sábado, 2 de fevereiro de 2019

PEDRO - O PRIMEIRO PREGADOR PENTECOSTAL [Resenha]


ZIBORDI, Ciro Sanches. Pedro, o primeiro pregador pentecostal. Rio de Janeiro, RJ: 2018. 240p. 


Este livro é o terceiro de uma série de 7 livros, intitulado “Pregadores da Bíblia”, que tem como objetivo fazer uma análise da pregação contemporânea, dando destaque para os acertos do pregador bem-sucedido, isto é, aquele que tem compromisso com a palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Nesse caso visando uma abordagem positiva, o autor selecionou sete pregadores neotestamentários aprovados por Deus, a fim de discorrer sobre as suas principais características. Os setes personagens são: João Batista, Jesus Cristo, Pedro, Estevão, Filipe, Barnabé e Paulo. 

O Livro além do prefácio e introdução, possui 7 capítulos que como escreveu o próprio autor – “um texto de leitura rápida, bem humorada e estimulante, que incentive o leitor a continuar lendo” [p.8]. Contudo, o conteúdo é sério com muita abordagem teológica. 

Este livro trata-se muito mais do que uma biografia do apóstolo Pedro, mas, o autor defende desde a introdução até o último capítulo, uma fundamentação bíblica teológica do movimento pentecostal. “Entretanto, nesta obra, defendo a ideia de que, a partir do derramamento do Espírito Santo, naquele dia [o de Pentecostes], a comunidade daqueles primeiros anos foi chamada, com muita propriedade. Igreja Pentecostal”. [p.17] 

Em seguida temos uma pequena introdução acerca da vida daquela que será discutido em todo o livro: Simão Barjonas era um simples pescador no lago de Genesaré (Lc 5.10). Ele e seu irmão, André, criam em Deus, mas o segundo aparentava estar mais interessado em conhecer a vontade do Senhor. E, por isso, foi até a Judeia para ouvir a dura pregação de João Batista, um pregador que o chamaríamos hoje de "politicamente incorreto" (Jo 1.35-42). André repassava a Pedro tudo o que ouvia, até que ambos conheceram o Salvador do mundo, por indicação do próprio Batista (Jo 1.35-42). Um dos quatro primeiros discípulos de Jesus e o primeiro apóstolo dentre os Doze (Lc 5.1-11), Simão era casado, e sua sogra — que seria, um dia, curada por Jesus — vivia na cidade de Cafarnaum. 

Sua esposa e ele foram morar ali, possivelmente, algum tempo depois de casarem (cf. Mt 8.14; Mc 1.29; Lc 4.38). Ao contrário do seu companheiro João, Simão Pedro tinha um caráter decidido e impulsivo. Ele estava disposto a matar e morrer ao defender suas idéias (Jo 18.10). Por outro lado, muitas vezes mostrou-se medroso, ingênuo, porém muito sincero, a ponto de arrepender-se com lágrimas amargamente (Mt 26.75). 

E assim conclui a introdução desta obra: Portanto, o primeiro pregador pentecostal não foi John Wesley. O pentecostalismo não deriva do movimento holiness, O Movimento Pentecostal, originalmente, não foi propagado pelo Avivamento da Rua Azusa. O que houve ali foi um reavivamento, pois tudo começou no dia de Pentecostes em Jerusalém! Convido, pois, o prezado leitor a conhecer o primeiro pregador pentecostal: o pescador, discípulo de Jesus, apostolo e autor de epístolas — papa, não! — Simão Pedro. 


CAPÍTULO 1 – PROVADO PELA ÁGUA 

Depois de trabalhar de forma bem humorada uma entrevista imaginária com Simão Pedro, o autor faz um levantamento biográfico-bíblico da do apostolo Pedro, começando pelo sua conversão, chamada e experiências. Apesar de ter um histórico de altos e baixos, é destacado aqui a sua capacidade de liderança e munido de uma personalidade forte 

A trajetória de Pedro começou, de fato, junto ao lago de Genesaré, depois daquela pesca maravilhosa, quando Jesus confirmou a chamada de Pedro, em especial, dizendo-lhe: "Não temas; doravante serás pescador de homens" (Lc 5.10). Mais tarde, em Cesareia de Filipe, Pedro viveu outro momento significativo como principal dos Doze. Jesus perguntou a eles: [...] Quem dizem os homens que eu sou?" (Mc 8.27)- Diante de respostas variadas, o Mestre fez outro questionamento: "Mas vós quem dizeis que eu sou?". Pedro, respondeu: "[...] Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16). Foi neste momento que o Senhor disse a ele: "[...] Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela"(Mt 16.17,18, ARA). 

