segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

NOVAS FERRAMENTAS DE TRABALHO



Adquiri essas ferramentas de trabalho já faz algum tempo, mas somente agora estou fazendo essa publicação.

1. A Manifestação do Espírito: a contemporaneidade dos dons à luz de 1 Coríntios 12-14 

Neste livro, D. A. Carson analisa minuciosamente a questão da contemporaneidade dos dons de uma perspectiva bíblica, sem deixar, porém, de dialogar com a longa tradição da teologia cristã. Trata-se de um estudo cuidadoso e diligente que visa extrair de um dos textos bíblicos mais célebres sobre o assunto, 1 Coríntios 12—14, uma interpretação consistente e precisa que seja capaz de unir carismáticos e não carismáticos por meio de uma compreensão bíblica e teológica do assunto. (Sinopse)

2. Jesus, o filho de Deus: o título cristológico muitas vezes negligenciado, às vezes mal compreendido e atualmente questionado

Em Jesus, o Filho de Deus, o aclamado acadêmico D. A. Carson, estudioso do Novo Testamento, examina a importância da filiação divina de Jesus para o modo de os cristãos da atualidade pensarem e falarem sobre Cristo, em especial no que diz respeito à tradução da Bíblia e ao trabalho missionário com muçulmanos de todo o mundo. Embora a identidade de Jesus como “Filho de Deus” seja uma confissão de base para todo cristão, boa parte de sua importância é muitas vezes negligenciada ou mal compreendida. Por meio de um levantamento da expressão “Filho de Deus” nas Escrituras e de uma exegese de dois textos-chave que tratam da filiação de Cristo, Carson lança luz sobre esse importante tema com sua habitual clareza exegética e percepção teológica.

3. As Escrituras dão testemunho de mim: Jesus e o evangelho no Antigo Testamento. 

Nesta coletânea de mensagens sobre diversos textos veterotestamentários, oito pastores e estudiosos evangélicos eminentes demonstram como pregar Cristo a partir do Antigo Testamento: 
R. Albert Mohler Jr. – Estudando as Escrituras para encontrar Jesus; 
Tim Keller – A saída; 
Alistair Begg – De uma estrangeira ao Rei Jesus; 
James MacDonald – Quando você não sabe o que fazer; 
Conrad Mbewe – O Renovo justo; 
Matt Chandler – Juventude; 
Mike Bullmore – Deus tem um grande coração de amor pelos seus; 
D. A. Carson – Empolgando-se com Melquisedeque.

Futuramente, estarei postando as resenhas de livro.

ANA - UMA MULHER ATRIBULADA (1 Samuel 1.1-2,11)


INTRODUÇÃO

Em Efraim vivia um homem temente a Deus, chamado Elcana, que tinha duas esposas: Penina, que tinha filhos, e Ana, que era estéril.[1] Penina tornou-se arrogante e provocava Ana, que, não podendo agüentar sua esterilidade, tornou-se melancólica e insatisfeita com sua vida. Elcana tinha uma tarefa difícil para manter a harmonia no seu lar, mas a despeito dos problemas no lar, Elcana levava suas esposas e filhos para adorar a Deus todo ano em Siló.

Ana - A vida de Ana é caracterizada por um notável exemplo de fidelidade em todos os aspectos. Seu nome significa “graça”, e reflete o que realmente foi a vida desta serva de Deus. [2]
Samuel - Seu filho Samuel, recebido como resposta divina, foi um dos mais extraordinários vultos do Antigo Testamento, que marcou o fim da época dos juízes para o período dos reis de Israel.
Elcana – Elcana pertencia a linhagem levítica (1 Cr 6.16-28): assim sendo, seu filho Samuel pôde exercer um ministério tríplice: profeta, juiz e sacerdote, este último devido a descendência de Arão. Ele era um homem temente a Deus, juntamente com a sua família (1 Sm 1.1-4).


I. ATRIBUTOS POSITIVOS NO MEIO DAS TRIBULAÇÕES

1. Ana era temente a Deus - Lendo o primeiro capitulo de Samuel, notamos que seu coração estava em paz com Deus. Não podemos duvidar da sinceridade de sua oração, da sua confiança, da sua fé, ou da força da sua consagração.

2. Ana era uma mulher amável - Elcana a amava muito (1.5) e o fato dela ser estéril não diminuiu o seu valor aos olhos do marido. Note sua pergunta: “Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1.8). Era uma questão muito séria uma mulher ser estéril naqueles dias, pois era rejeitada pela sociedade que, em sua concepção popular, achava que a esterilidade era um castigo divino (Gn 16.2; 30,1-23; I Sm 1.6,20).[3] Outra questão era que toda israelita ansiava gerar filhos, pois uma delas poderia ser a mãe do Messias prometido. [4]

3. Ana possuía autocontrole - Penina a provocava excessivamente. Na festa anual, quando a provocação aumentava, Ana foi sozinha ao santuário, para chorar e orar solitária. Quando Eli a censurou por estar embriagada (1.14) ela respondeu de maneira branda. Aceitou a repreensão sem ressentimento, sem tentar justificar-se, sem reivindicar seus direitos; e respondeu de maneira branda porque estava na presença do Senhor.

4. Ana era uma mulher que meditava muito - Sua tristeza a obrigou a pensar muito e a levou a uma comunhão mais íntima com Deus. Esta característica é evidente quando ela fala, por exemplo, em 1 Sm 1.15-16 e no seu cântico, no cap. 2.

5. Ana participava dos cultos no Templo – Não faltava às reuniões no Tabernáculo, sempre acompanhada do esposo, quer quando estéril ou mesmo depois de o Senhor ter-lhe aberto a madre (1 Sm 1.1-7, 22-28; 2.19,20)


II. UM ESPIRITO ATRIBULADO GERA BENÇÃOS [5]

1. Ana aprendeu a orar - Ela correu ao Senhor para expor seu problema. Orou com amargura de alma e a amargura de alma deve ser adoçada pela oração. Aprendamos isso com Ana (Hb 12.15b).

2. Ana aprendeu a renunciar a seus direitos - A oração em que esperava escapar de triste situação era uma oração de renúncia. Ela queria um filho, mas estava pronta a dedicá-lo ao Senhor para o seu serviço (1.11). Aprender a renunciar aquilo que mais valorizamos e fazê-lo com alegria é renunciar de verdade. Note como Ana apresentou esta criança a Deus.
a) Ofereceu um sacrifício (1.24)
b) Demonstrou gratidão a Deus, por ter respondido à sua oração (1,27)
c) Fez uma entrega completa ao Senhor (1.28b)

3. Ana aprendeu a ter fé - Ana estava triste e magoada, mas quando Eli disse-lhe: “Vai-te em paz e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste” (1.17), imediatamente seu rosto alegrou-se (1.18). Ana ainda não havia recebido a benção, mas tinha fé em Deus. A oração transformou a sua vida.

4. Ana aprendeu muito a respeito de Deus (1 Sm 2.1-10) - Ana descobriu que a verdadeira alegria se acha, não na família, nem nos filhos, nem em coisas materiais, mas em Deus. No seu cântico, ela demonstra o seu conceito de Deus: [6]
            a) Regozija-se no Senhor, e não em Samuel, seu filho (v.1)
            b) Reconhece a santidade de Deus, (v.2a)
            c) Reconhece a suficiência de Deus (v.2b)
            d) Reconhece o método de Deus na Sua providência (vs 4-5)
            e) Reconhece a graça de Deus (v.8)
            f) Reconhece a fidelidade do Senhor (v.9)

III. TRIBULAÇÕES TRANSFORMADAS EM ALEGRIA

1. Oração respondida - Tal como Rebeca, Isabel e outras mulheres estéreis da Bíblia, Ana teve sua oração respondida e ganhou um filho.

