sábado, 14 de janeiro de 2017

SNOOPY E CHARLIE BROWN - PEANUTS, O FILME [Resenha]



Cartunista mais bem sucedido da história, Charles M. Schulz criou Snoopy e companhia em 1950 e desenhou todas as tirinhas, especiais e filmes dos personagens até sua morte, em 2000. Foram 50 anos dedicados aos personagens. Em uma clássica entrevista ao apresentador Charlie Rose pouco antes de sua morte, Schulz afirmou que não via outras pessoas continuando seu trabalho, afinal ele era a essência de seus personagens. E isso realmente aconteceu no que diz respeito às tirinhas. Hoje em dia, muitos jornais republicam clássicas tiras com os personagens, sendo que algumas passam por um processo coloração, mas não há ninguém escrevendo novas histórias envolvendo Charlie Brown e sua turma.

Por muitos anos, a família de Schulz foi procurada para levar os personagens de volta aos cinemas e sempre disse não. Até que por volta de 2007, Craig Schulz, filho de Charles, decidiu que era hora de ele mesmo revisitar a obra do pai. Mantendo o negócio em família, ele chamou o próprio filho, Bryan Schulz, para ajudar no desenvolvimento do roteiro.

O envolvimento da família garantiu um grande respeito a obra de Schulz, o que é ótima. Ao mesmo tempo, o envolvimento no roteiro de pessoas com pouquíssima experiência na área na podia resultar em algo extraordinário. E foi o que aconteceu com Snoopy e Charlie Brown - Peanuts, O Filme, que é a definição em todos os sentidos do filme-médio.

Uma palavra que define bem o longa é FOFO. É bonitinho. Difícil não se tocar em alguns momentos ou não abrir um sorriso em outros. Mas fica nisso, é o clássico filme três estrelas. Não compromete, mas também não empolga. Vai agradar quem está vendo, mas será esquecido pouco depois. 

O sentimento de nostalgia e o carinho pelos personagens até podem fazer muita gente gostar mais do filme, mas a verdade é que falta algo. Não há nada de novo. Nada de especial.

Na trama, Charlie Brown e sua turma são surpreendidos com a chegada na cidade de uma nova criança, a garotinha de cabelo vermelho. Brown logo se encanta pela jovem, mas ao mesmo tempo não acha que seja bom suficiente para estar ao seu lado. É legal reencontrar Linus, Lucy e companhia, mas o personagem do Snoopy acaba desperdiçado com uma fantasia bobinha com a Fifi.

Dirigido por Steve Martino, dos fracos Horton e o Mundo dos Quem e A Era do Gelo 4, Peanuts é divertidinho e tem tudo para agradar as crianças. Mas os verdadeiros fãs dos personagens irão sentir falta de uma maior complexidade no estudo da vida infantil. No final das contas, a sensação é de que falta conteúdo para um filme de quase 90 minutos de duração.

FONTE: Adoro Cinema

GILBERT KEITH CHESTERTON (1874-1936)



Se você leu C. S. Lewis, você leu G. K. Chesterton – pelo menos indiretamente. Lewis incluiu Chesterton entre suas influências, e aqueles que são familiarizados com ambos os apologistas podem ouvir os ecos de Chesterton na obra de Lewis.

Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) foi um poeta, jornalista, ensaísta, crítico literário, romancista e apologista. De acordo com o Oxford English Dictionary, ele foi o primeiro escritor a referir-se à cultura e civilização “Ocidental”.

Chesterton foi um grande homem (em mais de um sentido) que chamou muita atenção. De que forma ele se envolveu com sua cultura, e por que ele ainda é importante? Ofereço, aqui, quatro razões.

1. Chesterton viu a realidade mais ampla e não compartimentou o mundo.

Chesterton foi um pensador que acreditava que o propósito da educação era compreender o mundo e nosso papel nele. O pensamento e a educação não são fins em si mesmos; eles dizem respeito a “conectar as coisas”. Porque acreditava que tudo se conecta, Chesterton pôde falar com propriedade sobre muitos assuntos diferentes. Ele acreditava que se o cristianismo é verdadeiramente universal, então ele deve falar de tudo.

Economia: Chesterton promoveu o Distributismo, uma ideologia econômica enraizada no ensino social católico.

Arte: Chesterton criticou a arte e literatura modernas por “desprezarem o público”. Sua biografia de Charles Dickens resultou numa ampla reavaliação do legado deste e restabeleceu-o como um dos grandes autores da literatura inglesa.

Família: Chesterton defendeu a família como um microcosmo do mundo (“o lar é maior do lado de dentro do que do lado de fora”, ele escreveu) que tem de aguentar constantes assaltos dos engenheiros sociais que acreditam que a unidade da família é um obstáculo para o progresso.

Sistema político: Chesterton não se encaixa nos paradigmas “direita” ou “esquerda” da política americana contemporânea, mas ele acreditava que o cristianismo deve influenciar o governo ressaltando suas responsabilidades e advertindo-o de suas tendências imperialistas e abusivas.


2. Chesterton desmascarou falsas pressuposições enquanto promoveu uma cosmovisão cristã.

Chesterton, muitas vezes, virou as coisas de cabeça para baixo para que seus leitores pudessem, em seguida, vê-las do lado certo. Ele fez uma defesa encantadora do cristianismo ao achar defeitos nas pretensões de seus oponentes. Não é pela força da vontade, mas do humor que ele surpreende você e o faz pensar. Alguns exemplos:
Sobre a depravação humana: “O homem que nega o pecado original acredita na Imaculada Conceição de todo o mundo”.
Sobre milagres, ele vira o feitiço contra o feiticeiro ao mostrar que os crentes, e não os descrentes é que sempre apelam para a evidência (“É por isso que eu acredito que esse milagre aconteceu”). Enquanto isso, os descrentes, e não os crentes é que sempre apelam para o dogma (“Milagres não podem acontecer”).
Sobre o naturalismo, ele desconstrói a visão popular de cristãos mantidos cativos por suas antigas superstições enquanto os “livres pensadores” desafiam o dogma religioso. Contrário a isso, ele demonstra que os cristãos são livres para crer em uma natureza ordenada, enquanto os materialistas não podem admitir a mais leve nódoa de espiritualismo ou milagre em sua máquina. O cristão é mais livre para pensar do que o livre pensador.

Chesterton adorava frisar que esses argumentos contra o cristianismo são, amiúde, contraditórios. Por exemplo, os cristãos são acusados de serem muito alegres diante do mal e do sofrimento; eles também são acusados de serem arrogantes sisudos que querem silenciar a alegria dos outros. Como pode isso ser verdade?

A lição da estratégia apologética de Chesterton não é apenas a sua defesa da fé, mas a maneira como ele empreendeu a sua tarefa. Ele contestou seus inimigos ideológicos como amigos, não inimigos. Sua intenção era converter inimigos, não triturá-los. “O objetivo do argumento é discordar a fim de concordar”, escreveu. “O fracasso do argumento é quando você concorda para discordar”.


3. Chesterton não se influenciou por argumentos que apelam para o progresso.

S. Lewis cunhou o termo “esnobismo cronológico”, uma descrição da nossa tentação em olhar com desdém para as eras passadas como se elas tivessem pouco ou nada a oferecer à nossa sociedade avançada. Você pode traçar a linha a partir do alerta de Lewis contra o esnobismo cronológico até as consistentes refutações de Chesterton às ideias efêmeras de “progresso”. Chesterton estava sempre alertando seus leitores acerca das pessoas que se imaginam reformadores que querem acabar com as instituições sociais sem entender seu significado histórico. Algumas citações:

“Enquanto a verdade está fora de época, as heresias sempre estão de acordo com a época”.

“A Igreja Católica é a única coisa que salva um homem da degradante escravidão de ser um filho de sua época”.

