terça-feira, 17 de julho de 2018

LIVROS RECEBIDOS [Parceria]



1. HISTÓRIA DO CRISTIANISMO [Bruce L. Shelley] - Já em sua quarta edição nos Estados Unidos, História do cristianismo tornou-se a principal escolha de leigos e líderes religiosos, inclusive sendo utilizado como texto-base em diversas salas de aula. De maneira clara e organizada, Dr. Bruce Shelley apresenta neste grande clássico a trajetória da igreja cristã para os leitores de hoje, usando como pano de fundo a vida de personagens importantes – suas motivações, as questões com as quais tiveram de lidar, as decisões que tomaram. O resultado é a História que se lê como uma história, quase tão dramática e emocionante como um romance. No entanto, não há ficção aqui, mas um trabalho minuciosamente pesquisado e cuidadosamente elaborado por Shelley com precisão histórica.

Esta obra, baseada na nova edição revisada e expandida, relata a história do cristianismo até o século XXI, dividindo-a em nove grandes épocas:
• Época de Jesus e dos apóstolos
• Época do cristianismo católico
• Época do Império Romano cristão
• Idade Média cristã
• Época da Reforma
• Época da Razão e dos avivamentos
• Época do progresso
• Época das ideologias
• Época de expansão e remanejamento Global

A popularidade contínua deste livro comprova o sucesso da realização de seu propósito: tornar a história da igreja clara, inesquecível e acessível para todos os leitores.

Recursos inclusos: Histórias claras de grandes nomes da história do cristianismo; Explicações concisas de movimentos-chave; Desenvolvimentos contemporâneos relacionados à propagação do evangelho e a explosão do cristianismo no Hemisfério Sul



2. DEZ HOMENS DA BÍBLIA [Max Lucado] - “Os homens retratados na Bíblia não eram perfeitos de forma alguma. Nas Sagradas Escrituras, encontramos diversas histórias marcadas por escândalos, fracassos e intrigas. No entanto, também encontramos muitas histórias de homens que conseguiram olhar além de suas circunstâncias, confiar completamente no Senhor e segui-lo por onde quer que fosse. Assim como nós, esses homens tomaram boas e más decisões ao longo do caminho – experimentaram boas e más consequências. Nas páginas da Bíblia, vemos nossas lutas e esperanças refletidas em suas histórias.”



3. DEZ MULHERES DA BÍBLIA [Max Lucado] - “Nem conhecemos todos os seus nomes. Alguns são referidos apenas pela sua nacionalidade. Alguns são conhecidos apenas pelo lugar onde moravam. Alguns nomes se tornariam rainhas, enquanto outros viveriam à margem da sociedade. Um daria à luz uma nação, e alguém daria à luz o Messias. Sua cultura muitas vezes ignorou ou descontou as contribuições das mulheres, mas os autores das Sagradas Escrituras encontraram essas mulheres e o notável papel que desempenharam para contar a história de Deus.”


Livros recebidos do parceiro
Paulo Moura.
Gerente Comercial
Editora Thomas Nelson Brasil

TEOLOGIA DOS REFORMADORES [Resenha]


GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova,
2013. 339p.


AUTOR E OBRA A obra de George em sua sexta impressão é muito bem-vinda. Publicada originalmente em inglês (Theology of the Reformers, 1988) foi traduzida e publicada em português em 1994. De lá para cá saíram oito reimpressões, sendo que tenho em mãos sétima, de 2013. No ano passado (2017) esta obra passou por uma segunda edição revisada e ampliada.

A obra é preciosa. George, que tem mestrado e doutorado em teologia em Harvard, é um teólogo de tradição batista com profunda convicção calvinista (seus filhos que o digam, p. 13). Entre outras atividades acadêmicas ele é diretor-fundador e professor de teologia da Beeson Divinity School, sendo o atual deão. Timothy George também é palestrante e conferencista. Como autor já escreveu mais de vinte livros e escreve artigos regularmente para revistas teológicas. Teologia dos Reformadores é seu principal livro. Já foi traduzido em diversas línguas e tem sido usado como livro texto em muitas escolas e seminários. “Trechos deste livro foram apresentados originalmente como palestras a estudantes de teologia e pastores em diversos contextos” [p.12]. Como historiador, George é bem sincero em admitir um grande perigo para todos que tratam assuntos do passado. Ele diz que uma interpretação do passado está limitada a pelo menos dois fatores: “pelas fontes em si e também pelo historiados que as seleciona e interpreta” [p. 17].

Além disso, sua obra é agradável de ser lida. O autor concilia erudição e simplicidade, sendo bastante didático em sua apresentação. É o resultado aperfeiçoado de palestras ministradas e textos publicados ao longo de seu ministério. Ele pôde reunir todo o material e ampliá-lo significativamente durante o ano que permaneceu de licença na Suíça [p.12].


Na INTRODUÇÃO e CAPITULO 2, o autor faz considerações esclarecedoras sobre a Idade Média como uma época carente de Deus, estando os fiéis angustiados, “sedentos por Deus”. Faz recortes da Reforma, explicando inicialmente os antecedentes da reforma dentro da igreja Católica e as teologias dominantes: o escolasticismo, misticismo e humanismo. Todo este clima é representado e expresso pela palavra Anfechtungen que indicava a ansiedade e a angústia (angst) religiosa da época. Ao descrever o contexto da época da Reforma no século XVI o autor diz que aqueles dias eram caracterizados por violência e intolerância, desta forma, os próprios reformadores “não eram destituídos de fanatismo e intolerância” [p. 12]. Porém, não podemos tratar de eventos passados a partir de aspectos e padrões da época presente. Temos que respeitar o contexto cultural [p.20]. No período da denominada Baixa Idade Média, véspera da Reforma, a realidade da morte era algo muito marcante. Diversas doenças matavam a muitos naqueles dias. Daí a atenção voltada para a religião, para a vida pós-morte. Consequentemente, tudo o que podia assegurar uma boa vida com Deus era bem enfatizado: indulgências, peregrinações, relíquias, rezas repetidas. Notamos nisto tudo o esforço humano em tentar garantir seu futuro, em obter méritos. Tudo isto foi preparando o caminho para a Reforma.

George analisa alguns dos personagens basilares da Reforma que representam tradições distintas, dedicando um capítulo aos pontos mais relevantes da teologia de cada um (Lutero, Zuínglio, Calvino, Simons). Os três primeiros ligados à Reforma Magisterial e o último à Reforma Radical. A cada um destes vultos da Reforma é dedicado um capítulo, onde se expõe os aspectos teológicos mais relevantes de suas contribuições na Reforma: a relação da igreja com o Estado, a erudição, os comentários, os principais livros, a eclesiologia, principalmente quanto à ceia e ao batismo; a relação com a igreja católica e o debate entre os próprios Reformadores, entre outros detalhes.


O CAPÍTULO 3 é dedicado a Martinho Lutero. Lutero é apresentado como um dos maiores teólogos da história da igreja, não para os católicos que dizem que ele era um monge louco que atacava os pilares da Igreja Mãe, mas para os protestantes, uma vez que a principal doutrina defendida por Lutero foi a justificação pela fé. Lutero também defendia a inspiração verbal e plenária das Escrituras [p.83] e batalhou para que o povo pudesse ter a Bíblia na sua própria língua alemã. Neste ponto, a invenção da imprensa foi de grande ajuda. Ele também enfatizou a interpretação da Bíblia de forma histórica-gramatical e as pregações nos cultos públicos para todos. É importante dizer que Lutero era um teólogo bíblico que observava seu mundo e procurava as respostas bíblicas para as situações particulares de seu contexto. Ele não valoriza as tendências escolásticas, mas é chamado neste livro de existencialista, pois para ele “o interesse por Deus era questão de vida ou morte, envolvendo não apenas o intelecto de um homem, mas sua existência como um todo” [p.60]. 


