sábado, 31 de outubro de 2015

SÉRIE ESTUDANDO A NATUREZA HUMANA - ESTUDO Nº 01: Orgulho - O Mal Supremo (Lucas 18.9-14)

Ministrado na Igreja Presbiteriana em 
Salgado de São Félix - PB 


INTRODUÇÃO

Qual é o pior de todos os pecados? Os antigos mestres cristãos diziam que o principal pecado, o mal supremo, capaz de deixar a criatura no mais completo estado anti-Deus, é o orgulho.

A tradição cristã, desde inicio da era medieval, fala dos setes pecados mortais, considerado perigosos o bastante para levar quem os pratica deliberada e permanentemente para longe de Deus, que é a fonte da vida.

Santo Agostinho de Hipona (354-430 AD) escreveu: "o princípio de todo pecado é o orgulho” [1] porque foi isso que derrubou o diabo, de quem surgiu a origem do pecado; e depois, quando sua malícia e inveja perseguiram o homem, o qual ainda desfrutava de sua retidão, o inimigo subverteu-lhe da mesma forma em que ele mesmo caiu. Porque a serpente, de fato, apenas buscou uma porta pela qual entrar quando disse: ‘Sereis como deuses'”[2]

Nas palavras do Professor Robert Mounce, a “lista (dos setes pecados) representa uma tentativa de enumerar os instintos primários que tem a maior probabilidade de dar origem ao pecado”. [3]

Os antigos diziam que o orgulho é o primeiro pecado desta triste lista (os outros seis são a cobiça, a lascívia, a inveja, a glutonaria, a ira e a preguiça). Evidentemente, os pecados mortais são mais que sete, e na verdade, mais que os trezes estudos que iremos abordar nas nossas próximas reuniões.

Tomás de Aquino (1225-1274) que foi um teólogo cristão muito importante afirmou que o pecado do orgulho é um super-pecado. É um pecado “mega”-capital. O pecado do orgulho é o pai de todos os pecados. Ele o chamava de vanglória ou vaidade. [4]



I. BREVE ANÁLISE DO TEXTO

A conhecida parábola de Jesus, narrada apenas por Lucas, é contada em um contexto que apresenta o ensino do Senhor sobre oração. Neste texto temos duas ênfases:

a) A ênfase esta na perseverança que se deve ter na oração.
b) A ênfase na condenação de uma arrogância altiva e soberba, que engana, levando quem se deixa dominar por ela a pensar que é melhor que os outros e não precisa nem de Deus, Lc 18.9

Este texto ilustra muito bem o aspecto ridículo do orgulho, e o resultado desastroso produzido na vida de quem se julga auto-suficiente e melhor que os outros.

Vejamos o contexto:

1. Na Palestina os devotos oravam três vezes por dia: às nove da manhã, ao meio dia, e às três da tarde. Considerava-se que a oração era especialmente eficaz se fosse oferecida no templo, de modo que nessas horas muitos foram aos átrios do templo a orar.

Naquele horário havia dois homens
a) Um fariseu. Este foi realmente para orar a Deus. Orava de si para si mesmo. A verdadeira oração é oferecida sempre a Deus e só a Ele. O fariseu em realidade estava dando testemunho de si mesmo perante Deus, v. 11-12
b) O outro era um coletor de impostos. Este se mantinha afastado, e nem sequer elevava os olhos a Deus. As versões comuns não fazem justiça à sua humildade, pois em realidade sua oração foi: "Deus, sê propício a mim – o pecador", como se não fosse meramente pecador, e sim o pecador por excelência, v. 13

Esta parábola nos diz sem dúvida certas coisas a respeito da oração. [5]

A partir desta parábola de Jesus, Barclay percebe três verdades universais:
1) Ninguém que for orgulhoso poderá orar, 11-12;
2) Ninguém que despreze os seus semelhantes poderá orar, 12;
3) A verdadeira oração surgirá ao colocarmos nossa vida no padrão de Deus, 13-14.

Nesta parábola, Jesus utiliza um de seus trocadilhos favoritos: “pois quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”, v. 14 (Mt 23.12; Lc 14.11).


II. ORGULHO – ARGUMENTAÇÃO BÍBLICO-TEOLÓGICA

O que é orgulho? Trate-se da atitude de considerar-se superior e melhor que as outras pessoas, a ponto de desprezá-las. O orgulho é, portanto, a atitude que leva alguém a considerar-se uma pessoa acima de todas as outras. O pecado do orgulho é uma preocupação com o “eu”. O orgulho tem tudo a ver com "eu, meu e eu mesmo", pois o pecado em si também é centrado no "eu". (Lc 18.9,11-12)

1. É um pecado universal da raça humana e natural ao homem pecador. Foi a soberba que tornou o primeiro casal refém da voz da serpente sob a hipótese de que Deus poderia não estar fazendo a coisa certa (ver Gn 3.1-5). As conseqüências todos conhecem.[6]

Andrew Murray escreveu: “O que você tem de orgulho dentro de você é o que você tem de anjo caído vivendo em você; e o que você tem de verdadeira humildade é o que você tem do Cordeiro de Deus dentro de você.”[7]

2. É um pecado inconsciente. Ninguém tem mais orgulho do que aqueles que pensam que não tem nenhum. E uma das atitudes que se não for bem administrado pode levar o homem ao orgulho é o elogio demasiado, Por incrível que pareça o elogio pode produzir Orgulho e exaltação, (At 16.16-18). Você sabe qual era a verdadeira intenção do inimigo? e por que Paulo se perturbava? A intenção era que Paulo recebesse aquele elogio, e aquela glória para si. Paulo e Silas, iria se ensoberbecer, e pecar contra Deus, por isso Paulo se incomodava e se perturbava, Pv 27.21 [8]

3. É um pecado perigoso – Deus resiste aos soberbos e o abate com poder levando-o a ruína de sua existência, Pv 16.18; 29.23.

João escrevendo a sua primeira carta, ele falou com muita precisão sobre três desejos peçonhentos (1 Jo 2.16): a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (Orgulho). A soberba é o desejo de posição. É querer estar acima de todos. Tenho afirmado que este tem sido um dos piores e mais demorado de todos os males a morrer no homem: o orgulho, o egoísmo. O indivíduo torna-se "deus" de si mesmo. Deus é contra os orgulhosos, 1 Pe 5.5-6.

4. O orgulho é o cabeça da iniquidade. Não há nada horrível demais para ser cometido. Ele pega aquilo que é melhor e torna-o contra Deus. Por isso Deus abomina a altivez do coração humano, Sl 101.5

Na teologia, o pecado do orgulho é conhecido como um pecado luciferiano. É o pecado de Lúcifer. E C.S. Lewis diz: “O orgulho é o supremo mal. O orgulho é o mais completo estado de alma anti-Deus”. E diz ainda que esse é o pecado que ele ensinou à raça humana. E a Bíblia diz algo muito preciso sobre esse “coração de Lúcifer”, sobre esse orgulho luciferiano, Is 14.11-15; Ez 28.2-19. [9]

Por causa do orgulho, pessoas desprezam, humilham e oprimem seus semelhantes – racismo e preconceito, por exemplo, são manifestações do orgulho. Por isso, o orgulho é um pecado tão grave e serio: sempre alguém encontrara outro que lhe seja superior em uma outra área. E, acima de tudo, e de todos, há o próprio Deus, Fp 2.3

A pessoa orgulhosa considera-se melhor que as outras pessoas. O orgulho não deixa a pessoa reconhecer que, se tem algo de bom, não é pelo seu próprio mérito, mas pela misericórdia divina. Portanto, é ridículo alguém considerar-se superior a quem quer seja. No lugar do orgulho, é preciso sentir gratidão a Deus pelas boas dádivas que ele concede, Rm 12.3


III. VENCENDO O ORGULHO

È possível vencer o orgulho?  Sim, pela graça de Deus. A humildade é o remédio de Deus contra o orgulho. O problema é que, como sabiamente adverte o Rev. John Haggai, em seu livro Seja um líder de verdade, quem é verdadeiramente humilde não pensa em sua humildade, pois a humildade não tem consciência de si mesmo.