Deus já tinha um plano traçado para a vida de Pedro até seu martírio. Mas, para que essa linda trajetória começasse, Simão, o pescador, devia entregar-se, de fato, a Cristo. Pedro, antes de conhecer o Salvador, ouviu primeiro a mensagem de João Batista, o precursor de Cristo. A mensagem chegou a ele por meio de seu irmão, André, que, aparentemente, estava mais interessado em conhecer a quem batizaria seus discípulos com o Espírito Santo e com fogo (Jo 1.29-42; Mt 3.11). Pedro foi levado a Cristo por André, seu irmão. Este não guardou para si a boa notícia que recebera, mas achou primeiro a seu irmão Simão e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). E levou-o a Jesus (Jo 1.41.42). Pedro tornar-se-ia o primeiro dentre todos os Doze. Ao chegar diante do Mestre, houve uma troca de olhares, e Ele, de imediato, disse-lhe o que aconteceria a partir daquele momento: "[...] Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)" (Jo 1.42). Mateus e Marcos registram um segundo encontro de Pedro e André com Jesus, também na Galileia. O primeiro, intermediado por André, foi na própria casa de Jesus. O segundo, às margens do lago-mar da Galileia. 

Para o autor, acredita-se que "Pedro recebeu três chamadas distintas de seu Mestre, a primeira para ser discípulo; a segunda, para acompanhá-lo em sua missão; e a terceira para ser apóstolo". Essa segunda chamada, no entanto, não era, ainda, para ser um pescador de homens, e sim para aprender a sê-lo; ela diz respeito ao futuro: "vos farei pescadores de homens" (Mt 4.19). Pedro, então, passou por esse período de aprendizagem, e o Senhor disse-lhe, em outra ocasião, dessa vez individualmente: "de agora em diante, serás pescador de homens" (Lc 5.10). 

Por que o autor deu a este capítulo o título de “provado pela água”? A resposta está aqui: Jesus elegeu homens limitados, boa parte deles pescadores. A escolha do colégio apostólico é surpreendente. Pedro tornou-se pregador do evangelho e, em seguida, o principal apóstolo. Todavia, ele e todos os seus companheiros eram testados o tempo todo. As provas de Pedro quase sempre estavam relacionadas com o mar da Galileia, que ele pensava conhecer e dominar. Quando foi chamado para ser pescador de homens, estava ali. Mais tarde, teve seu chamamento confirmado no mesmo local. O primeiro grande teste de Pedro no mar da Galileia foi em meio à famosa pesca maravilhosa, na qual o Senhor confirmou sua chamada para pregar o evangelho (Lc 5.1-11). O segundo foi durante uma grande tempestade, quando ele ja fazia parte do grupo seleto dos Doze (Mc 4.35-41). O terceiro foi logo "após a primeira multiplicação de pães, quando andou por cima do mar (Mt 14.22-36). E o quarto foi quando o Senhor, já ressuscitado, teve uma longa conversa com esse apóstolo logo após outra maravilhosa pescaria (Jo 21.1-23). [p.21-47] 


CAPÍTULO 2 – PREGADOR, APÓSTOLO... PAPA NÃO! 

Este capítulo, depois de descrever todo o treinamento dos doze, dos três e de Pedro para a grande missão para o qual Deus o chamava para ser pregador e apóstolo, conclui de forma apologética afirmando PAPA NÃO! 

Mateus informa que, "chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" (16.13; cf. Mc 8.27). Alguns leitores da Bíblia poderão pensar que o Senhor Jesus estava preocupado com a sua popularidade quando perguntou a Pedro e a seus companheiros sobre o que as pessoas diziam a seu respeito. Lucas, porém, informa que, antes de fazer essa pergunta, Ele estava "orando em particular" (Lc 9.18). O que Ele desejava, de faro, era submeter os Doze — especialmente os Três e, mais especificamente, Pedro - a mais uma prova. O Mestre sempre soube que o mais importante não era a opinião das pessoas a seu respeito, e sim o testemunho do Pai celestial, que já dissera em seu batismo em água: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.17). 

Mais um momento decisivo para Pedro, pois sua resposta poderá ensejar o início de um novo capítulo de sua nova vida com Cristo. A pergunta entrou pelos ouvidos de Pedro: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (Mt 16.15). Ele não era do tipo que esperava para dar a resposta; parecia estar sempre numa competição em que precisasse ser o primeiro a responder, mesmo que a resposta não fosse a esperada. Ele, contudo, acabara de receber uma revelação do Pai celestial. E, com toda a convicção, respondeu olhando firmemente para o Mestre: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (v. 16). Naquele momento, Pedro tinha plena certeza de que Jesus é o Messias, o Verbo de Deus encarnado. Não foi uma resposta dada por impulso. Pedro realmente estava em sintonia com o Pai celestial. Por isso, o Senhor respondeu-lhe: "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus" (Mt 16.17). 

O Senhor, então, disse ao primeiro dos Doze e dos Três: "também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16.18,19). A partir desse momento, além de pregador e apóstolo, Pedro passou a ser... o quê mesmo? Papa? Fundamento da Igreja? Bem, essa declaração do Senhor a respeito de Pedro e da Igreja merece uma explicação detalhada. 

