sábado, 29 de outubro de 2016

JESUS ESTAVA CONSCIENTE DE SUA MISSÃO



Desde o início de seu ministério, Jesus estava consciente de sua missão. Desde o começo ele estava sob uma sentença de morte. Sua “doença” era terminal. O Pai o afligiu na cruz não com uma doença terminal, mas com todas as doenças terminais. Sem dúvida isto não quer dizer que Cristo recebeu o resultado positivo de uma biópsia, ou que um médico diagnosticou uma caso avançado de lepra em Jesus. Ele enfrentou sua morte sem nenhuma evidência externa de qualquer doença. Mas a dor cumulativa de todas as doenças foram colocadas sobre ele. Ele tomou sobre seu corpo os danos de todo mal, toda doença, toda dor conhecida pela raça humana.

O sofrimento de Jesus foi múltiplo porque a extensão do mal no mundo é um vasto complexo. Todo efeito de cada pecado foi colocado sobre ele. Carregar este terrível fardo era a sua vocação. Suportar todas as dores e doenças era sua missão. A magnitude deste horror está além de nosso entendimento. Mas ele o entendeu, porque era seu para o suportar.

IN: Surpreendido pelo sofrimento. R. C. Sproul, p. 26. (Cultura Cristã)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

SALVOS PELA FÉ NO ANTIGO TESTAMENTO


SALVOS PELA FÉ NO ANTIGO TESTAMENTO (2 Timóteo 3.14-17)

Nesses versículos, o apóstolo Paulo está exortando Timóteo e os cristãos de Éfeso (e a nós também) a continuarem, persistirem e cumprirem as Escrituras, por que elas nos mostram como viver a vida cristã. Especificamente, ele está dizendo que elas nos dão a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Essa exortação do apóstolo é um fato bastante extraordinário se considerarmos que Paulo era, afinal de contas, um apóstolo. Ele mesmo era um canal de revelação. O Senhor Jesus o designara para servir como seu emissário, seu próprio embaixador, tendo investido Paulo da sua própria autoridade.

Nesse sentido, é absolutamente impressionante vê-lo exortando Timóteo a viver segundo o Livro. O próprio Paulo era um instrumento de revelação, mas direciona Timóteo ao Livro, às Escrituras. Paulo viria a escrever a maior parte do Novo Testamento, mas está direcionando Timóteo ao Livro que já existe. Nesse caso ele se refere às Escrituras Hebraicas. É claro que, em última análise, o que o apóstolo diz é aplicável ao cânon total da Bíblia, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento.

Assim, Paulo está direcionando Timóteo ao Livro como o alicerce da vida; está dizendo ao seu jovem ministro para continuar, persistir e permanecer nas Escrituras. Ele está dizendo que o cânon que Timóteo tinha na época era suficiente para lhe dar sabedoria que leva à salvação, a qual é recebida pela fé em Jesus Cristo. Surpreendentemente, Paulo está falando sobre o Antigo Testamento.

Quando quis provar a doutrina da salvação somente por meio da fé exclusiva em Cristo, em que fonte ele buscou? No Antigo Testamento. Em Romanos, Paulo cita diretamente a vida de Abraão para provar a justificação pela graça por meio da fé (Rm 4.1-3). E ele está dizendo o mesmo a Timóteo, que a sua Bíblia – as Escrituras Hebraicas – é capaz de lhe dar a sabedoria que conduz à salvação pela fé me Jesus Cristo. Então, viva e ministre de acordo com a Palavra, Timóteo. Viva segundo o Livro.

IN: Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 37-39. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

A VOCAÇÃO PARA A MORTE É UMA VOCAÇÃO SAGRADA


Nem sempre Deus deseja curar. Ele não quis curar Estevão das feridas provocadas pelas pedras que foram atiradas contra ele. Ele não quis a cura de Moisés, de José, de Davi, de Paulo, de Agostinho, de Lutero, de Calvino. Todos estes morreram na fé.

Para dizer a verdade, há uma cura final que vem através da morte e depois dela. Jesus foi gloriosamente curado das feridas da crucificação, mas somente depois que morreu.