No CAPÍTULO 4 nos é apresentado um outro reformador da primeira geração, mas com uma visão mais social e política, foi Zuínglio. Zuínglio era pastor, patriota, teólogo, mesmo que não tenha recebido o título de doutorado, e político. Uma combinação um pouco estranha a primeira vista. Tanto que ele que detestava guerra, não foi “absolutamente um pacifista radical” [p.112] e morreu após ser ferido em batalha. Zuínglio também destacou as Escrituras. Ele abordou a importância de pregar diretamente da Bíblia, de aprender apenas das Escrituras e a necessidade dos pastores usarem uma cópia do Novo Testamento grego. “Sola Scriptura” - bandeira de todos os reformadores. Ele destacava uma lealdade absoluta somente a Deus, porém era notável seu desligamento “parcial” do catolicismo quando ele ainda defendia a virgindade perpétua de Maria [p.130]. A eleição também é defendida por Zuínglio. Ele ensinava que o homem salvo, o cristão, não tinha crédito nenhum por sua própria salvação. Porém, o que era estranho era sua afirmação de que mesmo sem ter ouvido o evangelho alguns poderiam ter sido eleitos por Deus [p.124-125]. Isto tem algo parecido com a valorização da razão de Tomás de Aquino, mas contraditório com a ênfase de que Cristo é o único meio de salvação. 


No CAPÍTULO 5, Calvino é bem descrito a partir de sua obra principal (As Institutas) em paralelo com os seus comentários das Escrituras. É notório como Timothy George sintetiza bem a teologia do grande Reformador, demonstrando erudição e habilidade didática. Calvino é o terceiro reformador tratado neste livro de Timothy George. Ele é um reformador de segunda geração e admitiu ser influenciado por Lutero, mesmo nunca tendo o encontrado pessoalmente. Calvino era um pastor, que a partir de seus escritos notamos uma capacidade de aplicações práticas que edificavam e edificam o rebanho do Senhor, um professor influenciado por Agostinho e Lutero, um escritor, um estadista da igreja e tornou-se um marido. “A grande realização de Calvino foi tomar os conceitos clássicos da Reforma (sola gratia, sola fide, sola scriptura) e dar-lhes uma exposição clara e sistemática, que nem Lutero, nem Zuínglio jamais fizeram, adaptando-os ao contexto civil de Genebra” [p.166]. 


No CAPÍTULO 6, é interessante a forma coerente como ele descreve a vida de Menno Simons sem menosprezá-lo ou ridicularizá-lo como anabatista. George aponta a ênfase de Simons no batismo por imersão (que ele não considerava rebatismo, tendo em vista que o pedobatismo não era um verdadeiro batismo), na disciplina eclesiástica, que tendia ao separatismo, e na sua recorrência “exclusiva” às Escrituras, sem passar por consulta a credos, concílios e confissões ao longo da história da Igreja. Porém, de forma interessante, boa parte de seus escritos voltou-se para uma temática conciliar (a encarnação do Redentor), a qual ele cria não ter herdado sua humanidade de Maria, apesar de ter sido nutrido por Maria. O Filho de Deus é de procedência celestial (e com isto ele não se aproxima do docetismo, mas deseja resguardar a impossibilidade da transmissão do pecado de Maria a Jesus). 


UMA ANÁLISE  - George buscou o equilíbrio na avaliação dos personagens da Reforma, propondo-se a não “canonizar os reformadores”, ilustrando falhas de cada um. Contudo, seu entusiasmo por esses homens é compreensível: “... o que é notável nos reformadores é que, apesar de seus pontos fracos, pecados e setores cegos, eles foram capazes de apreender com muita perspicuidade o caráter paradoxal da condição humana e a grande possibilidade de redenção humana mediante Jesus Cristo” [p.12]. 

Daí o seu desafio para que os ouçamos. O seu propósito não é apologético [p.15-23]. Seguindo o modelo de Ranke,[1] propõe-se a um uso “escrupuloso das fontes” [p.17], ainda que reconheça, corretamente, que uma história completamente objetivo não pode ser escrita. “A história nunca é o simples recontar do passado como realmente foi. É, inevitavelmente, uma interpretação do passado, uma visão retrospectiva do passado limitada tanto pelas fontes em si quanto pelo historiador que as seleciona e interpreta” [p.17].[2] Ele se vale com habilidade de fontes primárias e secundárias. No final de cada capítulo apresenta uma útil bibliografia selecionada e comentada. 

Ainda que sustente que a Reforma foi um movimento essencialmente religioso [p.20], admite que ela foi “uma era de transição, caracterizada pelo surgimento de um novo tipo de cultura que estava se esforçando para nascer enquanto o velho tipo de cultura ainda estava morrendo” [p.19]. No entanto, foi “a um tempo reavivamento e revolução” [p.21]. 

O autor observa corretamente que, “embora acolhessem entusiasticamente os esforços dos eruditos humanistas, tais como Erasmo, por recuperar o primeiro texto bíblico e submetê-lo a uma rigorosa análise filológica, [os reformadores] não viam a Bíblia meramente como um livro entre muitos outros. Eles eram irrestritos em sua aceitação da Bíblia como a única e divinamente inspirada Palavra do Senhor” [p.31]. Os reformadores foram “grandes exegetas das Escrituras Sagradas” [p.313].

O humanismo sendo útil à Reforma, jamais chegou ao cerne da questão a vital que distanciava a igreja de sua origem e propósito: “A despeito da importância do humanismo como uma preparação para a Reforma, a maioria dos humanistas, e principalmente Erasmo entre eles, nunca alcançou nem a gravidade da condição humana, nem o triunfo da graça divina, o que marcou os reformadores. O humanismo, assim como o misticismo, foi parte da estrutura que possibilitou aos reformadores questionar certas suposições da tradição recebida, mas que em si mesma não era suficiente para fornecer uma resposta duradoura às obsessivas perguntas da época” [p.50].

A Reforma foi um movimento progressista: “Apesar de toda sua ênfase no retorno à igreja primitiva do Novo Testamento e da época patrística, A Reforma consistiu essencialmente num movimento visando ao futuro. Foi um movimento dos ‘últimos dias’, vivido numa forte tensão escatológica entre o ‘não mais’ da antiga dispensação e o ‘ainda não’ do reino perfeito de Deus” [p.319].

A Reforma, no entanto, não foi autogerada; antes, digamos, foi o movimento que teve êxito numa sucessão de tentativas frustradas ao longo dos séculos: “A reforma do século XVI, portanto, foi uma continuação da busca pela igreja verdadeira que havia começado muito antes que Lutero, Calvino ou os padres de Trento entrassem na lista” [p.34].