“Falácias não cessam de ser falácias porque se tornam modas”.

Para Chesterton, o cristianismo não deve ser sobrecarregado com as ideias da moda, quaisquer que sejam. Desafiar as novidades da sociedade contemporânea é um ato de dignidade. O peixe morto boia a favor da corrente. Resistir ao fluxo da nossa cultura e remar contra a maré é um sinal de vida.


4. Chesterton manifestou uma exuberância prazerosa no esplendor da existência.

Chesterton nunca era entediado ou entediante. “Não existem coisas desinteressantes”, escreveu. “Apenas pessoas desinteressantes”. O sentimento que impregna todos os seus escritos é a gratidão – um sinal de alegria e vida, um senso de deslumbramento até mesmo nas dádivas mais mundanas que admitimos como algo corriqueiro. “Os poetas têm estado misteriosamente em silêncio sobre a questão do queijo”, escreveu, e então passou a retificar este notório descuido [da parte deles].

De acordo com Chesterton, uma maneira de homenagearmos nosso Criador é ficando incessantemente fascinados com sua criação. Pegue, por exemplo, o clássico ensaio “O que encontrei em meu bolso”[1], que dá uma ideia das maneiras inteligentes e criativas com que a curiosidade de Chesterton o conduziu nas fantásticas viagens do pensamento.

John Piper certa vez explicou por que Ortodoxia, de Chesterton, é um dos poucos livros que ele leu duas vezes: “Continuarei voltando a qualquer um que me ajude a ser surpreendido com o que está diante do meu rosto – qualquer um que possa ajudar a me curar da doença de ‘ver o que eles não veem’”.

Meu sentimento é o mesmo. Chesterton ainda é importante para o modelo de envolvimento cultural que ele proporciona: uma visão abrangente do cristianismo que atinge todas as partes da vida, desafia as nossas sensibilidades modernas e nos leva de volta para o deslumbramento de criança no mundo que Deus fez.

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[1] Esse ensaio consta no livro Tremendas Trivialidades, publicado em português pela Editora Ecclesiae.

O FACISMO DESCARADO DE MERYL STREEP - A TÁTICA ESQUERDISTA FOI TIRO NO PÉ.



Estudiosos de bullying dizem que ataques violentos possuem duas consequências, sendo a primeira negativa e a segunda extremamente positiva. A primeira é gerar uma sensação de impotência, diante do ataque. Esse é o lado negativo. A segunda consequência é mais interessante: é a motivação gerada pela indignação, caso a vítima tenha condições de reagir. A mais pura e verdadeira força se origina disto.

Após o ataque covarde e preconceituoso feito pela atriz Meryl Streep no Golden Globe – associando os eleitores de Trump a inimigos de imigrantes, além de simular indignação sobre outras questões – gerou a seguinte sensação : “aí, ferrou, esse foi um ataque certeiro e potente” vindo da esquerda.

Mas disso se seguiu a melhor parte: horas depois as reações de indignação à campanha de ódio promovida por Meryl começaram a energizar a direita, que está se sentindo ofendida, difamada, estigmatizada, demonizada e vítima de assassinato de reputações. Cientes de que monstros como Meryl farão de tudo para jogar a população violentamente contra a direita, estes resolveram se unir. Os revides à Meryl estão acontecendo em alto volume, o que é gratificante. Existe a sensação clara de que a direita está se fortalecendo a partir da indignação gerada com o ataque.

A expressão dos atores Mel Gibson e Vince Vaughn durante os ataques de Meryl é um exemplo de como pelo menos metade dos EUA se sentiu. Os esquerdistas mostraram que utilizarão seu espaço não para debater, mas para tentar destruir inimigos com propaganda de ódio do tipo mais baixo possível.

Ontem metade da população foi demonizada como “inimigos de imigrantes”, quando na verdade apenas criticavam a imigração ilegal. Oficialmente, metade da população foi vítima de uma difamação clara, dando a noção clara de que vale tudo para a esquerda. Meryl Streep agiu como os nazistas tentaram fazer com os judeus: estigmatizando-os para jogar o povo contra eles.

No fundo, precisávamos de um ataque como este feito por Meryl. É preciso saber que o adversário está disposto a ir para o fascismo sem limites e utilizar todo o preconceito e ódio do mundo contra nós. Isso nos trará o senso de urgência necessário para saber que cada ataque precisa ser revidado e que do outro lado não existem debatedores, mas inimigos sem qualquer senso moral. O exagerado ataque de Meryl serviu para acordar a direita.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A RESSURREIÇÃO - GUY WATERS (Ligonier Ministries)



A ressurreição dos mortos é anátema para a mente moderna. Rudolf Bultmann, um dos mais famosos estudiosos do Novo Testamento do século 20 e teólogo liberal, declarou: “Um fato histórico que envolve uma ressurreição dos mortos é completamente inconcebível”. Para o Apóstolo Paulo, entretanto, o cristianismo sem a ressurreição de Jesus dos mortos era inconcebível (veja 1Coríntios 15.1-11). Em companhia com os outros apóstolos, Paulo proclamou a ressurreição como o grande fato sobre o qual o cristianismo permanece ou cai.

Como poderemos falar às pessoas desiludidas e céticas a respeito da ressurreição? O relato de Lucas sobre o ministério de Paulo em Atenas (Atos 17.16-34) nos dá uma direção mais do que necessária. Quando Paulo chegou em Atenas, pregou na sinagoga, mas também foi à “feira livre”, onde filósofos e mestres congregavam para trocar ideias (v. 17). Paulo perseverou através da incompreensão e zombaria iniciais, e aceitou um convite para discursar no Areópago, um corpo solene de oficiais públicos aposentados.
Naquele discurso, Paulo, primeiramente de forma gentil, porém firme, expõe uma fraqueza fundamental e fatal do politeísmo. O altar “ao deus desconhecido” era o reconhecimento derradeiro dos atenienses de que a religião deles era insuficiente e inadequada. Paulo então apresenta aos atenienses a solução que eles precisavam, mas nunca encontrariam entre eles – a adoração do único e verdadeiro Deus.

Paulo fala aos atenienses sobre o soberano e o todo-suficiente Deus que fez e sustenta o mundo e tudo que nele há (vv. 24-25). Ele também lhes fala sobre eles mesmos (vv. 26-29). Deus fez todos os seres humanos “de um só”, e além disso ele “fixou os tempos previamente estabelecidos e os limites de sua habitação” (17.26). A totalidade de nossas vidas é vivida inescapavelmente diante do Deus onipresente (17.28). Nós somos, além disso, detentores da imagem dele (“geração”; vv. 28-29).

Por essas razões, nós devemos “buscar a Deus” na esperança de que “possamos achar [a Deus]” (v. 27). Nós não devemos tentar pensar em Deus ou adorá-lo com imagens (v. 29). Como pecadores, entretanto, o melhor que conseguimos é “identificar o caminho com as mãos”, ou seja, tatear no escuro (v. 27). Deus está sempre presente para a criação dele, mas as criaturas pecadoras dele recusaram intencionalmente vir a ele. Mesmo assim, porque Deus nos criou e nos sustenta, nós iremos um dia prestar contas diante dele (veja o v. 31).