Para o romanismo, Pedro foi mais que líder ou representante dos Doze no começo da igreja em Jerusalém; ele é a pedra fundamental, a rocha sobre a qual Cristo edificou a sua Igreja. E tem mais: como a ele foi dado o poder de abrir a porta do Reino dos céus, toda autoridade foi-lhe conferida até nossos dias mediante sua linhagem. Entretanto, consta que, dos 266 "vigários de Cristo" (de Pedro a Francisco), "30 deles não foram exemplos para a Igreja Católica (...] e 202 figuram como meros administradores dos bens da Santa Sé" (MENDES, p. xv). 

O que, de fato, o Senhor Jesus quis dizer quando respondeu ao testemunho de Pedro? De modo geral, desde os primórdios do cristianismo, há quatro opiniões sobre o que está escrito em Mateus 16.18. Três delas, evangélicas, são convergentes e harmonizam-se entre si. Comecemos pela romanista, que, a rigor, é a única que precisa ser refutada. 

A partir daqui, o autor formula duas perguntas e dar suas respectivas perguntas: As perguntas são: por que Pedro não foi o primeiro papa e por que Pedro não é o fundamento da igreja? Depois de responder de forma bíblico-teológica ele agora dá três respostas opinião romanista, São elas: (1) "esta pedra” Refere-se a Jesus Cristo. (2) "esta pedra” diz Respeito à Grande Confissão de Pedro (3) "esta pedra” alude a Cristo e os Apóstolos. Conclui esse capítulo afirmando que Cristo é a Pedra, o fundamento da Igreja. Nós somos pequenos blocos, pedras, sendo edificadas sobre essa grande Rocha (1 Pe 2.4,5). Pedro, uma dessas pedras pequenas, foi o nosso representante, por meio de quem nós, pregadores do evangelho, recebemos "as chaves do Reino dos céus". Grande é a nossa responsabilidade! [p.49-76] 


CAPÍTULO 3 – TREINAMENTO DE PEDRO 

O autor começa esse capítulo de onde terminou o anterior, dizendo que Jesus ficou muito satisfeito com a confissão de Pedro em Cesareia de Filipe e fez questão de dizer-lhe que suas palavras resultaram de uma revelação do Pai celestial, e não de impulsividade carnal (Mt 16.13-19). Neste capitulo, no entanto, conheceremos o "outro lado da moeda", pelo qual fica evidente, a luz da Psicologia, que esse apostolo tinha, de fato, uma língua impulsiva, advinda de seu temperamento sanguíneo. 

O caso em pauta aqui agora é aquela cena que o autor denomina de “Do céu ao inferno”. Vamos ao caso. Jesus ficou satisfeito com a confissão de Pedro, pois este, como líder entre os Doze, já havia entendido que Ele é o Cristo, o Filho de Deus e o Salvador do mundo. No entanto, como ainda não chegara o tempo de isso ser propagado sem nenhuma restrição, uma vez que o Senhor ainda haveria de morrer por nossos pecados e ressuscitar para nossa justificação, "mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Cristo" (Mt 16.20). Logo após a declaração de Pedro, começou "a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia" (Mt 16.21). Jesus expôs-lhes, na verdade, todo o plano salvífico previsto nas Escrituras, que começou com a sua encarnação, passaria pela cruz e culminaria com a ressurreição (Is 53; SI 16; 1 Co 15.1-4). Agindo como um neófito, Pedro chamou o Senhor Jesus para uma conversa reservada, a fim de convencê-lo a desistir da cruz. Momentos depois de receber uma revelação celestial, deixou-se influenciar pelo Inimigo, indo do "céu" ao "inferno". Marcos informa que o Senhor, "virando-se e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens" (8.33). Essa não foi a primeira vez em que o Diabo tentou atrapalhar o plano divino para salvar os pecadores. Após essa dura repreensão, o Senhor aproveitou para ensinar Pedro e seus companheiros a respeito da vida de renúncia e sofrimento (Mt  16.24-28). 

Temos ainda neste capítulo três outros assuntos bem colocados pelo autor. Tais assuntos não foram inseridos neste capítulo de forma aleatória ou proposital, mas, posso afirmar que fizeram parte do treinamento de Pedro: Oração no monte, a teologia da Transfiguração e aquele tema que o autor definiu como “modismo” – cair no espírito. 

Voltando ao “Treinamento de Pedro” o autor afirma que Na medida em que Jesus aproxima-se da cruz, Pedro distancia-se dEle até negá-lo diante dos homens. A despeito de todos os ensinamentos que ouviu e das experiências que vivenciou, esse apóstolo ainda não era convertido. Por isso, momentos antes de ser preso, o Senhor disse-lhe: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos" (Lc 22.31,32, ARA). Ele só se converterá, de fato, após a ressurreição do Senhor (Jo 21.17). E, então, como ensinou Paulo, "[...] o véu se tirará" (2 Co 3.16), e Pedro passará a entender: [...] que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vá maneira de viver que, por tradição, recebestes de vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado (1 Pe 1.18,19). 

