sábado, 21 de setembro de 2013

CESSACIONISMO - COMPILADO DE ARGUMENTOS!



Embora os excessos “carismáticos” de hoje em dia extrapolam-se para além da tradicional prática de falar em línguas e descambam-se para os verdadeiros espetáculos que raiam ao bizarro (haja vista as manifestações extáticas associadas à Bênção de Toronto), as línguas ainda podem ser consideradas assunto em pauta, ante a necessidade de esclarecimento acerca da matéria. Não nos estendemos pelos muitos outros pontos teológicos envolvidos, como a teologia da segunda bênção, o papel da experiência subjetiva na vida cristã, e assim por diante. O que se segue é meramente uma compilação dos melhores argumentos cessacionistas que demonstram que as línguas e a profecia cessaram com o fim da era apostólica. De modo algum estes argumentos são originais. Para tanto, baseamo-nos muito no trabalho de Richard Gaffin em Perspectives on Pentecost (1979), o qual consideramos o melhor livro sobre o assunto. De fato, muito do que se segue não passa de simples esboço dos argumentos de Gaffin, citados por nós de forma completamente livre. Outras fontes são citadas também a título de corroboração e exposição.

Enunciado da tese cessacionista

"Cessacionismo": assim entendida a tese que alguns dons (e seus correspondentes ministérios) descritos no Novo Testamento são ordinários e perpétuos, enquanto outros eram extraordinários e foram paulatinamente desaparecendo da vida da igreja a partir do fim da era apostólica.

Dons ordinários/ministérios
(para justificação dessa tríplice classificação, veja Brown

1. Pastores e mestres - Rom. 12:7; Efé. 4:11; I Tim. 3:1-7 
2. Presbíteros (dom de dirigir e governo) - I Cor. 12:28; Rom. 12:8; I Tim. 5:17 
3. Diáconos (dom de serviço, distribuição, misericórdia) - Rom. 12:7-8; I Tim. 3:8-13

Dons extraordinários/ministérios

(I Cor. 12:28-30; Efé. 4:11)

1. Apóstolos 
2. Profetas (palavra de sabedoria; de conhecimento - I Cor. 12:8) 
3. Evangelistas 
4. Discernimento de espíritos (I Cor. 12:10) 
5. Línguas 
6. Interpretação de línguas
7. Operadores de milagres; curas ("fé" inclusive(?) I Cor. 12:9)

Nota sobre a relação entre dom e ministério

Não podemos detalhar aqui, mas nos parece razoável presumir que há um relacionamento íntimo entre dom e ministério. No caso dos dons extraordinários, é desnecessário presumir que um apóstolo tivesse de impor as mãos sobre cada pessoa para que recebesse um determinado dom extraordinário (apesar de que isso ocorreu em alguns exemplos - Atos 8:17; 19:6; II Tim. 1:6). Em vez disso, a outorga de carismas ocorria por ocasião da ordenação.

No que diz respeito aos dons ordinários, emerge o seguinte quadro. Nas Epistolas Pastorais (que nos dão uma idéia da ordem a ser perpetuada na igreja após a era apostólica), vemos as qualificações (I Tim. 3:1-13), o teste probatório (I Tim. 3:10), e a ordenação (I Tim. 5:22; Tit. 1:5) como elementos fixos a ser considerados no estabelecimento de oficiais ou lideres na igreja, os quais eram dotados de dons de ensinar (pastor), reger (presbítero) ou exercer misericórdia (diácono).

Além dos ministérios especiais, há também o ministério geral de todos os crentes (Efésios 4:11-13). Uma vez que todo o Corpo de Cristo é dotado espiritualmente, cada um pode (e deve) exercitar o seu, ou os seus, dons, "para a obra do ministério" e da edificação do corpo, sem ter que necessariamente ser ordenado a um ministério/oficio especial (Rom. 12:4-8; Efé. 4:16; I Ped. 4:10-11).

Afirmações positivas
A questão não é se o cessacionista aceita (ou rejeita) a realidade da obra do Espírito Santo na vida dos crentes.

A posição cessacionista afirma que todos os crentes possuem “o dom” do Espírito Santo (Jo. 7:37-39; At. 2:38; I Cor. 12:13). Todos os que são batizados em Cristo são batizados com o Espírito Santo.

Além disso, afirma-se que a igreja pós-apostólica continua sendo abençoada ricamente com várias distribuições do Espírito Santo, ("dons") para a edificação do corpo de Cristo através de diversas formas de ministério (I Cor. 12; Efésios 4:11-16). Todo o crente possui tanto “o dom” como “dons”. Nem todos crentes têm todos os dons, uma vez que estes são distribuídos por Deus conforme lhe apraz (I Cor. 12).

Sobretudo, a posição cessacionista não nega o subjetivo, o aspecto experiencial da vida cristã, que pode ser considerado como um elemento intrínseco do ministério do Espírito Santo. Tão profunda e misteriosa é a obra do Espírito na vida dos crentes que chega a ser por vezes indescritível (Rom. 11:33; II Cor. 9:15; 12:4; I Ped. 1:8), ministrando-nos num nível de nosso ser que suplanta o nosso intelecto. O Espírito ministra a nós …
• a ajuda na oração (Rom. 8:26-27; Efé. 6:18; Jud 20) 
• o derramamento do amor de Deus em nossos corações. (Rom. 5:5) 
• a impressão em nós de um antegozo da glória celeste. (II Cor. 1:21b; Efé. 1:13 e ss.) 
• a nossa santificação (I Cor. 6:11; I Ped. 1:2) 
• o enchimento de nossos corações com o amor, alegria, paz, esperança etc. (Rom. 15:13; Gal. 5:22 e ss.) 
• o nosso despertamento com poder para a mortificação da carne (Rom. 8:13) 
• a testificação em nosso espírito de que somos filhos de Deus (Rom. 8:15b)

Certamente essa lista é incompleta, e sem dúvida muitos aspectos do ministério do Espírito Santo, acima descritos, são sobrepostos ou se tornam indistinguíveis na experiência atual.

Os cessacionistas afirmam também que, embora todo o verdadeiro filho de Deus tem o Espírito como um dom permanente (Rom. 8:9), a experiência subjetiva do crente é variável. Portanto, é possível entristecer e apagar o Espírito Santo (Efé. 4:30; I Tes. 5:19), e, por isso, somos ordenados a nos enchermos e andarmos no Espírito (Efé. 5:18; Gal. 5:25).

