terça-feira, 14 de julho de 2015

ESTUDO Nº 05 - LITÍGIO ENTRE IRMÃOS (1 Coríntios 6.1-11)


INTRODUÇÃO

Deus criou as pessoas esperando que elas vivam em paz e harmonia. A convivência fraterna faz parte do projeto de Deus para todos. Porém, surgem inúmeros problemas no relacionamento humano. Também entre os “crentes” não são poucas as demandas existentes, que ferem o propósito original de Deus. Quando isto acontece, o que fazer?

Ao invés de recorrer aos próprios irmãos e a comunidade cristã, muitos optam por buscar os recursos da lei comum, contratando advogados para defender uma causa contra outra pessoa. Será que os cristãos devem recorrer à justiça comum para tratar problemas de relacionamento? Como resolver essas e outras questões entre “irmãos”?

Quando o cristão ignora a ajuda da igreja na solução de demandas e contendas, e apela imediatamente para a justiça comum, está contrariando um princípio bíblico. Conforme a orientação de Paulo, a questão deve ser resolvida dentro da própria comunidade.

Em I Coríntios 6, o apóstolo Paulo reconhece a possibilidade de existir contendas entre os crentes. E também orienta aos fiéis quanto à maneira adequada de tratar os possíveis conflitos. Em geral, os coríntios eram muito arrogantes e competitivos, viviam muito preocupados em defender os seus direitos. Aliás, à semelhança de alguns membros de igreja, eles eram mais preocupados com os seus direitos do que com as suas responsabilidades.

Na cidade de Corinto, quando uma pessoa falhava com a outra, era imediatamente levada ao tribunal para ser julgada. Lamentavelmente, isto também acontecia com membros da igreja: procuravam a lei dos incrédulos para resolver os seus problemas de relacionamento. Os “crentes” imitavam o modelo comum de seu tempo, como comenta o prof. William Barclay: “os gregos se caracterizavam por ser um povo naturalmente litigioso. Os tribunais e processos eram de fato os seus divertimentos e passatempos principais... numa típica cidade grega todos os homens eram mais ou menos advogados e passavam grande parte do tempo decidindo casos legais ou se envolvendo com eles. Os gregos eram famosos ou notórios, pelo apego à lei”. [1]

O que acontecia em Corinto ainda ameaça os cristãos em todas as épocas. O cristão não deve permitir que práticas comuns do mundo estejam invadindo e impondo os seus métodos e formas. Entretanto, é preciso reconhecer a legitimidade e a necessidade dos tribunais (Rm 13:1-4; I Pe 2:13-14). Há questões que, inevitavelmente, precisam ser tratadas nesses tribunais, tendo em vista que a igreja não assume as prerrogativas e as funções do magistrado civil.Porém, na medida do possível, os cristãos devem procurar não depender desses tribunais. As suas questões devem ser resolvidas com amor, perdão, paciência e bom senso, enfim, de maneira cristã.

A partir de I Coríntios 6, podemos aprender por que o apóstolo Paulo repreendeu aos coríntios por levar os seus problemas à justiça comum. O apóstolo ensina que:


1. O LITÍGIO DEMONSTRA FRACASSO ESPIRITUAL

De início, o apóstolo Paulo ensina que recorrer a tribunais não cristãos para resolver os problemas de relacionamento entre cristãos é ignorar a capacitação conferida à comunidade do Senhor para julgar e restaurar os seus membros. É como assinar um atestado do fracasso e da incompetência da igreja. Problemas entre irmãos se resolvem no ambiente doméstico da comunidade. Como se diz na linguagem: “roupa suja se lava em casa”. 

Os cristãos receberam orientação do Senhor Jesus quanto ao tratamento das faltas de uns para com os outros (Mt 18:15-20), que envolve 4 fases, a saber:
a) Ação Individual – Se o teu irmão pecar, vai tu e ele só e tenta ganhar o teu irmão;
b) Ação grupal – Se ele não te ouvir, leva uma ou duas testemunhas, visando ganhar o teu irmão;
c) Ação Comunitária – Se ele não te ouvir, leva ao conhecimento da igreja;
d) Ação Cirúrgica – Se ele não ouvir a igreja, considera-o como “gentio publicano”.

Os recursos existentes no ambiente comunitário são suficientes para equacionar e resolver o problema. Comenta o Prof. Leon Morris que “ir a juízo contra um irmão já é incorrer em derrota, seja qual for o resultado do processo legal... Obter a vitória do veredicto pouco significa. Já se perdeu a causa quando um cristão abre um processo”. [2]

Paulo considera completa derrota já haver demandas entre cristãos, por isso ele pergunta: “Por que não sofreis a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?” (V.7). Sofrer o dano ou a injustiça é melhor do que aceitar o juízo de terceiros. Neste sentido, perder a causa pode ser sinal de verdadeira vitória. O que adianta ganhar a causa, mas perder o irmão? É preciso, pois, envidar todos os esforços no sentido de se resolver a questão no âmbito da igreja. A orientação da liderança da igreja deve ser sempre buscada e valorizada (v.5).


