanas e é, por essa razão, o ponto onde precisa ser iniciada a educação moral e espiritual de toda a humanidade. Isso foi verdade nos dias de Moisés e ainda é verdade em nossos dias.

A segunda coisa a se dizer sobre os mandamentos é que os temos perdido grandemente e que essa é a nossa estupidez. Ate bem recente, eles eram básicos para o treinamento religioso que os ocidentais davam aos jovens. Antes de dez anos de idade, as crianças memorizava-os. O preconceito contra a memorização como uma disciplina educacional contra o Antigo testamento, contra a lei na Igreja e contra a religião nas escolas levou à uma situação em que poucos nas igrejas, e ainda menos fora dela, podem repetir os Dez mandamentos, isso sem falar em explicá-los. Os Reformadores e Puritanos, que escreveram literalmente dúzias de catecismos para a educação cristã baseados nas três fórmulas clássicas, Os Mandamentos, o Credo e a oração do Senhor, iriam chorar sobre nós se soubessem o quanto temos nos afastado dos padrões que estabeleceram. Em uma era imoral e infiel como a nossa, a ignorância quanto aos mandamentos é uma fraqueza espiritual tão grande quanto se possa imaginar. Mas, ai de nós, essa ignorância é comum e, assim, em questões morais nos atrapalhamos.

A terceira coisa a ser dita sobre os Mandamentos é que eles são, de fato, a base para a moral cristã, como já foi indicado. Os princípios positivos implícitos na sua forma negativa, quando localizados no contexto da realidade cristã do reino de Cristo e na vida no Espírito, sustenta o código de família para os filhos redimidos de Deus, em todos os lugares. Apelos para a ética de Cristo e dos apóstolos que falham em encontrar suas raízes nos mandamentos (raízes deixadas muito claras no Novo Testamento, diga-se de passagem), caem em todos os tipos de concepções erradas. A unidade da ética bíblica, a começar pelo Decálogo, precisa ser redescoberta hoje.

O livro além do prefácio e agradecimentos possui doze capítulos. No final encontramos dois apêndices, um sobre o Catecismo de Heidelberg e Breve Catecismos de Westminster. Neste livro, temos a exploração de Michael Horton sobre o que os Mandamentos significam para o povo cristão hoje é um excelente ponto de partida para qualquer pessoa que deseja apropriar-se novamente da sua mensagem. Há muita sabedoria aqui. Apodere-se dela. É de sabedoria que precisamos.
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HORTON, Michael. A Lei da perfeita liberdade: a ética bíblica a partir dos Dez Mandamentos. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2000.

500 ANOS DE O PRÍNCIPE [Resenha 152/20]


A pouco mais de cinco séculos, no ano de 1513, Nicolau Maquiavel, político e pensador florentino, escreveu uma carta a um embaixador de sua cidade noticiando que escrevera “um livreto”, que designa como De principatibus e tornou-se conhecido como O Príncipe. Os termos da carta exalam modéstia e engenho simples: trata-se de investigar o que é o principado – “de que espécie são, como se conquistam, como se mantêm, por que se perdem”. Tal concisão não impediu que o “pequeno livro” se tornasse uma das principais obras da cultura moderna, e não apenas do pensamento político moderno.

O pequeno livro foi dedicado ao “Magnífico Lorenzo de Medici”, governante florentino e membro da família mais poderosa da cidade. A dedicatória pode sugerir a olhos precipitados um vínculo temático e estilístico do “pequeno volume” – como o designava Maquiavel – com o estilo literário e político conhecido como “espelho de príncipes”. O estilo tinha como traço central a enumeração, com frequência por parte de um autor protegido ou patrocinado para tal fim, das qualidades necessárias para o governo de um príncipe virtuoso. Quando não tendia para a bajulação aberta, procurava fixar uma coleção de bons preceitos diante dos quais o governante deveria se espelhar.

Já na dedicatória, Maquiavel indica a natureza distinta de seu empreendimento. Embora dedicado a um príncipe, a obra parte de uma curiosa e inovadora premissa. Como que se desculpando pela ousadia de dirigir-se a um príncipe como Lorenzo, Maquiavel – que se apresenta como “homem de baixa e ínfima condição” – sustenta que “para conhecer a natureza dos príncipes é preciso ser povo”, assim como “para bem conhecer a natureza dos povos, é preciso ser príncipe”. A natureza do governo, portanto, aparece não como fundada na consulta principesca de um catálogo de preceitos morais e religiosos, mas emerge da interação sempre complexa e um tanto imprevisível entre os 'grandes' e os 'pequenos'.

Na sinopse do livro lemos: O Príncipe de Maquiavel, mesmo que você nunca tenha ouvido falar em Nicolau Maquiavel, deve conhecer o termo maquiavélico, dizemos que uma pessoa e maquiavélica quando faz qualquer coisa para atingir um objetivo. Os fins justiçam os meios esta e a síntese do pensamento maquiavélico que conhecemos hoje. Porem, ao contrario do que muita gente pensa, essa frase não esta em nenhum livro de Nicolau Maquiavel. Trata-se de uma interpretação do pensamento contido nas paginas de o príncipe, livro escrito ha mais de 500 anos e publicado pela primeira vez em 1532.
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MAQUIAVEL. 500 anos de O Príncipe. Cotia, SP: Editora Pé da letra, 2017. 130p. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

TEOLOGIA DA REFORMA [Resenha 151/20]


No ano em que a Reforma Protestante completou 500 anos, o Brasil ganhou grandes obras em português. Entre elas uma, que consideramos indispensável para quem que procura estudar mais sobre a fé cristã. Há 500 anos, a Igreja foi agitada por alguns personagens que propunham mudanças cruciais no cristianismo: os reformadores. Defendendo doutrinas como a justificação pela fé, a autoridade das Escrituras e a graça de Deus na salvação, eles enfrentaram as práticas religiosas vigentes e desafiaram dogmas estabelecidos há séculos no que ficou conhecido como Reforma Protestante.

No livro “Teologia da Reforma”, Matthew Barrett reuniu um time de teólogos e historiadores para falar sobre as doutrinas ensinadas e defendidas pelos reformadores. Michael Horton, Gerald Bay, Michael Reeves, Carl Trueman e muitos outros organizam um documento valioso para os cristãos, convocando-os a aprender com os líderes da Reforma e se apoiar em doutrinas baseadas na Bíblia que têm sido passadas de geração em geração.

Além disso, Teologia da Reforma fornece um resumo sistemático do pensamento reformado. Embora nem todos os assuntos possam ter sido tratados nesta obra, nem todos os reformadores em grande profundidade, este livro abrange o maior loci de teologia reformada. Em suam este livro serve como uma introdução à teologia dos reformadores.

“O distintivo da Reforma, porém, é que sua profunda preocupação teológica foi o próprio Evangelho. Em outras palavras, a Reforma foi uma ênfase renovada na doutrina correta, e a doutrina que estava no centro das atenções era uma boa compreensão da graça de Deus no evangelho de seu Filho, Jesus Cristo. Em parte, isso é o que distingue Lutero dos precursores da Reforma”, diz um trecho da obra.

Matthew Barrett, PhD em teologia, é tutor de teologia sistemática e história da Igreja na Oak Hill Theological College em Londres, além de editor da revista Creed Magazine. É autor e editor de diversos livros cristãos.
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BARRET, Matthew. Teologia da Reforma. Rio de Janeiro, RJ: Thomas Nelson Brasil, 2017. 704p.

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS [Resenha 150/20]


Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores da literatura nacional. Primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, foi também um dos fundadores. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado apresenta um estilo novo, rompendo com a tradicional narração linear e dando início ao realismo brasileiro. Os críticos da época perceberam que a narrativa apresentou elementos modernistas e de realismo mágico. Na obra, o narrador suspende seu relato para desenvolver reflexões paralelas a ele. Outras obras importantes do escritor são: “Dom Casmurro” e “Quincas Borbas”.

Memórias póstumas de Brás Cubas se enquadra no gênero literário conhecido como sátira menipéia, no qual um morto se dirige aos vivos para criticar a sociedade humana. É exatamente o que faz o narrador, ao contar a história de sua vida após o próprio falecimento. A leitura do romance deve levar em conta a dupla condição do protagonista: há o Brás vivo e o Brás morto.

O Brás vivo é personagem da narrativa e vive uma existência marcada pelas futilidades sociais, pela volubilidade sentimental e pelo desprezo que manifesta pelos outros. O Brás morto é o narrador, que é capaz de expor sem nenhum pudor os próprios defeitos. Em primeiro lugar, porque já está morto e não pode mais ser atingido pela ira de seus contemporâneos. Em segundo, porque a condição em que está lhe dá a sabedoria necessária para perceber que seu modo de agir é semelhante ao de todos os seres humanos.