Pressuposto básico

"As línguas no NT sempre estavam intimamente associadas à profecia e, quando interpretadas, eram funcionalmente equivalentes à profecia, como revelação de Deus para edificar os outros. De fato, as línguas eram uma forma de profecia" (Gaffin, p. 102)

“Talvez pudéssemos até falar um certo tipo de línguas essencialmente proféticas, a diferença é que, ao contrário da profecia, essas línguas requerem interpretação para serem entendidas pelos outros” (Gaffin, p. 80)

Pressuposto provado

1. "Um deliberado contraste entre profecia e línguas estrutura todo o capitulo. Este par de dons percorre segue uma linha mestra em quase todo o contexto... O que estrutura I Coríntios 14 é a junção da profecia com as línguas, o que leva a concluir que de fato ambos, justapostos, são dons da palavra revelatória." (Gaffin, pp. 56, 81). "O que liga profecia às línguas, o que ambas têm em comum é o que as fazem comparáveis (contrastáveis) e explicam suas equivalências funcionais, sendo isso o que determina que elas são o dom da palavra." (Gaffin, p. 58)

2. A possibilidade de interpretação das línguas indica (I Cor 12:10, 30; 14:5, 13, 26-28) que é uma comunicação inteligível de Deus. Conseqüentemente, deve ser uma revelação divina. (Este ponto é válido ainda que as línguas em Corinto fossem línguas atualmente existentes.)

3. “Conforme I Cor. 14:5 ("o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete"), as línguas interpretadas são funcionalmente equivalentes à profecia. (Robertson, p. 27) "A inferioridade fundamental ou a depreciação das línguas em relação à profecia aparentemente aplica-se somente às línguas não interpretadas e é removida quando ocorre interpretação." (Gaffin, p. 57)

4. “O caráter revelacional e inspiratório das línguas é também visto no fato de que pelo Espírito 'quem fala em línguas… fala mistério' (I Cor. 14:2)." Compare-se com I Cor. 13:2. (Gaffin, p. 79) "Este termo 'mysterion', no NT, tem um verdadeiro significado específico que inerentemente evoca a idéia de comunicação da revelação divina." (Robertson, p. 23)

5. "Em Atos, encontramos indicações de uma associação definida entre profecia e línguas." Atos 2:4 (cf. vv. 17-18, citando Joel 2:28 em diante); 19:6 ("eles falaram em línguas e profetizaram"). (Gaffin, pp. 81-82)

6. Exegese cuidadosa de I Cor. 14:14 (veja 2. abaixo) conduz a seguinte tradução: "Porque se eu oro em línguas, o Espírito em mim [ou, o espírito que me foi dado] ora, mas o meu intelecto fica inativo." (NEB). Desse modo, alguém que fala em línguas fala palavras inspiradas pelo Espírito Santo, o que é a definição de profecia. Cf. v. 2. (Gaffin, pp. 73-78)

Pressuposto defendido

O fato das Escrituras mencionarem outros usos secundários das línguas não prejudica o seu caráter intrínseco fundamentalmente profético e revelacional. Os três argumentos seguintes têm sido utilizados para relevar os usos secundários do dom de línguas e dessa maneira minimizar ou eliminar o seu elemento profético/revelacional.

1. “Há uma utilização divina das línguas”

"Em I Coríntios 14 Paulo diz que 'alguém que fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus' (v. 2) e as línguas redundam em 'oração,' 'cânticos,' e 'ações de graças' a Deus (vv. 14-17). Um argumento por vezes contrário a natureza revelacional das línguas em Corinto e que é mais uma direção divina das línguas e menos, ou nada a ver, com uma direção à revelação."

Resposta:

“Em contraposição… quando nos debruçamos sobre os Salmos e outras porções doxológicas da Escritura. Caso recitemos algum salmo que é dirigido a Deus e não aos homens, por essa razão então não seria revelação? Em sentido contrário, sob a direção divina é revelação inspirada e registrada na Escritura para que pudesse servir para edificação do seu povo da aliança, e é isso o que as línguas (interpretadas) também são e para isso que elas também serviriam (v. 5)." (Gaffin, p. 80)

2. Línguas não revelacionais

I Cor. 14:14 diz: "Porque se eu orar em língua, o meu espírito ora, sim, mas o meu entendimento fica infrutífero." Alega-se que este texto ensina que há uma função não-revelacional para as línguas, ou seja, é uma expressão das profundezas do espírito do crente, sub-racional e não-conceitual.

Resposta:

Esta visão precisa tomar a expressão "meu espírito" como uma referência ao espírito humano, e deve empregá-la em contraste com a "minha mente". Mas isso é exegeticamente indefensável pelas seguintes razões:

• A antropologia do NT nunca coloca o "espírito" e a "mente" humanas uma contra a outra assim desse jeito. O único dualismo que a escritura aceita é entre o corpo e o espírito/mente/coração/alma, ou entre "o homem exterior" e "o homem interior." O fato de Paulo poder falar em "renovar no espírito da vossa mente" (Efé. 4:23), mostra que "espírito" e "mente" pertence ao mesmo domínio semântico. Cf. também Marcos 12:30. (Gaffin, pp. 74f) 

• A palavra "espírito" em I Cor. 14:14 não deveria ser interpretada antropologicamente (como um componente da psicologia humana) mas carismaticamente (como uma referência ao dom dado a cada profeta pelo Espírito Santo). Este é um uso estabelecido: "o que fala em língua... (pelo) em (seu) espírito fala mistérios" (v. 2); "já que estais desejosos de dons espirituais,"(lit. "espíritos," v. 12); "os espíritos dos profetas são sujeito aos profetas" (v. 32);"a outros, o dom de discernir os espíritos" (I Cor. 12:10); "não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo." (I Jo. 4:1); "o Deus dos espíritos dos profetas" (Apo. 22:6). 

3. Uso privado das línguas

I Cor. 14:4 nos diz que "quem fala em línguas edifica-se a si mesmo."Usualmente, este verso está mencionado em conexão com uma interpretação antropológica de "espírito" nos vv. 2 e 14 (que examinamos acima e deixa muito a desejar). O argumento é que, embora as línguas precisem ser traduzidas, se exercitadas em publico, elas ainda são espiritualmente benéficas ao individuo que as usa privadamente ("Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus." v. 28).

Resposta A:

“Qualquer uso privado das línguas, separadas, acrescidas, ou independentes do seu exercício publico, ligado à interpretação, certo modo, descaracteriza o dom. É como se dissesse que há um dom de línguas para o uso privado, e outro para o uso público (com interpretação). No entanto, particularmente, qualquer utilização privada das línguas evoca um aspecto estritamente subsidiário, periférico do dom. As línguas privadas são vistas como adjuntos benéficos, subsidiários, desfrutados pelo recipiente do dom (a ser interpretado) que tem função revelacional distintiva. Note-se que estão debaixo das reiteradas ordens de Paulo justamente os que oravam e louvavam em línguas (v. 14b), no sentido de que houvesse interpretação (v. 13; cf. v. 5), os quais freqüentemente entendiam como central o exercício privado do dom. Da visão que sustenta que as línguas foram primeiramente dadas para a vida de oração pessoal do crente, e não para exercitá-las publicamente na congregação, distanciadas da interpretação, pode-se dizer apenas que isso inverte complemente o ponto de vista focalizado por Paulo em I Coríntios 14". (Gaffin, p. 83)

Resposta B:

É precisamente este aspecto não-intelectual, sub-racional do falar inspirado, extático que fazia tão atrativo o dom de línguas aos cristãos imaturos de Corinto. E é justamente este aspecto que Paulo quer controlar, limitar, e minimizar. É verdade que não proíbe que se falem em línguas (de fato, ele proíbe que seja proibido - 14:39). Mas ele reprova os coríntios por suas prioridades imaturas (14:20), visto que eles exaltavam a expressão extática acima do o falar inteligível, edificante (profecia, interpretação de línguas). Paulo permite o dom extático, obviamente, porque ele era um dom genuíno do Espírito para aquele tempo, mas ele solicita que este dom seja exercido em determinada forma, precisamente por causa dos abusos que poderiam surgir devido seu elemento necessariamente não-racional, extático. Ele o limita de três maneiras:

• Como a profecia, as línguas estão sujeitas à avaliação e ao discernimento dos seus conteúdos pelos companheiros-profetas existentes na igreja reunida (I Cor. 12:10; 14:29). Todas supostamente inspiradas, as expressões extáticas precisam ser julgadas para ver se elas estão "de acordo com a analogia da fé"(Rom. 12:6 – para exegese veja Gillespie, cap. 1). "não desprezeis as profecias; mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom" (I Tes. 5:20 ss/comp. I Jo. 4:1-3).