2. O LITÍGIO DESVIA O CRISTÃO DE SUA MISSÃO

No texto, o apóstolo faz a pergunta: “Não sabeis vós que havemos de julgar os próprios anjos?” (v.3). Neste versículo há um lembrete quando às nossas responsabilidades no julgamento final. Talvez, pela imaturidade dos coríntios, o apostolo não pode explicar com mais detalhes a respeito disto. Porém, a palavra de Jesus é que os regenerados assentarão no trono para julgar (Mt 19:28). 

Quer dizer que quando alguém passa a “brigar” por causa contra o seu irmão na justiça comum, desvia a sua atenção de uma causa maior e despreza a justiça divina. O litigioso comete uma terrível inversão de valores, esquecendo o seu destino e desprezando a justiça de Deus que diz: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor” (Rm 12:17-19). 

O apóstolo propõe um retorno aos valores do Reino e aos créditos confiados à comunidade cristã. Vale à pena investir no destino eterno e descansar na justiça divina. O cristão é chamado a ser um instrumento de paz, conciliação e bênção. O que Deus disse a Abraão se estende a nós: “Sê tu uma benção” (Gn 12:2).


3. O LITÍGIO PREJUDICA A PREGAÇÃO CRISTÃ

Os coríntios se tornaram tão insensíveis às realidades espirituais que nem mais se preocupavam em preservar a reputação cristã na sociedade. Diz o Dr. Prior: “Eles tinham se afastado tanto da realidade sobrenatural do amor mútuo no amor de Cristo, que estavam desprezando deliberadamente os padrões normais de ética social e comercial”. [3]

Isto significa que a atitude dos coríntios ficava aquém dos padrões dos judeus que seguiam a orientação dos rabinos. Comenta Charles Hodge a respeito de um estatuto, que obrigava todos os israelitas a tratar os seus problemas “em casa”: “Se um israelita tem uma causa contra o outro, o processo não deve ser feito diante dos gentios”.[4]

Quer dizer, levar uma causa particular e comunitária à justiça comum descredenciava a igreja e enfraquecia a sua autoridade diante do mundo. 

Dependendo da conduta dos cristãos, portas poderão se abrir ou se fechar à pregação da igreja. Quando os membros da igreja são mais injustos do que os gentios, eles se desacreditam no anúncio do amor e perdão de Deus. Pode alguém dizer que ama a Deus e odeia o seu irmão? (I Jo 4:20). Será que o mundo vai acreditar em uma mensagem pregada por “mentirosos”?

Não se pode ignorar a existência de problemas de relacionamento no ambiente da igreja. Porém, para comprovar diante do mundo que Deus tem prazer na misericórdia, o caminho indicado e recomendado aos cristãos é a aceitação dos princípios bíblicos. Quando a igreja aplica os princípios bíblicos ele cresce interna e espiritualmente; mas, também cresce o nome de Cristo e da igreja diante do mundo. Conseqüentemente abrem-se portas mais amplas para a pregação do evangelho.

Que o Espírito Santo sensibilize e ensine aos cristãos de todas as épocas a viverem e praticarem o amor de Deus!

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[1] BARKLEY, Willian. Comentário do Novo Testamento, I e II Corintios, volume 9. Portugal: La Aurora: 1978.
[2] MORRIS, Leon. I Coríntios - Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica, volume 7. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1989.
[3] PRIOR, David. A Mensagem de 1 Coríntios: A vida na igreja local. São Paulo: ABU Editora, 2001.
[4] HODGE, Charles. Comentário De I Coríntios (Spanish Edition). Madrid: Banner of Truth, 1996


domingo, 12 de julho de 2015

ESTUDO Nº 04 - A IMPUREZA NA IGREJA (1 Coríntios 5)



INTRODUÇÃO

Vivemos em uma época que é dominada pelo que se pode chamar de “sexolatria”. Ou seja, culto ao sexo. Vivemos em uma sociedade em que eles fazem questão de publicar a sua sexualidade (Is 3.9). Em meio a tudo isso, a Igreja do Senhor Jesus deve continuar a ter sua trajetória marcada por fidelidade aos padrões morais que são apresentados pela Palavra de Deus. A igreja não pode se deixar sujar pela imoralidade seja de natureza sexual, ou de qualquer espécie. Como a arca, a igreja deve navegar no mar de impureza deste mundo, sem deixar que a água entre no barco (Betume). Mas, o que fazer se há impureza na igreja? Como reagir diante de um problema desta natureza? O objetivo deste estudo é encontrar uma resposta bíblica a estas questões.


