quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A DEVOÇÃO TRINITÁRIA DE JOHN OWEN (Apresentação da Obra)



Se você é cristão, é somente por causa do pensamento e da ação amorosa de cada pessoa da Trindade. O pai, junto ao Filho e ao Espírito, o planejou antes da fundação do mundo; o Filho veio pagar o preço pela nossa redenção a fim de nos trazer justificação diante de Deus; o Espírito, enviado pelo Pai e pelo Filho, nos traz à fé pela sua poderosa obra. Era isto que John Owen desejava que os cristãos soubessem. A Devoção Trinitária de John Owen é apenas o ponto inicial na explanação de tudo o que isso significa.

(1) Deus é Trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Este é um grande mistério – porque nós não somos Deus e não conseguimos entender plenamente o completo, maravilhoso e glorioso mistério do seu Ser. Mas podemos começar a compreendê-lo a aprender a amá-lo e adorá-lo.

(2) Se você é cristão, é somente por causa do pensamento e da ação amorosa de cada pessoa da Trindade. O Pai, junto ao Filho e ao Espírito, o planejou antes da fundação do mundo; o Filho veio pagar o preço para nossa redenção e, apoiado pelo Espírito Santo, foi obediente ao Pai em nosso lugar, tanto em sua vida quanto em sua morte, a fim de nos trazer justificação diante de Deus; agora, pela poderosa obra do Espírito Santo que foi enviado pelo Pai e pelo Filho, fomos trazidos à fé.

(3) O maior privilégio que qualquer de nós pode ter é o seguinte: podemos conhecer a Deus como Pai, Filho e Espírito Santo. Podemos gozar a participação – que Owen chama de “comunhão” – com Deus. Tal conhecimento é tão rico, largo, profundo, extenso e alto quanto são as três pessoas de Deus. Conhecer e ter comunhão com ele é um mundo inteiro de conhecimento, confiança, amor, alegria, comunhão, prazer e satisfação sem fim.


APRESENTAÇÃO DE STEVEN LAWSON, EDITOR DA SÉRIE “UM PERFIL DE HOMENS PIEDOSOS”

[...] Esta serie “Um Perfil de Homens Piedosos” destaca figuras chave na linha contínua de homens da graça soberana. O objetivo desta série é explorar como essas figuras usaram seus dons e habilidades dados por Deus para impactar o seu tempo e avançar o reino dos céus. Por serem corajosos seguidores de Cristo, os seus exemplos são dignos de serem seguidos hoje.

Este volume, escrito por meu bom amigo Sinclair Ferguson, foca aquele que é considerado o maior dos teólogos puritanos ingleses, John Owen. A vida monumental de Owen foi marcada por sua realização intelectual superior. Tornou-se pastor, capelão de Oliver Cromwell, e vice-chanceler da Universidade de Oxford. Sua obra mais influente, ‘A morte da morte na morte de Cristo’ (1647), escrita quando contava apenas trinta e um anos de idade, é uma extensa reflexão sobre a vida intra-trinitariana de Deus na encarnação e expiação de Jesus Cristo. Este trabalho seminal lançou Owen em um caminho de meditação e reflexão trinitária. Ele deixou ricos tratados e sermões sobre a comunhão trinitária que um cristão pode ter com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. Talvez nenhum outro teólogo inglês tenha gasto mais tempo na contemplação da eterna Divindade, e o estudo de Owen traduzia zelosa paixão pelo evangelho e dedicação a Cristo. John Owen é figura altaneira, eminentemente digna de ser retratada no esboço biográfico da série.

Que o Senhor use este livro para levantar uma nova geração de crentes, que levem a mensagem do evangelho e influenciem este mundo. Por meio deste perfil, que você seja fortalecido para andar de modo digno da vocação a que foi chamado. Que você seja zeloso em sua devoção ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, para a glória de seu nome e o avanço de seu reino. Soli deo gloria [Steven Lawson]


FERGUSON, Sinclair B. A Devoção Trinitária de John Owen. São José dos Campos: Editora Fiel, 2015. [Coleção “um perfil de homens piedosos]

MINHAS NOVAS FERRAMENTAS DE TRABALHO


“Meus livros são minhas ferramentas. Também servem como meus conselheiros, minha consolação, e meu conforto.” (Charles Spurgeon)


(1) A Ética dos dez mandamentos - Hans Ulrich Reifler (Editora Vida Nova)

Vivemos uma crise ética sem precedentes. A sociedade civil e suas instituições sofrem cotidianamente o impacto dessa crise. A igreja, por sua vez, não se mantém ilesa, nem pode se eximir diante dessa situação tão grave. Mas onde buscar, na Bíblia, respostas para esse dilema que hoje enfrentamos?

Mesmo não havendo escrito propriamente um manual sobre ética cristã, Reifler oferece-nos, na primeira parte de seu livro, uma excelente e breve introdução a esta disciplina teológica. Na segunda divisão, ele nos mostra porque os dez mandamentos ainda valem hoje para o povo de Deus. Finalmente, ele dedica a maior parte de seu estudo à exposição sistemática das leis do Sinai.


(2) Discipulado - Dietrich Bonhoeffer (Mundo Cristão)

No contexto do nazismo, na Alemanha, e baseado no Sermão do Monte o autor explica o verdadeiro sentido e prática de seguir a Cristo e fazer outros seguidores. Aqueles que são de Cristo conhecem a graça através do arrependimento, o perdão pela confissão, e percorre o caminho do discípulo pela cruz, em submissão a Cristo como servo por amor!

“Em tempos de reavivamento da Igreja, obtém-se claramente um enriquecimento nas Escrituras Sagradas. Por detrás dos apelos cotidianos e das palavras de ordem, necessários no debate eclesiástico, surge uma busca mais decidida a respeito do único a quem realmente importa encontrar, a saber, o próprio Jesus. O que Jesus quis nos dizer? O que espera e nós hoje? Como ele nos ajuda a sermos cristãos fiéis em nosso tempo?” (O autor)


(3) Gilead - Marilynne Robinson (Editora Nova Fronteira)

O reverendo John Ames, já passado dos 70 anos de idade e sabendo que lhe sobra pouco tempo de vida, decide deixar para seu filho, que ainda está para fazer 7 anos, o relato de sua vida por escrito. Ao narrar os acontecimentos, o reverendo rememora também as vidas de seu pai e seu avô, igualmente religiosos. "Gillead" é o segundo romance de Marilyne Robinson e vencedor do Prêmio Pulitzer de 2005.


(4) O Cristo dos Profetas – O. Palmer Robertson (Centro de Literatura Reformada – CLIRE)

Nesta meticulosa introdução aos profetas do antigo Israel, o Dr. O. Palmer Robertosn revela a paixão e o propósito dos escritos extraordinários deles. Ele escreve: “Uma nova aliança, uma nova Sião, um novo templo, um novo Messias, uma nova relação com as nações do mundo – essas eram as expectativas propostas para injetar futura esperança no povo que teria de suportar o trauma da deportação da sua terra”.