Os mestres argumentam que existe cura na expiação de Cristo. Certamente existe. Jesus levou sobre si todos os nossos pecados na cruz. Entretanto nenhum de nós está livre do pecado nesta vida. Nenhum de nós está livre de doença nesta vida. A cura que existe na cruz é real. Participamos de seus benefícios agora, nesta vida. Mas a plenitude da cura tanto do pecado quanto da doença acontece no céu. Ainda devemos morrer quando chega a nossa hora.

Sem dúvida Deus atende nossas orações e cura nossos corpos durante esta vida. Mas mesmo estas curas são temporárias. Jesus ressuscitou a Lazaro dos mortos. Mas Lázaro tornou a morrer. Jesus deu vista ao cego e audição ao surdo. Entretanto, todas as pessoas que Jesus curou, um dia morreram. Elas não morreram porque satanás finalmente venceu a Jesus, mas por que Jesus As chamou para morrer.

Quando Deus nos lança uma chamada, é sempre uma chamada santa. A vocação para a morte é uma vocação sagrada. Entender isto é uma das mais importantes lições que um cristão pode aprender. Quando a convocação chega, podemos responder de várias maneiras. Podemos ficar bravos, amargos ou aterrorizados. Mas se a virmos como um chamado de Deus e não como uma ameaça do Diabo, seremos mais capazes de lidar com suas dificuldades.

IN: Surpreendido pelo sofrimento. R. C. Sproul, p. 16-17. (Cultura Cristã)

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Contra o Cristianismo: A ONU e a União Européia como nova ideologia



Duas jornalistas européias denunciam as forças que lutam contra o cristianismo nos dias de hoje.

Um olhar, ainda que seja parcial, sobre tudo o que está acontecendo, faz descobrir um mundo que, inclusive por medo do fundamentalismo islâmico, parece querer substituir toda tradição religiosa por uma ética laica fundada nos direitos humanos, concebidos como negociáveis ou modificáveis. É uma ética que tende a se configurar como religião, que compreende e supera todas as demais, e que deveria garantir o progresso universal e a convivência pacífica de qualquer forma de diversidade.

No entanto, a própria recusa em mencionar as raízes cristãs do Velho Continente na Constituição Européia é um sintoma inquietante de uma situação muito generalizada sobre a condição dos direitos humanos, esses mesmos direitos aos quais todas as organizações internacionais fazem referência, mas que, ao longo dos anos, foram perdendo sua característica originária de código ético e também o seu vínculo com a Revelação judaico-cristã.

Pouco a pouco os direitos humanos se converteram na base ideológica de um relativismo totalitário que busca eliminar toda e qualquer referência a um direito natural. Ergue-se, assim, uma espécie de religião laica, sem um fundamento superior ao qual se possa recorrer em caso de conflitos. Insinua-se como fundamentada em si mesma para estabelecer as normas de organização de uma nova consciência coletiva que, carente de valores sólidos, é sempre modificada conforme as oportunidades e conveniências.

Sobre as autoras

Lucetta Scaraffia é professora de História Contemporânea na Universidade de Roma La Sapienza. Autora de uma dezena de livros, atualmente é colunista dos jornais Avvenire, Il Foglio, Corrière della Sera e L’Osservatore.

Eugenia Roccella é Jornalista, escritora e deputada no Parlamento italiano pelo Nuovo Centro destra. Doutorou-se em literatura contemporânea pela Universidade de Roma e é autora de diversos livros.

domingo, 23 de outubro de 2016

A NOÇÃO COMPLETA DE CONHECER DEUS



A noção completa de conhecer Deus, que emerge nas Institutas de Calvino, inclui tudo isto: reconhecer Deus como Ele se revela nas Escrituras; dar-lhe honra e graças por todas as coisas, humilhar-se diante dele como um pecador necessitado e aprender dele quando Ele fala da salvação; crer no Cristo a quem estabeleceu como nosso Salvador; depois amar o Pai e o Filho de maneira a responder ao amor que Eles demonstram por nós; viver pela fé nas promessas de misericórdia que nos são dadas em Cristo; acalentar a esperança da ressurreição; obedecer à lei de Deus e buscar a sua glória em todos os relacionamentos e todas as interações com as coisas criadas. Assim, perceba que o conhecimento de Deus compreende tanto a verdadeira teologia quanto a verdadeira religião: compreensão, aplicação, adoração a Deus assim como Ele chega até nós em Cristo.

