sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SÉRIE ESTUDANDO A NATUREZA HUMANA - ESTUDO Nº 03: A Malignidade da Inveja (Romanos 1.28-29)



INTRODUÇÃO

Abordar um tema como a inveja confronta muita gente e possivelmente muitos dirão – “Eu invejoso? De modo nenhum?” Será mesmo? Este pecado chamado inveja é um pecado bem escondido, pois você nunca ouviu alguém dizer: “Eu sou uma pessoa invejosa”. Muitos já confessaram pecados de mentira, de lascívia e muitos outros. Todos nós já oramos clamando: “Senhor, perdoe os meus pecados”. Mas confessar-se invejoso, assumir o pecado da inveja é algo que ainda não vi acontecer. [1]

Não seria exagero afirmar que existem pessoas que buscam conquistas, única e exclusivamente, para despertarem o sentimento da inveja. Elas querem ter ou ser para provocarem a pratica da maldade pelos indivíduos que o cercam! O que dizer desse comportamento? [2]

Em uma pesquisa feita recentemente, mostra-nos uma realidade bem diferente:
QUEM ASSUME?
54% dos brasileiros acreditam ser invejados pêlos outros;
46% admitem sentir inveja

AS AREAS MAIS INVEJADAS
18% Carreira
16% Dinheiro
7% Inteligência
6% Relacionamentos afetivos
3% Beleza
2% Espiritualidade
2% Família
1% Casa / Decoração
Fonte: Marketing Estatística e Comunicação Internacional [3] 

Neste estudo veremos a malignidade da inveja. Definiremos o objeto de nosso estudo, depois veremos como a Bíblia trata o tema e, finalmente, estudaremos alguns exemplos de comportamento invejoso e uma aplicação disto em nossa vida.


I. CONCEITUANDO A INVEJA

A Palavra derivada do idioma grego (phthónos), que significa emulação e cobiça, tem também o significado de inveja. O termo hebraico “qiná” significa originalmente, uma “queimadura, e então cor produzida no rosto por uma profunda emoção, ou seja, ardor, zelo, inveja”. [4]

O dicionário Aurélio nos diz que “inveja” vem do latim “invidia” e significa: desgosto ou pesar pelo bem estar ou pela felicidade de outrem; desejo de possuir o bem alheio. Literalmente, o termo “invidia” é traduzido assim: “olhar com intenção maliciosa”.

Segundo a psicóloga Melanie Klein, a inveja “é um sentimento que destrói; é um modo inadequado de lidar com a realidade. A pessoa não faz nada e ataca quem faz ou tem alguma coisa. É pura falta de competência” [5]

A inveja tem inúmeras formas de expressão: críticas, ofensas, dominação, rejeição, difamação, agressões, rivalidade, vinganças. 

Diante de tantas definições, como então ter um conceito fixo da “inveja”? A definição que poderíamos usar é: “A inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana, causada pela queda no pecado. Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra suas vítimas, as quais, na maioria das vezes, não têm qualquer culpa por haverem despertados tal sentimento nos invejosos. Geralmente os malsucedidos têm inveja dos bem-sucedidos. Essa é uma tentativa distorcida para compensar pelo fracasso, glorificando ao próprio “eu” e procurando enxovalhar a pessoa invejada.” [6]


II. AVALIAÇÃO BÍBLICA DA INVEJA

A inveja não é necessariamente querer para nós mesmos, mas simplesmente querer que seja tirado do outro. Santo Agostinho associa a inveja com a cobiça, proibida pelo 10º mandamento – “Não cobiçarás a casa do teu próximo...” Ex 20.17 

Ele mostra diferenças importantes entre o ciúme, cobiça e a inveja:
Ciúme – é o desejo desesperado de manter o que se tem;
Cobiça – é querer o que não tem;
Inveja – é não querer que o outro tenha. [7]
E acrescenta: “A inveja é o desejo manifestado de forma destrutiva, de possuir o que é dos outros.”

O que diz a Bíblia sobre isso? Para começar, vejamos a observação do Rei Salomão – “Então, vi que o trabalho e toda destreza em obras provém da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é vaidade e correr atrás do vento”. Ec. 4.4

As nossas habilidades, talentos, realizações e trabalhos não devem ser produzidos pela inveja, pelo desejo de superar o outro, de ofuscá-lo ou ridicularizá-lo.