Depois de examinar as origens do profetismo, o chamado dos profetas, e sua proclamação e aplicação da lei e da aliança, o Dr. Palmer dedica atenção especial ao significado bíblico-teológico do exílio e da restauração. Observando essas experiências pela perspectiva de vários profetas, ele conduz nossa atenção para os sofrimentos e para a gloriosa restauração do povo de Deus em Cristo.

O Cristo dos Profetas é uma sequencia da obra O Cristo dos Pactos, considerada por muitos como um clássico na área da teologia bíblica.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

UM HOMEM ENTRE GIGANTES [RESENHA]



A tradução em português traduz bem a história que vemos: literalmente, um homem entre gigantes, no caso, um médico nigeriano no meio de uma batalha contra a poderosa NFL. Um Homem Entre Gigantes (Concussion, EUA, 2015) mostra como Bennet Omalu (Will Smith) descobriu uma doença no cérebro de um ex-jogador de futebol americano e isso levou a uma série de acontecimentos que não só afetaram o esporte mais popular dos EUA, como também sua vida pessoal e profissional.


Algo que o roteiro aparentemente deixa claro para o espectador é a paixão dos americanos pelo futebol. Diversos diálogos e imagens mostram a empolgação e amor do povo pelo jogo, como jovens que começam a praticá-lo desde a infância em casa ou na escola e dados estatísticos do impacto na população e no próprio governo. Essa noção do poder da NFL ajuda a nos contextualizar na história e entender o tipo de confronto que o personagem principal tem; e o quão difícil ele se torna cada vez mais que seus estudos chegam à mídia e incomodam os grandes chefões do esporte.

No decorrer do filme também conhecemos melhor o médico como pessoa, peça fundamental para nos conectarmos com sua luta. Ele nada mais é que um homem extremamente estudioso e dedicado ao trabalho, que não deixa dinheiro e interesses influenciarem suas atitudes. Ele descobre a ligação entre o futebol e a Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), doença que levou dezenas de ex-jogadores a morrerem no futuro, e faz de tudo para que ela tenha visibilidade e resulte em alguma solução por parte da NFL. Omalu jamais quer destruir o esporte, ele quer buscar uma maneira de evitar que outros morram.

De longe, o maior destaque da adaptação é Smith. O ator está impecável na pele do protagonista: o sotaque africano é perfeito, como ele incorporou o comportamento dele durante a rotina de trabalho em autópsias é bastante comovente e todo o processo de transformação do personagem também fica bem claro. O restante do elenco também está muito bem, em especial os jogadores vítimas do ETC, mas quem realmente rouba a cena é Smith. Como deveria ter acontecido.

Uma das minhas ressalvas diz respeito ao desenvolvimento de Prema (Gugu Mbatha-Raw). Ela é a esposa de Omalu, mas sua participação na história foi restrita demais a somente parceira que apoia o marido. Ela fez muito mais na realidade e foi desnecessário inventar o seu aborto; o roteiro aparentemente quis adicionar mais drama no percurso do médico, mas não precisava a meu ver. Afinal, já existe drama demais ali e Gugu poderia ter sido usada de outra maneira, que não fosse apenas de mulher atenciosa que depois perde um neném que nunca existiu.

Outra distorção foi a do chefe de Omalu, Cyril Wecht (Albert Brooks). O desfecho deles foi totalmente diferente do real, em todos os sentidos. Se na tela parece que a relação profissional e pessoal deles fala mais alto depois que acusações do FBI atingem ambos, a verdade foi quase que oposta: a polícia queria apenas Wecht e o próprio Omalu testemunhou contra ele.

Um Homem Entre Gigantes é uma história real de superação e coragem, com uma atuação de alto nível de Will Smith. De maneira geral, ele deixa a desejar no roteiro, mas não falha em nos envolver com a história.


http://www.cinemadebuteco.com.br/criticas/filme-um-homem-entre-gigantes/

MORRER EM FÉ OU EM PECADO?



As Escrituras têm muito a dizer sobre como morremos. Do ponto de vista bíblico há somente duas maneiras possíveis de morrer. A Bíblia ignora as várias causas da morte. Sabemos que podemos morrer de câncer, de um ataque cardíaco, com um ferimento causado por uma bala perdida, ou uma quantidade de outras causas mortais. Mas as causas biológicas da morte não são a principal preocupação das Escrituras.

Quando as Escrituras falam sobre o como da morte, o foco está sobre o estado espiritual da pessoa na hora de sua morte. Aqui vemos o “como” da morte reduzido a apenas duas opções. Ou morremos em fé, ou morremos em nossos pecados. (Ezequiel 3.17-19).

“Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e avisá-los-ás da minha parte. Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas, se avisares ao ímpio, e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma.” - Ezequiel 3:17-19

Muitas vezes pensamos que a pior coisa que pode acontecer a uma pessoa é morrer. Esta não é a mensagem de Jesus. De acordo com Cristo, a pior coisa que pode acontecer a nós é morrermos em nossos pecados.

Esta é a mensagem bíblica que tem sido largamente ignorada em nossos dias. Gostamos de acreditar que todo aquele que morre vai automaticamente para o céu. Presumimos que o único bilhete que se requer para entrar no reino de Deus é a morte.

Deus nos ordena que falemos aos que estão morrendo sobre sua necessidade de um Salvador. O profeta Ezequiel deixa isto claro como água. Se amamos as pessoas, devemos avisá-las das consequências de morrer nos seus pecados. 

A grande mentira é aquela que declara que não existe um julgamento final. Entretanto, se Jesus ensinou alguma coisa, ele enfaticamente declarou que haverá um julgamento final

E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era Estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. Mateus 25:31-46

Jesus adverte que chegará o dia em que todos os segredos serão conhecidos. Será o final de todos os disfarces deste mundo. Todos os esconderijos serão abertos e os segredos vergonhosos aparecerão plenamente visíveis. Os pecados de todos nós serão conhecidos, a menos que estejamos “cobertos” pelo manto da justiça de Cristo.

“Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido. Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falastes ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado.” - Lucas 12:2,3

SPROUL, R.C. Surpreendido pelo Sofrimento. São Paulo: Editora Cultura Cristã. 1998. Pág. 57-61

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O ENCANTO POÉTICO DE ISAAC WATTS


Biografia de Isaac Watts (1674-1748), "pai da hinódia inglesa", autor de cerca de setecentos e cinqüenta hinos evangélicos. O autor procura destacar ao longo dos capítulos várias facetas de Watts: educador, pregador, poeta e hinólogo.

Douglas Bond diz: “Por sua imaginação incomparável, Watts me transportou de volta para o quente e empoeirado Gólgota, onde ouvi a batidas dos martelos sobre os pregos, os insultos e cuspes, os gemidos e gritos de dor. Pelas palavras de Watts, tornei-me o jovem contemplando a maravilhosa cruz. Com os olhos da fé, eu era aquele que via o Príncipe da glória abandonado por seu Pai e morrendo em agonia. E porque eu agora via, estava resoluto a contar como perda todas as minhas aspirações à riqueza e grandeza. Eu estava, pela primeira vez, desprezando todo o meu orgulho delirante do corpo e da mente.”