Mesmo assim, é possível cultivar alguns princípios de vida que são úteis para a vitória sobre o orgulho. Um destes princípios é ser dependente de Deus como uma criança. O senhor Jesus disse que quem não se tornar como uma criança não entrara no reino dos céus (Mt 18.1-5). A criança não é arrogante.não se considera melhor que ninguém. Para vencemos o orgulho, imitemos as crianças.

Outro principio de vida importante para derrotar o orgulho é o serviço. Jesus, o senhor, serviu sempre.

Ele não teve problemas em fazer o que ninguém queria, e lavar os pés de seus amigos discípulos (tarefa que, naquele tempo, era destinada aos escravos). “Vós me chamais o Mestre e o senhor, dizeis bem, porque eu sou. Ora, se eu sendo o Senhor e o Mestre vos lavei os pés, também vos deveis lavar os pés uns dos outros. Por que vos dei o exemplo, para que, como eu vou fiz, façais vós também” (Jô 13.13-15).

Quem serve aos seus semelhantes desenvolve espírito de humildade.

A Bíblia nos ensina que não temos motivo algum para nos orgulharmos, pois tudo aquilo que temos, que aparentemente nos destaca dos demais, vem de Deus, 1 Co 4.7.



Para Concluir

Cristo mostrou desprezo pelo orgulho humano.
Ele mostrou Seu desprezo pelo orgulho das riquezas, vindo ao mundo de uma mãe pobre demais, tanto de riqueza como de posição social, para exigir um quarto na hospedaria.
Ele mostrou Seu desprezo pelas bênçãos da comunidade, fazendo Seu lar na menosprezada aldeia de Nazaré.
Também mostrou Seu desprezo pelo orgulho da posição social, comendo com publicanos e pecadores.
Jesus mostrou Seu desprezo pelo poder político, recusando-Se a tornar qualquer partido no governo civil do mundo - recusando-Se, até mesmo, a ajudar a estabelecer um estado.
Ainda mostrou Seu desprezo pelo orgulho da reputação sendo sentenciado à morte como um criminoso, numa cruz romana - Jesus Cristo desprezou a vergonha. (Fp 2.5-11)

____________________________
[1] Agostinho está aqui citando Eclesiástico 10:14-15: "O início do orgulho num homem é renegar a Deus, pois seu coração se afasta daquele que o criou, porque o princípio de todo pecado é o orgulho; aquele que nele se compraz será coberto de maldições, e acabará sendo por elas derrubado.
[2] GILSON, Etienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2006.
[3] MOUNCE, Robert H. Mateus: O Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. São Paulo: Editora Vida, 1991.
[4] AQUINO, Tomás de. Sobre o Ensino (De Magistro) & Os Sete Pecados Capitais, São Paulo, Martins Fontes, 2001.
[5] BARCLAY, William, Comentário Bíblico do Novo Testamento. Versão em português, domínio publico.
[6] FILHO, Caio Fábio de. A Síndrome de Lúcifer. Venda Nova, MG: Editora Betânia, 1988
[7] MURRAY, Andrew. Humildade: A Beleza da Santidade. São Paulo: Editora dos Clássicos, 2009.
[8] BRIGDES, Jerry. Pecados Intocáveis. São Paulo: Vida Nova, 2012.
[9] LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2014.


domingo, 25 de outubro de 2015

A TEOLOGIA DA GRAÇA - Tito 2.11-15 (Esboço de sermão)


Sermão ministrado na Igreja Evangélica Congregacional Família Viva
Salgado de São Félix - PB

INTRODUÇÃO

Encontramos certamente duas linhas de pensamentos, quanto a salvação do homem:
1. Há os que acham que ninguém pode dizer que está salvo.
2. Há os que acham que uma pessoa é tão má que não pode ser salva e viver uma vida agradável a Deus.

Contudo, os dois pensamentos são resultados de mentes cauterizadas, endurecidas e ignorantes ao que venha ser a Graça de Deus. A palavra graça (Gr. Karis), aparece de 100 vezes nos escritos paulinos, sempre indicando que é um ato exclusivo de Deus em dá início ao processo de salvação e providenciar os meios necessários para a salvação do homem.

No presente texto, encontramos a mensagem que a graça de Deus, além de salvar o homem da condenação eterna, ainda o instrui a viver uma vida justa de acordo com a Palavra de Deus.


I. GRAÇA – TERMOS TEOLÓGICOS


O que é a graça de Deus?

Dwight Pentecost, diz que: “A graça é a resposta de Deus à necessidade do homem. Deus é antes de tudo o Deus da graça, e desse Deus misericordioso vem múltiplas graças que suprem todas as nossas necessidades”. (Dwight Pentecost – A Sã Doutrina).

O Dicionário de Teologia Bíblica, afirma que: “Graça é atividade salvadora de Deus, que decidida desde a eternidade, se tornou manifesta e eficaz na obra redentora de Cristo em favor dos homens”. (Dicionário de Teologia Bíblica, Edições Loyola, Vol. 1, pag. 453).

Portanto, graça, é a imerecida compaixão de Deus para com o pecador. Paulo escrevendo aos efésios nos mostra por que a graça é um ato imerecido.

Os homens por natureza estão:
1. Morto Espiritualmente, Ef 2.1
2. Escravos de Satanás, Ef 2.2
3. Filhos da Ira, Ef 2.3

Contudo, o apóstolo Paulo pinta esse quadro, para que o homem entenda que por si mesmo está totalmente condenado e separado de Deus. Mas, Deus em seu grande amor e compaixão manifesta a sua bondosa graça, que produz salvação, Ef 2.8


II. A GRAÇA E O SEU CONTEÚDO

O conteúdo da graça de Deus é a salvação do homem, Tt 2.11

Graça de Deus é a maneira pela qual Deus se dispõe a receber, de braços abertos, o pecador. É uma benção ou um favor imerecido, que Deus concede em sua soberania, nunca em resposta a alguma iniciativa por parte do pecador. Pois, precisamos entender que, o homem por si mesmo, ele nunca vai aceitar a Cristo.

Por que? Por dois grandes motivos:

1. Ele está morto espiritualmente, Ef 2.1 - Alguém morto não tem afetos e vontades.

2. Ele só vai sentir a necessidade de Deus:
a) Quando tocado pelo Espírito Santo, Jo 16.8
b) Quando conduzido a Jesus, através do Pai, Jo 6.44-45; 15,16

Portanto, Deus não tem nenhuma obrigação de perdoar. Ninguém tem o direito de cobrar tal coisa de Deus. Ele, no entanto, perdoa por causa da graça. É iniciativa de Deus.


III. OS EFEITOS DA GRAÇA

“educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente. (Tt 2.12)

Louis Berkhof, escreveu: “A graça remove a culpa e a penalidade do pecado, muda a vida interior do homem, e gradativamente o purifica da corrupção” (Louis Berkhof – Teologia Sistemática).

A graça de Deus salva o homem lhe dando educação. E esta educação se manifesta em dois aspectos:

1. “renegadas a impiedade e as paixões mundanas...” - A palavra impiedade indica uma vida impura, imoral e degradante, e vai mais a fundo ao significar “desprezo pelas coisas de Deus”. O homem alcançado pela graça de Deus ela começa a repudiar todas as práticas que venha agredir a santidade de Deus.

2. “vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente...” - O homem alcançado pela graça divina passa a viver com discrição, passa viver de forma correta e justa. Não há ser humano, por mais ruim que seja, que não possa, ser alcançado pela graça divina.

1. Zaqueu era ladrão e passou a ser considerado um filho de Abraão.
2. Madalena, uma mulher que tinha sido escrava de espíritos malignos, fora transformada em primeira missionária.
3. Paulo, o fariseu e perseguidor da igreja, o Senhor Jesus o transformou no maior apóstolo de todos os tempos.

O pior pecador pode experimentar este milagre e ter a sua vida transformada. A graça pode alcançar os pecadores que foram longe demais, pois: “onde o pecado abundou, superabundou a graça;" (Rm 5.20)


CONCLUSÃO

A grande estrada de comunicação entre o céu e a terra não pode ser construída daqui pra lá, pois o homem não tem condição de chegar a Deus, por que os seus pecados o separam de Deus. A grande estrada de comunicação entre o céu e a terra, é construída de lá pra cá, por obra e graça de Deus, Jo 3.16

Portanto, uma vez alcançado por esta graça, o homem:
1. Vai enxergar o Dom de Deus;
2. Vai se arrepender dos seus pecados;
3. Vai obter a fé salvadora
4. Vai herdar a vida eterna

sábado, 24 de outubro de 2015

A TEOLOGIA DO CANSAÇO - Eclesiastes 1.1-8 (Esboço de Sermão)


Ministrado na Igreja Evangélica Congregacional Família Viva
Salgado de São Félix - PB

INTRODUÇÃO

Fazendo uma análise cuidadosa das circunstâncias da vida, vemos que o “cansaço”, é a marcar registrada no rosto de muitos.

