quinta-feira, 24 de novembro de 2016

TEOLOGIA CONCISA - UM GUIA DE ESTUDOS DAS DOUTRINAS CRISTÃS HISTÓRICAS



Este livro[1] expõe em breves compassos o que me parece ser a essência permanente do Cristianismo, visto tanto como um sistema de crenças quanto uma forma de vida. Outros têm idéias distintas de como deve ser o perfil do Cristianismo, porém esta é a minha. E Reformada e evangélica e, como tal, segundo creio, a corrente fundamental histórica e clássica.

Estas porções resumidas, que foram inicialmente planejadas para um estudo bíblico e surgem agora revisadas, têm um molde intencionalmente escriturístico e, como outros escritos meus, são temperadas com textos para consulta. Sustento que assim deve ser, porquanto é básico para o Cristianismo o ensino bíblico como instrução do próprio Deus, emanando, como afirma Calvino, dos lábios santos do Altíssimo e chegando a nós por mediação humana. Se a Escritura é, na verdade, o próprio Deus pregando e ensinando, como o grande corpo da igreja tem sempre afirmou, segue-se então que a primeira marca da boa teologia é procurar ecoar a Palavra divina tão fielmente quanto possível.

Teologia é, primeiramente, a atividade de pensar e falar a respeito de Deus (teologização), e, em segundo lugar, o produto dessa atividade (a teologia de Lutero, ou Wesley, ou Finney, ou Wimber, ou Packer, ou quem quer que seja). Como atividade, a teologia é como um prisma que decompõe a luz em distintas disciplinas, embora inter-relacionadas: elucidação de textos (exegese), síntese do que eles dizem sobre coisas com que tratam (teologia bíblica), visão da fé expressa no passado (teologia histórica), sua formulação para a atualidade (teologia sistemática), busca de suas implicações para a conduta (ética), recomendação e defesa de sua verdade e sabedoria (apologética), definição da tarefa cristã no mundo (missões), absorção de recursos para a vida em Cristo (espiritualidade), adoração em grupo (liturgia) e ministério perquiridor (teologia prática). Os capítulos seguintes, em forma de esboço, exploram todas essas áreas.

Recordando que o Senhor Jesus Cristo chamou aqueles que designou como ovelhas apascentadas, em vez de girafas, objetivei manter as coisas tão simples quanto possível. Alguém disse certa ocasião ao arcebispo William Temple que ele havia tomado muito simples um assunto complexo; ele sentiu enorme satisfação e disse prontamente: “Senhor, que me fizeste simples, faze-me ainda mais simples.” Meus sentimentos acompanham os de Temple, e tentei manter minha cabeça ao mesmo nível da dele.

Como digo freqüentemente a meus alunos, a teologia é doxologia e devoção, isto é, louvor a Deus e prática da piedade. Ela deve, pois, ser apresentada de forma que desperte a consciência da presença divina. A teologia alcança o auge da sua perfeição quando está conscientemente sob o olhar de Deus, de quem ela fala, e quando está cantando ao seu louvor. Tenho também procurado ter isso em mente.

Estes breves estudos de grandes assuntos se parecem, agora que já os escrevi, com os rápidos passeios turísticos da Inglaterra, que companhias de ônibus operam para os visitantes americanos (quinze minutos em Stonehenge, duas horas em Oxford, teatro e pernoite em Stratford, uma hora e meia em York, uma tarde em Lake District — ufa!). Cada capítulo é uma nota esboçada. Não obstante, espero que meu material comprimido, empacotador-empacotado [Packer-packed] como é, possa expandir-se nas mentes dos leitores para elevar seus corações até Deus, do mesmo modo que uma forma diferente de ar aquecido leva os balões e seus passageiros às alturas. Veremos.

Minhas freqüentes citações da Confissão de Westminster podem levantar algumas sobrancelhas, uma vez que sou anglicano e não presbiteriano. Entretanto, como a Confissão pretendeu ampliar os Trinta e Nove Artigos, e a maior parte de seus autores era do clero anglicano, e como ela é uma espécie de obra-prima, “o fruto mais maduro da elaboração do credo Reformado”, como B. B. Warfield a chamou, sinto-me autorizado a reputá-la como parte de minha herança anglicana Reformada, usando-a como principal recurso.

Reconheço agradecido a mão oculta de meu muito admirado amigo R. C. Sproul, de quem me veio a idéia-embrião de vários destes esboços. Embora nossos estilos difiram, pensamos de maneira muito semelhante, e temos cooperado com sucesso em numerosos projetos. Sei que somos algumas vezes chamados de Máfia Reformada, mas palavras duras não quebram ossos, e vamos prosseguindo.

Agradecimentos são devidos também a Wendell Hawley, meu publicador, e a LaVonne Neff, meu editor, pela assistência e paciência demonstradas de muitas maneiras. Trabalhar com eles tem sido um privilégio e um prazer.

J. I. PACKER

[1] Prefácio da obra.

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