sábado, 15 de fevereiro de 2014

UM GRANDE LEGADO


Uma pessoa está em dificuldade.
Temos a oportunidade de estar com ela. A primeira tendência é, depois de ouvi-la, dizer-lhe algumas palavras sinceras e amorosas, para apoiá-la nesse momento.
Talvez a entendamos. E ela sorria.
Talvez lhe sugiramos um bom livro. E ela anote.
Talvez lhe ofereçamos um caloroso abraço. E ela agradeça.
Talvez choremos com ela, tocados pelo seu sofrimento. E ela se emocione.
Vai ser ótimo.
No entanto, nossa compreensão ou nossa sugestão ou nosso abraço ou nossa lágrima, mesmo reunidas num mesmo momento e recebidas como bálsamos naquela, talvez não resistam sequer algumas horas, tanta a dor.
Aquele momento conosco precisa servir como uma lembrança perenizada de que nos importamos verdadeiramente e que há esperança.
Há, então, uma atitude que podemos tomar, em conjunto com os outros gestos de amizade: nós podemos e devemos abrir a Bíblia (ou citá-la de cor, se o contexto o exigir) e orar junto com aquela pessoa.
A Bíblia tem o poder de implantar a confiança no coração entristecido. Quando lemos a Bíblia para uma pessoa, nós nos tornamos homens e mulheres de Deus na sua vida.

A oração tem o poder de nos mergulhar -- o que toma a iniciativa e o que acompanha, mesmo silenciosamente -- na atmosfera do amor de Deus, graças a Quem, não importam as dificuldades, vale a pena viver. (IBA)

A TELEVISÃO E A NOSSA FAMÍLIA


Nos idos de 1930 David Saronoff, o presidente da RCA, teve a perspicácia empresarial de investir dinheiro num projeto louco e extravagante chamado televisão. Para dirigir este empenho, a RCA contratou um cientista natural da Rússia chamado Vladimir Kosma Zrvorykin e investiu 50 milhões de dólares de modo que em 1939 a RCA pode televisionar a abertura da feira mundial de Nova York. Mais tarde naquele ano, a RCA adquiriu a licença para patentear a televisão e começou a vendendo aparelhos de televisão aos que eram muito ricos. Antes de 1947 o número de lares com TV poderia ser medido em milhares.

Por volta do final do século XX, 98% dos lares dos Estados Unidos tinham, pelo menos, um aparelho da televisão (Gordman, p. 2). A televisão está aqui para ficar. Qual então deveria ser e reação dos cristãos à televisão? Ela é inerentemente má? É um pecado assistir até mesmo os noticiários da TV? Quanto tempo deve um cristão gastar assistindo televisão? Estas são algumas das perguntas que deveriam levantar-se na mente de qualquer cristão consciencioso e piedoso. Meu ponto de vista não é que a TV está completamente errada, como também o rádio e a internet. Contudo, parece-me que estar no mundo, mas não ser do mundo, perdeu sua distinção em muitos lares cristãos de hoje por relaxar a oposição com o mundo (1 Jo. 2:15). “Não ameis o mundo, nem as coisas que estão no mundo. Se algum homem ama o mundo, a amor do Pai não está nele”. 


Portão – Olho, Portão – Ouvido

No livro–alegórico, Guerra Santa, de Bunyan, somos ensinados que a cidade da alma do Homem (que simboliza o coração do homem) ficou mais vulnerável pelas entradas do Portão-Olho e Portão-Ouvido (sentidos da vista e do som) (p.10). A alma do homem foi eventualmente penetrada pelo diabo e seus comparsas através destes dois portões. Assim é conosco. Para salientar isto não é necessário olhar mais longe do que as indústrias de bilhões de dólares de Hollywood e MTV, onde tudo é de uma certa qualidade visual nos acenando para “vir e comprar”. Mas o que eles estão vendendo? É moralidade e castidade e os frutos do Espírito? Ou são as mercadorias deste mundo?