Neste texto o pregador fala da eterna mesmice em que as pessoas estão envolvidas:

a. Ele fala que o sol, o vento e o rio (símbolos da monotonia), cada um tem seu curso fixado, sua rota determinada, seu ritmo estabelecido – não há esforço humano capaz de alterá-lo - Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre. Levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos. Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr.” - v. 4-7;

b. Ele fala também que não há proveito no trabalho – “Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” v. 3

E quando analisamos o nosso modo de viver, vemos que tudo não passa de rotina (ex. cozinha, agenda pessoal, etc.).

O ser humano faz planos, sacrifícios, batalha e depois tudo fica ai par ser dissipados pelos herdeiros – “Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a quem viesse depois de mim.” (Ec 2.18); “Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, ciência e destreza; contudo, deixará o seu ganho como porção a quem por ele não se esforçou; também isto é vaidade e grande mal.” (Ec 2.21).

Conclusão do pregador – “Tudo é canseira”, v.8

E Como se manifesta isto na vida dos homens?


MANIFESTAÇÕES DE CANSEIRA E FADIGA HUMANA

O pregador mostra a manifestação da canseira e fadiga humana está justamente na futilidade do seu trabalho – “Pois que tem o homem de todo o seu trabalho e da fadiga do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol? Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho, desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade.” – Eclesiastes 2.22-23

Observando a Palavra do Senhor, vemos mais claramente as manifestações desta canseiras nas mais diversas áreas.

1. Há pessoas cansadas de sofrer - Disseste: Ai de mim agora! Porque me acrescentou o SENHOR tristeza ao meu sofrimento; estou cansado do meu gemer e não acho descanso.” – Jeremias 45.3

Existe pessoas que tem sido vítimas constantes das ciladas da vida; ingratidão, desilusão e decepção amorosa, perseguição, enfermidades que chegam a dizer: “estou cansado do meu gemer e não acho descanso.”

Tudo isso faz com que o silêncio da noite seja quebrado pelos gemidos e suas lágrimas inundam o seu travesseiro – “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago.” – Salmo 6.6

A vida tem sido tão permeadas de dores que estão cansadas de tanto sofrer

2. Há pessoas cansadas de orar - “Estou cansado de clamar, secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de tanto esperar por meu Deus.” - Salmos 69:3

Há pessoas que há muito tempo colocou uma causa diante de Deus, e que vem clamando, orando, pedindo e que ultimamente vive “no limite” da fé.

Há Pessoas que oram como Habacuque – “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Habacuque 1.2

Há Pessoas que oram como o salmista – “Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? - Salmos 13.1

3. Há pessoas cansadas de viver - Disse Rebeca a Isaque: Aborrecida estou da minha vida... de que me servirá a vida?” – Gênesis 27.46

Quantos não estão com esta mesma frase nos lábios: “de que me servirá a vida?” Pessoas que perderam a ternura, a doçura e a perspectiva de uma vida melhor. Pessoas que tem chegado a mesma conclusão do pregador de Eclesiastes: “Pelo que tenho por mais felizes os que já morreram, mais do que os que ainda vivem; porém mais que uns e outros tenho por feliz aquele que ainda não nasceu e não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.” – Eclesiastes 4.2-3

A amargura da vida tem matado a esperança, e muitos tem o suicídio como a alternativa viável.


Como sair desta situação e vencer este cansaço?


VENCENDO O CANSAÇO DA VIDA

O Senhor Jesus via a multidão desesperançada e sem rumo na vida – “Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.” – Marcos 6.34

Ele se compadeceu da situação desgraçada em que aquelas pessoas viviam e fez um convite irresistível: - “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” – Mateus 11.28-29.

O Senhor Jesus é o único que pode libertar o ser humano do:

1. Cansaço do sofrimento

a) Aos que sofrem, o Senhor Jesus sempre diz: “tem bom ânimo!”
b) Ao paralítico de Cafarnaum - “tem bom ânimo!!!”, Mateus 9.2
c) A mulher enferma do fluxo de sangue - “tem bom ânimo!!!”, Mateus 9.22

A todos que lhe seguem Ele diz – “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” – João 16.33


O Senhor Jesus é o único que pode libertar o ser humano do:

2. Cansaço de orar

Aqueles, para os quais o céu está blindado, o Senhor Deus diz: “Diz ainda o SENHOR: No tempo aceitável, eu te ouvi e te socorri no dia da salvação...” Isaías 49.8

Deus tem o seu tempo de intervir (Kairós – tempo de Deus). Você não deve cansar de orar: “Jesus ensinou uma parábola sobre o “dever de orar sempre e nunca esmorecer”, ou seja, nunca cansar, Lucas 18.1

Foi Ele mesmo quem disse: “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.” Lucas 11.9
O Senhor Jesus é o único que pode dar sentido a vida libertando o ser humano do:

3. Cansaço de viver

O Senhor Jesus colocou por terra muitos padrões de vida, adotado pelos homens, quando disse: “Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.” Lucas 12.15.

Então Ele mostra ao homem cansado:
a. Ele é a vida – “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14.6
b. Ele traz a verdadeira vida – “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” João 10.10
Caio Fábio escreveu: “Seguir a Jesus, é o mais fascinante projeto de vida”


Para Concluir:

O Senhor Jesus fez o convite para o descanso – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” – Mateus 11.28

E Ele, como o Supremo Pastor, nos conduz “as águas de descanso” – “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso” – Salmo 23.1-2

O Profeta Isaías diz: “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” – Isaías 40.29-31

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SÉRIE O FRUTO DO ESPÍRITO: ESTUDO Nº 03 - AS TRÊS DIMENSÕES DO AMOR (João 15.12-17)


Ministrado no Culto de Doutrina da 
Igreja Evangélica Congregacional Família Viva
Salgado de São Félix - PB


INTRODUÇÃO

"Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei." (Gl 5.22-23) 


Para melhor entendimento dos nossos estudos vamos dividir os nove atributos do fruto do Espírito em três partes:
1) Relacionamento com Deus: Amor, Alegria e Paz;
2) Relacionamento com o próximo: Longanimidade, Benignidade e bondade;
3) Relacionamento conosco: Fidelidade(Fé), Mansidão e Domínio próprio.

Nesta lição, estudaremos o significado do amor como fruto do Espírito, e como é manifestado na vida do crente. É inevitável que o amor fique no início da lista, porque Deus é amor (I João 4.8), e, portanto, necessariamente, o maior destes é o amor (1 Co13.13). O amor é o vínculo da perfeição, o vínculo perfeito, que liga tudo numa harmonia perfeita (Cl 3.14), e o amor é em si mesmo o cumprimento da lei (Rm 13.10).

A quem Jesus tanto amou que voluntariamente deu sua própria vida? A indivíduos perfeitos? Não! Um dos discípulos negou-o; outro duvidou dele; três dos que compunham o círculo interno dormiram enquanto Ele agonizava no jardim do Getsêmani; dois desses almejaram elevadas posições em seu Reino; outro tornou-se o traidor. E quando Jesus ressuscitou, alguns não creram. Mas Jesus amou-os até ao fim — até à plena extensão do seu amor. Ele foi abandonado, traído, desapontado e rejeitado, contudo, amou! [1]


I. AMOR – CONCEITOS E DEFINIÇÕES TEOLÓGICAS

No grego, existem 4 palavras que dão significados ao termo “amor”.

(1) Há a palavra Eros. É caracteristicamente a palavra para o amor entre os sexos, o amor de um rapaz para com uma jovem; sempre há um lado predominantemente físico, e sempre envolve o amor sexual (Compulsão da paixão). Costuma basear-se no que vemos e sentimos; pode ser egoísta, temporário e superficial, e tornar-se concupiscência. É inferior aos outros porque muitas vezes é usado levianamente.