Muito já se escreveu, nos blogs reformados, sobre a importância da doutrina correta nas músicas entoadas nas igrejas, como também, muitos sermões pregados. Mas quis dar também minha contribuição mostrando um pouco da obra desse grande pastor e poeta desconhecido por muitos. Recomendo também a leitura do livro acima citado. Se você faz parte do grupo de louvor de sua comunidade, leve a ela músicas cristocêntricas, que exaltem ao excelso Deus, seus atributos e sua glória. Aprendamos com Issac Watts!

APRESENTAÇÃO DE STEVEN LAWSON, 
EDITOR DA SÉRIE “UM PERFIL DE HOMENS PIEDOSOS”

[...]Esta serie “Um Perfil de Homens Piedosos” destaca figuras chave na linha contínua de homens da graça soberana. O objetivo desta série é explorar como essas figuras usaram seus dons e habilidades dados por Deus para impactar o seu tempo e avançar o reino dos céus. Por serem corajosos seguidores de Cristo, os seus exemplos são dignos de serem seguidos hoje.

O foco deste próximo volume está o preeminente hinólogo inglês Isaac Watss. A beleza poética de seus hinos impregnados de doutrina transcende os séculos e continua a enriquecer a Igreja atualmente. Por sua habilidade literária extraordinária, ele tornou o cantar de hinos uma força devocional na Igreja Protestante. Tomado por uma visão elevada de Deus, este talentoso compositor revitalizou o canto congregacional por voltar a expor uma rica teologia em letras que combinavam o estilo musical ao peso da mensagem bíblica. Tudo isso – a ascensão e a queda de uma frase, metáforas marcantes, a cadência de um verso – convertia a majestade e transcendência de Deus em palavras inesquecíveis. Chamado de Melanchthon do seu tempo, este pastor hinologista influenciou o curso da adoração congregacional que permanece até o dia presente. Os seus hinos continuam a ser um marco na vida espiritual da Igreja.

Este dom para o encanto poético se faz necessário, mais uma vez, nos dias atuais. Em um momento em que há muita superficialidade na adoração congregacional, a Igreja deve recuperar uma visão elevada de Deus que leve à adoração transcendente. Em última análise, é a teologia que inevitavelmente produz doxologia. O recente ressurgimento da teologia Reformada de inspirar altaneiro louvor nos corações dos crentes. Que o Senhor possa usar este livro para inflamar uma nova geração a contemplar “a maravilhosa cruz sobre a qual o Príncipe da glória morreu”. Soli deo gloria! [Steven Lawson]

BOND, Douglas. O Encanto Poético de Isaac Watts. São José dos Campos: Editora Fiel, 2014. [Coleção “um perfil de homens piedosos]


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

NOVAS FERRAMENTAS DE TRABALHO



Adquiri essas ferramentas de trabalho já faz algum tempo, mas somente agora estou fazendo essa publicação.

1. A Manifestação do Espírito: a contemporaneidade dos dons à luz de 1 Coríntios 12-14 

Neste livro, D. A. Carson analisa minuciosamente a questão da contemporaneidade dos dons de uma perspectiva bíblica, sem deixar, porém, de dialogar com a longa tradição da teologia cristã. Trata-se de um estudo cuidadoso e diligente que visa extrair de um dos textos bíblicos mais célebres sobre o assunto, 1 Coríntios 12—14, uma interpretação consistente e precisa que seja capaz de unir carismáticos e não carismáticos por meio de uma compreensão bíblica e teológica do assunto. (Sinopse)

2. Jesus, o filho de Deus: o título cristológico muitas vezes negligenciado, às vezes mal compreendido e atualmente questionado

Em Jesus, o Filho de Deus, o aclamado acadêmico D. A. Carson, estudioso do Novo Testamento, examina a importância da filiação divina de Jesus para o modo de os cristãos da atualidade pensarem e falarem sobre Cristo, em especial no que diz respeito à tradução da Bíblia e ao trabalho missionário com muçulmanos de todo o mundo. Embora a identidade de Jesus como “Filho de Deus” seja uma confissão de base para todo cristão, boa parte de sua importância é muitas vezes negligenciada ou mal compreendida. Por meio de um levantamento da expressão “Filho de Deus” nas Escrituras e de uma exegese de dois textos-chave que tratam da filiação de Cristo, Carson lança luz sobre esse importante tema com sua habitual clareza exegética e percepção teológica.

3. As Escrituras dão testemunho de mim: Jesus e o evangelho no Antigo Testamento. 

Nesta coletânea de mensagens sobre diversos textos veterotestamentários, oito pastores e estudiosos evangélicos eminentes demonstram como pregar Cristo a partir do Antigo Testamento: 
R. Albert Mohler Jr. – Estudando as Escrituras para encontrar Jesus; 
Tim Keller – A saída; 
Alistair Begg – De uma estrangeira ao Rei Jesus; 
James MacDonald – Quando você não sabe o que fazer; 
Conrad Mbewe – O Renovo justo; 
Matt Chandler – Juventude; 
Mike Bullmore – Deus tem um grande coração de amor pelos seus; 
D. A. Carson – Empolgando-se com Melquisedeque.

Futuramente, estarei postando as resenhas de livro.

ANA - UMA MULHER ATRIBULADA (1 Samuel 1.1-2,11)


INTRODUÇÃO

Em Efraim vivia um homem temente a Deus, chamado Elcana, que tinha duas esposas: Penina, que tinha filhos, e Ana, que era estéril.[1] Penina tornou-se arrogante e provocava Ana, que, não podendo agüentar sua esterilidade, tornou-se melancólica e insatisfeita com sua vida. Elcana tinha uma tarefa difícil para manter a harmonia no seu lar, mas a despeito dos problemas no lar, Elcana levava suas esposas e filhos para adorar a Deus todo ano em Siló.

Ana - A vida de Ana é caracterizada por um notável exemplo de fidelidade em todos os aspectos. Seu nome significa “graça”, e reflete o que realmente foi a vida desta serva de Deus. [2]
Samuel - Seu filho Samuel, recebido como resposta divina, foi um dos mais extraordinários vultos do Antigo Testamento, que marcou o fim da época dos juízes para o período dos reis de Israel.
Elcana – Elcana pertencia a linhagem levítica (1 Cr 6.16-28): assim sendo, seu filho Samuel pôde exercer um ministério tríplice: profeta, juiz e sacerdote, este último devido a descendência de Arão. Ele era um homem temente a Deus, juntamente com a sua família (1 Sm 1.1-4).


I. ATRIBUTOS POSITIVOS NO MEIO DAS TRIBULAÇÕES

1. Ana era temente a Deus - Lendo o primeiro capitulo de Samuel, notamos que seu coração estava em paz com Deus. Não podemos duvidar da sinceridade de sua oração, da sua confiança, da sua fé, ou da força da sua consagração.