1. A inveja é característica daqueles que vivem longe de Deus - O apóstolo Paulo escreve aos romanos dizendo que aquele que desprezam a Deus, este os entrega a uma “disposição mental reprovável, para praticarem cousas inconvenientes”, e entre estas práticas está a inveja, Rm 1.28-29; Tt 3.3.

2. A inveja é de origem demoníaca - A sabedoria que é invejosa não provém de Deus. Tiago a conceitua como inveja amargurada e a qualifica como terrena, animal e demoníaca, Tg 3.14-15.

Este tipo de inveja surge de pessoas que vivem querendo prevalecer ou fazer seus argumentos serem vitoriosos, e tais pessoas estarão predispostas a serem derrotadas e a sentirem inveja daqueles que as venceram, I Tm 6.3-4.

3. A inveja causa males a seus praticantes - O rei Salomão em seus ensinamentos da observação da vida e das experiências práticas, pergunta: “Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja?” Prov. 27.1

Além de molestar suas vitimas, a inveja causa males àqueles que a sentem, Pv 14.30.

Louise Hay, escreveu que “Por trás de uma doença ou acidente sempre existe um pensamento ou crença negativa. Todos nós criamos uma realidade em nosso mundo mental, que se materializa em nosso corpo ou realidade concreta.” [8]

A inveja também impede o crescimento espiritual, I Pe 2.1-2.


III. EXEMPLOS BÍBLICOS DE COMPORTAMENTO INVEJOSO

Embora a expressão “inveja” nem sempre apareça nesses relatos, sua prática e suas conseqüências estão evidentes.

1. A reação de Caim [9] - Mesmo que o texto não nos diga que ele sentiu inveja de Abel, fica claro que esse sentimento está presente. Quando Deus aceita a oferta de seu irmão e rejeita a sua, Caim, sente-se desprezado – ele fica irado, Gn 4.3-5. Caim não desejava obter ou tirar alguma coisa do seu irmão, e sim, tinha inveja pelo que ele era na sua vida diária e diante de Deus, I Jo 3.12; Hb 11.4. 

2. José e os seus irmãos, Gn 37 - Israel amava mais a José dos que a todos os outros filhos (v.3), por isso seus irmãos o odiavam (v.4) – eles sentiam inveja (v.11). Embora a palavra que aparece no versículo mencionado seja “ciúme”, possivelmente a melhor tradução seja “inveja”.
a. Percebe-se que eles não estavam perdendo algo que já tinham, ou seja, uma posição privilegiada (o que seria caracterizado como o ciúme).
b. O que fica claro, é que eles desejavam algo que não possuíam, ou seja, uma posição igual a de José (o que caracteriza a inveja).
Neste caso, a inveja gerou o ódio que os fez prender o irmão e vendê-lo a mercadores. [10]

3. Saul e Davi (I Samuel 18) - Após uma companhia militar, ao voltarem Davi e Saul com seus exércitos, ambos são recebidos pelo povo em festa. O cântico das mulheres era: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares” (v.7). Diante desta manifestação popular, o rei passou a sentir “inveja” da popularidade de Davi, e mais, sentiu-se ameaçado (v.8) e passou a perseguir o jovem Davi (v.9).

4. Jesus e as lideranças religiosas de seu tempo - Marcos nos indica a verdadeira razão pela qual Jesus foi entregue à morte pelas lideranças religiosas da época, Mc 15.10.


IV. COMO VENCER A INVEJA?

Muitos perguntam, como nos livrar e vencer pecado tão devastador como a inveja, e outros tantos que nos perturbam e tiram nossa tranqüilidade e segurança?

1. Reconhecer que temos esse pecado - Muitas vezes acusamos os outros de nossos fracassos. Devemos fazer um bom e profundo exame introspectivo e, reconhecer nossa fraqueza. Isso em nada irá nos diminuir e sim, será uma atitude de coragem para exaltação. Ter inveja indica que não estamos satisfeitos com o que Deus tem nos dado. A Bíblia nos diz que devemos estar satisfeitos com o que temos, pois Deus nunca vai nos deixar ou abandonar (Hebreus 13:5).

2. Confessar os nossos pecados - A palavra de Deus nos exorta a confessarmos os nossos pecados mais ocultos, I Jo 1.9; Tg 5.16. Nossa cura e recuperação espiritual e até de enfermidade físicas mais ligadas a emoção podem ser alcançados com esta confissão a Deus. Oremos nos sentir mais tranqüilos e aliviados com essa decisão.