(2) Há a palavra philia. Esta é a palavra mais nobre no grego secular para expressar o amor. Descreve um relacionamento caloroso, íntimo e tenro do corpo, mente e espírito. É um amor circunstancial – uma amizade. Em 2 Pedro 1.7, encontramos o amor expresso pela palavra original philiíi, que significa "amor fraternal ou bondade fraterna e afeição". É amizade, um amor humano, limitado. Esse tipo é essencial nos relacionamentos interpessoais, porquanto depende de uma reciprocidade; ou seja, somos amigáveis e amorosos somente com os que assim agem (Lc 6.32).

(3) Há a palavra storgè. Esta é a palavra mais limitada na sua esfera, porque no grego secular é a palavra do amor no lar, do amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais, para o amor entre irmãos, irmãs e parentes. [2]

(4) Há a palavra Agapê que descreve uma qualidade nova que significa "amor abnegado; amor profundo e constante", como o amor de Deus pela humanidade. Esta perfeita e inigualável virtude abrange nosso intelecto, emoções, vontade, enfim, todo o nosso ser, para que pudéssemos amar com o amor que Ele nos amor. O amor (ágape) nos constrange e leva-nos a agir ao contrário daquilo que a lógica estabeleceu como padrão. (1Co.13) é o exemplo daqueles que nasceram do Espírito: vivem um amor que não busca seus próprios interesses.

O Espírito Santo a manifestará em nós, à proporção que lhe entregamos inteiramente a vida. Este predicado flui de Deus para nós que o retornamos em louvor a Deus, adoração, serviço e obediência a sua Palavra: "Nós o amamos porque ele nos amou primeiro" (l Jo 4.19). É o amor ágape descrito em l Coríntios 13. [3]


II. AMOR A DEUS - A DIMENSÃO VERTICAL

1. Amar a Deus acima de tudo. Amar a Deus é nosso maior dever e privilégio. Como fazer isso? De todo o nosso coração, alma, força e entendimento (Mt 22.36). Devemos amar a Deus com toda a plenitude de nosso ser, acima de tudo. Assim sendo, também amaremos o que Ele ama e lhe pertence: sua Palavra, seus filhos, sua obra, sua igreja e as ovelhas perdidas. 

2. O teste do amor ágape. Seu amor ágape é direcionado a Deus? Isto pode ser verificado através de sua obediência (Jo 14.15, 21, 23-24). O Espírito Santo revela-nos o amor de Deus com o intuito de amá-lo e conhecê-lo ainda mais. Nossa sensibilidade em sua direção expressa obediência, e agrada a Deus.


III. AMOR AO PRÓXIMO – A DIMENSÃO HORIZONTAL

1. O amor como um mandamento - Jesus disse que o grande e primeiro mandamento da Lei é amar a Deus com toda a força do nosso ser. E como complemento da lei, Ele acrescentou o amor ao próximo (Mt 22.36-39). Noutra ocasião, Ele disse aos discípulos: Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros (Jo 13.34). Não é estranho? Um mandamento para amar! Mas este é o ponto. A maioria das pessoas pensa que o amor é um sentimento que surge naturalmente. Mas, Não conseguiremos amar nosso semelhante com amor ágape, salvo se amarmos a Deus primeiro.

2. Os três aspectos de um mandamento - Kierkegaard, filósofo dinamarquês, escreveu sobre Os Feitos do Amor. Ele destacou três aspectos do mandamento do amor: [5]

a) TU deves amar... O mandamento do amor não é geral ou impessoal; é uma ordem de Deus a MIM e a VOCÊ.

b) Tu DEVES AMAR... Os poetas falam do amor como emoção, afeição, paixão, e desejo. A Bíblia fala do amor como um DEVER.

c) Tu deves amar O TEU PRÓXIMO. Podemos escolher nossos amigos, a namorada, o namorado, o cônjuge; não o próximo. Este, à nossa revelia, cruza o nosso caminho, senta-se ao nosso lado no ônibus, vem morar no apartamento vizinho, arranja trabalho onde nós trabalhamos, estuda onde nós estudamos, freqüenta a nossa igreja. Deus o põe ali para que o amemos.

3. O amor ágape e gratuito e expressa-se em atos – Há quem diga: Amarei o próximo na medida em que ele me amar. Mas isto é egoísmo. O verdadeiro amor é gratuito e tem prazer em dar, independentemente do comportamento da pessoa amada.
a) Amar e orar pelos nossos inimigos, Mt 5.43-48; Rm 12-17-21.
b) Amar e agir em benefício do irmão necessitado, 1 Jo 3.17-18;
c) Amar como uma prova de fé, Tg 2.14-17
d) Amar o irmão em sua integralidade, 1 Jo 4.19-21

Portanto, o verdadeiro amor não é mero sentimento, mas uma determinação de obedecer a Deus e buscar o bem estar do próximo, ele se manifestará concretamente. 


IV. AMOR A SI MESMO - A DIMENSÃO INTERIOR

1. O "amor a si mesmo" reflete o amor de Deus por nós. Pode parecer estranho sugerir que o amor ágape inclui amar a si mesmo. Mas, o mesmo mandamento que nos manda a amar o próximo, usa como referencial o “amor a si mesmo” (Mt 22.39). Este amor leva-nos a preocuparmo-nos com o eu espiritual, e a buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça, porquanto reconhecemos ser a vida eterna mais importante do que nossa existência aqui na terra (Auto-conceito, auto-imagem e auto estima).

O amor a si mesmo é caracterizado pela:
- Auto-Descrição - idéia que fazemos de nós mesmos
- Descrição de um personagem, traços de um caráter, pontos fortes e fracos e aparência física.
- Incluem pensamentos, atitudes e sentimentos que temos a respeito de nós mesmos.

Na manifestação desse amor próprio, devemos manifestar sentimentos de auto rejeição, tais como:

1) O sentimento de culpa - É um sentimento que experimentamos quando temos a consciência de que erramos em relação às leis de Deus e os padrões éticos e morais socialmente aceitos. A Bíblia diz que nós somos declarados ‘não culpados’ por causa de Cristo, I Jo 2.12; 3.19-22.

2) Um complexo de inferioridade - Esse sentimento que experimentamos quando, em função dos erros e pecados nos julgamos menores do que os outros e incapazes de agradar a Deus. Você é Santuário de Deus onde habita o Espírito Consolador que provém de Deus e que mesmo sendo o cristão tão limitado e tendencioso a pecar continuamente, somos consolados e fortalecidos pelo Espírito Santo, I Co 3.16; 1 Co 1.27; Jl 3.10

c) Uma postura de auto-piedade - Esse é um comportamento egocêntrico que termina bloqueando o fluxo final do perdão e o amor curativo de Deus. Perdemos as esperanças. Recusamo-nos a nos erguer, a tomar nossa cruz de fragilidade humana e seguir Jesus, Ec 7.16.


CONCLUSÃO

Para concluir é importante pensarmos sobre a medida do amor. Na lei, a medida do amor era o amor “a si mesmo”, (Mt 22.37-40). Na Graça, o amor ultrapassa qualquer medida, pois a medida é o amor de Deus (Jo 15.12)

Jesus almeja que amemos as pessoas como Ele nos ama: "O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo 15.12). Isso nunca seria possível mediante o amor humano, limitado. Entretanto, à medida que o Espírito Santo desenvolve a semelhança de Cristo em nós, aprendemos a amar como Cristo amou.

  

O amor é a seiva que faz com todo o restante do fruto do Espírito se manifestem em nossas vidas. Sem amor não há fruto.
Gálatas 5.22-23
I Coríntios 13.1-7
Amor
Não busca seus próprios interesses, não é egoísta ou egocêntrico.
Alegria
O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Paz
O amor não se exaspera, mas é sereno e estável.
Longanimidade
O amor é paciente; é benigno
Benignidade
O amor é misericordioso, interessado, tem consideração pelos outros; não inveja.
Bondade
O amor é maravilhoso, cheio de graça, generoso; é bondoso e terno.
Fidelidade
O amor não malicioso, mas tem fé em
Deus e nos outros.
Mansidão
O amor é humilde e meigo;
nunca exalta a si mesmo.
Domínio Próprio
O amor é disciplinado e controlado. Não se porta inconvenientemente.