De acordo com Gillespie, os pneumáticos de Corinto aparentemente criam que as expressões ininteligíveis, extáticas (glossolalia) eram o principal sinal verificador do falar inelegível autêntico (profecia). "Os que eram infantes espiritualmente a viam [línguas] com o sine qua non da obra do Espírito, sem dúvida, como um 'sinal' confirmatório da expressão profética." (Gillespie, p. 160)

Mas, em I Cor. 12:1-3 Paulo contesta essa avaliação simplista e imatura da importância das línguas. Parafraseando: "Vocês sabem que as evidências de êxtase não são critérios confiáveis para apurar a autenticidade da inspiração divina por que no passado pagão de vocês elas os dirigiam aos ídolos mudos (v. 2). Então, a legitimidade das expressões proféticas precisa ser julgada puramente com base no seu conteúdo material (v. 3)." (Gillespie, p. 83)

• A segunda limitação é intimamente relacionada à primeira, mas aduz-se outra dimensão: o falar extático não é evidência suficiente de que alguém está sob inspiração do Espírito.

De acordo com a exigência de que as línguas estejam em consonância com o evangelho ortodoxo, Paulo insiste que elas precisam ser traduzidas de modo a que seu conteúdo ortodoxo possa edificar o corpo. É claro que a edificação inteligível, racional, doutrinária é a única justificativa para o exercício das línguas na assembléia. Se elas não servem para este propósito, elas meramente enchem de orgulho o possuidor do dom, o que está em oposição ao amor (I Cor. 13).

• Por fim, argumentar que a utilização privada, auto-edificadora, não-revelacional das línguas deveria continuar hoje implica em prejudicar a força do argumento de Paulo em I Cor. 14. Porque é precisamente este elemento extático, não-racional, que Paulo insiste que deve ser colocado totalmente em subserviência à função revelacional, pública, verificável e corporativa do dom. De acordo com Paulo, qualquer beneficio do falar não revelacional e extático deve ser considerado como secundário, efeito colateral subordinado ao propósito e função próprios do dom, e então não é algo para ser procurado à parte deste propósito e função precípuas.

"A noção de línguas não-revelacionais, como as incontidas vocalizações, se pré-conceituais, provenientes do lado inconsciente da personalidade … não é ensinada em I Coríntios 12-14, ou em qualquer outro lugar do NT." (Gaffin, p. 81)

Três argumentos cessacionistas

A. O argumento do encerramento do Cânon (menos persuasivo)

1. O apostolado foi um evento redentivo-histórico irrepetível do mesmo modo que a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo, por que "o anúncio da redenção não pode ser separado da própria história da redenção." (Ridderbos, pp. 12-15).

2. O apostolado foi encerrado depois da chamada de Paulo, uma vez que ele estabelece que Cristo apareceu-lhe "o último de todos" (I Cor. 15:8 – veja o detalhamento da exegese em Jones). A Doutrina Católica Romana da sucessão apostólica não tem fundamentação exegética (Cullmann, pp. 207, 236).

3. A presença do apostolado era uma condição necessária para a produção das Escrituras inspiradas do Novo Testamento. "A base redentivo-histórica do cânon do Novo Testamento somente poderia ser procurada na autoridade apostólica e tradição." (Ridderbos, p. 24)

4. Conseqüentemente, como o apostolado, a escritura do Novo Testamento é um evento redentivo-histórico irrepetível, único, e completo. "Quando entendido em termos de história da redenção, o cânon não pode ser aberto; por princípio ele precisa ser fechado. Conseqüência direta da natureza única e exclusiva do poder dos apóstolos recebido de Cristo… A natureza fechada do cânon do Novo Testamento permanece no final das contas de significância definitiva, de uma vez por todas, na própria história da redenção apresentada pelas testemunhas apostólicas." (Ridderbos, p. 25)

5. A partida definitiva do apostolado necessariamente implica no encerramento do cânon do Novo Testamento.

6. Para que a profecia (incluindo línguas - veja "pressuposição básica" acima) pudesse continuar nas gerações subseqüentes pós-apostólicas da igreja, para além do período fundacional, teria que necessariamente criar tensões com o caráter fechado, finalizado, do cânon. De fato, do mesmo modo, a continuação poderia acabar com o cânon em seu sentido estrito. (Gaffin, p. 100).

7. Conseqüentemente, os dons proféticos (profecia, línguas etc.) tinham que passar da vida da igreja com o encerramento do cânon do NT.

B. O argumento de Efésios 2:20

1. Tecnicamente, este argumento não deve ser separado do precedente. São fundamentalmente criveis algumas considerações teológicas (a natureza única e temporária do apostolado). De qualquer forma, é mais pedagogicamente útil apresentar este argumento separadamente, uma vez está baseado mais num texto-prova explicito do que numa dedução apenas.

2. “Texto decisivo, de importância crucial, é Efésios 2:20 (no seu contexto) e precisa ser apreciado…. I Coríntios 14 … tem um escopo relativamente estreito e está confinado à situação especifica de Corinto. O texto de Efésios, por outro lado, pode ser visto como uma carta circular, pela qual originalmente Paulo tinha em mente um leque de destinatários mais amplo do que a congregação de Éfeso. O mais importante ainda é que 2:20 é parte duma seção que analisa a igreja como um todo de forma mais abrangente e compreensiva. Efésios 2:20 padroniza, vê o edifício inteiro, e situa nesse contexto a profecia (uma parte das fundações do edifício); I Coríntios e outras passagens sobre profecia examina antes de tudo uma parte desse todo. Efésios 2:20, então, com seu escopo amplo tem que ter um papel essencial e dominante na busca do entendimento de outras menções de profecias no NT que têm foco mais estreito, mais particular e mais detalhado…." (Gaffin, p. 96)

3. "Efésios 2:20 associa 'profetas' com os apóstolos em atividade de testemunhas fundamentais ou de ministros da palavra." (Gaffin, p. 93)

4. Esses "profetas" não são os profetas do Antigo Testamento, mas estes são encontrados em todo o NT (Atos 13:1 em diante; 21:10 e ss.; I Cor. 12:28; 14:1-40; Ef. 4:11; Apo. 1:1-3). O fato de que os profetas do AT não são iguais aos do NT é demonstrado em Ef. 3:5 que usa a mesma frase "apóstolos e profetas" em contraste com a revelação no AT.