A sociedade é caracterizada como o espaço do jogo entre aparência e essência, onde as pessoas interpretam papéis e fingem ser o que realmente não são. A impossibilidade de conhecer as profundezas da alma não impede o narrador de reconhecer a miséria moral da humanidade.

Essa descoberta é sustentada sem problemas pelo Brás vivo, embasado na filosofia do humanitismo, que afirma que toda atitude humana, boa ou má, é justificável como um ato de preservação da espécie. O Brás morto, de sua parte, é capaz de olhar com ceticismo a própria teoria, chegando a uma conclusão que nada tem de otimista: por ele, a espécie humana termina ali, já que não deixa herdeiros da “nossa miséria”.
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ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Jandira, SP: Ciranda Cultural, 2019. 192p.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

BOX HEROIS DA IGREJA [Resenha 149/20]


Ao longo da História, diversos nomes significativos revolucionaram seu tempo e impactaram a sociedade a qual estavam inseridos. A coleção Heróis da Igreja percorre dois milênios de uma história vibrante e comovente, protagonizada por homens e mulheres que deixaram sua marca como testemunhas de Cristo em momentos dramáticos e cruciais para o povo de Deus.

O Box Heróis da Igreja foi compilado pelo professor norte-americano de Filosofia da Religião e Ética Cristã, Al Truesdale, no Nazarene Theological Seminary. Com um caráter inspirativo e de maneira didática e inovadora, a coleção apresenta a vida daqueles que a tradição cristã decidiu nomear como heróis. A obra está dividida em a coleção está dividida em cinco volumes, representando cinco eras.

O primeiro volume, A Era Primitiva, aborda como os escritos de apóstolos se tornaram referências atemporais para estudos bíblicos e sociais. Entre os nomes presentes, estão Hipólito de Roma, Clemente de Alexandria e Cipriano de Cartago. Já a segunda parte, A Era Medieval, apresenta 23 personagens como Francisco de Assis, Juliana de Norwich e Catarina de Sena, refletindo o período conturbado da Idade Média.

A Era da Reforma é o terceiro livro da coleção e retrata as sérias de divisões dentro da Igreja Católica, que perduram até os dias atuais. Neste momento, o autor cita Catarina de Gênova, Martinho Lutero, João Calvino e raridades da Igreja Ortodoxa do Oriente, como o teólogo Metrofánes Critopoulos de Alexandria.

Um pouco mais próximo dos dias atuais, A Era Moderna é a quarta obra do box que aborda os desafios e oportunidades deixadas pela modernidade. Além disso, apresenta teoria da evolução humana a partir dos preceitos bíblicos. Este volume inclui nomes como Jonathan Edwards, John Wesley, Søren Kierkegaard, Charles Spurgeon e Teresa de Lisieux.

Por fim, o quinto e último livro, Era Contemporânea, mostra como o Cristianismo cresceu nos últimos séculos, mesmo sendo um período regrado pelas influências marxistas e freudianas. Madre Teresa, C. S. Lewis, João Paulo II e Martin Luther King Jr. são alguns dos nomes que apresentam testemunhos.

Além de ser um recurso para a leitura devocional, percorrer as páginas de “Heróis da Igreja” traz uma oportunidade singular de rememorar grandes momentos da história cristã e colocar-se em contato com pensamentos, dilemas, anseios e ideais de personalidades que influenciaram de maneira significativa a sociedade de sua época, sem medo de professar a fé em Jesus Cristo.

Conhecer o contexto em que viveram nossos heróis e heroínas revela por que essas pessoas inspiram os cristãos de hoje como fizeram no passado. Revisitá-los proporcionará ao leitor edificantes momentos de estudo, ao passo que lhe dará uma forte base para sua jornada de fé.
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TRUESDALE, Al (org.) Heróis da igreja: grandes nomes da historia do cristianismo, 5 volumes. São Paulo, SP: Mundo Cristão, 2020.

PARAÍSO PERDIDO [Resenha 148/2020]


John Milton nasceu em Londres em 9 de dezembro de 1608. Seu pai, que também se chamava John, desempenhava a função de um scrivener, um ofício que reunia o trabalho hoje atribuído a vários profissionais diferentes: notário, banqueiro, consultor legal, contador. Era também músico, tendo colaborado com artistas de renome. Isso quer dizer que o futuro poeta não nasceu em família pobre. Desde criança, foi educado na fé puritana, à qual se manteve fiel a vida inteira, e seu pai procurou desde sempre primar pela educação de seus filhos, a começar pelo mais velho. O pequeno John teve uma ótima formação musical e literária. Aprendeu, ainda criança, o latim, o grego e o hebraico, estudando por conta própria depois o francês e o italiano.

Originalmente Paraíso Perdido foi publicado em 1667 com dez cantos, na edição chamados de "livros", porém em uma segunda edição, publicada em 1674 a edição ganhou mais dois cantos, totalizando doze livros com revisões de John Milton. Na divisão em três partes, temos o seguinte: nos livros I-IV, Satã é o grande protagonista. Vemo-lo caído no Inferno, e de lá sair para descobrir o mundo novo criado por Deus; nos livros V-VIII, temos a estadia do anjo Rafael junto de Adão, na qual o emissário divino relata ao homem a grande batalha no Céu e a criação do mundo; Adão, por sua vez, narra ao anjo suas primeiras impressões de homem e a criação da mulher. Nos livros IX-XII, temos o relato da Queda e do destino final da humanidade.

Uma das características mais marcantes de Paraíso Perdido, a par de sua feição clássica, é a onipresença da Bíblia. E este é outro traço marcante que distingue o poema de Milton de outras epopeias. Milton faz mais: transforma em epopeia toda a teologia da História contida nas Escrituras, tendo como eixo o pecado original. Assim, todo o poema é entretecido de referências bíblicas, do início ao fim, e isso até em detalhes que, a princípio, poderiam parecer simplórios. Desde o primeiro versículo de Gênesis até o fim do Apocalipse – tudo está presente em Paraíso Perdido.

Milton não se propõe a nos dar uma resposta. Apesar disso, consegue ele “justificar os caminhos de Deus aos homens?” Deixamos ao leitor que chegue à sua própria conclusão. Afinal, fazer parte dessa grande conversação com os homens do passado também é isto: indagar dos clássicos acerca de grandes questionamentos e, às vezes, discordar deles, ou se deixar surpreender com aquilo que talvez nunca seríamos capazes de pensar por nós mesmos. Aos leitores menos inquisitivos, contudo, resta sempre o deleite de conviver com um grande monumento de beleza que é Paraíso Perdido.

Este é o quarto volume da coleção Clube de Literatura Clássica, uma edição bilíngüe e que veio acompanhado de um Livro com as ilustrações de Medina, Doré e Blake e Marca-páginas na temática da obra.
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MILTON, John. Paraíso Perdido. Novo Hamburgo, RS: Clube de Literatura Clássica, 2020. 832p

UM EVANGELHO DE ESPERANÇA [Resenha 147/20]


Repleto de insights importantes sobre espiritualidade e cultura, Walter Brueggemann propõe reflexões sobre a relevância da fé cristã em meio aos desafios da sociedade contemporânea.

A sociedade parece mergulhar cada vez mais num estado de inquietação e ansiedade, causado pela busca incessante de poder e prazer. Sentimentos como ingratidão e insuficiência têm afetado muitas vidas. Por isso, muitos estão sofrendo de depressão e sentem um profundo vazio. Essa é a tônica do livro “Um evangelho de esperança”, do renomado teólogo Walter Brueggemann.

Resgatando a sabedoria contida nas Escrituras, Brueggemann nos estimula a assumir uma audaciosa postura de enfrentamento contra nossa tendência de agarrar-nos ao que é "seguro e rotineiro". Afinal, sem audácia e espírito criativo, seremos irrelevantes para a sociedade contemporânea.

A cada capítulo, o leitor é conduzido por uma série de reflexões que o ajudarão a avaliar e a lidar com os diversos desafios da sociedade contemporânea. Num verdadeiro tour de force, Brueggemann presenteia o público com descobertas penetrantes sobre espiritualidade e cultura. E explora tópicos que variam de ansiedade e abundância a partidarismo e o papel da fé na vida pública.

Por meio de seu texto instigante e provocativo, o autor ainda destaca que a sociedade vive numa “situação de emergência”, na qual o Evangelho pode ter importância decisiva - “A esperança requer uma Fonte e um Agente de novidade que, de maneiras inescrutáveis, seja gerador, que não seja cativo de velhos hábitos ou de compromissos com o presente. Essa é, sem dúvida, uma declaração teológica acerca do caráter de Deus […] A esperança requer uma comunidade de fé e ação aberta para a novidade que será concedida como dádiva. A esperança é, verdadeiramente, uma atividade comunitária, pois ninguém pode ter plena esperança sozinho”.