Sim, por meio das Escrituras os homens podem conhecer Deus. Sem elas, isso não seria possível, diz Calvino. De acordo com ele, as Escrituras são vitais, e não há dúvidas de que Calvino está certo. O principio formador, controlador e crucial da Teologia Reformada é sola Scripura: somente pelas Escrituras Deus é conhecido, E na Teologia Reformada, a Bíblia PE considerada como Deus pregando, ensinando, falando e dizendo-nos de modo prático o que Ele disse há muito tempo ao seu povo quando a Bíblia foi inicialmente inspirada, e por meio da própria Palavra dando a si mesmo e ao seu Filho a nós.

Assim, os reformados viram as costas à teologia especulativa e submetem seu intelecto ao aprendizado das Escrituras. Eles agradecem a Deus pelas Escrituras como a gloriosa revelação suprema e final dada por Deus. Eles não conhecem outro Cristo que não o Cristo da Bíblia. Eles não têm outra esperança que não as promessas de Deus contidas nela.

IN: Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 30-31. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

sábado, 22 de outubro de 2016

O CONHECIMENTO DE DEUS



Calvino foi muito claro acerca daquilo que precisamos conhecer Deus. Em sua primeira edição das Institutas, ele especificou quatro coisas que precisam ser conhecidas acerca dele. Veja o que ele diz:

PRIMEIRO, Ele é infinita sabedoria, justiça, bondade, misericórdia, verdade, poder e vida, de modo que não há outra sabedoria, justiça, bondade, nisricórdia, verdade, poder e vida exceto nele. E onde quer que percebamos qualquer uma dessas coisas, elas pertencem a Ele.

E a SEGUNDA que precisamos saber é que todas as coisas, tanto no céu quanto na terra, foram criadas para a sua glória. 

E a TERCEIRA coisa que precisamos saber é que Ele é juiz justo, que pune severamente aqueles que se desviam das suas leis e não realizam a sua vontade inteiramente. 

E a QUARTA, que Ele é misericórdia e bondade, recebendo gentilmente os miseráveis e pobres que buscam a sua clemência e se entregam à sua fidelidade.”

Esse é conhecimento de Deus. Ele é Aquele em quem todo valor habita. É o Criador de todas as coisas. É o Juiz de todos os homens e é o Doador de toda a graça. “Essas são as quatros coisas que precisamos saber acerca de Deus”, diz Calvino. Que todos os crentes digam um caloroso Amém a tais sentimentos.

IN: Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

MINISTÉRIO DE MULHERES


O ministério proveitoso entre mulheres é fundamentado na Palavra de Deus, cresce no contexto do povo de Deus e tem como objetivo a glória de Cristo. Em poucas palavras, essa é a premissa deste livro. Parece simples. No entanto temos muitas perguntas e muito progresso a fazer.

Desde Eva, a tendência humana tem sido nos distanciarmos da Palavra de Deus. Nenhum ministério na igreja está isento da tentação de se focar mais nas necessidades e desejos humanos do que na provisão de Deus em revelar-se a si mesmo a nós. O ministério de mulheres, em particular, pode facilmente tornar-se algo sobre as mulheres, em vez de ser sobre mulheres reunidas para ouvir e seguir a voz de Deus, revelada em sua Palavra.

O fato básico da nossa criação por Deus como homem e mulher se encontra no centro de uma das maiores felicidades e das maiores perversões da existência humana. A maneira como florescemos como homem e mulher esclarece ou distorce a imagem de Deus em nós e a glória de Cristo para a qual nós estamos destinados a resplandecer com alegria. Portanto o tema do ministério de mulheres não é sobre satisfazer suas necessidades, mas é, em última análise, sobre a glória de Deus. Até vermos essa glória face a face, ela está revelada a nós nas Escrituras. 

Este livro começa e termina com a afirmação da Palavra viva e ativa de Deus como a lâmpada que ilumina cada passo em todas as áreas da vida – incluindo o ministério de mulheres. Se o Deus do universo, de fato, fala conosco em sua Palavra, então nossas vidas devem ser centradas em ouvir e viver essa Palavra – inclusive no ministério de mulheres. A Palavra nos mostra Jesus desde o início até o fim; assim, o ministério de mulheres deve exaltar Cristo, nosso Redentor e Senhor, do início ao fim. Neste livro, tentaremos estabelecer esse fundamento em Cristo baseado na Palavra, mostrando que o ministério de mulheres sobre esse fundamento não apenas as ajuda a conhecerem e a servirem outras mulheres, mas basicamente as ajuda a conhecerem e a servirem juntas ao Deus trino. 