5. Um estudioso não-cessationista admite que a exegese de Gaffin de Efésios 2:20 está correta e pode favorecer a posição cessacionista. No entanto, ele tenta esquivar-se de focalizar este argumento através da interpretação de que havia "os apóstolos que eram também profetas" (Grudem, pp. 45-64). Mas essa exegese não passa pelo crivo de qualquer análise gramatical séria (Wallace), e os demais argumentos de Grudem tem sido respondidos ponto por ponto (White).

6. "Línguas estão ligadas à profecia e se mantém, por assim dizer, nas sombras. Há pelos menos uma sugestão no capítulo [I Cor. 14] de que as línguas não têm lugar na vida da congregação à parte de sua coexistência, e exercício conjugado, com a profecia." (Gaffin, p. 58)

7. Mesmo que o dom de línguas per se não aparece em Ef. 2:20, a evidência aduzida no "pressuposto básico" (acima) nos força a concluir que na medida em que as línguas são interpretadas elas são funcionalmente equivalentes à expressão profética, e assim pôde participar na aludida fundação da Igreja.

8. Inerente à analogia da fundação é a idéia de que uma vez que o fundamento foi lançado , todo o trabalho que resta é edificar sob o fundamento (I Cor. 3:10-15). Quando Paulo identifica os apóstolos e os novos profetas da aliança com a fundação da igreja, afirma desse modo seu papel original, não-perpétuo.

9. Conseqüentemente, o dom de línguas era para a fundação da igreja, e conseqüentemente nada mais natural que tenham "desaparecido da vida da igreja juntamente com a profecia e os demais dons fundacionais, ligados à presença do apostolado na igreja." (Gaffin, p. 102).

C. O argumento das línguas como um sinal

1. Paulo declara que as línguas como línguas (isto é, à parte do conteúdo revelacional, quando interpretadas) foram dadas como um sinal de juízo de Deus contra os descrentes (I Cor. 14:20-22).

2. De maneira análoga às parábolas de Jesus (Marcos 4:12), as línguas foram dadas primariamente (mas não exclusivamente) para endurecer Israel na incredulidade. Essa função "está ligada inseparavelmente à transição definitiva da velha para a nova e final história da aliança, uma transição que resulta na fundação da igreja." (Gaffin, p. 107)

3. A citação por Paulo de Isaias 28:11-12, característico da utilização do AT no NT, evoca intencionalmente o contexto mais amplo de Isaias 28, particularmente, o v. 16 ("Eis que ponho em Sião como alicerce uma pedra, uma pedra provada, pedra preciosa de esquina, de firme fundamento"). "No NT este versículo é proeminente nas passagens relativas à edificação da Igreja; é mencionado em I Pedro 2:6 (cf. v. 4) e evidentemente se baseia no que se encontra em Efésios 2:20 (cf. I Cor. 3:11). Cristo como o fundamento da Igreja é o cumprimento desta profecia. Mas é também citado em Romanos 9:33 (cf. 10:11), onde é aplicado contra o Israel infiel a Cristo e ao Evangelho (cf. 9:31 e ss.). O julgamento sobre Judá foi predito por Isaias, inclusive por meio da manifestação das línguas estranhas enviadas por Deus, o que foi cumprido mediante o lançamento do alicerce da Igreja em Cristo e nos apóstolos (e profetas). O tempo de Deus (de uma vez por todas) lançar um firme fundamento em Sião é também o tempo de conclusão do julgamento dos infiéis em Sião provocado por essa atividade." (Gaffin, p. 108)

4. "Dentro deste amplo contexto de profecia e cumprimento, pois, o ponto que Paulo salienta em I Coríntios 14:21 e ss. é que as línguas são sinal de juízo de Deus ocorrido durante a inauguração da nova aliança e a fundação da Igreja. Línguas são o sinal de julgamento correlato ao ocorrido em outras oportunidades (lançar fundamentos), relativo às ações divinas (primariamente no contexto judaico) contra os infiéis e o julgamento escatológico que o acompanha."

5. Apesar de não podermos restringir as línguas como um sinal exclusivamente aos judeus infiéis (uma vez que I Cor. 14:22 o aplica a todos os descrentes), continua sendo verdade isso especificamente em relação aos judeus infiéis, o que conduz à ab-rogação da antiga ordem da aliança e o lançamento das bases para uma nova aliança. Além disso, vemos em Atos 18:1-17 que a oposição judaica à missão gentílica era muito forte em Corinto.

6. "Não pode ser negligenciado que, seja qual for significância das línguas como um sinal, Paulo ensina claramente que essa função de sinal é uma característica integral das línguas, presente sempre quando o dom é exercitado." (Gaffin, p. 109)

7. Então, visto que as línguas são um sinal pertencente ao período de transição na história da redenção, quando o antigo Israel estava sendo rejeitado e o novo Israel estava sendo instaurado, hoje elas não são mais necessárias.

Nota sobre 1Co 13:8 em diante (argumento [A] pela cessação)

1. Alguns cessacionistas, em busca de um argumento conclusivo e definitivo contra o contemporanismo de línguas e profecia, têm tentado identificar “o perfeito” com o encerramento do cânon do NT. De qualquer forma, os melhores exegetas cessacionistas admitem que esta interpretação não pode ser exegeticamente sustentada.

2. A chegada do "perfeito" (v. 10) pode coincidir com a vinda de Cristo, porque é somente ai que conheceremos como somos conhecidos (v. 12).

3. Se isso for admitido, estamos forçados a opor a conclusão de que as línguas e a profecia continuariam até a Parousia?

4. Não necessariamente. "Paulo bem que poderia ter também mencionado a escrituração como uma forma de revelação", a qual é, assim como a profecia e as línguas, um modo "parcial" de conhecer a Deus, que será substituído pelo "perfeito" na Parousia. "Mas cessou a escrituração. E se concordamos com isso, então é despropositado insistir que essa passagem ensina que os modos de revelação mencionados, profecia e línguas, continuariam em funcionamento na Igreja até a volta de Cristo." (Gaffin, p. 111)

5. "O momento da cessação da profecia e línguas é uma questão aberta até agora, ainda que essa passagem referia a isso. Deveria ser decidida a questão com base em outras passagens e considerações." (Gaffin, p. 111)

_____________________________
Fontes citadas:

- BROWN, Mark R., ed. Order in the Offices: Essays Defining the Roles of Church Officers. Duncansville, PA: Classic Presbyterian Government Resources, 1993.
- CULLMANN, Oscar. Peter: Disciple, Apostle, Martyr. Philadelphia: Westminster, 1953.
- GAFFIN, Jr., Richard B. Perspectives on Pentecost: New Testament Teaching on the Gifts of the Holy Spirit. Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed, 1979.
- GILLESPIE, Thomas W. The First Theologians: A Study in Early Christian Prophecy. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, 1994.
- GRUDEM, W. A. The Gift of Profecy in the New Testament and Today. Westchester, IL: Crossway, 1988.
- JONES, Peter R. "I Corinthians 15:8: Paul the Last Apostle." Tyndale Bulletin 36 (1985) 3-34.
- RIDDERBOS, Herman N. Redemptive History and the New Testament Scriptures. Second Revised Edition. Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed, 1988 (originalmente publicado em 1963).
- ROBERTSON, O. Palmer. The Final Word: A Biblical Response to the Case for Tongues and Profecy Today. Carlisle, PA: The Banner of Truth Trust, 1993.
- WALLACE, D. B. "The Semantic Range of the Article-Noun-KAI-Noun Plural Construction in the New Testament." Grace Theological Journal 4 (1983) 59-84.
- WHITE, Fowler R. "Gaffin and Grudem on Ef 2:20: In Defense of Gaffin's Cessationists Exegesis." Westminster Theological Journal 54 (1992) 303-20.

