sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

LIÇÃO 08 – DISCIPULADO – CONHECENDO A SUPREMACIA JESUS (Mt 16.13-20)



INTRODUÇÃO

Certa ocasião Jesus indagou dos seus discípulos sobre o que as pessoas estavam falando a seu respeito. “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Mt. 16.13.  Eles responderam: uns dizem que o Senhor é João Batista, outros acham que é Elias, outros Jeremias, ou generalizam achando que o Senhor é um dos profetas. É interessante sabermos que o próprio Senhor espera ouvir de nós se temos conhecimento sobre quem Ele é. Porque após as respostas, Ele pergunta: e vós quem dizeis que Eu sou? A única forma de permanecermos na presença de Deus, servindo a Ele em meio a tanta iniqüidade em nossos dias nesse mundo, é procurando conhecer ao Senhor Jesus, dia após dia. O preço para conhecer Jesus é buscar a comunhão diariamente, através da oração, meditação na Palavra consagração, assiduidade nos cultos e escola bíblica, 1 Jo 2.6. 

1. JESUS E SUA INFANCIA[1]

Pouco se sabe sobre a infância de Jesus, contudo, algumas informações dos Evangelhos canônicos - Mateus, Marcos, Lucas e João - nos deixam reconstruir este tempo da vida de Jesus, que passa sem registro direto. A infância de Jesus não era algo desconhecido pelas pessoas da época, Mt 13.54-58. Conhecemos cinco eventos da infância de Jesus, são eles:

a) Circuncisão - Ele foi circuncidado ao oitavo dia e recebeu o nome de Jesus, Lc 2.21.

b) Apresentado no templo - Ele foi apresentado no templo e também foi "redimido" pelo pagamento dos cinco ciclos. Para efeito de sua purificação, Maria fez a oferta dos pobres, Lv 12.8; Lc 2.24.

c) Visita dos Magos - Um grupo de "sábios" apareceu em Jerusalém, inquirindo acerca do nascimento de um "rei dos judeus", Mt 2.2.

d) Fuga para o Egito - Deus disse a José que fugisse para o Egito com toda a família. Após a morte de Herodes, José voltou, e fixou residência em Nazaré.

e) Visita ao Templo - Quando tinha aproximadamente 12 anos, Jesus conversou com os dirigentes religiosos sobre a fé judaica. Ele revelou extraordinária compreensão do verdadeiro Deus, e suas respostas deixaram-nos admirados, Lc 2.41-52.


2. JESUS E A SUA NATUREZA[2]

Jesus não disse que veio trazer uma verdade. Ele disse "Eu sou a verdade", Jo 14.6. Jesus não veio trazer simplesmente uma religião, nem uma filosofia, nem um conjunto de regras como código de conduta. Jesus veio trazer Ele mesmo.  Por isso devemos conhecê-lo e saber o que ele fez por nós.

a) Jesus Existia Antes de Todas as Coisas, Jo 1.1-3.
Sabemos pelas Escrituras que Jesus nasceu em Belém da Judéia. Mas isso não encerra o assunto. Ele existia muito antes de nascer em Belém. Não como homem, mas como o Verbo de Deus. O Verbo nunca foi criado, Ele era Deus e sempre existiu. Foi ele quem criou todas as coisas, Cl 1.15-17.

b) Tornou-se Homem, Jo 1.14; Fp 2.6-8
Quando o Verbo se fez carne foi o próprio criador assumindo a forma de uma de suas criaturas. A humilhação de Jesus não começou na cruz, mas sim em Belém, quando tomou a forma de um simples homem. Quando o Verbo se fez carne Ele se esvaziou de sua glória de Deus (Jo 17.5), isto é, Ele se esvaziou dos atributos (qualidades e capacidades) de Deus, mas nunca deixou de ser a Pessoa do Verbo. Ele continuou sendo o Verbo, mas agora em carne humana esvaziado de sua glória, mas não totalmente. Ele tinha em sua humanidade toda glória possível da verdade e da graça de Deus, Jo1.14.

c) Teve uma Vida Perfeita e Irrepreensível, I Pe 2.22
Primeiro Jesus se esvaziou tornando-se homem. Depois, como homem, continuou se esvaziando. De que forma? Não fazendo nunca a sua própria vontade Fp 2.8.
Jesus veio para fazer sempre a vontade do Pai, Jo 4.34; 8.29.
Por isso as Escrituras dizem que Ele nunca cometeu pecado. Porque nunca fez a sua própria vontade, Hb 4.15, I Jo 3.5.
O diabo tentou Jesus desde o princípio para que Ele fizesse a sua própria vontade, mas Jesus sempre permaneceu obediente ao Pai até a morte e morte de cruz.