Até agora, Paulo arrazoou com os atenienses baseado no que eles conheciam de Deus e de si mesmos a partir da criação. Então, ele se volta para um fato particular da história – Deus levantou um homem dos mortos (v. 31). Que Deus retirou a sentença de morte de Jesus e publicamente o vindicou significa que Jesus era um homem justo. Tudo isso para dizer: ele é diferente de qualquer outra pessoa que andou na face da terra. Este justo Jesus afirmou na terra que ele julgaria todas as pessoas (veja João 5.19-29). A ressurreição vindicou essa afirmação. No levantar de Jesus dos mortos, Deus publicamente ratificou a afirmação de Jesus sobre julgar o mundo no fim desta era. Porque esse julgamento é certo e iminente, Paulo implora aos seus ouvintes que “se arrependam” (Atos 17.30), que se voltem do culto a ídolos para a adoração do Deus triúno. A ressurreição e a pregação do evangelho por todo o mundo trouxeram um fim aos “tempos da ignorância”, durante os quais aprouve a Deus reter o julgamento final (v. 30). Os dias da relativa, mas culpável cegueira gentílica, tinham chegado ao fim. Apenas o evangelho pode dissipar a ignorância e cegueira correntes, nas quais a humanidade não renovada se encontra.

A menção da ressurreição que Paulo faz produz dois diferentes resultados. Alguns zombam e sorriem sarcasticamente – a ideia de que o corpo de alguém teria existência imortal seria risível para a mente grega (v. 32a). Outros, entretanto, quiseram ouvir mais e, crendo em Cristo, seguiram Paulo (vv. 32b-34).

Proclamar a ressurreição de Jesus não fez com que Paulo, nessa ocasião, conquistasse as honras da intelectualidade ateniense. Nem resultou numa quantidade visivelmente impressionante de convertidos em Atenas. Mas Paulo não pregou a ressurreição porque ela era popular. Ele a pregou porque ela é verdadeira. A ressurreição de Jesus confirmou o julgamento que vem, mas também assegurou bênçãos para os que não mereciam. Por mais que agrade a Deus usar essa verdade nas vidas dos que não creem, a missão da igreja permanece a mesma – dizer aos outros que Jesus foi levantado dos mortos.

Guy Waters. The Resurrection.
O artigo na íntegra faz parte da edição de janeiro de 2016 da revista Tabletalk.

Tradução: João Pedro Cavani. Revisão: Yago Martins. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Ressurreição: uma verdade vital para o cristianismo

ZOOTOPIA - ESSA CIDADE É O BICHO [Resenha]


A Walt Disney Animation Studios é conhecida por desenvolver as suas histórias em cenários descolados da contemporaneidade, sejam eles futuristas (Operação Big Hero) ou retrógrados (Frozen – Uma Aventura Congelante), passando por universos mágicos (Detona Ralph) e fabulares (Enrolados). Zootopia: Essa Cidade é o Bicho representa a trama mais realista do estúdio até então. Embora seus personagens sejam animais, a premissa é desenvolvida de maneira verossímil, com elementos facilmente reconhecíveis pelo público.

Afinal, estamos em um contexto de grandes corporações, violência nas cidades, transporte público superlotado, abusos éticos da polícia. As pessoas se movem entre a casa e o trabalho, os moradores do campo migram para as metrópoles, a publicidade está em todos os lugares e os ícones da música pop se tornam formadores de opinião. Talvez os animais tenham sido a concessão necessária para tornar esta história, de fundo amargo, mais engraçada e palatável ao público infantil. Em outras palavras, os animais humanizados, vestindo roupas modernas, estão muito mais próximos dos seres humanos contemporâneos do que dos bichos selvagens.

Zootopia demonstra grande criatividade no desenvolvimento deste mundo animal. A trama se inicia quando predadores e presas já eliminaram seu “comportamento animalesco ancestral” para viverem em harmonia. Os diretores Rich Moore e Byron Howard se divertem com as diferentes proporções, imaginando lugares grandes demais para caberem girafas, ou pequenos demais para comportarem habitações de camundongos. As espécies funcionam como analogias claras à pluralidade étnica, de orientação sexual e de gênero existente nas grandes cidades. Mas ao invés de caminhar do caos à utopia, como na maioria das animações otimistas, essa faz o caminho inverso, iniciando pela paz absoluta até nascerem os conflitos.

Sem entregar spoilers, basta dizer que o conflito principal diz respeito ao retorno de alguns animais ao comportamento selvagem de antigamente. A bestialidade, a violência e a lei do mais forte são tratados como um passado aberrante que a civilização tratou de eliminar por meio de leis e da moral. É admirável que o duelo central do roteiro se dê entre determinismo biológico e dinamismo cultural, em outras palavras, entre o que se espera de uma pessoa por sua constituição física, e o que ela é capaz de fazer para além dos moldes da sociedade.

A coelha Judy é uma metáfora perfeita para o tema, sendo ao mesmo tempo mulher, de tamanho limitado e apaixonada pela profissão de policial, tipicamente masculina. Seus colegas, a maioria homens grandes e fortes, esperam que ela seja dócil, fraca e incapaz de executar o trabalho, e mesmo os pais amorosos reproduzem o preconceito de gerações anteriores, suplicando à filha que não trabalhe como policial para se poupar dos riscos da profissão. Os preconceitos vão de níveis sutis a ofensivos, e Judy enfrenta-os com um senso de determinação exemplar. Zootopia cita explicitamente as palavras “preconceito”, “biologia”, “cultura”. Em tempos de Jair Bolsonaros e Donald Trumps, o preconceito é combatido de maneira frontal e corajosa. Mesmo a canção tema, ao invés de pregar uma paz genérica, ensina os pequenos a “tentarem de tudo”, experimentarem o que quiserem, mesmo que falhem ou mudem de ideia mais tarde.

A narrativa torna-se ainda melhor porque Zootopia busca a reflexão ao invés da doutrinação. Muitas animações limitam-se a ditar às crianças o que devem fazer: “Preserve a natureza”, “Ame sua família”, “Seja gentil com os colegas”. Mas o roteiro deste filme explica porque as crianças não deveriam ser preconceituosas, mostrando passo a passo como nascem os preconceitos, passando pela cultura do medo e pelo fantasma da tradição, além do já citado “papel biológico” de cada pessoa na sociedade. Estas discussões são embaladas pelas regras do suspense policial, com direito a uma longa investigação, sombria e cheia de significados, que rompe com o aspecto frenético e episódico que tem pautado as histórias infantis. Zootopia respeita o seu público, apostando na capacidade de acompanhar um caso parcimonioso.

Tamanho aprofundamento poderia se tornar aborrecido, mas o filme mantém seu aspecto solar e colorido com ótimo bom humor. Apesar de alguns clichês dispensáveis (o preconceito do servidor público como sinônimo de lentidão), as piadas servem para parodiar nossa pós-modernidade marcada por tecnologia avançada e dificuldades de relacionamento. As piadas são muito divertidas, os personagens principais possuem um aprofundamento exemplar e as citações a Breaking Bad e O Poderoso Chefão devem agradar aos pais. Contribuindo ao acabamento do conjunto, a dublagem brasileira é impecavelmente construída.

É claro que alguns temas não ganham o aprofundamento que mereceriam, e que a solução de ordem médica, rumo à conclusão, não representa com exatidão a aversão às diferenças. Mas numa época de discursos reacionários, é louvável encontrar uma animação infantil que debata, por meio do humor, temas como o preconceito, o machismo, o racismo, a homofobia, o consumo de drogas e as tensões entre classes sociais, sem precisar embutir artificialmente uma história de amor romântico ou familiar. Através da metáfora do comportamento selvagem, a Disney conseguiu representar os perigos que assolam as sociedades intolerantes de hoje em dia.


sábado, 7 de janeiro de 2017

UM CRISTÃO REFORMADO (Perfil)


Muitos irmãos em Cristo devem ter percebido que me identifico sempre como um "cristão reformado", apesar de, logicamente, ser um evangélico. Talvez alguns já indagaram a si próprios sobre o que significa essa expressão, porém nunca tiveram coragem de perguntar. Escrevo este artigo com o objetivo de satisfazer a curiosidade de todos aqueles que ficam com um nó na cabeça sempre que ouvem ou lêem essa expressão de minha parte.