***
Tradução livre: Anamim Lopes Silva - Brasília-DF.
Fonte: Monergismo

TEU É O REINO, O PODER E A GLÓRIA – Mt 6.13


É de temer que milhares de pessoas repitam formalmente estas palavras, dia após dia, sem jamais considerarem o que estão dizendo. Eles não têm a menor preocupação com a glória, o reino ou a vontade do Senhor. Não tem nenhum sendo de dependência, de pecaminosidade, de fraqueza pessoal ou de perigo. Não tem amor nem compaixão para com os seus inimigos. E, ainda assim, repetem a oração do pai Nosso! As coisas não deveriam ser assim. Que nós possamos tomar uma decisão e, com a ajuda de Deus, fazer com que nossos lábios e nossos corações caminhem juntos! Bem-aventurado é quem verdadeiramente pode chamar  Deus de pai celestial, por intermédio de Jesus Cristo, seu Salvador, e que, portanto, pode sinceramente dizer “amem”, de todo o coração, a tudo quanto a oração do Pai Nosso contem.

Extraído do livro
Meditações no Evangelho de Mateus – J. C. Ryle, pág. 41

_____________________________________

Curta a nossa página: 
https://www.facebook.com/pages/Professor-Pádua/163391750483474
Venha para o nosso grupo “Comunidade Família Viva”:
https://www.facebook.com/groups/558174430890100/
E se quiser nos add, eis o nosso perfil:
https://www.facebook.com/professorpadua.ipb
Siga-nos no twitter: 
https://twitter.com/professorpadua

NOSSAS DÍVIDAS E NOSSOS DEVEDORES - Mt 6.12


Rogamos ao Pai que nos perdoe “as nossas dívidas assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”. Esta é a única declaração de um compromisso nosso para com Deus que aparece em toda a oração, e a única parte da oração na qual Jesus se detém para fazer um comentário posterior. Jesus nos relembra que não devemos esperar o perdão, quando oramos, se o fizermos com malícia ou rancor do coração, para com os outros. Orar com tal atitude mental é mero formalismo e hipocrisia. É ainda pior do que hipocrisia. É como dizer: “Não me perdoe”. Nossa oração nada vale sem amor. Não devemos esperar ser perdoados, se nós não conseguimos perdoar.

Extraído do livro
Meditações no Evangelho de Mateus – J. C. Ryle, pág. 40
_____________________________________
Curta a nossa página: 
https://www.facebook.com/pages/Professor-Pádua/163391750483474
Venha para o nosso grupo “Comunidade Família Viva”:
https://www.facebook.com/groups/558174430890100/
E se quiser nos add, eis o nosso perfil:
https://www.facebook.com/professorpadua.ipb
Siga-nos no twitter: 
https://twitter.com/professorpadua

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

LIÇÃO 06 - DISCIPULADO – LENDO A BÍBLIA COM A MENTE E CORAÇÃO – II Tm 3.14-17

 

INTRODUÇÃO

Em uma pesquisa na Universidade de São Paulo afirmou que o Brasil é o único país onde o analfabetismo funcional está aumentando entre os evangélicos. Analfabetismo funcional é aquele estado em que as pessoas, embora saibam ler e escrever, são incapazes de entender e compreender o que lêem. De dez anos para cá, este índice tem aumentado no Brasil e a referida pesquisa afirma que isto se deve ao pouco uso que os evangélicos brasileiros estão fazendo da Bíblia Sagrada, que não está mais sendo lida pelos crentes[1]

Rick Nanez (pentecostal) escreveu que este problema consiste exatamente em uma ideia que surgiu no pentecostalismo de que a crença de que o estudo da Palavra de Deus é um obstáculo à atuação do Espírito Santo, motivo pelo qual, desenvolveu-se a ideia de que “a letra mata” e de que o crente não deve estudar a Palavra de Deus.[2] (Lc 12.11-12)

O analfabetismo bíblico contribui para tornar relativo o valor das Escrituras em muitas igrejas:

(a) A ênfase na experiência: quando a experiência pessoal se torna um critério de verdade, a Escritura tende a ficar em segundo plano; se, por exemplo, uma determinada prática produz resultados ou faz a pessoa sentir-se bem, isso é o que importa.

(b) O apelo a revelações: Se alguém acredita que Deus continua a revelar-se de maneira direta, imediata, isso tende a relativizar as Escrituras; elas não mais são a revelação final de Deus, a única regra de fé e prática para o crente. Quando um pregador diz “o Senhor me revelou ou o Senhor me mostrou isso ou aquilo”, tudo pode acontecer, e é proibido questionar, pois é palavra do Senhor.

(c) Uso questionável das Escrituras: quando as Escrituras são utilizadas, muitas vezes isso é acompanhado de interpretações tendenciosas, uso seletivo de certas passagens ou ênfases inadequadas.

(d) O louvor triunfalista: Até mesmo nos hinos, que são outra forma de transmitir um ensinamento, são carentes de base bíblica, e cheias de um triunfalismo que transformam Deus num mero cedente dos desejos dos crentes.


1. BÍBLIA – DEFINIÇÕES TEOLÓGICAS

O Catecismo Maior da Igreja Reformada traz as seguintes definições:[3]

1. Que é a Palavra de Deus?
As Escrituras Sagradas, o Velho e o Novo Testamento, são a Palavra de Deus, a única regra de fé e prática, Gl 1.8-9.

2. Como podemos saber se as Escrituras são a Palavra de Deus?
Demonstra-se que as Escrituras são a Palavra de Deus – pela majestade e pureza do seu conteúdo, pela harmonia de todas as suas partes, e pelo propósito do seu conjunto, que é dar toda a glória a Deus; pela sua luz e pelo poder que possuem para convencer e converter os pecadores e para edificar e confortar os crentes para a salvação. O Espírito de Deus, porém, dando testemunho, pelas Escrituras e juntamente com elas no coração do homem, é o único capaz de completamente persuadi-lo de que elas são realmente a Palavra de Deus, Hb 4.12; Sl 19.7-9.