[1] GILBERTO, Antonio. Fruto do Espírito – Um Serviço Cristão. Campinas, SP: ICI – Global University, 1984.
[2] BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo, Vida Nova, 1985. reimpressão, 2003.
[3] LUCADO, Max. Um amor que vale a pena. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
[4] GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A Plenitude de Cristo na vida do crente. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
[5] KIERKEGAARD, Soren. As obras do amor: algumas considerações cristãs em forma de discursos. Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco; Petrópolis: Vozes, 2005.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

SÉRIE O FRUTO DO ESPÍRITO: ESTUDO Nº 02 - A PLENITUDE DO FRUTO DO ESPÍRITO (Gálatas 5.16-25)


Ministrado no Culto de Doutrina da 
Igreja Evangélica Congregacional Família Viva em Salgado de São Félix - PB

INTRODUÇÃO

O fruto é o resultado da presença do Espírito Santo na vida do Cristão. A Bíblia deixa bem claro que todos recebem e são batizados com o Espírito Santo no momento em que recebem a Jesus como Senhor e Salvador, Rm 8.9; 1 Co 12.13; Ef 1.13-14.

Um dos propósitos principais do Espírito Santo ao entrar na vida de um Cristão é transformar aquela vida. É a tarefa do Espírito Santo conformar-nos à imagem de Cristo, fazendo-nos mais e mais como Ele.

As obras da natureza pecaminosa são descritas em Gl 5.19-21. O apóstolo Paulo destaca aqui, muito fortemente o desenvolvimento prático da vida dominada pela carne e que tais obras “são conhecidas”.

Com “carne” Paulo quer dizer o que somos por natureza e hereditariedade, nossa condição caída, o a BLH chama de “os desejos da natureza humana”.

Sobre os que tais coisas praticam pesa um juízo divino: a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. (v. 21) [1]

Enquanto que a nossa carne pecaminosa produz certos tipos de obras, o Espírito Santo produz um tipo fruto em nossa vida.


I. CARNE E ESPÍRITO – A REALIDADE DO CONFLITO
"Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer." (Gl 5.16-17)

O vers. 16 diz: “andai no Espírito” – “Andar em Espírito (ARC) significa conduzir-se duma madeira tal que o comportamento e, por extensão, toda a vida sejam ordenados e submetidos ao governo do Espírito Santo. Só assim poderá realmente ser cumprida a lei do amor”. [2]

Os combatentes no conflito cristão são chamados de “a carne” e ‘‘o Espírito”.

a) Com “carne” Paulo quer dizer o que somos por natureza e hereditariedade, nossa condição caída, o que a Bíblia na Linguagem de Hoje chama de “os desejos da natureza humana”. A “carne” representa o que somos por nascimento natural.

b) Com “Espírito” ele parece referir-se ao próprio Espírito Santo, que nos renova e regenera, primeiro dando-nos uma nova natureza e, então, permanecendo em nós. O “Espírito” o que nos tornamos pelo novo nascimento, o nascimento do Espírito, Ef 4.22-24.

Estes conflito e vivido em três perspectivas:[3]

1. Situação de luta - o “andar no Espírito” (v. 16)‖ não transcorre sem conflito nem além da luta entre bem e mal, na qual cada ser humano está inserido conforme a criação.

2. Situação de luta acirrada – O homem nascido de novo, vive uma situação de luta acirrada contra esse desejar da carne. Ele faz renúncias necessárias, contra a sua vontade de desfrutar prazeres de todo tipo, a manifestação de sentimentos rivais em relação ao próximo, ou a tendência para todas as nuanças de hipocrisia, v.24

3. Supremacia do Espírito. Carne e Espírito, porém, não estabelecem um dualismo equilibrado. O versículo anterior, que atestava a supremacia do Espírito, não pode ser esquecido tão rapidamente. A revolta da carne indubitavelmente cria problemas que são profundos e reais, mas eles não triunfam. O crente não luta com o desespero na espinha, mas com a vitória nas costas. ―Somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou‖ (Rm 8.37).

Portanto, estes dois, a carne e o Espírito, vivem em ferrenha oposição. Eles nos empurram para direções opostas. Existe entre os dois “uma rivalidade interminável e mortal”. E o resultado desse conflito é: “para que não façais o que porventura seja do vosso querer”, v. 17.

Uma ilustração perfeita deste conflito encontra-se em Rm 7.18-25.


II. FRUTO DO ESPÍRITO – QUANTO A SUA ORIGEM
"Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei." (Gl 5.22-23)
É significativo o uso do singular “fruto” ao invés do plural, porque este último sugeriria produtos diversos, enquanto o verdadeiro alvo de Paulo é demonstrar os vários aspectos da única colheita. Nenhuma destas qualidades que Paulo menciona pelo nome pode ser isolada e tratada como uma finalidade em si mesma. Portanto, o fruto do Espírito é o produto normal de cada crente guiado pelo Espírito.

1. A sua origem é sobrenatural: "do Espírito" (genitivo grego que indica fonte ou causa). Enquanto as "obras da carne" são atos que praticamos naturalmente, o "fruto do Espírito" é de responsabilidade do próprio Espírito. Precisamos ter humildade, pois não podemos produzir este fruto.

2. O seu crescimento é natural. O "fruto" faz parte da "lei da semeadura e da colheita": "aquilo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7).


III. FRUTO DO ESPÍRITO – QUANTO A SUA CLASSIFICAÇÃO [4]
Temos aqui um aglomerado de nove graças cristãs que parecem descrever a atitude do cristão para com Deus, outras pessoas e de mesmo.

a) Amor, alegria, paz - Esta é uma tríade de virtudes cristãs universais. Mas parece que se referem principalmente a nossa atitude para com Deus, pois o primeiro amor do cristão é o seu amor a Deus, sua principal alegria é a sua alegria em Deus e a sua paz mais profunda é a sua paz com Deus. Assim, podemos dizer que “amor, alegria, paz” vão principalmente na direção de Deus.

b) longanimidade, benignidade, bondade. São virtudes sociais, principalmente voltadas para os outros e não para Deus. “Longanimidade” é paciência para com aqueles que nos irritam ou perseguem. “Benignidade” é uma questão de disposição, e “bondade” refere-se a palavras e atos. Estas virtudes “longanimidade, benignidade, bondade”, caminham na direção do homem.

c) fidelidade, mansidão, domínio próprio. “Fidelidade” parece descrever a certeza de se poder confiar em uma pessoa cristã. “Mansidão” é aquela atitude de humildade que Cristo tem (Mt 11.29; 2 Co 10.1). E ambas são aspectos do “autocontrole” ou “domínio próprio”, que encerra a lista. “Fidelidade, mansidão, domínio próprio”, para consigo mesmo.

E todos eles são “o fruto do Espírito”, o produto natural que aparece na vida dos cristãos dirigidos pelo Espírito. Por isso Paulo acrescenta novamente: Contra estas cousas não há lei (versículo 23), pois a função da lei é controlar, restringir, impedir, e aqui não há necessidade de limitações.


CONCLUSÃO
"E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros." (Gl 5.24-26)

Aqueles que são verdadeiramente de Cristo devem ser como Ele na participação da cruz. Eles crucificaram a carne. Idealmente, isto aponta para a sua identificação com Cristo na Sua morte (2.20). Praticamente, enfatiza a necessidade de carregarmos o princípio da cruz na vida redimida, uma vez que a carne, com as suas paixões e desejos continua sendo uma realidade sempre presente (cons. 5:16, 17). A mesma tensão entre a provisão divina e a apropriação humana se encontra em relação ao Espírito. [5]

A Bíblia NVI, o vers. 16 está escrito assim: “Por isso digo: VIVAM pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne”.

