sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O PECADO PARA A MORTE E A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO


Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Não são poucos os pregadores de linha pentecostal que ameaçam os críticos das atuais "manifestações espirituais" de cometerem o pecado sem perdão, a blasfêmia contra o Espírito Santo. Mas, será? O pecado para a morte é mencionado por João em sua primeira carta: 

"Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue (5.16c)".

A morte a que João se refere é a morte espiritual eterna, a condenação final e irrevogável determinada por Deus, tendo como castigo o sofrimento eterno no inferno. Todos os demais pecados podem ser perdoados, mas o “pecado para morte” acarreta de forma inexorável a condenação eterna de quem o comete, a ponto do apóstolo dizer: "e por esse não digo que rogue". E o apóstolo continua:

"Toda injustiça é pecado, e há pecado não para a morte (5.17; cf. 3.4)".

João não está sugerindo que a distinção entre pecado mortal e pecado não mortal implique na existência de pecados que não sejam tão graves assim. Todo pecado é contra o Deus justo, contra a sua justiça. Portanto, todo pecado traz a morte, que é a penalidade imposta por Deus contra o pecado. Mas, para que seus leitores não fiquem aterrorizados, João repete: há pecado não para morte (5.17b). Nem todo pecado é o pecado mortal. Há perdão e vida para os que não pecam para a morte. O Senhor mesmo convida seu povo a buscar o perdão que ele concede (Is 1.18).

O que, então, é o pecado para a morte? O apóstolo João não declara explicitamente a que tipo de pecado se refere. Através dos séculos, estudiosos cristãos têm procurado responder a esta pergunta. Alguns têm entendido que João se refere à morte física, e têm sugerido que se trata de pecados que eram punidos com a pena de morte conforme está no Antigo Testamento (Lv 20.1-27; Nm 18.22). Não adiantaria orar pelos que cometeram pecados punidos com a morte, pois seriam executados de qualquer forma pela autoridade civil. Ou então, trata-se de pecados que o próprio Deus puniria com a morte aqui neste mundo, como ele fez com os filhos de Eli (2Sm 2.25), com Ananias e Safira (At 5.1-11) e com alguns membros da igreja de Corinto que profanavam a Ceia (1Co 11.30; cf. Rm 1.32).

A Igreja Católica fez uma classificação de pecados veniais e pecados mortais, incluindo nos últimos os famosos sete pecados capitais, como assassinato, adultério, glutonaria, mentira, blasfêmia, idolatria, entre outros. Este tipo de classificação é totalmente arbitrário e não tem apoio nas Escrituras.

A interpretação que nos parece mais correta é que João está se referindo à apostasia, que no contexto de seus leitores, significaria abandonar a doutrina apostólica que tinham ouvido e recebido e seguir o ensinamento dos falsos mestres, que negava a encarnação e a divindade do Senhor Jesus. “Pode-se inferir do contexto que este pecado não é uma queda parcial ou a transgressão de um determinado mandamento, mas apostasia, pela qual as pessoas se alienam completamente de Deus” (Calvino).

Trata-se, portanto, de um pecado doutrinário, cometido de forma voluntária e consciente, similar ao pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, cometido pelos fariseus, e que o Senhor Jesus declarou que não haveria de ter perdão nem aqui nem no mundo vindouro (cf. Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10). Em ambos os casos, há uma rejeição consciente e voluntária da verdade que foi claramente exposta.

No caso dos leitores de João, a apostasia seria mais profunda, pois teriam participado das igrejas cristãs, como se fossem cristãos, participado das ordenanças do batismo e da Ceia, participado dos meios de graça. À semelhança dos falsos mestres que também, antes, tinham sido membros das igrejas, apostatar seria sair delas (2.19), e se juntar aos pregadores gnósticos e abraçar a doutrina deles, que consistia numa negação de Cristo.

Tal pecado era “para a morte” por sua própria natureza, que é a rejeição final e decidida daquele único que pode salvar, Jesus Cristo. “Este pecado leva quem o comete inexoravelmente a um estado de incorrigível embotamento moral e espiritual, porque pecou voluntariamente contra a própria consciência” (J. Stott).

É provavelmente sobre pessoas que apostataram desta forma que o autor de Hebreus escreveu, dizendo que“é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia” (Hb 6.4-6). Ele descreve essa situação como sendo um viver deliberado no pecado após o recebimento do pleno conhecimento da verdade. Neste caso, “já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (Hb 10.26-27). Este pecado é descrito como calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o sangue da aliança com que foi santificado e ultrajar o Espírito da graça (Hb 10.29), uma linguagem que claramente aponta para a blasfêmia contra o Espírito e a negação de Jesus como Senhor e Cristo (ver também 2Pd 2.20-22, onde o apóstolo Pedro se refere aos falsos mestres).

Não é sem razão que o apóstolo João desaconselha pedirmos por quem pecou dessa forma.

Alguém pode perguntar se Deus fecharia a porta do perdão se pessoas que pecaram para a morte se arrependessem. Tais pessoas, porém, não poderão se arrepender. Elas não o desejam. E além disto, o Senhor determinou sua condenação, a ponto de João não aconselhar que oremos por elas. “Tais pessoas foram entregues a um estado mental reprovável, estão destituída do Espírito Santo, e não podem fazer outra coisa senão, com suas mentes obstinadas, se tornarem piores e piores, acrescentando mais pecado ao seu pecado”(Calvino).

Notemos que nestes versículos João não chama de “irmão” aquele que peca para a morte. Apenas declara que há pecado para a morte e que não recomenda orar pelos que o cometem. É evidente que os nascidos de Deus jamais poderão cometer este pecado.

Portanto, não se impressione com as ameaças de pastores do tipo "você está blasfemando contra o Espírito Santo" se o que você estiver fazendo é simplesmente perguntando qual a base bíblica para cair no Espírito, rir no Espírito, a unção da leoa, e outras "manifestações" atribuídas ao Espírito Santo.

***

LIÇÃO 03 - DISCIPULADO - UM DIÁLOGO COM DEUS, MT 6.5-14


INTRODUÇÃO

Neste estudo, iremos considerar o ato mais religioso que um homem pode realizar - a oração. 

"A oração é a conversa da alma com Deus. Um homem sem oração é necessária e totalmente irreligioso. Não pode haver vida sem atividade. Assim como o corpo está morto quando cessa sua atividade, assim a alma que não se dirige em suas orações a Deus, que vive como se não houvesse Deus, está espiritualmente morta" [1]

Jesus deu total importância a oração, Hb 5.7. Certamente que, para Jesus, a oração não somente proporcionava o beneficio emocional, mas produzia efeito concreto em sua vida e na vida dos outros. Deus o atendia, respondendo de fato, às suas orações.

Portanto, o Senhor nos lembra que não pode existir religiosidade sem este aspecto da vida cristã. Um crente que não ora, não pode vislumbrar outras facetas da fé. E se quisermos aplicá-lo completamente a nossa vida precisamos saber a maneira correta de orar. Diante disso, vejamos alguns aspectos importantes da oração.