3. Que é o que as Escrituras principalmente ensinam?
As Escrituras ensinam principalmente o que o homem deve crer acerca de Deus e o dever que Deus requer do homem, Jo 20.31; II Tm 1.13.


2. BÍBLIA – ASPECTOS DE SUA AUTORIDADE [4]

1. Inspiração das Escrituras
Podemos definir a inspiração como sendo a influência sobrenatural do Espírito de Deus sobre os homens separados por Ele mesmo, a fim de registrarem de forma inerrante e suficiente toda a vontade revelada de Deus, constituindo este registro na única fonte de todo o conhecimento cristão. Os escritores foram apenas instrumentos de Deus, por meio dos quais Deus decretou registrar a sua mensagem, II Pe 1.21; II Tm 3.16.

A Bíblia não é maniqueísta: tendo de um lado a Palavra de Deus e, de outro, a palavra de homens. Portanto, a Bíblia é o resultado da vontade soberana de Deus, do seu amor inconfundível e das suas misericórdias que se renovam a cada manhã – ela é a vontade de Deus para a minha vida e para a sua vida!

2. A inerrância das Escrituras
“A inerrância da Bíblia é uma doutrina bíblica, onde aprendemos que, quando todos os fatos forem conhecidos, demonstrarão que a Bíblia, nos seus escritos originais e corretamente interpretada, é inteiramente verdadeira, e nunca falsa, em tudo quanto afirma, quer no tocante a doutrina e a ética, quer no tocante as ciências sociais, físicas ou biológicas”.[5]

Assim, concluímos que tudo o que foi registrado corresponde perfeitamente aquilo que Deus quis que fosse escrito. A Bíblia expõe com clareza e fidelidade o ser de Deus revelado, sua vontade e propósito, sendo um guia sincero, suficiente e infalível para a vida da igreja, Jo 10.35

O cristão sincero deve subordinar a sua inteligência à sabedoria de Deus revelada nas escrituras e, guardar no coração a Palavra de Deus, Salmo 119.11.

3. A necessidade das Escrituras
A Bíblia tem um caráter instrumental e temporário, embora os seus efeitos e as suas verdades sejam eternas. O que estamos querendo dizer, e que na eternidade não haverá mais a Bíblia; apenas teremos uma visão ampla e experimental para o qual ela apontava: A vitória do Cordeiro! Portanto, a Bíblia como Palavra inspirada e inerrante de Deus, nos foi dada com os seguintes propósitos, responder adequadamente as necessidades espirituais do homem, apontando para Jesus e o poder de Deus, Jo 5.39; Mt 22.29.


3. BÍBLIA – ATITUDES DA NOVA CRIATURA

Um livro importante como este deve ser usado com freqüência, como um manual de instruções. Algumas formas de usar bem a Bíblia são:

a) Meditar em todo tempo, Sl 1.2
Meditação é um processo ativo de pensamento (pensando, resolvendo), pelo qual nos entregamos ao estudo da Palavra de Deus em oração e pedimos a Deus para nos dar entendimento através do Espírito. Ele habita no coração de todo crente e tem prometido nos guiar em “toda a verdade” (João 16.13).

b) Examinar, Jo 5.39
A Bíblia não pode ser lida apenas quando sentimos vontade ou precisamos de uma mensagem para a vida. Jesus disse que ela deve ser examinada, isso requer dedicação de tempo e esforço no estudo profundo da Palavra de Deus. Cada cristão deve aprender o máximo que puder sobre a Bíblia, Mt 22.29; Dn 9.2.

c) Manejar bem, II Tm 2.15
O crente deve aprender a manejar as escrituras para encontrar as passagens nela inscritas e discernir o seu conteúdo sem ficar perdido, confuso. Cada tipo de texto deve ser compreendido de maneira peculiar à sua linguagem e contextualizada para a atualidade, Jo 14.23,26; Lc 24.8; Ap 1.3.

d) Praticar na vida diária, Tg 1.21-24
Esta é a parte mais difícil, porque muitas pessoas meditam, examinam e até manejam bem a Bíblia, mas se não praticar tudo é em vão. Contudo o poder da Palavra se manifesta justamente quando ela é praticada, Mt 7.24-27. 


Para Concluir

A prática da leitura de uma maneira geral se faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a “compreender” o mundo à nossa volta. Quando temos a oportunidades de praticarmos a leitura dessa forma estamos exercitando a nossa mente. Jesus afirmou: "Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos" (Jo 8.31). Pessoas que não são, de forma alguma, discípulos verdadeiros. Os que amam a Palavra são os verdadeiros seguidores de Cristo. Esses não desejarão ouvir pregadores que cocem seus ouvidos, mas os que os ensinem o caminho para agradar a Deus, II Tm 4.3.

_________________________________________________
[1] CAXANGÁ, M. R. R. Raízes sociolingüísticas do analfabetismo no Brasil. Disponível in:  
[2] NAÑEZ, Rick. Pentecostal de coração e mente: um chamado ao dom divino do intelecto. São Paulo: Editora Vida, 2007, p.104. 
[3] A Confissão de Fé, O Catecismo Maior, O Breve Catecismo. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991, pág. 166-168. 
[4] COSTA, Herminsten M. P. A Inspiração e inerrância das Escrituras. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998. 
[5] FEINBERG, Paul D. Inerrancy. Michigan: Zondervan Publishing House, 1980, p. 267. Disponível in:

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

NOSSAS DÍVIDAS E NOSSOS DEVEDORES


Rogamos ao Pai que nos perdoe “as nossas dívidas assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”. Esta é a única declaração de um compromisso nosso para com Deus que aparece em toda a oração, e a única parte da oração na qual Jesus se detém para fazer um comentário posterior. Jesus nos relembra que não devemos esperar o perdão, quando oramos, se o fizermos com malícia ou rancor do coração, para com os outros. Orar com tal atitude mental é mero formalismo e hipocrisia. É ainda pior do que hipocrisia. É como dizer: “Não me perdoe”. Nossa oração nada vale sem amor. Não devemos esperar ser perdoados, se nós não conseguimos perdoar.

__________________________________________________
Extraído do livro
Meditações no Evangelho de Mateus – J. C. Ryle, pág. 40

O PÃO NOSSO DE CADA DIA


Somos aqui ensinados a reconhecer a nossa inteira dependência de Deus para o suprimento de nossas necessidades diárias. Tal como Israel precisava do maná diariamente, assim também precisamos diariamente do nosso pão. Nós confessamos que somos pobres, fracos, criaturas necessitadas, e suplicamos a Deus, nosso Criador, que tome conta de nós. Pedimos pão como a mais simples das nossas necessidades matérias; mas, nessa palavra, incluímos todas as necessidades do nosso corpo.

___________________________________________________________
Extraído do livro
Meditações no Evangelho de Mateus – J. C. Ryle, pág. 39

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

PARA ONDE VÃO AS ALMAS?

.

Por Rev. Leandro Lima


Para onde vão as almas das pessoas que morreram? Ao longo da História várias possibilidades têm sido levantadas.