Convertido, de fato, e cheio do Espírito Santo após a descida do Paráclito no dia de Pentecostes, Pedro fará um grande trabalho para Deus, inicialmente como líder e pregador da Igreja Primitiva. Isso é assunto para os próximos capítulos desta obra, em que, acompanhando a linha do tempo desse apóstolo, vamos conhecer detalhes sobre sua queda, seu recomeço após a ressurreição de Jesus, bem como seu ministério como primeiro pregador pentecostal. [p.77-100] 


CAPÍTULO 4 – ASSENTADO PARA VER O FIM 

Neste capítulo, embora o autor tenha focado alguns assuntos polêmicos, como por exemplo: o caso de Judas (predestinado ou não) e questões escatológicas dentro de sua visão, o que me deterei na verdade são três assuntos aqui tratados, que segundo o autor são parte integrantes do treinamento ministrado especificamente ao Três. 

Escatologia - Tudo o que lhes ensinou sobre os eventos escatológicos será útil especialmente a Pedro e João, que, no fim de suas vidas – com uma compreensão bem mais ampla do futuro glorioso da Igreja -, vão tratar de questões apocalípticas em seus escritos. Como nós entenderíamos 2 Pedro 3 e o livro de Apocalipse se o Mestre não nos tivesse deixado essa maravilhosa exposição sobre as últimas coisas? Há que se notar ainda que, embora o Senhor não se tenha preocupado com a ordem dos acontecimentos futuros — o que é comum no gênero apocalíptico —, pode-se estabelecê-la, à luz da analogia geral da Bíblia. Tomando-se como base Mateus 24 e 25, Lucas 21.5-36 e Marcos 13, quais são os principais assuntos contidos no Sermão Profético? Os assuntos do Sermão Profético são: Invasão de Jerusalém, Sinais gerais, Predições e advertências para Israel sobre a Grande tribulação, manifestação do Senhor, Arrebatamento da Igreja, Tribunal de cristo e julgamento das nações. 

Humildade - aproveitando que alguns retomaram aquela discussão pueril sobre quem era o maior - disse-lhes, mais uma vez, que o maior aqui será o menor ali (Lc  22.24-28), encerrando o assunto com uma promessa: "eu vos destino o Reino, como meu Pai mo destinou, para que comais e bebais a minha mesa no meu Reino e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel" (w. 29,30; cf. Jo 13.16,17). O Senhor levantou-se - eles estavam assentados no chão; possivelmente, ao redor de uma plataforma baixa — e surpreendeu-os com uma grande lição de humildade. Tirando suas vestes e enrolando-se numa toalha, pôs agua em uma bacia e começou a lavar os pés de cada um dos apóstolos e enxuga-los (vv. 3-5). Querendo demonstrar respeito ao Mestre, Pedro reagiu: "Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Jo 13.6). E Ele respondeu-lhe: "O que eu faço, não o sabes tu, agora, mas tu o saberás depois" (v. 7). No entanto, assim como João Batista, que relutava em batizar Jesus em água, Pedro insistiu: "Nunca me lavarás os pés" (v. 8). Era como se dissesse: "Eu e que preciso lavar os teus pés, e tu vens a mim?" (cf. Mt 3.l4). Jesus sabia como lidar com Pedro; as vezes, ele precisava de um “tratamento de choque" para entender os ensinamentos. Assim, ante sua resistência, o Mestre foi mais incisivo: "Se eu te não lavar, não tens parte comigo" (Jo 13.8). E o homem impulsivo que, há, poucos segundos, não queria permitir que seus pés fossem lavados, agora quer um banho quase completo: "Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça" (v. 9). O raciocínio dele pode ter sido o seguinte: "Se o Mestre lavar cabeça, mãos e pés, além de ter comunhão com Ele, receberei várias bênçãos e serei um ótimo líder". O Senhor, porém, tinha outra lição em mente e logo mostrou a Pedro que todos os apóstolos já estavam limpos pela Palavra, exceto um, que escolhera traí-lo (Jo 13.10,11; 15.3). E, assim que lavou os pés de todos — inclusive o do traidor —, voltou a assentar-se à mesa para explicar-lhes o que significava esse ato: “Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (13.13-15). 