Ele termina sua jornada com um capítulo – CAPÍTULO 7 - sobre “A Validade permanente da Reforma”, destacando alguns pontos: Soberania e Cristologia, Escrituras e Eclesiologia, Culto e Espiritualidade e Ética e Escatologia.


a) Soberania e Cristologia - O tema da soberania de Deus ressoa inequivocamente ao longo dos escritos dos quatro reformadores. À primeira vista, poderia parecer que essa ênfase era peculiar aos reformadores principais, com sua insistência na liberdade e na decisão eterna de Deus na eleição. Contudo, a seu modo, Menno e os anabatistas não eram menos enfáticos quanto ao governo absoluto de Deus sobre o mundo e a história. Pelo menos, sua oposição às normas culturais da época e sua disposição de seguir Jesus, chegando a ponto de viver sem defesa numa sociedade violenta, refletia uma confiança ainda mais firme na prioridade e na vitória derradeira do comando de Deus. Entretanto, a doutrina reformada básica da eleição ou da predestinação sobressaía-se como uma testemunha inequívoca da soberania de Deus na salvação humana. Essa era, e continuou a ser, uma pedra de tropeço importante para aqueles que viam nisso uma restrição prejudicial da liberdade e da moralidade humanas. Os reformadores, porém, encontraram nesse ensino uma libertação formidável do insuportável fardo da auto justificação. Eles viam os seres humanos tão profundamente escravizados pelo pecado que somente a graça soberana de Deus poderia verdadeiramente libertá-los. Dois famosos tratados de Lutero, A Liberdade do Cristão, de 1520, e A Escravidão da Vontade, de 1525, constituem dois lados da mesma moeda. A eleição merecida e incompreensível de Deus é a única base real para a liberdade humana!


b) Escrituras e Eclesiologia - O princípio da sola scriptura tem sido tradicionalmente mencionado como o "princípio formal" da Reforma, em oposição ao "princípio material" da justificação pela fé somente. Essa distinção, contudo, é ilusória, na medida em que leva a supor que os reformadores consideravam a Bíblia um axioma teológico ou um prolegômeno filosófico, e não o vivo e poderoso oráculo de Deus. No século XVI, a inspiração e a autoridade das Escrituras Sagradas não era um ponto de debate entre católicos e protestantes. Todos os reformadores, até mesmo os radicais, aceitavam a origem divina e o caráter infalível da Bíblia. A questão que surgiu na Reforma foi sobre o modo como a autoridade divinamente comprovada das Escrituras Sagradas estava relacionada à autoridade da igreja e da tradição eclesiástica (católicos romanos), por um lado, e ao poder da experiência pessoal (espiritualistas), pelo outro. O sola do sola scriptura não pretendia desprezar completamente o valor da tradição da igreja, mas sim subordiná-la à primazia das Escrituras Sagradas. Enquanto a Igreja Romana recorria ao testemunho da igreja a fim de validar a autoridade das Escrituras canônicas, os reformadores protestantes insistiam em que a Bíblia era autolegitimadora, isto é, considerada fidedigna com base em sua própria perspicuidade (cf. Klarheit, de Zuínglio), comprovada pelo testemunho íntimo do Espírito Santo. O Artigo V da Confissão Belga (1561) levanta a questão de como uma pessoa chega a aceitar a dignidade e a autoridade dos livros canônicos. A resposta apresentada é a seguinte: "... não tanto porque a igreja os receba e aprove como tais, porém mais especialmente porque o Espírito Santo testifica em nossos corações que são de Deus, a respeito do que trazem a prova em si mesmos".[3]

Na perspectiva da Reforma, então, a igreja de Jesus Cristo é aquela comunhão de santos e congregação dos fiéis que ouviram a Palavra de Deus nas Escrituras Sagradas e que, com o serviço obediente a seu Senhor, prestam testemunho dessa Palavra ao mundo. Devemos lembrar-nos de que a igreja não começou com a Reforma. Os reformadores pretendiam voltar à concepção neotestamentária de igreja, expurgar e purificar a igreja de seus dias segundo a norma das Escrituras Sagradas. Até os anabatistas, os quais sentiam que um começo absolutamente novo era necessário, conservaram - mesmo enquanto se transmudavam - mais da tradição e da teologia dos pais e dos credos do que pensavam. Embora não devamos ser privados das difíceis vitórias conquistadas pelos reformadores no interesse de um ecumenismo simplificado, celebramos e participamos da busca pela unidade cristã justamente porque consideramos com seriedade o conceito reformado da igreja - ecclesia semper reformanda, não simplesmente numa igreja reformada de uma vez por todas, mas sim uma igreja a ser continuamente reformada, uma igreja sempre necessitando de uma reforma a mais com base na Palavra de Deus.


c) Culto e Espiritualidade - Ao longo da história da igreja, tem havido intensa correlação entre o desenvolvimento da doutrina cristã e a prática do culto cristão. De acordo com um dito popular na igreja primitiva, "a regra da oração deve estabelecer a regra da fé". A Reforma lembra-nos de que tal processo é uma estrada em dois sentidos: não só o culto tem efeito moldador sobre a teologia, mas também a renovação teológica pode levar a uma revisão litúrgica. No século XVI, a ênfase renovada na graça soberana de Deus fez surgir a reação de gratidão que os reformadores procuravam incorporar em suas revisões da liturgia medieval. Como parte de seu protesto contra o domínio clerical da igreja, os reformadores visavam a uma participação total no culto. Sua reintrodução da língua do povo era em si mesma revolucionária, pois exigia que o culto divino fosse oferecido ao Deus Todo-Poderoso na língua usada por negociantes, no mercado, e por maridos e esposas, na privacidade de seus quartos. A intenção dos reformadores não era tanto secularizar o culto, quanto santificar a vida comum. Vimos como os reformadores reduziram os sacramentos medievais de sete para dois. Observamos também como, em relação a esses dois, o batismo e a ceia do Senhor, as diferenças entre os reformadores tornaram-se um obstáculo fundamental para a unidade entre eles. Os anabatistas insistiam em que o batismo era conseqüente à fé e negavam ainda que os bebês pudessem recebê-la adequadamente, seja a fé pressuposta (Lutero), paterna (Zuínglio) ou parcial (Calvino). Cada um dos reformadores que estudamos incorporou um tema de espiritualidade diferente, se não insólito, o qual tanto moldou a expressão teológica particular adotada quanto foi por ela moldado. Para Lutero, era a sensação de júbilo e liberdade com o perdão dos pecados; para Zuínglio, era a religião pura e o serviço obediente ao único Deus verdadeiro. A espiritualidade de Calvino estava concentrada naquele senso de temor e de admiração perante a glória de Deus, essencial à piedade adequada; a de Menno enfocava o discipulado fiel, que significava seguir a Jesus compartilhando de seu sofrimento. Para cada um deles, a vida em si era litúrgica. A pregação, a oração, o louvor e os sacramentos eram expressões comuns de fé e da devoção, originárias das vidas transformadas de homens e mulheres que haviam sido apanhados pela graça de Deus. O culto cristão contemporâneo é motivado e julgado por padrões diversos: seu valor de entretenimento, seu suposto apelo evangélico, sua fascinação estética, até mesmo, talvez, seu rendimento econômico. A herança litúrgica da Reforma faz-nos recordar a convicção de que, acima de tudo, o culto deve servir para o louvor do Deus vivo.