CONTEXTUALIZAÇÃO

A igreja está inserida numa cultura em decadência. Essa não era apenas uma realidade da igreja de Corinto, mas, também é a condição da igreja contemporânea. Corinto era uma cidade moralmente decadente. Em Corinto estava um dos principais templos dos cultos gregos. Ali ficava o templo de Afrodite, a deusa grega do amor e do sexo. Nesse templo havia cerca de mil prostitutas cultuais que prestavam uma espécie de serviço litúrgico àquela divindade paga por meio da prostituição. Lá em Corinto, também, ficava o maior monumento de Apolo, uma figura que expressava a beleza do corpo masculino e sugestionava o povo à prática do homossexualismo.[1]

Contudo, A igreja é uma contracultura dentro de uma cultura decadente. A sociedade secular não conhece os princípios de Deus, não ama os valores absolutos de Deus nem está sujeita à lei de Deus. Todavia, ao que parece, os coríntios tinham em tal conta a sua emancipação em Cristo, que podiam seguir uma linha inteiramente diversa da dos outros cristãos, e que favorecia até males piores do que os que os gregos em geral praticavam. Isto provoca severa censura da parte de Paulo.[2]

O texto principal deste estudo apresenta a censura de Paulo a um membro da igreja que estava se relacionando sexualmente com sua própria madrasta (Incesto). Tanto a Lei Rabínica (Lv 18.5) como a Lei Romana proibiam tais atitudes. 

O que podemos observar no texto:
a) Um pecado grave havia sido cometido (incesto), v. 1
b) Havia por parte da igreja uma concessão (fermento), v.6
c) Eles não lamentavam aquela situação (lamentar), v.2
d) Eles estavam até achando legal aquela situação (ensorbebecidos), v. 2
e) Faltou a devida disciplina, v.2

Seja... entregue a Satanás (v.5) é uma expressão incomum. Noutra parte só ocorre em 1 Tm 1.20. O significado palpável é o de excomunhão (Vs. 2, 7,13). A idéia subjacente é que fora da igreja está a esfera de Satanás (Ef 2.12; Cl 1.13; 1 Jo 5.19). Ser expulso da igreja de Cristo é ser lançado àquela região onde Satanás mantém o poder. É uma expressão muito forte concernente à perda de todos os privilégios cristãos.[3]

Na seqüência do texto há a recomendação aos cristãos no sentido de que tenham pureza em todas as áreas da vida. 


1. A IGREJA NÃO ESTA ISENTA DO PECADO DA IMORALIDADE

Infelizmente existe a possibilidade do pecado da imoralidade acontecer na igreja do Senhor Jesus. É claro que esta possibilidade deve ser evitada a qualquer custo. O apóstolo Paulo (v.11) fala que havia naquela igreja “...alguém que dizendo-se irmão...” era na verdade um “impuro”. Isto mostra a possibilidade de que haja pessoas que, apesar  de frequentarem
regularmente a igreja, sendo até mesmo membros dela, sejam na verdade, impuros. A igreja pelo simples fato de ser igreja, não está isenta de receber contaminações em seu meio. É preciso que se lembre que nem todo que diz a Jesus: “Senhor, Senhor” entrará no reino dos céus (Mt 7:21). O joio é muito parecido com o trigo (Mt 13:28-29).

O que leva alguém a envolver-se tanto com o pecado a ponto de contaminar-se e, por extensão, à sua própria igreja? 

1.1 Relaxamento pessoal: A impureza pode acontecer como resultado de uma vida que não valoriza as práticas devocionais (como leitura e meditação na Escritura, oração, jejum, etc.), não se esforça nem luta para crescer espiritualmente, não imita a Cristo no dia a dia, não cria condições pessoais para que o fruto do Espírito cresça, enfim, um relacionamento completo na caminha cristã;

1.2 Falta de instrução adequada: Também é possível que a impureza surja devido à falta de instrução bíblica adequada quanto a este assunto. Por diversas razões muitas igrejas temem instruir seus membros no que diz respeito à vivência da sexualidade, e também em relação a outras possibilidades da imoralidade. 

É possível que haja outras razões. Mas, qualquer que seja a causa, vale a pena lembrar o sábio conselho do apóstolo: “Aquele, pois, quem pensa estar em pé, veja que não caia” (I Co 10:12).


2. A IGREJA SOFRE COM O PECADO DA IMORALIDADE

Se a imoralidade acontecer na vida de uma igreja, esta será profundamente contaminada. Naturalmente as conseqüências desta contaminação são sempre tristes e nocivas. Pois a contaminação moral é como uma infecção no corpo de Cristo. 

É o que o apóstolo nos diz nos versos 6 e 8 do texto principal. Ele usa a comparação do fermento, que mesmo em pequena quantidade levada toda a massa de pão (v.6) para dizer que a impureza de uma pessoa pode contaminar uma igreja inteira. A comparação com o fermento aqui aparece em um sentido contrário à maneira como o Senhor Jesus utilizou esta figura (Mt 13:33). 