2. Ana era uma mulher amável - Elcana a amava muito (1.5) e o fato dela ser estéril não diminuiu o seu valor aos olhos do marido. Note sua pergunta: “Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1.8). Era uma questão muito séria uma mulher ser estéril naqueles dias, pois era rejeitada pela sociedade que, em sua concepção popular, achava que a esterilidade era um castigo divino (Gn 16.2; 30,1-23; I Sm 1.6,20).[3] Outra questão era que toda israelita ansiava gerar filhos, pois uma delas poderia ser a mãe do Messias prometido. [4]

3. Ana possuía autocontrole - Penina a provocava excessivamente. Na festa anual, quando a provocação aumentava, Ana foi sozinha ao santuário, para chorar e orar solitária. Quando Eli a censurou por estar embriagada (1.14) ela respondeu de maneira branda. Aceitou a repreensão sem ressentimento, sem tentar justificar-se, sem reivindicar seus direitos; e respondeu de maneira branda porque estava na presença do Senhor.

4. Ana era uma mulher que meditava muito - Sua tristeza a obrigou a pensar muito e a levou a uma comunhão mais íntima com Deus. Esta característica é evidente quando ela fala, por exemplo, em 1 Sm 1.15-16 e no seu cântico, no cap. 2.

5. Ana participava dos cultos no Templo – Não faltava às reuniões no Tabernáculo, sempre acompanhada do esposo, quer quando estéril ou mesmo depois de o Senhor ter-lhe aberto a madre (1 Sm 1.1-7, 22-28; 2.19,20)


II. UM ESPIRITO ATRIBULADO GERA BENÇÃOS [5]

1. Ana aprendeu a orar - Ela correu ao Senhor para expor seu problema. Orou com amargura de alma e a amargura de alma deve ser adoçada pela oração. Aprendamos isso com Ana (Hb 12.15b).

2. Ana aprendeu a renunciar a seus direitos - A oração em que esperava escapar de triste situação era uma oração de renúncia. Ela queria um filho, mas estava pronta a dedicá-lo ao Senhor para o seu serviço (1.11). Aprender a renunciar aquilo que mais valorizamos e fazê-lo com alegria é renunciar de verdade. Note como Ana apresentou esta criança a Deus.
a) Ofereceu um sacrifício (1.24)
b) Demonstrou gratidão a Deus, por ter respondido à sua oração (1,27)
c) Fez uma entrega completa ao Senhor (1.28b)

3. Ana aprendeu a ter fé - Ana estava triste e magoada, mas quando Eli disse-lhe: “Vai-te em paz e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste” (1.17), imediatamente seu rosto alegrou-se (1.18). Ana ainda não havia recebido a benção, mas tinha fé em Deus. A oração transformou a sua vida.

4. Ana aprendeu muito a respeito de Deus (1 Sm 2.1-10) - Ana descobriu que a verdadeira alegria se acha, não na família, nem nos filhos, nem em coisas materiais, mas em Deus. No seu cântico, ela demonstra o seu conceito de Deus: [6]
            a) Regozija-se no Senhor, e não em Samuel, seu filho (v.1)
            b) Reconhece a santidade de Deus, (v.2a)
            c) Reconhece a suficiência de Deus (v.2b)
            d) Reconhece o método de Deus na Sua providência (vs 4-5)
            e) Reconhece a graça de Deus (v.8)
            f) Reconhece a fidelidade do Senhor (v.9)

III. TRIBULAÇÕES TRANSFORMADAS EM ALEGRIA

1. Oração respondida - Tal como Rebeca, Isabel e outras mulheres estéreis da Bíblia, Ana teve sua oração respondida e ganhou um filho.

2. Graça para criar o filho - Ana recebeu a incumbência de criar um filho para ser profeta em Israel. O próprio nome, “do Senhor o pedi”, o caráter e o preparo de Samuel para o ministério, são frutos de experiências vividas pela própria mãe na tristeza e no sofrimento. Ana teve poucos anos para educar seu filho, mas aproveitou o tempo para criá-lo na admoestação do Senhor e prepará-lo para servir ao Senhor. Não deixou para o sacerdote, Eli a responsabilidade espiritual que cabia a ela. Os pais de Samuel reconheceram que aos pais cabem a responsabilidade e privilégio de ensinar seus filhos a respeito do Senhor, desde cedo, mesmo antes deles poderem compreender as coisas espirituais. As vezes, pais crentes deixam com a igreja a tarefa de instruir os seus filhos no caminho do Senhor. Ana e Elcana, de fato, colocaram em prática o ensino de Dt 6.6-7 e Pv 22.6. [7]

3. Poder para louvar ao Senhor - Veja seu cântico em 2.1-10

4. Preparação para receber mais bênçãos - Ana ganhou mais três filhos e duas filhas, depois de levar Samuel à casa do Senhor (2.21) – cinco filhos em troca de um filho dedicado ao Senhor. Ela provou a promessa de Deus – “aos que me honram, honrarei” (2.30b)

CONCLUSÃO
Pensemos:
1. O sofrimento pode me levar a uma comunhão mais íntima com o Senhor, ou pode afastar-me dEle?
2. A oração realmente transforma pessoas e situações. Creio isso e já provei isso na minha vida?
3. Estou pronto, como Ana, a entregar meu filho para o sagrado ministério?


[1] É importante esclarecer que a Poligamia, ser casado com mais de uma mulher, não é uma ordenança divina. A Lei de Moisés claramente ordena: “Tampouco para si multiplicará mulheres” (Dt 17:17).  A poligamia nunca foi estabelecida por Deus para nenhum povo, sob circunstância alguma. Deus odeia a poligamia, assim como o divórcio, porque ela destrói o seu ideal para a família (cf. Ml 2:16). NOTA: GEISLER, Norman L e HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p. 191,192.
[2] HERRING, E. Truman. Ana - A Jornada da esterilidade à fertilidade espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2015, p. 49.
[3] SCHWARTS, Suzana. Uma visão da esterilidade na Bíblia Hebraica. São Paulo: -Associação Editorial Humanitas, 2004, p. 458
[4] BRENNER, A. A mulher israelita. Papel social e modelo literário. São Paulo: Edições Paulinas, 2001, p. 32
[5] WALLACE, Ronald S. A oração de Ana: um exemplo cativante de como Deus responde à oração. São Paulo: Editora Vida, 2005.
[6] CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Candeia. São Paulo, 1991.
[7] FILHO, João A. de Souza Filho. As Famílias de Eli & Ana. São Paulo: Editora Mensagens para todos. 2014, p 68.

MATAR CRIANÇAS NO ÚTERO



Matar crianças no útero, portanto, é equivalente a entrar numa zona de segurança criada por Deus e saquear as coisas que ele mais ama.


Deus ama o útero da mulher. Ele criou o útero para que seu Filho habitasse ali no estágio mais vulnerável de sua vida terrena. Por extensão, Deus fez o mesmo para cada um de nós. O útero é o lugar designado por Deus para se ter segurança, mas, agora, tragicamente tornou-se o lugar mais perigoso da terra.

Deus também criou o útero como o lugar a partir do qual ele traria pessoas ao mundo para seu Filho (Colossenses 1.16). Quando um nascituro é morto, não é apenas um pecado contra Deus, mas também um pecado contra a glória de Cristo. Por quê? Porque aquela alma eterna jamais terá a oportunidade de glorificar a Cristo neste mundo.