Isto, então, presenteia o Cristão com um dilema interessante à medida em que ele vive na cultura vigente. Quando a TV é muito? Não acho que exista um número sagrado ou uma resposta precisa que não viole a liberdade do Cristão. Contudo, Jacques Ellul aponta corretamente que “televisão age menos pela criação de noções claras e opiniões precisas e mais por nos envolver em uma neblina” (pg. 336). David F. Wells diz com respeito aos perigos da televisão que “A televisão abre para nós o mundo inteiro, legando-nos uma onisciência virtual” (pg. 230). Através da mídia da televisão nós somos encorajados a ter uma espécie de colonização de experiência onde os pecados e virtudes dos outros são incorporadas dentro de nós. Por meio dos nossos olhos e ouvidos somos incitados a partilhar do pecado dos outros, uma vez removido nosso senso de realidade. O que nós próprios jamais faríamos, prontamente vemos com os nossos olhos e ouvimos com os nossos ouvidos.

A. W. Tozer disse certa vez com relação ao Cristão e à cultura mundial: Por séculos a Igreja permaneceu solidamente contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o pelo que ele era — um artifício para gastar o tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um esquema para desviar a atenção da responsabilidade moral. Por isto ela tornou-se redondamente insultada pelos filhos deste mundo. Mas, ultimamente, ela tornou-se cansada do abuso e desistiu do esforço. Ela parece ter decidido que se não pode conquistar o grande deus Diversão, ela pode igualmente juntar forças com ele e fazer dele o uso que puder dos seus poderes (pg. 84).

É bem possível que tenhamos nos tornado acostumados a pecar vicariamente através daquelas coisas que vemos e ouvimos. Porque o homem é corrupto por natureza, nós naturalmente queremos ver quão perto podemos chegar do pecado sem realmente tomar parte nele. Dr. Joel Beeke colocou desta maneira: “Por natureza nossa pergunta é: ‘Até onde eu posso ir sem pecar?’ ao invés de ‘Até onde eu posso fugir do pecado e evitar a própria presença do mal?’. No nosso coração mesmo e no centro do nosso espírito de passatempo, fica a TELEVISÃO. Este é um fato óbvio. Os aparelhos de televisão estão nos lares de 97% dos Americanos hoje e 91% de todo o tempo de televisão é dedicado unicamente ao propósito de entretenimento”.

Enquanto o mundo acena ao Cristão para juntar-se ao mal, e Escritura nos diz para “Abstermo-nos de toda aparência do mal” (1 Ts. 5:22). Dr. Joel Beeke dá algumas estatísticas surpreendentes.

Dr. Beeke diz: “Um estudo chegou à conclusão que durante o tempo transcorrido até uma criança chegar aos 14 anos, pelo menos 18.000 assaltos e assassinatos violentos acontecem diante dos seus olhos. Um outro estudo confirmou que a criança média entre cinco e treze anos de idade embebedam-se em 1.300 assassinatos cada ano, de modo que violência, assaltos e assassinatos não mais falam a mensagem do pecado ou as suas consequências. Assassinatos, ódios, ações e palavras violentas assumem o papel de comportamento normal. A média dos programas para crianças contem trinta e oito atos de violência por hora (programa para adultos: vinte)”.

Ele continua a dizer: “Nos lares americanos 35% dos horários da refeição são gastos na frente do aparelho de TV. Cada noite, centenas de pais percebem que os programas que surgem são desmoralizantes e prejudiciais para seus filhos, contudo eles mesmos estão tão famintos para deleitar-se no pecado que estes programas contêm que frequentemente deixam seus filhos assisti-los também, não tendo qualquer poder de controle”.

Desta forma a TV é um mal e deve ser evitado.

Um Bom Uso da TV

Muitos têm feito objeção ao conteúdo dos programas de televisão (muita violência, sexo, etc) mas, e a própria tecnologia? Foi Marshall McLuhan quem disse com referência a TV: “o meio é a mensagem” (p. 7-21). Não é isto em parte verdade? A televisão acentua as imagens que se movem em contraste com a linguagem escrita e falada (o resultado mais tangível da nossa era pós-moderna). Como uma mídia fundamentada na imagem, a TV não deixa a imaginação da pessoa pintar qualquer quadro na tela de sua mente mas, ao invés, é a TV que pinta a imagem para você (Myers, p. 117). 

Na realidade, nos está sendo ditado, de um modo bem atormentador e subversivo, o que pensar sobre qualquer tipo de problema moral. Além disso, criatividade, pensamento independente e ingenuidade são todos descartados, para se criar uma enorme coleção de dados armazenados num sistema de computador, de tal modo que pode ser facilmente localizado pelo usuário (assistiu à TV à noite passada? Aquilo não foi um grande show!?). Os únicos visionários num show de TV são os produtores e diretores que decidem para a audiência o que lhes será ou não processado. Não pense nem por um momento que eles não estão enviando uma mensagem por meio do que produzem. 