Ministério de Mulheres. Gloria Furman, Kathleen Nielson (Editora Fiel) (Sinopse)

DOUTRINA É IMPORTANTE (A Vida Eterna depende dela)



DOUTRINA É IMPORTANTE (A VIDA ETERNA DEPENDE DELA!)

O Cristianismo é muito mais do que acreditar na doutrina certa. Mas não é menos que isso. Você pode ter a doutrina certa e não ser um cristão. Você pode saber várias noções verdadeiras a respeito de Jesus e não ser salvo. O diabo não é ignorante quanto a quem Jesus realmente é. Nos Evangelhos, os demônios são os primeiros seres a reconhecer a verdadeira identidade de Cristo. Você pode saber coisas verdadeiras e não ser um cristão. Mas você não pode ser um cristão sem saber coisas verdadeiras. Algumas doutrinas são absolutamente essenciais. Você pode saber algumas verdades e ainda assim estar perdido, mas existem algumas verdades sem as quais você não será encontrado. O que acreditamos a respeito de Jesus é uma dessas verdades. (1 Jo 2.24-25)

Se estiver interessado em permanecer em Jesus e no Pai, você se importará com a verdade que está permanecendo em você. Não conheceremos a Deus a menos que conheçamos a verdade – o que é outra forma de dizer: você não chega ao Céu sem teologia. A promessa de 1 João é que, se a verdade permanecer em você, você permanece em Deus e receberá o que lhe foi prometido: a vida eterna.

Você conhece Jesus Cristo? Você conhece esse homem, esse Deus-Homem, esse Filho, esse Salvador, esse Rei, esse Cristo? Você buscará conhecer esse Jesus – aquele que encontramos na Palavra, aquele que habita em você através do Espírito Santo, aquele a quem você recebeu quando se tornou um cristão – e nunca mudar de opinião a respeito dele? Não é exagero dizer que o céu está em jogo. Sua felicidade eterna depende disso.

Kevin DeYoung. The Gospel Coalition. Original: Doctrine Matters: Eternal Life Depends Upon It.

A DIFÍCIL DE MISSÃO DE WILLIAM TYNDALE - Steven Lawson


Este é mais um livro da série um perfil de homens piedosos. WILLIAM TYNDALE, erudito, gênio linguista e teólogo, desejou dar aos homens de sua terra as Escrituras em seu próprio idioma. Esta era uma missão muito difícil, mas nada poderia dissuadi-lo, e ele deu sua própria Vida para que esta missão fosse cumprida.

No começo do século XVI, a legislação inglesa controlava o acesso das pessoas às Escrituras e proibia a sua tradução do latim para outro idioma. Mas o teólogo e linguista William Tyndale estava decidido a tornar a Bíblia conhecida entre seus conterrâneos e abraçou esta difícil missão, que acabou custando sua Vida.

Willian Tyndale foi um dos grandes homens que Deus usou no passado em dias difíceis de seu país, a Inglaterra. Com uma coragem e determinação impressionante de traduzir a Bíblia Sagrada para o povo de língua inglesa em dias em que isso era proibido. Tyndale deu a própria vida para isso e resultado de seu esforço a primeira Bíblia em inglês foi produzida e mais tarde tornou-se um instrumento do Senhor para impactar milhares de vidas no mundo.
Creio que em português essa seja a única obra que relata a vida dele escrita em português.

A leitura desta pequena biografia bem escrita e organizada impactará todos os leitores. Sua simplicidade de vida e determinação estimulam o leitor a usar os seus dons a serviço do reino.

Conhecer homens do passado que deram a sua vida a favor do evangelho é sempre uma leitura que recomendo. A história de William Tyndale é uma dessas que vale a pena ser lida.

O QUE É GLORIFICAR A DEUS?



Glorificar a Deus consiste de quatro atitudes: (a) Apreciação; (b) Adoração; (c) Afeição e (d) Sujeição. Elas são as nossas obrigações para com o reino dos céus.

