terça-feira, 29 de setembro de 2015

ESTUDO Nº 13 - A ORDEM E DECÊNCIA NO CULTO (1 Coríntios 14.26-40)


INTRODUÇÃO

O culto cristão é um dos mais agradáveis e significativos momentos da vida da igreja. A adoração comunitária é de vital importância para a igreja é a sua alma ou seu pulmão. A música e o louvor, as orações de gratidão e súplica, a leitura e a exposição da Palavra, as ofertas e apelos, a ministração do Batismo e a celebração de Ceia, enfim, tudo o que acontece na reunião pública da igreja é determinante para todos os seus demais atos. 

O termo “culto” tanto no Antigo (’ābad) quanto em o Novo Testamento (latreuō), significa “servir”, “serviço”, referindo-se ao “serviço sagrado oferecido a uma divindade” (Êx 20.5; Mt 3.10).

O culto de adoração a Deus é a mais sacra reunião da igreja, em gratidão ao Senhor por todas as bênçãos salvíficas (Sl 116.12,13). A pessoa principal do culto não é o pregador, o cantor, os conjuntos, os obreiros, mas o Senhor Jesus Cristo. A Ele toda glória! (Ap 15.3,4). Portanto, devemos prestar nosso culto a Deus com ordem e decência (1 Co 14.40). Evitando o formalismo do ritual, da liturgia seca e mecânica que impede a ação do Espírito, mas também, fugir da irracionalidade e do descomedimento, que escandaliza e impede a edificação coletiva (1 Co 14.26-40).

Por trás de muitas manifestações cúlticas (derivado de culto), pode haver problemas vários que vão desde motivações erradas até a carnalidade. Muitas igrejas sofrem uma crise litúrgica devido ao menosprezo a questões que merecem um tratamento adequado. Em Corinto, os problemas exigiram uma postura corretiva através do apóstolo Paulo. 

Vamos abrir os corações e mentes e examinar as instruções do apóstolo e aprender a cultuar ao Senhor com decência e ordem.

Conforme já observamos, os capítulos 12 a 14 foram escritos por Paulo para responder as perguntas feitas pelos coríntios sobre a atividade dos “espirituais” nos cultos. Além das perguntas dos coríntios, Paulo deve ter tomado conhecimento, pelos enviados de Cloe, de irregularidades relacionadas com a participação dos “espirituais” nos cultos (1.11)

Uma das perguntas feitas pelos coríntios, provavelmente, havia sido “como reconhecer a participação de alguém no culto que está sendo verdadeiramente movido pelo Espírito Santo?” Segundo Hobbs, o que havia nos cultos em Corinto era: “individualismo estrelismo, confusão no uso dos dons, ênfase nas experiências pessoais e a falta de discernimento entre o sacro, o humano e o diabólico”.[1]

O apóstolo Paulo observa a desordem e o desentendimento dos irmãos e sugere algumas posturas disciplinares que pretendiam corrigir e orientar os crentes em um culto que agrada a Deus. Então, constata-se a existência de uma rica e participativa liturgia (um tem salmo...) Porém, cada um agia por si só, ao seu bel prazer, buscando o seu próprio interesse, perdendo completamente a noção da verdadeira adoração.

Segundo o apóstolo, o culto da igreja deve ser celebrado com “decência e ordem”. Isto é indispensável à igreja em todas as épocas. O princípio defendido pelo apóstolo pode nortear todos os nossos atos e aperfeiçoar a adoração comunitária da igreja. O desconhecimento dos princípios básicos relacionados com a obra do Espírito na comunidade e no culto estava na raiz dos problemas litúrgicos da comunidade.

A partir do texto, podemos concluir que:


I. ORDEM NO CULTO: DECÊNCIA E PROPRIEDADE.

A palavra decência significa: Qualidade de decente, decoro, dignidade, honestidade, adequado, que tem modos. Cremos que Deus é Santo e sendo Santo não compactua com coisas erradas e com o pecado. O culto para Deus deve ser feito com muita reverência e ordem, pois Deus não é Deus de confusão senão de paz (I Co 14. 33).

a) Um culto que glorifica o Senhor Jesus - O Espírito Santo, atuando na igreja por meio dos dons espirituais, sempre exalta a pessoa de Cristo. Em palavras simples, Cristo é o centro do culto prestado a Deus em Espírito e verdade., I Co 12.1-3.

O Espírito Santo falando por meio dos crentes, por meio dos dons espirituais, sempre exalta a Cristo como Senhor, sempre guia os crentes à Cristo, a reconhecer a sua glória! Paulo não está dizendo nenhuma novidade, o próprio Senhor Jesus já havia estabelecido este ponto, Jo 16.13-15. O culto é voltado para Deus. É teocêntrico - e nisso, cristocêntrico, não antropocêntrico. Nem mesmo manifestações espirituais extraordinárias como curas, milagres e línguas, devem ocupar o lugar de Cristo no culto. “se alguém ou algum movimento, de alguma forma, diminui a pessoa de Cristo, se de alguma forma subtrai a glória de Cristo, se de alguma forma Cristo é colocado nos bastidores, a inspiração por detrás dessa pessoa, movimento ou manifestação não é do Espírito Santo”[2]