A idéia do apóstolo Paulo aqui lembra o que se encontra em Josué 7:10-11, onde se diz que Deus considerou que todo o povo de Israel havia pecado, quando na verdade uma única pessoa cometera um erro. A este respeito pode-se lembrar o que Thomas Traherne disse: “almas para com almas são como maçãs: Apodrecendo-se uma, apodrecem as outras”. [4]

Quando se compreende isso, fica fácil compreender o que é dito nos versos 7 a 8. É uma lembrança de uma antiga festa dos judeus, quando durante sete dias eles só comiam pão sem fermento (Ex 13:7; Dt 16:3-4), para simbolizar uma vida nova recebida de Deus, sem impurezas de qualquer tipo. Obedecemos ao mandamento bíblico que diz: “Fugi da impureza” (I Co 6:18).


3. A IGREJA CRESCE DISCIPLINANDO O PECADO DA IMORALIDADE 

Já que a imoralidade produz males tão grave na vida da igreja, deve ser retirada para que o corpo de Cristo não seja mais prejudicado ainda. É o que o apóstolo diz nos versos 3 a 5, e depois no final do verso 13.  Além disso, os versículos 9-11, nos orienta que neste caráter disciplinar e pureza da igreja, os nossos relacionamentos precisam ser estabelecidos da seguinte forma:[5]

a) O relacionamento com os descrentes (v. 10), O crente pertence a Cristo; ele é um santo de Deus que não precisa viver isolado, evitando o contato com os não-crentes, senão teria de "sair do mundo", ou seja, morrer. O verdadeiro cristão, mediante a sabedoria e o poder do Espírito Santo, convive entre pessoas não-crentes, mas não se deixa influenciar por elas, por seu modo de viver, sua filosofia de vida, sua religião, seus pecados, etc.

b) O relacionamento com o crente vivendo em pecado. Como já explanado, um caso como o da igreja de Corinto, isto é, o crente que se tornou escravizado pelo pecado, o transgressor contumaz, o rebelde por opção, deve ser isolado e evitado. A privação da comunhão amorosa dos santos pode despertar o transgressor a valorizá-la, 2 Ts 3:6,14-15.

Certamente a questão da disciplina é uma das mais complicadas na vida da igreja. Por isso, é necessário que se compreenda bem este assunto. 

Quanto a este ponto, pode-se dizer que:

3.1 A disciplina deve ser exercida com amor: O ideal bíblico não é pagar mal com mal, mas com amor, para que haja cura e saúde na igreja. “Todos os vossos atos sejam feitos com amor” (I Co 16:14). Quando se sufoca a verdade por causa do amor, alguém vai sofrer as conseqüências funestas de tais atitudes (I Sm 2.29; 4.10-11).

3.2 A disciplina deve ser educativa: Quando se exerce corretamente a disciplina, há um processo educativo em andamento que ensina aos demais crentes as tristes conseqüências do pecado.

3.3 A disciplina deve procurar restaurar o pecador: Não é simplesmente “botar para fora” quem caiu no erro. O excelente livro: “Restaurando o Ferido”, de John White e Ken Blue mostra com grande sensibilidade cristã e riqueza de informações, como a disciplina na igreja deve buscar e levantar quem cedeu a qualquer pecado. [6]

Finalizando, feliz é a igreja que consegue tratar a imoralidade em seu meio desta maneira!

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[1] LOPES, Hernandes Dias Lopes, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 89-90
[2] MORRIS, Leon. I Coríntios - Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica, volume 7. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1989. p.68
[3] IBID p.70
[4] Citado por BECKER, Ernest. A negação da morte. Rio de Janeiro: Record, 1995. p. 73-75
[5] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções. Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.26
[6] WHITE, John; BLUE Ken. Restaurando o ferido. Florida: Editora Vida. 1992.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

ESTUDO Nº 03 - A FALTA DE ESPIRITUALIDADE CRISTÃ (1 Coríntios 3.1-9)


INTRODUÇÃO
Como será que anda a situação espiritual de nossa igreja? 
Mas, o que é espiritualidade? 

A espiritualidade cristã é uma expressão de devoção, que envolve o cristão em todas as dimensões de sua vida na relação consigo próprio, com Deus e com o próximo, determinando positivamente a maneira de pensar, falar e agir, enfim, de ser e de viver.
Através da confissão, do louvor, da adoração, da meditação, do jejum, da oração e de outras atitudes e práticas cristãs, o crente exercita a sua espiritualidade.  Quando há espiritualidade a igreja vai bem; quando não há, vai muito mal.