Além disso, o pensamento paralelo é raramente usado pelo telespectador porque o período de tempo que alguém deseja para analisar o que está sendo exibido num modo lógico/racional, e o programa logo passa para sua próxima sequência de acontecimentos visuais. Kenneth Myers diz com relação a isto: “Uma cultura que é enraizada mais em imagens do que em palavras achará cada vez mais difícil sustentar qualquer compromisso com alguma verdade, desde que verdade é uma abstração que requer linguagem” (p. 164).

Isto ajuda a facilitar com que homens, mulheres e crianças sentem em frente da TV como um escape da realidade. O tempo de lazer da TV devora rapidamente o tempo de adoração da família, o tempo de leitura piedosa, o tempo de brincar com os seus filhos e um tempo pessoal de quietude. Alguém pode dizer: “Mas eu posso controlar a minha TV e o meu tempo”. A réplica do Dr. Beeke é: “As pessoas que dizem que podem controlar a TV estão usualmente falando idealisticamente, não realisticamente” (Beeke).

Cristo é Contra a Cultura?

Assim então, o nosso Salvador e Senhor é contra a tecnologia e a cultura? Absolutamente não! Leia Dr. Leland Ryken “Worldly Saints”[1] e veja como mesmo os puritanos foram proponentes de libertar a cultura. Mas quando a mídia pela qual a cultura vem, nos torna culpados dos pecados de outras pessoas, quando ela rouba tempo valiosos de outras coisas importantes e desafia os padrões bíblicos do certo e do errado, talvez deveríamos dar um passo atrás e examinar o valor atual da própria mídia. As palavras de Paulo poderiam vir à tona aqui. “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convém; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (1 Co. 10:23).

Richard Sibbes o diz assim, “Tudo o que exterioriza as boas coisas que temos, deveríamos usar de uma maneira reverente, sabendo que a liberdade que temos para usufruí-las é comprada com o sangue de Cristo. Como Davi que quando teve sede das águas de Bethlehem e disse que não as beberia, porque significava o sangue dos três valentes, assim também, embora tenhamos o livre uso das coisas criadas, contudo devemos ser cuidadosos para usá-las com moderação e reverência e tudo para a Glória de Deus.

Conclusão

Finalmente, irmãos, tudo o que é verdade, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é da boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp. 4:8). 

Dr. Martin Lloyd-Jones comenta este verso e diz: "O problema que é proposto a nós por este particular texto é todo o problema de relacionamento entre o cristianismo e a cultura. Agora eu tenho certeza que muitos, senão a maioria do povo cristão, está interessada nessa questão, porque ela é de real significado e importância... Em vista de tudo isto, eu sugeriria a você, o que Paulo estava dizendo aos filipenses: Todo o seu pensamento e todas as suas ações devem ser controlados pelo evangelho... Todo pensamento deve ser trazido em sujeição a ele. Que toda a nossa vida seja um tributo e um testemunho ao louvor do nosso Redentor" (págs. 181-189).

Isto seria nossa motivação em cada área da cultura. O Senhor está nos dizendo que nós somos os guarda-portões das nossas próprias almas. Existe então alguma vantagem em assistir TV? Talvez exista. Programas informativos, documentários e alguns (embora poucos) programas de passatempo podem ser de benefício e uti-lizados para o avanço do reino (muitos como a internet). Mas, o tempo é curto. Como cristãos reformados estamos obedecendo ao Senhor e remindo o tempo (Ef.5:16)?

As palavras de Samuel Rutherford são boas para concluir, quando ele diz: “Quando a corrida terminar e o jogo estiver ganho ou perdido e você estiver na última volta e no limite do tempo, e colocar seu pé dentro da marca da eternidade, todas as boas coisas do seu curto sonho noturno lhe parecerão como cinzas de uma fogueira de espinhos e palha” (L. D. E. Thomas).

Remindo o tempo porque os dias são maus”. Ef. 5:16.