Na expressão do comentarista David Prior, “Quando o Espírito está realmente no controle, Ele produz paz, não confusão. Este é o maior desafio para que a congregação siga em frente, descobrindo e usando todos os dons do Espírito”.[3] 


b) A forma do culto provém do próprio Deus - O culto é a resposta do homem a Deus, com fé e gratidão. Isto indica que é Deus quem dá o primeiro passo na forma como ele deve e quer ser adorado (Êx 29.38-46). Devemos ter sempre diante de nós a convicção e o propósito de que o culto é oferecido a Deus. O próprio Deus estabelece os métodos de adoração em sua Palavra – A Arca: Ex 37.1-5; Nm 7.9, 2 Sm 6.3-6; 1 Cr 15.13-15). Pode parecer estranho o que estamos dizendo, visto que podemos simplesmente pensar que o culto que prestamos é obviamente dirigido a Deus. No entanto, no verso 14 do salmo 50, o escritor enfatiza: “Oferece a Deus sacrifício de ações de graça”.
[1] SCHWERTLEY, Brian. O Princípio Regulador do Culto [4]



II. ORDEM NO CULTO: ORDEM E CONTROLE DOS EXCESSOS

Pelo texto, observa-se que em Corinto cada membro da igreja oferecia a sua contribuição, participando ativamente do culto: “um tem salmo, outro doutrina, este traz revelação, aquele outro língua, e ainda outro interpretação" (v.26). O apóstolo não condena a disposição e envolvimento de todos no culto. Porem, isto requer ordem, harmonia e entendimento. É como se Paulo tivesse dizendo que o culto tem que ter ordem, seqüência lógica e entendimento. O culto precisa ter ordem e não formalismo. O apóstolo da algumas orientações que beneficiam a coletividade. Para o bem-estar e crescimento de todos, ele recomenda:

1. No caso de haver línguas
a) Apenas dois, no máximo três, poderíam falar. Determinando que apenas dois falem por vez, Paulo está resumindo o número total de participações no culto a dois.
b) Cada um por sua vez. Literalmente, “por partes” (ana meros), isto é, numa seqüência, um após o outro (cf. Vulgata, “et per partes”).
c) Tinha de haver intérprete. Tudo que fosse falado em línguas no culto tinha de ser interpretado.
d) Caso não houvesse intérprete, deveria ficar calado na igreja. A construção da frase no grego deixa implícito que nem sempre havería um intérprete presente.

Leon Morris escreveu: “Isto nos mostra que não devemos pensar que falar “línguas” é resultado de um irresistível impulso do Espírito, empurrando o homem, quer este o queira quer não, a um linguajar extático. Se ele quiser, poderá ficar calado, e isto Paulo o instrui a fazer quando for oportuno”.[5]

2. Quantos aos profetas
a) Apenas dois ou três deveríam falar (14.29ª) - Como no caso das línguas, Paulo estabelece o número máximo de profetas em três. Nem todos os cristãos eram profetas (12.29). E mesmo que os profetas tenham sido colocados por Deus na Igreja (12.28), isso não significava que todos poderíam falar como e quando quisessem.
b) A profecia deveria ser julgada. Embora não se devesse desprezar as profecias (1 Ts 5.20), era necessário julgar se provinham do Espírito de Deus.
c) Em caso de revelação dada a outro, o profeta que falava deveria calar-se (14.30).
d) Os profetas deveríam falar cada um por sua vez. A semelhança das línguas, a profecia deveria ser dada uma por uma, isto é, que os profetas falassem um após o outro.
e) “Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas'” (14.32). Leon Morris escreveu: “Exatamente como os que falavam com “línguas” tinham a capacidade de ficar em silêncio quando queriam, assim com a profecia. Esta não é uma compulsão irresistível sobrevinda a um homem. A profecia é um meio de iluminação divina, mas o profeta pode manter silêncio”. [6]

3. A participação das mulheres

Paulo passa em seguida a regular a participação das mulheres (I Co 14.33b-35). Ele já havia determinado que as profetizas participassem do culto cobrindo a cabeça com o véu. Agora, ele impõe uma restrição à fala das mulheres no culto. No meu entender, a interpretação que traz menos problemas é a que defende que Paulo tem em mente um tipo de “fala” pelas mulheres nas igrejas que implique uma posição de autoridade. Elas podiam falar nos cultos, mas não de forma que parecessem insubmissas (ver v. 34b).[7]

Sobre este assunto, concordo plenamente com Barclay quando escreve: “Com toda a probabilidade, o que ocupava mais que tudo a sua mente era o lasso estado moral de Corinto, e a convicção de que não se deveria fazer nada que trouxesse à novel igreja a mais leve suspeita de despudor. Certamente seria errôneo tirar estas palavras de Paulo do contexto para o qual foram escritas”.[8]

Infelizmente temos visto um falso espiritualismo que já penetrou em muitas igrejas, vemos pessoas rodopiando, caindo no chão e até rolando dizendo-se cheias do Espírito Santo, outras se retorcendo, crentes recebendo “o anjo Miguel, anjos de guerra, anjos de todos os tipos”. A distorção do culto bíblico chegou a tal nível que criam movimentos para dar evasão a carnalidade exebicionista. O Pastor Manoel Gonçalves disse: “Eu sou Pentecostal há mais de 36 anos, nunca vi nos tempos da minha conversão pessoas dançando, pulando, caindo no chão e fazendo coisas horríveis como os crentes de agora!” [9]

Quando lemos Atos 2 não vemos eles rodopiando, pulando, rolando no chão, mas estavam todos assentados (At 2.2b).