Um cristão reformado é alguém que crê na doutrina bíblica conforme expressa pela Teologia Reformada, elaborada no tempo da Reforma Protestante.

Creio como reformado que a Bíblia deve ser interpretada seguindo o modelo histórico-gramatical. Isto significa que, por ser um livro inspirado pelo Espírito Santo (II Tm.3.16), a Bíblia deve ser interpretada em espírito de oração e na total dependência do Espírito, que ilumina nossa mente para que possamos compreender seu verdadeiro significado (I Co.2.10-16).

Creio como reformado na justificação pela fé. A justificação é um ato legal, no qual Deus declara que o pecador é justo (Rm.3.22-26; 4.5), não por alguma obediência ou boa obra dele próprio (Ef.2.8), nem por algo operado nele pelo próprio Deus, mas somente por causa da obediência perfeita de Cristo à lei (Rm.5.18-19).
Creio como reformado na soberania de Deus. Por soberania de Deus deseja-se mostrar o controle absoluto de Deus sobre toda Sua criação (Mt.6.26; 10.29), e todos os acontecimentos passados, presentes e futuros, sendo Ele o Senhor da história (Dn.4.35). Deus não é somente o Criador, é também o Preservador do Universo, sustentando todas as coisas pela Palavra do Seu poder (Hb.1.3). Ele é quem determina tudo o que acontece, Sua vontade é totalmente soberana (Is.46.10), inclusive sobre nossas vontades (Fp.2.13). Logo, não existe, como muitos dizem, um livre-arbítrio. Existe sim uma liberdade e responsabilidade humana, mas que é limitada pela vontade soberana de Deus.

Creio como reformado na soberania de Deus especificamente em relação à salvação (Rm.8.29-30). Isso foi perfeitamente expresso num documento chamado Cânones de Dort, elaborado entre 1618 e 1619, onde a salvação é apresentada em 5 pontos: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, chamada eficaz e perseverança dos santos.

Creio como reformado que o "fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", como diz o Breve Catecismo de Westminster. Logo, um reformado tenta viver uma vida que glorifique a Deus em todos os aspectos, e entende que Deus é adorado e glorificado em todas as áreas de sua vida: no trabalho, na família, na sociedade, no lazer, na igreja, etc. "Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Co.10.31).

Este é um pequeno resumo do que eu creio como reformado. Digo com segurança e convicção que essa é a doutrina original dos evangélicos, mas que, infelizmente, foi abandonada com o tempo. Tenho buscado um retorno ao evangelho bíblico conforme ensinado pelos reformadores, nossos pais na fé, e creio que esse é o único caminho para um verdadeiro avivamento na igreja evangélica moderna. O segredo do avivamento não é inovar, mas olhar para o passado e restaurar o que se perdeu: "Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas." (Jr.6.16).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

COMENTÁRIO BÍBLICO DE 1 PEDRO - WAYNE [Sinopse]



Não acredito que algum cristão possa estudar essa carta por muito tempo sem ouvir a voz de Deus dirigir-se com poder às necessidades da igreja de hoje. Em apenas 105 versículos, 1 Pedro trata de inúmeros conceitos de teologia e ética cristãs. Nessa carta, encontramos a grande doutrina da redenção, desde sua concepção antes da fundação do mundo até sua consumação, quando receberemos nossa herança que jamais perecerá. Nela encontramos inúmeras exortações à santidade e à humilde confiança em Deus nas necessidades de cada dia. Encontramos também conselhos práticos sobre casamento, vida profissional, nossa relação com o governo, nosso testemunho perante os que não creem uso dos dons espirituais e ministério como líder de uma igreja.

Nessa carta também se encontram intenso consolo na aflição e, na medida do que Deus permite, a consciência dos profundos ministérios do sofrimento e da reprovação. Vemos nela a beleza majestosa da igreja como “templo espiritual”, onde diariamente oferecemos “sacrifícios espirituais” que agradam a Deus. E Jesus está nela: o pastor supremo que cuida de nós, o exemplo que seguimos, a pedra angular escolhida que nos une e consolida e o Salvador que levou sobre si nossos pecados na cruz; aquele que, sem jamais termos visto, amamos. A glória de Cristo brilha das páginas dessa carta para o coração dos que a leem. Para igrejas e indivíduos que procuram crescer em santidade, fé e amor por Cristo, as palavras de Deus em 1 Pedro haverão de compensar ricamente o estudo feito com seriedade, a memorização e a meditação.

O comentário examina o texto seção por seção, extraindo seus temas principais. Além disso, comenta quase todos os versículos da carta separadamente e lida com problemas interpretativos. O objetivo geral é chegar ao verdadeiro sentido de 1 Pedro e tornar sua mensagem clara aos leitores de hoje.

Grudem, Wayne A. Comentário Bíblico de 1 Pedro. São Paulo: Vida Nova, 2016. 240p.

KUNG FU PANDA 3 [RESENHA]



Se o primeiro Kung Fu Panda (2008) conquistou o público com uma história pessoal de superação – do panda gordinho fazedor de macarrão cujo maior sonho é dominar as artes marciais –, o terceiro filme, que chega agora aos cinemas, confirma a evolução da franquia – e do personagem – ao jogar a trama para um contexto mais amplo, de valorizar o que há de melhor em cada um (sem perder a graça e o humor tão peculiares à condição de um panda “filho” de um ganso, claro).

Uma vez estabelecido com o Dragão Guerreiro, Po agora vê a China ameaçada por um novo e perigoso inimigo. Ok, a premissa vale tanto para Kung Fu Panda 2, como para o 3. A diferença é que o filme de 2011 não traz nenhuma grande novidade narrativa para o arco mais amplo da franquia. O filme da sul-coreana Jennifer Yuh – que assumiu a função de diretora depois do excelente início pelas mãos de Mark Osborne (que, futuramente viria a comandar a nova adaptação de O Pequeno Príncipe para os cinemas) –, é mais apoiado em sequências de ação do que no texto propriamente dito.

Para o terceiro longa, Yuh volta à direção, com o apoio de Alessandro Carloni (em seu primeiro longa na função, embora já tenha trabalhado em diferentes departamentos de vários títulos de animação). O filme começa como todos os outros, ou seja, com um prólogo em 2D que serve, basicamente, para apresentar o vilão e puxar o gatilho para as cenas de ação.

A bem da verdade, descontado o leopardo Tai Lung do primeiro filme, “filho” do mestre Shifu, vilões não são o grande atrativo deste universo. Assim como o pavão lorde Shen, a bola da vez, o touro Kai, O Coletor, poderia ser qualquer animal/ personagem que desse na telha dos roteiristas. Ele pula para dentro da história “do nada”, e os autores (de novo Jonathan Aibel e Glenn Berger) procuram justificar a entrada do novo malvado como um “lendário” desafeto do Mestre Oogway no plano dos mortos.

Mas aqui, a contextualização da aguardada batalha do bem contra o mal toma emprestado da medicina tradicional chinesa a noção do Chi, grosso modo, um tipo de “energia vital”, uma excelente aposta para o mundo da franquia. É ela que vai fazer nosso herói ensinar (para as crianças?) que se deve buscar o que há de melhor em cada um – quase um discípulo de Paulo Freire – para derrotar um inimigo que parece indestrutível. Uma metáfora educativa, inserida sem didatismo chato.

Em paralelo, corre com (muita) força a trama pessoal do protagonista, que finalmente vai conhecer o pai de sangue, Li. É o mote para fazer crescer um dos personagens mais interessantes do universo da Dreamworks, o Sr Ping, o pai ganso pai de Po, e seu humor involuntário. Do “conflito” desses personagens, surge outra lição, de que o conceito de família pode ir muito além daquela foto emoldurada de papai, mamãe, filhinho e filhinha.