Certamente as questões tratadas por Paulo nos capítulos 3 e 4 da primeira carta aos Corintios, envolvendo a espiritualidade cristã, trazem advertências e orientações, tanto para os membros da igreja, quanto para a liderança. Nada pode ser mais infantil nos crentes e que mais indique atraso espiritual como andarem divididos em rivalidades ou dominados por espírito faccioso. O apóstolo Paulo censurando os coríntios, declara-lhes que estão se mostrando como crentes carnais, crianças em Cristo.[1]

Antonio Gilberto (Pentecostal) escreveu: “Os crentes de Corinto tinham dons espirituais (1.7), mas muitos eram imaturos, insubmissos, ignorantes, além de carnais. Em uma igreja é possível haver crentes fervorosos, que gostam de movimento e agitação sem, contudo, haver espiritualidade real, advinda do Espírito Santo. Às vezes o que parece fervor espiritual é mais emocionalismo, resultante de motivações e mecanismos externos”.[2]

O objetivo do presente estudo é despertar o povo de Deus para este problema, bem como suas conseqüências, buscando assim corrigi-lo.

1. A FALTA DE ESPIRITUALIDADE É DEMONSTRADA ATRAVÉS DE ATITUDES MESQUINHAS

Estas atitudes mesquinhas são referidas no texto como segue:

1.1 – Ciúmes e contendas (3.3) – Em Corinto a falta de espiritualidade era notória. Havia ciúmes e brigas entre os membros da igreja. O conceito característico do Novo Testamento é que é uma das “obras da carne” (G1 5.20). Contendas é palavra que já encontramos em 1.11. Tanto ciúmes como contendas apontam para auto-afirmação e para rivalidades doentias. Paulo indaga se isto não é ser carnal (sarkikos) e andar segundo o homem. Esta última expressão significa, “como homens naturais” (cf. 2:14).[3]

Apesar de ser algo extremamente vergonhoso e constrangedor, tais atitudes ainda se repetem em muitas igrejas hoje. O sentimento de inveja e ciúme continua a provocar contendas e divisões, dificultando o relacionamento entre alguns crentes e o bem-estar da igreja. Na carta aos Colossenses, Paulo recomenda algumas virtudes que podem evitar ou corrigir esta constrangedora situação (Cl 3:12-16).

1.2 Disputas partidárias (3:4-9) – A unidade cristã estava sendo prejudicada em função das preferências de cada grupo. Uns se diziam de Paulo, outros de Apolo. Eles deixaram de compreender que, tanto Paulo quanto Apolo, eram apenas instrumentos nas mãos do Senhor. “Enquanto os cristãos condicionarem a própria fé à preferência por um pregador ou líder, demonstram fé imatura. Agindo assim, estão sendo levados por princípios que dividem e que são contrários ao princípio básico que provém do Espírito. A unidade em Jesus Cristo”. [4] 

A atitude de endeusamento ou subestimação deste ou daquele pastor ou líder, revela imaturidade e carnalidade, pois, na verdade, ninguém é coisa alguma (3:7). Sendo assim, devemos substituir as disputas partidárias por cooperação (3:8-9).

1.3 Deturpação do evangelho (3:11) – A falta da espiritualidade chega ao ponto de excluir a centralidade de Cristo como o único fundamento, deturpando assim o evangelho. Mas tal deturpação estava havendo em Corinto, como conseqüência das disputas. 

Segundo R. N. Chaplin, “somente Jesus Cristo pode servir de base sobre a qual edifiquemos a nossa fé; somente sobre o Senhor pode um vida remida ser construída, e somente tendo por centro a pessoa de Cristo é que se pode fundar uma comunidade cristã organizada. Por conseguinte, atribuir glória a qualquer outro é roubar o Senhor Jesus Cristo da posição fundamental que Ele ocupa apropriadamente em sua igreja”. [5]

1.4 Julgamentos indevidos (4:4) – O tratamento que eles estavam dispensando aos líderes também demonstrava falta de espiritualidade. Estavam fazendo um julgamento que não lhes cabia, que não era de sua competência. Por isso Paulo lhes diz: “Não julguem ninguém antes da hora: Esperem o julgamento final, quando o Senhor vier” (4:5). Essa atitude tão comum em nossas igrejas, onde algumas pessoas assumem as prerrogativas de emitir juízos muitas vezes precipitados e indevidos, é condenada na Palavra de Deus e deve ser repudiada (Mt 7:1-3; Tg 4:11-12).

1.5 Auto-suficiência (4:8) – No entender de Leon Morris “os Corintios não sentiam falta de nada. Longe de progredirem na fé cristã, estavam se aproximando da idéia estóica de auto-suficiência”.[6] 

Paulo ironiza a comunidade (4.8) e em seguida contrasta a situação imaginária da igreja com a real situação dos apóstolos (4:9-13). Esta atitude dos Coríntios nos faz lembrar também da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-22). Por todas as atitudes aqui alistadas, os Coríntios se mostravam demasiadamente imaturos e poucos espirituais. E você e a sua igreja, como estão nestas questões?