III. ORDEM NO CULTO: PROMOVE A EDIFICAÇÃO

Hernandes Dias Lopes, escreveu: “O culto tem três aspectos: Deus é adorado, o povo de Deus é edificado e os incrédulos são convencidos de seus pecados. Se formos à igreja para adorar com o propósito de demonstrarmos a nossa espiritualidade, estaremos laborando em erro. O culto é para a edificação e não para exibição. Mas a igreja de Corinto estava transformando o culto num palco de exibição em vez de um canal para edificação”.[10]

O culto deve ser voltado para a edificação da coletividade e a instrução do povo de Deus na Palavra deve receber a prioridade. 

Na parte final do texto, o apóstolo faz um comentário interessante a respeito da verdadeira espiritualidade. Ele reivindica a sua autoridade apostólica esperando a total submissão dos seus leitores: “Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo” (v.37). 

A disposição de aprender a servir à Causa deve estar em primeiro lugar. Muita gente tem dificuldade em entrar no Templo para ouvir as instruções do Senhor. Alguns se consideram dispensados de aprender alguma coisa, por se julgarem muito capacitados e preparados. Na igreja, há até os que se julgam os únicos certos do grupo. Para o apóstolo esta reivindicação (ainda que seja somente interior) é sinal de insubmissão e carnalidade. Deus merece o melhor de todos nós! No culto devemos demonstrar isso, pois “tudo deve ser feito de maneira tão decente quanto possível, e com a devida consideração pela ordem. A falta de decoro e a inovação indevida são igualmente desencorajadas".[11] 

Participemos, pois, intensivamente dos cultos, não esquecendo a recomendação de Paulo: Tudo, porem, seja feito com decência e ordem ”(v.40).

____________________
[1] HOBBS, Herschel h. The Epistles to the Corinthians. Michigan: Baker Book House, 1960.
[2] LOPES, Augustus Nicodemus. O culto espiritual: um estudo em 1 Coríntios sobre questões atuais e diretrizes bíblicas para o culto cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
[3] PRIOR, David. A Mensagem de 1 Coríntios: A vida na igreja local. São Paulo: ABU Editora, 2001.
[4] SCHWERTLEY, Brian. O Princípio Regulador do Culto. Disponível in: Acesso 10 mai 2015.
[5] MORRIS, Leon. I Coríntios - Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica, volume 7. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1989.
[6] MORRIS, Leon. I Coríntios - Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica, volume 7. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1989.
[7] LOPES, Augustus Nicodemus. O culto espiritual: um estudo em 1 Coríntios sobre questões atuais e diretrizes bíblicas para o culto cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
[8] BARCLAY, William, Comentário Bíblico do Novo Testamento. Versão em português, domínio publico.
[9] GONÇALVES, Manoel. Culto Estranho. Disponível em:
[10] LOPES, Hernandes Dias, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008.
[11] MORRIS, Leon. I Coríntios - Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica, volume 7. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1989.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

ESTUDO Nº 12 - PROFECIA: DOM OU MINISTÉRIO (1 Coríntios 14)


(Ministrado na Igreja Evangélica Congregacional em 
Salgado de São Félix - PB)


INTRODUÇÃO

Discorrer sobre o dom de profecia na igreja cristã, é um assunto que envolve dificuldades de interpretação, tendo em vista alguns aspectos que parecem não estar bem claros, no texto neotestamentário. Quando se estuda a missão dos profetas, no Antigo Testamento, normalmente, não há grandes questionamentos. Mas, no âmbito do Novo Testamento, persistem algumas indagações. Há dúvidas acerca da correlação entre o dom de “profecia” e o ministério profético. 

Antes de começarmos entendamos três coisas importantes:

1. Deus não muda nunca, Hb 13.8. - Muitos aplicam esse texto para dizer que se Deus agiu ontem de uma forma, ele continuará agindo da mesma forma hoje. Em certo aspecto está certo. Mas, não é isso que o texto está ensinando. Este versículo é similar a Ml 3.6. Este texto trata-se da fidelidade pactual de Deus, porque Ele não varia em seus juramentos e nunca irão perecer aos que ele fez a promessa (caráter e conduta de Deus e não do seu modo de agir).

2. O modelo de ministério profético do Antigo Testamento cessou. - João Batista foi o último profeta do Velho Testamento (Lc 16.16; Hb 1.1-2). Os estudiosos destacam algumas razões pelas quais João Batista é considerado o maior e o último profeta do Antigo Pacto: [1] 
a) Por ter o privilégio de ver o cabal cumprimento das profecias do Antigo Testamento em relação à vinda do Messias; 
b) Por ter sido, ele mesmo, o precursor do Messias, e ser testemunha do Seu ministério; 
c) Por ter batizado o Senhor Jesus nas águas, assumindo a posição de participante do ministério da justiça do Messias; e 
d) Por ter testemunhado o ápice do ministério profético, fechando o ciclo dos profetas do Antigo Pacto (Lc. 16.16). 