Agora não se diz, “vivam pelo Espírito”, como foi dito no versículo 16, nem “são guiados pelo Espírito”, versículo 18, mas “andemos pelo Espírito”. A palavra stoichein (andar), originalmente era um termo militar. Significa “marchar em ordem”, “formar fila”. A vida dos cristãos se realiza através de um caminho ajustado ao Espírito e regido segundo este Espírito. [6]


_________________________
[1] GUTHIRIE, Donald. Gálatas – Introdução e Comentário. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1999.
[2] BOYD, Frank M. Gálatas - Comentário do Novo Testamento. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 1996.
[3] POHL, Adolf. Carta aos Gálatas – Comentário Esperança. Curitiba, PR: Editora Evangélica Esperança, 1995.
[4] STOTT, John. A Mensagem de Gálatas: Somente um caminho. São Paulo, SP: ABU Editora, 2007.
[5] PFEIFFER, Charles F; HARRISON, Everett F. Gálatas: Comentário Bíblico, vol 2. São Paulo, SP: Editora Batista Regular, 2010.
[6] SOARES, Germano. Comentários de Gálatas. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2009.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

SÉRIE O FRUTO DO ESPÍRITO: ESTUDO N° 01 - A VIDEIRA E O FRUTO DO ESPÍRITO (João 15.1-16)


Ministrado no Culto de Doutrina da
Igreja Evangélica Congregacional Família Viva em Salgado de São Félix (PB)


INTRODUÇÃO

No interior de cada crente é travado um grande conflito: o Espírito contra a carne. “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”, Gl 5.17.

O apostolo Paulo manifestou aos romanos toda a malignidade desta guerra interior, Rm 6.18-25

Até o dia da nossa conversão, a "carne" ou a natureza pecaminosa reinava sozinha. Nascemos de novo e o Espírito Santo veio habitar em nós com o objetivo de controlar e mudar toda a nossa vida. O conflito é inevitável, mas se desejamos uma vida cristã vitoriosa, devemos entregar o controle e a direção da nossa vida ao Espírito Santo. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito (Gl 5.25). O Espírito Santo reinando em nós produzirá o caráter cristão. Ele produzirá em nós as virtudes do caráter de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo chama estas virtudes de o "Fruto do Espírito Santo". O princípio da frutificação encontra-se em Génesis 1.1. Note que cada planta e árvore devia produzir fruto segundo a sua espécie. A frutificação espiritual segue a mesma regra.

O texto base para INTRODUÇÃO ao estudo sistemático sobre o Fruto do Espírito começa por João 15.1-16. Jesus é a videira e seu Pai é o Agricultor. Os discípulos são os ramos. Ele se dirige aos onze discípulos que ainda estavam com ele enquanto se preparava para ir para o Jardim do Getsêmani. Eles eram os ramos que deviam permanecer com ele até o fim. Os ramos que não produziram frutos e foram cortados são representados por Judas, que já tinha se retirado a fim de denunciar Jesus aos líderes judeus, mais tarde, naquela noite.

Jesus usou a ilustração da videira por, pelo menos, três boas razões: 


(1)
seus discípulos reconheceriam imediatamente a analogia, porque Israel era freqüentemente mencionado como uma vinha nas Escrituras do Antigo Testamento;
(2) as videiras cresciam por toda parte na Palestina, e quando Jesus falou sobre os procedimentos de poda, ele descreveu exatamente o que os vinhateiros faziam para produzir boas colheitas de uvas;
(3) e a videira e os ramos ilustram perfeitamente o tipo de relacionamento que deve existir entre Jesus e aquele que deseja ser seu discípulo.

Essa analogia é para todos os cristãos. Quem quer conhecer a vida e produzir fruto, deve estar ligado a Jesus Cristo. [1]

Em João 15.1-16, Jesus enfatizou este princípio esclarecendo aos seus seguidores que, a fim de se desenvolverem espiritualmente, precisavam apresentar abundante fruto para Deus.

De que tipo de fruto Jesus estava falando? A resposta encontra-se em Gálatas 5.22. Por conseguinte, o fruto do Espírito desenvolve no crente um caráter semelhante ao de Cristo, que reflete a imagem de sua pessoa e a natureza santa de Deus.

A glória pelo fruto gerado não pertence ao ramo, mas ao vivificador que lhe transmite vitalidade, a fim de que este tenha uma colheita abundante.


I. O QUE E O FRUTO?

A metáfora do "fruto" aparece várias vezes no Novo Testamento, designando sempre algum "resultado" (Mt 3.8; 7.16; Rm 1.13; Ef 5.9; Hb 13.15). O fruto do Espírito são qualidades morais divinamente implantadas. São resultados da ação do Espírito em nosso caráter. Os ramos só têm duas finalidades: eles só servem para produzir fruto ou para serem queimados. Deus, como viticultor espera frutos de nós.

Qual é a importância de se produzir frutos? Jesus diz: “Eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15.16). Estamos aqui para cumprirmos os sonhos de Deus e trazermos glória para o seu nome através de uma vida frutífera.

1. A sua origem é sobrenatural: "do Espírito" (genitivo grego que indica fonte ou causa). Enquanto as "obras da carne" são atos que praticamos naturalmente, o "fruto do Espírito" é de responsabilidade do próprio Espírito. Precisamos ter humildade, pois não podemos produzir este fruto.

2. O seu crescimento é natural. O "fruto" faz parte da "lei da semeadura e da colheita": "aquilo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7).  O nosso interior é como um campo onde estamos semeando diariamente. Aquilo que você semear você irá colher. "Semeie um pensamento, e você colherá uma ação; semeie uma ação, e você colherá um hábito; semeie um hábito e você colherá um caráter; semeie um caráter e você colherá um destino". Se você deseja que o Espírito Santo produza o fruto em você, forneça-lhe os meios: oração e leitura bíblica. "A graça nos confere os meios para colhermos abundante safra espiritual".[2]

3. A sua maturidade é gradual. Antes de ser um fruto maduro, há etapas que precisam ser cumpridas. Isto demanda tempo: primeiro a flor, depois o embrião e por fim, o fruto (Mc 4.28). O Espírito Santo não tem pressa e um caráter cristão maduro é resultado de uma vida inteira.


II. A SINGULARIDADE DO CARÁTER CRISTÃO

1. A pessoa é identificada pelo seu fruto. Em Mateus 7.15-23, deparamo-nos com declarações notáveis, proferidas pelo Mestre, acerca da importância do caráter. Assim como nós, os falsos profetas são reconhecidos pelo tipo de fruto que produzem (Mt 7.16-19).

2. Os sinais contestados pelo fruto. Jesus acrescentou que algumas pessoas fariam muitas maravilhas, expulsariam demônios em seu nome, porém, Ele jamais as conheceria (Mt 7.22-23). 

Como é possível? A resposta é encontrada em 2 Tessalonicenses 2.9. Este trecho bíblico comprova ser possível Satanás imitar milagres e dons do Espírito. Contudo, o fruto do Espírito c a marca daqueles que possuem comunhão com o Senhor (Mt 7.17-18; l Jo 4.8), e jamais poderá ser imitado.


III. A VIDEIRA E SEUS RAMOS

1. Os ramos que não produzem fruto são arrancados (Jo 15.2) - O propósito do ramo é produzir fruto. Se isto não ocorre, o ramo perde sua valia, por isso o lavrador o tira. o quadro é de um vinhateiro que retira o galho morto e se refere aos cristãos apóstatas que nunca creram verdadeiramente e são tirados para aguardar o julgamento.[3]

Outro triste exemplo deste tipo de sentença é encontrado na história de Israel. Este povo foi designado para ser a videira de Deus, a fim de refletir o amor, a misericórdia, a bondade e a glória de Deus entre as nações. Mas fracassou, e veio o julgamento (Is 5.1-7; Rm 11.21).

2. Os ramos que não permanecem ligados à videira são lançados no fogo (Jo 15.6). - O ramo, ao ser arrancado do tronco, começa a secar e a morrer, porquanto, ao afastá-lo da videira, o fluxo da seiva é imediata mente interrompido, ou seja, a ligação vital entre eles cessa, ocasionando a morte do ramo, recolhido e queimado depois.

A inutilidade de um ramo ou de uma arvore infrutífera é demonstrado na Palavra de Deus de trágica:
a) O ramo infrutífero ele é cortado e lançado no fogo, Jo 15.6
b) A arvore que não produz o fruto desejado é amaldiçoado pelo próprio Deus, Mc 11.12-14,20-21.
c) A arvore sem fruto é classificada como inútil, e deve ser cortada, Lc 13.6-9.

“O fogo é o lugar mais adequado para os ramos murchos; não são bons para outra coisa. Procuremos viver mais simplesmente da plenitude de Cristo, e crescer mais frutíferos em todo bom dizer e fazer, para que seja pleno nosso gozo nEle e em sua salvação” (Mathew Henry)[4]

3. Os ramos que dão fruto são podados (Jo 15.2). - O desejo do lavrador é que o fluxo da seiva seja transportado até aos ramos produtivos, e não aos estéreis e inúteis. A podadura do ramo é um processo indispensável porque objetiva produzir maior quantidade e melhor qualidade de fruto. A frase "limpa toda vara que dá fruto" acontece através da disciplina do Senhor em nossa vida. 