3. Busquemos poder e comunhão com Deus - Busquemos na comunhão com Deus e o poder do Espírito Santo, a iluminação para que possamos com mais facilidades vencer as velhas inclinações da carne, como a inveja.


Para concluir: Como filho de Deus, entendemos que a inveja tem o poder de uma implosão, que nos destrói por dentro. Embora relutamos em reconhecer que acalentamos a inveja no coração. Seria como o racismo que nos orgulhamos em não ter (teoricamente), por que na prática, bem lá dentro, isso temos. A Palavra de Deus, nos recomenda a solidariedade, Rm 12.15-16; 1 Pe 3.8-9; Tg 3.18. Todos estamos tentando ceifar uma colheita resultante da boa vida, mas as sementes que produzem essa colheita jamais podem brotar numa atmosfera que não seja aquela com os relacionamentos corretos. O grupo em que há inveja é um solo infertil, em que não pode crescer nenhuma colheita justa.

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[1] VALADÃO. Márcio. Inveja. Série Mensagens nº 42. Belo Horizonte: Igreja Batista da Lagoinha, 2008.
[2] VENTURA, Zuenir. Mal Secreto: Inveja. São Paulo: Editora Objetiva, 1998.
[3] JORDÃO, C., RABELO V. A Inveja desvendada. Revista ISTOÉ, São Paulo: nº 2064, 03 jun 2009. Disponível em: < http://www.istoe.com.br/reportagens/19773_A+INVEJA+DESVENDADA> Acesso em 25 dez 2015
[4] BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 24.
[5] KLEIN, Melanie. Inveja e gratidão e outros trabalhos. Rio de Janeiro, RJ: Imago Editora, 1991.
[6] CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. 5. Ed. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 355, v. 3.
[7] AQUINO, Tomás de. Sobre o ensino. Os sete pecados capitais. 2ed São Paulo: Martins Fontes, 2004.
[8] HAY, Louise L. Você pode curar sua vida. São Paulo: Editora Best Seller, 1991
[9] Comentário Bíblico Beacon. Vol. 1. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
[10] Padres Apostólicos. Coleção Patrística, vol 1. São Paulo: Editora Paulus, 1995.

sábado, 19 de dezembro de 2015

SERIE ESTUDANDO A NATUREZA HUMANA - ESTUDO Nº 02: Egoísmo - A Prática do Amor Próprio (Mateus 22.34-40)


INTRODUÇÃO
 “Cada um por si e Deus por todos!” – Com certeza, você já ouviu esta frase. Ela traduz o conceito que muitos têm da vida. São aqueles que se preocupam apenas consigo próprios. É não são poucos os que só querem levar vantagem. Esta atitude, tão presente no coração humano, que se manifesta nos relacionamentos é chamada “egoísmo”.
Isso é uma características dos homens nos “últimos dias” que o apostolo Paulo avisou a Timóteo, 2 Tm 3.1-3. Nas de­zenove expressões, com as quais descreve os homens iníquos, res­ponsáveis pelos "tempos difíceis". A primeira diz que são "egoístas", ou "amigos de si próprios" (philautoi); Ao invés de serem em primeiro lugar "ami­gos de Deus" são "egoístas" (amigos de si mesmos).[1]
Egoísmo (ego + ismo) é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. As três primeiras ampliam o significado do amor egocêntrico. Os homens egoístas tornam-se "jactanciosos", "arrogantes", e "blas­femadores". [2]
Já o egocentrismo caracteriza-se pela fantasia de imaginar que o mundo gira em torno de si, tomando o eu como referência para todas as relações e fatos. A pessoa egocêntrica é egoísta, no sentido de que não consegue imaginar que não seja ela a prioridade no mundo em que vive.
O psicanalista Flávio Gikovate escreveu algo bastante interessante acercad do egoísta. Ele diz que não devemos pensar que ser individualista é o mesmo que ser egoísta. O egoísta não pode ser individualista porque ele tem que ser favorável à vida em grupo já que não tem competência para gerar tudo aquilo que necessita. É do grupo – ou de algumas pessoas pertencentes ao grupo – que irá extrair benefícios. O egoísta é aquele que precisa receber mais do que é capaz de dar. É um fraco e não um esperto. Ou melhor, é esperto porque é fraco e precisa usar a inteligência para ludibriar outras pessoas e delas obter o que necessita e não é capaz de gerar. O egoísta tem que ser simpático e extrovertido. Não é assim porque gosta das pessoas e de estar com elas. É assim porque precisa delas e tem que seduzi-las com o intuito de extrair delas aquilo que necessita.[3]