3. O dom profético concedido pelo Espírito Santo é superior. - O dom concedido a igreja soberanamente pelo Espírito como lhe apraz, e é bem melhor mais eficaz do que anteriormente, I Ts 5.19-21.


I. PROFETA – SUAS CARACTERÍSTICAS E ATRIBUIÇÕES

1. O profeta no Antigo Testamento - Em momentos cruciais, quando as adversidades ameaçavam a comunidade cristã, homens de Deus eram levantados para transmitir a mensagem de orientação, necessária para sua estabilidade, Dt 18.18; Jr 1.9; Ez 2.7 [2]

O profeta do Antigo Testamento era um homem que, além de transmitir a mensagem de Deus, tinha outras atribuições de ordem nacional. Na unção dos reis, eram os profetas que tinham a incumbência de derramar o azeite santo da unção sobre a cabeça dos governantes (1 Sm 16.1; 1 Rs 19.16). [3]

No Antigo Testamento, o ofício do profeta era de âmbito nacional. Quando Deus levantava um profeta, conferia-lhe a missão de falar em seu Nome para toda a nação e até para povos estranhos.

2. O Profeta do Novo Testamento - O profeta de hoje não tem a missão de ungir reis ou profetas em seu lugar, mas tem a grave responsabilidade de transmitir a mensagem de Deus, nos momentos necessários, no tempo certo, para pessoas ou para a comunidade cristã. 

Os profetas do NT não eram fonte de novas verdades doutrinárias a serem absorvidas pela Igreja e sim expositores da verdade já revelada por Jesus e pelos apóstolos. Eram dotados do dom sobrenatural de conhecer, e com a liberdade de revelar, os “segredos do coração humano”, 1 Co 14.24-25. 

No Novo Testamento, o profeta tem função essencialmente voltada para o âmbito da igreja local. Mas, de modo geral, o profeta da igreja cristã atende à necessidade de edificação, exortação e consolação dos crentes (1 Co 14.3).

Os profetas do Novo Testamento não eram pessoas procuradas por irmãos ou grupos de irmãos, com a finalidade de buscarem orientações pessoais, como ocorre, infelizmente, em alguns lugares, nos dias presentes. 


II. PROFECIA – SUA NATUREZA

1. Significados etimológicos

a) No Antigo Testamento - o termo profecia no Antigo Testamento vem de um verbo hebraico (naba) que significa basicamente anunciar, declarar. Daí, profetizar é “anunciar a mensagem de Deus”. No Antigo Testamento, encontramos dois tipos de profecias: a proclamativa e a preditiva.[4]

O conteúdo da profecia proclamativa pode ser mensagens de exortação, admoestação, ânimo, estímulo, encorajamento, aprovação, promessa, ameaças, aviso, advertência, reprovação, censura, sentença, correção, castigo, julgamento, consolo e conforto.

A profecia preditiva, por sua vez, pode ser literal ou tipológica. A profecia preditiva pode concernir a casos isolados (pessoa, cidade, nação etc) ou pode ser apocalíptica (futurista), podendo ser constituída de casos isolados ou encadeados em conjunto. Quando a profecia preditiva é tipológica, ela utiliza muito tipos, símbolos, figuras e alegorias.

b) No Novo Testamento - Segundo a etimologia da palavra ‘profeta’, o prefixo pro significa em lugar de e phemi (vem do grego) significa falar. Um profeta, então, é alguém que fala em lugar de outra pessoa. Embora toda predição seja uma profecia, nem toda profecia é uma predição. [5]

a) A profecia pode referir-se ao passado (uma palavra inspirada em retrospecto) 
b) A profecia pode referir-se ao presente, assim como ao futuro (uma palavra inspirada em antecipação). 
c) Profecia no sentido de predição é uma declaração do futuro de um modo que seria impossível à sabedoria comum do homem e que só pode vir por inspiração direta de Deus.

2. Significados Bíblicos e teológicos - No Novo Testamento temos a revelação máxima de Deus – Jesus e a revelação máxima da Palavra de Deus, A Bíblia (Hb1.1-2). Desta forma o profeta do Novo testamento não pode mais dizer. Assim diz o Senhor! Afinal se Deus falou é só para obedecer e não questionar.

A profecia fornece um tríplice ministério para a igreja (1 Co 14:3). [6]
– Oikidome, ou edificação, é uma combinação de duas palavras gregas: Oikos (casa), e dome (uma forma da palavra grega que significa construir). Portanto a primeira parte deste tríplice ministério é ajudar a edificar a casa do Senhor (a igreja). O uso desta palavra indica que a profecia contribui para o crescimento espiritual.
- Parakleesis, traduzida por exortação, significa chamar para perto. Seu uso aqui tem o sentido de discurso persuasivo, um pronunciamento comovente, uma palestra instrutiva, admoestadora, consoladora, ou poderosa. A exortação estimula os crentes a atingirem as alturas do tema profético. 
- Paramuthia, traduzida por consolação, significa falar bondosamente ou de forma suave a alguém. A profecia deve ter nela um elemento que procurava suavizar e pacificar, falando de forma persuasiva e com ternura. [7]