2. Graça para criar o filho - Ana recebeu a incumbência de criar um filho para ser profeta em Israel. O próprio nome, “do Senhor o pedi”, o caráter e o preparo de Samuel para o ministério, são frutos de experiências vividas pela própria mãe na tristeza e no sofrimento. Ana teve poucos anos para educar seu filho, mas aproveitou o tempo para criá-lo na admoestação do Senhor e prepará-lo para servir ao Senhor. Não deixou para o sacerdote, Eli a responsabilidade espiritual que cabia a ela. Os pais de Samuel reconheceram que aos pais cabem a responsabilidade e privilégio de ensinar seus filhos a respeito do Senhor, desde cedo, mesmo antes deles poderem compreender as coisas espirituais. As vezes, pais crentes deixam com a igreja a tarefa de instruir os seus filhos no caminho do Senhor. Ana e Elcana, de fato, colocaram em prática o ensino de Dt 6.6-7 e Pv 22.6. [7]

3. Poder para louvar ao Senhor - Veja seu cântico em 2.1-10

4. Preparação para receber mais bênçãos - Ana ganhou mais três filhos e duas filhas, depois de levar Samuel à casa do Senhor (2.21) – cinco filhos em troca de um filho dedicado ao Senhor. Ela provou a promessa de Deus – “aos que me honram, honrarei” (2.30b)

CONCLUSÃO
Pensemos:
1. O sofrimento pode me levar a uma comunhão mais íntima com o Senhor, ou pode afastar-me dEle?
2. A oração realmente transforma pessoas e situações. Creio isso e já provei isso na minha vida?
3. Estou pronto, como Ana, a entregar meu filho para o sagrado ministério?


[1] É importante esclarecer que a Poligamia, ser casado com mais de uma mulher, não é uma ordenança divina. A Lei de Moisés claramente ordena: “Tampouco para si multiplicará mulheres” (Dt 17:17).  A poligamia nunca foi estabelecida por Deus para nenhum povo, sob circunstância alguma. Deus odeia a poligamia, assim como o divórcio, porque ela destrói o seu ideal para a família (cf. Ml 2:16). NOTA: GEISLER, Norman L e HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p. 191,192.
[2] HERRING, E. Truman. Ana - A Jornada da esterilidade à fertilidade espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2015, p. 49.
[3] SCHWARTS, Suzana. Uma visão da esterilidade na Bíblia Hebraica. São Paulo: -Associação Editorial Humanitas, 2004, p. 458
[4] BRENNER, A. A mulher israelita. Papel social e modelo literário. São Paulo: Edições Paulinas, 2001, p. 32
[5] WALLACE, Ronald S. A oração de Ana: um exemplo cativante de como Deus responde à oração. São Paulo: Editora Vida, 2005.
[6] CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Candeia. São Paulo, 1991.
[7] FILHO, João A. de Souza Filho. As Famílias de Eli & Ana. São Paulo: Editora Mensagens para todos. 2014, p 68.

MATAR CRIANÇAS NO ÚTERO



Matar crianças no útero, portanto, é equivalente a entrar numa zona de segurança criada por Deus e saquear as coisas que ele mais ama.


Deus ama o útero da mulher. Ele criou o útero para que seu Filho habitasse ali no estágio mais vulnerável de sua vida terrena. Por extensão, Deus fez o mesmo para cada um de nós. O útero é o lugar designado por Deus para se ter segurança, mas, agora, tragicamente tornou-se o lugar mais perigoso da terra.

Deus também criou o útero como o lugar a partir do qual ele traria pessoas ao mundo para seu Filho (Colossenses 1.16). Quando um nascituro é morto, não é apenas um pecado contra Deus, mas também um pecado contra a glória de Cristo. Por quê? Porque aquela alma eterna jamais terá a oportunidade de glorificar a Cristo neste mundo.

Cada aborto priva Cristo de um adorador vivo e corpóreo – o tipo que Deus procura para glorificar a si e a seu Filho. Aborto é algo tão errado porque priva Deus de sua prerrogativa maior neste mundo: uma criatura feita à imagem de Cristo que adora Deus pelo Espírito.

Se há algo que deveria nos fazer entristecer sobre o aborto – e há muitas coisas – é que Cristo tem sua glória roubada.

Nós queremos que as crianças tenham vida. Mas, mais que isso, queremos que as crianças tenham vida em Cristo – a vida que ele veio oferecer ao adentrar neste mundo no útero de uma virgem.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA - UMA VISÃO BÍBLICA DO HOMEM


"É justamente através do conhecimento que descobrimos os nossos limites; já que o conhecimento aponta para o que está além de nós, vindo daí nossos desejos, resultantes de outros que foram satisfeitos, mas, que trouxeram em seu ventre o símbolo de novas carências... Temos que concordar com Sócrates (469-399 a.C.), quando coloca nos lábios de Diotima, que "quem não se considera incompleto e insuficiente, não deseja aquilo cuja falta não pode notar." O conhecimento da nossa ignorância é o princípio do conhecimento.

A Ciência é em grande parte filha da necessidade e do trabalho. É a necessidade que se revela no trabalho, na pesquisa, na procura pelo saber. Parece-nos ser fato que o desejo é fruto da carência ou da consciência da carência de totalidade, da falta de onisciência, sendo portanto um atributo dos mortais. Todavia, este desejo precisa ser conscientizado: a ignorância do desejo é a acomodação na limitação. Assim sendo, a Ciência, é produto do homem consciente da sua necessidade e ao mesmo tempo, disposto a suprimi-la. A Ciência, como fruto do labor humano, começa pelo sonho dos inconformados que não se contentam com os limites da ignorância. "O sonho é uma fresta do espírito", como bem observou Machado de Assis (1838-1908) e a fé que permeia a ciência, por ser "racional", deve ser essencialmente ativa.

Sem sonho não há possibilidade de Ciência e, sem trabalho, os sonhos não se constroem, permanecem escondidos, só vindo à luz durante as "trevas" do sono, onde não há perigo de serem concretamente confrontados... "Aqueles de nós que não estão dispostos a expor suas ideias ao risco da refutação não tomam parte no jogo da ciência", nos adverte Popper (1902-1994).

Hermisten Maia Pereira da Costa - ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA: Uma visão bíblica do homem - p.31.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CONTRA O CRISTIANISMO - A ONU E A UNIÃO EUROPÉIA COMO NOVA IDEOLOGIA



Um olhar, ainda que seja parcial, sobre tudo o que está acontecendo, faz descobrir um mundo que, inclusive por medo do fundamentalismo islâmico, parece querer substituir toda tradição religiosa por uma ética laica fundada nos direitos humanos, concebidos como negociáveis ou modificáveis. É uma ética que tende a se configurar como religião, que compreende e supera todas as demais, e que deveria garantir o progresso universal e a convivência pacífica de qualquer forma de diversidade.

No entanto, a própria recusa em mencionar as raízes cristãs do Velho Continente na Constituição Européia é um sintoma inquietante de uma situação muito generalizada sobre a condição dos direitos humanos, esses mesmos direitos aos quais todas as organizações internacionais fazem referência, mas que, ao longo dos anos, foram perdendo sua característica originária de código ético e também o seu vínculo com a Revelação judaico-cristã.