d) Fez uma Obra Tremenda e Grandiosa, At 10.38.
Ele curou enfermos, deu a vista aos cegos, ressuscitou mortos, andou sobre as águas, multiplicou alimentos, pregou às multidões, fez discípulos e ensinou-lhes a agradar o pai. Com que poder Ele fez isto? Ele não fez nada como Deus, pois havia se esvaziado da forma de Deus e vivia como homem. Portanto ele precisava do poder do Espírito Santo para fazer a obra de Deus, Mt 12.28; Lc 4.16-19

Tudo que Jesus fez foi pelo poder do Espírito Santo de Deus. Este mesmo Espírito está sobre aqueles que o conhecem Jesus como Senhor e Salvador, At 1.8; Jo 14.12


3. JESUS E O SEU PROPÓSITO REDENTIVO[3]

a) Jesus compartilhou dos nossos sofrimentos em sua vida
Durante a Sua vida na terra, Jesus experimentou todos os problemas da vida que enfrentamos. Assim sendo, Ele compreende os nossos sentimentos, Hb 4.15; Mt 8.17

b) Jesus morreu na cruz por nós
Homens malvados tomaram o Senhor Jesus e O executaram, crucificando-o numa cruz de madeira, como no caso de um criminoso comum. Ele poderia ter salvo a Si Próprio, mas não o fez, pois foi através da Sua morte na Cruz que Deus salvaria o mundo dos eleitos. Jesus morreu por nós! Mc 15:16-39; 1 Pe 2:24; Is 53:5,6.

c) Jesus ressuscitou dos mortos por nós
Depois de permanecer três dias na sepultura, Deus ressuscitou o Seu Filho dos mortos, I Co 15.13-19

d) Jesus abriu a porta do céu para nós
Quando a Sua obra na terra foi completada, Jesus voltou ao Céu para ficar com Deus, o Seu Pai. Mas isto também foi por nós... pois Ele abriu para nós o caminho para a presença de Deus, onde podemos habitar agora e para sempre, Hb 10.19-22; Jo 14.1-3


Para Concluir:

Sendo Jesus divino, Ele deve ser posto num nível infinitamente superior aos homens que já existiram, principalmente os fundadores de religião: Buda, Maomé, Confúcio, Alan Kardec e outros. A obra realizada por Jesus é singular, definitiva e impar. Somente Ele morreu pelo homem pecador. Logo, o cristianismo não é uma religião de ideias, mas dos atos de Deus na História. Outros líderes religiosos destacam-se por aquilo que ensinaram. Jesus, porém, por aquilo que Ele é: Deus que se tornou homem. Jesus Cristo é o único meio de se chegar até Deus. Ele é caminho para Deus.[4]

O autor aos Hebreus, no preâmbulo de sua carta (Hb 1.1-3) destaca de dez atributos de Jesus, mostrando-nos sua supremacia: Jesus é a última palavra de Deus ao homem; Jesus é o Filho de Deus; Jesus é o Herdeiro de todas as coisas; Jesus é o criador do universo; Jesus é a expressão exata do ser de Deus; Jesus é o resplendor máximo da glória de Deus; Jesus é o sustentador do universo; Jesus é o único que nos purifica do pecado; Jesus depois de morrer e ressuscitar retornou ao céu; Jesus está à destra de Deus, intercedendo pela igreja e governando o universo.[5]



[1] BORCHET, Otto. O Jesus Histórico. São Paulo: Edições Vida Nova, 1985, p. 172.
[2] KISTEMAKER, Simon. Os Milagres de Jesus. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2009.
[3] BLOMBERG, Craig. Jesus e os evangelhos: Uma introdução ao estudo dos 4 evangelhos. São Paulo: Editora Vida Nova, 2009.
[4] SPROUL, R. C. A Glória de Cristo. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
[5] LOPES, Hernandes Dias. Colossenses: A suprema grandeza de Cristo, o cabeça da Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A INUTILIDADE DE UMA PROFISSÃO MERAMENTE EXTERNA DO CRISTIANISMO – Mateus 7.21-29


Nem que todos os que dizem “Senhor, Senhor” entrarão no reino dos céus. Nem todos os que professam o cristianismo, ou se dizem cristãos, serão salvos.