Além do prefácio, o livro contém doze capítulos concebidos como um compilado de textos breves, mas profundos, Um evangelho de esperança é uma excelente opção para a leitura devocional, para o estudo individual ou em grupo e como um recurso inspirativo na elaboração de sermões e debates.
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BRUEGGEMANN, Walter. Um Evangelho de esperança. São Paulo, SP: Mundo Cristão, 2020. 176p.

O MUNDO DO SENHOR DOS ANÉIS [Resenha 146/20]


Este livro é um texto sui generis, relacionado aos estudos sobre a obra do autor inglês J. R. R. Tolkien. Esta obra desperta paixão nos leitores desde as décadas de 30 e 50, quando do lançamento, respectivamente, de O Hobbit e de O Senhor dos Anéis. Com esses livros, aquele humilde professor de linguística em Oxford tornou-se o patriarca de toda uma linhagem de escritores dedicados ao subgênero hoje designado como literatura fantástica ou de fantasia.

O autor nos mostra, com este volume, que, apesar de sua formação e produção literária estarem primordialmente direcionadas ao âmbito do Direito e da Filosofia, o mundo fantástico dos hobbits, elfos e anões não é apreciado apenas por jovens leitores fascinados pela fantasia, mas também por estudioso maduros e pertencentes aos mais variados campos da atividade intelectual.

Demonstrando grande paciência e detalhismo, o autor mergulha nas quatros obras que Tolkien dedicou à Terra Média e nos proporciona uma sinopse de todas, relacionando-as, colocando os fatos em ordem cronológica, e ainda destacando as classes de personagens através de um código de cores que nos permite pesquisar fatos e enredos como facilidade. Fornece ainda uma curta biografia de J. R. R. Tolkien e um estudo inicial de personagens e seus paralelos com a mitologia grega, nórdica e o cristianismo, influências inegavelmente presentes nas histórias.

O texto não se propõe a analisar profundamente o conteúdo dos livros, mas, para o estudioso da obra, para os contadores de histórias, para ensaístas e ficcionistas que se baseiam em Tolkien, e que muitas vezes não conseguem localizar determinando episódio nas centenas de páginas de O Hobbit, O Senhor dos Anéis, O Silmarillion e s Contos Inacabados, este livro é de grande utilidade, tornando-se uma indispensável obra de referência e consulta.

A obra está ilustrada com os belíssimos quadros de Ted Nasmith e dos irmãos Hildebrandt, notáveis artistas que plasmaram em pinturas a fértil imaginação tolkiana. Outro destaque para obra é seu acabamento e diagramação leve e bem planejada. O livro é totalmente colorido e ilustrado, e os personagens são divididos por cores para identificar sua árvore genealógica, de forma a auxiliar o leitor no pronto entendimento do número imenso de seres que aparecem nas histórias de Tolkien.
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MARTINS FILHO, Ives Gandra. O mundo do Senhor dos Anéis: vida e obra de J. R. R. Tolkien. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2006.

O RITUAL [Resenha 145/20]


Suspense, organizações secretas, o mal tentando dominar o mundo e muita aventura! Esses são alguns dos elementos principais que aparecem no livro O ritual, novo título da série Aventuras de Daniel, que tem conquistado leitores de todas as idades no Brasil. Escrito pelo jornalista Maurício Zágari e publicado pela Editora Mundo Cristão, o livro promete trazer valiosos ensinamentos bíblicos para os jovens.

Com uma escrita surpreendente, em O ritual, o protagonista Daniel é encurralado por elementos do mal que querem destruir sua vida e a de todas as pessoas a quem ama. Assim, é desafiado a tomar importantes decisões em um contexto em que todos estão em perigo e no qual parece que tudo conspira contra ele. Daniel se vê diante da maior ameaça que já enfrentou: uma organização secreta que não medirá esforços para afastá-lo de Deus. A cada página, o leitor é convidado a mergulhar num enredo de tirar o fôlego e a refletir sobre assuntos importantes da vida cristã.

“Na mesma hora, veio à sua mente tudo o que havia acontecido em sua viagem a Cruz das Almas. Lembrou-se de como tinha conhecido Catarina e seu aprendiz, e de como eles tentaram abalar sua fé em Deus, a fim de cooptá-lo para sua organização secreta. E o pior: naquele momento de aflição pelo qual passava, os argumentos lhe pareceram tão convincentes que Daniel chegou a questionar o Senhor, sentindo-se abandonado.” (P.20)

Marca registrada de todos os livros da série, nesse quarto volume, Zágari levanta debates sobre questões que demandam determinação, integridade e coragem. Com excelente repercussão, Aventuras de Daniel oferece bom entretenimento, mas sem negociar os valores bíblicos. Uma opção singular para o leitor que busca ficção de qualidade, biblicamente saudável, mas que também o divirta enquanto trata com seriedade teológica dos desafios do dia a dia.

SINOPSE - O que fazer quando a sua vida e a das pessoas que você mais ama correm sério risco? Como preservar a fé quando o mundo inteiro parece conspirar contra você?
No quarto volume da série Aventuras de Daniel, o jovem protagonista que conquistou leitores de todas as idades se vê diante da maior ameaça que já enfrentou: uma organização secreta que não medirá esforços para afastá-lo de Deus. A cada página, o leitor é convidado a mergulhar numa investigação empolgante, com discussões acerca de assuntos importantes da vida cristã.
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ZÁGARI, Mauricio. O Ritual. São Paulo, SP: Mundo Cristão, 2020.

Crédito
https://kriocomics.com.br/site/o-ritual-ficcao-que-aborda-principios-milenares-da-biblia-em-um-enredo-de-tirar-o-folego/ 

A VIDA INTELECTUAL [Resenha 144/20]


O livro do padre Sertillanges surpreende por sua abrangência. Quais virtudes são necessárias à vida intelectual? É necessário disciplinar o corpo? Como ordenar o tempo de estudo? Qual a relação entre alimentação e inteligência? Como lidar com a necessidade de solidão e de participar de uma comunidade? Tudo isso e muito mais você encontra neste livro inspirador.

Com a pretensão de apontar um caminho seguro para aqueles cristãos que desejam ter uma personalidade intelectual e sentem-se vocacionados a esse trabalho, Antonin Dalmace Sertillanges escreveu uma verdadeira teoria da vida intelectual, como ele mesmo classifica o livro.

As orientações que Sertillanges nos dá, ainda nas primeiras páginas, são um tesouro: não precisa ser um gênio para realizar grandes obras, basta uma superioridade do espírito, disciplina e confiança na Providência; o intelectual não deve se isolar do mundo nem dos homens de seu tempo; não é necessário ter todo o tempo do mundo, mas utilizar bem o tempo que tem; o mesmo com os meios: não é necessário fazer os melhores cursos, ter as melhores bibliotecas nem estar com os melhores professores, pois, “mais vale a solidão apaixonada, em que toda semente produz cem por um, e todo raio de Sol um dourado outonal.”

Sertillanges diz que o trabalho intelectual é uma vocação; é o que perpassa toda a vida do homem que decide atender a esse chamado; entende o intelectual como um consagrado. Isso fica claro no primeiro capítulo, “A vocação intelectual”.

Alguns pontos importantes: (1) A vida intelectual se define pelo trabalho voltado aos estudos. Não apenas o fato de estudar, mas de organizar a própria a vida, de ter como meta existencial ser um estudante, ser um contemplador das ciências. (2) A vocação não se tratar de apenas ler livros espaçadamente de forma superficial, mas de penetração, continuidade, método. (3) Você dispõe de duas horas por dia? Comprometa-se a resguardá-la com todo o egoísmo possível, a empregá-las com todo o ardor possível, e, em seguida, tomar o cálice amargo da leitura das páginas. Se você está disposto a isto, se está mais do que confiante a isso, você está em bons caminhos.

Como padre, ele afirma que no exercício intelectual o espírito de oração é fundamental. “A inteligência desempenha plenamente seu papel exercendo uma função religiosa, quer dizer, prestando um culto à verdade suprema através da verdade reduzida e dispersa.”; “A Verdade em si mesma é uma, e a Verdade é Deus.” 

O livro, além do de dois prefácios e uma introdução possui nove capítulos: (1) A vocação intelectual. (2) As virtudes de um intelectual cristão. (3) A organização da vida. (4) O tempo do trabalho. (5) O campo do trabalho. (6) O Espírito do trabalho. (7) A preparação do trabalho: leitura, memória, anotações. (8) O trabalho criador e (9) O trabalhador e o homem.
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SERTILLANGES, A. D. A vida intelectual: seu espírito, suas condições, seus métodos. São Paulo: É Realizações, 2010.