III. PROFECIA – O EXERCICIO DO DOM

1. A profecia confirma a Palavra de Deus. Tem como característica principal – “Não falar nada além do que está escrito”, I Co 4.6. [8]

a) O dom de profecia é expor a verdade revelada de Deus conforme está registrada nas Sagradas Escrituras (Gl 1.8-9), O dom de profecia é segundo a proporção da fé E esta fé é o conteúdo das Escrituras – Rm 12:6; 1 Pe 4:1011.

b) A característica do Velho Testamento era de a Bíblia não estar completa, sendo assim Deus ia acrescendo conforme a palavra dos profetas, porém no Novo testamento, nos dias atuais, a Palavra de Deus está completa, Ap 22.18; Gl 1.8; II Tm 3.16-17.

c) O espírito de Profecia é o testemunho de Cristo, Ap 19.10. 

2. A profecia convence os indoutos (os incrédulos ou não instruídos), 1 Co 14.24-25. Os indoutos são aqueles que desconhecem a verdade, o ensinamento ou a adoração. Através da operação da profecia o indouto: [9]
a) Será convencido por todos.
b) Será julgado por todos.
c) Terá os segredos do coração manifestos.
d) Prostar-se-á diante de Deus e entregar-se-á em humildade.
e) Adorará a Deus.
f) Reconhecerá que Deus está de fato no meio de vós.

O efeito da palavra profética é revelar ao homem o seu estado. Todo o seu interior é sondado e exposto. Aquilo que ele escondia no coração, vê reprovado e julgado e ele só podem atribuir isto à atividade de Deus. Reconhece Deus agindo na igreja.[10]

3. Profecia não é para direção pessoal, 1 Co 14.3. Não há nenhuma razão para crer que a característica destacada da profecia é procurar dirigir o futuro pessoal de alguém, se nos basearmos neste versículo. Não é conveniente, então, que você procure uma outra pessoa para lhe dar direção pessoal através dos dons do Espírito. Peça a Deus e ele dará sabedoria a você (Tg 1:5); depois, use seu próprio juízo santificado e seu conhecimento da Palavra de Deus.

4. A profecia está submetido ao crivo de julgamento. - O ministério profético não está isento de erros, por isso, a igreja também deva estar atenta aos falsos mestres, que conduzem muitos ao engano (I Jo. 4.1). A profecia e o profeta têm de ser julgada por outros e não acatada sem restrição como antes, I Co 14.29; II Ts 5.21

Às vezes o dom discernimento de espíritos (I co 12.10) entra em funcionamento nesta hora. Há três possíveis fontes de inspiração de uma profecia: [11]
a) O Espírito Santo.
b) Os espíritos maus, enganadores. A Bíblia nos fala através das quais espíritos de adivinhação se manifestam, Is 8.19-20. Paulo nos chama atenção sobre a sedução que falsos profetas exercem na igreja, 2 Co 11.13-15.
c) O espírito humano. Uma pessoa pode profetizar do seu próprio coração ou deixar suas próprias idéias, pensamentos pessoais, ou opiniões influenciarem suas mensagens proféticas, Jr 14.14; 23.16; Ez 13.2-3. 

A manifestação espiritual de discernimento de espíritos nos capacitará a julgar a fonte das mensagens proféticas.

5. O dom de profecia não é extático – I Co 14.29,31-33 [12] - A concepção pagã da profecia era de uma condição absolutamente passiva no profeta, de modo que, quanto mais inconsciente se mostrava, mais apto estava para receber a mensagem divina, I Rs 18:26 à 28. 

Quando se analisa os escritos proféticos bíblicos observa-se a total impossibilidade de se produzir tais conteúdos em estado de mero êxtase. São escritos com grande escolha de palavras e frases, revelando a vida anterior dos profetas, os seus interesses e ocupações, e apresentando em vários graus a cultura e as circunstâncias do tempo em que cada profecia foi revelada. 

6. O dom de profecia é para todos, I Co 14.1-5 - Nesse trecho das Escrituras, Paulo nos manda procurar com zelo os dons espirituais, mas especialmente que profetizemos. Isso não significa que não devemos desejar os demais dons, mas que devemos colocar esse dom em primeiro lugar. No fim desse capítulo, Paulo repetiu: “Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar”. Dessa maneira, Paulo, escrevendo pela inspiração do Espírito Santo, enfatizou a importância da profecia.


CONCLUSÃO

O dom ministerial e dom espiritual de profecia são imprescindíveis à saúde da Igreja, o Corpo de Cristo. Nesses dias difíceis, a igreja precisa de líderes com o dom ministerial de profecias a fim de denunciar os enganos do mundo e a frieza espiritual da igreja com base na Palavra de Deus. No seio da igreja, também carecemos da manifestação do dom espiritual de profecia a fim de que sejamos edificados, exortados e consolados pela mensagem que provém do Senhor. Busquemos, pois, o dom ministerial e o espiritual de profecia, mas sem esquecer que existe um caminho sobremodo excelente, o do amor cristão (I Co. 12.31).