d) Ética e Escatologia - Há um tipo de adulação dos reformadores do século XVI que separa sua teologia de sua ética. Essa perspectiva reconhece corretamente os reformadores como grandes heróis da fé, mas deixa de discernir seu papel profético e seu impacto revolucionário na sociedade. Entretanto, a fé reformada preocupava-se com o todo da vida, não simplesmente com o âmbito religioso ou espiritual. Isso era verdade porque o Deus soberano da Reforma estava interessado no ser humano inteiro, corpo, alma, mente, instintos, relações sociais e adesões políticas. Retomando as quatro personagens que estudamos, podemos resumir suas principais contribuições à ética sob o aspecto de três temas que se sobrepõem. Apesar de toda sua ênfase no retorno à igreja primitiva do Novo Testamento e da época patrística, a Reforma consistiu essencialmente num movimento visando ao futuro. Foi um movimento dos "últimos dias", vividos numa forte tensão escatológica entre o "não mais" da antiga dispensação e o "ainda não" do reino perfeito de Deus. Nenhum dos reformadores que estudamos esteve muito envolvido com as escatologias apocalípticas radicais que floresceram no século XVI. Nenhum deles escreveu um comentário sobre o Livro do Apocalipse. Mas cada um deles estava convencido de que o reino de Deus irrompia na história nos eventos em que ele foi levado a desempenhar um papel. Inundado por essa percepção de urgência escatológica, Calvino, em 1543, escreveu ao Santo Imperador Romano Carlos V: "A Reforma da igreja é obra de Deus, sendo tão independente da vida e do pensamento humanos quanto a ressurreição dos mortos, ou quanto qualquer obra assim". Hoje, reconhecemos a verdade da declaração de Calvino e agradecemos a Deus o modo como sua glória e o poder de sua Palavra resplandeceram na teologia dos reformadores, muito embora também confessemos com John Robinson, pastor dos imigrantes puritanos ingleses nos Estados Unidos, que "o Senhor ainda tem mais verdade e luz para irromper de sua santa Palavra".


CONCLUINDODesde a primeira edição, a editora Vida Nova fez um trabalho cuidadoso de tradução e edição, apresentando um índice remissivo de grande importância, ainda mais em livros como este, com grande riqueza de informações.

Ao ler, estudar e analisar a teologia dos reformadores este assunto aprofundou-me mais um pouco sobre estes grandes mestres e executores do movimento de renovação espiritual, e voltei-me aos rudimentos básicos da fé e da verdade de Deus. Roger Olson no seu livro sobre história da teologia cristã,[4] fala intensamente sobre a contribuição que os quatro maiores reformadores deram para a sistematização da teologia da igreja atual. E Timothy George neste livro fala com essa mesma intensidade de espírito da vida e objetivos dos reformadores de Deus. O autor foi muito coerente com a história dos reformadores e não deixou dúvidas sobre a vida e a obra de cada um deles. A herança bem explanada pelo autor faz-nos recordar a convicção de que, acima de tudo, o culto deve servir para adorar e louvar o único Deus e Senhor de todos.

A obra é recomendável. Depois da sua leitura, por sua relevante amostragem, o pensamento da Reforma lhe parecerá muito mais claro e significativo. Deste modo, poderá ser compreendido como e por que a cosmovisão da Reforma partindo das Escrituras mudou a história do Ocidente, colocando, no dizer de Machen, “o mundo em chamas”.[5]

Livro Disponível em:
https://vidanova.com.br/898-teologia-dos-reformadores-2-edicao-ampliada.html



[1] Leopold Von Ranke (1795-1886), historiador alemão de tradição luterana.
[2] Para uma visão mais ampla desta questão, ver: COSTA, Hermisten M. P. Raízes da teologia
contemporânea. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 16-26.
[3] Philip Schaff, ed. Creeds of Christendom (Nova Iorque: Harper and Bros., 1877), III, pp. 307-308.
[4] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Editora Vida, 2001.
[5] MACHEN, J. Gresham. Cristianismo e liberalismo. São Paulo: Os Puritanos, 2001, p. 83.

sábado, 14 de julho de 2018

NASCIDO ESCRAVO [Resenha Analítica]


LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. São José dos Campos: Fiel, 2007. 101p.


Esta obra é uma versão condensada do livro "A Escravidão da vontade", escrito por Martinho Lutero e publicado pela primeira vez em 1525.

Erasmo de Roterdã, o mais influente humanista, escreveu um pequeno livro, em 1524, com o título De libero arbitrio Diatribe sive collatio. É uma obra de Antropologia da perspectiva humanista carregada de premissas sinergistas da teologia Católica Romana, da qual Erasmo apesar das muitas críticas nunca se separou.

A obra é escrita num estilo de diatribe. Este é um recurso literário usado desde a antiga filosofia grega, se caracteriza por ser um discurso ou conversação filosófica, onde duas ou mais pessoas debatem por meio de perguntas e respostas, argumentos, discordâncias e análise de implicações as teses do locutor. A Diatribe ainda traz algumas comparações das opiniões de Pais da Igreja como Orígenes, Ambrôsio e Jerônimo.

Neste livro o humanista holandês argumentou a favor de uma perspectiva sinergista ou, libertariana de livre-arbítrio. Ele o define como sendo "a potência, através da qual o ser humano se pode inclinar ou afastar ao/do que leva à salvação eterna." Desta forma ele apresenta a sua principal discordância e afastamento de Lutero e demais reformadores.

Portanto, a questão central gira em torno da existência ou não do livre-arbítrio, ou seja, poderia o ser humano voltar-se para Cristo de forma voluntária e, sem qualquer ajuda, ser salvo de seus pecados? Martinho Lutero (1483-1546, monge agostiniano, pastor, teólogo, estudioso fluente em grego e hebraico, ele compreendia que quaisquer crenças e experiências precisavam ser testadas à luz das escrituras). Erasmo defendia a ideia do livre-arbítrio, ao passo de que Lutero refutava de forma vigorosa os argumentos lançados por ele.


A obra é constituída de 4 capítulos divididas em argumentos, e são assim discriminados:


Capítulo 1 – O que ensinam as Escrituras

“Em Romanos 1.18, Paulo ensina que todos os homens, sem qualquer exceção, merecem ser castigados por Deus. “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Se todos os homens possuem “livre-arbítrio”, ao mesmo tempo em que todos, sem qualquer exceção, estão debaixo da ira de Deus, segue-se daí que o “livre-arbítrio” os está conduzindo a uma única direção — da “impiedade e da iniquidade”. Portanto, em que o poder do “livre-arbítrio” os está ajudando a fazer o que é certo? Se existe realmente o “livre-arbítrio”, ele não parece ser capaz de ajudar os homens a atingirem a salvação, porquanto os deixa sob a ira de Deus.” [p.19].

Este capítulo contém 19 argumentos fundamentados nas Escrituras, que na visão de Lutero, podem ser utilizados para discussões sobre a questão do livre-arbítrio. Vários pontos são abordados, como a culpa universal da humanidade, a salvação ocorre pela graça de Cristo e exclusivamente mediante a fé, o homem é incapaz de crer no evangelho e por isso todos os seus esforços não podem salvá-lo, dentre outros, mas tudo culminando na máxima de que o homem possui uma natureza carnal e que as melhores obras da carne são hostis a Deus, ou seja, sendo o livre-arbítrio uma obra carnal, não pode levar o homem a justificação perante Deus.