(1) Apreciação: Glorificar a Deus é colocá-lo no lugar mais alto de nossos pensamentos e tê-lo em uma venerável estima: “tu, porém, Senhor, és o Altíssimo eternamente” (Sl 92.8), e “... tu és sobremodo elevado acima de todos os deuses” (Sl 97.9).

(2) Adoração: Glorificar a Deus consiste em adoração. “Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade” (Sl 29.2).

(3) Afeição: Esta é a parte da glória que oferecemos a Deus, que se considera glorificado quando é amado: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.5).

(4) Sujeição: A sujeição acontece quando nos dedicamos a Deus e nos apresentamos prontos para servir. Glorificamos a Deus quando somos devotados ao seu serviço, quando nossa mente estuda para servi-lo, nossa língua clama por seu serviço e nossas mãos assistem a seus filhos.

Um bom cristão é como o sol, que além de irradiar calor circula a terra. Assim, aquele que glorifica a Deus não tem somente suas afeições aquecidas com o amor a Deus, mas também realiza suas obras e se move com vigor na esfera da obediência.

IN: A Fé Cristã: Estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster. Thomas Watson, p 22-24. (Cultura Cristã)

ESTUDO Nº 01 - Qual o fim principal do homem?



PERGUNTA 01: Qual é o fim principal do homem?
RESPOSTA: O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre
REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Rm 11.36; I Co 10.31; Sl 73.24-26; Is 43.7 Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Jo 17.22,24; Is 61.3.


INTRODUÇÃO

“O Senhor fez todas as coisas para determinados fins...” (Pv 16.4). 

Para que fez o homem? Para que este O glorificasse e gozasse para sempre. Este é o fim ou propósito principal da nossa existência. 

O evolucionista não concorda que o fim supremo e principal do homem seja glorificar a Deus.[1] Charles Darwin através de seu livro “A Origem das Espécies”, citado por Sponville,[2] afirma ser o homem um ser insignificante numa mera continuidade dos primatas e que não existe felicidade ou gozo fora de si mesmo.

Partindo deste principio, Pinker investigando a felicidade sob a perspectiva evolucionista indicou a tendência humana para a infelicidade. Segundo o pesquisador, a habilidade de se entediar com os prazeres teria proporcionado ao homem a vantagem evolutiva de “querer cada vez mais” [3].

Contudo, o Breve Catecismo começa nos colocando no relacionamento correto com o Deus soberano: primeiro o glorificamos, depois, como resultado, gozamos de sua comunhão – a verdadeira felicidade.

Precisamos deixar as desculpas para justificar a nossa negligência no relacionamento com Deus (a falta de tempo, o estresse da vida moderna, as diversões, a preocupação com os negócios da vida, etc.) e colocar em prática o que a Palavra de Deus nos ensina. Sem isso, desfrutar a companhia do Senhor, que é o maior bem que existe (Sl 16.11, Sl 73.24-26), será uma realidade distante.

Nenhum outro, por legítimo que seja, iguala-se a este em importância. E este, como se vê, relaciona-se com Deus e com o próprio homem. Diz respeito à glória de Deus e à felicidade do homem.


I. A ORIGEM E O PROPÓSITO PARA O QUAL O HOMEM FOI CRIADO.

1. A origem do homem

A Bíblia afirma que “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins...” (Pv 16.4). E entre todas as coisas criadas está o homem. O homem não é resultado de evolucionismo naturalista ou descendente de macacos. O homem é produto de um direto e especial ato criador de Deus, Gn 2.7.

O homem não é somente a coroa da criação, mas também é objeto de um especial cuidado de Deus. E a revelação de Deus na Escritura é uma revelação dada não somente ao homem, mas na qual o homem é de interesse vital. O homem ocupa um lugar de central de importância na Escritura. Segundo Berkhoff – “O homem é descrito como alguém que está no ápice de todas as ordens criadas. Foi coroado como rei da criação inferior e recebeu domínio sobre todas as criaturas inferiores. Como tal, foi seu dever e privilégio tornar toda natureza e todos os seres criados, que foram colocados sob seu governo, subservientes à sua vontade a o seu propósito, para que ele e todos os seus gloriosos domínios magnificassem o onipotente Criador e Senhor do universo, Gn 1.28; Sl 8.4-9.”[4]

2. O propósito para o homem foi criado

Portanto, Deus nos criou para sua própria glória. Deus fala de seus filhos e filhas de todo o mundo como aqueles que ele criou para a Sua glória (Is 43:7, cf.Ef 1:11-12). Portanto, somos chamados a fazer tudo o que fazemos "para a glória de Deus" (1 Co 10:31).