2. A FALTA DE ESPIRITUALIDADE É DESASTROSA PARA A VIDA CRISTÃ

2.1 A nível pessoal prejudica o crescimento na fé – A falta de espiritualidade afeta diretamente o crescimento pessoal. Por isso, devemos cultivar a espiritualidade individualmente; não podemos ficar dependendo dos outros nesta questão (I Tm 1:18-19; II Tm 2:1,14-15).  Devemos nos esforçar para fazer a diferença (Tt 1:10-16; 2.1). Se não assumirmos tal postura, o nosso crescimento ficará prejudicado por causa dos outros.

2.2 A nível comunitário prejudica a unidade – Já no primeiro capítulo da carta Paulo faz uma exortação à unidade, tocando nas questões que fazem parte do texto básico deste estudo (1:10-13). Quando não há espiritualidade, não tem como haver unidade, pois, esta é fruto e a mais veemente expressão daquela. É oportuna a recomendação de Paulo aos Efésios (Ef 4:1-6).

2.3 A nível global prejudica o testemunho – A falta de espiritualidade desautoriza e enfraquece o testemunho da igreja perante o mundo. Aonde não há espiritualidade, também não há obras nem amor e, segundo a Bíblia, são estas atitudes que fortalecem o testemunho da igreja (Mt 5:16; Jo 17:21).  A igreja pode dispor de todos os demais recursos, porém, se não tiver espiritualidade, o seu testemunho será sempre ineficaz.


3. A FALTA DE ESPIRITUALIDADE PRECISA SER CONFRONTADA

Este é um dos propósitos de Paulo ao escrever esta carta. Mas, de que maneira e com que objetivo a falta de espiritualidade deve ser confrontada?

3.1 Com autoridade e amor (3:1-2; 4:14-21)– Ao constatar que eles permaneciam ainda crianças em Cristo, Paulo se sente no dever de agir como pai. E Esta ação paternal se dá com autoridade e amor. Pastores e presbíteros devem sentir-se desafiados a agir desta forma também (II Tm 2:24-25).  Agir com autoridade é ter condições de se colocar como modelo para os crentes (v. 16; I Pe 5:1-3) E agir com amor é valorizar mais o ser humano do que o problema.

É Mathews Henry quem diz: “É uma característica feliz a do ministro do Evangelho que possui espírito de amor e mansidão como qualidades predominantes, sem que com isso perca sua justa autoridade”.[7]

3.2 Com o objetivo de promover a maturidade cristã – O propósito com o qual a falta de espiritualidade deve ser confrontada é a promoção da maturidade cristã. A falta de espiritualidade é o oposto da maturidade. E o cristão é chamado a crescer na fé, amadurecendo espiritualmente (Ef 4:15-16; I Pe 2:1-2; II Pe 3:17-18). Certamente, a igreja só vai bem quando os crentes têm convicção de que a falta de espiritualidade deve ser superada pela maturidade cristã, e por isso, a buscam dia após dia.

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[1] ERDMAN, Charles R. Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1957. p.33
[2] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções. Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.5.
[3] MORRIS, Leon. I Coríntios - Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica, volume 7. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1989. p.51
[4] Comentário Bíblico na Bíblia Sagrada Edição Pastoral.
[5] CHAMPLIN. R. N. O Novo Testamento Interpretado - Versículo por Versículo, Volume 4. São Paulo: Editora Candeia, 1993
[6] IBID
[7] HENRY, Mathews. Comentário Bíblico Mathews Henry, Volume 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2008

segunda-feira, 6 de julho de 2015

ESTUDO Nº 02 - A PRÁTICA DO ENSINO NA IGREJA (1 Corintios 2.1-5)


INTRODUÇÃO

Algumas inovações litúrgicas observadas no meio evangélico tem contribuído para que a missão docente da igreja fique bastante prejudicada. Além disso, são muitos os profetas e mestres falsos que injetam o seu veneno através de doutrinas estranhas e extravagantes, confundindo e seduzindo muitas pessoas. Por falta de segurança doutrinária e conhecimento bíblico sólido, muitos estão saindo de suas igrejas e abraçando falsos ensinamentos. Diante de tudo isso é preciso revitalizar o ensino na igreja.

Em toda a bíblia percebe-se a preocupação com a tarefa do ensino. No Antigo Testamento os pais tinham o cuidado e o dever de ensinar a Lei aos filhos. Era o ensino doméstico (Dt 6:6-9). A Lei era ensinada também publicamente (Ed 7:10). No Novo Testamento Jesus ordena aos discípulos através do ensino cristão (Mt 28:19). A igreja do Novo Testamento também se dedicava ao ensino (At 15:32).

Na igreja de Corinto, observamos o contraste entre os pregadores:
a) alguns sábios e intelectuais estavam valorizando demasiadamente os métodos filosóficos e retóricos e desprezando a orientação e iluminação do Espírito Santo no ensino cristão. Eram pessoas acostumadas aos debates e discursos baseados unicamente na intelectualidade e saber humano.
b) Paulo esteve entre os coríntios em fraqueza, temor e tremor (v.3). É claro que fraqueza aqui conota total dependência de Deus.[1] O que Paulo está dizendo é que o evangelho é algo tão sublime e maravilhoso que quando ele foi a Corinto, foi na total dependência de Deus. Ele não foi com ufanismo ou com autoconfiança; ele não foi com soberba ou vangloria, mas foi com muita humildade, por entender a grandeza e a majestade da mensagem que ele estava pregando.[2]

Charles Erdman, escreveu: “O evangelho era uma mensagem divina; se assim fosse compreendido não haveria de dar chance à operação de tal espírito de partido na igreja. Cuidara o apóstolo de pregar de tal modo que o caráter e a origem divina de sua mensagem não fossem escurecidas pela demonstração de sabedoria humana. Diante deles, pois, não havia brilhado como orador que arrebatasse pela eloqüência, nem quis passar como filósofo, no testemunho da graça salvadora de Deus em cristo Jesus.”[3]

Nos textos que estão fundamentados o presente estudo, o apóstolo Paulo destaca que o ensino cristão vai muito além da mera capacidade intelectual de uma pessoa. Ele é caracterizado por alguns importantes aspectos que não podem ser negligenciados.


1. ENSINO CENTRALIZADO NA PESSOA DE CRISTO

Percebe-se nitidamente no texto que está sendo enfocado, que Paulo preocupa-se em apresentar um ensino que vá diretamente à pessoa de Cristo Jesus e sua crucificação (2:2; 3:11; 4:1).  Para o apóstolo, Cristo é o centro e não a circunferência. Através das epístolas de Paulo nota-se que ele pregava sobre temas variados, mas tudo subordinava-se a Cristo Jesus. É por esta razão que escrevendo aos efésios ele declara para todas as coisas, tanto as do céu como as da terra, convergem para Jesus (Ef 1:10).

Erdman escreveu: “Sua “palavra” e sua “pregação”, pois, não consistiu em “linguagem persuasiva” de humana “sabedoria”. Não obstante, foram acompanhadas pela demonstração do Espírito e pelo seu poder. Tudo isto de acordo com o propósito divino, para que os ouvintes não depositassem sua fé em qualquer aparato de sabedoria humana, mas no poder manifesto de Deus”.[4]

A igreja, que exerce uma função educadora na vida de seus membros, precisa contextualizar o seu ensino, abordando temas da atualidade e do interesse de todos, mas tendo Jesus como a base ou fundamento de tudo aquilo que é ensinado.  A habilidade retórica e os métodos filosóficos de ensino, por si só não são convincentes. Muitas vezes a mensagem se torna vazia, apesar de sua beleza artística, pois não está centralizada em Cristo. 

Em Gálatas 6:11-17, Paulo apresenta o cerne de sua mensagem, fazendo da Cruz de Cristo o centro do ensino cristão, que é a razão do progresso do cristianismo. Quando o apóstolo afirma “para mim o viver é Cristo” (Fp 1:21), ele está revelando que tudo se resume na pessoa de Jesus.


2. ENSINO ORIENTADO PELO ESPÍRITO SANTO

As pessoas podem ter grande conhecimento teológico concepção sobre a pessoa de Cristo, no entanto, se não houver o ensino do Espírito Santo, confirmando e instruindo, o ensino se torna um mero discurso humano, fruto do intelecto, simplesmente. O Espírito Santo é o grande agente divino da sabedoria na vida da igreja (v.13). 

Antonio Gilberto escreveu: “A despeito de sua vasta e polivalente cultura secular, e de sua grande erudição bíblica, Paulo era cheio do Espírito Santo (l Co 2.4,5; At 9.17). O apóstolo dos gentios ensinava e pregava com graça, unção e muita simplicidade, todavia, sem ser superficial”.[5]

Sobre o ensino orientado pelo Espírito Santo, pode-se destacar que:

2.1 – Quebranta o coração (2.9) – Quando a mensagem é simplesmente resultado de uma capacidade intelectual ou de sabedoria humana, não há quebrantamento de coração. São palavras que se reduzem a nada, afirma Paulo (2:6). 

Aquele que ensina na igreja pode ser alguém dotado de extrema sabedoria e revelar uma mente intelectualizada e até mesmo impressionar os seus ouvintes, mas, se o Espírito Santo de Deus não orientar o seu ensino, tudo não passará de um entretenimento para a mente dos ouvintes. Somente o Espírito Santo de Deus pode penetrar o coração do ser humano e produzir quebrantamento e salvação.