Créditos
https://medium.com/@ivison.alves99/resenha-a-vida-intelectual-de-a-d-sertillanges-ed-kirion-8b679c4021e4

https://institutovaloreverdade.org/notas-de-a-vida-intelectual-de-a-d-sertillanges-6c7ea9227052

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

BÍBLIA DE ESTUDO SWINDOLL [Resenha 143/20]


O autor das notas de estudos desta Bíblia escreveu: “As notas espalhadas por toda esta Bíblia são resultado de literalmente milhares de horas de estudo pessoal no decorrer de mais de cinquenta anos de ministério. Esta Bíblia de estudo foi planejada tendo você em mente. Ao ler as escrituras, imagine que estou sentado ao seu lado compartilhando histórias, idéias importantes e lições aprendidas à duras penas que vão encorajá-lo a caminhar mais perto de Jesus Cristo. Você descobrirá o quem, o quê, o quando, o por quê e o como da Bíblia. Quem escreveu isso e quando? O que é isso significa e onde ocorreram esses eventos? Por que devo confiar nisso? E, mais importante, como posso aplicar isso hoje?”

Cada página da Bíblia de Estudo Swindoll está repleta de conteúdo planejado para ajudar você a chegar mais perto de Jesus em seu envolvimento com a Palavra de Deus. Tudo começa com uma versão bíblica clara e precisa, a Nova Versão Transformadora, que comunica a mensagem das Escrituras em uma linguagem poderosa e contemporânea. O texto das Escrituras em si deve sempre ser a característica principal de qualquer edição da Bíblia. Na Bíblia de Estudo Swindoll você também encontrará várias maneiras diferentes pelas quais Chuck Swindoll se colocará ao seu lado para ajudá-lo a entender e aplicar a mensagem da Bíblia.

Com duas opções de capas, “Petra” e “Aqua”, o livro conta com texto da Nova Versão Transformadora (NVT), a escrita é de fácil entendimento e fiel aos originais, a Bíblia de Estudo Swindoll contém mais de 4 mil notas adicionais de rodapé, mapas que levam o leitor à Terra Santa, tabelas de curiosidades, fotos dos lugares citados, perfis de personagens, sugestões de temas para oração, além de comentários e artigos com aplicações práticas para a vida.

O autor Charles R. Swindoll escreveu mais de 90 livros, vários deles campeões de vendas, entre os quais os títulos da premiadíssima série “Heróis da Fé”, publicada em língua portuguesa pela Editora Mundo Cristão. Charles Swindoll tem dedicado mais de 40 anos de sua vida a duas grandes paixões: um compromisso sério com a comunicação prática da Palavra de Deus, e uma incansável devoção ao privilégio de ver vidas transformadas pela graça de Deus.
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SWINDOLL, Charles R. Bíblia de Estudo Swindoll. São Paulo, SP: Editora Mundo Cristão, 2020. 2032p.

OBRAS ESCOLHIDAS - LIMA BARRETO [Resenha 142/20]


Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Brasil Império, sua obra foi a de um príncipe da prosa nacional e sem sombra de dúvida, um dos maiores nomes da nossa literatura. Uma de suas grandes frustrações foi não ter sido aceito entre os fardados da Academia Brasileira de letras para seu chá com biscoito. Por outro lado, Lima Barreto era conhecido como o repórter letrado e revoltado contra o parnasianismo acadêmico, um homem que tomava cachaça e insistia em contar histórias sobre o Brasil que ele via: seu povo, suas pragas, seus políticos.

Sua obra segue mais atual do que nunca e é considerada fundamental para a compreensão do cenário político e social brasileiro porque, como provou o tempo, Lima Barreto foi um escritor visionário que entendeu o Brasil como ninguém. Foi precursor do modernismo brasileiro, e não houve autores equivalentes em sua época. Essa circunstância fez dele um escritor de estilo único. Lima Barreto não fez da literatura apenas um acessório, nem queria fazer dela uma simples aparência. A literatura não era simples requinte, não era verniz, não era enfeite para o fazer parecer culto. Encarava-a, porém, como vocação. Ele deu a própria vida por suas obras. Como disse no “Cemitério dos Vivos”: “A literatura ou me mata ou me dá o que eu peço dela.” Lima Barreto faleceu em 1º de novembro de 1922, aos 41 anos, deixando um patrimônio literário ímpar, do qual nós todos somos os herdeiros.

Neste terceiro volume da coleção “Clube de Literatura Clássica, tenho em mãos a Trilogia de Lima Barreto, que compõe um monumento literário, não apenas nacional, mas universal, de um autor que foi traduzido para dezenas de línguas. Retrata a evolução espiritual dos seus heróis. Junto com o livro recebemos Um marca-páginas dedicado à obra e a obra “Os Bruzundangas” - do mesmo autor. Estes personagens conseguem desligar-se do ressentimento coletivo e elevar-se sobre ele para encontrar o sentido de suas vidas no perdão.

As três obras são e o livro brinde são:

(1) Recordações do Escrivão Isaías Caminha – “Isaías Caminha é um escrivão de interior que se põe a registrar em suas “Recordações” o tempo em que descobriu a vida: o tempo em que partiu da roça rumo à Capital Federal e se deu conta de que substância nosso país é feito”.

(2) Triste Fim de Policarpo Quaresma – “Quaresma é um visionário às avessas, vítima daquele “grão de sandice” tão bem descrito por Brás Cubas. Contudo, em sua trajetória quixotesca, não deixou de justificar o significado de seu nome: Policarpo, o de muitos frutos”.

(3) Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá – “Homem de talento, de espírito agudo, Gonzaga de Sá, descendente dos fundadores do Rio, é um personagem que se deixou apagar pela vida regular do funcionalismo público, e que, por isso, não floresceu nem pôde deixar qualquer legado reconhecido”.

(4) Os Bruzundangas - “O ideal de todo e qualquer natural da Bruzundanga é viver fora do país. Pode-se dizer que todos anseiam por isso; e, como Robinson [Crusoé], vivem nas praias e nos morros, à espera do navio que os venha buscar.”

O Clube de Literatura Clássica tem como objetivo entregar, todos os meses, em nossa casa, os maiores clássicos da literatura, de modo que possamos juntos, compor uma biblioteca que ficará de herança para a posteridade. Venha fazer parte.
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BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha; Triste Fim de Policarpo Quaresma; Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. Novo Hamburgo, RS: Clube Literatura Clássica, 2020. 684p

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sábado, 3 de outubro de 2020

O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA [Resenha 141/20]


O bom Pastor promete guiar você. Com essa premissa, os autores deste livro – J. I. Packer e Carolyn Nystrom trazem direcionamento divino para as decisões da vida. Todos os dias têm de enfrentar decisões: algumas grandes outras pequenas. Como cristãos, procuramos submeter às escolhas que fazemos à vontade Deus. Infelizmente, para muitos, o processo de discernir a vontade de Deus passou a ser algo marcado por medo e confusão, levantando perguntas como: “Deus nos guia? Se guia, como o faz? Como vou saber quando Ele está me guiando? E se eu cometer algum erro?

Por causa dessas dúvidas e medos, muitos crentes caminham com Deus como se andassem por terreno desconhecido, como se não soubessem onde estão pisando, mas precisamos nos lembrar que a verdade de Deus, e, portanto sua direção é luz para nossos pés! Porém, é preciso curar corações de experiências ruins e erradas em tentar buscar e seguir a direção de Deus, gerando frustração e feridas que atrapalham ainda mais a entender e seguir os direcionamentos do Senhor. Este livro traz ajuda nesse aspecto.

Neste livro, você encontrará sólidos fundamentos para entender como e por que Deus guia seu povo. Aprenda qual é o papel das Escrituras, do discernimento, da sabedoria, do conselho e do Espírito Santo em nos ajudar a descobrir a vontade de Deus. J. I. Packer e Carolyn Nystrom faz uma análise do Salmo 23. Eles mostram que Deus, no papel que ocupa na aliança como nosso Bom Pastor, prometeu guiar e guardar a nós, suas ovelhas. Não precisamos ter dúvida de que ele amorosamente concederá a orientação de que precisamos quando o buscamos. E podemos nos sentir encorajados pelo fato de que, do mesmo modo que um pastor sai em busca de suas ovelhas perdidas e as traz de volta ao caminho, o Bom Pastor fará o mesmo por nós.

O livro possui além prólogo, epílogo e apêndice, possui dez capítulos onde os autores confrontam toda a ansiedade que possamos sentir sobre a direção divina com toda a confiança e segurança de que precisamos nesse caso, pois a bondade de Deus é tamanha que o fluir de sua dádiva graciosa nunca cessa para os convidados de seu banquete, que são ao mesmo tempo sua família e seu rebanho.