Pouco a pouco os direitos humanos se converteram na base ideológica de um relativismo totalitário que busca eliminar toda e qualquer referência a um direito natural. Ergue-se, assim, uma espécie de religião laica, sem um fundamento superior ao qual se possa recorrer em caso de conflitos. Insinua-se como fundamentada em si mesma para estabelecer as normas de organização de uma nova consciência coletiva que, carente de valores sólidos, é sempre modificada conforme as oportunidades e conveniências.


INTRODUÇÃO DO LIVRO

As religiões são, na realidade, as formas culturais e institucionais mais demonizadas pelos organismos internacionais, porque são consideradas inimigas – enquanto concorrentes – do pensamento único dos direitos e, enquanto portadoras de críticas às formas extremas de individualismo ao qual chegaram as atuais formulações dos direitos. Em particular, a Igreja Católica é considerada a inimiga principal, ainda que tenha não somente aderido à Declaração de 1948, mas de certo modo a fez sua, considerando-a uma realização da ética cristã, apesar das modificações às quais, nas últimas décadas, foram submetidos os direitos. Hoje, com efeito, a decidida oposição da Santa Sé às restrições da liberdade religiosa e à extensão dos chamados “direitos reprodutivos” – junto à rejeição da ordenação sacerdotal de mulheres – fez da Igreja Católica uma das instituições que com maior clareza se rebelam contra a “religião dos direitos”; não a única voz crítica, mas sim a mais importante por seu grande prestígio internacional. 

Um olhar, ainda que seja parcial, sobre tudo que está acontecendo, faz descobrir um mundo que, inclusive por medo do fundamentalismo islâmico, parece querer substituir toda tradição religiosa pela ética laica fundada nos direitos humanos, concebidos como negociáveis ou modificáveis. É uma ética que tende a se configurar como religião, que compreende e supera todas as demais, e que deveria garantir o progresso universal e a convivência pacífica de qualquer forma de diversidade. 

Junto a esta forte aversão às religiões tradicionais – ou melhor, em relação aos monoteísmos, considerados como uma possível fonte de atitudes intolerantes – desenvolve-se uma confiança cega na difusão, em todo o mundo, do modelo de comportamento sexual que está prevalecendo nos países ocidentais. O necessário ponto de partida é a separação, a mais rigorosa possível, entre sexual- idade e procriação, até fazer do sexo só uma atividade lúdica individual, cultural- mente desestruturada, que não tem nenhum motivo para ser rodeada de uma rede de convenções sociais e normas morais. Para afirmar este modelo, as instituições internacionais centraram sua atenção nos direitos das mulheres, assumindo como central a questão dos direitos reprodutivos, e adotando a ideologia do “gênero”. Esta conduz à supressão da distinção tradicional entre masculino e feminino, substituindo-a por uma versão mais fluida e indeterminada de identidade sexual. 

Trata-se de uma revolução cultural que pretende libertar o indivíduo do próprio destino biológico, que não vem somente a se contrapor à ideia de natureza defendida pela Igreja Católica, mas que abre muitas contradições no interior da sociedade. Antes de tudo, a que se dá entre a primeira afirmação dos direitos - já assinalada com clareza pelo sociólogo francês Luc Boltanski –ou seja, a igualdade de todo ser humano, e a recusa a considerar seres humanos dotados de direitos os fetos abortados e os embriões descartados ou usados com fins de pesquisa. Segundo Boltanski, esta contradição remonta a dois mil anos atrás, no momento em que foi abolida a diferença entre homens livres e escravos, aos quais não se reconhecia o mesmo direito de pertença à humanidade. 

Mas esta contradição não é fácil de resolver, porque a possibilidade de decidir quem deve nascer e quem não – ou seja, quem deve ser reconhecido possuidor de direitos humanos e quem não – vai além dos limites do aborto, e desemboca no retorno humilhante da eugenia. A procriação, dissociada das relações naturais e simbólicas da maternidade e paternidade, é equiparada à pura biologia; ao intervir no processo unitário que leva da concepção ao nascimento, ao decompor e recompor, a maternidade perde todo sentido e a vida humana fica reduzida à matéria vivente que pode ser manipulada no laboratório. A própria idéia de livre escolha até hoje associada, na formulação dos direitos reprodutivos, à decisão de quando ser e de ser mãe ou não, alarga sua sombra até a seleção das características genéticas do filho. 

Mais que um modelo de comportamento sexual distinto, mas conceitualmente análogo aos que o precederam na história, trata-se de uma verdadeira e própria utopia, porque se baseia na idéia de que os seres humanos podem encontrar a felicidade na realização dos próprios desejos sexuais, sem limites morais, biológicos, sociais e relacionais ligados à procriação. Uma utopia que tem suas raízes na revolução sexual ocidental dos anos sessenta do século XX, e que, no entanto continua sem ser discutida, ainda que pareça não ter cumprido suas promessas. Uma utopia que evoca outra, de infausta memória: que a seleção dos novos seres humanos pode criar uma humanidade melhor, mais saudável, mais bela. 

A imposição desta utopia aos países de Terceiro Mundo parece constituir o objetivo central da atividade de muitas organizações internacionais, e condiciona ajudas financeiras e relações diplomáticas. A isto se acrescenta – melhor dito, é o lógico complemento – a utopia irênica de quem acredita que somente a abolição das religiões – sobretudo, repetimos, as monoteístas – pode conseguir o fim dos conflitos para a humanidade. Trata-se de um pensamento tão difundido, e tão bem arraigado que não se pode pôr em questão facilmente, sobretudo nas sedes internacionais. E quem se atreve a fazê-lo, como a Igreja Católica, é criticado, penalizado e acusado de querer obstaculizar a construção de um radiante futuro de harmonia. 


SOBRE AS AUTORAS

Lucetta Scaraffia é professora de História Contemporânea na Universidade de Roma La Sapienza. Autora de uma dezena de livros, atualmente é colunista dos jornais Avvenire, Il Foglio, Corrière della Sera e L’Osservatore.

Eugenia Roccella é Jornalista, escritora e deputada no Parlamento italiano pelo Nuovo Centro destra. Doutorou-se em literatura contemporânea pela Universidade de Roma e é autora de diversos livros.

domingo, 27 de novembro de 2016

AOS PREGADORES


AOS PREGADORES por John Wesley e John Trembath

"O que tem lhe prejudicado excessivamente nos últimos tempos e, temo que seja o mesmo atualmente, é a carência de leitura. Eu raramente conheci um pregador que lesse tão pouco. E talvez por negligenciar a leitura, você tenha perdido o gosto por ela. Por esta razão, o seu talento na pregação não se desenvolve. 

Você é apenas o mesmo de há sete anos. É vigoroso, mas não é profundo; há pouca variedade; não há seqüência de argumentos. Só a leitura pode suprir esta deficiência, juntamente com a meditação e a oração diária. Você engana a si mesmo, omitindo isso. Você nunca poderá ser um pregador fecundo nem mesmo um crente completo. Vamos, comece! Estabeleça um horário para exercícios pessoais. Poderá adquirir o gosto que não tem; o que no início é tedioso, será agradável, posteriormente. 

Quer goste ou não, leia e ore diariamente. É para sua vida; não há outro caminho; caso contrário, você será, sempre, um frívolo, medíocre e superficial pregador."

Fonte: Revista Fé para Hoje, Editora Fiel

PAPA FRANCISCO: MAIS UMA FALÁCIA DAQUELE QUE SE DIZ VIGÁRIO DE CRISTO


O Papa Francisco se manifestou com pesar acerca da morte de Fidel Castro, neste sábado (26). O pontífice enviou um telegrama ao líder cubano, Raúl Castro, lamentando a partida do irmão mais velho do atual presidente de Cuba.