Portanto, qual é o nosso propósito na vida? Nosso objetivo deve ser para cumprir a razão pela qual Deus nos criou: glorificá-Lo, Sl 73.25-26.

A primeira pergunta do Breve Catecismo: Qual é o fim principal do homem? A resposta vem em seguida: O fim principal do homem é glorificar a Deus.

A palavra “fim” tem o significado de uma intenção sincera, um propósito definitivo para toda a vida do crente. “O homem terá outros propósitos nesta vida (estudar, cuidar da família, trabalhar, mas seu propósito ‘principal’ deverá ser glorificar a Deus.” [5]

O sentido desta pergunta é que o propósito de glorificar a Deus estará sempre acima de qualquer outro propósito e será a base para todas as outras realizações humanas. 

Dizem-nos as Escrituras que, quando glorificamos e desfrutamos a Deus, ele se alegra conosco, Is 62.5; Sl 3.17-18.

Paulo exclama: "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele pois, a gloria eternamente. Amém! (Rm 11.36). Quando passamos a apreciar a natureza de Deus como o Criador infinitamente perfeito que merece todo louvor, nosso coração então não descansa enquanto não lhe damos glória de todo o nosso "coração ... alma ... mente ... e força" (Mc 12:30).

C. S. Lewis, questionou: “Por que Deus deseja ser louvado e elogiado? Por que Ele quer ser sempre o centro de afeições e atenção? Então, ele encontrou a resposta. Eu não havia percebido que é no processo de adoração que Deus comunica a sua presença aos homens. ... Até mesmo no judaísmo, a essência do sacrifício não era realmente o fato de os homens darem bois e bodes a Deus, mas o fato de que, ao fazerem-no, Deus Se dava a Si mesmo aos homens...” [6]


III. COMO SE GLORIFICA A DEUS?

1. A glória de Deus

A Bíblia diz: “Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que em todas as coisas seja Deus glorificado...” (I Pe 4.11). O fim ou propósito de tudo que fazemos deve ser a glória de Deus.

Mas, o que é a glória de Deus? Em que sentido e de que modo o homem pode glorificar a Deus? As Escrituras fazem a seguinte distinção: [7]

GLÓRIA INTRÍNSECA
GLÓRIA ATRIBUÍDA
É a que Deus tem em si mesmo, por Sua natureza (Sl 104.1). A glória de Deus é infinita, eterna e imutável, e não pode ser aumentada ou diminuída. Portanto, glorificar a Deus não significa fazê-lo mais glorioso.
É a que o homem atribui a Deus (Sl 29.1,2), reconhece em suas obras (Sl 111.2-3), exalta e proclama (Sl 145.10-12). É neste sentido que o homem pode e deve glorificar a Deus e a Cristo.



2. Como podemos glorificar a Deus?

Glorificar a Deus é buscar a sua própria glória antes e acima de todas as coisas, crendo em suas promessas e crendo que ele é poderoso para realizar tudo o que prometeu.

a) Glorificamos a Deus através da adoração. Sl 29.2. Nosso culto a Deus deve refletir nossas vidas santificadas. Deus não suporta “iniqüidade associada ao ajuntamento solene” (Is 1.13).

b) Glorificamos a Deus dando graças por suas bênçãos. Sl 50.23; 103.2. A maioria das pessoas vive se queixando da vida e não glorifica a Deus por Suas bênçãos diárias.

c) Glorificamos a Deus atribuindo-Lhe a glória de tudo o que somos e temos, e de todo o sucesso que alcançamos. I Cr 29.10-14. Nabucodonosor gabou-se de sua grande Babilônia, dizendo: “... eu a edifiquei, com meu grandioso poder, para a glória da minha majestade...” Deus lhe tirou o reino e o humilhou em extremo, durante sete anos. O rei aprendeu a lição e disse: “Agora... louvo e exalto e glorifico ao rei do céu” (Dn 4.30-37. Ver I Co 15.9-10).

d) Glorificamos a Deus dando frutos. Jo 15.8,16. O contexto parece referir-se principalmente à multiplicação dos frutos resultantes da evangelização e do discipulado.

e) Glorifica-se a Deus defendendo a verdade do evangelho de Jesus Cristo. Mas, como diz Calvino: só podemos glorificar a Deus quando sabemos quem Ele é. Somente podemos glorificar algo que conhecemos, como poderíamos dar glória a algo desconhecido. 