Cada aborto priva Cristo de um adorador vivo e corpóreo – o tipo que Deus procura para glorificar a si e a seu Filho. Aborto é algo tão errado porque priva Deus de sua prerrogativa maior neste mundo: uma criatura feita à imagem de Cristo que adora Deus pelo Espírito.

Se há algo que deveria nos fazer entristecer sobre o aborto – e há muitas coisas – é que Cristo tem sua glória roubada.

Nós queremos que as crianças tenham vida. Mas, mais que isso, queremos que as crianças tenham vida em Cristo – a vida que ele veio oferecer ao adentrar neste mundo no útero de uma virgem.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA - UMA VISÃO BÍBLICA DO HOMEM


"É justamente através do conhecimento que descobrimos os nossos limites; já que o conhecimento aponta para o que está além de nós, vindo daí nossos desejos, resultantes de outros que foram satisfeitos, mas, que trouxeram em seu ventre o símbolo de novas carências... Temos que concordar com Sócrates (469-399 a.C.), quando coloca nos lábios de Diotima, que "quem não se considera incompleto e insuficiente, não deseja aquilo cuja falta não pode notar." O conhecimento da nossa ignorância é o princípio do conhecimento.

A Ciência é em grande parte filha da necessidade e do trabalho. É a necessidade que se revela no trabalho, na pesquisa, na procura pelo saber. Parece-nos ser fato que o desejo é fruto da carência ou da consciência da carência de totalidade, da falta de onisciência, sendo portanto um atributo dos mortais. Todavia, este desejo precisa ser conscientizado: a ignorância do desejo é a acomodação na limitação. Assim sendo, a Ciência, é produto do homem consciente da sua necessidade e ao mesmo tempo, disposto a suprimi-la. A Ciência, como fruto do labor humano, começa pelo sonho dos inconformados que não se contentam com os limites da ignorância. "O sonho é uma fresta do espírito", como bem observou Machado de Assis (1838-1908) e a fé que permeia a ciência, por ser "racional", deve ser essencialmente ativa.

Sem sonho não há possibilidade de Ciência e, sem trabalho, os sonhos não se constroem, permanecem escondidos, só vindo à luz durante as "trevas" do sono, onde não há perigo de serem concretamente confrontados... "Aqueles de nós que não estão dispostos a expor suas ideias ao risco da refutação não tomam parte no jogo da ciência", nos adverte Popper (1902-1994).

Hermisten Maia Pereira da Costa - ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA: Uma visão bíblica do homem - p.31.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CONTRA O CRISTIANISMO - A ONU E A UNIÃO EUROPÉIA COMO NOVA IDEOLOGIA



Um olhar, ainda que seja parcial, sobre tudo o que está acontecendo, faz descobrir um mundo que, inclusive por medo do fundamentalismo islâmico, parece querer substituir toda tradição religiosa por uma ética laica fundada nos direitos humanos, concebidos como negociáveis ou modificáveis. É uma ética que tende a se configurar como religião, que compreende e supera todas as demais, e que deveria garantir o progresso universal e a convivência pacífica de qualquer forma de diversidade.

No entanto, a própria recusa em mencionar as raízes cristãs do Velho Continente na Constituição Européia é um sintoma inquietante de uma situação muito generalizada sobre a condição dos direitos humanos, esses mesmos direitos aos quais todas as organizações internacionais fazem referência, mas que, ao longo dos anos, foram perdendo sua característica originária de código ético e também o seu vínculo com a Revelação judaico-cristã.

Pouco a pouco os direitos humanos se converteram na base ideológica de um relativismo totalitário que busca eliminar toda e qualquer referência a um direito natural. Ergue-se, assim, uma espécie de religião laica, sem um fundamento superior ao qual se possa recorrer em caso de conflitos. Insinua-se como fundamentada em si mesma para estabelecer as normas de organização de uma nova consciência coletiva que, carente de valores sólidos, é sempre modificada conforme as oportunidades e conveniências.


INTRODUÇÃO DO LIVRO

As religiões são, na realidade, as formas culturais e institucionais mais demonizadas pelos organismos internacionais, porque são consideradas inimigas – enquanto concorrentes – do pensamento único dos direitos e, enquanto portadoras de críticas às formas extremas de individualismo ao qual chegaram as atuais formulações dos direitos. Em particular, a Igreja Católica é considerada a inimiga principal, ainda que tenha não somente aderido à Declaração de 1948, mas de certo modo a fez sua, considerando-a uma realização da ética cristã, apesar das modificações às quais, nas últimas décadas, foram submetidos os direitos. Hoje, com efeito, a decidida oposição da Santa Sé às restrições da liberdade religiosa e à extensão dos chamados “direitos reprodutivos” – junto à rejeição da ordenação sacerdotal de mulheres – fez da Igreja Católica uma das instituições que com maior clareza se rebelam contra a “religião dos direitos”; não a única voz crítica, mas sim a mais importante por seu grande prestígio internacional. 

Um olhar, ainda que seja parcial, sobre tudo que está acontecendo, faz descobrir um mundo que, inclusive por medo do fundamentalismo islâmico, parece querer substituir toda tradição religiosa pela ética laica fundada nos direitos humanos, concebidos como negociáveis ou modificáveis. É uma ética que tende a se configurar como religião, que compreende e supera todas as demais, e que deveria garantir o progresso universal e a convivência pacífica de qualquer forma de diversidade. 

Junto a esta forte aversão às religiões tradicionais – ou melhor, em relação aos monoteísmos, considerados como uma possível fonte de atitudes intolerantes – desenvolve-se uma confiança cega na difusão, em todo o mundo, do modelo de comportamento sexual que está prevalecendo nos países ocidentais. O necessário ponto de partida é a separação, a mais rigorosa possível, entre sexual- idade e procriação, até fazer do sexo só uma atividade lúdica individual, cultural- mente desestruturada, que não tem nenhum motivo para ser rodeada de uma rede de convenções sociais e normas morais. Para afirmar este modelo, as instituições internacionais centraram sua atenção nos direitos das mulheres, assumindo como central a questão dos direitos reprodutivos, e adotando a ideologia do “gênero”. Esta conduz à supressão da distinção tradicional entre masculino e feminino, substituindo-a por uma versão mais fluida e indeterminada de identidade sexual. 

Trata-se de uma revolução cultural que pretende libertar o indivíduo do próprio destino biológico, que não vem somente a se contrapor à ideia de natureza defendida pela Igreja Católica, mas que abre muitas contradições no interior da sociedade. Antes de tudo, a que se dá entre a primeira afirmação dos direitos - já assinalada com clareza pelo sociólogo francês Luc Boltanski –ou seja, a igualdade de todo ser humano, e a recusa a considerar seres humanos dotados de direitos os fetos abortados e os embriões descartados ou usados com fins de pesquisa. Segundo Boltanski, esta contradição remonta a dois mil anos atrás, no momento em que foi abolida a diferença entre homens livres e escravos, aos quais não se reconhecia o mesmo direito de pertença à humanidade. 