A negação de Pedro – A partir da prisão do Senhor, Pedro, literalmente, passou a segui-lo de longe (Lc 22.54). Talvez ele tenha-se decepcionado, já que as perguntas sobre o futuro que ele e seus companheiros fizeram a Jesus (Mt 24.3), inclusive depois de sua ressurreição (At 1.6), indicam que eles esperavam que o Messias fosse um libertador político, alguém que restaurasse o reino a Israel. Pedro só vai entender plenamente o que é o Reino de Deus depois da ascensão de Jesus e a manifestação do Espírito Santo. Mesmo depois da ressurreição do Senhor, vemo-lo, ainda, "assentado", por assim dizer. O momento da virada de página para esse apóstolo será a descida do Paráclito no dia de Pentecostes, dez dias após o Senhor ter sido recebido "em cima no céu" (cf. At 1.7-15; 2.14). Entretanto, assim que fugiu do Getsêmani, sua vida foi de mal a pior. Ele desceu vários degraus em pouco tempo. Ao ser preso, Jesus foi inicialmente levado para a casa do sumo sacerdote sob o olhar de Pedro, que, escondido, acompanhava tudo de longe. Sabemos que este, apesar de ser o líder entre os Doze, não podia fazer nada para livrar o Senhor, que veio para morrer pela humanidade e ser "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Esse apóstolo, entretanto, não esperava que sua lealdade fosse provada tão cedo. Ao aproximar-se de onde Jesus estava, Pedro, literalmente, assentou-se a roda dos escarnecedores (cf. SI 1.1). Lucas diz que, "havendo-se acendido fogo no meio do pátio, estando todos sentados, assentou-se Pedro entre eles" (Lc 22.53). Naquela mesma noite, ele desceria quatro degraus: Negação, mentira, Juramento e Maledicência. Mateus apresenta, togo após o choro amargo do arrependimento de Pedro (26.75). Pedro sai de cena enquanto os evangelistas narram o julgamento, a crucificação e a ressurreição do Senhor. Ele reaparece quando Maria Madalena dá-lhe a notícia de que, ao visitar o túmulo de Jesus no domingo, de madrugada, encontrou a pedra removida (Jo 20.1). Ela, sem perda de tempo, deu a notícia aos apóstolos Pedro e João. Mas, o autor mostra que Pedro teve um recomeço especial, aquele mesmo que, havia pouco tempo, pusera tudo a perder quando negou a Jesus mentindo, jurando e praguejando. Louvado seja Deus, que transforma o fim em novo começo! [p.101-126] 


CAPÍTULO 5 – EM PÉ PARA UM NOVO COMEÇO 

Como em todos os capítulos, é sempre colocado pelo autor uma série de temas que não somente – alguns deles – foram usados para o treinamento dos Três, mas, que também servem de treinamento e instrução daqueles que leem este livro. Por exemplo – uma cronologia das aparições de Jesus Ressurreto. Mas, o ápice deste capítulo é a forma como Jesus proporcionou um novo começo para Pedro. 

O amor de Jesus por Pedro era tão grande que a mensagem do anjo às mulheres que encontraram a pedra do sepulcro removida foi a seguinte: "ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse" (Mc 16.7). Os Onze deveriam ser avisados de que o Senhor ressuscitara, mas Ele fez questão de ordenar ao anjo que desse a Pedro um aviso especial. Isso porque a essa altura Pedro não se sentia mais discípulo. Pedro imaginou que não havia mais chance para ele. Pedro se sentiu indigno. Pedro desistiu de tudo, mas Jesus não desistiu de Pedro." 

Poucos dias após sua ressurreição, o Senhor surpreendeu a Pedro e a mais seis discípulos em uma pescaria "junto ao mar de Tiberíades", outro nome para o mar da Galileia (Jo 21.1). A pescaria estava sendo decepcionante, pois "naquela noite nada apanharam" (Jo 21.3). E possível que Pedro tenha lembrado, saudoso, da pesca maravilhosa, quando sua chamada para ser pescador de homens foi confirmada (Lc 5.1-11). Porém, pela manhã, "Jesus se apresentou na praia" (Jo 21.4), não como outrora. Não mais sujeito às leis da natureza, Ele não se deu a conhecer a todos. Era um momento de transição. Em breve, Ele deixaria seus discípulos definitivamente aos cuidados do Espírito Santo. Ele aproximou-se de Pedro e seus companheiros, mas eles "não conheceram que era Jesus" (Jo 21.4). Em seguida, perguntou-lhes: "Filhos, tendes alguma coisa de comer?" (v. 5). E, ante a negativa deles, o Senhor ordenou-lhes que lançassem a rede à direita da embarcação. Quando fizeram isso, sentiram a rede pesada e "não a podiam tirar, pela multidão dos peixes" (v. 6). Todavia, quem primeiro reconheceu o Mestre foi exatamente "aquele discípulo a quem Jesus amava", João, o qual disse a Pedro: "É o Senhor" (v. 7). Essa aparição, porém, foi muito importante para Pedro, pois o Senhor chamou-o para uma conversa à parte depois do jantar, alusiva ao pastoreio da Igreja nascente. O que Pedro esperava após ter negado o Senhor triplamente? Mais uma vez, Ele surpreendeu-o. Em lugar de uma repreensão tríplice, O Senhor dirigiu-lhe três perguntas amorosas para, em seguida, incumbi-lo de uma importante missão, também repetida por três vezes (Jo 21.15-17). Pedro descera a escada da negação e quase chegara ao fundo do poço, mas Jesus amorosamente o levou a subir os três degraus da escada do amor. Quando Jesus chamou Pedro para fazer parte do treinamento dos Doze, também no mar da Galileia, deu-lhe autoridade e entregou-lhe todas as ferramentas necessárias para "pescar homens". Agora, esse apóstolo passaria a acumular mais uma função no Reino de Deus. Além de "pescar almas", deveria cuidar delas como se fossem ovelhas. 