___________________________
[1] BRUCE, F. F. João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2007.
[2] SCHULTZ, Samuel J. A história de Israel no Antigo Testamento. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1984.
[3] MERRIL. Eugene, História de Israel no Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. p.85
[4] DOUGLAS, J. D. (org.). O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo,SP: Vida Nova, 1995.
[5] BAXTER, Sidlow. Examinai as Escrituras. Vol. 5. Rio de Janeiro: Ed. Vida Nova
[6] BROWN, Colin & COENEN Lothar. (orgs.); trad. Gordon Chown. 2a ed. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. (2 vol) São Paulo: Vida Nova, 2000.
[7] ORR, Guilherme w.. 27 Chaves para o novo testamento. 2. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1976.
[8] KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: 1 Coríntios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 570.
[9] CALVINO, João. 1 Coríntios. 2 ed. São Bernardo do Campo: Edições Parakletos, 2003.
[10] LAHAYE, T., HINDSON, E. Enciclopédia popular de profecia bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
[11] GEISLER, Norman, Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Editora Vida, 2002).
[12] GORDON D. Fee e Douglas Stuart. Entendes o que Lês? Edições Vida Nova, 2000


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ESTUDO Nº 11 - VARIEDADES DE LÍNGUA: DOM OU EVIDÊNCIA? (1 Coríntios 14)



INTRODUÇÃO

Creio que não seria exagero afirmar que um dos assuntos onde há maior confusão, hoje, é a questão do batismo com o Espírito Santo e o dom de línguas. Não porque a Escritura não seja clara no seu ensino com respeito ao assunto, mas sim porque a experiência, e não a Palavra de Deus, tem ditado a forma de se compreender essa doutrina tão importante.

O pentecostalismo se fundamenta em alguns pontos essenciais básicos, tais como: (1) a identificação do mover do Espírito Santo de Deus; (2) a aceitação de uma categoria de crentes especialmente agraciada pela graça divina; e (3) a precedência da experiência sobre a revelação objetiva das Escrituras, para a formulação de doutrinas.[1]

O pentecostalismo ensina que há duas classes de cristãos: os batizados e os não batizados no Espírito Santo. Os primeiros são poderosos, espirituais e capacitados para a obra do Senhor, os últimos são “meros” crentes. Mas será que é isso que a Bíblia ensina? Há esse tipo de divisão dentro do Corpo de Cristo? 


I. O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO E O DOM DE LÍNGUAS

1. Batismo com o Espírito Santo - O pentecostalismo clássico ensina que: “O batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder, com a evidência física inicial das línguas estranhas para o ingresso do crente numa vida de profunda adoração e eficiente serviço a Deus (Lc 24.49; At 1.8; 10.46; l Co 14.15,26). Nesse sentido, todos os salvos são batizados pelo Espírito Santo, mas nem todos são batizados com o Espírito Santo.” [2]

William Seymour, considerado dentro do movimento pentecostal, o pai do pentecostalismo abaixo de Deus, escreveu: "Há uma grande diferença entre a pessoa santificada e a que é batizada com o Espírito Santo e com fogo. O santificado é limpo de seus pecados e cheio do amor divino, mas o batizado no Espírito Santo tem poder de Deus em sua alma, poder com Deus e com os homens e poder sobre todos os demônios de Satanás e todos os seus emissários"[3] 

Fica claro nas presentes definições, que o batismo com (no) Espírito Santo é entendido como um acontecimento distinto da regeneração do Espírito (At 2.14; 8.1217; 19.17).

1.1. Argumentação Bíblico-teológica - A idéia que os cristãos precisam ser batizados com o Espírito Santo em algum momento após sua conversão a Cristo é equivocada. Todos os crentes já foram batizados com o Espírito Santo. Na verdade, você não pode ser um cristão, a menos que tenha o Espírito, Jo 7.39; Rm 8.9-10.

João profetiza um evento futuro, apontando um tempo quando o Messias batizaria (tempo futuro) com o Espírito Santo, Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33.

O Senhor Jesus fez esta profecia precisamente antes de Sua ascensão aos céus. O contexto do cumprimento profético encontra-se no Dia de Pentecoste, quando Ele derramou o Seu Espírito Santo sobre os discípulos no Cenáculo (Atos 2). 

É tanto que o Apóstolo Pedro falou, enfatiza que, o batismo com o Espírito Santo é (At 11.16-18):
a) Um cumprimento profético, v. 16.
b) Dom do Espírito Santo que cremos quando recebemos o Senhor Jesus (conversão), v. 17.
c) Um dom que é dado a quem recebe da parte de Deus o arrependimento para a vida, v. 18.

O problema consiste na preposição grega “en” (no ou com). Cristãos pentecostais e carismáticos geralmente falam de "batismo no Espírito" em vez de "batismo com o Espírito". A preposição grega en pode ser traduzida das duas maneiras. A expressão que escolhemos depende da nossa convicção. Contudo, para ser acurado (como alguém sempre dever ser ao interpretar a Bíblia), a expressão comum “Batismo DO Espírito Santo” nunca é usada na Bíblia.

Uma prova de que este dom do Espírito Santo (At 10.45), não é uma segunda benção, e sim, a primeira de uma série, é entendermos que o batismo é um ritual de iniciação. “todo batismo tem quatro partes, teologicamente falando. É isto o que verificamos na Bíblia. Em primeiro lugar, o batismo tem que ter um batizador, um batizando e o elemento com que batizar. Tem que ter também propósito ou finalidade; ou seja, um princípio teológico que o determine”. [4]

O Novo Testamento apresenta quatro batismos diferentes.