Prestemos atenção a este fato: para salvar uma alma é preciso muito mais do que a maioria das pessoas parece julgar necessário. Podemos ate ter sido batizado em nome de Cristo, e nos orgulhar presunçosamente em nossos privilégios eclesiásticos. Podemos ser donos de grande conhecimento intelectual, e estar bem satisfeitos com a nossa condição. Podemos até mesmo ser pregadores e mestres sobre outrem e fazer “muitas obras maravilhosas” em conexão com a Igreja a que pertencemos. Mas, durante esse tempo, temos praticado a vontade do Pai celeste? Temos verdadeiramente nos arrependido? Temos realmente confiado em Cristo e vivido vidas santas e humildes? Se assim não for, a despeito de todos os nossos privilégios,  e do nosso professo cristianismo, perderemos o céu afinal, e se remos rejeitados para todo o sempre. Ouviremos aquelas terríveis palavras: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

O dia do juízo final haverá de revelar coisas muito estranhas. As esperanças de muitos dos que foram considerados grandes cristãos, quando em vida, serão totalmente vãs. A corrupção de sua religião será desmascarada e lançada ao opróbrio, perante os olhos do mundo inteiro. E então ficará provado que, para ser salvo, é necessário muito mais  do que apenas “uma profissão de fé”. Devemos praticar o nosso cristianismo, tanto quanto professá-lo. Que nós com frequência nos lembremos desse grande dia do juízo, e nos julguemos a nós mesmos, para não sermos julgados e condenados  (I Co 11.31) pelo Senhor. Sem importar o que mais sejamos, que o nosso alvo consistia em sermos reais, verdadeiros e sinceros.

Extraído do Livro “Meditações no Evangelho de Mateus” de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 50-51.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

DEVEMOS NOS ACAUTELAR DOS FALSOS PROFETAS – Mateus 7.13-20


A conexão entre esta passagem e a anterior é impressionante. Queremos ficar bem longe do “caminho largo”? Então, devemos estar precavidos contra falsos profetas, pois haverão de surgir. Eles começaram a aparecer já nos dias dos apóstolos. Desde aquele tempo as sementes do erro têm sido lançadas. Desde então, eles tem aparecido continuamente. Precisamos estar preparados contra eles, mantendo-nos sempre em guarda.

Esta advertência de que muito precisamos. Há milhares de pessoas que parecem estar sempre prontas a crer em qualquer coisa que ouvirem, desde que venha dos lábios de alguém que tenha o título de ministro religioso. Esquecem-se que um clérigo pode errar, tanto quanto um leigo. Eles não são infalíveis. O que eles ensinam precisa ser confrontado com os ensinamentos das Sagradas Escrituras. Só devemos seguir tais ministros, e crer no que ensinam enquanto as doutrinas por eles ensinadas concordarem com a Bíblia, e nem um minuto a mais. Devemos fazer prova deles, pelos “seus frutos”. Sã doutrina e a vida santa são sinais característicos dos verdadeiros profetas. Lembremo-nos disto. Os erros dos nossos ministros não justificam os nossos próprios erros. “Se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco” (Mt 15.14).

Qual a melhor salvaguarda contra falsos ensinamentos? Sem sobra de dúvida, a resposta é o estudo regular da Palavra de Deus, sempre acompanhado de uma oração que rogue a iluminação do Espírito Santo. A Bíblia foi nos outorgada para ser uma Lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos (Sl 119.105).  Deus não permitirá que quem a ler corretamente caia em algum erro irremediável. A negligência para com a Bíblia é que faz tantas pessoas se tornarem presas fáceis do primeiro falso mestre que aparecer. Tais pessoas querem nos fazer acreditar que não são “estudados”, nem têm a “pretensão” de terem opiniões bem formadas. A verdade é que são preguiçosos, negligenciam a leitura da Bíblia, e não querem ter o trabalho de pensar por si mesmos. Não existe nada que forneça tantos seguidores para os falsos profetas do que a preguiça espiritual, disfarçada sob uma capa de humildade.

Que todos nós possamos sempre ter em mente a advertência do Senhor! O mundo, o diabo e a carne não são os únicos perigos no caminho cristão. Há ainda um outro: o “falso profeta”, o lobo disfarçado em pele de ovelha. Feliz é quem estuda a Bíblia e ora, e sabe a diferença entre a verdade e o engodo, na religião! Existe uma diferença, e nós deveríamos reconhecê-la muito bem, fazendo uso do conhecimento que nos foi outorgado.