I. O EGOÍSMO E O MANDAMENTO DO AMOR
         A Ética cristã esta fundada no amor: amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ai não há espaço para o egoísmo. A parábola do bom Samaritano (Lc 10.25-37) ilustra muito bem o que significa amar ao próximo como a si mesmo.
         O ser humano foi criado por Deus para viver numa saudável interdependência – “não e bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). O salmista declarou: “Oh, como é bom e agradável viveram unidos irmãos”! (Sl 133.1). A igreja do novo testamento se distinguia em virtude de um estilo de vida desprendido e altruísta (At 4.32-37).
         O egoísmo arraigado em tantos corações e mentes, tem sido um grande empecilho para a construção de um mundo mais humano, justo e solidário. Diante da cultura do individualismo e da competitividade que rege o mundo hoje, onde o outro é visto não como irmão e parceiro, mas apenas como concorrente, o povo de Deus é desafiado a deflagrar uma revolução: a revolução do amor (Mt 5.43-48).
Tasker escreveu: “um homem não pode amar a Deus num sentido real sem amar também a seu próximo, feito como ele á imagem de Deus” [4]
Esta é a mensagem de I João 4.20,21.
Enfatizando a centralidade do amor, Jesus declara que “destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (v.40). Mas, por que são estes dois mandamentos os mais importantes?
Hendriksen sugere três razões: [5]
1. A fé e a esperança recebem, o amor dá;
2. Todas as demais virtudes estão incluídas no amor.
3. O amor segue o padrão de Deus, pois Deus é amor
Já nascemos egoístas, odiosos e odiando-nos uns aos outros (Tt 3.3). Jamais amaremos corretamente o nosso próximo enquanto nosso coração não for transformado pelo Espírito Santo. Precisamos nascer de novo. Precisamos despir-nos do velho homem, revestir-nos do novo homem e receber a mente de Cristo. Então, e só então, nosso coração insensível conhecerá o verdadeiro amor que vem de Deus e se estende a todos. O fruto do Espírito é amor (G1 5.22). [6]


II. CARACTERISTICAS E MALES DECORRENTES DO EGOÍSMO
         Escrevendo ao jovem Timóteo (II Tm 3.1-9) o apostolo Paulo o preveniu de que nos últimos dias sobreviriam tempos difíceis, quando os homens seriam, entre outras coisas, egoístas. Como já foi exposto na introdução, o egoísmo caracteriza-se pela concentração dos interesses do individuo em si mesmo, em detrimento das necessidades do semelhante.
         As terríveis qualidades da impiedade dos “últimos dias”, não é casual que a primeira delas seja a vida centrada em si mesmo. O amor próprio é o pecado básico, do qual provêm os outros pecados. No momento em que uma pessoa faz com que sua própria vontade e seu próprio desejo sejam o centro de sua vida, destroem-se as relações divinas e humanas. Se o eu for o centro da vida, então Cristo desaparece dela. A essência do cristianismo não é entronizar o eu, antes, aboli-lo. Todo pecado começa com o egoísmo. [7] A corrupção moral procede do amor impropriamente dirigido.
Hendriksen, em seu comentário de sobre este texto, traz um exemplo interessante sobre o egoísta, dizendo-o ser igual ao ouriço que enrola-se sobre si mesmo, formando uma bola, deixando em seu interior a penugem suave e quente (amante de si mesmo, egoísta) e exibe os espinhos agudos para quem estiver do lado de fora (que agrada a si próprio, soberbo, arrogante). [8]
Mattew Henry, comentando este texto, diz: “Quem não ama a si mesmo? Mas, aqui se tem em mente um amor próprio irregular e pecaminoso. As pessoas amam o seu eu carnal mais do que o seu eu espiritual. Elas têm prazer em gratificar seus próprios desejos mais do que agradar a Deus e cumprir seu dever. Em vez da caridade cristã, que cuida do bem-estar dos outros, elas somente se preocupam consigo mesmas e preferem sua própria gratificação à edificação da igreja”.[9]
A Bíblia diz em Marcos 8:36-37: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que diria o homem em troca da sua vida?”
O egoísmo é a causa central dos problemas que há entre pessoas. A Bíblia diz em Tiago 4:3 “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.”
O primeiro (egoísmo), o mais “natural” dos pecados, quando nele insistimos e o associamos ao segundo (avareza), bane Deus da vida. Onde “eu e meu” é o princípio que prevalece, resta pouco para restringir os males aqui “esboçados em uma série medonha” [10]
Os homens egoístas tornam-se "jactanciosos", "arrogantes", e "blas­femadores". As pessoas são narcisistas: amam a si mesmas e só se importam com o próprio bem-estar. Essa tendência à idolatria do eu tem arrebentado com os relacionamentos na família, na igreja e na sociedade. [11]
O egoísmo tem remédio. A Bíblia diz em Gálatas 2:20 “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.”