Ref. Bíblica
Batizador
Batizando
Elemento
1 Co 10.1-2
Deus
Povo de Israel
Água da nuvem
Mc 1.5
João
Jerusalem e Judeía
Água do Rio Jordão
At 8.36-38
Felipe
Eunuco
Agua de rio em Gaza
João 1.33
Jesus
Novo Convertido
(no/com) Espírito Santo

Pois bem. O batismo com o Espírito Santo é a sua inserção no corpo de Cristo (12.13). Todo aquele que foi regenerado, também foi batizado pelo Espírito no corpo de Cristo. Não é o falar em línguas que evidencia essa ligação no corpo, mas a conversão.[5]

2. A evidência do dom de línguas. - O batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder, com a evidência física inicial das línguas estranhas para o ingresso do crente numa vida de profunda adoração e eficiente serviço a Deus (Lc 24.49; At 1.8; 10.46; l Co 14.15,26)[6]

Todos os conceitos emitidos pelos escritores pentecostais é que a evidência do batismo com o Espírito santo é o falar em “línguas estranhas” (Arrington, Stronstad, Pearlman, Andrade, Gilberto, Tognini, Deere, Palma, Gee, etc).

2.1 Um atentado a unidade do Corpo de Cristo - Já se fez referência em estudos anteriores que os problemas que a igreja de Corinto estava experimentando quanto ao exercício de dons e ministérios. Um destes problemas era o orgulho: alguns se consideravam melhores que os outros por possuírem dons espetaculares.

Atualmente se um crente que não fala em outras línguas não é uma pessoa espiritual, mas um crente de segunda categoria. Essa posição não tem amparo bíblico. É um equívoco. Todos os salvos são batizados pelo Espírito no corpo de Cristo (12.13), mas nem todos os crentes têm o dom de variedade de línguas (12.30). 

Augustus Nicodemus, escreveu: “Os que insistem que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência distinta da bênção da conversão, uma obra especial da graça desfrutada por alguns e não por todos os crentes, deixam de perceber que o que dá unidade ao corpo de Cristo é exatamente o fato de que todos os crentes genuínos foram batizados pelo mesmo Espírito”. [7]

2.2. As línguas faladas no Novo Testamento eram idiomas estrangeiros

a) O termo línguas (Gr. glossa, plural glossais), é usado de três formas: Idiomas humanos existentes; a linguagem de um grupo étnico separado por idioma ou termo descritivo indicando uma figura de linguagem.[8]

b) Quando os apóstolos foram cheios com o Espírito Santo, eles se tornaram os porta vozes do Espírito falando em línguas estrangeiras (At 2.4). Lucas enfatiza o fato que os apóstolos estavam falando idiomas humanos reais e conhecidos (At 2.5-8) e as línguas foram imediatamente entendidas (At 2.6,11). 

c) Em I Co 14, Paulo descreve o uso de línguas na adoração pública porque em Corinto os crentes estavam abusando desse dom. Eles estavam falando em línguas ao mesmo tempo (14.23) e estavam falando em línguas sem terem as línguas interpretadas (14.13)

A palavra interpretar (hermencuo), é usada de duas formas: 
- Interpretar: quando usada para traduzir o que foi falado ou escrito num idioma estrangeiro para o vernáculo
- Expor: quando usado para exposição das Santas Escrituras.

Paulo mesmo nos mostra de que o que eles estavam falando eram idiomas humanos, pelo próprio contexto do texto, I Co 14.10.

Outro argumento forte é quando o apóstolo Paulo usa a própria lei para dizer que o que eles falavam eram idiomas humanos, I Co 14.21. (Is 28.11).

2.3. Línguas Estranhas (Algaravia ou extáticas) - [...] um revestimento e derramamento de poder do Alto, com a evidência física inicial de línguas estranhas [...][9]

Altair Germano (Pentecostal) escreve: “Vale ressaltar, que o termo "estranha" e "outra", acrescentados à "língua" (glossa), que aparecem respectivamente nos textos de 1 Co 14.2, 4, 5, 6, 13, 14, 23, 27 (Almeida Revista e Corrigida, 1995 e Almeida Revista e Atualizada, 1993), não constam no texto grego do Novo Testamento, sendo acrescentados nestas versões para dar ênfase ao caráter distintivo dessas línguas”. [10]

Chiristenson, escreveu: “Sua [de Paulo] implicação não que eles estavam falando algaravia ou discursos estáticos (estranhas), mas em idiomas não conhecidos por nenhum daqueles que estavam adorando juntamente com eles”.[11] Na visão deste pastor pentecostal a manifestação do dom em Corinto eram essencialmente a mesmo do Dia de Pentecostes.

Porém, você precisa olhar a posição que esse dom ocupa na lista dos dons. Ele é o único dom que não é para a edificação do corpo, mas para a auto-edificação. Portanto, na lista dos dons, ele sempre vem em último lugar.


II. LINGUAS E O DOM DE VARIEDADE DE LÍNGUAS

No capítulo 14 o apóstolo Paulo vai tratar fundamentalmente sobre dois dons espirituais: variedade de línguas e profecia.