E precisa mais? Se deu por falta, Kung Fu Panda 3 ainda traz um visual caprichado, com ótimas cenas de luta. Difícil especular para onde a franquia poderia seguir, sem perder em qualidade; se for realmente encerrada aqui, Po e sua turma se despedem com um golpe de mestre.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

PROJETO LEITURA PARA 2017



Este ano pretendo ler novamente toda a Bíblia e o meu projeto de leitura tem novas adições.


(1) Livro com Devocionais “Por amor a Deus” de D. A. Carson.


O livro Por Amor a Deus é uma obra cuja função é essencial a todos que almejam conhecer a Bíblia, lê-la por inteiro. Contudo, o livro não trata tão somente de Devocionais comuns, tipo aqueles de leituras bíblicas curtas e pessoais, às vezes de apenas um versículo ou dois, seguidos de vários parágrafos de exposição edificante. Além da leitura do texto bíblico, você terá acesso a comentários que permitirão reflexões sobre cada texto lido.

O livro traz o Plano de anual de Leitura da Bíblia com o método McCheyne. O plano de leitura começa com os livros de Gênesis, Mateus, Esdras e Atos. Ou seja o nascimento do universo em Gênesis, o renascimento da nação de Israel com Esdras, o nascimento de Jesus em Mateus e o Nascimento da Igreja com Atos. De tal forma que ao ler um livro do novo testamento em janeiro, vou lê-lo outra vez no meio do ano em Junho; e assim com os demais livros e os salmos. A disposição da leitura dos livros, lei, historia, poesia e profecia é extraordinária, ora lemos um fato sem I Samuel, ora cantamos esta historia nos salmo; e o que no Antigo testamento é ruína, no Novo Testamento é restauração! No ultimo dia do ano estaremos lendo o ultimo capitulo de 2 Crônicas o ultimo livro a ser escrito do AT. o ultimo capitulo de apocalipse o ultimo livro do NT. E ainda leremos Malaquias o ultimo livro da bíblia do AT que termina com a palavra maldição, e em seguida o ultimo capitulo do evangelho João 21, que termina com a grandeza do ministério de Jesus. 


(2) Bíblia Sagrada Almeida Corrigida Fiel (ACF) da SBTB.



A Bíblia ACF é uma herdeira da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus). Gosto do texto e mesmo porque não sou favorável ao argumento de adaptar o texto com o propósito de que deve ficar mais claro ao leitor. É importante que saibamos que o que faz alguém entender a Palavra de Deus é o Espírito Santo. Se Deus deu ordem para que as palavras fossem as que Ele escolheu, somente nos cabe acatar e cumprir. Não temos que ficar inventando nada. Ele escolheu cada uma das palavras e tem um propósito para isso. Quando trocamos palavras escolhidas por Deus por palavras escolhidas por homens, comprometemos a pureza da Palavra de Deus.


(3) Teologia Puritana de Joel Beeke e Mark Jones



Esta inovadora obra trata dos ensinos dos puritanos sobre 6 grandes áreas da teologia, cobrindo 50 subseções doutrinárias. A obra examina com profundidade os ensinos dos puritanos sobre interpretação bíblica, Deus, predestinação, providência, anjos, pecado, as alianças, o evangelho, Cristo, a preparação para a conversão, regeneração, o ato de vir a Cristo, justificação, adoção, governo eclesiástico, o Shabbath, pregação, batismo, céu, inferno e muitos outros assuntos. Os últimos oito capítulos examinam a “teologia na prática” segundo os puritanos. Alguns capítulos se concentram na obra de um teólogo puritano e tratam de um assunto específico. Outros capítulos fazem um apanhado de vários autores sobre determinado tema. 

Pois bem, que Deus me ajude a perseverar!!!Prof. Pádua

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A DEVOÇÃO TRINITÁRIA DE JOHN OWEN (Apresentação da Obra)



Se você é cristão, é somente por causa do pensamento e da ação amorosa de cada pessoa da Trindade. O pai, junto ao Filho e ao Espírito, o planejou antes da fundação do mundo; o Filho veio pagar o preço pela nossa redenção a fim de nos trazer justificação diante de Deus; o Espírito, enviado pelo Pai e pelo Filho, nos traz à fé pela sua poderosa obra. Era isto que John Owen desejava que os cristãos soubessem. A Devoção Trinitária de John Owen é apenas o ponto inicial na explanação de tudo o que isso significa.

(1) Deus é Trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Este é um grande mistério – porque nós não somos Deus e não conseguimos entender plenamente o completo, maravilhoso e glorioso mistério do seu Ser. Mas podemos começar a compreendê-lo a aprender a amá-lo e adorá-lo.

(2) Se você é cristão, é somente por causa do pensamento e da ação amorosa de cada pessoa da Trindade. O Pai, junto ao Filho e ao Espírito, o planejou antes da fundação do mundo; o Filho veio pagar o preço para nossa redenção e, apoiado pelo Espírito Santo, foi obediente ao Pai em nosso lugar, tanto em sua vida quanto em sua morte, a fim de nos trazer justificação diante de Deus; agora, pela poderosa obra do Espírito Santo que foi enviado pelo Pai e pelo Filho, fomos trazidos à fé.

(3) O maior privilégio que qualquer de nós pode ter é o seguinte: podemos conhecer a Deus como Pai, Filho e Espírito Santo. Podemos gozar a participação – que Owen chama de “comunhão” – com Deus. Tal conhecimento é tão rico, largo, profundo, extenso e alto quanto são as três pessoas de Deus. Conhecer e ter comunhão com ele é um mundo inteiro de conhecimento, confiança, amor, alegria, comunhão, prazer e satisfação sem fim.


APRESENTAÇÃO DE STEVEN LAWSON, EDITOR DA SÉRIE “UM PERFIL DE HOMENS PIEDOSOS”

[...] Esta serie “Um Perfil de Homens Piedosos” destaca figuras chave na linha contínua de homens da graça soberana. O objetivo desta série é explorar como essas figuras usaram seus dons e habilidades dados por Deus para impactar o seu tempo e avançar o reino dos céus. Por serem corajosos seguidores de Cristo, os seus exemplos são dignos de serem seguidos hoje.

Este volume, escrito por meu bom amigo Sinclair Ferguson, foca aquele que é considerado o maior dos teólogos puritanos ingleses, John Owen. A vida monumental de Owen foi marcada por sua realização intelectual superior. Tornou-se pastor, capelão de Oliver Cromwell, e vice-chanceler da Universidade de Oxford. Sua obra mais influente, ‘A morte da morte na morte de Cristo’ (1647), escrita quando contava apenas trinta e um anos de idade, é uma extensa reflexão sobre a vida intra-trinitariana de Deus na encarnação e expiação de Jesus Cristo. Este trabalho seminal lançou Owen em um caminho de meditação e reflexão trinitária. Ele deixou ricos tratados e sermões sobre a comunhão trinitária que um cristão pode ter com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. Talvez nenhum outro teólogo inglês tenha gasto mais tempo na contemplação da eterna Divindade, e o estudo de Owen traduzia zelosa paixão pelo evangelho e dedicação a Cristo. John Owen é figura altaneira, eminentemente digna de ser retratada no esboço biográfico da série.

Que o Senhor use este livro para levantar uma nova geração de crentes, que levem a mensagem do evangelho e influenciem este mundo. Por meio deste perfil, que você seja fortalecido para andar de modo digno da vocação a que foi chamado. Que você seja zeloso em sua devoção ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, para a glória de seu nome e o avanço de seu reino. Soli deo gloria [Steven Lawson]


FERGUSON, Sinclair B. A Devoção Trinitária de John Owen. São José dos Campos: Editora Fiel, 2015. [Coleção “um perfil de homens piedosos]

MINHAS NOVAS FERRAMENTAS DE TRABALHO


“Meus livros são minhas ferramentas. Também servem como meus conselheiros, minha consolação, e meu conforto.” (Charles Spurgeon)


(1) A Ética dos dez mandamentos - Hans Ulrich Reifler (Editora Vida Nova)

Vivemos uma crise ética sem precedentes. A sociedade civil e suas instituições sofrem cotidianamente o impacto dessa crise. A igreja, por sua vez, não se mantém ilesa, nem pode se eximir diante dessa situação tão grave. Mas onde buscar, na Bíblia, respostas para esse dilema que hoje enfrentamos?