“Como vimos, direção é uma palavra que para muitos cristãos inspira fascinação e medo. A fascinação é sentida porque os cristãos de fato querem ser divinamente guiados e sabem que há muitas passagens na Bíblia em que a direção divina é prometida aos que creem. O medo surge por suspeitarem que é difícil entender corretamente essa direção e por anteverem desastres ao interpretá-la de forma errada. [...] O fascínio e o medo são alimentados por uma inquietante sensação de incerteza quanto às maneiras pelas quais Deus orienta [...]” (Os Autores)
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PACKER, J. I. O Deus que nos guia e guarda: Direcionamento divino para as decisões da vida. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 2014. 352p.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA - UM GUIA ILUSTRADO [Resenha 140/20]


Lançado antes do lançamento do filme e com base na versão cinematográfica do livro de Tolkien, esta bela edição inteiramente ilustrada e em cores traz uma apresentação detalhada dos personagens e dos lugares que compõem o fabuloso universo de O Hobbit.

Trata-se de um guia oficial e autorizado que busca apresentar os povos e lugares da Terra-média. O leitor pode acompanhar o hobbit Bilbo Bolseiro, o mago Gandalf e a Companhia dos anões em sua Demanda para recuperar o tesouro roubado pelo Dragão Smaug, o Terrível.

O guia busca oferecer informações e conhecimentos exclusivos sobre o mundo de Bilbo e seus amigos, como: (a) quais as relações de parentesco entre os membros da Companhia de Thorin Escudo de Carvalho e quem deles tem maior razão para odiar os orcs; (b) se os elfos de Valfenda e seu senhor, Elrond, oferecerão refúgio seguro aos anões em momento de necessidade; (c) por que os trasgos das Montanhas Sombrias tornaram-se pavorosamente deformados e quem é o Rei monstruoso que os governa; (d) quem é o excêntrico mago Radagast e qual perigo medonho ele descobriu na Floresta das trevas?

Este guia também tem um excelente mapa mostrando a viagem da Companhia desde o Condado até as Terras Ermas. Ricamente ilustrado com mais de 100 fotos em cores do filme, O Hobbit: uma jornada inesperada -- Guia ilustrado começa a Demanda para a Montanha Solitária em estilo espetacular.

A autora Jude Fisher nasceu na Cornualha e hoje mora parte do ano no Marrocos. É autora dos The Lord of the Rings Visual Companions [guias ilustrados ao Senhor dos Anéis] e dos romances épicos Sorcery Rising, Wild Magic e Rose of the World. Publicou quatro romances sob o pseudônimo Gabriel King. Atualmente escreve obras de ficção para adultos e crianças sob o nome Jane Johnson.
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FISHER, Jude. O Hobbit - uma jornada inesperada: guia ilustrado. São Paulo, SP: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

SURPREENDIDO PELA ALEGRIA [Resenha 139/20]


Logo de inicio, Lewis escreve: “Este livro foi escrito em parte como resposta a pedidos de que eu contasse como passei do ateísmo ao cristianismo, e em parte para corrigir uma ou duas ideias falsas que parecem circular por aí. Até que ponto o relato importa a qualquer outra pessoa além de mim depende do grau em que os outros experimentaram aquilo que chamo de "alegria". Mesmo sendo pouco comum o tema, talvez tenha alguma utilidade um tratamento mais detalhado do que (creio eu) já se tentou antes.”

Surpreendido pela Alegria não é somente uma autobiografia do autor, no qual ele conta sobre a sua infância e família, sua educação básica no internato, seus traumas e prazeres pela literatura, a relação com o pai e irmão, o efeito da primeira guerra mundial em sua vida, sua entrada na Oxford e suas principais amizades. Também não é uma confissão. No entanto, é certamente um dos mais belos e inteligentes relatos da caminhada de uma pessoa em direção a fé cristã.

Escrito em 1955, “Surpreendido pela Alegria, C. S. Lewis nos leva de sua infância em Belfast, passando pela perda de sua mãe, pelo ateísmo juvenil na Inglaterra e posteriormente para o agnosticismo, pelas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, até Oxford, onde estudou, leu e, por fim, traçou racionalmente seu caminho de volta para Deus. Descreve de maneira fascinante sua jornada espiritual, inclusive o processo racional e sobrenatural que o levou de volta para o caminho da Salvação, com o foco na sua crise de fé, que determinaria o caráter de toda a sua vida e carreira.

O leitor de Surpreendido pela alegria, pode se decepcionar ao saber que a obra mostra apenas momentos simples da vida de nosso querido Jack. Acompanhamos a vida do autor, passando pela infância, idade escolar, juventude, serviço militar, formação acadêmica e exercício da profissão. Lewis nos revela seus gostos, vontades e segredos, em períodos tranquilos e turbulentos. Cada fase de sua vida é marcada por diversas obras literárias e autores e chegamos a conclusão de que Lewis era apaixonado pela fantasia e no bom sentido, um legítimo nerd.

O que mais predomina no livro, é a transformação da mentalidade e da imaginação do autor, desde a infância até a vida adulta. Ele conta em ordem cronológica, os fatos e eventos que o fizeram mudar seus conceitos, em vários pontos da vida e também espiritualmente. Durante a história, é incrível pra quem é fã das histórias de Lewis, saber a origem de tanta imaginação! O processo criativo do autor, está contido nos próprios devaneios e também na descrição das suas literaturas preferidas, que é basicamente o ponto alto do livro. Tem tanta referência aos clássicos épicos, a mitologia e a literatura da época, que às vezes a gente se sente perdido.

Surpreendido pela Alegria é uma obra biográfica ímpar, a vantagem de ser escrito pelo próprio autor, e entender a mente do C.S. Lewis, um dos grandes nomes da literatura cristã e mundial.
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LEWIS, C. S. Surpreendido pela alegria. Viçosa, MG: Ultimato, 2015.

sábado, 26 de setembro de 2020

O PRÍNCIPE CASPIAN [Resenha 138/20]


O Príncipe Caspian é o segundo livro dos sete escritos por C. S. Lewis que compõem a série infanto-juvenil “As Crônicas de Nárnia”. Publicado em 1951, é sugerido como o quarto na ordem cronológica de leitura das histórias. Se em “O Cavalo e seu Menino” Nárnia foi descrito como um lugar maravilhoso, onde a liberdade prevalecia, os animais e a natureza conviviam em harmonia e tudo era pacifico aqui em “Príncipe Caspian” a trama muda de contexto e torna-se uma antítese ao livro anterior.

Mais de mil anos se passam em Nárnia após as aventuras de Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia narrados em “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, mas para as crianças na Inglaterra se passou apenas um ano. Nárnia, onde os animais falam, onde as arvores caminham, onde uma grande batalha está prestes a começar. Um príncipe, cujo legitimo direito ao trono foi usurpado, reúne um exercito na tentativa desesperada de expulsar de seu reino um falso rei. O príncipe Caspian, decide trazer de volta o glorioso passado de Nárnia. Soprando sua trompa mágica, ele convoca Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia para ajudá-lo em sua difícil tarefa. No fim, porém, é uma luta de honra entre dois homens que decidirá o destino de todo um mundo.

É maravilhoso aqui encontrar os quatro irmãos novamente como o centro da história, apesar do conflito girar em torno da luta do Príncipe Caspian, ainda conseguimos ver Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia caminhando juntos em um novo desafio, retomando todo o carisma desse quarteto que nos fisgou no segundo livro da coleção.

Apesar de todo o conflito, os temas cristãos abordados por C. S. Lewis voltam à tona nesta aventura: Assim como em “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, a questão da fé em Deus, naquele que não nos é visível aparece quando Lúcia vê Aslam e os outros não acreditam nela inicialmente. A invocação por um auxílio inesperado feita por Caspian lembra muito a oração. A referência a criaturas mitológicas, como Baco e Pã, sujeitando-se à Aslam deixa a sensação de que o cristianismo é superior ao paganismo. A transformação de Caspian - telmarino de nascença - em um defensor de Nárnia divulga que a conversão cristã é o melhor caminho, apesar de grandes lutas e obstáculos.

Há também uma alusão invertida à Alegoria da Caverna, de Platão, quando os piratas entram na caverna e descobrem o mundo fantástico de Nárnia. Seria exatamente o caminho oposto ao que o filósofo propôs, isto é, abandonar a fantasia e buscar a realidade.

Outra dicotomia entre fantasia e a realidade aparece quando Pedro e Susana são avisados por Aslam de que nunca mais retornarão a Nárnia, pois já passaram da idade para isto, assinalando assim que a fantasia seria essencial durante a infância, mas a realidade é o que mais importa para a vida adulta.

A existência de uma raça superior e racismo, questões prementes durante a 2ª Guerra Mundial, portanto, bem próximas à publicação do livro, são atacadas quando os anões narnianos não aceitam o anão mestiço Dr. Cornelius, mentor de Caspian.