Classicamente, o cristianismo  tem defendido que, após a morte, enquanto o corpo vai para a sepultura, o espírito vai para o chamado "Estado Intermediário". Esse local diz respeito a onde estão, por um lado, os que foram salvos em Cristo, no caso do céu, e por outro, os que foram condenados por seus pecados, no caso o inferno. Surgiram outras interpretações. Testemunhas de Jeová e Adventistas defendem o chamado "sono da alma", ou seja, que todas as almas, quer de ímpios quer de crentes ficam dormindo até o dia da ressurreição.

Os Católicos sustentam que as almas ficam num local de "purgação", podendo entrar no céu, depois que tiverem feito satisfação por seus pecados. E os Espíritas dizem que é possível até mesmo se comunicar com as almas dos mortos.

O "sono" da alma é defendido por muitos por causa de expressões usadas no Novo Testamento, como por exemplo, o fato de Jesus ter dito que Lázaro dormia, significando que estava morto (Jo 11.11,14; Ver Mt 9.24; At 7.60; 1Co 15.51; 1Ts 4.13-14). Apela-se também para aqueles textos do Antigo Testamento que descrevem a morte como um estado de inatividade (Ver Sl 6.5; 115.17; 146.4; Dn 12.2). Porém, esses textos descrevem o morto apenas do ponto de vista humano. Além do mais, o que está sendo enfatizado nestes textos é o destino do corpo das pessoas e não da alma.

Há suficiente ensino na Escritura, especialmente por causa do Novo Testamento, para que entendamos para onde a alma vai depois da morte. Jesus contou uma parábola (as parábolas são compostas de elementos reais) em que há explicações suficientes sobre o lugar das almas depois da morte (Lc 16.19-31). Lázaro foi para o seio de Abraão e o rico para o inferno. Eles permaneceram num estado consciente, um está no lugar de punição e o outro no lugar de recompensa, e não há possibilidade de saírem de onde estão. Essa parábola elimina tanto a questão do sono da alma quanto do purgatório. Depois da morte as almas dos salvos vão para o paraíso, enquanto que as almas dos perdidos vão para o inferno. Só existem esses dois lugares e quem foi para um deles não pode mais sair. O Espiritismo também leva um golpe decisivo, pois os mortos não são autorizados a voltarem. E finalmente, Jesus deixa bem claro que o anúncio da salvação somente é possível através da Bíblia (Lc 16.31).

Há muitos outros textos que demonstram o estado consciente dos crentes após a morte. Jesus disse ao ladrão que se converteu na cruz: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23.43). Embora os Testemunhas de Jeová tenham até mesmo mudado a tradução desta frase (para: em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso), todo o sentido da frase de Jesus depende do "hoje", pois o ladrão pediu que Jesus lembrasse dele no futuro, e Jesus disse que não seria preciso esperar. Outro texto claro, nesse sentido, é o da cena da transfiguração, em que Moisés e Elias foram vistos conversando com Jesus (Mt 17.1-8). Eles não estavam dormindo. Paulo também dizia que o cristão, após a morte estaria imediatamente na presença do Senhor (Fp 1.21-23). Ele disse que ao deixar o corpo, o crente passa a habitar com o Senhor (2Co 5.6-8). E ele sabia do que estava falando, pois esteve pessoalmente no paraíso (2Co 12.4). Há mais dois textos da Escritura que demonstram claramente que as almas dos salvos estão no céu e num estado de consciência diante de Deus. Em Apocalipse 6.9-11, e Apocalipse 7.14-15, João viu as almas dos crentes mortos no céu. Elas estão lá conscientes, descansando e esperando o último dia. Não faz sentido pensar que estivessem dormindo na sepultura.

As almas dos que já morreram estão no céu ou no inferno, e estão lá conscientes. Um dado interessante quanto a isso, é que elas estão nesses dois lugares temporariamente. O estado em que estão as almas depois da morte, seja o céu ou o inferno, é chamado de intermediário porque não corresponde ao local definitivo onde, tanto os salvos quanto os condenados, habitarão eternamente. As almas dos salvos no céu e as almas dos condenados no inferno aguardam pelo último dia, o dia da ressurreição. Naquele dia, de acordo com a Bíblia, todos ressuscitarão (Dn 12.2; Ver 1Co 15.52; 1Ts 4.16). Após a ressurreição os perdidos que estavam no inferno irão para o lago de fogo (Ap 20.15), e os salvos que estavam no céu para o novo céu e a nova terra (Ap 21.1). O motivo é simples: Deus não criou o ser humano para viver sem corpo. Atualmente, tanto no céu como no inferno, as almas estão despidas de seus corpos, o futuro lhes assegura que um dia se reunirão a seus corpos.

Para o crente, a doutrina bíblica do Estado Intermediário é uma grande benção. Ela nos assegura que o crente não precisará ficar dormindo, esperando pelo consolo. Ele não precisará esperar o dia em que o Senhor voltar no seu reino para desfrutar das recompensas, pois já estará naquele mesmo dia no paraíso com o Senhor. Para o perdido, por outro lado, a doutrina do Estado Intermediário é a certeza de que seus pecados não passarão impunes. É a certeza de que a justiça pode parecer demorada, mas não falhará. As pessoas que não querem compromisso com Deus imaginam que o túmulo seja o fim de tudo, mas terão uma surpresa terrível quando perceberem que estavam enganadas. A doutrina do Estado Intermediário demonstra que a salvação é possível apenas nessa vida. Isso demonstra a importância central do evangelho, a necessidade de conhecê-lo plenamente e proclamá-lo urgentemente.

- Sobre o autor: Rev. Leandro Antônio de Lima é pastor da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro/SP, e membro do conselho editorial do Jornal Brasil Presbiteriano.

***
Fonte: Jornal Brasil Presbiteriano, edição Maio/2013, pág. 3

LIÇÃO 05 - DISCIPULADO - SANTIDADE - UMA VISÃO DE DEUS – I Pe 1.13-15


INTRODUÇÃO

A busca por uma vida de acordo com o padrão bíblico de santidade, ao que parece, é uma luta atemporal. Uma luta eterna que só se findará no dia da gloriosa vinda do Senhor.

Os tempos podem ter mudado; a igreja e as pessoas também, contudo a exigência divina acerca da conduta da vida dos cristãos ainda é a mesma que foi feita aos israelitas na ocasião da peregrinação rumo à terra prometida: “Consagrem-se e sejam santos, porque eu sou santo” (Lv 20.7). 

Jesus, no sermão do monte, elevou essa exigência ao declarar: “Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celeste de vocês” (Mt 5.48). 

Para mostrar a relevância desse padrão bíblico de santidade John Stott escreveu: “O chamado que Cristo nos faz é novo, não apenas porque é uma ordem para sermos ‘perfeitos’, mais do que ‘santos’, mas também por causa da descrição que faz do Deus que devemos imitar”.[1] 

Ao que parece maior dificuldade que impede o homem de alcançar tal meta, a saber, uma vida de santidade, não é o mundo que jaz em pecado, mas o pecado residente no próprio homem, e dessa forma ele encontra toda sorte de obstáculos em sua busca por uma vida santa, Rm 7.17-20.