A disciplina (instrução e correção) tem propósito definidos (Hb 12.4-11)
a) É prova de que Deus nos ama, v. 6
b) Nos ajuda a ser perseverantes na fé, v, 7
c) Mostra a nossa condição de filhos de Deus, v, 8
d) Tem propósito definido – sermos santos, v, 10
e) A disciplina nos traz tristeza temporária e produz frutos, v, 11

Muitos cristãos pedem a Deus que possam dar mais frutos, mas não gostam do processo necessário de poda pelo qual devem passar em resposta a essa oração. A dor é grande quando remove algo que consideramos precioso; mas à medida que a "colheita espiritual" é produzida, vemos que o Pai sabia o que estava fazendo.[5]
IV. AS CONDIÇÕES PARA A FRUTIFICAÇÃO ESPIRITUAL

Ao examinarmos os ensinamentos registrados em João 15 acerca da frutificação espiritual, percebemos que há pelo menos três condições para uma abundante colheita:

1. A poda feita pelo Pai - Como estudamos anteriormente, a poda é necessária para a produção do fruto do Espírito. Depois de sermos salvos, o Espírito Santo nos convence de áreas em nossa vida que precisam progredir em santificação (l Ts 5.23; Hb 12.10-14; 2 Co 7.1).  Na vida do cristão, este processo é efetuado pelo Pai através de circunstâncias que resultam em amadurecimento e dependência de Deus. Barclay comenta que: Uma vinha nova não era deixada a florescer durante os três primeiros anos. Cada ano era podava para que se desenvolvesse e conservasse a vitalidade e a energia.[6]

Qual a lição que tiramos disso:
a) Os discípulos foram treinados durante três anos pelo Senhor Jesus;
b) Três anos foi o tempo de treinamento de Paulo no deserto da Arábia, Gl 1.17-18.

Como um galho na videira verdadeira precisamos ser treinados (podados) para que venhamos produzir o fruto desejado pelo Supremo Agricultor.

2. A permanência em Cristo (em amor e alegria) - Jesus usou o verbo permanecer (15 vezes) quando descreveu a relação entre ele e seus seguidores. Ele asseverou: "Permanecei em mim, e eu, em vós" (Jo 15.4).

A primeira parte desta frase: "Permanecei em mim", diz respeito à nossa posição em Cristo. Permanecer em Cristo refere-se a nossa unidade e comunhão com ele (Ef 2.6). Meditando na partícula em, chegamos à conclusão de que onde estamos é de grande significância.[7]

Esta permanência em Cristo tem suas implicações:
a) Temos respostas as nossas orações, v.7
b) Experimenta um amor cada vez mais profundo por Cristo e por outros cristãos, v. 9-10; 12-13
c) Temos alegria completa, v.11
d) Há um vínculo de amizade com Cristo, v. 14
e) É a prova de que soberanamente somos eleitos, v. 16

Chamo a atenção para o v. 9, quando diz “permanecei no meu amor”. Aqui não uma afeição mística ou emocional, mas obediente, como está definido no versículo 10. Tudo isso produz uma alegria sem fim, v.11.

3. A permanência de Cristo em nós - A segunda parte da frase: "E eu permanecerei em vós" (Jo 15.4b) está relacionada a nossa semelhança com Cristo aqui na terra, isto é, à manifestação do perfeito caráter de Cristo em nós por intermédio do Espírito. É a santidade de Cristo refletindo-se através de nossa vida.

Vejamos alguns exemplos:
a) O lavrador. Os lavradores compreendem a importância de ter uma abundante fonte de vida fluindo da videira até ao fruto.
b) O fruto. A qualidade do fruto é proporcional à quantidade de seiva recebida da videira e por ele conservada. Nossa natureza é transformada à medida que Cristo permanece em nós (2 Co 3.17,18).
c) A seiva. É a seiva que conserva os ramos vivos e frutíferos. Da mesma maneira, é Cristo que nos sustenta, mediante a presença do Espírito Santo, e faz-nos viver de modo consistente e frutífero. A vida frutífera só é possível por meio desta relação: o cristão EM Cristo.


CONCLUSÃO

Certa feita Jesus estava indo para Jerusalém e teve fome. Ele olhou para uma figueira e viu muitas folhas. Ele foi procurar fruto e não achou. Aquela figueira anunciava fruto, mas não tinha fruto. Então, Jesus fê-la secar. Ela nunca mais produziu fruto. Fruto é o que o Senhor espera de nós e não folhas. Ele não se contenta com aparência, mas ele quer fruto. Nossa união com Cristo é uma união viva, por isso podemos dar frutos; é uma união afetuosa, por isso podemos desfrutar nosso relacionamento com ele; é, também, uma união duradoura, por isso não precisamos temer.

___________________
[1] MACARTHUR, John. João: Estudos Bíblicos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. P.63
[2] HOLLOMAN, Henry. O poder da santificação. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.29-30.
[3] MACARTHUR, John. João: Estudos Bíblicos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. P.64
[4] HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do AT e NT. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1711
[5] WIERSBE, Warren w. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol 1. Santo André: Geográfica Editora, 2006.
[6] BARCLAY, William, Comentário Bíblico do Novo Testamento. Versão em português, de domínio publico.
[7] BRUCE, F. F. Comentário Bín]blico NVI: Antigo e Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2008, p. 1739


domingo, 11 de outubro de 2015

ESTUDO Nº 15 - TESTEMUNHO E ASSISTÊNCIA SOCIAL (1 Coríntios 16.1-4)




INTRODUÇÃO

Você já percebeu como são inúmeros os problemas que uma igreja enfrenta? Entre tantos, um dos problemas é o financeiro, ou seja, a falta de recursos e mesmo a questão da aplicação daqueles poucos existentes. 

Algumas comunidades vivem estagnadas, sem poder realizar empreendimentos maiores, sendo que o argumento é sempre o mesmo: Não há recursos financeiros. Percebem-se algumas igrejas vivendo apenas de modo a manter o que já possui, pois o que se arrecada só dá para pagar as despesas gerais. 

Diante deste quadro, como pensar em contribuir para atender às necessidades dos outros? Será possível socorrer alguém enquanto a igreja tem os seus compromissos financeiros?

Aqui está um grande desafio que precisa ser questionado e enfrentado pela Igreja de Cristo.

“O apóstolo Paulo termina o capítulo 15 nas alturas excelsas da revelação de Deus, falando-nos sobre a ressurreição de Cristo, a ressurreição dos remidos, a segunda vinda de Cristo, a vitória retumbante sobre a morte, a transformação dos remidos e a consumação de todas as coisas. Após descrever essas verdades gloriosas, Paulo conclui sua carta falando de dinheiro”. [1]

Precisamos entender que a responsabilidade social da igreja não pode ser desassociada da sua teologia do mundo porvir. A nossa teologia acerca das coisas futuras não é escapismo da nossa responsabilidade com as coisas do aqui e do agora.

Sabe-se que no ano 48 d.C. houve grande fome na Judéia e que vários cristãos judaicos viviam em estado de pobreza, carentes de auxílio (At 11.28; Rm 15.26). A «...fome...» predita por Ágabo também ficou registrada na história. Tácito e Suetônio se referem a diversos períodos de fome durante o reinado de Cláudio (41-54 D.C.). Josefo menciona uma fome especialmente severa na Judéia, que ocorreu em 46 D.C., a qual, sem a menor sombra de dúvida, é a escassez aqui referida por Lucas.[2]

A visão paulina é de que a igreja precisa entender que evangelização produz serviço global. Este serviço é altamente enfatizado em seus escritos, bem como os seus positivos resultados (II Co 9.12-14).

Paulo fala aqui de um levantamento de recursos para suprir uma necessidade emergente de irmãos na fé que passavam por uma grave e avassaladora crise econômica. É um socorro a pessoas necessitadas de Jerusalém. O princípio de Paulo é que os cristãos devem doar, do ponto de vista financeiro, para outras pessoas.