1. O ensino de Paulo sobre o dom de variedade de línguas.
a) Fala a Deus e não aos homens – v. 2
b) Não é entendido, pois fala em mistério – v. 2
c) Edifica a si mesmo e não à igreja – v. 4, 16-17
d) não se torna entendido, por isso não edifica – v. 5,11
e) Não entende o que fala – v. 13-15.


Observação importante: Paulo chama atenção o racionalismo no culto. O crente precisa está lúcido. Precisa usar a mente em cinco áreas:
a)    Na oração (v.15),
b)   Nos cânticos (v.15),
c)    Na ação de graças (v.1617),
d)   Na instrução (v.19)
e)    e no juízo (v.20).

f) A variedade de línguas não é para pregação – v. 18-19
g) Escandaliza os incrédulos – v. 23
h) O uso do dom no culto público precisa ser com ordem – v. 27-28
i) O dom de variedade de línguas não deve ser proibido – v. 39

2. Erros relacionados ao uso do dom de variedade de línguas
a) Dar mais valor a este dom do que aos outros, v. 5
b) Pensar que é prova de espiritualidade abundante – 1.7; 3.3; 13.1
c) Pensas que este dom é o selo e a evidência do batismo com o Espírito, 12.13
d) Pensar que todos os crentes devem ter este dom – 12:30
e) Falar todos ao mesmo tempo em culto público, v. 27
f) Falar em estado de êxtase – v. 32
g) Falar em público sem interpretação, v. 2,5,9,11,13,16,27,28,40.
h) Pensar que a oração em línguas é superior à oração no vernáculo, v. 13,15

3. Recomendações do apóstolo
a) Não proíbam que se falem em línguas – v. 39 .
b) Em culto público, falar em línguas só com interpretação – v. 27,28
c) Falar em línguas em particular tem o seu valor, v. 2,4,28

Línguas tem três procedências: dom do Espírito, 12.10; psiquê humana (extático), o diabo (1 Co 12:3).

Para Concluir

Todos nós temos de ser gratos a Deus pelo que ele tem feito no Brasil por meio do movimento pentecostal, que surgiu no início do século XX. Inegavelmente, por meio das igrejas pentecostais, o Evangelho se fez ouvir, de uma forma ou de outra, praticamente no Brasil todo, inclusive em lugares onde as igrejas históricas jamais conseguiram abrir trabalhos. Ao mesmo tempo, é de se lamentar as divisões eclesiásticas que têm acompanhado regularmente esse movimento, que agora já está tão ramificado e dividido, que é praticamente impossível para alguém estar atual
izado quanto ao número de igrejas pentecostais, carismáticas, neo-pentecostais, igrejas de libertação e outras afins, existentes pelo Brasil afora. Os pentecostais, neo-pentecostais e carismáticos têm sido incapazes de convencer a todos os evangélicos da total contemporaneidade dos dons e de continuar convivendo com os discordantes. Da mesma forma, os que têm uma posição mais restrita com relação aos dons espirituais têm se mostrado incapazes de explicar convincentemente todos os aspectos do fenômeno pentecostal e ainda conviver com os não-convencidos. E os que procuram se colocar numa posição intermediária, raramente acabam convencendo alguém dos dois extremos. [12]




[1] PORTELA, Solano. Pentecostalismo, Neopentecostalismo e o Trabalho do Espírito Santo In: Acessado em 20/04/2015.
[2] GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais: como obter e manter um genuíno avivamento
pentecostal nos dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
[3] BARTLEMAN, Frank. A história do Avivamento da Rua Azusa. Americana: Editora Sena, 2001. OBSERVAÇÃO: Por mais santa que seja esta definição, há termos que precisam ser entendidos. a) pessoas santificadas (Hb 12.14); e b) Tem poder de Deus em sua vida. O que dizer da missão dos Setentas? (Lc 10.17-20).
[4] FILHO, Caio Fábio de A. Espírito Santo: O Deus que habita em nós. São José dos Campos-SP. CLC Editora,1991.
[5] STOTT, John R. W. Batismo e plenitude do Espírito Santo. São Paulo: Vida Nova, 1966.
[6] GEE, Donald. Como receber o batismo no Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
[7] LOPES, Augustus Nicodemus. O culto espiritual: um estudo em 1 Coríntios sobre questões atuais e diretrizes bíblicas para o culto cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
[8] FRIBERG, Barbara & FRIBERG, Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico. Introdução e Apêndice traduzidos do inglês por Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Vida Nova, 1987.
[9] GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais: como obter e manter um genuíno avivamento
pentecostal nos dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
[10] GERMANO, Altair. O Batismo com (no) Espírito Santo perspectivas diversas sob um olhar pentecostal clássico. In; http://www.altairgermano.net/2010/12/o-batismo-com-no-espirito-santo.html Acessado  20/04/2015
[11] CHRISTENSON, Larry. Speaking in Tongues a gift for the Body oh Christ. Fontains Trust, 1907, p.12.
[12] LOPES, Augustus Nicodemus. O culto espiritual: um estudo em 1 Coríntios sobre questões atuais e diretrizes bíblicas para o culto cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.