Mesmo não havendo escrito propriamente um manual sobre ética cristã, Reifler oferece-nos, na primeira parte de seu livro, uma excelente e breve introdução a esta disciplina teológica. Na segunda divisão, ele nos mostra porque os dez mandamentos ainda valem hoje para o povo de Deus. Finalmente, ele dedica a maior parte de seu estudo à exposição sistemática das leis do Sinai.


(2) Discipulado - Dietrich Bonhoeffer (Mundo Cristão)

No contexto do nazismo, na Alemanha, e baseado no Sermão do Monte o autor explica o verdadeiro sentido e prática de seguir a Cristo e fazer outros seguidores. Aqueles que são de Cristo conhecem a graça através do arrependimento, o perdão pela confissão, e percorre o caminho do discípulo pela cruz, em submissão a Cristo como servo por amor!

“Em tempos de reavivamento da Igreja, obtém-se claramente um enriquecimento nas Escrituras Sagradas. Por detrás dos apelos cotidianos e das palavras de ordem, necessários no debate eclesiástico, surge uma busca mais decidida a respeito do único a quem realmente importa encontrar, a saber, o próprio Jesus. O que Jesus quis nos dizer? O que espera e nós hoje? Como ele nos ajuda a sermos cristãos fiéis em nosso tempo?” (O autor)


(3) Gilead - Marilynne Robinson (Editora Nova Fronteira)

O reverendo John Ames, já passado dos 70 anos de idade e sabendo que lhe sobra pouco tempo de vida, decide deixar para seu filho, que ainda está para fazer 7 anos, o relato de sua vida por escrito. Ao narrar os acontecimentos, o reverendo rememora também as vidas de seu pai e seu avô, igualmente religiosos. "Gillead" é o segundo romance de Marilyne Robinson e vencedor do Prêmio Pulitzer de 2005.


(4) O Cristo dos Profetas – O. Palmer Robertson (Centro de Literatura Reformada – CLIRE)

Nesta meticulosa introdução aos profetas do antigo Israel, o Dr. O. Palmer Robertosn revela a paixão e o propósito dos escritos extraordinários deles. Ele escreve: “Uma nova aliança, uma nova Sião, um novo templo, um novo Messias, uma nova relação com as nações do mundo – essas eram as expectativas propostas para injetar futura esperança no povo que teria de suportar o trauma da deportação da sua terra”.

Depois de examinar as origens do profetismo, o chamado dos profetas, e sua proclamação e aplicação da lei e da aliança, o Dr. Palmer dedica atenção especial ao significado bíblico-teológico do exílio e da restauração. Observando essas experiências pela perspectiva de vários profetas, ele conduz nossa atenção para os sofrimentos e para a gloriosa restauração do povo de Deus em Cristo.

O Cristo dos Profetas é uma sequencia da obra O Cristo dos Pactos, considerada por muitos como um clássico na área da teologia bíblica.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

UM HOMEM ENTRE GIGANTES [RESENHA]



A tradução em português traduz bem a história que vemos: literalmente, um homem entre gigantes, no caso, um médico nigeriano no meio de uma batalha contra a poderosa NFL. Um Homem Entre Gigantes (Concussion, EUA, 2015) mostra como Bennet Omalu (Will Smith) descobriu uma doença no cérebro de um ex-jogador de futebol americano e isso levou a uma série de acontecimentos que não só afetaram o esporte mais popular dos EUA, como também sua vida pessoal e profissional.


Algo que o roteiro aparentemente deixa claro para o espectador é a paixão dos americanos pelo futebol. Diversos diálogos e imagens mostram a empolgação e amor do povo pelo jogo, como jovens que começam a praticá-lo desde a infância em casa ou na escola e dados estatísticos do impacto na população e no próprio governo. Essa noção do poder da NFL ajuda a nos contextualizar na história e entender o tipo de confronto que o personagem principal tem; e o quão difícil ele se torna cada vez mais que seus estudos chegam à mídia e incomodam os grandes chefões do esporte.

No decorrer do filme também conhecemos melhor o médico como pessoa, peça fundamental para nos conectarmos com sua luta. Ele nada mais é que um homem extremamente estudioso e dedicado ao trabalho, que não deixa dinheiro e interesses influenciarem suas atitudes. Ele descobre a ligação entre o futebol e a Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), doença que levou dezenas de ex-jogadores a morrerem no futuro, e faz de tudo para que ela tenha visibilidade e resulte em alguma solução por parte da NFL. Omalu jamais quer destruir o esporte, ele quer buscar uma maneira de evitar que outros morram.

De longe, o maior destaque da adaptação é Smith. O ator está impecável na pele do protagonista: o sotaque africano é perfeito, como ele incorporou o comportamento dele durante a rotina de trabalho em autópsias é bastante comovente e todo o processo de transformação do personagem também fica bem claro. O restante do elenco também está muito bem, em especial os jogadores vítimas do ETC, mas quem realmente rouba a cena é Smith. Como deveria ter acontecido.

Uma das minhas ressalvas diz respeito ao desenvolvimento de Prema (Gugu Mbatha-Raw). Ela é a esposa de Omalu, mas sua participação na história foi restrita demais a somente parceira que apoia o marido. Ela fez muito mais na realidade e foi desnecessário inventar o seu aborto; o roteiro aparentemente quis adicionar mais drama no percurso do médico, mas não precisava a meu ver. Afinal, já existe drama demais ali e Gugu poderia ter sido usada de outra maneira, que não fosse apenas de mulher atenciosa que depois perde um neném que nunca existiu.

Outra distorção foi a do chefe de Omalu, Cyril Wecht (Albert Brooks). O desfecho deles foi totalmente diferente do real, em todos os sentidos. Se na tela parece que a relação profissional e pessoal deles fala mais alto depois que acusações do FBI atingem ambos, a verdade foi quase que oposta: a polícia queria apenas Wecht e o próprio Omalu testemunhou contra ele.

Um Homem Entre Gigantes é uma história real de superação e coragem, com uma atuação de alto nível de Will Smith. De maneira geral, ele deixa a desejar no roteiro, mas não falha em nos envolver com a história.


http://www.cinemadebuteco.com.br/criticas/filme-um-homem-entre-gigantes/

MORRER EM FÉ OU EM PECADO?



As Escrituras têm muito a dizer sobre como morremos. Do ponto de vista bíblico há somente duas maneiras possíveis de morrer. A Bíblia ignora as várias causas da morte. Sabemos que podemos morrer de câncer, de um ataque cardíaco, com um ferimento causado por uma bala perdida, ou uma quantidade de outras causas mortais. Mas as causas biológicas da morte não são a principal preocupação das Escrituras.

Quando as Escrituras falam sobre o como da morte, o foco está sobre o estado espiritual da pessoa na hora de sua morte. Aqui vemos o “como” da morte reduzido a apenas duas opções. Ou morremos em fé, ou morremos em nossos pecados. (Ezequiel 3.17-19).

“Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e avisá-los-ás da minha parte. Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas, se avisares ao ímpio, e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma.” - Ezequiel 3:17-19

Muitas vezes pensamos que a pior coisa que pode acontecer a uma pessoa é morrer. Esta não é a mensagem de Jesus. De acordo com Cristo, a pior coisa que pode acontecer a nós é morrermos em nossos pecados.