“Meu sentimento de tristeza para sua excelência e sua família”, escreveu o Papa Francisco em um trecho. Francisco ainda ofereceu uma oração a Fidel e disse que confia a “todo o povo cubano a intercessão materna de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira do país”.

Olha, o papa considerado pelos católicos o Sucessor de São Pedro, considerado o Vigário de Cristo e perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja, tem cometido uma série de atrocidades contra o Cristianismo. Essa de de ser solidário a família do famigerado comunista Fidel Castro é de amargar.

Será que este papa nunca leu o livro de Armando Valladares, ex-preso político cubano, ex-embaixador norte-americano junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU e autor do livro "Contra Toda Esperança" onde mostrou que em 17 setembro de 1961, 131 padres diocesanos e religiosos foram expulsos de Cuba? E que os cristãos que ficaram eram proibidos de exercer profissões como filósofo, psicólogo, professor?

Será que o Papa, não tem conhecimento que os cristãos sempre sofreram constantes perseguições do governo cubano por causa de sua fé? Desde 1969, por exemplo a produção e importação de Bíblias eram proibidas. Isso só voltou ao normal alguns meses atrás. Nos anos 60, por exemplo, o regime político vigente declarou guerra ao cristianismo, e literalmente declarou que a "religião era a coisa mais danosa que podia existir debaixo do céu”. 

Será que o Papa desconhece que na Ilha de Fidel foram executadas 17 mil pessoas — não se sabe quantas morreram nas masmorras? Só os reconhecidamente executados são 0,154% da população. Caracterizá-lo como um assassino não é uma questão de gosto, mas de fato; não se trata de tomar essa característica como parte de seu legado supostamente ambíguo. Não há nada de ambíguo em fuzilar 10 mil. É coisa de facínora. Como é incontroverso que ele e seu amiguinho, o Porco Fedorento Che Guevara, criaram campos de concentração na ilha, os da UMAP (Unidade Militar de Apoio à Produção), formados por prisioneiros políticos, que chegaram a 30 mil! Ali estavam religiosos, prostitutas, homossexuais, opositores do regime, criminosos comuns…

Será que o para desconhecem a depuração anti-homossexual da ditadura comunista de Fidel? Pois é, os movimentos gays, que costumam ser simpáticos à esquerda, deveriam saber que a Universidade Havana passou por uma depuração anti-homossexual. Isso mesmo. Em sessões públicas, os gays eram obrigados a reconhecer seus “vícios” e a renunciar a eles. As alternativas eram demissão e cana (em sentido literal e metafórico). Segundo O Livro Negro do Comunismo, desde 1959, estima-se em 100 mil o número de pessoas que passaram pela cadeia ou pelos “campos” de reeducação no país. Os fuzilamentos são estimados entre 15 mil e 17 mil pessoas.

Será que o papa desconhece o decreto de 1959 pelo Papa João XXIII quando foi anunciado que Fidel Castro foi excomungado por liderar a revolução comunista em Cuba?

O Papa Francisco, continua cometendo erros contra o próprio cristianismo. Esta agora apenas uma. Falarei sobre outras falácias desse religioso.


Fonte dessas informações:

Papa Francisco sobre morte de Fidel Castro: “Sentimento de tristeza” -
/https://jornalistaslivres.org/2016/11/papa-francisco-sobre-fidel-castro/
- O Livro Negro do Comunismo — Crimes, Terror e Repressão. Bertrand Brasil, 1999. Organizado por Stéphane Courtois, Jean-Louis Margolin, Nicolas Werth, entre outros.
- Cuba, uma nova História. Richard Gott. Zahar Editores. 2006
- Contra Toda Esperança. Armando Valadares, Editora Intermundo, 1986.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O ESPÍRITO SANTO COMO PESSOA



Primeiro devemos reconhecer que o Espírito é mencionado mais da perspectiva de instrumentalidade – ou seja, ele é o agente da atividade de Deus. É verdade que essa linguagem não nos leva a pressupor necessariamente a pessoalidade. Entretanto, mesmo um rápido exame das passagens em que Paulo se refere ao Espírito (ou Espírito Santo) revela como muitas vezes a instrumentalidade encontra expressão pessoal. Por exemplo, a conversão dos tessalonicenses acontece pela obra de santificação do Espírito (2 Ts 2.13; cf 1 Co 6.11; Rm 15.16), assim como alegria dela resultante (1 Ts 1.6; cf Rm 15.13). A revelação vem por intermédio do Espírito (1 Co 2.10; Ef 3.5); e a pregação de Paulo é acompanhada pelo poder do Espírito (1 Ts 1.5). 

Mensagens proféticas e o falar em línguas resultam diretamente do falar pelo Espírito (1 Co 12.3; 14.2,16). É pelo Espírito que os romanos devem fazer morrer as práticas pecaminosas (Rm 8.13). Paulo deseja que os efésios sejam fortalecidos por meio do Espírito de Deus (Ef 3.16). Os crentes servem pelo Espírito (Fp 3.3), amam pelo Espírito (Cl 1.8), são selados pelo Espírito (Ef 1.13), andam e vivem pelo Espírito (Gl 5.16,25). Por fim, os crentes são “salvos mediante o lavar pelo Espírito Santo, que Deus derramou sobre eles” (Tt 3.5).

Paulo compreende o Espírito como pessoa, o que se confirma, em segundo lugar, pelo fato de que o Espírito é o sujeito de um grande número de verbos que requerem um agente pessoal: o Espírito perscruta todas as coisas (1 Co 2.10), conhece a mente de Deus (1 Co 2.11), ensina o conteúdo do Evangelho aos crentes (1 Co 2.13), habita entre os crentes ou dentro deles (1 Co 3.16; Rm 8.11; 2 Tm 1.14), realiza todas as coisas (1 Co 12.11), dá a vida aos que creem (2 Co 3.6), clama dentro do nosso coração (Gl 4.6), guia-nos nos caminhos de Deus (Gl 5.18; Rm 8.14), testifica com o nosso espírito (Rm 8.16), tem desejos que se opõe à carne (Gl 5.17), ajuda-nos em nossa fraqueza (Rm 8.26), intercede por nós (Rm 8.28), fortalece os crentes (Ef 3.16), se entristece com nossa pecaminosidade (Ef 4.30). Além disso, os frutos da habitação do Espírito em nós são os atributos pessoas de Deus (Gl 5.22,23).

FEE, Gordon D. Paulo: E Espírito e o povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 49-51

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS (Resenha)



Segundo romance de Seth Grahame-Smith a ser adaptado para o cinema (o primeiro foi ABRAHAM LINCOLN: CAÇADOR DE VAMPIROS, 2012), a brincadeira ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS (2016) pareceu desde o início muito mais interessante e simpático do que o filme envolvendo o celebrado Presidente dos Estados Unidos. Pelo visto, Grahame-Smith não tem o menor problema em brincar com certas coisas consideradas quase sagradas.

O mash-up da obra de Jane Austen com o universo moderno dos zumbis criado por George Romero rende bons momentos. Alguns podem reclamar de que há pouco gore, outros, de que há pouco romance, mas percebe-se a intenção de ficar um pouco no meio, agradando a ambos os públicos: os fãs de Jane Austen que não consideram a brincadeira um sacrilégio e os fãs de filmes de zumbis. Não dá para dizer que o filme de Burr Steers (A ESTRANHA FAMÍLIA DE IGBY, 2002) não é divertido. A não ser, claro, as pessoas que não comprem a ideia desde o começo.