É interessante a abordagem da diferença na contagem do tempo entre os mundos através da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, a qual nos dá a idéia de que o tempo passa de modo diferente em lugares diferentes.

As mudanças na geografia de Nárnia durante o tempo em que as crianças estiveram fora assinala que não somente as pessoas se transformam, mas também o lugar em que vivem, com ou sem a interferência humana.

Um detalhe que chama a atenção é que as crianças desta vez são transportadas da Inglaterra para Nárnia quando estão em uma estação de trem, assim como ocorre em Harry Potter. 
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LEWIS, C. S. As Crônicas de Nárnia: O Príncipe Caspian. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2008. (Série Nárnia).

Créditos:

[Resenha] As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian
https://www.cinemundo.net.br/resenha-cronicas-de-narnia-principe-caspian/

O Príncipe Caspian (C. S. Lewis)
http://resumos.netsaber.com.br/resumo-45566/o-principe-caspian

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

EVIDÊNCIA INICIAL [Resenha 137/20]


Historicamente, como tem sido assumida a doutrina do batismo no Espírito Santo nas mais variadas tradições cristãs? Como as igrejas do Oriente e Ocidente se posicionaram teologicamente a respeito? Qual teria sido a influência de Charles Parham e William Seymour na formulação da doutrina que determina o ethos de milhões de Pentecostais mundo afora?

É importante a citação desses dois líderes, pois muitas são as controvérsias que envolvem a teologia da evidência inicial. Charles Parham defendeu-a como o ponto central do pentecostalismo, que funcionaria como uma bênção do Senhor visando celeridade na evangelização das nações, com a derrubada de barreiras idiomáticas que separam os homens centenas de línguas e dialetos. William Seymour, outro importante líder pioneiro do movimento pentecostal, em sua teologicamente madura e em razão de muitos conflitos com outros líderes, afirmou que a evidência do batismo no Espírito era o dom do amor.

Gary McGee, que foi professor de História da Igreja no Seminário Teológico das Assembleias de Deus em Springfield, Missouri, edita a obra “Evidência Inicial: Perspectivas históricas e bíblicas sobre a doutrina Pentecostal do batismo no Espírito”, traz a resposta para inúmeras perguntas cruciais sobre o tema. O que o Pentecostalismo brasileiro precisa aprender de suas tradições? É o que você saberá com Evidência Inicial.

O livro com 288 páginas está dividido em duas partes. (1) A evidência inicial na perspectiva histórica. Esta parte concentra-se no desenvolvimento histórico da doutrina e (2) Evidência inicial e o texto bíblico: quatro perspectivas. Esta parte inclui quatro ensaios exegéticos sobre a evidência inicial por diferentes ângulos. Estas duas partes são compostas por 13 capítulos, cada um assinado por um especialista, incluindo teólogos, historiadores e exegetas. Eles apresentam sua visão sobre a doutrina que estabeleceu as línguas como a evidência física inicial do batismo com Espírito Santo. Entre eles, além de McGee, estão Stanley Burgess, Robert Menzies, Larry Hurtado, Cecil Robeck Jr. e Donald Johns.

O editor afirma que esses ensaios, sem dúvida, desencadeiam muitas respostas. A fé e os pressupostos de alguns serão confrontados com descobertas históricas recentes ou em oposição às exposições bíblicas da doutrina. Outros, no entanto, podem descobrir um novo significado para suas experiências carismáticas de glossolalia, ou talvez possam ser forçados a reconsiderar suas suposições sobre o batismo do Espírito Santo. Em todo caso, se este exame limitado do batismo pentecostal e da doutrina da evidência inicial suscitar mais discussões, diálogo, pesquisa e melhor entendimento dentro do corpo de cristo, e terá cumprido seu propósito.
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MCGEE, Gary. Evidência inicial: perspectivas bíblicas e históricas sobre a doutrina pentecostal do batismo no Espírito. Natal, RN: Editora Carisma, 2019.

O CÓDIGO DO CAÇADOR DE RECOMPENSA [Resenha 136/20]


Você ama o universo expandido de Star Wars, é fã do Boba Fett, gosta do modo como os caçadores de recompensa trabalham, ou apenas gosta da franquia e queria saber mais? Acabou de encontrar o livro perfeito para isso tudo! E o nome dele é: O Código do Caçador de Recompensas.

Já diferenciando de qualquer outra obra, aqui não trataremos de uma narrativa e sim de um manual. E aí você se pergunta: “O que eu faria com um manual de caçadores de recompensas intergaláticos do universo expandido de uma franquia fictícia?”. Bom, primeiramente não é qualquer “manual intergalático do universo expandido de uma franquia fictícia” mas sim, um manual que já “passou pelas mãos” dos caçadores Boba Fett, Greedo, Dengar, Bossk e de alguma forma, depois de um tempo, acabou parando nas mãos do próprio Han Solo.

Bom, vamos ao que interessa. O primeiro detalhe que se pode observar é o trabalho maravilhoso que foi feito no acabamento da obra, tudo, em toda a coleção (que será comentada nas resenhas seguintes), foi feito para sentirmos que estamos pegando em um objeto que foi utilizado pelos próprios personagens da franquia (sensacional, né?). A capa se parece realmente com um manual espacial, desde a pintura até a espessura, e o mais legal é que logo atrás, em baixo relevo, temos um brasão Mandaloriano, que pode ser considerado um indício que a edição foi encadernada pelo próprio Boba Fett.

Logo ao abrir, temos uma espécie de relatório Rebelde anexado dizendo como, quando e onde o manual foi encontrado (o que já mexe bastante com a imaginação do leitor). No decorrer do livro, temos o manual com tudo o que se precisa saber para se tornar um caçador de recompensas: As noções básicas, requisitos de alistamento em guildas, credos, regulamentos de guilda, recompensas por regiões, história dos caçadores de recompensas, armas que se devem ser utilizadas, veículos, procedimento com o império, as quatro fases de como caçar uma aquisição, enfim, exatamente tudo que você precisaria para se tornar um caçador de recompensas.

Além de todo o manual muito bem estruturado, e com cada parte escrita por um membro importante da guilda dos caçadores de recompensas, temos o ponto alto do livro, enquanto você aprende tudo sobre esse universo, também pode desfrutar de comentários feitos pelos próprios caçadores quando também estavam lendo a obra.

Em termos cronológicos, respondendo a pergunta: “Mas como eles pegaram o mesmo livro e leram ao mesmo tempo?” A leitura de cada um ocorreu em tempos diferentes, fica subentendido que primeiro, o manual estava nas mãos de Greedo, após um tempo foi para as mãos de Bossk, depois Dengar que o entrega para Boba, até que finalmente vai parar com Han Solo através da Aliança Rebelde. Em determinadas partes da obra é possível ver respostas dos que pegaram o livro depois, para alguns comentários dos que pegaram antes, outro atrativo sensacional.

Por fim, nas ultimas páginas, temos outra história, um manifesto dos sentinelas da morte Mandalorianos (raça do caçador Boba Fett), Onde podemos ver a origem da fama e a grandeza da espécie. Ideal para desvendar inúmeros mistérios sobre o Caçador. Dentro desta parte podemos desfrutar dos comentários de Jango fett, que são direcionados para o filho Boba, que depois, deixa comentários para a filha Ailyn Vel, já que se trata de um exemplar passado de geração em geração. Além deles ainda temos palavras de Aurra Sing e do pirata Weequay Hondo Ohnaka.

O livro é considerado para mim, um item indispensável para um colecionador de Star Wars, principalmente para quem foca a sua coleção nos caçadores de recompensa da franquia.
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WINDHAM, Ryder. Star Wars: O Código do Caçador de Recompensa. São Paulo, SP: Editora: Bertrand Brasil, 2015.

Resenha publicada originalmente
No Blog Torre de Vigilância no link: encurtador.com.br/aJK13

terça-feira, 11 de agosto de 2020

OS DOIS REINOS E A APLICAÇÃO CIVIL DAS DUAS TÁBUAS DA LEI [Resenha 135/20]


Na introdução do livro, os tradutores escreveram o seguinte: “Muito foi escrito no passado sobre João Calvino e suas opiniões sobre o relacionamento do Magistrado Civil com a Igreja. [...] Como você verá nas numerosas seleções dos escritos de Calvino coletados abaixo, o ensino consistente do trabalho volumoso de sua vida nos leva à conclusão inevitável de que ele acreditava, como a Assembléia de Westminster fez, que as Escrituras ensinam tanto que a Igreja como o Estado estão sob a autoridade de Deus e que eles são governados separadamente, mas com responsabilidades ordenadas por Deus de um para o outro.

O livro é pequeno, mas é muito esclarecedor. Além da introdução e conclusão, o livro possui cinco capítulos, onde nos mostra os escritos de João Calvino e sua percepção incomum à época, traçando claramente os limites de atuação do Estado e especificando com clareza a esfera da Igreja.