Mas esta contradição não é fácil de resolver, porque a possibilidade de decidir quem deve nascer e quem não – ou seja, quem deve ser reconhecido possuidor de direitos humanos e quem não – vai além dos limites do aborto, e desemboca no retorno humilhante da eugenia. A procriação, dissociada das relações naturais e simbólicas da maternidade e paternidade, é equiparada à pura biologia; ao intervir no processo unitário que leva da concepção ao nascimento, ao decompor e recompor, a maternidade perde todo sentido e a vida humana fica reduzida à matéria vivente que pode ser manipulada no laboratório. A própria idéia de livre escolha até hoje associada, na formulação dos direitos reprodutivos, à decisão de quando ser e de ser mãe ou não, alarga sua sombra até a seleção das características genéticas do filho. 

Mais que um modelo de comportamento sexual distinto, mas conceitualmente análogo aos que o precederam na história, trata-se de uma verdadeira e própria utopia, porque se baseia na idéia de que os seres humanos podem encontrar a felicidade na realização dos próprios desejos sexuais, sem limites morais, biológicos, sociais e relacionais ligados à procriação. Uma utopia que tem suas raízes na revolução sexual ocidental dos anos sessenta do século XX, e que, no entanto continua sem ser discutida, ainda que pareça não ter cumprido suas promessas. Uma utopia que evoca outra, de infausta memória: que a seleção dos novos seres humanos pode criar uma humanidade melhor, mais saudável, mais bela. 

A imposição desta utopia aos países de Terceiro Mundo parece constituir o objetivo central da atividade de muitas organizações internacionais, e condiciona ajudas financeiras e relações diplomáticas. A isto se acrescenta – melhor dito, é o lógico complemento – a utopia irênica de quem acredita que somente a abolição das religiões – sobretudo, repetimos, as monoteístas – pode conseguir o fim dos conflitos para a humanidade. Trata-se de um pensamento tão difundido, e tão bem arraigado que não se pode pôr em questão facilmente, sobretudo nas sedes internacionais. E quem se atreve a fazê-lo, como a Igreja Católica, é criticado, penalizado e acusado de querer obstaculizar a construção de um radiante futuro de harmonia. 


SOBRE AS AUTORAS

Lucetta Scaraffia é professora de História Contemporânea na Universidade de Roma La Sapienza. Autora de uma dezena de livros, atualmente é colunista dos jornais Avvenire, Il Foglio, Corrière della Sera e L’Osservatore.

Eugenia Roccella é Jornalista, escritora e deputada no Parlamento italiano pelo Nuovo Centro destra. Doutorou-se em literatura contemporânea pela Universidade de Roma e é autora de diversos livros.

domingo, 27 de novembro de 2016

AOS PREGADORES


AOS PREGADORES por John Wesley e John Trembath

"O que tem lhe prejudicado excessivamente nos últimos tempos e, temo que seja o mesmo atualmente, é a carência de leitura. Eu raramente conheci um pregador que lesse tão pouco. E talvez por negligenciar a leitura, você tenha perdido o gosto por ela. Por esta razão, o seu talento na pregação não se desenvolve. 

Você é apenas o mesmo de há sete anos. É vigoroso, mas não é profundo; há pouca variedade; não há seqüência de argumentos. Só a leitura pode suprir esta deficiência, juntamente com a meditação e a oração diária. Você engana a si mesmo, omitindo isso. Você nunca poderá ser um pregador fecundo nem mesmo um crente completo. Vamos, comece! Estabeleça um horário para exercícios pessoais. Poderá adquirir o gosto que não tem; o que no início é tedioso, será agradável, posteriormente. 

Quer goste ou não, leia e ore diariamente. É para sua vida; não há outro caminho; caso contrário, você será, sempre, um frívolo, medíocre e superficial pregador."

Fonte: Revista Fé para Hoje, Editora Fiel

PAPA FRANCISCO: MAIS UMA FALÁCIA DAQUELE QUE SE DIZ VIGÁRIO DE CRISTO


O Papa Francisco se manifestou com pesar acerca da morte de Fidel Castro, neste sábado (26). O pontífice enviou um telegrama ao líder cubano, Raúl Castro, lamentando a partida do irmão mais velho do atual presidente de Cuba.

“Meu sentimento de tristeza para sua excelência e sua família”, escreveu o Papa Francisco em um trecho. Francisco ainda ofereceu uma oração a Fidel e disse que confia a “todo o povo cubano a intercessão materna de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira do país”.

Olha, o papa considerado pelos católicos o Sucessor de São Pedro, considerado o Vigário de Cristo e perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja, tem cometido uma série de atrocidades contra o Cristianismo. Essa de de ser solidário a família do famigerado comunista Fidel Castro é de amargar.

Será que este papa nunca leu o livro de Armando Valladares, ex-preso político cubano, ex-embaixador norte-americano junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU e autor do livro "Contra Toda Esperança" onde mostrou que em 17 setembro de 1961, 131 padres diocesanos e religiosos foram expulsos de Cuba? E que os cristãos que ficaram eram proibidos de exercer profissões como filósofo, psicólogo, professor?

Será que o Papa, não tem conhecimento que os cristãos sempre sofreram constantes perseguições do governo cubano por causa de sua fé? Desde 1969, por exemplo a produção e importação de Bíblias eram proibidas. Isso só voltou ao normal alguns meses atrás. Nos anos 60, por exemplo, o regime político vigente declarou guerra ao cristianismo, e literalmente declarou que a "religião era a coisa mais danosa que podia existir debaixo do céu”. 

Será que o Papa desconhece que na Ilha de Fidel foram executadas 17 mil pessoas — não se sabe quantas morreram nas masmorras? Só os reconhecidamente executados são 0,154% da população. Caracterizá-lo como um assassino não é uma questão de gosto, mas de fato; não se trata de tomar essa característica como parte de seu legado supostamente ambíguo. Não há nada de ambíguo em fuzilar 10 mil. É coisa de facínora. Como é incontroverso que ele e seu amiguinho, o Porco Fedorento Che Guevara, criaram campos de concentração na ilha, os da UMAP (Unidade Militar de Apoio à Produção), formados por prisioneiros políticos, que chegaram a 30 mil! Ali estavam religiosos, prostitutas, homossexuais, opositores do regime, criminosos comuns…

Será que o para desconhecem a depuração anti-homossexual da ditadura comunista de Fidel? Pois é, os movimentos gays, que costumam ser simpáticos à esquerda, deveriam saber que a Universidade Havana passou por uma depuração anti-homossexual. Isso mesmo. Em sessões públicas, os gays eram obrigados a reconhecer seus “vícios” e a renunciar a eles. As alternativas eram demissão e cana (em sentido literal e metafórico). Segundo O Livro Negro do Comunismo, desde 1959, estima-se em 100 mil o número de pessoas que passaram pela cadeia ou pelos “campos” de reeducação no país. Os fuzilamentos são estimados entre 15 mil e 17 mil pessoas.

Será que o papa desconhece o decreto de 1959 pelo Papa João XXIII quando foi anunciado que Fidel Castro foi excomungado por liderar a revolução comunista em Cuba?