Curioso como há uma preocupação em manter alguns acontecimentos da obra de Austen e também muito da personalidade dos personagens na história. Também foi muito criativo dividirem aquela sociedade em dois grupos: o dos mais abastados, que conseguiram fazer seus treinamentos para combater os zumbis no Japão (caso da família de Mr. Darcy), e aqueles mais pobres, que fizeram seus treinamentos na China (caso da família de Elizabeth Bennet).

Lily James, no papel de Elizabeth, está ótima. Tanto quando mostra o que sente por Mr. Darcy (seja raiva, seja paixão) quanto, principalmente, quando demonstra suas incríveis habilidades com armas e artes marciais naquele mundo em que é necessário saber sobreviver à praga de zumbis. Curiosamente, Lily James está até mais bonita do que quando fez CINDERELA, talvez por combinar mais sendo morena ou porque seu comportamento mais agressivo lhe caia bem.

Aliás, Mr. Darcy (Sam Riley) a esnoba no começo, mas só depois de vê-la em ação é que se apaixona pela moça de família pobre e muita coragem e amor pra dar. Como não poderia faltar, sendo desse universo de Jane Austen, há as questões envolvendo dinheiro, o preconceito com aqueles de famílias menos afortunadas e o orgulho, que é característica tanto da personalidade de Elizabeth quanto de Darcy.

Quanto aos zumbis, o filme começa bem, tanto na sequência que mostra de maneira dinâmica como se deu a epidemia e como se encontra a região da Inglaterra, quanto ao mostrar a primeira aparição de Mr. Darcy, que usa uma técnica toda própria para detectar zumbis que se encontram disfarçados entre os vivos.

No mais, o filme é feliz nas cenas de ação envolvendo os desmortos e também nas cenas em que os sentimentos daqueles jovens falam mais alto. Há momentos bem divertidos nesse aspecto, como quando Elizabeth passa a ser cortejada por outros dois homens. Por outro lado, rola um pouco de decepção quanto ao papel de Lena Headey, que tem forma mas pouca substância. Isso acontece porque esperamos mais da Cersei de GAME OF THRONES. Mas isso não chega a atrapalhar o produto final.




A EXISTÊNCIA DE DEUS E AS ESCRITURAS



A Existência de Deus é Assumida pelas Escrituras. Já mostramos diversas vezes que na Bíblia é ponto pacífico o fato de todos os homens crerem na existência de Deus. Por isso, ela não tenta provar Sua existência. Evans diz: “Não parece ter ocorrido a nenhum dos escritores do Velho ou do Novo Testamento tentar provar ou argumentar em pról da existência de Deus. Em toda a Bíblia esse fato é aceito sem ser questionado”. Wm. Evans, The Great Doctrines of the Bible (As Grandes Doutrinas da Bíblia) (Chicago: The Bible Institute Colportage Association, 1912) pág. 13. 

As Escrituras começam com esta declaração majestosa: “No princípio ... (Gn. 1:1), e continuam até o fim assumindo Sua existência (Gn. 1: 3,4, etc.). Textos como Sl. 94:9,10; Is. 40:12-31 não são provas da existência de Deus, mas sim relatos analíticos de tudo que está incluído na idéia de Deus, e admoestações para se reconhecê-Lo em Sua natureza Divina.

THIESSEN, Henry Clarence. Palestra Introdutórias à Teologia Sistemática. São Paulo, SP: Imprensa Batista Regular, 1989, p.28

AS SAGRADAS ESCRITURAS


“E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” - 2 Timóteo 3:15-17

Mais precisamente, a Bíblia instrui para a salvação "pela fé em Cristo Jesus". Assim, sendo a Bíblia um livro de salvação, e salvação por meio de Cristo, a Bíblia é essencialmente cristocêntrica. O Antigo Testamento prenuncia e prefigura Cristo de muitas e diferentes maneiras; os evangelhos contam a história do seu nascimento, da sua vida, das suas palavras e obras, da sua morte e ressurreição. Atos descreve o que ele continuou fazendo e ensinando através dos apóstolos que escolhera, especialmente a propagação do evangelho e o estabelecimento da Igreja, de Jerusalém a Roma; as epístolas expõem a ilimitada glória da pessoa e da obra de Cristo, aplicando-a à vida do cristão e da Igreja; o Apocalipse, por sua vez, descreve Cristo agora no trono de Deus, prestes a vir para consumar a sua salvação e o seu julgamento. Esta compreensível apresentação de Jesus Cristo pretende despertar a nossa fé nele, de modo a sermos salvos pela fé. Paulo agora prossegue, mostrando que a utilidade da Escritura tanto se refere à doutrina como à conduta.

STOTT, John. Tu, porém – a mensagem de 2 Timóteo. São Paulo, SP: Abu Editora, 1983, p.98

TEOLOGIA CONCISA - UM GUIA DE ESTUDOS DAS DOUTRINAS CRISTÃS HISTÓRICAS



Este livro[1] expõe em breves compassos o que me parece ser a essência permanente do Cristianismo, visto tanto como um sistema de crenças quanto uma forma de vida. Outros têm idéias distintas de como deve ser o perfil do Cristianismo, porém esta é a minha. E Reformada e evangélica e, como tal, segundo creio, a corrente fundamental histórica e clássica.

Estas porções resumidas, que foram inicialmente planejadas para um estudo bíblico e surgem agora revisadas, têm um molde intencionalmente escriturístico e, como outros escritos meus, são temperadas com textos para consulta. Sustento que assim deve ser, porquanto é básico para o Cristianismo o ensino bíblico como instrução do próprio Deus, emanando, como afirma Calvino, dos lábios santos do Altíssimo e chegando a nós por mediação humana. Se a Escritura é, na verdade, o próprio Deus pregando e ensinando, como o grande corpo da igreja tem sempre afirmou, segue-se então que a primeira marca da boa teologia é procurar ecoar a Palavra divina tão fielmente quanto possível.

Teologia é, primeiramente, a atividade de pensar e falar a respeito de Deus (teologização), e, em segundo lugar, o produto dessa atividade (a teologia de Lutero, ou Wesley, ou Finney, ou Wimber, ou Packer, ou quem quer que seja). Como atividade, a teologia é como um prisma que decompõe a luz em distintas disciplinas, embora inter-relacionadas: elucidação de textos (exegese), síntese do que eles dizem sobre coisas com que tratam (teologia bíblica), visão da fé expressa no passado (teologia histórica), sua formulação para a atualidade (teologia sistemática), busca de suas implicações para a conduta (ética), recomendação e defesa de sua verdade e sabedoria (apologética), definição da tarefa cristã no mundo (missões), absorção de recursos para a vida em Cristo (espiritualidade), adoração em grupo (liturgia) e ministério perquiridor (teologia prática). Os capítulos seguintes, em forma de esboço, exploram todas essas áreas.

Recordando que o Senhor Jesus Cristo chamou aqueles que designou como ovelhas apascentadas, em vez de girafas, objetivei manter as coisas tão simples quanto possível. Alguém disse certa ocasião ao arcebispo William Temple que ele havia tomado muito simples um assunto complexo; ele sentiu enorme satisfação e disse prontamente: “Senhor, que me fizeste simples, faze-me ainda mais simples.” Meus sentimentos acompanham os de Temple, e tentei manter minha cabeça ao mesmo nível da dele.

Como digo freqüentemente a meus alunos, a teologia é doxologia e devoção, isto é, louvor a Deus e prática da piedade. Ela deve, pois, ser apresentada de forma que desperte a consciência da presença divina. A teologia alcança o auge da sua perfeição quando está conscientemente sob o olhar de Deus, de quem ela fala, e quando está cantando ao seu louvor. Tenho também procurado ter isso em mente.