Capítulo 2 – O que Erasmo ensinava

“Para ser justo, terei de citar a sua própria definição de “livre arbítrio”. Você diz: “Compreendo o “livre-arbítrio” como o poder da vontade humana mediante o qual uma pessoa pode aplicar ou afastar-se das coisas que conduzem à eterna salvação”. Você pode realmente chamar isso de definição? Uma definição precisa ser clara, e cada aspecto dessa declaração precisa ser explicado para tornar-se claro. Além disso, você começa definindo uma coisa, mas termina definindo algo inteiramente diferente. Quero dizer que somente Deus tem a liberdade de vontade que você descreve e ainda supõe que pertence aos homens. Entretanto, o homem é como um escravo, cuja única liberdade consiste em obedecer a seu senhor. Os seres humanos só agem de acordo com as determinações de Deus. Será isso “liberdade de arbítrio” como você a descreve? [p.45]

Lutero elabora 16 argumentos e parte para o embate contra seu oponente, expondo as ideias de Erasmo, mostrando as incoerências e contradições de suas conclusões, as falhas de sustentação e interpretação bíblica, bem como refutando cada uma delas com referências e comentários sobre a interpretação mais correta do texto sagrado.


Capítulo 3 – O que Lutero pensava sobre o ensino de Erasmo

“Você procura infundir medo em seus oponentes, reunindo um grande número de textos bíblicos que supostamente dão apoio à ideia do “livre-arbítrio”. Em seguida, procura fazer-nos parecer tolos ao sugerir que só dispomos de dois textos bíblicos para nos apoiarmos: Êxodo 9.12 e Malaquias l.2,3. Você não parece ter ficado, de modo algum, impressionado pelo manuseio desses textos por Paulo, em Romanos 9! Entretanto, tomarei esses dois textos para mostrar o fortíssimo apoio bíblico de que dispomos.” [p.69]

Lutero vê na concepção de Erasmo uma reversão ao ponto de vista de Pelágio, embora com menor sofisticação. Ele condena o entendimento de Erasmo sobre as discussões filosóficas anteriores sobre essa questão. Ele, então, discute as três visões distintas de Erasmo do livre-arbítrio: "De uma visão sobre o 'livre-arbítrio' você desenvolve três! A primeira, aquela dos que negam que o homem pode desejar o bem sem a graça especial, não começa, não progride e não termina, etc. parece a você 'severa mas suficientemente provável'... A segunda, aquela dos que afirmam que o 'livre-arbítrio' não é útil para nada exceto o pecado, e que só a graça trabalha o bem em nós, etc, parece a você 'mais severa'; e a terceira, a visão daqueles que dizem que o 'livre-arbítrio' é um termo vazio e que Deus trabalha em nós tanto o bem quanto o mal, e que tudo o que acontece, acontece por mera necessidade, parece a você 'a mais severa'. É contra essas duas últimas que você declara estar escrevendo".


Capítulo 4 – Comentário de Lutero sobre o estudo de Erasmo acerca de textos que negam o Livre Arbítrio.

O reformador escreve 8 argumentos e realiza toda a sua defesa de forma ávida e vigorosa, muitas vezes sendo até áspero em suas palavras para com Erasmo, mas em sua conclusão ele expressa o seu verdadeiro anseio: "nesta controvérsia, não quero gerar mais calor do que luz". Ao final, critica ainda o posicionamento de Erasmo com relação aos textos bíblicos que negam a existência do livre-arbítrio.

Lutero de forma irrefutável escreveu seu “Servum Arbitrum”. O arbítrio do homem não está livre, mas é um escravo do pecado. O livro tinha um tamanho quatro vezes maior que o livro de Erasmo. Isso quer dizer que Lutero deu uma resposta ampla ao seu colega monge Erasmo. Lutero se importava com o livre arbítrio, porque ligada a isso está a honra de Deus. A questão do livre arbítrio tem tudo a ver com a com o arbítrio de Deus. A questão é: acontece o que Deus quer ou o que o homem quer? Se acontecer o que o homem quer, não acontecerá o que Deus quer. Então, o homem domina as coisas e Deus não é mais o Todo-poderoso. Deus depende do homem e a Sabedoria e Poder dEle não são mais decisivos. O que está em jogo é a honra e a majestade de Deus!


Através de uma leitura acurada podemos observar os seguintes:

a) O homem não pode nada por si mesmo. Em verdade, até para que o Evangelho faça efeito em sua vida e ele seja justificado, o homem depende do toque do Espírito Santo. Ninguém consegue voltar-se para Cristo e ter a consciência de seu pecado sem que isso lhe seja revelado através do Evangelho. A visão que a Boa Nova dá ao ser humano é muito mais abrangente e profunda – a qual não pode ser alcançada através da simples consciência humana. Isso ficou bem expressado quando Lutero diz que "as nossas fraquezas pertencem a nós mesmos e nossa capacidade nos é dada através da graça de Deus" [p.61]

b) O senso de dever não é evidência da capacidade de cumpri-lo, com isso o Lutero mantém sua posição de que a lei revela o pecado (sem lei não há pecado), mas o fato de o homem receber a lei não significa que ele tem a capacidade de cumpri-la. Desta maneira, a lei não nos foi dada como um manual que nos mostra como podemos fazer as coisas da maneira correta, mas sim para nos mostrar no que consiste o pecado e quais são as suas consequências;

c) Todos pecamos e merecemos a condenação, com base nas palavras de Paulo em Romanos "todos pecaram e destituídos estão da graça de Deus". Lutero trabalha muito a questão da "graça divina".

d) Deus é bom, justo e soberano. Ele não pode fazer o mal – isso seria negar a sua própria natureza.

No que diz respeito a vontade revelada e a vontade secreta de Deus [p.56-60], acredito que o esclarecimento de Lutero sobre este assunto não deixa mais margem para questionamentos filosóficos sem base bíblica. O reformador diz que "de acordo com a sua vontade secreta planejou aqueles que receberiam sua misericórdia"[p.56]. Concordo com seu ponto de vista, pois afirma que não cabe a nós questionar a vontade secreta de Deus, pelo contrário, devemos adorá-lo reverentemente e nos interessar por aquilo que Ele nos tem revelado.

Outro ponto diz respeito a uma linha de pensamento que é muito utilizada hoje nas igrejas é a de se "fazer algo bom somente para que você tenha mais uma esmeralda na sua coroa de glória". A linha de pensamento de Lutero, de que "um cristão não faz algo para obter vantagens, mas o faz porque é correto perante o Senhor" pode ser bem utilizada para corrigir este pensamento que hoje assola boa parte das igrejas.

Também deixamos de lado muitas vezes o princípio básico da graça divina constantemente presente em nossa vida: todos pecamos e merecemos a condenação! Isso é algo para ser relembrado a cada momento e foi bem expressado por Lutero: "se a minha salvação fosse deixada ao meu encargo [...] eu jamais poderia ter certeza do sucesso [...] por meio do livre-arbítrio, ninguém poderá ser salvo. Mas por meio da livre graça muitos serão salvos". [p.39]


Algumas passagens importantes do livro:

1) "Tudo o que não provém do Espírito é carnal; e as melhores atividades da carne são hostis à Deus [...] isto está em harmonia com Romanos 1.17 que diz 'o justo viverá pela fé', e Romanos 14.23 que diz 'tudo o que não provém da fé é pecado'. Ou seja, aqueles que não têm fé não estão justificados; e aqueles que não estão justificados são pecadores, nos quais o suposto livre-arbítrio só pode produzir o mal. Portanto, o livre arbítrio nada é senão um escravo do pecado, da morte e de Satanás. Tal liberdade, enfim não é liberdade alguma!" [p.32]. O interessante neste trecho da defesa, ou melhor ainda, do ataque, é como o monge agostiniano consegue fazer a ligação entre as coisas carnais (tudo que não provém do Espírito) e a submissão do livre-arbítrio ao pecado, a morte e a Satanás.