Como uma preparação para o assunto do próximo capítulo, o autor trabalha o termo “pentecostal” e afirma que em Atos dos Apóstolos, são mencionados vários Pentecostes ou derramamentos de poder do Espírito similares ao de Atos 2.1-13. Pedro, inclusive, participou de, pelo menos, quatro desses eventos que tiveram o Paráclito como protagonista. O dom de línguas não é mencionado apenas no segundo capítulo de Atos dos Apóstolos; ele é mencionado em outros parágrafos (At 10.44-46; 19.6). A partir daí, o autor denomina que todas as manifestações tratam-se de um “pentecoste”, são eles: Dois Pentecostes em Jerusalém (At 2.1-4; 4.24-31); Pentecostes em Samaria (At 8.14-19); Pentecostes em Cesareia (At 10.1-33); Pentecostes em Antioquia, Chipre e cidades da Ásia menor (At 13.1-52); Pentecostes em macedônia e Acaia (1 Ts 5.19-21; 1 Co 12.1,28) e Pentecostes em Éfeso (At 18.24-48). 

E conclui: É emblemática a imagem de Pedro antes da morte de Jesus, estando ele "[...] assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo (Mc 14.54, ARA). Após a crucificação e ressurreição do Salvador, porém, vemo-lo "levantando-se" (Lc 24.12), como que tentando recomeçar. E, logo depois da ascensão do Senhor, ele novamente se levantou "no melo dos discípulos" (At 1.15). Trata-se de um levantar-se diferente; de um líder querendo realizar a Grande Comissão deixada pelo Mestre (Mt 28.16-20). Entretanto, somente após a descida do Paráclito, esse novo homem põe-se em pé cheio do Espírito Santo (At 2.14). A partir do dia de Pentecostes, seu levantar passou a ser diferente. Jesus cumprira a promessa de derramar o poder dinâmico do Espírito sobre todos os que cressem, e, assim, inaugurou-se uma nova época para os apóstolos e todos os discípulos do Senhor. [p.127-153 


CAPÍTULO 6 – PRIMEIRO PREGADOR PENTECOSTAL 

Para o autor, Pedro, foi o primeiro pregador pentecostal e este capítulo trata-se de uma análise do conteúdo de TRÊS pregações deste apóstolo. Estas pregações, são denominadas de pregações pentecostais. Portanto, temos a “primeira pregação pentecostal” e a “segunda pregação pentecostal”. Em determinado momento deste capítulo, o autor fundamenta na primeira pregação “pentecostal” de Pedro, a origem do movimento pentecostal. Ele escreve: Seu primeiro sermão reflete suas convicções claras". 

A PRIMEIRA mensagem ministrada por um pregador pentecostal - Para o autor é uma mensagem cristocêntrica, pois o pregador pentecostal inicia sua prédica com "Jesus Nazareno" (At 2.22) e irá terminá-la com "Senhor e Cristo" (v. 36). A mensagem chama atenção dos ouvintes de que a morte de Jesus na cruz estava na agenda de Deus. Nesse caso, mesmo que os israelitas tenham-no rejeitado, crucificando-o, isso não ocorreu de modo acidental, e sim de acordo com o plano do Senhor de salvar dentre os seres humanos todos aqueles que crerem na morte sacrificial, vicária e expiatória do seu Filho Unigênito (Jo 3.16; Rm 10.9,10). Tem uma rica argumentação fundamentada no pacto davídico, pelo qual sempre haveria representante no trono de Davi até a manifestação do Rei messiânico (cf. SI 89.3,4; 132.11,12; 2 Sm 7.11-16). Se a introdução é Cristocêntrica, a sua conclusão não é diferente. Ao concluir sua mensagem cristocêntrica, que também dá ênfase para a obra do Paráclito, Pedro depara-se com um resultado surpreendente. Pedro talvez não imaginasse que a exposição das Escrituras, ungida pelo Espírito Santo, acicataria as consciências dos judeus, estimulando-os a tomar uma posição. (1) Arrependimento: a verdadeira pregação pentecostal é cristocêntrica e enfatiza o arrependimento, seguindo os exemplos de João Batista, Jesus e os apóstolos (Mt 3.1,2; 4.17; At 2.38; 3.19). (2) Perdão dos pecados: Pedro disse que cada um dos arrependidos deveria ser batizado no nome de Jesus Cristo — ou sobre a autoridade que há no seu nome — "para perdão dos pecados". 