Estes breves estudos de grandes assuntos se parecem, agora que já os escrevi, com os rápidos passeios turísticos da Inglaterra, que companhias de ônibus operam para os visitantes americanos (quinze minutos em Stonehenge, duas horas em Oxford, teatro e pernoite em Stratford, uma hora e meia em York, uma tarde em Lake District — ufa!). Cada capítulo é uma nota esboçada. Não obstante, espero que meu material comprimido, empacotador-empacotado [Packer-packed] como é, possa expandir-se nas mentes dos leitores para elevar seus corações até Deus, do mesmo modo que uma forma diferente de ar aquecido leva os balões e seus passageiros às alturas. Veremos.

Minhas freqüentes citações da Confissão de Westminster podem levantar algumas sobrancelhas, uma vez que sou anglicano e não presbiteriano. Entretanto, como a Confissão pretendeu ampliar os Trinta e Nove Artigos, e a maior parte de seus autores era do clero anglicano, e como ela é uma espécie de obra-prima, “o fruto mais maduro da elaboração do credo Reformado”, como B. B. Warfield a chamou, sinto-me autorizado a reputá-la como parte de minha herança anglicana Reformada, usando-a como principal recurso.

Reconheço agradecido a mão oculta de meu muito admirado amigo R. C. Sproul, de quem me veio a idéia-embrião de vários destes esboços. Embora nossos estilos difiram, pensamos de maneira muito semelhante, e temos cooperado com sucesso em numerosos projetos. Sei que somos algumas vezes chamados de Máfia Reformada, mas palavras duras não quebram ossos, e vamos prosseguindo.

Agradecimentos são devidos também a Wendell Hawley, meu publicador, e a LaVonne Neff, meu editor, pela assistência e paciência demonstradas de muitas maneiras. Trabalhar com eles tem sido um privilégio e um prazer.

J. I. PACKER

[1] Prefácio da obra.

O REGRESSO (Resenha)



Alejandro González Iñárritu venceu nada menos que três estatuetas do Oscar por “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Essa consagração artística também marcou uma ruptura do cineasta mexicano de 52 anos com temas que lhe eram caros, como a incomunicabilidade humana e as distinções sociais. Talvez fosse melhor ter se rendido novamente a eles em “O Regresso”, pois são só algumas das abordagens à parte em um roteiro ausente de substância.

Em adaptação parcial do romance homônimo de Michael Punke, “O Regresso” resgata a figura real Hugh Glass, geralmente associada a um mito. Na pele de Leonardo DiCaprio, Glass se vê envolvido ao lado de seu filho Hawk (Forrest Goodluck) em meio a um conflito para a caça de pele. De um lado, há os subordinados ao capitão Andrew Henry (Domhnall Gleeson). Do outro, a tribo de índios Arikara. Ao ver todos os homens de Henry sendo selvagemente massacrados, Glass age em sua defesa.

O problema está no mal estar que a presença de Hawk provoca, um sujeito de origem indígena com um passado obscuro. Os atritos são especialmente gerados por John Fitzgerald (Tom Hardy), que pode não ser tão leal a Henry quanto proclama e que logo se converterá em um grande pesadelo para Glass ao assumir uma postura que o atingirá intimamente.

O ponto em que os papéis de herói e inimigo são integralmente assumidos por Hugh Glass e John Fitzgerald é exatamente aquele em que “O Regresso” passa a evidenciar os seus limites. É ainda mais grave isso já ocorrer quando o segundo ato sequer se aproximou, expondo as fragilidades de um texto do qual Iñárritu e o seu parceiro Mark L. Smith são incapazes de contornar.

A cena em que Glass é quase morto por um urso recriado em CGI espanta pela brutalidade e a transparência como exibe cada um dos danos físicos provocados. A falha está em recorrer a esse choque, ao impacto visual que isso provoca, não como um recurso dramático e sim como uma muleta para permitir que “O Regresso” atinja algum progresso insistindo na tentativa de provocar uma forte impressão, algo que ficará intolerável quando um cantil com uma espiral desenhada pelo personagem vivido por Will Poulter retornar como um objeto que abrirá as portas para o clímax.

A decisão seria muito mais sensata caso fosse somente confiado a Emmanuel Lubezki a exploração desse território inóspito e selvagem, que usa grandes angulares que contornam cada entorno, obtendo um efeito quase circular. Quando a intenção é ir além das consequências de uma luta pela sobrevivência, que implica a interação entre desiguais e os testes dos próprios limites físicos e psicológicos, “O Regresso” não funciona.

É possível de fato perceber o empenho de Leonardo DiCaprio ao papel, especialmente com a dificuldade em encarar uma temperatura fria extrema e o diálogo em uma língua indígena na maior parte do tempo. No entanto, faltam camadas ao personagem, enfraquecido por um Tom Hardy novamente unidimensional como o seu “oponente” e os flashbacks e os devaneios poéticos que extrapolam as barreiras do pieguismo.

São fatores que preenchem a jornada de Glass com inverossimilhança, milagrosamente pulando estágios de uma recuperação definitivamente impossível estabelecidas as barreiras climáticas e o curso extremamente breve até o seu destino pretendido. Opaca-se assim a força de uma história real, que seria mais enriquecida se Iñárritu compreendesse mais as distinções e as particularidades dos inúmeros coletivos que exibe e menos os subterfúgios de um espetáculo nem sempre honesto em suas intenções.



sábado, 19 de novembro de 2016

FIRME FUNDAMENTO: A INERRANTE PALAVRA DE DEUS EM UM MUNDO ERRANTE (Leitura Concluída)


ESTE É UM LIVRO sobre o livro, a Palavra de Deus escrita. Ao longo da última década, aproximadamente. Alguns adeptos do evangelicalismo começaram a questionar se a Escritura é digna do artigo definido. Em outras palavras, alguns têm sugerido que devemos tratar a Bíblia como um livro – ainda que um livro muito especial – mas não como o livro que ilumina perfeitamente todas as coisas. Sugere-se sutilmente que as características singulares e o valor religioso da Bíblia se devem mais à maneira poderosa pela qual Deus a usa em nossas vidas do que a uma autoridade divina inerente ao próprio texto. Podemos antever os perigos que se escondem por trás dessas e de outras tentativas de reinterpretar ou diminuir a alegação de que a Bíblia é inspirada por Deus (2 Tm 3.16). Essas tentativas não somente debilitam a confiança plena que os crentes precisam ter na confiabilidade das Escrituras, mas usurpam também de seu Autor a plenitude da glória que a sua Palavra demonstra e exige.

Por esse motivo, a Aliança dos Evangélicos Confessionais tem o orgulho de apresentar este volume. Seus autores buscaram escrever textos acessíveis, pastorais e claros, de maneira muito semelhante à da Bíblia que reverenciam. Eles nãos e deleitam em polêmicas, embora elas sejam inevitáveis na “presente era perversa” (Gl 1.4) e por esse motivo alguns dos autores as apresentam em seus textos. Contudo, seu desejo supremo é dar um toque de clarim convocando a Igreja para retornar à sua convicção central, mais antiga e vital de que a Bíblia é a Palavra de Deus e, portanto, isenta de erros em seus manuscritos originais e a única regra de fé e prática.

Eis os autores: Jaimes M. Boice, Edmund P. Clowney, Mark Dever, J. Ligon Duncam III, J. I. Packer, Richard D. Phillips, Philip Graham Ryken e R. C. Sproul.

Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

O AVIVAMENTO VEM POR MEIO DOS MENSAGEIROS ESCOLHIDOS POR DEUS


Não havia falta de pregação no tempo de Jeremias. De fato, havia muitos profetas. E os profetas daqueles dias, como é o caso de alguns pregadores hoje, eram culpados de plágios grosseiros. Jr 23.30 diz: “Portanto, declara o Senhor, estou contra os profetas que roubam uns dos outros as minhas palavras”. O problema no tempo de Jeremias era que, se um profeta tinha uma boa previsão, outro ‘pegava carona’ em sua mensagem. Então, havia muita pregação; pregação em abundância. Mas, qual era o problema disso?

Deus nos dá a resposta no versículo 21: “não enviei esses profetas, mas eles foram correndo levar sua mensagem; não falei com eles, mas eles profetizaram”. Em outras palavras, Deus tem um problema com aqueles que se intitulam profetas. O versículo 32 continua: “sim, estou contra os que profetizam sonhos falsos”, declara o Senhor. “Eles os relatam e com as suas mentiras irresponsáveis desviam o meu povo. Eu não os enviei nem os autorizei; e eles não trazem benefício algum a este povo, declara o Senhor”. O profeta ou pregador não deve ser medido por sua eloquência ou encenação no púlpito. Alguns desses profetas eram pregadores muito entusiasmados; eles tinham todos os tipos de sonhos que eram capazes de descrever. Eles podiam realizam encenações simbólicas, atos com trombetas e tudo mais.

Havia, enfim, muitas coisas que poderiam fazer para chamar a atenção de seus ouvintes. Além disso, eles tinham uma mensagem extremamente popular: “Não tenham medo. Tudo vai ficar bem. Vocês são o povo escolhido de Deus. Nada pode acontecer ao Templo. Relaxem e conheçam a maravilha da bênção de Deus.” Eles eram falsos profetas que diziam: “Paz, paz” quando não havia paz. O principal problema em tudo isso era, é claro, que esses falsos profetas nunca foram enviados por Deus.

Edmund. P. Clowney, in: Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 150-151. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

APRENDENDO COM GEORGE WHITERFIELD



Whitefield está em pé em um tablado, sem amplificação, doente e cansado, para pregar a uma multidão de aproximadamente quatro ou cinco mil pessoas. Ele continua:

“Quando subi ao tablado para pregar, muitos riram; mas antes de eu terminar a minha oração, tudo estava quieto e silencioso; e antes de eu concluir a minha fala, Deus, por sua Palavra, pareceu fazer cair um grande temor sobre suas mentes, pois todos estavam profundamente atentos e pareciam muito afetados pelo que fora falado. Os homens podem zombar durante algum tempo, mas há algo na loucura da pregação que fará com que o coração mais teimoso se dobre ou se quebrante. ‘Não é a minha palavra como fogo’, pergunta o Senhor, ‘e como um martelo que despedaça a rocha?’ [Jr 23.29].

Whitefield era um homem de Deus levantado para pregar a Palavra, e pregá-la para o avivamento da Igreja de Deus na Grã-Bretanha e também nos Estados Unidos.

IN: Edmund P. Clowney. Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 147-148. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

PREGAÇÃO: TEMÁTICA OU EXPOSITIVA


A pregação temática se dá quando determinado tema da bíblia é selecionado e ensinado, enquanto a pregação expositiva consiste em separar um texto da Bíblia e pregá-lo. O sermão temático começa quando o pregador elegendo um tema especifico para abordar e, então, ele descobre aquela verdade refletida em determinada passagem ou talvez em vários textos bíblicos. Histórias e episódios são combinados, e tudo entrelaçado em torno do assunto.

Um sermão temático pode certamente ser expositivo, na medida em que faça uso correto e cuidadoso dos textos. Entretanto, o seu objetivo já foi determinado antes de o pregador chegar à Palavra, por seu próprio pensamente acerca do que a congregação precisaria ouvir.

A pregação expositiva é aquela que está a serviço da Palavra. Ela pressupõe a crença na autoridade das Escrituras, mas é algo mais do que isso. Isso ocorre porque um compromisso com a pregação expositiva é um compromisso de ouvir a Palavra de Deus. Ela surge da afeição por Deus e de um desejo de ouvi-lo; da percepção de que a vida e o crescimento espiritual vêm por meio de ouvir a Palavra de Deus. Então, uma pregação expositiva é a palavra de Deus sendo levada ao povo de Deus.

IN: Mark Dever. Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 101-102. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

SOLDADOS DE CRISTO: UMA REAFIRMAÇÃO BÍBLICA DA IGREJA



Caso fizéssemos uma pesquisa para saber por que se deve estudar a se familiarizar com a doutrina da Igreja, muito provavelmente iríamos descobrir que a maioria dos entrevistados diria que não precisa disto. Contudo, quando refletimos sobre essas questões de um ponto de vista bíblico, parece bastante aparente para nós que a falta de interesse na igreja seria equivalente a rejeitar aquilo que Cristo amou e pelo que se entregou (Ef 5.25). Uma das fraquezas desta geração de crentes professos é a falta de entendimento da igreja que ele veio reunir e edificar. Contrariamente à opinião popular em nossa cultura atual, a igreja não é uma instituição criada pelo estabelecimento religioso. Segundo as Escrituras, é um corpo de pessoas que foram juntadas por meio de um chamado ou convocação. Além do mais, o conceito de assembléia não é tanto centrado em ter uma reunião, mas sim em uma reunião com aquele que convocou o encontro – Deus. O propósito de se reunir em assembléia é ouvir a voz de Deus.

É de grande importância observar que a palavra bíblica para igreja (ekklesia) sempre se refere ao povo, nunca a edifícios. A igreja não se resume em estruturas físicas, essas são meramente os recintos onde ela se reúne. Os cristãos não vão à igreja, eles são a igreja. Pelo fato de que a igreja é tão intimamente reunida no Senhor, nós o conhecemos melhor quando temos uma compreensão melhor de sua igreja. É por esta razão que publicamos esta coleção de artigos.

A nossa firma convicção é que a preocupação da igreja deve ser Cristo. Jesus não disse: “Eu vou edificar a igreja de vocês”, tampouco disse: “Vocês vão edificar a minha igreja”. O que ele disse foi: “Eu vou edificar a minha igreja”. Justamente por ser sua igreja, devemos nos encarregar de ser dinâmicos na nossa resposta ao que ele está fazendo na sua igreja. Não nos cabe determinar, designar ou ditar o que a igreja deve ser. Ele já fez isso. 

IN: Avante, Soldados de Cristo: Uma reafirmação bíblica da Igreja, Vários autores: p. 9-10 (Cultura Cristã)

USANDO A CLARA PALAVRA DE DEUS



Devido à clareza da Bíblia, podemos usá-la no ministério, começando com o evangelismo. Não precisamos usar nossas próprias palavras supostamente mais simples para explicar a fé cristã; podemos usar as próprias palavras de Deus, que tem o poder de levar as pessoas à fé salvadora. Podemos usar a Palavra de Deus em nosso ensino e pregação. Não precisamos passar todo o tempo contando histórias ou compartilhando nossas experiências espirituais. A Bíblia é suficientemente clara para o povo de Deus compreendê-la. Ela também é suficientemente clara para ser usada para a teologia sistemática. Na verdade, sem a doutrina da perspicuidade das Escrituras, não teríamos qualquer doutrina. Ela é essencial a todas as outras porque, a menos que Bíblia seja clara, não podemos fazer qualquer teologia.