1. CONTRIBUIÇÃO SOLIDÁRIA EXPRESSA A UNIDADE DA IGREJA

Realmente, a situação dos cristãos naquela época não era muita boa. Havia pobreza e isto constituía num forte desafio para a Igreja. Era hora de demonstrar uma fé solidária. É neste momento que a igreja é conclamada a revelar a sua verdadeira unidade, indo ao encontro dos carentes. 

A Bíblia diz que quando um membro da igreja sofre, todos sofrem juntos (I Co 12.26). Assim sendo, a igreja só vai bem quando se alcança esta compreensão da família cristã, aonde cada membro se preocupa em ajudar. 

Não podemos esquecer que aquilo que tem a ver com a vida financeira também faz parte do testemunho cristão. Quando a igreja se une em prol dos necessitados, ela dá um testemunho positivo. A igreja é aquela que olha de modo solidário para as pessoas carentes neste mundo tão sofrido. 

É importante dizer que a igreja não pode revelar sua unidade só na hora de cantar, de orar, de evangelizar etc., pois esta unidade não pode faltar também quando é preciso socorrer as pessoas carentes. Quando há união, há força, há recursos, muitos são ajudados e a igreja demonstra a sua verdadeira saúde espiritual. (At 2.42-47).


2. A CONTRIBUIÇÃO SOLIDÁRIA TRADUZ EM AÇÃO O ENSINO DE JESUS

Jesus Cristo sempre se demonstrou solidário com as pessoas mais carentes. Ele foi ao encontro dos indivíduos sofridos, oprimidos e injustiçados de seu tempo. Em seu ministério público, percorrendo vários caminhos, a solidariedade e o socorro aos carentes era algo real (Mt 9.35- 36). Seu ensino sempre apresentou o desafio para repartir com os menos favorecidos (At 20.35). 

O próprio Cristo se deu totalmente pelos outros. Paulo declara o seguinte: "pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tomásseis ricos" (1 Co 8.9).

Os cristãos de Corinto compreenderam claramente a mensagem de Cristo e exerciam com zelo e dedicação atitudes de socorro como sinal de obediência ao ensino deixado por ele (II Co 9.1-2). 

É lógico que todo cristão está desafiado a viver de modo a imitar os exemplos deixados por Jesus. Ele é o modelo, o exemplo maior a ser seguido. Nele residem todos os ensinamentos que a igreja deve cultivar e externar ao mundo. Ser cristão não é só usufruir dos privilégios conferidos por Cristo e pela sua igreja, mas fazer o que Cristo fez especialmente indo ao encontro dos que sofrem, a fim de minorar a sua dor. A igreja só irá bem se seus membros estiverem dispostos a imitar verdadeiramente os ensinamentos deixados pelo Mestre.


3. A CONTRIBUIÇÃO SOLIDÁRIA É EXERCIDA A PARTIR DE DIRETRIZES CORRETAS[3]

3.1 - Divulgar as necessidades (16.1) - A primeira orientação é que as necessidades devem ser divulgadas de maneira clara e precisa. Observe que Paulo não é só direto, mas também enfático: "Ordenei às igrejas da Galácia". Ele não é tímido nem está se desculpando por pedir dinheiro.  

O fato de ajudar os carentes é questão bíblico-teológica e temos em apóstolo todo o desenvolvimento teológico desta verdade:

a) Oito anos antes de escrever essa carta Paulo já assumira um compromisso público com os apóstolos Pedro [Cefas], Tiago e João, líderes da igreja de Jerusalém, de que ele iria para os gentios e de que além de realizar o seu ministério entre eles também cuidaria dos pobres, Gl 2.9-10;

b) Diante da crise, A igreja de Antioquia já havia enviado uma ajuda financeira para os pobres da igreja de Jerusalém (At 11.29,30).

c) Paulo escreveu 2 Coríntios mais ou menos um ano depois de I Coríntios. Ele dá testemunho de que esse projeto de levantamento de ofertas para a igreja pobre de Jerusalém havia sido um sucesso (2 Co 8.2-4). 

d) Dois anos depois, quando ele fez um apelo à igreja de Roma, ele incluiu Corinto (Acaia) como um bom exemplo (Rm 15.26). 

e) Paulo entendia que as igrejas gentílicas deveriam abençoar financeiramente a igreja de Jerusalém pelos benefícios espirituais recebidos dela (Rm 15.25-27).

3.2 - Incentivar a contribuição como ato de adoração (16.2) - Depois de apresentar a necessidade, Paulo não hesitou em propor planos funcionais para contrabalançar a fraqueza humana nesta área. Ele recomenda que as pessoas comecem a dar sistematicamente. 

Era o "Dia do Senhor", dia principal de culto em Corinto e nas igrejas da Galácia. O ato de ofertar é um ato cúltico. E um ato de adoração. É por isso que ele recomenda vincular essa oferta ao primeiro dia da semana. Doar é um ato de adoração ao Salvador ressurreto. Devemos fazê-lo com espontaneidade e alegria , Fp 4.18.

Sobre o “primeiro dia da semana”, Erdman escreveu: “O primeiro dia da semana” já era reconhecido no tempo de Paulo como o dia do Senhor, dia da ressurreição. É um dia conveniente para atos regulares, como este, de culto cristão — contribuir para o sustento da obra do Senhor.[4]

É preciso começar a dar regularmente, utilizando os recursos que temos hoje (II Co 8.7,11; 9.6-9). John MacArthur, escreveu: “Um dos elementos do culto é dar ofertas a Deus em resposta agradecida por suas inúmeras bênçãos. Vamos à igreja para o culto porque Deus quer se encontrar e falar conosco a partir de sua Palavra. Cantamos seus louvores, confessamos nossos pecados, expressamos ações de graças por orações respondidas e apresentamos nossos pedidos. Demonstramos a ele nosso amor não só fazendo a sua vontade, mas também oferecendo nossas ofertas”. [5]

3.3 - Dar proporcionalmente (16.2) - A terceira orientação para a contribuição bíblica é que ela deve ser proporcional. Os que ganham mais devem dar mais. Os judeus sabiam que tinham de dar o dízimo, pois isto era praticado já antes de Moisés, sendo que Abraão deu o dízimo de tudo a Melquisedeque (Gn 14.20). 

Se 10% era a orientação básica para os judeus, deveria ser o mínimo para os cristãos. "Eu sou adepto do dízimo gradual", afirma o Dr. C. P. Wagner. Quando nosso ganho aumenta, nossa percentagem de contribuição deveria aumentar também. 

3.4 - Colher os benefícios pessoais da contribuição - Este ponto está embasado em II Coríntios 9. Será que os cristãos podem dar na intenção de também receber? É claro que não. Os cristãos dão porque isto agrada a Deus e o glorifica, e porque beneficia os outros. Entretanto, Paulo diz que os que plantam pouco, colhem pouco e os que plantam muito, colhem muito (II Co 9.6, Lc 6.38; Pv 3.9-10) 

3.5 - O dinheiro deve ser administrado com transparência (16.3-4) - Paulo envia com cartas o dinheiro levantado à Judéia. Paulo tinha um comitê financeiro responsável para conduzir essa oferta levantada à igreja de Jerusalém (2 Co 8.16-24). Muitos obreiros perdem a credibilidade do seu testemunho pela falta de transparência em lidar com o dinheiro.


Para concluir:

Pedir dinheiro de uma forma ética, bíblica, e correta, para motivos corretos é tão moral quanto você cuidar de sua família. Fazer doações para causas cristãs é uma obrigação cristã como ir à igreja, orar ou ser fiel à esposa. Pastores que ficam sem jeito, com medo, com muita preocupação de pedir dinheiro à igreja, ou falar de dinheiro à igreja para causas justas, não agem em consonância com a Bíblia. Jesus diz: “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20.35).[6]

Uma igreja que tem recursos financeiros tem também responsabilidade de ajudar os pobres.

____________________
[1] LOPES, Hernandes Dias Lopes, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008.
[2] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado – Vol. IV, I Coríntios a Efésios. São Paulo: Editora Candeia, 1995
[3] WAGNER, C. Peter. Se Não Tiver Amor. Curitiba: Luz e Vida, 1982.
[4] ERDMAN, Charles R. Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1957.
[5] MACARTHUR, John. I Coríntios - Estudos bíblicos de John MacArthur. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
[6] LOPES, Hernandes Dias Lopes, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008.