Aqui o autor enfatiza a origem do Movimento Pentecostal. Diz que, Segundo o primeiro pregador pentecostal, a ressurreição do Messias foi somente parte de um processo pelo qual o Onipotente elevou-o pela sua destra a uma exaltada posição de autoridade. Deus Pai fez isso depois que seu Filho Unigênito pagou o preço, vencendo a batalha contra o pecado e a morte (cf. Fp 2.6-11; Hb 1.3-8), para que os salvos também se assentem nos céus a destra do trono da Majestade" (Hb 8.1; cf. Cl 3.1,2; Ef 2.6). Pedro liga a ressurreição e a ascensão do Senhor à descida do Paráclito, enfatizando que Jesus derramou o poder do alto sobre os salvos porque foi exaltado pela destra do Pai (At 2.33-35). Ele esclarece o papel de cada uma das Pessoas da Trindade na concessão do batismo com o Espírito Santo: Deus e o Doador; Jesus, o Batizador (Batista); e o Paráclito, o Executivo, já que, ao ser derramado, todos falaram em línguas "conforme o Espirito Santo lhes concedia que falassem" (v. 4). Portanto, o batismo com o Espírito Santo torna-se, para todos os cristãos, a partir do dia de Pentecostes, uma evidência de que Jesus morreu, ressuscitou, ascendeu ao céu e está a destra de Deus Pai intercedendo por nós. 

A SEGUNDA mensagem ministrada por um pregador pentecostal – A segunda mensagem tem um conteúdo muito parecido com primeira. Trata-se de uma exposição da Morte e Ressurreição de Jesus – onde Pedro dirige aos judeus ali presentes acusações muito duras a respeito do Messias, dizendo-lhes que cometeram, numa gradação ascendente, quatro pecados (At 3.13-15). Eles entregaram o Santo e Justo (cf. Is 53-11; Zc 9.9) a Pilatos (Jo 18.38-40), negando-o duplamente (19.6) e considerando-o pior que o homicida Barrabás (Lc 23.18). E, por fim, mataram o Príncipe da vida (Jo 19.12-16), "ao qual Deus ressuscitou dos mortos" (At 3.15). E, sem esperar que lhe perguntem o que fazer, dessa vez adianta-se e brada: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor" (v. 19). O diferencial consiste que nessa segunda pregação pentecostal, o foco continua sendo a obra redentora de Jesus; Pedro, porém, introduz um terceiro elemento. Primeiro, ele afirma que o Autor da vida foi morto pelos judeus e ressuscitou. Em segundo lugar, convida seus ouvintes a converterem--se, o que implica crer e arrepender-se para que recebam a salvação pela graça de Deus. A novidade em relação à primeira pregação pentecostal é o anúncio da Segunda Vinda (At 3.20). Outro detalhe enfatizado pelo autor é que na primeira pregação pentecostal, Pedro deu destaque a Davi como tipo de Cristo e profeta messiânico. Na segunda, menciona não somente o profeta Moisés, mas também Samuel — que ungiu a Davi como rei de Israel (1 Sm 16.13) —, o qual foi o primeiro a profetizar sobre o estabelecimento do Reino davídico ou messiânico (13.14; 15.28; 28.17). E, desde Samuel, todos os profetas predisseram acontecimentos alusivos ao Messias, como argumenta Pedro (At 3.24). 

Examinemos, pois, a TERCEIRA mensagem do evangelho ministrada por um pregador pentecostal - Embora o autor denomine de “Terceira Pregação Pentecostal”, eu vejo mais como uma defesa da fé apostólica perante os inimigos de Cristo. E nessa defesa, os argumentos de Pedro são perfeitos e serve para o nosso “treinamento”. Pedro e João ainda estavam falando — isto é, conversando com os inúmeros novos convertidos e respondendo às suas indagações — quando chegaram alguns sacerdotes, o capitão do Templo e um grupo de saduceus, todos "doendo-se muito de que ensinassem o povo e anunciassem em Jesus a ressurreição dos mortos" (At 4.2). Essa comitiva estava ali para conduzir os apóstolos ao Sinédrio, mas, como já era tarde, prenderam os dois até o dia seguinte (v. 3). Depois de uma terrível noite na prisão, Pedro e João teriam de comparecer ante o concilio supremo que regia as questões religiosas dos judeus (Sinédrio), formado por cerca de 70 membros, quase todos cheios de inveja, que tinham acabado de condenar Jesus de modo injusto (Jo 18.12-24). E, então, perguntaram aos apóstolos: "Com que poder ou em nome de quem fizestes isto?" (At 4.7), o que deu a Pedro a oportunidade de iniciar sua terceira pregação pentecostal. Esta seria uma mensagem rápida, sem muitos pormenores, porém suficiente para enfurecer ainda mais os inimigos do Caminho. A partir daqui o autor mostra que a mensagem de Pedro Sucinta e Objetiva. Convocado para falar em sua defesa e de João, ele faz uma apologia do evangelho, dizendo que fala e age em nome de Jesus, e reitera tanto a acusação aos judeus pela crucificação de Cristo como sua gloriosa ressurreição (At 4.8-10). Com isso, Pedro e os demais apóstolos manifestavam: Vida renovada, autoridade, obediência a Deus, companhia do Paráclito, sofrimento, milagres que ratificavam a pregação, uma agenda nas mãos de Deus e o surgimento de adversários era constante. [p.155-190] 


CAPÍTULO 7 – LINHA DE CHEGADA 

Neste capítulo tem quatro aspectos bíblicos que me serviram de “treinamento”. (1) A ordem dos apóstolos estabelecidas de forma harmônica nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e Atos dos Apóstolos. (2) para quem gosta de estudar biografia bíblica, neste capítulo um histórico de vida cada um dos apóstolos (3) a quarta pregação pentecostal de Pedro e (4) a linha de chegada do apóstolo Pedro, ou seja, os seus últimos dias de vida. 