Esta é a mensagem bíblica que tem sido largamente ignorada em nossos dias. Gostamos de acreditar que todo aquele que morre vai automaticamente para o céu. Presumimos que o único bilhete que se requer para entrar no reino de Deus é a morte.

Deus nos ordena que falemos aos que estão morrendo sobre sua necessidade de um Salvador. O profeta Ezequiel deixa isto claro como água. Se amamos as pessoas, devemos avisá-las das consequências de morrer nos seus pecados. 

A grande mentira é aquela que declara que não existe um julgamento final. Entretanto, se Jesus ensinou alguma coisa, ele enfaticamente declarou que haverá um julgamento final

E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era Estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. Mateus 25:31-46

Jesus adverte que chegará o dia em que todos os segredos serão conhecidos. Será o final de todos os disfarces deste mundo. Todos os esconderijos serão abertos e os segredos vergonhosos aparecerão plenamente visíveis. Os pecados de todos nós serão conhecidos, a menos que estejamos “cobertos” pelo manto da justiça de Cristo.

“Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido. Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falastes ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado.” - Lucas 12:2,3

SPROUL, R.C. Surpreendido pelo Sofrimento. São Paulo: Editora Cultura Cristã. 1998. Pág. 57-61

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O ENCANTO POÉTICO DE ISAAC WATTS


Biografia de Isaac Watts (1674-1748), "pai da hinódia inglesa", autor de cerca de setecentos e cinqüenta hinos evangélicos. O autor procura destacar ao longo dos capítulos várias facetas de Watts: educador, pregador, poeta e hinólogo.

Douglas Bond diz: “Por sua imaginação incomparável, Watts me transportou de volta para o quente e empoeirado Gólgota, onde ouvi a batidas dos martelos sobre os pregos, os insultos e cuspes, os gemidos e gritos de dor. Pelas palavras de Watts, tornei-me o jovem contemplando a maravilhosa cruz. Com os olhos da fé, eu era aquele que via o Príncipe da glória abandonado por seu Pai e morrendo em agonia. E porque eu agora via, estava resoluto a contar como perda todas as minhas aspirações à riqueza e grandeza. Eu estava, pela primeira vez, desprezando todo o meu orgulho delirante do corpo e da mente.”

Muito já se escreveu, nos blogs reformados, sobre a importância da doutrina correta nas músicas entoadas nas igrejas, como também, muitos sermões pregados. Mas quis dar também minha contribuição mostrando um pouco da obra desse grande pastor e poeta desconhecido por muitos. Recomendo também a leitura do livro acima citado. Se você faz parte do grupo de louvor de sua comunidade, leve a ela músicas cristocêntricas, que exaltem ao excelso Deus, seus atributos e sua glória. Aprendamos com Issac Watts!

APRESENTAÇÃO DE STEVEN LAWSON, 
EDITOR DA SÉRIE “UM PERFIL DE HOMENS PIEDOSOS”

[...]Esta serie “Um Perfil de Homens Piedosos” destaca figuras chave na linha contínua de homens da graça soberana. O objetivo desta série é explorar como essas figuras usaram seus dons e habilidades dados por Deus para impactar o seu tempo e avançar o reino dos céus. Por serem corajosos seguidores de Cristo, os seus exemplos são dignos de serem seguidos hoje.

O foco deste próximo volume está o preeminente hinólogo inglês Isaac Watss. A beleza poética de seus hinos impregnados de doutrina transcende os séculos e continua a enriquecer a Igreja atualmente. Por sua habilidade literária extraordinária, ele tornou o cantar de hinos uma força devocional na Igreja Protestante. Tomado por uma visão elevada de Deus, este talentoso compositor revitalizou o canto congregacional por voltar a expor uma rica teologia em letras que combinavam o estilo musical ao peso da mensagem bíblica. Tudo isso – a ascensão e a queda de uma frase, metáforas marcantes, a cadência de um verso – convertia a majestade e transcendência de Deus em palavras inesquecíveis. Chamado de Melanchthon do seu tempo, este pastor hinologista influenciou o curso da adoração congregacional que permanece até o dia presente. Os seus hinos continuam a ser um marco na vida espiritual da Igreja.

Este dom para o encanto poético se faz necessário, mais uma vez, nos dias atuais. Em um momento em que há muita superficialidade na adoração congregacional, a Igreja deve recuperar uma visão elevada de Deus que leve à adoração transcendente. Em última análise, é a teologia que inevitavelmente produz doxologia. O recente ressurgimento da teologia Reformada de inspirar altaneiro louvor nos corações dos crentes. Que o Senhor possa usar este livro para inflamar uma nova geração a contemplar “a maravilhosa cruz sobre a qual o Príncipe da glória morreu”. Soli deo gloria! [Steven Lawson]

BOND, Douglas. O Encanto Poético de Isaac Watts. São José dos Campos: Editora Fiel, 2014. [Coleção “um perfil de homens piedosos]


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

NOVAS FERRAMENTAS DE TRABALHO



Adquiri essas ferramentas de trabalho já faz algum tempo, mas somente agora estou fazendo essa publicação.

1. A Manifestação do Espírito: a contemporaneidade dos dons à luz de 1 Coríntios 12-14 

Neste livro, D. A. Carson analisa minuciosamente a questão da contemporaneidade dos dons de uma perspectiva bíblica, sem deixar, porém, de dialogar com a longa tradição da teologia cristã. Trata-se de um estudo cuidadoso e diligente que visa extrair de um dos textos bíblicos mais célebres sobre o assunto, 1 Coríntios 12—14, uma interpretação consistente e precisa que seja capaz de unir carismáticos e não carismáticos por meio de uma compreensão bíblica e teológica do assunto. (Sinopse)

2. Jesus, o filho de Deus: o título cristológico muitas vezes negligenciado, às vezes mal compreendido e atualmente questionado

Em Jesus, o Filho de Deus, o aclamado acadêmico D. A. Carson, estudioso do Novo Testamento, examina a importância da filiação divina de Jesus para o modo de os cristãos da atualidade pensarem e falarem sobre Cristo, em especial no que diz respeito à tradução da Bíblia e ao trabalho missionário com muçulmanos de todo o mundo. Embora a identidade de Jesus como “Filho de Deus” seja uma confissão de base para todo cristão, boa parte de sua importância é muitas vezes negligenciada ou mal compreendida. Por meio de um levantamento da expressão “Filho de Deus” nas Escrituras e de uma exegese de dois textos-chave que tratam da filiação de Cristo, Carson lança luz sobre esse importante tema com sua habitual clareza exegética e percepção teológica.

3. As Escrituras dão testemunho de mim: Jesus e o evangelho no Antigo Testamento. 

Nesta coletânea de mensagens sobre diversos textos veterotestamentários, oito pastores e estudiosos evangélicos eminentes demonstram como pregar Cristo a partir do Antigo Testamento: 
R. Albert Mohler Jr. – Estudando as Escrituras para encontrar Jesus; 
Tim Keller – A saída; 
Alistair Begg – De uma estrangeira ao Rei Jesus; 
James MacDonald – Quando você não sabe o que fazer; 
Conrad Mbewe – O Renovo justo; 
Matt Chandler – Juventude; 
Mike Bullmore – Deus tem um grande coração de amor pelos seus; 
D. A. Carson – Empolgando-se com Melquisedeque.

Futuramente, estarei postando as resenhas de livro.

ANA - UMA MULHER ATRIBULADA (1 Samuel 1.1-2,11)


INTRODUÇÃO

Em Efraim vivia um homem temente a Deus, chamado Elcana, que tinha duas esposas: Penina, que tinha filhos, e Ana, que era estéril.[1] Penina tornou-se arrogante e provocava Ana, que, não podendo agüentar sua esterilidade, tornou-se melancólica e insatisfeita com sua vida. Elcana tinha uma tarefa difícil para manter a harmonia no seu lar, mas a despeito dos problemas no lar, Elcana levava suas esposas e filhos para adorar a Deus todo ano em Siló.