1. SANTIDADE – CONCEITOS EQUIVOCADOS

a) Moralismo

Notadamente, alguns cristãos se destacam por sua postura moral, seu comportamento ético, honestidade, firmeza de caráter e palavras. Espera-se exatamente isso de cada cristão. No entanto uma pessoa não precisa ser necessariamente cristã para ter essas qualidades, Mt.19.16-22.

b) Ativismo religioso

Geralmente se confunde santidade com ativismo religioso. Tendemos a qualificar as pessoas como santificadas na medida em que elas assumem cargos ou se envolvem nas mais diversas atividades do templo. Servir a Deus é resultado de um coração voluntário e uma vida consagrada. Ativismo religioso não pode ser sinônimo de vitalidade espiritual e em muitos casos é sintoma de que alguma coisa não está bem, Lc 10.38-42.

c) Experiências Espirituais

Outra prática que se percebe em nossos dias é igualar a santificação com experiências espirituais. O relacionamento com Deus é marcado por experiências individuais. Entretanto ninguém pode ser rotulado como mais ou menos santo pela qualidade e tipos de experiências. Um exemplo disto é à igreja de Corinto.


2. OS ASPECTOS BÍBLICOS DA SANTIDADE

a) No Antigo Testamento - A Palavra hebraica usada para se referir ao que é santo é “qadosh”, cujo significado básico é “separar dentre outras coisas”. 

Na Bíblia encontramos o povo de Deus consagrando de tudo: pessoas (Ex 22. 31); vestes sacerdotais (Ex 29. 29); campos (Lv 27. 21); ofertas (Dt 12. 26); dinheiro e utensílios (Js 6. 19); animais (2 Cr 29. 33); o dia (Ne 8. 9); lugares (Jr 31. 40). Isso mostra que devemos consagrar todas as coisas a Deus em um ato de fé e de busca da vontade Dele. A palavra também se refere a uma separação de cunho moral e ético que distinguiria o povo de Israel dos demais, Lv 11.44-45.

b) No Novo Testamento - No Novo Testamento a palavra é “hagios”. Essa palavra é usada para descrever a santificação dos crentes em dois sentidos: O primeiro é a separação da prática do pecado deste mundo; O segundo é a consagração ao serviço de Deus. 

Hoekema conceituou: “Santificação é a operação graciosa do Espírito Santo, que envolve a nossa participação responsável, por meio da qual, como pecadores justificados, ele nos liberta da corrupção do pecado, renova toda a nossa natureza segundo a imagem de Deus e nos habilita a viver uma vida que é agradável a ele”.[2]


3. O AUTOR E OS MEIOS DE SANTIFICAÇÃO[3]

A santificação é efetuada pela operação imediata do Espírito Santo na vida dos crentes. É feita por diversos meios, que o Espírito Santo emprega.

a) A Palavra de Deus - A Escritura apresenta todas as condições objetivas para exercícios e atos santos. Ela é útil para estimular a atividade espiritual apresentando motivos e incentivos, e nos dá direção para essa atividade por meio de proibições, exortações e exemplos, Jo 17.17; 1 Pe 1.22; 2.2. 

b) Os Sacramentos - Simbolizam e selam para nós as mesmas verdades que são expressas verbalmente na Palavra de Deus, e podem ser considerados como uma palavra em ação, contendo uma viva representação da verdade, que o Espírito Santo torna ocasião para santos exercícios. 
- Batismo, Rm 6.1-9; 1 Co 12.13; 1 Pe 3.21.
- Santa Ceia, Mt 26.26-28; I Co 11.23-26.

c) Direção Providencial - As providências de Deus, quer favoráveis quer adversas, muitas vezes são poderosos meios de santificação. Em conexão com a operação do Espírito Santo mediante a Palavra, elas agem em nossos afetos naturais. Devemos ter em mente que a luz da revelação de Deus é necessária para a interpretação das Suas orientações providenciais, Jr 10.23; Pv 20.24; Sl 25.12-14.


4. OS TRÊS TEMPOS DA SANTIFICAÇÃO

Stott pregou: “Há três perspectivas: passado, presente e futuro. Todas apontam na mesma direção: há o propósito eterno de Deus, pelo qual fomos predestinados; há o propósito histórico de Deus, pelo qual estamos sendo transformados pelo Espírito Santo; e há o propósito final ou escatológico de Deus, pelo qual seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. Estes três propósitos — o eterno, o histórico e o escatológico — se unem e apontam para um mesmo objetivo: a conformação do homem à imagem de Cristo”.[4] 

a) Santificação Passada (propósito eterno) significa que o crente já foi posicionalmente separado em Cristo, Rm 8.29-30. Esta santificação é uma realidade eterna e está baseada numa nova posição espiritual que o Cristão tem em Jesus Cristo. Os crentes de Corinto não estavam sem pecado, e apesar disso foram chamados de santos e foi escrito que foram santificados (1 Co. 1.2, 30). 

b) Santificação Presente (propósito histórico) indica o processo pelo qual o Espírito Santo gradualmente muda a vida do crente para dar vitória sobre o pecado. Esta é a santificação prática. Este processo atual de santificação nunca acaba nesta vida (1 Jo 1.8-10). O Cristão precisa resistir ao pecado até ser levado deste mundo através da morte ou na volta de Cristo.

c) Santificação Futura (propósito escatológico) é a perfeição que o crente vai desfrutar na ressurreição (1 Ts 5:23). Na vinda de Cristo, cada crente receberá um corpo novo que estará sem pecado. O Cristão não terá mais de resistir ao pecado ou de crescer para a perfeição. Sua santificação estará completa. Ele estará inteira e eternamente separado do pecado e para Deus.

Para Concluir:

O desafio da vida cristã leva-nos a desejar sermos santos na presença de Deus. Nesta busca, precisamos disciplinar-nos numa constante comunhão com Deus através de uma prática devocional. Deus nos chamou para a santificação (I Ts 4.7) deu-nos a ordem de santificar-nos (I Pe 1.15). 

a) A leitura da Bíblia e a meditação em seu ensino, Sl 119.9-16. 
b) A oração é indispensável ao crescimento espiritual e à santificação, Sl 139.23-24.
c) A adoração a Deus, no culto público, é indispensável, Hb 10.19-25 
d) A autodisciplina ou o domínio de si mesmo é algo indispensável na busca da santidade, I Co 11.31-32.
e) O companheirismo cristão é outro elemento muito forte, Hb 12.14-15.

______________________________________________________________
[1]STOTT, John. A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: ABU-Editora. 2008, p. 123. 
[2] HOKEMA, A. Salvos pela graça: a doutrina bíblica da santificação. São Paulo: Cultura Cristã. 2002, p. 189 
[3] BERKHOF, Loius. Teologia Sistemática. Campinas, SP: Editora Luz Para o caminho. 1990, p. 539 
[4] STOTT, John. O Paradigma: Tornando-nos mais Semelhantes a Cristo. Sermão pregado na Convenção de Keswick em 17/07/2007. Tradução: F. R. Castelo Branco. Outubro 2007.