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Nota:
[1] - Santos no Mundo, Editora Fiel, 1992
Bibliografia: 
• Beeke. Joel. “Fair Dinkum.” Free Australians Magazine. issue 52. File retrieved on Friday June 12. 20m from www.thedinkum.comliss.htm.
• Bunyan. John. The Holv War. Choteau: Old Paths Gospel Press. 1999.
• Jacques Ellul. The Technological Bluff Grand Rapids: Eerdmans, 1990.
• Grodman. Tom. Television: Glorious Past, Uncertain Future. Analytical Paper Series. 1996. PDF file retrieved on Friday June 12. 203 from www.statcan.caJcgi-bin/downpub/listpub.cgi?catno=63FD002XIB1995006.
• Marshall McL.uhan, Understanding Media: The Extensions of Man. Cambridge: MIT Press, reprint 1994.
• Myers, Kenneth. AI! God’s Children and Blue Suede Shoes. Christians and Popular Cu1ture. Westchester: Crossway, 1989.
• Thomas. I.D.E. A Puritan Golden Treasury. Banner of Truth. 1989.
• Tozer. AW The Root of the Righteous. Harrisburg. PA: Christian Publications, 1955.
• Sibbes, Richard. Works of Richard Sibbes. Banner of Truth, 1990.
• 10. Wells. David F. The Present Evangelical Crisis. Wheaton: Crossway Books, 1998

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Fonte: Os Puritanos

sábado, 1 de fevereiro de 2014

LIÇÃO 09 – DISCIPULADO – CONHECENDO O CONSOLADOR DIVINO (Jo 16.7-15)

 

INTRODUÇÃO

Abraham Kuiper, teólogo, político e educador holandês, escreveu uma obra de grande vulto sobre o Espírito Santo e disse: “Se os ministros não derem crédito à obra do Espírito Santo, darão pedra em vez de pão ao seu rebanho”.[1]
J. I. Packer, falou que o Espírito Santo tem o ministério do holofote. Disse ele: “O Espírito age como um holofote oculto que focaliza a sua luz no Salvador, fazendo-o resplandecer. A mensagem do Espírito para nós nunca é: olhe para mim; escute-me; venha a mim; conheça-me; mas sempre é: olhe para Jesus e veja a sua glória; ouça-o e escute as suas palavras; vá a ele e tenha vida. Conheça-o e prove o seu dom de alegria e paz”[2]
O Espírito é o aplicador da obra de Cristo. Sem o Espírito Santo a obra de Cristo não poderia nos valer. A obra do Espírito Santo é tão importante como a obra de Cristo. Hoje, quando se fala no Espírito Santo, quase só se pensa em dons, especialmente os dons de sinais. Não se pode restringir a ação do Espírito Santo aos dons. Não somos apenas carismáticos, somos pneumáticos. Conheçamos então pelas Escrituras, o Espírito Santo de Deus.


1. ESPÍRITO SANTO - A PROMESSA PROFÉTICA

            Há muito tempo Deus vinha anunciando por meio dos profetas a chegada de uma era muitas vezes identificada com o derramamento do Espírito Santo:
            a) Profeta Isaías profetizou um tempo de restauração, Is 44.3.
            b) Ezequiel foi bem específico, Ez 36.27;
            c) Joel fala da amplitude desse derramamento (Jl 2.28-29).
d) Toda a expectativa sobre o derramar do Espírito Santo foi anunciado por João Batista que logo se cumpriria, Mc 1.8.
            e) O Senhor Jesus prometeu um outro Consolador (Jo 16.7) Consolador  (parakletos), significa literalmente “aquele que está ao lado de”, (Rm 8.26). Esta promessa foi confirmada pelo Senhor Jesus após a sua ressurreição, (Lc 24.49).
            f) A promessa se cumpriu no dia de Pentecostes, At 2.1-4.

Nota importante
a) O Espírito Santo, o Terceiro Membro da Trindade é uma pessoa e não  uma força (Testemunhas de Jeová). Isso é muito claro nas Escrituras, onde pronomes pessoais são usados em referência ao Espírito (Jo 16.13). A Bíblia claramente representa o Espírito Santo como possuindo atributos divinos e exercendo autoridade divina. [3]

b) Analisando cuidadosamente o discurso de João Batista (Mt 3.7.12), vemos que a expressão “batizará com o Espírito Santo e com fogo” refere-se a dois batismos para duas classes de pessoas:
- O batismo com o Espírito é para o trigo, para aqueles que produziram, pela graça de Deus, frutos dignos de arrependimento. O trigo é recolhido no Seu celeiro (céu), At 11.15-16.
- O batismo com fogo é para a palha, para aquelas “árvores” que não produziram frutos, as quais serão cortadas e lançadas no fogo. Assim, a palha será separada do trigo, ou seja, os ímpios dos bons, e será queimada no fogo que nunca se apaga.
Portanto, ao invés do “batismo com fogo” ser uma promessa para os crentes, ele é uma frase expressiva dos terríveis julgamentos que Ele (Jesus) infligiria sobre a nação Judia e sobre todos quantos morressem impenitentes; quando Ele os condenará pelo pecado de rejeitá-Lo (John Gill's Exposition of the Entire Bible).