Ana - A vida de Ana é caracterizada por um notável exemplo de fidelidade em todos os aspectos. Seu nome significa “graça”, e reflete o que realmente foi a vida desta serva de Deus. [2]
Samuel - Seu filho Samuel, recebido como resposta divina, foi um dos mais extraordinários vultos do Antigo Testamento, que marcou o fim da época dos juízes para o período dos reis de Israel.
Elcana – Elcana pertencia a linhagem levítica (1 Cr 6.16-28): assim sendo, seu filho Samuel pôde exercer um ministério tríplice: profeta, juiz e sacerdote, este último devido a descendência de Arão. Ele era um homem temente a Deus, juntamente com a sua família (1 Sm 1.1-4).


I. ATRIBUTOS POSITIVOS NO MEIO DAS TRIBULAÇÕES

1. Ana era temente a Deus - Lendo o primeiro capitulo de Samuel, notamos que seu coração estava em paz com Deus. Não podemos duvidar da sinceridade de sua oração, da sua confiança, da sua fé, ou da força da sua consagração.

2. Ana era uma mulher amável - Elcana a amava muito (1.5) e o fato dela ser estéril não diminuiu o seu valor aos olhos do marido. Note sua pergunta: “Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1.8). Era uma questão muito séria uma mulher ser estéril naqueles dias, pois era rejeitada pela sociedade que, em sua concepção popular, achava que a esterilidade era um castigo divino (Gn 16.2; 30,1-23; I Sm 1.6,20).[3] Outra questão era que toda israelita ansiava gerar filhos, pois uma delas poderia ser a mãe do Messias prometido. [4]

3. Ana possuía autocontrole - Penina a provocava excessivamente. Na festa anual, quando a provocação aumentava, Ana foi sozinha ao santuário, para chorar e orar solitária. Quando Eli a censurou por estar embriagada (1.14) ela respondeu de maneira branda. Aceitou a repreensão sem ressentimento, sem tentar justificar-se, sem reivindicar seus direitos; e respondeu de maneira branda porque estava na presença do Senhor.

4. Ana era uma mulher que meditava muito - Sua tristeza a obrigou a pensar muito e a levou a uma comunhão mais íntima com Deus. Esta característica é evidente quando ela fala, por exemplo, em 1 Sm 1.15-16 e no seu cântico, no cap. 2.

5. Ana participava dos cultos no Templo – Não faltava às reuniões no Tabernáculo, sempre acompanhada do esposo, quer quando estéril ou mesmo depois de o Senhor ter-lhe aberto a madre (1 Sm 1.1-7, 22-28; 2.19,20)


II. UM ESPIRITO ATRIBULADO GERA BENÇÃOS [5]

1. Ana aprendeu a orar - Ela correu ao Senhor para expor seu problema. Orou com amargura de alma e a amargura de alma deve ser adoçada pela oração. Aprendamos isso com Ana (Hb 12.15b).

2. Ana aprendeu a renunciar a seus direitos - A oração em que esperava escapar de triste situação era uma oração de renúncia. Ela queria um filho, mas estava pronta a dedicá-lo ao Senhor para o seu serviço (1.11). Aprender a renunciar aquilo que mais valorizamos e fazê-lo com alegria é renunciar de verdade. Note como Ana apresentou esta criança a Deus.
a) Ofereceu um sacrifício (1.24)
b) Demonstrou gratidão a Deus, por ter respondido à sua oração (1,27)
c) Fez uma entrega completa ao Senhor (1.28b)

3. Ana aprendeu a ter fé - Ana estava triste e magoada, mas quando Eli disse-lhe: “Vai-te em paz e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste” (1.17), imediatamente seu rosto alegrou-se (1.18). Ana ainda não havia recebido a benção, mas tinha fé em Deus. A oração transformou a sua vida.

4. Ana aprendeu muito a respeito de Deus (1 Sm 2.1-10) - Ana descobriu que a verdadeira alegria se acha, não na família, nem nos filhos, nem em coisas materiais, mas em Deus. No seu cântico, ela demonstra o seu conceito de Deus: [6]
            a) Regozija-se no Senhor, e não em Samuel, seu filho (v.1)
            b) Reconhece a santidade de Deus, (v.2a)
            c) Reconhece a suficiência de Deus (v.2b)
            d) Reconhece o método de Deus na Sua providência (vs 4-5)
            e) Reconhece a graça de Deus (v.8)
            f) Reconhece a fidelidade do Senhor (v.9)

III. TRIBULAÇÕES TRANSFORMADAS EM ALEGRIA

1. Oração respondida - Tal como Rebeca, Isabel e outras mulheres estéreis da Bíblia, Ana teve sua oração respondida e ganhou um filho.

2. Graça para criar o filho - Ana recebeu a incumbência de criar um filho para ser profeta em Israel. O próprio nome, “do Senhor o pedi”, o caráter e o preparo de Samuel para o ministério, são frutos de experiências vividas pela própria mãe na tristeza e no sofrimento. Ana teve poucos anos para educar seu filho, mas aproveitou o tempo para criá-lo na admoestação do Senhor e prepará-lo para servir ao Senhor. Não deixou para o sacerdote, Eli a responsabilidade espiritual que cabia a ela. Os pais de Samuel reconheceram que aos pais cabem a responsabilidade e privilégio de ensinar seus filhos a respeito do Senhor, desde cedo, mesmo antes deles poderem compreender as coisas espirituais. As vezes, pais crentes deixam com a igreja a tarefa de instruir os seus filhos no caminho do Senhor. Ana e Elcana, de fato, colocaram em prática o ensino de Dt 6.6-7 e Pv 22.6. [7]

3. Poder para louvar ao Senhor - Veja seu cântico em 2.1-10

4. Preparação para receber mais bênçãos - Ana ganhou mais três filhos e duas filhas, depois de levar Samuel à casa do Senhor (2.21) – cinco filhos em troca de um filho dedicado ao Senhor. Ela provou a promessa de Deus – “aos que me honram, honrarei” (2.30b)

CONCLUSÃO
Pensemos:
1. O sofrimento pode me levar a uma comunhão mais íntima com o Senhor, ou pode afastar-me dEle?
2. A oração realmente transforma pessoas e situações. Creio isso e já provei isso na minha vida?
3. Estou pronto, como Ana, a entregar meu filho para o sagrado ministério?


[1] É importante esclarecer que a Poligamia, ser casado com mais de uma mulher, não é uma ordenança divina. A Lei de Moisés claramente ordena: “Tampouco para si multiplicará mulheres” (Dt 17:17).  A poligamia nunca foi estabelecida por Deus para nenhum povo, sob circunstância alguma. Deus odeia a poligamia, assim como o divórcio, porque ela destrói o seu ideal para a família (cf. Ml 2:16). NOTA: GEISLER, Norman L e HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p. 191,192.
[2] HERRING, E. Truman. Ana - A Jornada da esterilidade à fertilidade espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2015, p. 49.
[3] SCHWARTS, Suzana. Uma visão da esterilidade na Bíblia Hebraica. São Paulo: -Associação Editorial Humanitas, 2004, p. 458
[4] BRENNER, A. A mulher israelita. Papel social e modelo literário. São Paulo: Edições Paulinas, 2001, p. 32
[5] WALLACE, Ronald S. A oração de Ana: um exemplo cativante de como Deus responde à oração. São Paulo: Editora Vida, 2005.
[6] CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Candeia. São Paulo, 1991.
[7] FILHO, João A. de Souza Filho. As Famílias de Eli & Ana. São Paulo: Editora Mensagens para todos. 2014, p 68.