Calvino nos diz que a “glória de Deus é quando sabemos o que ele é”. A maior e mais perfeita forma de glorificar a Deus é conhecê-lo, para isto Ele nos deu a Escritura, todo aquele que ama a Deus ama a Palavra de Deus, e somente através da Escritura podemos saber quem é o Deus que devemos glorificar. 

3. As conseqüências de se glorificar a Deus

O verbo glorificar vem antes do verbo gozar, e isto é bastante lógico, não se pode ter o gozo de Deus sem antes glorificá-lo, não se pode glorificá-lo sem antes conhecê-lo, mas não é bem isto o que tem acontecido. 

“O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.” Nessa ordem, o crente que nesta vida tudo faz visando a glória de Deus, goza, necessariamente, a bênção inefável da comunhão com Deus. Ele pode orar como o salmista: “Estou sempre contigo... Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Sl 73.23-25). Na terra ou no céu, agora e “para sempre”, Deus é o nosso gozo maior. Na Sua presença há “plenitude de alegria” e “delícias perpetuamente” (Sl 16.11).

O homem foi criado para Deus e não Deus para o homem, o perigo de se pensar em usufruir as bênçãos de Deus antes de glorificá-lo ocorre com freqüência assustadora, raramente os crentes louvam a Deus pelo que Ele é. [8]

As religiões modernas têm se transformado em religiões meramente emocionais, onde se despreza o conhecimento de Deus, onde os crentes passam a exigir favores de Deus, exigindo retribuição de suas contribuições, procurando curas milagrosas e por aí vai...

O relacionamento correto do cristão com Deus acontece quando se olha para Deus antes de olharmos para nós mesmos, quando se anseia por Deus antes que pelas necessidades, quando se busca o conhecimento de Deus acima do conhecimento do mundo, Mt 6.33.


CONCLUSÃO

É fato lamentável que o cristão comum, que promete ser leal aos padrões de Westminster, é um cristão que muitas vezes não vive esses padrões nas ocupações diárias da vida. Devemos sempre reconhecer que a primeira lição do nosso Catecismo a ser aprendida é que nossa preocupação primária é estar a serviço do Deus Soberano.

Que Deus possa ajudar a cada um de nós a fazer uma pausa neste exato momento, ler novamente a primeira pergunta e a resposta de nosso Breve Catecismo e orar a Deus para que de hoje em diante, a cada dia, vivamos para sua glória. Não é difícil conhecermos as características de uma vida assim. 

“Servir conscientemente ao propósito para o qual Deus o criou é a glória do homem (...) Conforme disse Agostinho em suas Confissões: Tu nos criaste para Ti mesmo, oh Deus, e o nosso coração não descansa até que repousa em ti”.[9]

James Benjamim Green nos diz que a resposta à primeira pergunta do catecismo afirma duas coisas:
a) O Dever do homem – Glorificar a Deus.
b) O destino do homem – Gozá-lo para sempre.[10]

____________________________
[1] GEERHARDUS VOS, Johanees. Catecismo Maior de Westminster Comentado. São Paulo: Editora Os Puritanos, 2007.
[2] SPONVILLE, A. C. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo, Martins Fontes, 1997.
[3] PINKER, Steven. Como a mente funciona. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
[4] BERKHOFF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas, SP: Luz para o Caminho, 1990.
[5] VAN HORN, Leonard t. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo, SP: Editora Os Puritanos, 2009.
[6] LEWIS, C. S. Lendo os Salmos. Viçosa (MG): Editora Ultimato, 2015.
[7] WATSON, Thomas. A Fé Cristã: Estudos Baseados no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2009.
[8] VANHORN, Leonard t. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo, SP: Editora Os Puritanos, 2009.
[9] GEERHARDUS VOS, Johanees. Catecismo Maior de Westminster Comuntado. São Paulo: Editora Os Puritanos, 2007.
[10] VANHORN, Leonard t. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo, SP: Editora Os Puritanos, 2009.