2. ESPÍRITO SANTO - O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

Em Atos 2.1-4 tem sua importância não por causa da festa judaica do Pentecostes, mas no fato de que Deus cumpriria mais um evento da história da redenção. Este evento foi o último da histórica atividade salvadora de Jesus. Sem a descida do Espírito Santo, a obra redentora de Jesus não estaria acabada, e sua promessa não teria sido cumprida.

            Observação importante - Babel e Pentecostes: No caso de Babel, houve separação por causa das línguas (Gn 11.7-9). No Pentecostes, as línguas provocaram unidade, At 2.5-8.

            No Pentecostes Deus uniu:
a) Judeus de todas as nações, At 1.1-6 - Deus dividiu as línguas dos hebreus em várias línguas, mas no Pentecostes foram reunidas demonstrando a unidade do povo de Deus.

b) Os samaritanos, inimigos históricos dos judeus, At 8.5-17 - O evangelho estava sendo aceito fora de Jerusalém, e Lucas queria mostrar como o evangelho saiu da exclusividade do ambiente judeu, sob a supervisão dos apóstolos e com todas as bênçãos do Espírito Santo. Os samaritanos, inimigos históricos dos judeus, haviam recebido a mensagem de salvação.

            c) Os gentios de Cesaréia, At 10 - Depois dos samaritanos. Agora os gentios eram incorporados à Igreja. Algo que geralmente passa despercebido é o testemunho do apóstolo Pedro que tem implicações muito sérias (At 11.15-17). Pedro diz que a conversão dos gentios foi semelhante à conversão dos apóstolos. Mas, quando os apóstolos se converteram? No pentecostes! (Lc 22.32). Os apóstolos consideravam o Pentecostes, como o ponto inicial da sua fé, e, portanto, a data da sua conversão. Eles receberam o Espírito Santo quando se converteram, assim como todos os crentes.

            d. Os discípulos de Èfeso, At 19.1-7 - Paulo vincula o recebimento do Espírito Santo com o ato de crer (At 19.2). Os discípulos de João não eram crentes, v.5-7.


3. O ESPÍRITO SANTO E A SUA OBRA[4]

O Espírito Santo é quem nos conduz à verdadeira compreensão de Cristo. A confissão do Cristo por parte da Igreja é, de certa forma, a glória do Espírito. O cristão não consegue sobreviver sem uma ação constante e poderosa do Espírito Santo em sua vida. Por isso, ao confortar os discípulos acerca de sua partida, Jesus prometeu-lhes que enviaria o Consolador, que os assistiria em todos os momentos, Jo 14.16-17. Além de substituir o Senhor Jesus, o Espírito teria ainda as seguintes funções:

            1. No Mundo
            a) Convencer o mundo, Jo 16.8;
            b) Glorificar e exaltar a pessoa de Jesus, Jo 16.14.

2. Na vida pessoal dos crentes[5]
            a) Regeneração – Regenerar significa gerar de novo, Tt 3.5.
            b) Conversão – É a resposta do homem à regeneração, ou seja, o arrependimento e fé, At 11.18.
            c) Santificação – O Espírito Santo que habitar no crente e o santifica ao longo da vida cristã, II Ts 2.13.
            d) Intercessão – O Espírito Santo interceder por pelos crentes, Rm 8.26.
e) Segurança – O Espírito Santo é o selo que garante a salvação do crente, Ef 1.13-14; 4.30.
f) Dons para o exercício do ministério – O Espírito Santo capacita a sua Igreja, Ef 4.7-16.
g) Ensinar a verdade - Lembrar das coisas que Jesus ensinou e guia-los na verdade, Jo 14.26; 16.13
            h) Fonte de Poder - Na expansão do reino espiritual, os discípulos seriam responsáveis por essa tarefa e, para garantir que esta expansão teria êxito, lhes seria mandado o Espírito Santo como fonte de poder, Mc 16.15-18.