III. O DESAFIO A UM VIVER ALTRUÍSTA
         Deus ordena que o amemos acima de todas as coisas e que amemos ao próximo como a nós mesmos (Mt 22:34-40), mas se amarmos a nós mesmos acima de tudo, não amaremos a Deus nem ao próximo.
Neste universo, existe Deus e existem pessoas e coisas. Devemos adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. Mas se começarmos a adorar a nós mesmos, deixaremos Deus de lado e passaremos a amar as coisas e usar as pessoas. Essa é a fórmula para uma vida infeliz; no entanto, é o que caracteriza muita gente hoje. O anseio mundial por coisas é apenas um dos sinais de que o coração das pessoas está longe de Deus. [12]
         O amor desordenado de nós mesmos leva à morte, como diz o Senhor: “O que ama (desordenadamente) a sua vida perdê-la-á; e quem aborrece (ou mortifica) a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (João 12, 25).
“Altruísmo” é o oposto de “egoísmo”. Ser altruísta significa ter amor ao próximo, ser abnegado, estar comprometido com causas filantrópicas.
         O altruísmo deve ser uma marca inconfundível de todo cristão. É deprimente alguém se declarar cristão, e viver egoisticamente. O altruísmo cristão, ordenado por Jesus, transforma-se num veemente testemunho ao mundo (Mt 5.16).
         O nosso compromisso solidário não pode ser limitar á igreja a que pertencemos. Devemos abrir o coração as necessidades que nos rodeiam, e o nosso envolvimento deve ser mais abrangente e efetivo. Muitas ONGs tem ocupado espaços onde quem deveria  estar é a igreja. O evangelho que pregamos muitas vezes se mostra acentuadamente conceitual e teórico, e pouco altruísta. Aprendemos com Jesus! (Mt 9.35-37; 14.13-21).
         A influencia do modo de vida atual atinge também os cristãos. Cada um deve avaliar se está vivendo conforme a ética do Reino de Deus, fundada no amor, ou se esta simplesmente seguindo o curso deste mundo.
         O desafio a um viver altruísta tem implicações não apenas em relação ao bem estar do nosso semelhante. Na verdade, tem implicações também escatológicas. Diante disso, todos quantos desejam viver uma cristã aprovado por Deus, devem atentar para as palavras de Jesus em Mateus 25.31-46. [13]
“Exorta aos ricos do presente século que… pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida”. (1 Timóteo 6.17-19)



[1] STOTT, John. Tu, porém – Mensagem de 2º Timóteo. Coleção A Bíblia fala hoje. São Paulo: ABU Editora, 1983.
[2] IBID
[3] GIKOVATE, Flávio. Individualismo não é egoísmo. Disponível in: Acesso em 19 dez 2015.
[4] TASKER, R.V.G., Evangelho Segundo Mateus, Introdução e Comentário, São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1988.
[5] HENDRIKSEN, William. Mateus: Comentário do Novo Testamento, Vol 2. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010.
[6] RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de Mateus, São Paulo: Editora Fiel, 2011.
[7] BARCLAY, William. O Novo Testamento Comentado. Trad. Carlos Biagini. São Paulo: Paulinas, 2005.
[8] HENDRIKSEN, 1 e 2 Timóteo e Tito: Comentário do Novo Testamento, Vol 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
[9] HENRY, Matheus. Atos a Apocalipse: Comentário Bíblico, Vol 6. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
[10] BRUCE, F. F. Comentário Bíblico NVI - Antigo e Novo Testamento, São Paulo: Editora Vida, 2008.
[11] LOPES, Hernandes Dias. 2 Timóteo: O Testamento de Paulo a Igreja. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
[12] WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico do Novo Testamento, Vol 2. São Paulo: Geográfica Editora, 2007.
[13] CARSON, Donald Arthur. O Comentário de Mateus. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.