2) "[...] a vontade humana por si mesma, é incapaz de fazer qualquer coisa para vir a Cristo em busca de salvação. A própria mensagem do evangelho é ouvida em vão, a menos que o próprio Pai fale ao coração e traga a pessoa a Cristo" [p.38]. Esta colocação de Lutero com certeza consola nosso coração, já que não somos nós que convencemos, em consonância com Paulo, ele afirma que é o Espírito que faz isso

3) "Você criou uma nova maneira de perder de vista o significado óbvio de um texto. Você insiste que os textos que se manifestam claramente contrários à ideia do livre arbítrio devem ter alguma 'explicação' que traga à tona seu verdadeiro sentido." [p.69]. Existem muitos "profetas" atuais que deturpam o significado óbvio dos textos bíblicos e distribuem "profetadas" por onde passam. Sempre que algum trecho da Escritura contraria as suas ideias eles os ignoram ou tentam encontrar algum tipo de explicação absurda para encaixá-los em suas ideias hereges. Esta refutação de Lutero pode ser usada hoje para combater muitas ideias teologicamente incorretas que foram inseridas no meio cristão.

4) "Algumas pessoas talvez queiram saber como Deus produz em nós maus efeitos, endurecendo-nos, entregando-os aos nossos desejos [...] Deus trata com os homens em consonância com a natureza deles. Visto que a natureza deles é maligna e pervertida, quando Deus os impulsiona para que entrem em ação, seus atos são malignos e pervertidos [...] O próprio Deus, entretanto, não pode fazer o mal." [p.73]. Para todos que desejam saber como "Deus endureceu o coração de Faraó" e continua endurecendo o coração de muitas pessoas em nossos dias, esta citação explica tudo.

5) "[...] quando Deus salva aqueles que merecem condenação, ninguém reclama. Mas, quando Deus os condena, ouve-se um grande protesto. Nisso se manifesta a perversidade do coração humano. Quando os homens raciocinam desta maneira, eles deixam de louvar à Deus como Deus. Estão furtando de Deus o seu direito soberano." [p.84]. Acredito que a maioria dos cristãos não tentou aplicar esta lógica reversa quando pensa sobre a salvação e a condenação eterna. Este é um assunto sobre o qual precisamos refletir mais – respeitar a soberania e a vontade de Deus não é somente uma questão de lei divina, mas também de consciência de que Ele tem o melhor para nós.

Na conclusão deste excelente livro, Lutero abre o coração e com muita sinceridade e humildade, mostrando o fato de que em alguns momentos ele pareceu rude. Ele escreve: “ Nesta controvérsia, não quero gerar mais calor do que luz. Porém, se cheguei a argumentar demasiadamente forte, reconheço a minha falta; se é que houve falta. Mas, não! Tenho a certeza de que o meu testemunho é levado ao mundo em defesa da causa de Deus. Que Deus confirme este testemunho no Último Dia! Quem poderia sentir-se mais feliz do que eu — aprovado pelo testemunho de outros, de haver defendido a causa da verdade, sem preguiça, nem de modo enganoso, mas com vigor suficiente e de sobra! Se pareci por demais áspero contra você, Erasmo, peço-lhe que me perdoe. Não agi assim movido por má vontade, mas a minha única preocupação era que, devido à importância do seu nome, você estivesse danificando a causa de Cristo. E quem pode governar sempre a sua pena, especialmente na ocasião de demonstrar zelo? Você mesmo, frequentemente, lança dardos inflamados contra mim. Mas essas coisas não pesam realmente no debate, e nós, que participamos dele, devemos perdoarmo-nos mutuamente por causa dessas coisas; somos apenas homens, e nada existe em nós que não faça parte das características da humanidade. Que o Senhor, a quem pertence esta causa, abra os seus olhos e o ajude a glorificá-Lo. Amém.” [p.98]


No final do livro, temos um “Post Scriptum” que tem como tema: História posterior da controvérsia e sua importância atual.

“Que importância há para o leitor do século XXI a controvérsia por detrás do livro de Lutero, “A Escravidão da Vontade”? Durante a leitura desta versão sumariada e simplificada, é possível que você tenha ficado impressionado com a grande habilidade de Lutero no debate. Porém, o que realmente deve nos interessar é se a posição por ele defendida é mesmo ensinada pelas Escrituras. Se o que ele escreveu é o ensino da Palavra de Deus, então precisamos dar-lhe atenção nestes nossos dias.” [p.99]

Pois isso afeta também a nossa fé. A nossa fé está baseada nas promessas de Deus. A nossa fé está firme no fato de que Deus pode fazer o que ele prometeu. Deus é onipotente, e fará o que prometeu. Mas se o homem pode resistir a vontade de Deus e fazer o que quer de acordo com seu livre arbítrio, a segurança da nossa fé diminui, ou desaparece! A doutrina do livre arbítrio leva uma pessoa à insegurança e dúvidas a respeito da sua salvação; para aumentar a sua segurança, ele procura uma vida com mais santidade e boas obras, que servem como justificação e devem garantir a sua salvação.

O livro está disponível em

sábado, 7 de julho de 2018

QUEM É JESUS? [Resenha]


SPROUL, R. C. Quem é Jesus? Coleção Questões Cruciais, vol. 1. São Paulo: Editora Fiel, 2013. 128p.

Não há questão mais importante do que a que Jesus fez a seus discípulos (Mt 16.15): “Quem dizeis que eu sou?” Nenhuma questão foi mais intensamente debatida, completa e parcialmente mal entendida, ignorada com grande risco e respondida corretamente com grande benefício do que essa. A resposta correta para essa pergunta é, em alguns aspectos, simples o bastante para salvar uma criança, mas também complexa o bastante para manter os teólogos ocupados por toda a eternidade. Se a vida eterna é conhecer a Jesus Cristo (Jo 17.3), então não podemos nos dar ao luxo de sermos ignorantes sobre aquele que é “o mais distinguido entre dez mil” (Ct 5.10).

Partindo da pergunta quem é Jesus, é que verificamos que “nenhuma outra pessoa na história provocou tantas reações e afirmações divergentes do que Jesus de Nazaré.” Quando fazemos um levantamento na história da igreja, no fim do primeiro século já encontramos esse debate e o surgimento cada século, desde o tempo de nosso Senhor e dos Apóstolos em diante, tem testemunhado uma ou mais visões aberrantes sobre Cristo. Sem ser minucioso, no final do primeiro século o erro do docetismo deixou sua marca. Serapião, bispo de Antioquia (190-203), propôs a visão de que a carne de Jesus era “espiritual”. Jesus não tinha uma verdadeira natureza humana, apenas parecia (em grego: dokeo, “parecer”) humano. Esta visão falsa foi defendida por alguns, mesmo enquanto os apóstolos ainda estavam vivos (2Jo 7).

No segundo século, os ebionitas (“os pobres”) rejeitaram a concepção virginal de Jesus. Eles o consideravam o Messias, mas não aceitavam que fosse divino. O início do terceiro século viu o surgimento de Paulo de Samósata, que foi bispo da igreja de Antioquia (c. 260). Ele tinha uma visão peculiar de Cristo, que incorporava várias heresias. Para ele, Jesus era um homem comum que foi habitado pelo Logos (Verbo) e, assim, tornou-se o Filho de Deus. O Logos que habitava Jesus não era uma pessoa divina distinta do Pai e do Espírito; antes, era o atributo divino do Pai que habitava em Jesus.

Um dos dois principais antagonistas à visão correta sobre Cristo no século IV foi Apolinário de Laodiceia (c. 315-92). Apolinário reagiu, em parte, a outros movimentos heréticos. Em sua reação a uma visão como a de Paulo de Samósata, Apolinário sustentava que o Logos assumira um corpo humano, mas não uma mente humana. Seus adversários responderam corretamente que esta teoria significava que a encarnação seria simplesmente a divindade habitando uma carne sem mente e sem alma. Muitos cristãos hoje caem em um erro semelhante ao pensar que a mente e a alma de Cristo são a sua natureza divina; mas isso é falso. O outro herege desta época foi Ário de Alexandria (c. 250-336). Ele negou que o Logos fosse coigual ao Pai, e sustentou que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia.

Diante de tanta especulação, o Dr. R.C. Sproul aponta neste livro, da série Questões Cruciais, que há evidência convincente de que Jesus era algo mais - de que, verdadeiramente, ele é Deus encarnado. Fazendo uso habilidoso da Escritura e dos títulos que ela dá a Jesus, o Dr. Sproul desenvolve o retrato bíblico e fiel de Jesus, o Filho de Deus.

O livro tem apenas três capítulos assim intitulado:


Capitulo 1 – Por favor, o Jesus real pode levantar-se? - Por que um Jesus real? Porque há muitos retratos pintado acerca de Jesus, mostrando à confusão ampla que existe no mundo atual sobre a identidade de Jesus. O Cristo especulado pelos filósofos. Sproul escreve: “Os liberais do século XIX acharam um Jesus “liberal”; os existencialistas acharam um herói existencial; e os marxistas descobriram um revolucionário político. Os idealistas acharam um Jesus idealista, e os pragmáticos descobriram um Cristo pragmático. Investigar atrás ou além do Novo Testamento é procurar uma agulha num palheiro com velas de orgulho e preconceito." [p.9]

Para os opositores, o único retrato de Jesus apresentado no Novo Testamento chega até nós pelas penas de homens tendenciosos que tinham um propósito premeditado. Contudo, não precisamos de mais nenhum outro argumento. Quem rejeita p caráter revelador da Bíblia e sua inspiração divina, tem de encarar um fato inegável. Quase tudo que sabemos a respeito de Jesus está nas registrados nas Escrituras. Os escritores do Novo Testamento são as fontes primárias do nosso conhecimento sobre Jesus. E tudo isso com um propósito. Que propósito era este? O apóstolo disse com franqueza: “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).

Portanto, "Quero conhecer o Jesus que mudou Mateus, transformou Pedro e converteu Saulo de Tarso na estrada de Damasco. Se estas primeiras testemunhas não podem me levar ao Jesus “real”, quem pode? Se não é por meio de amigos e pessoas amadas, como alguém pode ser conhecido? Se os apóstolos não podem me levar a Jesus, minhas únicas opções são: escalar a fortaleza do céu por subjetivismo místico; adotar as mais velhas de todas as heresias, o gnosticismo; ou armar a minha tenda no acampamento dos céticos que excluem a Jesus do campo da verdade significativa. Deem-me o Cristo bíblico ou deem-me nada. E façam isso logo, por favor, porque as opções nada me dão, exceto a frustração de investigação inútil. Jesus disse: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Marcos 8:36-37). Jesus colocou um preço elevado na alma do homem. Sou grato por isso. Gosto de pensar que minha alma tem valor e odiaria desperdiçá-la com um Cristo vazio, um Cristo de especulação subjetiva. Contudo, isto é o que fazemos quando nos comprometemos com qualquer coisa menos do que o Cristo real. Estamos brincando com almas de homens, almas pelas quais Cristo entregou Sua vida para redimir." [p.17-18


Capítulo 2 – Os títulos de Jesus - Por achar este capítulo sensacional, é que eu desejo aqui fundamentar esta resenha. Sproul escreve: "Os títulos revelam algo sobre a identidade de Jesus e nos dão uma sugestão quanto ao significado de Suas ações. Na teologia, costuma-se distinguir entre a pessoa de Cristo e a obra de Cristo. A distinção é importante, mas não deve, jamais, envolver separação. Jesus é conhecido, em parte, pelo que ele fez. Por outro lado, a importância do que ele fez é condicionada a quem ele é. Embora possamos distinguir entre Sua pessoa e Sua obra, nunca devemos isolar uma da outra. Quando consideramos os títulos atribuídos a Jesus no Novo Testamento, percebemos uma interação entre pessoa e obra." [p.26-27]

Neste capítulo encontramos os principais títulos de Jesus:

a) O Cristo, O Messias - O significado de Cristo é tirado do Antigo Testamento. Deus prometeu aos antigos israelitas que o Messias viria para libertá-los do pecado. A ideia do Messias é transportada para o Novo Testamento com o título de Cristo. A palavra grega Christos, de onde nós obtemos a palavra Cristo, em português, é a tradução do termo hebraico Mashiach, que é a fonte para a palavra Messias, em português. Mashiach, por sua vez, está relacionada com o verbo hebraico masach, que significa "ungir". Portanto, quando o Novo Testamento fala de Jesus Cristo, ele está dizendo "Jesus, o Messias", que significa literalmente "Jesus, o Ungido".

b) O Filho de Davi - Tanto o Antigo como o Novo Testamentos frequentemente se referem ao Filho de Davi (ver 2 Samuel 7:12; Mateus 22:41-46; Marcos 10:47). É claro que Davi tinha muitos filhos, mas apenas um deles, Salomão, o sucedeu no trono (1 Reis 1:32-34). Contudo, quando a Bíblia cita “o filho de Davi”, ela está frequentemente se referindo a alguém muito maior do que Salomão, ou do que qualquer outro descendente meramente humano de Davi. Colocando de forma simples, o termo “Filho de Davi” se tornou um termo para o Messias, que também possui outros títulos, tais como “Filho de Deus”, “Servo do Senhor”, e  o “Ungido”. Nós sabemos, do Novo Testamento, que Cristo é o verdadeiro Filho de Davi (Mateus 1:1; Apocalipse 22:16).

c) O Servo sofredor de Israel – A figura do servo do senhor ou o “Servo Sofredor”, referida pelo profeta Isaías, é normativa para o entendimento do Novo Testamento quanto à pessoa de Jesus. Há debates sobre a identidade do autor de Isaías e a identidade do servo que o autor tinha em mente. Alguns argumentam que o servo se referia a Israel coletivamente, enquanto outros aplicam o papel a Ciro e alguns, ao próprio Isaías. Este debate continuará. Todavia, o fato de que os autores do Novo testamento acharam em Jesus o cumprimento final desta figura é indisputável.

c) O Filho do homem - Este é um dos mais fascinantes títulos dados a Jesus e talvez o que é mais frequentemente mal interpretado. Pelo fato de que a Igreja confessa a dupla natureza de Jesus, que ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, e porque a Bíblia descreve Jesus como Filho do Homem e Filho de Deus, é tentador concluir que Filho do Homem refere-se à humanidade de Jesus e Filho de Deus refere-se à sua divindade. Esse, entretanto, não é exatamente o caso. Embora o título Filho do Homem inclua um elemento de humanidade, sua referência primária é à natureza divina de Jesus. O título Filho de Deus também inclui uma referência à divindade, mas sua ênfase primária é sobre a obediência de Jesus como filho. Este título. Filho do Homem, tem ainda mais importância quando compreendemos que, embora esteja em terceiro lugar (bem embaixo na lista), em termos de freqüência de uso no Novo Testamento (atrás de Cristo e Senhor), está em primeiro lugar (com uma grande margem) nos títulos que Jesus usava para referir-se a si próprio. Filho do Homem é a designação mais favorita de Jesus para si mesmo. A importância deste título é tirada da sua ligação com o uso que Daniel fez dele no Antigo Testamento (ver Dn 7). Ali, Filho do Homem claramente referia-se a um ser celestial que agia como um Juiz cósmico. Nos lábios de Jesus o título não é um exercício de falsa humildade, mas uma ousada reivindicação de autoridade divina. Jesus alegou, por exemplo, que o Filho do Homem tinha autoridade para perdoar pecados (Mc 2.10), uma prerrogativa divina, e era Senhor do sábado (Mc 2.28).

d) Jesus, como Senhor - O segundo usado com maior freqüência para Jesus no Novo Testamento é o título Senhor. Este título é de suprema importância para o entendimento do perfil de Jesus no Novo Testamento. O termo senhor é usado de três maneiras distintas no Novo Testamento. A primeira é uma forma comum de tratamento, semelhante ao nosso uso de "senhor" [sim, senhor; Sr. José etc.]. O segundo uso refere-se ao dono de escravos, ou "amo". Aqui é aplicado num sentido figurado a Jesus. Ele é o nosso Dono. O terceiro é o uso imperial. Refere-se àquele que é soberano. No século I, os imperadores romanos exigiam um juramento de lealdade por parte dos súditos, por meio do qual exigia-se que repetissem a fórmula: "César é Senhor". Os cristãos eram torturados por se recusarem a concordar com isso. Em vez disso, proclamaram o primeiro credo cristão: "Cristo é o Senhor". Chamar Jesus de "Senhor" era radical não só do ponto de vista dos romanos, mas especialmente do ponto de vista dos judeus, pois era o título dado ao próprio Deus no Antigo Testamento. O título Senhor foi concedido a Jesus por Deus o Pai. É o "nome que está acima de todo nome", sobre o qual Paulo fala em Filipenses 2.9.

e) O Filho de Deus – O Novo Testamento narra poucas ocasiões em que Deus falou do céu. Quando ele o fez, foi usualmente para anunciar algo impressionante. Deus foi zeloso em anunciar que Jesus Cristo era seu Filho. No batismo de Jesus, os céus se Abriram, e a voz de Deus foi ouvida, dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 9.7). Portanto, o título que do céu foi dado a Jesus é Filho de Deus.

f) O Logos - Nenhum título de Jesus despertou mais intenso interesse filosófico e teológico nos primeiros três séculos do que o título Logos. O Logos era central no desenvolvimento da Cristologia da Igreja Primitiva. O prólogo do Evangelho de João é crucial para este entendimento cristológico do Logos. João escreve: "No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo (Logos) estava com Deus, e o Verbo (Logos) era Deus " (Jó 1.1). Nesta passagem notável, o Logos é tanto distinto de Deus ("estava com Deus"), quanto identificado com Deus ("era Deus"). Este paradoxo teve grande influência no desenvolvimento da doutrina da Trindade, em que o Logos é visto como a Segunda Pessoa da Trindade. Ele difere em pessoa do Pai, mas é um em essência com o Pai. E fácil de entender por que os filósofos cristãos foram atraídos pelo conceito do Logos como um título de Jesus.

g) Jesus como Salvador - “Por que é o Filho de Deus chamado JESUS, isto é, SALVADOR? ” “Porque ele nos salva de nossos pecados e porque a salvação não pode ser buscada ou encontrada em nenhum outro”. A salvação é uma prerrogativa única e exclusiva de Deus: ele tem poder e total liberdade para salvar a quem ele quiser; a Palavra diz que a salvação pertence a Deus (Hb 2.10; 5.9; Tg 4.12; Ap 7.10; 19.1). Por isso, a nossa salvação repousa unicamente em Deus.


Capitulo 3 – A vida de Jesus - O terceiro e último capítulo está dividido em seis pontos. E nos colocam diante de relatos da vida e do ministério de Jesus que tem causado controvérsia até os dias de hoje. A narrativa das circunstâncias provoca brados de protestos da parte dos críticos do sobrenaturalismo. E isto se dá pelo fato de o Novo Testamento está repleto de milagres que Jesus realizou.

a) O Nascimento de Jesus – De todos os milagres, nenhum deles parece mais ofensivo do que o nascimento virginal. Pois “o nascimento de Jesus supera o insuperável, muda o imutável, quebra o inquebrável”. [p.66].

b) O Batismo de Jesus – “Jesus foi batizado para cumprir toda a justiça. Isto era coerente com Sua missão de cumprir os detalhes da lei. Jesus tomou sobre si mesmo cada obrigação que Deus impôs sobre a nação judaica. Para ser Aquele que levaria o pecado da nação, ele tinha a incumbência de cumprir cada exigência que Deus requeria de Israel. Jesus era escrupuloso, meticuloso e, na verdade, exato em seu zelo pela lei de seu Pai. Foi apresentado como criança no templo, foi circuncidado e aceitou a nova obrigação de batismo que Deus havia imposto sobre a nação.” [p.82]

c) A Tentação de Jesus – “A tentação de Cristo oferece um correspondente exato à provação de Adão no jardim do Éden. Observamos tanto as similaridades como as diferenças entre o primeiro Adão, de Gênesis, e aquele que o Novo Testamento chama de o segundo Adão, Jesus. Ambos foram provados não somente em benefício deles mesmos, mas também em favor de outros. O teste de Adão foi para toda a raça humana. Como o cabeça da raça humana, Adão representava toda a humanidade. A sua queda foi a nossa queda. Jesus representava uma nova humanidade quando encarou os ardores da nova provação.” [p.83-84]

d) A Paixão de Cristo – Se algum evento que já ocorreu neste planeta é tão elevado e tão santo para compreendermos, este evento é a paixão de Cristo – sua morte, expiação e abandono por parte do Pai. Ficaríamos totalmente intimidados de falar sobre isso, não fosse pelo fato de que Deus, em sua Palavra, colocou ao nosso dispor a revelação do significado deste evento.

e) A Ressurreição de Jesus – A Ressurreição separa Jesus de todos os outros personagens centrais das religiões do mundo. Buda está morto. Maomé está morto. Confúcio está morte. Nenhum deles era sem pecado. Nenhum deles ofereceu expiação. Nenhum deles foi vindicado por ressurreição.

f) A Ascensão de Cristo – Este evento para Sproul é o mais importante de todos. Ele escreve: “A ascensão é o clímax da exaltação de Cristo, o auge da história de redenção até esse ponto. É o momento significativo da coroação de Cristo como Rei. Sem ela, a ressurreição termina em desapontamento, e o Pentecostes não seria possível” [p.115].


Portanto, eis o livro. É importante lembrar que este é o número 1 da série Questões Cruciais, publicado pela Editora Fiel e que atualmente possui 21 volumes. Neste livro especificamente, o Dr. R.C. Sproul aponta evidências convincentes de que Jesus era algo mais - de que, verdadeiramente, ele é Deus encarnado. Fazendo uso habilidoso da Escritura e dos títulos que ela dá a Jesus, o Dr. Sproul desenvolve o retrato bíblico e fiel de Jesus, o Filho de Deus.

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