O Papa Francisco, continua cometendo erros contra o próprio cristianismo. Esta agora apenas uma. Falarei sobre outras falácias desse religioso.


Fonte dessas informações:

Papa Francisco sobre morte de Fidel Castro: “Sentimento de tristeza” -
/https://jornalistaslivres.org/2016/11/papa-francisco-sobre-fidel-castro/
- O Livro Negro do Comunismo — Crimes, Terror e Repressão. Bertrand Brasil, 1999. Organizado por Stéphane Courtois, Jean-Louis Margolin, Nicolas Werth, entre outros.
- Cuba, uma nova História. Richard Gott. Zahar Editores. 2006
- Contra Toda Esperança. Armando Valadares, Editora Intermundo, 1986.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O ESPÍRITO SANTO COMO PESSOA



Primeiro devemos reconhecer que o Espírito é mencionado mais da perspectiva de instrumentalidade – ou seja, ele é o agente da atividade de Deus. É verdade que essa linguagem não nos leva a pressupor necessariamente a pessoalidade. Entretanto, mesmo um rápido exame das passagens em que Paulo se refere ao Espírito (ou Espírito Santo) revela como muitas vezes a instrumentalidade encontra expressão pessoal. Por exemplo, a conversão dos tessalonicenses acontece pela obra de santificação do Espírito (2 Ts 2.13; cf 1 Co 6.11; Rm 15.16), assim como alegria dela resultante (1 Ts 1.6; cf Rm 15.13). A revelação vem por intermédio do Espírito (1 Co 2.10; Ef 3.5); e a pregação de Paulo é acompanhada pelo poder do Espírito (1 Ts 1.5). 

Mensagens proféticas e o falar em línguas resultam diretamente do falar pelo Espírito (1 Co 12.3; 14.2,16). É pelo Espírito que os romanos devem fazer morrer as práticas pecaminosas (Rm 8.13). Paulo deseja que os efésios sejam fortalecidos por meio do Espírito de Deus (Ef 3.16). Os crentes servem pelo Espírito (Fp 3.3), amam pelo Espírito (Cl 1.8), são selados pelo Espírito (Ef 1.13), andam e vivem pelo Espírito (Gl 5.16,25). Por fim, os crentes são “salvos mediante o lavar pelo Espírito Santo, que Deus derramou sobre eles” (Tt 3.5).

Paulo compreende o Espírito como pessoa, o que se confirma, em segundo lugar, pelo fato de que o Espírito é o sujeito de um grande número de verbos que requerem um agente pessoal: o Espírito perscruta todas as coisas (1 Co 2.10), conhece a mente de Deus (1 Co 2.11), ensina o conteúdo do Evangelho aos crentes (1 Co 2.13), habita entre os crentes ou dentro deles (1 Co 3.16; Rm 8.11; 2 Tm 1.14), realiza todas as coisas (1 Co 12.11), dá a vida aos que creem (2 Co 3.6), clama dentro do nosso coração (Gl 4.6), guia-nos nos caminhos de Deus (Gl 5.18; Rm 8.14), testifica com o nosso espírito (Rm 8.16), tem desejos que se opõe à carne (Gl 5.17), ajuda-nos em nossa fraqueza (Rm 8.26), intercede por nós (Rm 8.28), fortalece os crentes (Ef 3.16), se entristece com nossa pecaminosidade (Ef 4.30). Além disso, os frutos da habitação do Espírito em nós são os atributos pessoas de Deus (Gl 5.22,23).

FEE, Gordon D. Paulo: E Espírito e o povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 49-51

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS (Resenha)



Segundo romance de Seth Grahame-Smith a ser adaptado para o cinema (o primeiro foi ABRAHAM LINCOLN: CAÇADOR DE VAMPIROS, 2012), a brincadeira ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS (2016) pareceu desde o início muito mais interessante e simpático do que o filme envolvendo o celebrado Presidente dos Estados Unidos. Pelo visto, Grahame-Smith não tem o menor problema em brincar com certas coisas consideradas quase sagradas.

O mash-up da obra de Jane Austen com o universo moderno dos zumbis criado por George Romero rende bons momentos. Alguns podem reclamar de que há pouco gore, outros, de que há pouco romance, mas percebe-se a intenção de ficar um pouco no meio, agradando a ambos os públicos: os fãs de Jane Austen que não consideram a brincadeira um sacrilégio e os fãs de filmes de zumbis. Não dá para dizer que o filme de Burr Steers (A ESTRANHA FAMÍLIA DE IGBY, 2002) não é divertido. A não ser, claro, as pessoas que não comprem a ideia desde o começo.

Curioso como há uma preocupação em manter alguns acontecimentos da obra de Austen e também muito da personalidade dos personagens na história. Também foi muito criativo dividirem aquela sociedade em dois grupos: o dos mais abastados, que conseguiram fazer seus treinamentos para combater os zumbis no Japão (caso da família de Mr. Darcy), e aqueles mais pobres, que fizeram seus treinamentos na China (caso da família de Elizabeth Bennet).

Lily James, no papel de Elizabeth, está ótima. Tanto quando mostra o que sente por Mr. Darcy (seja raiva, seja paixão) quanto, principalmente, quando demonstra suas incríveis habilidades com armas e artes marciais naquele mundo em que é necessário saber sobreviver à praga de zumbis. Curiosamente, Lily James está até mais bonita do que quando fez CINDERELA, talvez por combinar mais sendo morena ou porque seu comportamento mais agressivo lhe caia bem.

Aliás, Mr. Darcy (Sam Riley) a esnoba no começo, mas só depois de vê-la em ação é que se apaixona pela moça de família pobre e muita coragem e amor pra dar. Como não poderia faltar, sendo desse universo de Jane Austen, há as questões envolvendo dinheiro, o preconceito com aqueles de famílias menos afortunadas e o orgulho, que é característica tanto da personalidade de Elizabeth quanto de Darcy.

Quanto aos zumbis, o filme começa bem, tanto na sequência que mostra de maneira dinâmica como se deu a epidemia e como se encontra a região da Inglaterra, quanto ao mostrar a primeira aparição de Mr. Darcy, que usa uma técnica toda própria para detectar zumbis que se encontram disfarçados entre os vivos.

No mais, o filme é feliz nas cenas de ação envolvendo os desmortos e também nas cenas em que os sentimentos daqueles jovens falam mais alto. Há momentos bem divertidos nesse aspecto, como quando Elizabeth passa a ser cortejada por outros dois homens. Por outro lado, rola um pouco de decepção quanto ao papel de Lena Headey, que tem forma mas pouca substância. Isso acontece porque esperamos mais da Cersei de GAME OF THRONES. Mas isso não chega a atrapalhar o produto final.




A EXISTÊNCIA DE DEUS E AS ESCRITURAS



A Existência de Deus é Assumida pelas Escrituras. Já mostramos diversas vezes que na Bíblia é ponto pacífico o fato de todos os homens crerem na existência de Deus. Por isso, ela não tenta provar Sua existência. Evans diz: “Não parece ter ocorrido a nenhum dos escritores do Velho ou do Novo Testamento tentar provar ou argumentar em pról da existência de Deus. Em toda a Bíblia esse fato é aceito sem ser questionado”. Wm. Evans, The Great Doctrines of the Bible (As Grandes Doutrinas da Bíblia) (Chicago: The Bible Institute Colportage Association, 1912) pág. 13. 