Em seu mais famoso trabalho, as Institutas da Religião Cristã, no Livro IV, Capítulo 20 (o último capítulo desse seu livro), encontramos uma grande exposição do tema, sob o título Do Governo Civil, em 32 seções. Na terminologia de Calvino, os governantes são chamados de “magistrados” ou de “magistrados civis”, seguindo a própria terminologia paulina de Romanos 13.1-7.

Ao concluir o livro, aprendemos sobre o cristão e seu relacionamento com os Magistrados. Os cristãos devem ter os magistrados em honra, respeito e obediência; Devem estar sujeito a eles não por castigo, mas pela consciência; Devem se sujeitar não por medo, mas porque ao fazerem estarão obedecendo ao próprio Deus. “É impossível resistir ao magistrado sem ao mesmo tempo resistir a Deus”.

O pensamento de Calvino tem, portanto, uma visão elevada da importância dos governantes. Ele não “abre brechas” para focos de insubmissão ou de insurreição. Calvino não deixa de classificar as esferas de cada um – Estado e Igreja, agindo em áreas e situações diferentes. Acima de tudo, ele coloca tanto governantes como governados responsáveis diante de Deus por suas ações ou omissões. Em nossos dias, a visão clara e precisa de Calvino a respeito desses diversos aspectos da regência terrena de nossas vidas deveria ser estudada, aplicada e defendida tanto pelos governantes como pelos governados.
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CALVINO, João. Os dois reinos e a aplicação civil das duas tábuas da lei. Cascavel, PR. Editora Caridade Puritana, 2020. 114p.

sábado, 8 de agosto de 2020

O GUARANI [Resenha 134-20]

Há obras literárias que estão fortemente vinculadas ao momento em que foram criadas. É o caso do romance "O Guarani" (1857), do cearense José de Alencar (1829-1977), ligado à fase inicial do romantismo brasileiro, conhecido como indianismo. A obra de José de Alencar contribuiu para a nacionalização da literatura no Brasil e a consolidação do romance nacional, do qual foi pioneiro e, por isso, chamado de "patriarca da literatura brasileira". Os seus heróis indígenas, rodeados de uma natureza exótica e fascinante, são repletos de bondade, nobreza, valentia e pureza, características que os aproximam dos cavaleiros e donzelas medievais.

O romance está dividido em quatro partes com capítulos titulados: (1) Parte: Os Aventureiros. (2) Peri. (3) Os Aimorés e (4) A Catástrofe. Narrado em terceira pessoa, o livro se passa no Brasil do início do século 17. A história gira em torno de Dom Antonio de Mariz, fidalgo português que, com a construção de uma fortaleza, desafia o poder espanhol. O plano do antagonista, o aventureiro Loredano, queimado como traidor ao final do livro, incluía raptar Cecília, a Ceci, filha de D. Antônio, vigiada pelo forte e valente índio Peri (o personagem central do livro), protagonista do romance, com características morais e comportamentos dignos de um soldado da Idade Média europeia. Ele salva a vida da moça, ameaçada de morte pelos índios aimorés, que queriam vingar a morte acidental de uma índia de sua tribo causada por Diogo, filho de D. Antônio. No combate entre aimorés e portugueses, os primeiros, mais numerosos levam vantagem.

Peri, num ato heroico, bem ao gosto do romantismo, oferece-se ao sacrifício. Toma veneno para que, após ser derrotado na luta e devorado pelos adversários antropófagos, eles falecessem contaminados pela sua carne. Álvaro, capataz de Dom Antônio, apaixonado por Isabel, criada e irmã bastarda de Ceci, salva o índio, convencido pela donzela lusa a tomar o antídoto. Em seguida, Álvaro falece na guerra, e Isabel, inconformada, comete suicídio.

A derrota dos portugueses, no entanto, é inevitável. D. Antônio, num gesto extremo, também romântico, faz a fortaleza explodir, matando a todos ali dentro, inclusive a si mesmo. Pede também a Peri que se converta ao cristianismo para que fuja com a filha.

Adormecida com vinho, Ceci enfrenta com o índio uma tempestade tropical. Quando acorda, Peri conta o que ocorreu. Ela, decepcionada com a civilização branca, decide morar com o "bom selvagem" na selva. Enquanto isso, as águas continuam subindo. O índio, como se fosse um Hércules do mito grego, arranca uma palmeira do chão e improvisa uma canoa. Na última cena, o casal se perde na linha do horizonte, havendo a sugestão, bem dentro do universo nacionalista de Alencar, de que os dois seriam os fundadores da nação brasileira, com suas matrizes portuguesas e indígenas.
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ALENCAR, José de. O Guarani. Jandira, SP: Livros Principis, 2019. 288p.

PERSONAGENS AO REDOR [Resenha 133/20]

PERSONAGENS AO REDOR DA CRUZ - Este livro nos fala sobre o impacto da cruz na vida de muitos personagens que estiveram ali junto ou próximo, comprometido ou não com a cruz de Cristo. O impacto da cruz na vida dessas pessoas resultou em bênçãos para alguns e maldição para outros. A luz que imanava da cruz revelou o caráter e conduta e as motivações de cada personagem que ali estiveram. Todas essas pessoas, ricos ou pobres, duras ou profundamente carinhosas, desagradáveis ou santas, amargas ou compassivas, vingativas ou amáveis e atenciosas. Eles eram aquilo que somos nós, nem melhor nem pior, mas que alcançados pela palavra da cruz, fomos cheios de esperança e fomos transformados pela palavra do Evangelho.

“Jesus sofreu a tragédia da condição humana e transformou esta tragédia em esperança; Ele voltou dos mortos para dar aos homens a segunda chance que nunca acontece na tragédia. Ele ressuscitou dos mortos para encontrar Maria Madalena na profundidade da sua depressão, para encontrar Tomé em seu pessimismo, para encontrar os viajantes a caminho de Emaús no seu intelectualismo, até mesmo para encontrar os chefes dos sacerdotes nos seus esforços frenéticos para encobrir a ressurreição.”

PERSONAGENS AO REDOR DA MANJEDOURA – As cenas do nascimento de Jesus nunca mais serão as mesmas, pois Tom Houston, neste livro, por meio de reflexões sobre os personagens bíblicos reais que cercaram este acontecimento, consegue nos impactar com o real cotidiano de tais personagens. Esse impacto é porque focamos com muito afinco ao nascimento de Jesus e não percebemos os aspectos do extraordinário drama humano que cerca este grande evento.

Com uma mistura de compreensão expositiva, base histórica e sensibilidade psicológica, Tom dá vida aos personagens. E não apenas aos óbvios, como Maria, José, os pastores e os reis. Também somos apresentados ao Imperador Augusto, a Simeão, aos próprios narradores, Mateus e Lucas e, é claro, João Batista e seus pais. Como um contador de histórias, Tom Houston, consegue fazer com venhamos sentir o clima que envolve tais personagens. Sentimos suas emoções, identificamos-nos com suas reações e nos maravilhamos com a maneira pela qual os detalhes pessoais, assim como os grandes movimentos políticos, se combinam para demonstrar a soberania de Deus. Uma leitura que aquece o coração e oferece um ângulo novo e desafiador de uma história familiar.

PERSONAGENS AO REDOR DA IGREJA - Nesse terceiro volume, o foco é na igreja de Jerusalém na primeira metade do livro de Atos dos Apóstolos. A história da primeira igreja – na cidade de Jerusalém – pulsa com vida renovada, julgamentos ferozes, fracassos pessoais, crescimento espiritual e alegria intensa.

A história da primeira igreja – na cidade de Jerusalém – pulsa com vida renovada, julgamentos ferozes, fracassos pessoais, crescimento espiritual e alegria intensa. Tom Houston captura o coração do trabalho de Deus naqueles arrebatadores primeiros dias. Sua própria experiência ampla e demorada com a igreja em todo o mundo brilha em perspicaz compreensão e notável aplicação.

Como um contador de histórias, Tom Houston, consegue fazer com venhamos sentir o clima que envolve tais personagens em cada um dos locais: A MANJEDOURA, A CRUZ E A IGREJA.
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Livros escritos por Tom Houston. Curitiba, PR: Editora Esperança, 2018.

VIVENDO PARA A GLÓRIA DE DEUS [Resenha 132/20]

Este livro apresenta-nos uma perspectiva bem equilibrada e agradável da tradição reformada (o calvinismo como ele realmente é). Apresenta-nos elementos básicos da história da teologia reformada e do confessionalismo, bem como o ensino calvinista sobre a salvação, a piedade, o crescimento, a igreja, a pregação, a evangelização, o casamento, a família, apolítica, a ética, a doxologia (a idéia de viver toda a vida para a honra de Deus – da qual o livro recebe o título) e muito mais. Todo o panorama retratado neste ajudará a fortalecer, em nosso tempo, a fé reformada confessional e experimental – a grande e central tradição reformada proveniente do melhor calvinismo britânico (puritano e escocês) e holandês (a segunda reforma).