Extraído do Livro “Meditações no Evangelho de Mateus” de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 49-50.

domingo, 8 de dezembro de 2013

AFINAL, O QUE ESTÁ DE ERRADO COM A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE? - Rev. Augustus Nicodemus


Apesar de até o presente só ter melhorado a vida dos seus pregadores e fracassado em fazer o mesmo com a vida dos seus seguidores, a teologia da prosperidade continua a influenciar as igrejas evangélicas no Brasil.

Uma das razões pela qual os evangélicos têm dificuldade em perceber o que está errado com a teologia da prosperidade é que ela é diferente das heresias clássicas, aquelas defendidas pelos mórmons e "testemunhas de Jeová" sobre a pessoa de Cristo, por exemplo. A teologia da prosperidade é um tipo diferente de erro teológico. Ela não nega diretamente nenhuma das verdades fundamentais do Cristianismo. A questão é de ênfase. O problema não é o que a teologia da prosperidade diz, e sim o que ela não diz.

- Ela está certa quando diz que Deus tem prazer em abençoar seus filhos com bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que qualquer bênção vinda de Deus é graça e não um direito que nós temos e que podemos revindicar ou exigir dele.

- Ela acerta quando diz que podemos pedir a Deus bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que Deus tem o direito de negá-las quando achar por bem, sem que isto seja por falta de fé ou fidelidade de nossa parte.

- Ela acerta quando diz que devemos sempre declarar e confessar de maneira positiva que Deus é bom, justo e poderoso para nos dar tudo o que precisamos, mas erra quando deixa de dizer que estas declarações positivas não têm poder algum em si mesmas para fazer com que Deus nos abençoe materialmente.

- Ela acerta quando diz que devemos dar o dízimo e ofertas, mas erra quando deixa de dizer que isto não obriga Deus a pagá-los de volta.

- Ela acerta quando diz que Deus faz milagres e multiplica o azeite da viúva, mas erra quando deixa de dizer que nem sempre Deus está disposto, em sua sabedoria insondável, a fazer milagres para atender nossas necessidades, e que na maioria das vezes ele quer nos abençoar materialmente através do nosso trabalho duro, honesto e constante.

- Ela acerta quando identifica os poderes malignos e demônicos por detrás da opressão humana, mas erra quando deixa de identificar outros fatores como a corrupção, a desonestidade, a ganância, a mentira e a injustiça, os quais se combatem, não com expulsão de demônios, mas com ações concretas no âmbito social, político e econômico.

- Ela acerta quando diz que Deus costuma recompensar a fidelidade mas erra quando deixa de dizer que por vezes Deus permite que os fiéis sofram muito aqui neste mundo.

- Ela está certa quando diz que podemos pedir e orar e buscar prosperidade, mas erra quando deixa de dizer que um não de Deus a estas orações não significa que Ele está irado conosco.

- Ela acerta quando cita textos da Bíblia que ensinam que Deus recompensa com bênçãos materiais aqueles que o amam, mas erra quando deixa de mostrar aquelas outras passagens que registram o sofrimento, pobreza, dor, prisão e angústia dos servos fiéis de Deus.

- Ela acerta quando destaca a importância e o poder da fé, mas erra quando deixa de dizer que o critério final para as respostas positivas de oração não é a fé do homem mas a vontade soberana de Deus.

- Ela acerta quando nos encoraja a buscar uma vida melhor, mas erra quando deixa de dizer que a pobreza não é sinal de infidelidade e nem a riqueza é sinal de aprovação da parte de Deus.

- Ela acerta quando nos encoraja a buscar a Deus, mas erra quando induz os crentes a buscá-lo em primeiro lugar por aquelas coisas que a Bíblia constantemente considera como secundárias, passageiras e provisórias, como bens materiais e saúde.

A teologia da prosperidade, à semelhança da teologia da libertação e do movimento de batalha espiritual, identifica um ponto biblicamente correto, abstrai-o do contexto maior das Escrituras e o utiliza como lente para reler toda a revelação, excluindo todas aquelas passagens que não se encaixam. Ao final, o que temos é uma religião tão diferente do Cristianismo bíblico que dificilmente poderia ser considerada como tal. Estou com saudades da época em que falso mestre era aquele que batia no portão da nossa casa para oferecer um exemplar do livro de Mórmon ou da Torre de Vigia...

Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]