            Para Concluir

            O Espírito Santo realiza a obra de Deus na vida do crente, e impulsiona o Reino de Deus. Identificar essa atuação deve nos levar a adorar a Deus, e a experimentar mais da graça dele. Acima de tudo, provar dessa fonte de poder e testemunho. Todo trabalho de Deus em nós, tocando nossos corações, nosso caráter e nossa conduta,  é feito pelo Espírito. Portanto, conclamamos a nossa igreja a honrarmos o Espírito Santo.
a) Temos entristecido o Espírito – quando o desobedecemos, quando não seguimos sua direção, quando quebramos a comunhão, quando proferimos palavras torpes.
b) Temos apagado o Espírito – quando tiramos o combustível que o alimenta: Palavra, oração.
Conclamo a igreja a vivermos no Espírito, a andarmos no Espírito, a seguirmos a direção do Espírito, a exercermos os dons do Espírito, a produzirmos o fruto do Espírito, a sermos cheios do Espírito, a sermos reavivados pelo poder do Espírito!




[1] KUYPER, Abraham. A Obra do Espírito Santo. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011.
[2] PACKER. J. I.  Na Dinâmica do Espírito. São Paulo: Edições Vida Nova, 1991, pg. 62.
[3] SPROUL, R. C. 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã. 2ª  impressão.  São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, pag. 9-11.
[4] PACKER, J. I. O Conhecimento de Deus. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2005, Cap. 6. 
[5] PACKER. J. I.  Teologia Concisa. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, pg. 135.

QUÃO PRECIOSA É A GRAÇA DIVINA DA FÉ – Mt 8.1-15


Pouco sabemos a respeito do centurião descrito nestes versículos. O nome dele, sua nacionalidade, sua história passada, nada disso nos é informado. Entretanto, sabemos de uma coisa – que ele creu em Jesus. Declarou ele: “Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado”.  Lembremos-nos de que ele creu, enquanto os escribas e fariseus eram incrédulos. Embora nascido gentio, ele creu, enquanto o povo de Israel estava espiritualmente cego. A respeito dele, nosso Senhor proferiu uma palavra de elogio que tem sido lida por todo o mundo, desde aqueles dias até hoje: “Nem mesmo em Israel achei fé como esta”.

Apeguemo-nos com firmeza a esta lição. Ela merece ser relembrada. Crer no poder de Cristo e na sua boa vontade em ajudar, e fazer uso prático dessa nossa crença, é um dom raro e precioso. Devemos sempre estar agradecidos por termos este dom. Estarmos dispostos a vir a Jesus não tendo outra esperança, e reconhecendo a nossa condição de pecadores perdidos, e entregar as nossas almas às mãos dEle, é um grande privilégio. 

Que nós sempre demos graças ao Senhor se temos essa disposição, pois é um dom de Deus. Essa fé é melhor do que todos os demais dons ou conhecimentos neste mundo. Muitos humildes pagãos agora convertidos, que de nada sabem senão da doença do pecado na alma, mas que confiam em Jesus, haverão de assentar-se no céu, enquanto que muitos doutores em teologia serão rejeitados para sempre. Verdadeiramente abençoados são os que creem.

Extraído do Livro “Meditações no Evangelho de Mateus” de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 54-55.

QUADRO DAS DUAS CLASSES DE OUVINTES – Mateus 7. 21-28


Quem ouve o ensino cristão e põe em prática o que ouve, é como o “homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”. Ele não se contenta em apenas ouvir exortações ao arrependimento, exortações a confiar em Cristo e a viver uma vida santa. Ele de fato se arrepende. Ele realmente crê. Ele realmente abandona a prática do mal, aprende a fazer o bem, abomina tudo que é pecaminoso e apega-se ao que é bom. Ele não só é ouvinte, mas também é um praticante (Tg 1.22).

E qual é o resultado de tudo isso? Em tempos de provação, a sua religião não o desampara. Os dilúvios de enfermidade, tristeza, pobreza, desapontamento e desolações desabam sobre ele, mas em vão. A sua alma permanece inabalável. A sua fé não cede terreno. Nunca é destituída de conforto. A sua religião talvez lhe tenha custado tribulações, em tempos passados. Os seus alicerces podem ter sido obtidos com muito esforço e lágrimas. Para descobrir o seu interesse pessoal na pessoa de Cristo, talvez ele tenha passado muitos dias de buscas incessantes, muitas horas de luta em oração. Porém, os seus labores não foram em vão. Agora ele colhe uma rica recompensa. A religião verdadeira é aquela que é capaz de resistir a provação.