Vivendo para a Glória de Deus está dividido em seis partes com um total de vinte e oito capítulos. Desses vinte e oito capítulos, Beeke contribuiu com dezoito. Os outros dez capítulos consistem de contribuições do Dr. Sinclair Ferguson, Dr. James M. Grier, Dr. Michael A.G. Haykin, Dr. Nelson D. Kloosterman, Rev. Ray B. Lanning, Dr. Robert W. Oliver, Ray Pennings, e Dr. Derek W.H. Thomas. Todos esses homens são autores talentosos, e os seus capítulos são consistentemente bem escritos.

(1) O Calvinismo na história. Composta por dois capítulos, o autor dá uma breve introdução histórica à Reforma Protestante, à teologia Calvinista e às suas repercussões na história, como a produção de inúmeras confissões de fé e catequismos professantes da fé reformada. (2) O Calvinismo na mente. Esta é a parte mais polêmica do livro. Possui 9 capítulos e trata dos famosos Cinco Pontos do Calvinismo. O que me chamou a atenção é a cênfase pastoral dada a cada um dos pontos é bastante evidente e faz com que o leitor não só entenda do que se trata cada ponto, mas medite nas implicações dele em sua vida. (3) O Calvinismo no coração. Esta foi a parte que mais gostei de ler e que tem me feito refletir bastante sobre minha vida com Deus. Aqui são tratados assuntos como habitação do Espírito, piedade, santificação do pensamento e santificação na prática. (4) O Calvinismo na Igreja. Esta parte trata da eclesiologia reformada. Ou seja, a relação do Calvinismo com o culto, com a pregação e com a evangelização. Estes pontos são apresentados tanto a partir da ótica de Calvino quanto dos Puritanos e nos ajudam a entender que o Calvinismo ajuda e incentiva profundamente a evangelização e nos traz confiança ao proclamarmos a mensagem da cruz. (5) O Calvinismo na prática Nesta penúltima parte, vários autores são convidados a tratar de assuntos práticos da vida e como eles são vistos a partir da teologia calvinista. O tema mais tratado aqui foram as relações familiares, especialmente o casamento. Além do casamento, são também tratadas as implicações práticas do calvinismo no trabalho e na ética. (6) O alvo do Calvinismo. Esta é a parte final do livro, possuindo um único capítulo chamado “Doxologia”. O propósito dele é nos lembrar que tudo é sobre Jesus Cristo. Todo o plano da salvação, desde a eleição até a glorificação converge a Cristo. Quando encontramos na Bíblia e entendemos o significado das doutrinas da Graça, a reação do nosso coração deve ser uma profunda reverência e um profundo sentimento de adoração.

O autor escreve que o alvo deste livro são os leigos e os pastores interessados em aprender os ensinos básicos do calvinismo. Espero que o livro sirva como um resumo estimulante a uma fonte de revigoramento para aqueles que já são calvinistas ávidos, assim como aos que já estão familiarizados com muito do seu conteúdo.
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BEEKE, Joel. Vivendo para a glória de Deus: uma introdução a fé reformada. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2016. 414p.

domingo, 2 de agosto de 2020

A TORRE NEGRA E OUTRAS HISTÓRIAS [Resenha 131/20]


Logo após a morte de C. S. Lewis, em 22 de novembro de 1963, devido a mudança para uma casa menor, o seu irmão, major W. H. Lewis depois de separar alguns papéis que para ele tinham uma importância especial, começou a desfazer dos outros, ou seja, jogar na fogueira. Felizmente, no entanto, o jardineiro de Lewis, Fred Paxford, preservou uma grande quantidade de cadernos e de papéis para que o antigo secretário de Lewis tivesse a chance de vê-los.

O ex-secretário de C. S. Lewis, era o Sr. Walter Hooper, que assim escreve no prefácio desta obra: “Naquela noite, enquanto os examinava, deparei-me com um manuscrito que me deixou bastante empolgado. Amarelado pelo tempo, mas ainda perfeitamente legível, começava com as palavras: ‘É claro’, disse Orfeu, ‘o tipo de viagem do tempo sobre a qual você lê nos livros — viagem no tempo no corpo — é absolutamente impossível’. Algumas linhas abaixo, na mesma página, encontrei o nome “Ransom”, sobre quem se diz “ter sido o herói ou a vítima de uma das mais estranhas aventuras que jamais tinha acontecido a um homem mortal”. Imediatamente percebi que estava lendo um trecho de mais um dos romances interplanetários de Lewis — “A Torre Negra”, como eu vim a chamá-lo”.

A Torre Negra é um esboço de um quarto volume que daria continuidade a série de ficção científica conhecida como trilogia Cósmica. É composta por seis histórias. A primeira história é a que dá título ao livro – A Torre Negra. Hooper deixa claro que "A Torre Negra" é uma história que infelizmente está incompleta e comenta que o manuscrito foi composto por sessenta e duas páginas e que tentou preservá-las da melhor forma possível. É uma história cativante que continua as aventuras de personagens como Dr. Elwin Ransom e MacPhee. Na trama, cinco homens se reúnem no escritório de Orfeu, na Universidade de Cambridge, para testemunhar a violação do espaço-tempo por meio do cronoscópio , um telescópio que não olha apenas para um outro mundo, mas para outras dimensões. Ao longo das narrativas, seus personagens travam debates brilhantes sobre a matéria, no tempo e no espaço.

O livro conta com outros pequenos contos como “O homem que nasceu cego”, que provoca uma certa curiosidade (afinal, você saberia explicar para alguém que nasceu cego e voltou a ver, o que é a luz?), “As terras fajutas” (um tanto intrigante), “Anjos Ministradores” que fala sobre o isolamento social), “As Formas Desconhecidas” (afinal, cabelos balançam num local sem atmosfera?) e “Depois de Dez Anos”, que é uma ótica diferente de uma história grega um tanto quanto famosa. Esse último é outro que penosamente está inacabado.

Para concluir, observamos que “A Torre Negra” consiste num texto muito intrigante, que revela em si as duas faces mais elevadas de seu autor na produção literária ficcional, ou seja, seu talento para o desenvolvimento de enredos que tem seu ápice na fantasia, e o trato apurado de temas relevantes para a humanidade, como o tempo, o espaço, o desenvolvimento humano, e a relação entre as pessoas, algo bastante arraigado a sua produção em ficção científica.
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LEWIS, C. S. A Torre negra e outras histórias. São Paulo, SP: Editora Planeta, 2016.

COMENTÁRIO DE 1 PEDRO [Resenha 130/20]


Não acredito que algum cristão possa estudar essa carta por muito tempo sem ouvir a voz de Deus dirigir-se com poder às necessidades da igreja de hoje. Em apenas 105 versículos, 1 Pedro trata de inúmeros conceitos de teologia e ética cristãs. Nessa carta, encontramos a grande doutrina da redenção, desde sua concepção antes da fundação do mundo até sua consumação, quando receberemos nossa herança que jamais perecerá. Nela encontramos inúmeras exortações à santidade e à humilde confiança em Deus nas necessidades de cada dia. Encontramos também conselhos práticos sobre casamento, vida profissional, nossa relação com o governo, nosso testemunho perante os que não crêem uso dos dons espirituais e ministério como líder de uma igreja.

Nessa carta também se encontram intenso consolo na aflição e, na medida do que Deus permite a consciência dos profundos ministérios do sofrimento e da reprovação. Vemos nela a beleza majestosa da igreja como “templo espiritual”, onde diariamente oferecemos “sacrifícios espirituais” que agradam a Deus. E Jesus está nela: o pastor supremo que cuida de nós, o exemplo que seguimos a pedra angular escolhida que nos une e consolida e o Salvador que levou sobre si nossos pecados na cruz; aquele que, sem jamais termos visto, amamos. A glória de Cristo brilha das páginas dessa carta para o coração dos que a leem. Para igrejas e indivíduos que procuram crescer em santidade, fé e amor por Cristo, as palavras de Deus em 1 Pedro haverão de compensar ricamente o estudo feito com seriedade, a memorização e a meditação.

O comentário examina o texto seção por seção, extraindo seus temas principais. Além disso, comenta quase todos os versículos da carta separadamente e lida com problemas interpretativos. O objetivo geral é chegar ao verdadeiro sentido de 1 Pedro e tornar sua mensagem clara aos leitores de hoje.
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GRUDEM, Wayne A. Comentário Bíblico de 1 Pedro. São Paulo: Vida Nova, 2016. 240p.