Em Mateus, a lista dos apóstolos é apresentada na seguinte ordem: "primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu" (10.2-4, ARA). Em Marcos, os quatro primeiros são Pedro, Tiago, João e André; e Mateus (Levi) troca de lugar com Tomé (3.15-19). Em Lucas, mantém-se André como o segundo; e Tadeu (Lebeu) troca de posição com Simão Zelote (6.14-16). O mesmo Lucas, em seu segundo tratado, Atos dos Apóstolos, altera a ordem de sua primeira relação e apresenta Pedro, João e Tiago como os primeiros, elevando João à segunda posição e passando André para a quarta. Tomé troca de lugar com Bartolomeu, passando do oitavo para o sexto. Com isso, Mateus cai para o oitavo lugar. Quanto ajudas, o traidor, está evidentemente fora dessa lista apostólica final (At 1.13, ARA). Essas mudanças de posição não ocorrem de modo aleatório. Estamos, de fato, diante de uma maratona apostólica, cujas colo cações estão relacionadas com os feitos dos Doze e a consideração que a comunidade cristã tinha para com eles. Vamos, então, antes de retomar a linha do tempo de Pedro, conhecer brevemente cada um desses "competidores" ou "maratonistas", começando pelo último colocado. 

Na QUARTA pregação pentecostal, o autor, enfatiza novamente a o conteúdo simples e direta, pois Deus trata todas as pessoas de modo igual; Ele não as julga com base em aspectos como nacionalidade, sexo ou condição social (Ef 2.11-13). A conversa prévia com o centurião Cornélio, em Cesareia, parece ter ajudado o apóstolo Pedro a entender, de uma vez por todas, o significado da visão que tivera em Jope (At 10.24-33). O pregador pentecostal parece ter percebido que seu auditório está sedento, disposto a receber Jesus como Salvador e Senhor. E, por isso, adota uma linguagem adequada ao seu público, diferente da empregada diante dos judeus em Jerusalém. Todo pregador deve conhecer o seu auditório, de modo gerai, para que suas palavras sejam inteligíveis. Além de simples e direta, a mensagem é cristocêntrica. Pedro dá destaque para o ministério itinerante de Jesus de Nazaré. 

Após ser batizado por João Batista e ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. O Senhor cumpriu seu tríplice ministério até que o “mataram, pendurando-o num madeiro. A este ressuscitou Deus ao terceiro dia e fez que se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós que comemos e bebemos juntamente com ele, depois que ressuscitou dos mortos. E nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (At 10.39-42). Em poucas palavras, Pedro deixa Cornélio e sua casa a par do que significa o evangelho. Cristo morreu na cruz e ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras (1 Co 15.3,4), mandou-nos cumprir a Grande Comissão (At 1.7,8) e, em breve, "há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino" (2Tm 4.1). O pregador pentecostal conclui enfatizando a necessidade de arrepender-se dos pecados: "A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome" (v. 43). 

Com respeito, a linha de chegada, aprendemos que o primeiro pregador pentecostal finalmente cruza a linha de chegada na maratona apostólica, acabando a carreira e guardando a fé. Ele, que correu muito bem, termina sua jornada como um apóstolo maduro, presbítero entre presbíteros, "testemunha das aflições de Cristo" (1 Pe 5.1) e firmado na "verdadeira graça de Deus" (v. 12). Não por acaso, suas últimas palavras registradas nas Escrituras são estas: "crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora como no dia eternidade. Amém!" (2 Pe 3.18). Antes de sair de cena, ele afirmou em Atos dos Apóstolos: "cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus" (15.11, ARA). E agora, momentos antes de deixar seu "tabernáculo" (2 Pe 1.14), já a caminho do "tabernáculo de Deus" (Ap 21.3), assevera: "crescei na graça". A vida desse primeiro pregador pentecostal ensina-nos que somos dependentes da graça do Senhor. Aliás, a Bíblia, o Livro de Deus, começa com uma ação do Deus de toda a graça (Gn 1.1; 1 Pe 5.10) e termina assim: "A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém!" (Ap 22.21). Tudo é pela graça do Senhor, preveniente, salvífica, abundante e fortalecedora] E por ela que fomos salvos, somos salvos e seremos salvos! [p.191-228] 

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Este livro faz parte da coleção "PREGADORES DA BÍBLIA". Para ler a resenha é só clicar nos títulos dos livros:
João Batista - O pregador politicamente incorreto

Estevão – O primeiro apologista do evangelho

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