Extraído do Livro “Meditações no Evangelho de Mateus” de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 51-52.

POR QUE TANTAS PREGAÇÕES TÃO RUINS?


A pregação é fundamental para o protestantismo. A proclamação da palavra de Deus é o meio primário pelo qual o cristão encontra Deus. Assim, a pergunta óbvia é: por que tantas pregações são tão ruins?

Esse não é um problema encontrado apenas em pequenas igrejas das quais ninguém jamais ouviu. Alguns anos atrás eu estava em uma conferência onde um grupo de pregadores estava sendo apontado como modelos para serem seguidos. Um desses pregadores, de uma das maiores e mais conhecidas igrejas evangélicas do universo dos novos calvinistas fez um sermão cheio de belas anedotas pessoais. Ao fim, ele havia enternecido meu coração em seu favor, como pessoa. Mas como pregação, aquilo foi simplesmente terrível, funcionalmente desconexo do texto bíblico que havia sido lido. Sinceramente, ele poderia muito bem ter substituído a leitura bíblica por um solilóquio de Rei Lear e não precisaria mudar uma sentença sequer do sermão. Pode ter sido eloquente e emocionante; mas, como pregação, foi uma completa catástrofe. E, infelizmente, foi uma catástrofe apresentada para uma multidão de milhares como o modelo do que se fazer no púlpito.

Afinal, por que tanto das pregações, mesmo as das celebridades das conferências, é tão ruim? É impossível responder essa questão em apenas uma frase. Sermões podem ser ruins por uma variedade de razões. Aqui estão oito que me parecer ser as mais significativas. Eu as dividi em categorias: teológica, culturais e técnicas.

Teológica

Primeiro, a razão teológica: para pregar bem, o pregador precisar entender o que ele está fazendo. Entender o que é uma tarefa é básico para fazer bem essa tarefa. Se você pensa que pregação é apenas comunicar informações, entreter ou fomentar uma discussão, isso vai moldar a forma com que você prega. O maior perigo para os estudantes nos seminários é que eles assumem que as aulas que eles ouvem são modelos para os sermões que eles vão fazer nos púlpitos. E não são. Pregação é um ato teológico. O pregador encontra seu correspondente não nos auditórios ou salas de aula nem, na pior das opções, no circuito de stand-up comedy. Ele o encontra nos profetas do Antigo Testamento, trazendo uma palavra de confrontação do Senhor que explica a realidade e demanda uma resposta.

Culturais

Em segundo lugar, há uma falha em prover um contexto apropriado para o treinamento dos pregadores. Os seminários tem um poder limitado; pregar três ou quatro vezes para seus colegas de classe e ser filmado enquanto isso não é uma preparação adequada para o púlpito. E a estranha prática de desencorajar pessoas que não foram licenciadas para tal não ajuda. Como alguém pode licenciar alguém para pregar a não ser que se saiba se ele consegue pregar? E como alguém vai saber fazê-lo se não tiver experiências reais em uma igreja real? A falta dos cultos noturnos em muitas igrejas não é apenas um triste testemunho sobre a perda do Dia do Senhor; também limita as oportunidades de pregação para aqueles em treinamento. Igrejas precisam fazer um trabalho melhor em encorajar aqueles que pensam que foram chamados para serem pregadores para testarem seus dons, talvez em cultos noturnos ou em outras situações. Basta pensar um pouco.

Em terceiro, há uma relativização da palavra pregada e o crescimento da ênfase no aconselhamento pessoal. Eu não estou negando a utilidade do aconselhamento pessoal, mas estou dizendo que a maioria dos problemas que muitos de nós temos deveriam ser lidados muito adequadamente por meio da proclamação pública da palavra de Deus. O mundo ao nosso redor nos diz que somos todos únicos e temos problemas igualmente únicos. Essa conversa sobre exclusividade é bastante exagerada. Precisamos criar uma cultura eclesiástica onde a exclusividade é relativizada e onde pessoas vêm à igreja esperando que a palavra pregada irá lidar com seus problemas particulares. Fico abismado com o fato de que, por mais que Paulo faça algumas aplicações individuais bastante pontuais, ele normalmente opera em um nível mais genérico. Seminários deveriam fazer da pregação a prioridade em todos os níveis; pregadores deveriam aprender a pregar com a confiança de que irão impactar indivíduos para o bem ao falarem com todos eles do púlpito.