As Escrituras começam com esta declaração majestosa: “No princípio ... (Gn. 1:1), e continuam até o fim assumindo Sua existência (Gn. 1: 3,4, etc.). Textos como Sl. 94:9,10; Is. 40:12-31 não são provas da existência de Deus, mas sim relatos analíticos de tudo que está incluído na idéia de Deus, e admoestações para se reconhecê-Lo em Sua natureza Divina.

THIESSEN, Henry Clarence. Palestra Introdutórias à Teologia Sistemática. São Paulo, SP: Imprensa Batista Regular, 1989, p.28

AS SAGRADAS ESCRITURAS


“E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” - 2 Timóteo 3:15-17

Mais precisamente, a Bíblia instrui para a salvação "pela fé em Cristo Jesus". Assim, sendo a Bíblia um livro de salvação, e salvação por meio de Cristo, a Bíblia é essencialmente cristocêntrica. O Antigo Testamento prenuncia e prefigura Cristo de muitas e diferentes maneiras; os evangelhos contam a história do seu nascimento, da sua vida, das suas palavras e obras, da sua morte e ressurreição. Atos descreve o que ele continuou fazendo e ensinando através dos apóstolos que escolhera, especialmente a propagação do evangelho e o estabelecimento da Igreja, de Jerusalém a Roma; as epístolas expõem a ilimitada glória da pessoa e da obra de Cristo, aplicando-a à vida do cristão e da Igreja; o Apocalipse, por sua vez, descreve Cristo agora no trono de Deus, prestes a vir para consumar a sua salvação e o seu julgamento. Esta compreensível apresentação de Jesus Cristo pretende despertar a nossa fé nele, de modo a sermos salvos pela fé. Paulo agora prossegue, mostrando que a utilidade da Escritura tanto se refere à doutrina como à conduta.

STOTT, John. Tu, porém – a mensagem de 2 Timóteo. São Paulo, SP: Abu Editora, 1983, p.98

TEOLOGIA CONCISA - UM GUIA DE ESTUDOS DAS DOUTRINAS CRISTÃS HISTÓRICAS



Este livro[1] expõe em breves compassos o que me parece ser a essência permanente do Cristianismo, visto tanto como um sistema de crenças quanto uma forma de vida. Outros têm idéias distintas de como deve ser o perfil do Cristianismo, porém esta é a minha. E Reformada e evangélica e, como tal, segundo creio, a corrente fundamental histórica e clássica.

Estas porções resumidas, que foram inicialmente planejadas para um estudo bíblico e surgem agora revisadas, têm um molde intencionalmente escriturístico e, como outros escritos meus, são temperadas com textos para consulta. Sustento que assim deve ser, porquanto é básico para o Cristianismo o ensino bíblico como instrução do próprio Deus, emanando, como afirma Calvino, dos lábios santos do Altíssimo e chegando a nós por mediação humana. Se a Escritura é, na verdade, o próprio Deus pregando e ensinando, como o grande corpo da igreja tem sempre afirmou, segue-se então que a primeira marca da boa teologia é procurar ecoar a Palavra divina tão fielmente quanto possível.

Teologia é, primeiramente, a atividade de pensar e falar a respeito de Deus (teologização), e, em segundo lugar, o produto dessa atividade (a teologia de Lutero, ou Wesley, ou Finney, ou Wimber, ou Packer, ou quem quer que seja). Como atividade, a teologia é como um prisma que decompõe a luz em distintas disciplinas, embora inter-relacionadas: elucidação de textos (exegese), síntese do que eles dizem sobre coisas com que tratam (teologia bíblica), visão da fé expressa no passado (teologia histórica), sua formulação para a atualidade (teologia sistemática), busca de suas implicações para a conduta (ética), recomendação e defesa de sua verdade e sabedoria (apologética), definição da tarefa cristã no mundo (missões), absorção de recursos para a vida em Cristo (espiritualidade), adoração em grupo (liturgia) e ministério perquiridor (teologia prática). Os capítulos seguintes, em forma de esboço, exploram todas essas áreas.

Recordando que o Senhor Jesus Cristo chamou aqueles que designou como ovelhas apascentadas, em vez de girafas, objetivei manter as coisas tão simples quanto possível. Alguém disse certa ocasião ao arcebispo William Temple que ele havia tomado muito simples um assunto complexo; ele sentiu enorme satisfação e disse prontamente: “Senhor, que me fizeste simples, faze-me ainda mais simples.” Meus sentimentos acompanham os de Temple, e tentei manter minha cabeça ao mesmo nível da dele.

Como digo freqüentemente a meus alunos, a teologia é doxologia e devoção, isto é, louvor a Deus e prática da piedade. Ela deve, pois, ser apresentada de forma que desperte a consciência da presença divina. A teologia alcança o auge da sua perfeição quando está conscientemente sob o olhar de Deus, de quem ela fala, e quando está cantando ao seu louvor. Tenho também procurado ter isso em mente.

Estes breves estudos de grandes assuntos se parecem, agora que já os escrevi, com os rápidos passeios turísticos da Inglaterra, que companhias de ônibus operam para os visitantes americanos (quinze minutos em Stonehenge, duas horas em Oxford, teatro e pernoite em Stratford, uma hora e meia em York, uma tarde em Lake District — ufa!). Cada capítulo é uma nota esboçada. Não obstante, espero que meu material comprimido, empacotador-empacotado [Packer-packed] como é, possa expandir-se nas mentes dos leitores para elevar seus corações até Deus, do mesmo modo que uma forma diferente de ar aquecido leva os balões e seus passageiros às alturas. Veremos.

Minhas freqüentes citações da Confissão de Westminster podem levantar algumas sobrancelhas, uma vez que sou anglicano e não presbiteriano. Entretanto, como a Confissão pretendeu ampliar os Trinta e Nove Artigos, e a maior parte de seus autores era do clero anglicano, e como ela é uma espécie de obra-prima, “o fruto mais maduro da elaboração do credo Reformado”, como B. B. Warfield a chamou, sinto-me autorizado a reputá-la como parte de minha herança anglicana Reformada, usando-a como principal recurso.

Reconheço agradecido a mão oculta de meu muito admirado amigo R. C. Sproul, de quem me veio a idéia-embrião de vários destes esboços. Embora nossos estilos difiram, pensamos de maneira muito semelhante, e temos cooperado com sucesso em numerosos projetos. Sei que somos algumas vezes chamados de Máfia Reformada, mas palavras duras não quebram ossos, e vamos prosseguindo.

Agradecimentos são devidos também a Wendell Hawley, meu publicador, e a LaVonne Neff, meu editor, pela assistência e paciência demonstradas de muitas maneiras. Trabalhar com eles tem sido um privilégio e um prazer.

J. I. PACKER

[1] Prefácio da obra.