São muitos os exemplos de pessoas que tiveram poucas condições de estudar e não revelam sabedoria intelectual, mas que ao pregar a palavra de Deus revelam profunda sabedoria espiritual e trazem conforto ao coração e orientação para a vida. 

É bom lembrar que isso não significa que os estudos, a técnica, a cultura e o conhecimento, etc., sejam dispensáveis. Paulo era um homem de grande cultura e capacidade intelectual, mas tudo isso era submetido à orientação do Espírito Santo.

2.2 Contrapõe-se à sabedoria humana – Na cidade de Corinto e até mesmo na igreja que ali existia, muitos filósofos e sábios apresentavam as suas teses e idéias. Eram homens que ensinavam que o mais importante é o conhecimento, a sabedoria humana. Chegavam a pregar que a salvação se adquiria por meio do saber (Gnose– gnosticismo). 

Paulo corrige isso dizendo que esta sabedoria é loucura e insensatez diante de Deus (v.19). Para o mundo, a mensagem do Evangelho é que é loucura, mas o Espírito Santo revela que ela se constitui numa poderosíssima mensagem de salvação para o ser humano, algo que a sabedoria humana jamais pode fazer. Nas palavras de Paulo, o Evangelho é o “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16).


3. ENSINO CUJOS RESULTADOS SÃO CONSISTENTES

Paulo mostra que o ensino cristão apresenta resultados consistentes quando é fundamentado em Cristo e orientado pelo Espírito Santo. Em I Coríntios 3:10-17, o apóstolo declara que um ensino baseado em coisas perecíveis, à semelhança de “ouro, prata, pedras preciosas, madeiras, feno e palha” não há de permanecer no momento da provação (Vs. 12-13).  Pelo texto, observa-se que um ensino consistente tem as seguintes características:

3.1 Requer prudência (3.10) – A ideia aqui é de um hábil construtor que antes de erguer um prédio lança os alicerces com toda segurança possível. Jamais ele constrói sobre um alicerce errado. Muitos são imprudentes na forma e no conteúdo da mensagem que pregam. Não são cuidadosos ou zelosos na apresentação da verdade de Deus. Vale à pena relembrar a palavra de Salomão que diz: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv 4:10). A verdadeira sabedoria está associada à prudência (Ef 1:7-8).

3.2 Será provado – Para saber se o ensino é ou não consistente ele será testado, provado; enfrentará provas de fogo (3:13). Embora o texto se refira à provação no dia final, pode-se entender que a obra da igreja é provada a cada dia. Uma igreja bem doutrinada e que ensina com prudência terá a benção de após ser provada, revelar perseverança. 

Vivemos numa época em que os ventos de doutrinas têm soprado pelas igrejas e levado muitos crentes para outras direções. Muitos são os que ficam trocando de igreja ou até abandonam a fé. Isso não significa dizer que o ensino fundamentado em Cristo impedirá totalmente que alguém saia da igreja. As chances é que são menores.

3.3 Exige fidelidade (4.2) – Para que os resultados sejam consistentes, exige-se de todos aqueles que ensinam, toda fidelidade ao Senhor. Essa fidelidade precisa ser observada em todas as áreas da vida. Sendo um servo, o despenseiro deve ser fiel ao seu Senhor. João Calvino afirma que: “Só é fiel aquele que deseja de todo o coração servir ao Senhor e fazer progredir o reino de Cristo”.[6]

Alguns dos que ensinam na igreja nem sempre são fiéis ao Senhor e acabam tendo um discurso distanciado da prática. Aquele que ensina pode ter muita habilidade e sabedoria, mas se não for fiel a Deus em todos os aspectos da vida, o seu ensino cairá no descrédito.  A fidelidade à Palavra de Deus, que é fidelidade doutrinária, indispensável para que o ensino na igreja apresente resultados consistentes. Os cristãos de Jerusalém nos dão o exemplo dessa fidelidade, pois “Perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2:42).

3.4. Produz resultados positivos[7] (Rm 10.17) - A "fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus". Logo, a Palavra de Deus é a fonte que origina a fé salvadora Jo 5.24; 20.31; At 4.4. Porém, para que a fé seja gerada no ouvinte da Palavra é necessário que a exposição do texto sagrado seja centrada unicamente na bendita pessoa de Jesus, o Salvador, "autor e consumador da fé" Hb 12.2. Não pode haver genuína conversão sem a fé em Cristo e por Cristo (At 20.21; Rm 5.1,2; Ef 2.8). 

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[1] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções. Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 8
[2] LOPES, Hernandes Dias Lopes, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 40
[3] ERDMAN, Charles R. Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1957.
[4] IBID.
[5] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções. Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2009. P. 9
[6] CALVINO, João. I Coríntios - Comentário à Sagrada Escritura. São Bernardo do Campo, SP: Edições Paracletos, 1996.
[7] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções. Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 10