A Bíblia é igualmente clara sobre os desafios éticos da nossa sociedade. Ela é clara sobre a santidade da vida – que o aborto é tirar uma vida humana. Ela é clara sobre as relações entre os gêneros – que, na sabedoria de Deus, homens e mulheres têm plena igualdade e complementaridade divinamente ordenada. Ela é clara sobre o adultério e homossexualidade – que a única pura expressão de intimidade sexual é compartilhada entre um home e uma mulher unidos em uma aliança de amor vitalícia. A Bíblia é clara em como cuidar dos pobres, fazer guerra com justiça, administrar piedosamente os nossos bens e todas as demais coisas da vida.

Devemos considerar o que a clara Palavra de Deus está fazendo em nossas próprias vidas. Ela está nos alegrando na verdade? Está nos dando amor por nossa família? Está promovendo amor pelos pobres? Está colocando uma canção em nossas vidas? A Bíblia deve estar fazendo todas essas coisas por nós, em nós e por meio de nós. Como Pedro testificou, temos uma clara e certa Palavra de Deus “e (faremos) bem se a ela (prestarmos) atenção, como uma candeia que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça no (nosso) coração” (2 Ped 1.19).

IN: Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 142-144. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A BÍBLIA É SUA PRÓPRIA INTÉRPRETE


Na compreensão das partes difíceis das Escrituras é sábio aplicar o principio importante de deixar a Bíblia interpretar a Bíblia. Como disse Martinho Lutero: “A Bíblia é sua própria intérprete.” Quando seguimos esse principio, nossa interpretação das Escrituras é regulada pelas próprias Escrituras, não por algo externo a elas. Toda vez que lemos algo difícil de entender na Bíblia devemos buscar o que é dito em outra passagem para obter maior clareza, pois, de modo geral, haverá um texto bíblico que explique de maneira mais simples aquilo que nos parece difícil de entender. Eis como Agostinho explicou esse princípio: “O Espírito Santo planejou as Sagradas Escrituras de modo generoso e vantajoso, de tal maneira que nas passagens mais fáceis Ele alivia a nossa fome, e nas mais obscuras Ele afasta a nossa soberba. Praticamente nada se encontra nesses textos obscuros que não se descubra estar dito muito claramente em outra passagem”.

Há outra razão, mais obscura, por que algumas pessoas não entendem a Bíblia como as outras. Não é só porque algumas pessoas são cordeiros, mas também porque algumas pessoas são BODES. Elas não estão entre as ovelhas que Jesus diz que sempre ouvirão a sua voz (Jo 10.27). Não crêem no Deus da Bíblia ou têm um relacionamento de salvação com Jesus Cristo. Como resultado, elas não tem uma compreensão clara da Bíblia, por mais clara que ela seja. Elas interpretam o sentido das Escrituras equivocadamente, compreendem incorretamente o Evangelho da salvação e aplicam mal a Lei de Deus. Depois, atacam a Bíblia por seus supostos erros. Porém o problema está neles e não nas próprias Escrituras, cuja verdade só pode ser compreendida por meio da fé.

A menos que acreditemos – e até que o façamos – há em nós uma escuridão que nos impede de ver a luz. Como diz o evangelho de João: “... a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas e não a luz” (Jo 3.19). Essa escuridão espiritual é o que impede as pessoas de compreendem o significado claro das Escrituras, que só pode ser recebido por fé. Em suma, a própria Bíblia é clara: é a nossa escuridão que precisa ser iluminada. “Se o nosso evangelho está encoberto”, disse o apóstolo Paulo, “para os que estão perecendo é que está encoberto” (2 Co 4.3). Somente aqueles que estão vivos em Cristo são capazes de ver e entender o que dizem as Escrituras.

IN: Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 132-133. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

TRÊS ETAPAS DA COMUNICAÇÃO ESPECIAL DE DEUS.



Existe a comunicação geral de Deus, essa consciência inevitável de Deus que reside em todos os homens pelo simples fato de estarem vivos no mundo de Deus. Porém os homens a rejeitam. Eles afirmam não conhecer Deus simplesmente porque suprimiram o que sabem a respeito dele. Assim, a revelação geral, os céus declarando a glória de Deus, o firmamento mostrando a sua obra, as coisas invisíveis do Criador conhecidas a partir das coisas que são feitas – toda essa comunicação de Deus aos homens não produz resultados. Os homens não respondem a nada disso. Então, Deus faz mais. O que Ele faz? Ele nos dá uma comunicação especial. Nós a chamamos de revelação especial. Nessa comunicação especial de Deus há três etapas.

REDENÇÃO DA HISTÓRIA - Por meio de palavras e obras, Deus se revela no palco da história como o Salvador da humanidade. Primeiro, com a salvação do povo de Israel, que foi uma tipologia da salvação final. Até que depois houve a grande e gloriosa salvação espiritual operada por Jesus Cristo. Com a redenção da história, Deus nos ensina sobre a redenção para um mundo perdido.

REGISTROS E ESCRITA – Deus inspira o que Calvino chama e denomina como “registros públicos das coisas que Ele fez na história”, para que o homem em todos os tempos possa saber o que Deus fez e, assim, vir a beneficiar-se disso. E nós temos esses registros nas Escrituras. A Bíblia é o registro interpretativo do próprio Deus, daquilo que ele fez na História para a salvação do homem e de como isso se aplica à vida e a nós.

RECEPÇÃO PELOS INDIVÍDUOS – Nesta etapa estamos envolvidos com a obra do Espírito de Deus, que toma a Palavra, a revela a nós e nos conduz abrindo nossos corações para que a Palavra encontre guarida.

IN: Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 27-28. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).


O QUE DIZ JESUS CRISTO ACERCA DA SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS?



Um homem pobre chamado Lázaro, que suportou as pedradas e flechadas de um destino ultrajante, morre e vai para o seio de Abraão. O homem rico, porém, morre e entra no tormento do Hades. Segue-se um diálogo – Lucas 16.24-29. Lemos no versículo 24, começando com o homem rico:

O homem rico diz, com efeito: “Olhe, envie alguém de volta dos mortos para dizer aos meus irmãos que se convertam e se arrependam dos seus pecados” E a resposta de Jesus, colocada na boca do patriarca Abraão, é: “Eles tem Moisés e os Profetas; que os ouçam.”

O que Jesus está dizendo? Ele está basicamente falando ao home rico – e a todos nós – que as Escrituras são suficientes para mostrar o caminho da salvação. Nenhum milagre é necessário, como Lázaro voltar dos mortos para informar às pessoas sobre a vida após a morte. O que precisamos fazer é recorrer à Bíblia, porque ela é suficiente. Essa é a mensagem de Jesus.

O que o homem rico responde a tudo isso? Veja os versículos 30 a 31: “ ‘Não, pai Abraão”, disse ele, ‘mas se alguém dentre os mortos fosse até eles, eles se arrependeriam.’ Abraão respondeu: ‘Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos’.” Não é interessante Jesus dizer que o homem que está no inferno afirma que a Bíblia não é o bastante, que as Escrituras não são suficientes para mostrar o caminho da salvação?

A conclusão é: viva segundo o Livro, porque a Bíblia provém da boca de Deus. Ela é o livro mais prático do mundo. É proveitosa para viver a vida cristã. É totalmente adequada e capaz para o propósito que Deus lhe deu. Não é preciso que nada lhe seja acrescentado para equipar você para toda boa obra, para viver a vida cristã.

IN: Firme Fundamento: A inerrante Palavra de Deus em um mundo errante. p. 49-51. Editado por Gabriel N. E. Fluhrer (Anno Domini).