1. UMA ORAÇÃO QUE FAZ A DIFERENÇA, Mt 6.5,7

a) Não é uma atitude hipócrita, Mt 6.5

Jesus condena aqui a postura dos fariseus (Oravam em pé nas Sinagogas e Praças para serem vistos pelos homens) e desmascara a futilidade do uso publicitário da oração para o prestígio pessoal. Esta, na realidade é uma prática ainda hoje praticada pelos judeus, que fazem orações na frente de todos naquilo que sobrou do muro do templo em Jerusalém. Logo, ficou enraizada na cultura desse povo. Seu objetivo era a exibição, marca característica de alguém hipócrita. Se era o reconhecimento o que buscavam já tiveram a recompensa e essa não veio de Deus.

b) Não é uma atitude vazia e ritualística, Mt 6.7

Os gentios têm seus “vícios” na oração. Não é igual a dos fariseus, mas igualmente deficientes. Esta é repleta de insistência e formas mântricas de religião (vãs repetições). A lógica gentílica entende que quanto mais repetir a oração, mas força ela terá (serão ouvidos).

Exemplo:
- Os profetas de Baal, I Rs 18.26
- Os discípulos da Deusa Diana, At 19.34.
- Os católicos romanos com suas repetições do “Pai Nosso, ave Maria e santa Maria”


2. UMA ORAÇÃO COM ATITUDE E MOTIVAÇÃO, Mt 6.6,8

a) Discrição (v.6)

A atitude do cristão na oração deve ser a da discrição. Enquanto os hipócritas procuram lugares públicos para orar, o cristão entra em seu quarto, fecha a porta e ora ao Pai que está em secreto. O cristão busca ser visto por Deus e não pelos homens. Sua espiritualidade, no que concerne à oração, é assunto entre ele e Deus. É claro que existirão momentos de revelar a piedade, como acontece na igreja, diante dos irmãos, mas aqui a ênfase recai sobre a vida cotidiana do crente em sua piedade natural com o Senhor frente a todos os momentos da vida. 

b) Dirigida ao Pai (v.6)

A oração tem sempre uma conotação de submissão confiante. Portanto, orar ao Pai significa sintonizar a nossa vontade com a dele; sabendo que Ele é Santo e a sua vontade também o é. Para que alcancemos êxito, algumas realidades precisam ser observadas;
- A nossa oração deve ser dirigida unicamente a Deus, que é o nosso Pai Eterno, Rm 8.15-16
- A nossa oração deve chegar a Deus em nome de Jesus, Jo 14.13-14
- Jesus é o nosso intercessor, I Tm 2.5-6; Hb 7.24-25.
- O Espírito Santo é o nosso intercessor, Rm 8.26-27

Observação importante: Toda e qualquer oração que não é dedicada em nome de Jesus é heresia e agressão a santidade de Deus – Is 44.13-17,19; 45.20; Sl 115.3-8.


3. UMA ORAÇÃO QUE GLORIFICA A DEUS, Mt 6.9

a) Glorificando e Santificando a Deus, Mt 6.9

Procuramos Deus nos limites de nossas forças, confessando de forma contundente a nossa limitação; no entanto, Jesus Cristo nos desafia a esquecer as nossas questões, os nossos problemas e a conduzir os nossos olhos para a glória de Deus. Jesus nos mostra que por mais sérios e graves que sejam os nosso problemas e preocupações, Deus deve ter a primazia, Mt 6.33.

b) Submetendo-se a vontade de Deus, Mt 6.10

A oração não é uma tentativa de mudar a vontade de Deus, mas sim a manifestação sincera do nosso desejo de submeter-lhe os nossos projetos, aspirações, sonhos e necessidades.

Erickson, escreveu: “Orar não é bem conseguir que Deus faça a nossa vontade, mas demonstrar que estamos interessados tanto quanto ele na concretização da sua vontade”[2]

Quando pedimos a Deus que faça a sua vontade, isso faz com que a oração seja feita com amor e confiança, certos de que a vontade de Deus é sempre a melhor, de que ela sempre é boa, agradável e perfeita, Rm 12.2; Sl 40.8; Ef 6.6.

c) Manifestando nossa necessidade físicas e espirituais (Pão Nosso e Perdão), Mt 6.11-13

V. 11 - Uma das coisas fascinantes que este texto de um modo especial nos ensina é que o Deus que cuida do universo, dos seus diversos sistemas e galáxias, sustentando todas as coisas com o seu poder, também cuida de nós, das nossas necessidades, por mais irrelevantes que elas possam parecer. Isso nos enche de reverente gratidão e conforto.

Portanto, o significado de “pão” aqui, é:
a) Nossa comida em geral, Lc 15.17
b) Nossas necessidades físicas, Lc 4.4

Desta forma, o “pão deve ser entendido, neste contexto, como tudo aquilo que é necessário à nossa vida: alimento, saúde, lar, esposa, filhos, bom governo, paz, vestuário, bom relacionamento social, etc.” [3]

V. 12 - A súplica pelo perdão de nossas dívidas aponta para a nossa total incapacidade de pagar-lhe: somos total e irreversivelmente devedores; portanto, a nossa postura é de humildade diante de Deus. O perdão de Deus mostra a nossa necessidade de sua misericórdia e a nossa total incapacidade de atingir o padrão de Deus, por isso, só nos resta suplicar humildemente: “perdoa as nossas dívidas”, e mais, muito agradecido, pelo fato de recebermos o perdão, prosseguindo em nossa caminhada, com plena consciência de que tudo que temos é pela graça de Deus, Sl 103.1-3,8,10,14.

V. 13 - Deus nos conhece bem, conhece as nossas fraquezas e limitações; e Satanás não age fora da esfera da permissão de Deus. Por isso, a tentação nunca é superior ao suprimento divino, I Co 10.13.

Quando fazemos esta oração estamos buscando o nosso socorro naquele que foi tentado e a venceu, Hb 2.18.

Para Concluir:

Aqui fica clara a distinção imposta pelo Senhor no que concerne a oração. Ela é um ato singular de adoração genuína. Os pagãos não conseguem realizar tal ato, visto que não O conhecem, não são íntimos e não conseguem orar corretamente. Apenas aqueles que mantêm uma relação filial com Deus atingem esse ideal. Se esta é a sua situação, lembre-se de tão grande graça. Louve ao Senhor por este privilégio e ao orar, descanse em paz e em confiança diante de seu Pai celestial.

“A oração produz resultados psicológicos (paz de espírito, tranqüilidade), espirituais (maior sentido de vida) e concretos (atendimento real do pedido feito)”.[4]

____________________________________________________
[1] HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003. p. 1511.
[2] ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 179 
[3] MERKEL, F. Pão: in: BROWN, Colin. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova. 2000, Vol 3, p. 444. 
[4] CÉSAR, Elben. Práticas Devocionais. Viçosa: Ultimato Editora, 2000. p. 20-21.

DIREÇÃO PROVIDENCIAL DE DEUS


Tem a ver com o fato de que Deus dirige a cada ser individualmente. Muitas vezes vamos misturar essas divisões uma com as outras, divisões que fazemos para facilitar o entendimento da Doutrina da Previdência, porque na prática, no dia-a-dia, não acontece de Deus estar só provisionando, ou só conservando, ou só dirigindo. Isso tudo acontece na nossa vida o tempo todo, a cada momento. Deus não deixa de concorrer em todas as ações, porque naquele momento está dirigindo alguma outra. Essas divisões são para entendermos as diversas formas que Deus usa para cuidar de tudo aquilo que Ele criou. Já vimos que a conservação tem a ver com a manutenção da vida, da continuidade da vida até quando Deus queira; que a provisão tem a ver com o cuidado e a manutenção do dia-a-dia, o nosso sustento. A direção de Deus está muito ligada à nossa vida de forma individual, o governo tem a ver com a direção que Deus dá a pessoas, enquanto a coletivo a retribuição é como Ele recompensa, e em todas as coisas Deus está concorrendo, ou seja, Deus está em todos os lugares, em todos os momentos em que qualquer coisa aconteça. E qualquer coisa só vai acontecer se for de acordo com os Seus planos. Sempre lembrando que o homem faz tudo de errado por sua livre agência, sua vontade. O fazer errado é algo que Deus vai permitir ou não, se isso fizer sentido para os planos gerais de Deus. Muitas vezes não entendemos, mas sabemos que faz parte dos planos de Deus para o louvor da Sua glória.

Jeremias 10.23 – Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.

O homem não determina o seu caminho e nem dirige os seus próprios passos. Deus está dizendo duas coisas muito importantes: a primeira que não é do homem determinar o seu caminho. Mesmo que o homem reconheça que está em determinado caminho que não é dele, a ele também não cabe dirigir os seus passos. Quer dizer, então, que não temos escolha nenhuma? Aquele que crê no Senhor entrega o seu caminho a Ele. Quem não acredita no Senhor, não acredita nesta frase que acabamos de ler na Bíblia. O homem do mundo acha que é soberano do próprio nariz. Essa direção divina é uma verdade fácil das pessoas dizerem que aceitam, mas, na prática, é muito difícil, porque estamos sempre querendo controlar a nossa vida. Deus não nos trata como robôs, Ele nos deixa fazer escolhas, e, em alguns momentos, Deus nos deixa fazer a escolha errada, desde que esteja dentro do objetivo d’Ele. No final a escolha errada será ruim para o nosso dia-a-dia, mas será útil para o plano de Deus. O que acontece em nossa vida está dentro do plano de Deus.

Provérbios 20.24 – Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como, pois, poderá o homem entender o seu caminho?

Salomão está dizendo que não cabe ao homem escolher o seu caminho e não cabe, porque no final das contas quem dirige é Deus.

Provérbios 16.1-2,9 – O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito. O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.

Não cabe ao homem definir nem dirigir. Então, não tomaremos mais nenhuma decisão, já que é Deus quem dirige? Tomamos decisões em nossa vida. O caminho que escolhemos vamos seguir ou não. Se conseguirmos executar ou não, é porque Deus resolveu que teríamos sucesso ou não. Independente da nossa decisão e independente de qual seja o resultado temos certeza de que Deus está no controle, que serviu para algum propósito d’Ele. Andar de acordo com a vontade de Deus tem a ver com o fato de confiarmos que Deus vai dirigir e se nos humilharmos, se nos colocarmos nas mãos d’Ele, Ele dirigirá. Quando oramos, em nosso coração estamos reconhecendo que somos nada e que estamos nas mãos de Deus. Temos de pedir mesmo, para não tomarmos decisões erradas e Deus deixar acontecer para nosso ensino.

Salmo 25.12,14 – Ao homem que teme ao Senhor, Ele o instruirá no caminho que deve escolher. A intimidade do Senhor é para os que O temem, aos quais Ele dará a conhecer a Sua aliança.

Àquele que teme a Deus, Ele ensina o caminho. Aquele que tem intimidade com o Senhor conhece a Sua aliança. O caminho já está revelado. Aquele que crê no Senhor sabe qual é o caminho, porque Deus assim revelou. Aquele a quem Deus escolheu, Ele amou e deu a Sua intimidade. Todos os crentes têm intimidade com Deus porque Deus lhes deu a Sua intimidade, o que não significa conhecer a Deus profundamente. Esse conhecimento depende do crescimento espiritual. Crescemos espiritualmente aos poucos. Quanto mais conhecemos a Aliança, a Bíblia, mais temos certeza que estamos no caminho da vontade de Deus. Diz a Palavra que temos liberdade para pensar, para planejar, para querer, muitas vezes diferente da disposição de Deus, mas, como diz em Provérbios, Deus pesa o coração, o espírito, Ele sabe as coisas que são adequadas para o Seu plano. O caminho e a direção vêm de Deus.

Isaías 30.18-21 – Por isso, o Senhor espera, para ter misericórdia de vós, e se detém para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça; bem-aventurados todos os que nele esperam. Porque o povo habitará em Sião, em Jerusalém; tu não chorarás mais; certamente, se compadecerá de ti, à voz do teu clamor, e, ouvindo-a, te responderá. Embora o Senhor vos dê pão de angústia e água de aflição, contudo, não se esconderão mais os teus mestres; os teus olhos verão os teus mestres. Quando te desviares para a direita e quando te desviares para esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele.

O livro de Isaías foi escrito como um alerta ao povo antes da queda de Judá. O profeta Isaías avisou o povo dizendo: “Vocês serão castigados, Judá cairá e vocês serão exilados; vocês vão amargar todos os pecados que cometeram. Não ficarão impunes. Como vocês são o povo de Deus, serão restaurados”. A expressão os teus olhos verão os teus mestres significa que teriam a Palavra de Deus com eles, porque a transmissão era oral.

Amós 8.11 – Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.

Amós está dizendo que as pessoas têm fome de conhecer a Palavra. Quando perguntamos qual é o caminho que temos de seguir, precisamos voltar à Bíblia para conhecer. Há pessoas que sentem fome de direção, e o pão é a Palavra de Deus. Não adianta procurar outras pessoas porque a resposta está na Palavra de Deus. Não podemos estabelecer nosso caminho na palavra de outra pessoa, mesmo que essa pessoa seja professor na Escola Dominical. O nosso caminho deve ser estabelecido mediante a Palavra de Deus. Por isso é de suma importância gastarmos tempo no estudo da Bíblia. Quando alguém sente um vazio dentro de si, começa a pensar, enumera as coisas que possui: bens materiais, afeição, posição social, e até pertencer a uma boa Igreja, e indaga a si mesma qual a causa desse vazio, dessa tristeza. A verdadeira felicidade não está naquilo que possuímos ou somos, mas estar seguindo o caminho traçado por Deus.

Isaías 48.17 – Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil e te guia pelo caminho em que deves andar.

Isto é importante! Deus nos ensina o que é útil e nos ensina o caminho que deve andar. Aí está a revelação de Deus. Ele mesmo nos revela o caminho que temos de seguir.

Jeremias 31.9 – Virão com choro, e com súplicas os levarei; guiá-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho reto em que não tropeçarão; porque sou Pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito.

Quando Jeremias escreve esta profecia a desgraça já estava sobre a nação. Israel já fora invadida pelo rei da Babilônia, muitos já estavam no cativeiro e muita crueldade praticada. É no meio dessa tragédia toda que Deus está dizendo: vou trazê-los de volta e vou guiá-los ao lugar melhor e pelo caminho reto.

Jeremias 31.20 – Não é Efraim meu precioso filho, filho das minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o Senhor.

Efraim. Vamos lembrar: Jacó tem 12 filhos. O filho mais velho de Raquel é José. Raquel era preciosa para Jacó, por causa do seu amor por ela. Aos olhos de Jacó, José era o seu filho primogênito e para Deus também. A lei judaica previa uma herança dobrada para o filho primogênito, ou seja, havendo 12 filhos, a herança é dividida em 13 partes, uma para cada dos 11 filhos, o primogênito leva duas partes. Quando houve divisão da terra, Deus decidiu que uma tribo não teria terra, Levi, a tribo sacerdotal que seria espalhada por toda a nação. As dez tribos recebem a herança e a tribo de José se divide em duas: Manasses e Efraim. Quando o reino foi dividido, Efraim ficou no Reino do Norte, Reino de Israel, que nunca foi fiel a Deus. Judá teve reis fiéis e infiéis, mas Israel só teve reis infiéis. E agora Deus diz: Efraim você é o meu filho. Deus tem misericórdia de quem Ele quer e dirige a quem Ele quer.

A direção providencial não pode fugir dos demais atributos de Deus, portanto a direção providencial de Deus é misericordiosa, porque não merecemos nada. Recordando as palavras da primeira carta de Pedro, temos de nos humilhar diante de Deus porque dependemos da misericórdia de Deus. A direção da nossa vida e a intimidade com o Senhor temos através desse reconhecimento de que nada somos.

A Direção Providencial e a Palavra de Deus e a Oração

A direção providencial é o fato de que Deus está guiando nossos passos. Deus não está só concorrendo com tudo aquilo que fazemos, como está também dirigindo as nossas ações de forma que não contrarie aquilo que está dentro do Seu plano. Isto não significa que vamos fazer coisas ruins e que isto está dentro do plano de Deus, e, por algum motivo, percebemos em curto prazo e às vezes não. Deus dirige e Ele faz de forma direta e de forma indireta. Deus agindo através da Sua Palavra, Ele falando conosco pela Bíblia, é forma direta, e também forma indireta porque é um meio que nós temos, e indireta quando Ele age através da natureza e de todas as coisas criadas. Tudo o que acontece, acontece porque Deus tem um plano a respeito do todo, seja do Universo, seja das nossas vidas. Nunca podemos dizer que Deus não estava conosco quando fizemos alguma coisa errada, porque Deus é Onipresente e Onisciente. Sabemos que Deus não dorme nem cochila Aquele que te guarda (Salmo 121). Por quê aconteceu? Na maioria das vezes não temos uma explicação fácil. Como diz o Salmo 25, precisamos ter intimidade com Deus, de falar com Ele e de ouvir. Nada adianta orar cinco vezes por dia, porque está só falando, é preciso ouvir o que Deus tem para nos falar. A carta aos Hebreus diz que tendo Deus outrora falado pelos profetas, por Jesus, agora fala através da Bíblia, Sua Palavra.

Quando conversamos com Deus sentimos os efeitos colaterais da oração, pois o nosso espírito se acalma, se aquieta. O que queremos é compreender esta direção de Deus. Quando somos íntimos de Deus não só temos a convicção de que Ele dirige, pedimos para que Ele nos dirija, mas esta direção, muitas vezes, para nós não é clara, mas para Deus está muito clara. Nós não sabemos qual decisão tomar, qual o caminho a seguir, então pedimos ao Senhor que nos mostre se é à esquerda, se à direita, o caminho que devo andar. A resposta está na Palavra de Deus. O que devo fazer? Procurar na Palavra de Deus. Ela traz a resposta exata para todas as minhas perguntas? Não, quando se trata de pergunta particular, como por exemplo: que falcudade cursar? Compro a casa? Nesse caso, oramos pedindo ao Senhor que nos oriente e Ele porá em nosso coração a decisão. Essa decisão estará dentro do plano de Deus. A intimidade com Deus nos dá sabedoria para poder julgar, nos dá discernimento. E aí, encontraremos argumentos que tem a ver com o que está escrito na Bíblia. Deus no dá a Sua intimidade através do plano da salvação; fomos escolhidos, redimidos, chamados, e nesse momento Ele está nos dando a intimidade d’Ele. Essa intimidade é limitada para nós, porque não vamos conhecer tudo de Deus. Para fazermos esse caminho ao contrário, preciso conviver diariamente com Deus. A nossa intimidade com o Senhor nos dá capacidade para discernir o que serve para nossa edificação, o que é útil para o nosso relacionamento com Deus, nosso relacionamento com as pessoas. Essa intimidade é pessoal. Deus se relaciona com cada um dos Seus filhos individual e pessoalmente. Embora tenhamos em comum a natureza pecaminosa, Deus nos fez diferentes um dos outros e leva em conta essa diferença. Há também certa economia de Deus em relação a grupos de pessoas. Estudando a respeito do sofrimento, vemos que há sofrimentos gerais, sofrimentos específicos para os crentes, há sofrimentos específicos para os líderes cristãos. A única coisa que temos em comum é o fato de não sermos iguais. Algumas coisas de Deus são iguais para todo mundo: a graça, a misericórdia. Não será a mesma retribuição, porque haverá diferença de galardão para os crentes e diferença de castigo para os incrédulos.

Salmo 23.4 – Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo; o Teu bordão e o Teu cajado me consolam.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra. Repetimos essas palavras e não prestamos a devida atenção a elas. Quando passamos por dificuldades e sofrimentos, logo pensamos que Deus nos esqueceu. Mas, na verdade, nós que nos esquecemos que temos de passar pelo vale da sombra da morte. Não estamos o tempo todo no vale da sombra da morte e nem nos campos verdejantes e águas de descanso também. A vida com Deus não significa que não teremos dificuldades, mas no meio delas Deus está conosco.

Provérbios 3.17 – Os Seus caminhos são caminhos deliciosos, e todas as Suas veredas, paz.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte todos os Seus caminhos são de paz. Ainda que ande pelo vale da sombra da morte, todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus.

Lucas 1.78-79 – graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o Sol Nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.

O objetivo de Deus é nos levar para o caminho de paz. A paz de Deus que excede todo entendimento é a paz que Jesus nos dá, é aquela paz que Paulo sentia quando disse: “o morrer para mim é lucro”.

Malaquias 4.2 – Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o Sol da Justiça, trazendo salvação nas Suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria.

Deus está dizendo através do profeta: “Eu vou dirigir vocês para o bem, ainda que em algum momento ande pelo vale da sombra da morte”. Quando passamos por dificuldades temos a visão humana que nos faz ver o sofrimento; mas aos olhos de Deus é o caminho que nos levará à paz.

Josué 1.7-9 – Tão somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares. Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido. Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.

Deus disse a Josué: A Lei está aí com você, leia, estude, medite nela dia e noite, e não cesse de falar dela o tempo todo. Mesmo meditando, conhecendo e falando, nem sempre é fácil, porque se fosse fácil não seria necessário ser forte e corajoso. Como podemos ser forte e corajoso? Com a convicção de que Deus está do nosso lado o tempo todo, por onde quer que andarmos. Meditando, conhecendo e falando da Lei, teremos o cuidado de obedecer a Lei e andaremos por caminhos menos perigosos. Deus não nos tira do mundo, o que significa que às vezes teremos de entrar em vereda perigosa com o objetivo da vontade de Deus. Paulo é exemplo disso. Quantos sofrimentos ele passou! Não foi porque desviou do caminho, mas a sua missão, a vontade de Deus, o levou para essas veredas difíceis.

A direção divina é feita por meio da Palavra. A direção de Deus tem um padrão que é bem simples; o padrão de Deus é toda a Lei. Não é a lei que nos agrada ou que nos interessa, mas toda a Lei. Além de não nos desviarmos da Lei nem para um lado nem para o outro, Deus nos dá a missão de proclamar a Sua Lei. Deus diz para inculcarmos, ou seja, gravarmos em nossa memória, a Lei de Deus. O Salmo 119 nos ensina como usar essa Lei para cumprirmos a vontade de Deus.

Fonte:

terça-feira, 27 de agosto de 2013

LIÇÃO 02 - AS TRÊS DIMENSÕES DO PERDÃO – Cl 3.13; Ef 4.32


INTRODUÇÃO

O pecado trouxe consigo a morte. O vírus letal do pecado infectou toda humanidade. Afetou o ser humano na sua totalidade, matou o homem. O intelecto do homem ficou danificado, sua vontade escravizada e sua emoção poluída. Sua inclinação natural é avessa à vontade de Deus. O homem nem busca, nem entende Deus.

A condição de toda pessoa fora de Jesus Cristo é descrita em Efésios 2:1-3. 
a) Mortos em Delitos e pecados, v.1 
b) Filosofia de vida anti-cristã, v.2
c) Filhos da ira (condenação), v.3

Não obstante, Deus intervém e eternamente e perdoa aqueles que Ele elegeu para salvação, Ef 2.4-5.

O Senhor Jesus tem o poder para perdoar pecado. Ele falou ao paralítico, dizendo, “perdoados estão os teus pecados”, Mc 2.5, 10-12.

Portanto, o homem é incapaz de dar a vida a si mesmo, de abrir seus próprios olhos ou de ensinar a si mesmo a verdade espiritual. 
a) Deus é quem toma a iniciativa de eleger, agir e perdoar o homem, Ef 2.8-9; Jo 6.44.
b) Deus é quem abre o coração do eleito e cria nele a capacidade de querer e de fazer o bem que agrada a Deus, pois, de outra maneira, ninguém seria capaz de crer, At 13.48; 16.14

É Deus quem implanta o princípio ou a semente da nova vida, quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar. Sua ação graciosa suplanta a inclinação carnal por uma disposição espiritual. A graça da regeneração é que habilita o homem a crer no Senhor Jesus, a arrepender-se de seus pecados e a converter-se de seus maus caminhos. Sem a graça da regeneração ninguém teria condição de entrar no reino de Deus.


1. PERDÃO – UMA COMPREENSÃO DA NOSSA SITUAÇÃO DIANTE DE DEUS

1. A consciência do perdão, Rm 3.23; 3.10-18.
Portanto, negar a nossa condição de pecadores é negar a própria Palavra de Deus, I Jo 1.10. 

Devido a depravação da natureza humana, todos pecaram e são responsáveis diante de Deus. A aproximação e a contemplação da gloriosa santidade de Deus realçam de forma eloqüente a gravidade do nosso pecado, Is 6.1-5

Lloyd-Jones escreveu: “Nunca houve um santo sobre a face da terra que não tenha visto a si mesmo como um vil pecador; de modo que se você não sente que é um vil pecador, não é parecido com os santos”.[1]

2. A Insatisfação com a prática do pecado
O homem consciente da sua dívida, se apresenta arrependido diante de Deus, desejoso de deixar de pecar, I Jo 3.6; I Jo 2.1-2.

3. Incapacidade de pagar a Dívida
Não temos condições de pagar a nossa dívida, Lc 7.41-42.

Estamos inadimplentes espiritualmente; a nossa dívida cada vez aumenta mais. Porque ainda que vivendo como cristãos, vamos aumentando sem cessar nossa dívida e agravando a embrulhada da nossa situação. A dívida cresce de dia em dia.

Hendriksen escreveu: “A petição de perdão significa que o suplicante reconhece que não há outro método pelo qual possa cancelar sua dívida, é uma súplica de graça”.[2]

Portanto, é impossível uma autêntica vida cristã sem esta consciência: de sermos pecadores e da necessidade do perdão de Deus. Enquanto não admitirmos isso, estamos, na realidade, sustentando algum tipo de auto-suficiência.


2. PERDÃO E AS NOSSAS ATITUDES COMO REDIMIDOS

1. Viver dignamente
O pecador perdoado é motivado a procurar se harmonizar com o propósito de Deus revelado nas Escrituras.

John Owen escreveu: “O perdão é o mais forte motivo para se viver piedosamente depois de recebê-lo (...) Aquele que presume tê-lo recebido, e não se sente obrigado a ser obediente a Deus por causa do perdão que recebeu, na verdade não goza dele”.[3]

Deus nos diz na sua Palavra que ele nos redimiu para si mesmo a fim de vivermos para Ele, em harmonia com a sua vontade, encontrando assim a felicidade decorrente da nossa obediência a Deus, Is 44.22; Is 55.7.

2. Humildade e Gratidão
A súplica pelo perdão de nossas dívidas aponta para a nossa total incapacidade de pagar-lhe: somos total e irreversivelmente devedores; portanto, a nossa postura é de humildade diante de Deus. Sl 103.1-3,8,10,14.

3. Disposição para perdoar
O perdão concedido por Deus é um imperativo à concessão de perdão ao nosso próximo. Aquele que foi perdoado é conduzido invariavelmente à disposição de perdoar o seu próximo; e quando perdoamos estamos nos abrindo ao perdão de Deus. A nossa disposição em perdoar é um atestado de nossa gratidão a Deus.

A base do perdão é o perdão concedido por Deus. Ele não somente nos perdoa, como também nos capacita a perdoar; Deus faz o nosso perdão possível, Cl 3.13; Ef 4.32.


3. PERDÃO E AS NOSSAS ATITUDES CONSIGO MESMO
Uma das situações mais doloridas na vida de uma pessoa é a incapacidade de perdoar-se a si mesmo. O Senhor declara em sua palavra que os nossos pecados já foram perdoados em Cristo Jesus, I Jo 2.12. 

Esta falta de perdão a si mesmo tem feito muitos adoecerem física, emocional e espiritualmente. A falta de perdão a mim mesmo produz:

1) O sentimento de culpa 
É um sentimento que experimentamos quando temos a consciência de que erramos em relação às leis de Deus e os padrões éticos e morais socialmente aceitos. A Bíblia diz que nós somos declarados ‘não culpados’ por causa de Cristo, I Jo 2.12; 3.19-22. 

2) Um complexo de inferioridade
Esse sentimento que experimentamos quando, em função dos erros e pecados nos julgamos menores do que os outros e incapazes de agradar a Deus.

Você é Santuário de Deus onde habita o Espírito Consolador que provém de Deus e que mesmo sendo o cristão tão limitado e tendencioso a pecar continuamente, somos consolados e fortalecidos pelo Espírito Santo, I Co 3.16; 1 Co 1.27; Jl 3.10

c) Uma postura de auto-piedade.
Esse é um comportamento egocêntrico que termina bloqueando o fluxo final do perdão e o amor curativo de Deus. Perdemos as esperanças. Recusamo-nos a nos erguer, a tomar nossa cruz de fragilidade humana e seguir Jesus, Ec 7.16.


Para Concluir
Quando Deus perdoa, Ele esquece o pecado do homem perdoado. A Escritura declara que Ele lança o pecado da pessoa perdoada para trás das Suas costas, tão longe como o oriente está do ocidente, e lança o pecado nas profundezas do mar, Sl 103.12; Is 38.17; Mq 7.19. 

Não lembrança de pecado implica em perdão disso: “de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais”, Hb 8.12. 

O perdão de Deus é tão completo que Ele o descreve como não lembrando o pecado, as iniqüidades e as transgressões do homem perdoado. Com Ele o perdão é equivalente ao esquecer o pecado de uma pessoa. Ele não guarda lembrança dele em Sua mente; Ele não pensa sobre os pecados de Seu povo. Sua iniqüidade é removida, e o justo Juiz não tem memória judicial dele.

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[1] LLOYD-JONES, Martyn. O Clamor de um desviado: Estudos sobre o Salmo 51. São Paulo: PES. 1997, p. 40. 
[2] HENDRIKSEN, Willian. Mateus – Comentário do Novo Testamento, Vol I: Cultura Cristã, 2010 2ª Ed. p. 350. 
[3] Owen, John, citado por A, Booth, in: Somente pela graça, São Paulo: PES, 1986, p. 33


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

AMÉM É COISA SÉRIA!


Por Wilhelmus à Brakel

É comum ouvirmos a afirmação que o significado das palavras hebraica e grega traduzidas como “amém” é “que assim seja”. Ouvimos, por exemplo, que devemos finalizar nossas orações com um convicto “amém”, a fim de expressar nosso forte e sincero desejo de que Deus atenda nossas petições. E, de fato, a palavra pode ser entendida dessa forma. Edward Robinson diz que a palavra aparece “usualmente no final de uma oração, onde serve para confirmar as palavras que precedem” (Léxico Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. p. 46). Isso pode ser visto, por exemplo, em Neemias 5.13: “Também sacudi o meu regaço e disse: Assim o faça Deus, sacuda de sua casa e de seu trabalho a todo homem que não cumprir esta promessa; seja sacudido e despojado. E toda a congregação respondeu: Amém! E louvaram o SENHOR; e o povo fez segundo a sua promessa” (cf. Deuteronômio 27.15-26; 1Reis 1.36; 1Coríntios 14.16). Não é incorreto afirmar que dizer “amém” é uma expressão de desejo pela consecução daquilo que é pedido ou uma confirmação do que foi afirmado.


Entretanto, a palavra “amém” possui um significado mais solene. O estudioso Hans Bietenhard afirma: “Através do ‘amém’, aquilo que foi falado é afirmado como certo, positivo, válido e obrigatório” (Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vol. 1. São Paulo: Vida Nova, 2007. p. 110). Trata-se, portanto, de uma afirmação de veracidade. Dizer “amém” é jurar que aquilo que foi afirmado na oração é expressão da verdade. Nesse sentido, quando suplicamos algo a Deus e dizemos “amém”, estamos expressando diante do Senhor que o nosso desejo é sincero e verdadeiro. Quando louvamos a Deus e finalizamos com “amém” estamos afirmando diante d'Aquele que sonda o nosso coração, que verdadeiramente o valorizamos e o consideramos como supremamente valioso.


Esse significado pode ser visto, por exemplo, em Isaías 65.16: “de sorte que aquele que se abençoar na terra, pelo Deus DA VERDADE é que se abençoará; e aquele que jurar na terra, pelo Deus DA VERDADE é que jurará”. A palavra hebraica traduzida pela Almeida Revista e Atualizada como “da verdade” é 'amên. Literalmente, o texto diz: “aquele que se abençoar na terra, pelo Deus DO AMÉM é que se abençoará; e aquele que jurar na terra, pelo Deus DO AMÉM é que jurará”. A ideia é que toda bênção e todo juramento terão a Deus como sua testemunha, Aquele que é a própria verdade, devendo, assim, serem feitos segundo a verdade e por coisas lícitas. Em Apocalipse 3.14, Jesus se identifica para o anjo da igreja de Laodiceia da seguinte forma: “Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o AMÉM, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”. Ao identificar-se como o “Amém”, Jesus está afirmando que o diagnóstico que ele apresentará a seguir é a mais pura expressão da verdade. Tudo o que ele tem a dizer é verdadeiro e, portanto, digno de crédito e de submissão da parte daqueles que ouvem. Gregory K. Beale diz que, “as três descrições ‘o Amém, a testemunha fiel e verdadeira’ não são distintas, mas geralmente se sobrepõem para sublinhar a ideia da fidelidade de Jesus ao testemunhar diante de seu Pai durante seu ministério terreno e sua continuidade como tal testemunha” (The Book of Revelation. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1999. p. 296). Simon Kistemaker, outro estudioso do Novo Testamento diz que, “o ‘Amém’ comunica a ideia daquilo que é verdadeiro, solidamente estabelecido e fidedigno”. (Comentário do Novo Testamento: Apocalipse. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 225).


De igual modo, quando desejava expressar de forma mais contundente a veracidade do seu ensinamento e como ele deveria ser levado a sério por seus discípulos, Jesus introduzia seus ditos no Evangelho de João com um duplo “amém”, que na nossa tradução aparece como “em verdade, em verdade vos digo”: “E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (1.51; cf. 3.3,5,11; 5.19,24,25; 6.26,32,47,53; 8.34,51,58; 10.1,7; 12.24; 13.16,20,21,38; 14.12; 16.20,23; 21.18). Todo o seu testemunho é verdadeiro. Nele não há engano. Nas suas declarações não existem mentiras. Ele é a verdade e tudo o que Jesus afirma é verdadeiro.


Isto posto, devemos compreender que quando fazemos nossas orações a Deus, louvando-o, bendizendo-o, fazendo súplicas e intercessões, e respondemos com o “amém”, estamos dizendo ao Deus da Verdade, ao Deus do Amém, que nossos desejos são sinceros, que nosso coração está tomado de santas afeições por suas perfeições, majestade e glória. Quando oramos e concluímos com o “amém”, dizemos ao Deus que sonda os nossos corações que tudo o que expressamos é verdadeiro. Por esta razão, devemos levar muito a sério o dever da oração. Devemos nos aproximar de Deus sabendo que ele não vê como vê o homem. Ele vê o coração. Ele sabe quando nossos desejos estão direcionados para outras coisas. Ele conhece a insinceridade dos nossos corações. Quando não somos sinceros ou quando somos indiferentes em nossas orações, o “amém” é uma mentira dita ao Deus que tudo sabe. Por isso, que ele nos guarde de toda mentira e nos preserve no caminho da verdade, para que nossas orações sejam, de fato e de verdade, nas palavras de Wilhelmus à Brakel, “a expressão de santos desejos a Deus, em nome de Cristo, que, por meio da operação do Espírito Santo, procede de um coração regenerado, junto com o pedido do cumprimento desses desejos”.


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Fonte: The Christian’s Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 1997. p. 446.
Via: Cristão Reformado.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

LIÇÃO 01 - DISCIPULADO - O ARREPENDIMENTO PARA A VIDA


INTRODUÇÃO

A doutrina do arrependimento é um ensino ausente em muitas Igrejas nos nossos dias. Temos ouvido sermões superficiais que diluem a idéia do pecado, oferecendo muito e exigindo pouco demais. O evangelho moderno tem pregado a necessidade de bens e prosperidade, mas não se tem ensinado uma mudança de mente, de pensamento.

O resultado é que temos visto “conversões” que não evidenciam na prática o fruto do arrependimento, ou seja, uma transformação, mudança radical de vida (2 Co 5.17; Mt 12.33).
A Confissão de Fé de Westminster declara: “Arrependimento para vida é uma graça evangélica, doutrina esta que deve ser proclamada por todo ministro do evangelho, tanto quanto a fé em Cristo” [1]

Essa deve ser a mensagem que deve ser pregada em todo o tempo e lugar, Lc 24.46-48.

O arrependimento é a primeira e uma das mais importantes verdades do novo testamento:
a) Foi o teor da mensagem de João Batista: Mc 1:4; 
b) Foi mencionado na primeira mensagem de Cristo; Mc 1,14-15;
c) Jesus enviou seus discípulos a pregar e o que eles pregaram? Mc 6,12;


1. O QUE NÃO É ARREPENDIMENTO

a) Não é um mero pesar (remorso) pelo seu pecado
Algumas pessoas ficam muito tristes por causa das conseqüências de seus pecados, ou pelo fato de terem sido pegas. Muitas pessoas ficam tristes, não pelo que têm feito de errado, mas pela penalidade que recebem ao serem pegas, 2 Co 7.10.  O remorso oprime e mata. Foi o caso de Judas, Mat. 27.3-5. 

b) Não é uma mera tentativa de sermos pessoas boas
Muitas pessoas tentam com as suas próprias forças tornarem-se pessoas melhores e mudarem os seus estilos de vida. Todo esforço próprio traz consigo uma raiz de auto-justiça, que é algo que não reconhece a necessidade de arrependimento pelo pecado, Is 64.6.

b) Não é adquirir religiosidade
Os fariseus da Bíblia eram extremamente religiosos em seus comportamentos e práticas. Jejuavam, oravam e tinham muitas cerimônias religiosas. No entanto, nunca se arrependeram, Mt 3.7-10; Tg 2.19-20.


2. ARREPENDIMENTO – DEFINIÇÃO BIBLICO TEOLOGICA
“Arrependimento para vida é uma graça evangélica, doutrina esta que deve ser proclamada por todo ministro do evangelho, tanto quanto a fé em Cristo”.

Nesta simples definição lidamos com dois termos que são carregados de conceitos teológicos significativos. 

a) Graça - A palavra “graça” indica o “favor imerecido de Deus; é o seu amor, que não merecemos.” [2] É precisamente este conceito que está em voga quando a nossa Confissão define a doutrina do arrependimento, ou seja, ela mostra que o arrependimento que conduz à vida é uma ação graciosa e imerecida da parte de Deus para com o pecador. É precisamente isto que nos ensina a palavra de Deus em Atos 11.18. A implicação disso é que o arrependimento não é algo provocado por nós, mas Deus em seu favor imerecido nos dá de forma graciosa o arrependimento para a vida, 2 Tm 2.24-25.

b) Evangélica - O arrependimento não é apenas uma graça ou um favor imerecido de Deus, mas é também uma graça manifestada pelo evangelho de Deus ou proveniente deste evangelho. O vocábulo “evangelho” vem de um vocábulo grego que significa “boas novas”. Alguém já disse que esta palavra é “o resumo final de toda a mensagem cristã”, [3] Mc 1.1; 1 Co 15.1. A mensagem de Deus provoca no homem este arrependimento necessário à vida, Rm 2.4. A súmula disso tudo é o que o arrependimento é uma mudança de mente provocada pela graça de Deus através da simples e clara proclamação do evangelho de Cristo Jesus.João, o batista, exclamou: “produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”, Mt 3.8. 
O apóstolo Paulo pregou: “praticando obras dignas de arrependimento”, At 26.19-20.

Berkhof definiu “os frutos e obras dignas de arrependimentos”, como sendo “a confissão do pecado e a reparação dos males praticados”, [4] Lc 19.8-10. 


3. ARREPENDIMENTO – ENVOLVE TODO O NOSSO SER

O Pr. John F. McArthur Jr [5]. diz que o arrependimento engloba o homem como um todo:


a) Engloba o homem intelectualmente, Mt 12.41; Lc 11.32
O arrependimento se inicia quando há reconhecimento do pecado. O homem desperta para a seriedade que seu pecado tem para-Deus. Há uma consciência de que as coisas não são como deveriam, e que algo está errado. Este é o primeiro estágio do arrependimento. É quando eu chego a compreender que algo está errado;

b) Engloba o homem emocionalmente, 2 Co 7.10; Jó 42.6
Uma pessoa pode até entristecer sem estar arrependida, como foi o caso de Judas (Mt 27.3-5),ou do moço rico (Mt 19.16-22). Entretanto, o genuíno arrependimento sempre vem acompanhado por tristeza (SI 51.17).

c) Engloba o homem volitivamente, Lc 15.17-20
A vontade do homem é afetada. John F. McArthur Jr. afirmou que “Onde não há mudança visível de conduta, não se pode confiar que haja ocorrido arrependimento”. Lembra-se do filho pródigo? Observamos no texto bíblico que ele “caiu em si”, compreendeu que algo estava errado, mas não ficou só nisso, “Levantou-se e foi”. Houve uma tomada de decisão. Não haverá arrependimento verdadeiro até que tenhamos feito algo a respeito do pecado. Não basta saber que é errado, ou ficar triste por ter pecado. O pecado precisa ser abandonado. A implicação disso é que o arrependimento não é algo provocado por nós, mas Deus em seu favor imerecido nos dá de forma graciosa o arrependimento para a vida, At 11.28

Para Concluir:
Arrependimento é reconhecer que somos pecadores, abandonar o caminho do pecado e passar a viver o caminho do Evangelho de Jesus Cristo. O arrependimento é a necessidade primeira para todos os que quiserem ser salvos por Jesus Cristo, pois sem arrependimento não há perdão e sem perdão não há salvação.[6]

O arrependimento é dado por Deus quando, ouvindo o Evangelho, cremos e aceitamos Cristo e seu sacrifício por nós. Então, o Espírito Santo convence-nos do pecado, da justiça e do juízo, dando-nos a salvação em Cristo Jesus. O nosso entendimento, emoções e vontade são transformadas. Descobrimos então que já estamos salvos, pelas características novas que envolvem todo o nosso ser.

O arrependimento ocorre no início para salvação e permanece em zelo para purificação. O resultado do arrependimento é o perdão, a salvação e as bênçãos abundantes de Deus.

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[1] HODGE, A. A. Confissão de Fé de Westminster Comentada. São Paulo: Editora Os Puritanos. 1999, p. 285.
[2] PACKER, J.I. Vocábulos de Deus. São Paulo: Editora Fiel, 2002, p.87. 
[3] BARCLAY, William. Palavras Chaves do Novo Testamento – Volume I. São Paulo: Editora Vida Nova, 1985, p.69. 
[4] BERKHOF, L. Manual de Doutrinas Cristãs. São Paulo: Luz Para o caminho, 1985, p.221. 
[5] MARCARTHUR, JR., John. Sociedade sem Pecado – A Igreja aceita o popular evangelho da auto-estima ou reconhece a terrível realidade do pecado segundo a Bíblia? São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002, p.9 
[6] PENTECOST, J. D. A Sã Doutrina. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1994, p. 57.


domingo, 11 de agosto de 2013

QUANTIDADE & QUALIDADE: SERVIÇO NO REINO DE DEUS


Que todos nós lembremos destas coisas. Eis aqui uma pedra que é a causa de naufrágio espiritual de muitas pessoas. Eles bajulam a si mesmos com o pensamento de que tudo deve estar certo com as suas almas, se ao menos desempenharem uma certa quantidade de deveres religiosos. Esquecem-se de que Deus não presta atenção na quantidade, e, sim, na qualidade do nosso serviço. 

O favor divino não pode ser  comprado, conforme alguns parecem supor, pela repetição formal de um certo número de palavras, ou por justiça própria, pagando alguma quantia em dinheiro para uma instituição de caridade. 

Em que temos posto o coração? 
Estamos fazendo tudo, seja dar ou orar, “como ao Senhor, e não como a homens” (Ef 6.7)? 
Será que compreendemos o que realmente importa aos olhos do Senhor? 
Será que apenas e simplesmente desejamos agradar Àquele que “vê em secreto”, Àquele que “pesa todos os feitos na balança” (1 Sm 2.3)? 
Estaremos agindo com sinceridade? 
Com perguntas deste tipo é que deveríamos sondar diariamente as nossas almas.

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Extraído do Livro 
Meditações no Evangelho de Mateus de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 37.

DISPOSIÇÃO PARA SER SANTO


Se nós realmente desejamos ser santos, diremos como o salmista: “Guardarei os meus caminhos, para não pecar com a língua” (Sl 39.1). 

Precisamos estar prontos a resolver querelas e desacordos, para que tais coisas não nos conduzam a pecados ainda mais graves: “Como o abrir-se da represa assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas” (Pv 17.14). 

Precisamos nos empenhar em crucificar a nossa carne e mortificar os nossos membros. Devemos estar dispostos a fazer qualquer sacrifício, e até mesmo trazer sobre o corpo a incomodidade física, antes do que dar lugar ao pecado. 

Devemos guardar os nossos lábios, como que por um freio, e exercitar uma constante vigilância sobre nossas palavras. Que os homens nos chamem de “muito restritos”, se assim desejarem. Que eles digam que somos “por demais meticulosos”, se isso lhes agrada. 
Não nos deixemos abalar com isso. 
Estamos apenas fazendo aquilo que nosso Senhor Jesus Cristo nos manda, e, sendo assim, não temos de que nos envergonhar.

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Extraído do Livro 
Meditações no Evangelho de Mateus de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 33.

O RAIO “X” DE DEUS


Deus é um Ser puríssimo e perfeitíssimo, que percebe falhas e imperfeições onde os homens não vêem coisa alguma. 
Deus lê os motivos dos nossos corações. 
Ele observa não somente os nossos atos, mas também as nossas palavras e os nossos pensamentos. 
“Eis que te comprazes na verdade no íntimo” (Sl 51.6). 
Oxalá os homens considerassem esse aspecto do caráter de Deus muito mais do que costumam fazer! 
Então não haveria lugar para o orgulho, para a justiça-própria e para a indiferença, se ao menos os homens vissem a Deus “conforme Ele é”.

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Extraído do Livro 
Meditações no Evangelho de Mateus de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 32.

A LEI DOS DEZ MANDAMENTOS


Devemos acautelar-nos em não desprezar a Lei dos Dez Mandamentos. Nem por um momento suponhamos que essa lei tenha sido posta de lado pelo evangelho, ou que os crentes não tem nada a ver com ela. A vinda de Cristo em nada alterou a posição dos dez mandamentos, nem mesmo a largura de um fio de cabelo. O que ela fez foi exaltar e destacar a sua autoridade (Rm 3.31). 

A lei dos dez mandamentos é a medida eterna de Deus para o que é certo e o que é errado. 
Através da lei é que vem o pleno conhecimento do pecado. 
Pela lei é que o Espírito mostra aos homens a sua necessidade de Cristo e os leva a Ele. 

Cristo deixou ao seu povo a lei dos dez mandamentos como norma e guia para uma vida santa. Em seu devido lugar, a lei dos dez mandamentos é tão importante quanto o “glorioso evangelho”. A lei não pode nos salvar. Não podemos ser justificados por ela. Porém, nunca jamais a desprezamos. 

O menosprezo pela lei dos dez mandamentos é um sintoma de ignorância e insanidade em nossa religião. O verdadeiro crente autêntico tem “prazer na lei de Deus” (Rm 7.22).

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Extraído do Livro 
Meditações no Evangelho de Mateus de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 30.

SAL E LUZ – O CARÁTER CRISTÃO


Se estas palavras têm algum significado, então, certamente, Jesus intenciona nos ensinar, com estas duas figuras, sal e luz, que precisa haver algo notório, distintivo e peculiar a respeito do nosso caráter, se somos verdadeiros cristãos. Se desejamos ser reconhecidos como pertencentes a Cristo, como povo de Deus, jamais poderemos passar a vida desocupados, pensando e vivendo como fazem as demais pessoas neste mundo. 

Temos a graça divina? Então ela precisa ser vista. 
Temos o Espírito Santo? Então deve haver o fruto. 
Temos uma religião salvadora? Então deve haver uma diferença de hábitos e preferências e também uma mentalidade diferente entre nós e aqueles que pensam segundo o mundo. 

É perfeitamente claro que o cristianismo verdadeiro envolve algo mais do que ser batizado e ir à igreja. “Sal” e “Luz”, evidentemente, implicam numa peculiaridade, tanto no coração quanto na vida diária, tanto na fé quanto na prática. Se nos considerarmos salvos, devemos ousar ser singulares e diferentes da humanidade em geral. 

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Extraído do Livro 
Meditações no Evangelho de Mateus de J. C. Ryle
Editora Fiel, pág. 29.