Em quarto, há, às vezes, um fracasso em estabelecer a própria voz. Tendo sido convertido na década de 80, eu me lembro que não havia nada mais vergonhoso do que ouvir mais um pregador britânico que havia decidido que deveria soar exatamente como o Dr. Lloyd-Jones e pregar por tanto tempo quanto o grande Galês pregava. Muitos sermões brilhantes de meia hora eram implodidos pela necessidade do pregador de esticá-los até a marca de cinquenta minutos.

Hoje, talvez, o problema seja pior. Há alguns anos, questionei um grupo de estudantes sobre quem eram seus modelos favoritos de pregação. Nenhum deles mencionou qualquer dos pastores sob quem eles haviam crescido. Os nomes todos pertenciam ao pequeno e limitado grupo do circuito de pregação das mega-conferências.

Isso é desastroso por mais razões, mas não menos pelo fato de que essas conferências apresentam consistentemente como normativo um espectro muito limitado de vozes e estilos. Cada pregador precisa encontrar sua própria voz; a tragédia é que a dinâmica de preencher cinco ou dez mil assentos em um estádio significa que a única voz ouvida é aquela daquele capaz de atrair tanta gente. Mas muitas dessas vozes pastoreiam igrejas onde há pouco contato entre o pastor e o povo. Eles podem encher estádios, mas não são as únicas vozes que os aspirantes a pregadores deveriam ouvir. O tempo e o acaso podem transformar homens em pastores de mega-igrejas. Muitos pregadores muito melhores operam em igrejas menores e são eles que realmente podem testemunhar sobre a importância de se encontrar a própria voz.

Em quinto, nos círculos presbiterianos, pelo menos, é possível que se tenha uma imagem muito grande do ministério. Isso é contra-intuitivo, particularmente vindo de um presbiteriano que acredita que uma visão grande do ministério pastoral é um aspecto importante de uma igreja saudável. O que eu quero dizer aqui é: se a cultura da sua igreja projeta uma imagem tão alta do ministério a ponto da congregação pensar que o ministério ordenado é o único chamado digno para um homem cristão, a consequência infeliz é que homens que não tem as habilidades básicas para serem ministros irão, apesar disso, sentir a necessidade de serem ministros, para poderem servir da melhor forma. E homens, no ministério, que realmente não tem as habilidades pessoais necessárias para pregar não irão pregar bem. Precisamos de igrejas onde um entendimento saudável da vocação cristã é ensinada e cultivada, para que os homens não sintam esse tipo de pressão.

Técnicas

Há muitos aspectos técnicos na pregação, mas aqui estão três das mais comuns falhas técnicas que geram pregações ruins:

A falha da falta de estrutura clara. Minha impressão é que pregadores em treinamento muitas vezes assumem que a estrutura do sermão que prepararam é tão clara para a congregação quanto é para eles. E raramente é. Pregadores experientes conseguem tornar a estrutura clara simplesmente por meio de clareza de pensamento, progressão lógica e sentenças bem conectadas. Até que se atinja esse nível, eu aconselho os estudantes a esclarecerem logo no início qual é a estrutura. “Os três pontos que eu quero que vocês vejam nessa passagem são…” pode ser uma forma muito mecânica de começar a seção principal de um sermão, mas pelo menos deixa claro quais são os objetivos do pregador.

A falha de não conhecer ou não entender a congregação. Isso se manifesta de muitas formas. Normalmente, para estudantes e pregadores recém ordenados, se manifesta em entupir o sermão com o máximo possível de linguagem teológica especializada (conhecida na sala de aula como “terminologia técnica” e no púlpito como “conversa fiada”). O importante não é impressionar a congregação com o seu conhecimento. É apontar as pessoas para Cristo da forma mais clara e concisa possível.

A falha de não saber o que deixar de fora. Talvez, depois da falta de uma estrutura clara, essa é a falha mais comum entre os pregadores em treinamento. Você já leu tudo que poderia sobre a passagem; agora você quer dizer à congregação tudo o que você aprendeu. Você não pode fazer isso. Não faça a congregação beber de um hidrante. Pense com cuidado sobre quais são as coisas  mais importantes para essa congregação nesse momento (o que requer, é claro, conhecer alguma coisa sobre a congregação) e foque nisso. Todo aquele material fascinante restante? Bom, use em outro sermão sobre a mesma passagem um dia.

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Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui.