domingo, 16 de junho de 2013

COMO ASSIM, "NÃO TOQUEIS NO UNGIDO DO SENHOR..."?!


Por Augustus Nicodemus Lopes

Há várias passagens na Bíblia onde aparecem expressões iguais ou semelhantes a estas do título desta postagem:

A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a reis, dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas (1Cr 16:21-22; cf. Sl 105:15).

Todavia, a passagem mais conhecida é aquela em que Davi, sendo pressionado pelos seus homens para aproveitar a oportunidade de matar Saul na caverna, respondeu: "O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele [Saul], pois é o ungido do Senhor" (1Sm 24:6).

Noutra ocasião, Davi impediu com o mesmo argumento que Abisai, seu homem de confiança, matasse Saul, que dormia tranquilamente ao relento: "Não o mates, pois quem haverá que estenda a mão contra o ungido do Senhor e fique inocente?" (1Sm 26:9). Davi de tal forma respeitava Saul, como ungido do Senhor, que não perdoou o homem que o matou: “Como não temeste estender a mão para matares o ungido do Senhor?” (2Sm 1:14).

Esta relutância de Davi em matar Saul por ser ele o ungido do Senhor tem sido interpretado por muitos evangélicos como um princípio bíblico referente aos pastores e líderes a ser observado em nossos dias, nas igrejas cristãs. Para eles, uma vez que os pastores, bispos e apóstolos são os ungidos do Senhor, não se pode levantar a mão contra eles, isto é, não se pode acusa-los, contraditá-los, questioná-los, criticá-los e muito menos mover-se qualquer ação contrária a eles. A unção do Senhor funcionaria como uma espécie de proteção e imunidade dada por Deus aos seus ungidos. Ir contra eles seria ir contra o próprio Deus.

Mas, será que é isto mesmo que a Bíblia ensina?

A expressão “ungido do Senhor” usada na Bíblia em referência aos reis de Israel se deve ao fato de que os mesmos eram oficialmente escolhidos e designados por Deus para ocupar o cargo mediante a unção feita por um juiz ou profeta. Na ocasião, era derramado óleo sobre sua cabeça para separá-lo para o cargo. Foi o que Samuel fez com Saul (1Sam 10:1) e depois com Davi (1Sam 16:13).

A razão pela qual Davi não queria matar Saul era porque reconhecia que ele, mesmo de forma indigna, ocupava um cargo designado por Deus. Davi não queria ser culpado de matar aquele que havia recebido a unção real.

Mas, o que não se pode ignorar é que este respeito pela vida do rei não impediu Davi de confrontar Saul e acusá-lo de injustiça e perversidade em persegui-lo sem causa (1Sam 24:15). Davi não iria matá-lo, mas invocou a Deus como juiz contra Saul, diante de todo o exército de Israel, e pediu abertamente a Deus que castigasse Saul, vingando a ele, Davi (1Sam 24:12). Davi também dizia a seus aliados que a hora de Saul estava por chegar, quando o próprio Deus haveria de matá-lo por seus pecados (1Sam 26:9-10).

O Salmo 18 é atribuído a Davi, que o teria composto “no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul”. Não podemos ter plena certeza da veracidade deste cabeçalho, mas existe a grande possibilidade de que reflita o exato momento histórico em que foi composto. Sendo assim, o que vemos é Davi compondo um salmo de gratidão a Deus por tê-lo livrado do “homem violento” (Sl 18:48), por ter tomado vingança dos que o perseguiam (Sl 18:47).

Em resumo, Davi não queria ser aquele que haveria de matar o ímpio rei Saul pelo fato do mesmo ter sido ungido com óleo pelo profeta Samuel para ser rei de Israel. Isto, todavia, não impediu Davi de enfrentá-lo, confrontá-lo, invocar o juízo e a vingança de Deus contra ele, e entregá-lo nas mãos do Senhor para que ao seu tempo o castigasse devidamente por seus pecados.

O que não entendo é como, então, alguém pode tomar a história de Davi se recusando a matar Saul, por ser o ungido do Senhor, como base para este estranho conceito de que não se pode questionar, confrontar, contraditar, discordar e mesmo enfrentar com firmeza pessoas que ocupam posição de autoridade nas igrejas quando os mesmos se tornam repreensíveis na doutrina e na prática.

Não há dúvida que nossos líderes espirituais merecem todo nosso respeito e confiança, e que devemos acatar a autoridade deles – enquanto, é claro, eles estiverem submissos à Palavra de Deus, pregando a verdade e andando de maneira digna, honesta e verdadeira. Quando se tornam repreensíveis, devem ser corrigidos e admoestados. Paulo orienta Timóteo da seguinte maneira, no caso de presbíteros (bispos/pastores) que errarem:

"Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam" (1Tim 5:19-20).

Os “que vivem no pecado”, pelo contexto, é uma referência aos presbíteros mencionados no versículo anterior. Os mesmos devem ser repreendidos publicamente.

Mas, o que impressiona mesmo é a seguinte constatação. Nunca os apóstolos de Jesus Cristo apelaram para a “imunidade da unção” quando foram acusados, perseguidos e vilipendiados pelos próprios crentes. O melhor exemplo é o do próprio apóstolo Paulo, ungido por Deus para ser apóstolo dos gentios. Quantos sofrimentos ele não passou às mãos dos crentes da igreja de Corinto, seus próprios filhos na fé! Reproduzo apenas uma passagem de sua primeira carta a eles, onde ele revela toda a ironia, veneno, maldade e sarcasmo com que os coríntios o tratavam:

"Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.

Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens.

Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis.

Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos. Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar; pelo contrário, para vos admoestar como a filhos meus amados. Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus. Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores" (1Cor 4:8-17).

Por que é que eu não encontro nesta queixa de Paulo a repreensão, “como vocês ousam se levantar contra o ungido do Senhor?” Homens de Deus, os verdadeiros ungidos por Ele para o trabalho pastoral, não respondem às discordâncias, críticas e questionamentos calando a boca das ovelhas com “não me toque que sou ungido do Senhor,” mas com trabalho, argumentos, verdade e sinceridade.

“Não toque no ungido do Senhor” é apelação de quem não tem nem argumento e nem exemplo para dar como resposta.

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COMO TRANSFORMAR DESGRAÇA EM GRAÇA (Romanos 5.1-5)


Prof.Antonio de Pádua

O apostolo Paulo diz  aqui neste texto, algo que é meio complicado para se digerir – “mas também nos gloriamos nas tribulações” (v.3)
            Quer você goste ou não, as tribulações fazem parte da nossa vida. O senhor Jesus nos deu três certezas nesta vida:
a)  A Salvação
b)  Uma cruz para carregar
c)   Uma vida permeada por lutas e provações
            As tribulações são como tempestades que vêm contra o barco da nossa vida, mexem com as nossas estruturas e provam a nossa fé.

Então, se eu não posso evitar todos os momentos de tribulação, eu preciso aprender com eles, saber como lidar com eles. 
            Precisamos aprender que os momentos de tribulações e desgraças elas são:
a) Inevitáveis, Jo 16.33
b) Imprevisíveis, Jó 1.19
c) Impessoais, (não faz acepção pessoas)

       Portanto neste perspectiva, precisamos aprender como “Transformar a Desgraça em Graça”. E o exemplo concreto de como isso pode acontecer é olhando para a vida de José, filho de Jacó.

           José é um dos mais atraentes personagens da Bíblia. A sua vida é marcada pela angustia, rejeição, abandono e desgraça. 
A vida de um cristão não se restringe a uma única prova. Podemos observar que José foi provado do nascimento ao trono de do Egito.  
           Em nenhum destes antagonismo de vida , José perdeu de vista seu ideal e o propósito de Deus para a sua vida.

1. José era amado do seu pai, mas odiado pelos seus irmãos.
           José era o predileto de Jacó por ser o filho da sua velhice, e também o primogênito da esposa amada, Raquel. Este era o motivo da crise de ciúmes e inveja dos seus irmãos, a ponto de tentarem contra sua vida, Gn 37.3-4.
           Resultado – Foi vendido pelos irmãos aos mercadores como escravo, Gn 37.26-28.

2. José é rebaixado de mordomo a prisioneiro
           A mulher de Potifar desejou possuí-lo. Como não teve êxito, tramou uma cilada. José resistiu e isso deixou aquela mulher furiosa, frustrada e humilhada, e acusou-o de assédio sexual, Gn 39.7,10-12.
           Resultado – Ele foi mandado para a prisão, Gn 39.19-20.

          Agora, longe de seu pai querido, rejeitado pelos irmãos, foi caluniado injustamente e agora preso, encarcerado.

          Como sair desta situação de desgraça?
          Analisaremos a história de José de três formas:


I. JOSÉ EM MEIO A DESGRAÇA – MANIFESTAVA A GRAÇA DE DEUS EM SUA VIDA

          Uma verdade irrefutável que precisamos assimilar é que não importa a situação em que estamos vivendo, precisamos confiar em Deus. Em momento algum vemos José lamentando da situação em que estava.
      
          a) Deus era com José, Gn 39.2
          Assim como foi com José, Deus é aquele que estava na fornalha, aquele que estava no barco, é aquele que está conosco em todas as circunstâncias (no meio dos mares e no meio do fogo)
          b) As pessoas viam Deus na vida dele, Gn 39.3
          c) Ele era uma benção para outros, Gn 39.5


II. JOSÉ FOI FIEL A DEUS EM TODAS AS ÁREAS DA VIDA
      
           Quando se vive uma situação de desgraça, as pessoas tentam de todos os modos e usam de todos os meios para se livrar desta situação.
           José teve estas oportunidades:

a)  José poderia ter roubado, 39.6;
b) José poderia ter se deitado com a mulher, Gn 39.12-13
            c) José poderia ter fugido, Gn 39.23


III. JOSÉ ENTENDIA O PROPÓSITO DE DEUS PARA A SUA VIDA.

            Em a toda a situação de aparente desgraça, José sabia que o que Deus tinha para ele, não era aquele estado ou padrão de vida.
      
a) A fome atingiu a região de Canaã, onde Jacó morava. O patriarca mandou seus filhos buscarem comida, pois ouvira falar que no Egito havia abundância de pão, Gn 42.2
b) José não resistiu e revelou-se a seus irmãos, Gn 45.1-3.
c) José reconheceu o mal que sofrera fazia do propósito de Deus, Gn 45.7-8.


Para Concluir:
            Qual a nossa atitude diante de Deus quando os problemas nos afligem?
a) Murmuramos?
b) Queixamo-nos por Ele nos ter abandonado?
c) Afastamo-nos de Sua presença?  

Façamos como José:
1. Mostre que você confia em Deus mantendo firme o seu testemunho
2. Mostre-se fiel e não se deixando usar pelas artimanhas do inimigo
3. Saiba que Deus tem um propósito para você

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Sermão ministrado na 
Igreja Presbiteriana de Salgado de São Félix - PB

domingo, 2 de junho de 2013

A FEBRE DAS REVELAÇÕES EXTRABÍBLICAS NA IGREJA EVANGÉLICA



Por Dave Breese

Como tem Deus revelado a Si mesmo?

A resposta cristã a essa pergunta é que Deus revelou-se a Si mesmo "por muitas vezes e de muitas maneiras", nos dias da anti­guidade. Nestes últimos dias, entretanto, Deus se tem revelado a nós plena e finalmente, na pessoa de Jesus Cristo, conforme Ele é apresentado na Bíblia (Hebreus 1.1,2).

A Palavra de Deus, portanto, é a revelação final e completa de Deus, que não pode ser substituída por qualquer outra revelação. As seitas, porém, não têm este compromisso, porquanto acreditam na doutrina herética de supostas revelações extrabíblicas. Eles afirmam que Deus tem falado e registra do palavras, através de quais­quer meios, desde o tempo em que nos deu as Escrituras do Novo Testamento. Asseveram, pois, que Deus fala ou tem falado a parte da Bíblia.

A primeira e mais típica característica de uma seita é que reivindica como sua autoridade alguma revelação distinta das claras assertivas da Palavra de Deus. A maioria das seitas afirma respeitar os ensinamentos da Bíblia. Muitas dessas seitas chegam mesmo a atribuir inspiração divina às Sagradas Escrituras. Logo, porém, anun­ciam a sua real confiança em alguma revelação subseqüente, o que, na verdade cancela o ensino da Bíblia em favor de algo novo e supostamente mais autoritativo, que, segundo eles dizem, Deus revelou somente há pouco tempo. Portanto, estão dizendo que a Bí­blia é apenas uma par cela da revelação verbal de Deus, e que Ele tem falado, ou continua falando, de uma forma extrabíblica, à parte das Escrituras.

Uma seita, em Los Angeles, publicou recentemente o seguinte:
"Para você, a Bíblia tornou-se o Livro; mas quero que você saiba que Deus tem inspirado a homens e mulheres com o poder de revelarem, em nossos próprios dias, verdades ainda maiores, novos desdobramentos que partem do coração da vida".

"Acima de tudo, queremos que você tenha seus olhos abertos hoje em dia, para coisas ainda maiores que estão chegando, pois Deus está fazendo maravilhas entre os ho­mens. Regozije-se na nova revelação, que transborda de esperança. O novo revelará a você o antigo com frescor renovado. Não permita dúvidas. Lance-se nas profundezas de Deus e não tema. A eternidade já chegou".
Algumas vezes, essas revelações extrabíblicas vêm por inter­médio de algum "líder divinamente inspirado". Muitas religiões têm atribuído autoridade divina à pessoa de algum indivíduo, que é infalível quando fala, cujas palavras têm a mesma autoridade, ou mesmo maior autoridade do que as Santas Escrituras. Algumas dessas religiões têm feito seus líderes iguais a Deus.

Em qualquer lugar do mundo, as seitas continuam em busca de uma revelação melhor do que a Palavra de Deus. William Bra­nham, em seu livro Word to the Bride (Uma Palavra à Noiva), escreveu: "Uma noite, quando eu estava buscando ao Senhor, o Espírito Santo disse-me que apanhasse a pena e escrevesse. Enquan­to eu estendia a mão para apanhar a pena, o Espírito Santo deu-me uma mensagem para a Igreja. Quero anunciá-la a vocês… Tem a ver com a Palavra e com a noiva".

O Deus da Bíblia, sabendo que isso sucederia no futuro da Igreja, declarou mui claramente que a Sua Palavra, as Escrituras, é a revelação final e insuperável. O Espírito Santo orientou o apóstolo João a encerrar categoricamente a revelação verbal de Deus, quan­do disse: "Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e se alguém tirar qual­quer cousa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa, e das cousas que se acham esc ritas neste livro" (Apocalipse 22.18,19).

Como é claro, pois, há nas Escrituras uma temível maldição imposta sobre todo aquele que resume apresentar alguma nova revelação verbal da parte de Deus.

Numa frenética tentativa de racionalização, alguns cultistas têm afirmado: "Bem, a nossa revelação não se alicerça sobre a palavra do homem, mas provém de uma origem superior". A reivin­dicação dos mórmons, acerca da revelação recebida de um anjo, é uma boa ilustração disso.

Como se estivesse prevendo tudo isso, escreveu o apóstolo Paulo: "Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelh o que vá além do que vos temos pregado, seja anáte­ma. Assim como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema" (Gála­tas 1.8,9).

É verdade que, nos tempos bíblicos, a Palavra de Deus era transmitida aos homens por meio de anjos (Hebreus 2:2). No entan­to a Bíblia instrui-nos que a revelação de Jesus Cristo ultrapassou a tudo isso. "Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as cousas, pelo qual também fez o universo" (Hebreus 1.1,2).

Brian McLaren, um dos gurus evangélicos das "novas revelações", porta-voz de uma "nova reforma" da igreja.

Cristo é superior aos anjos, e a todos os anjos de Deus foi determinado que O adorassem. As palavras finais das Escrituras, "a revelação de Jesus Cristo" (Ap ocalipse 1.1), jamais poderão ser suplantadas pelos ministérios dos anjos. Por essa precisa razão foi que Jesus Cristo advertiu os Seus discípulos: "Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos…" (João 8.31). Os homens desta nossa época também foram devidamente avisados a darem ouvidos às palavras do Pai: "Este é o meu Filho amado… a ele ouvi" (Mateus 17.5).

É doutrina fundamental do cristianismo que a verdade final, a palavra definitiva, reside em Jesus Cristo. De fato, a Escritura, em si mesma, é ainda mais contundente, pois diz: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1.1).

A verdade final, por conseguinte, é a Pessoa, a Palavra e a obra de Jesus Cristo. Nenhuma revelação subseqüente, quanto ao caráter da verdade, pode tomar o lugar a revelação de Jesus Cristo. É simplesmente impossível haver uma maior revelação do que Cris­to neste ou em qualquer outro possível universo feito por Deus.

Um dos freqüentes artifícios das seitas é validar os seus próprios escritos, colocando-os como iguais às Sagradas Escrituras, para, em seguida, conferir-lhes autoridade maior do que a da Bíblia.
"As escrituras reveladas predizem as genuínas encar­nações de Deus muito tempo antes de acontecerem na terra. Por exemplo, o Antigo Testamento predizia o aparecimento do Senhor Jesus Cristo, e o Srimad-Bhagavatam predisse o aparecimento do Senhor Buda, do Senhor Caitanya Maha­prabhu e mesmo do Senhor Kalki, que não aparecerá antes de quatrocentos mil anos. Sem alusões a alguma predição escriturística comprovada, nenhuma encarnação do Senhor pode ser verídica. De fato, as escrituras advertem que nesta era haverá muitas falsas encarnações. O Senhor Jesus Cristo avisou aos Seus seguidores que, no futuro, muitos imposto­res haveriam de ass everar ser Ele mesmo. Por semelhante modo, o Srimad-Bhagavatam também adverte acerca de falsas encarnações, descrevendo-os como vagalumes que tentam imitar a lua. Os impostores modernos geralmente afirmam que as suas idéias representam os mesmos ensinos ministrados por Cristo ou por Krishna; mas, qualquer pes­soa realmente familiarizada com os ensinos de Cristo ou de Krishna facilmente pode ver que isso é um absurdo" (Back to Godhead, (De Volta ao Supremo), nº 61, 1974, pág. 24).
É dessa maneira que a seita Hare Krishna, os modernos seguidores de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, procura obter posição de autoridade nas mentes dos tolos. Eles põem os seus escritos misteriosos e enigmáticos ao lado da Palavra de Deus.

Portanto, cabe aqui uma palavra de advertência. O crente acredita que a Bíblia é a única e final revelação verbal de Deus. Crendo nisso, ele precisa dedicar-se ao estudo da Palavra de Deus de maneira mais intensa do que nunca.

Os sutis ataques que estão sendo desfechados contra a Escri­tura, nestes dias, precisam ser respondidos por crentes bem prepara­dos, em todos os níveis da sociedade. Não basta dedicarmos à Bíblia uma tranqüila veneração, contemplando-a com profunda admiração, como a pedra de toque da fé cristã. A Bíblia é "a espada do Espíri­to" e torna-se um instrumento eficaz contra os assaltos satânicos, quando tecemos os ensinos das Santas Escrituras nas próprias fibras de nossos seres.

Está sendo incoerente e, talvez, até hipócrita, o indivíduo que professa ter uma visão superior das Escrituras, mas negligencia dissipar a sua própria ignorância da verdade de Deus, mediante um programa sério de estudos bíblicos. A grande e primeira razão do avanço das seitas no mundo atual é a ignorância das sagradas Es­crituras por parte dos crentes. A segunda grande razão é a má vontade por parte do povo de Deus em transmitir a verdade divina, mediante o seu testemunho em favor de Cristo, a pessoas que ainda necessitam receber a salvação que há em Cristo.

Segue-se disso que a grande necessidade da comunidade cristã de nossos dias é o retorno ao estudo cuidadoso da Palavra de Deus. A fé de que a Bíblia é a verdade última resulta exatamente desse programa de estudos bíblicos. O estudo das Escrituras produz, na vida do crente, o cumprimento daquela promessa que diz: "E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo" (Roma­nos 10.17).

Para a mente honesta, a verdade apresenta suas próprias cre­denciais. Ninguém que se dê ao estudo atento da doutrina bíblica e à memorização das Escrituras, duvidará da autoridade fina da Escritura. Só se poderá oferecer resistência aos temíveis assaltos contra a Igreja, por parte de seitas poderosas e cheias de animação, quando os crentes se tornarem poderosos no Senhor, mediante o conhecimento sólido da Sua Palavra.

O salmista escondia a Palavra de Deus no seu coração, a fim de que pudesse resistir às alternativas pecaminosas da vida (Salmos 119.11). Isso significa que ele memorizava porções das Escrituras, assim deveríamos fazer.

A vida do crente ficará firmemente ancorada, capaz de resis­tir a toda oposição, quando estiver firmada em um operoso conhecimento da Sagrada Escritura.

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Fonte: Título original, "Revelações Extrabíblicas", do livro "As Marcas das Seitas", de Dave Breese, Ed. Fiel, 2001, pág. 18-22.

Extraído do site: Eleitos de Deus
Via: Web Evangelista

ESTUDO Nº 25 - O PAI NOSSO E A NOSSA CONDIÇÃO ESPIRITUAL – TENTAÇÃO (MT 6.9-13)


INTRODUÇÃO

      Este é o terceiro estudo da segunda parte do Pai nosso que faz referencias as necessidades do homem piedoso.
       É importante lembrar que os três pedidos que Deus coloca em nossos lábios são magnificamente completos. Incluem, em principio, todas as necessidades humanas:
 a) Necessidades materiais (o pão de cada dia)
 b) Necessidades espirituais (perdão de pecados)
 c) Necessidades morais (livramento do mal).
 O que fazemos, sempre que proferimos esta oração, é expressar nossa dependência em cada setor da vida humana.[1]

          Hoje, iremos estudar sobre as “necessidades morais” do homem piedoso, no que diz respeito às tentações da vida. “e não nos deixeis cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mateus 6.13). Esta petição reflete o desejo do homem perdoado de viver uma nova vida, vencendo as fraquezas que antes o haviam abatido.

1. TENTAÇÃO – CONCEITOS BÍBLICOS E TEOLÓGICOS

            A palavra “tentação” não aponta para algo mal ou danoso, ela apenas nos fala de uma “ação” de tentar, desejar, fazer ou experimentar. Não existe nesta palavra nenhuma conotação ética: boa ou ruim; antes ela denota uma atividade que deverá ser julgada em seu mérito dentro de cada contexto, estabelecendo uma relação com o seu meio empregado.[2]
          No texto dessa oração, a tentação que se tem em vista é aquela levada a efeito por Satanás para nos fazer pecar. Satanás é o tentador; esta é a sua especialidade, para a qual ele está habilmente preparado, tendo se aperfeiçoado durante toda a história da humanidade, descobrindo sempre novas estratégias, verificando uma melhor forma de conseguir seus intentos.
            “Suponho que não haja nenhum aspecto da natureza humana que seja desconhecido de Satanás”.[3]
            “Se é a tua vontade, não permitas, frágeis como somos por natureza e inclinados ao pecado, que entremos em situações que no curso natural dos acontecimentos nos exponham à tentação e a queda (Mt 26.41), porém, seja qual for a tua vontade para conosco, livra dos mal”.[4] 
            Portanto, nesta súplica aprendemos a pedir de um modo especial não o livramento das tentações, mas, sim, a capacitação para vencê-las.
           
2. OS ASPECTOS BÍBLICOS DA TENTAÇÃO

1. A tentação surge da nossa presunção de força.
        A tentação se torna mais eficaz quando presumimos ter forças suficientes para não cairmos em pecado, ou para vencê-la quando assim bem entendermos (autoconfiança é um atalho para a derrota).
            
            Precisamos aprender que:
a)    O pecado habita dentro de nós, Rm 7.17
b)    A tentação encontra forte aliado dentro de nós, Tg 1.14-15
c)    A presunção nos deixa vulneráveis à tentação, I Co 10.12
       Calvino escreveu: “Quanto mais exceda alguém em graça, mais deve ele temer a queda; pois a política costumeira de Satanás é empenhar-se, mesmo à luz da virtude e força com que Deus nos revestiu, por produzir em nós aquela confiança carnal que nos induz à negligência”.[5]

2. A tentação nos cega
A tentação obscurece a nossa visão e a nossa mente, nos fazendo enxergar as coisas sob um único prisma, o da satisfação pessoal e do prazer – Cobiça, Tg 1.14; I Jo 2.16.
Enquanto a visão de Davi estava fixada na beleza física de Bate-Seba e no prazer sexual, ele não enxergou a maldição que cometera contra Deus, 2 Sm 11.27.
Somente depois de exortado espiritualmente pela Palavra de Deus, através do profeta Natã, foi que as vendas caíram de seus olhos e, arrependido, Davi confessou o seu pecado, 2 Sm 12.13.
Somente a Palavra de Deus nos faz recuperar a visão espiritual e nos auxilia a identificarmos a tentação e suas conseqüências em nossas vidas. (Recomendo a leitura dos Salmos 32, 38 e 51).
“Ele pode enfrentar um leão, um urso, um gigante e um exercito; no entanto, não consegue vencer as suas próprias inclinações pecaminosas”.[6]
Lloyd-Jones escreveu: “A Bíblia nos diz que o poder do pecado é tão grande e terrível como isso – que mesmo um homem admirável e maravilhoso como Davi, o rei de Israel, pode cair no caminho que eu já descrevi”.[7]

3. A tentação visa destruir a Palavra de Deus em nós.
            Na parábola do semeador fica evidente este aspecto da tentação, Lucas 8.6-13.
A tentação nos ataca fazendo com que a Palavra de Deus deixe de ser o manual de compreensão da realidade e do direcionamento para a nossa vida. Neste caso, a Palavra de Deus perde a relevância existencial e vivencial para nós e, por isso, cedemos às tentações.
Muitos homens recebem o Evangelho com prontidão excepcional, com uma alegria sincera e emocionante... Passado os primeiros momentos desta experiência, tais pessoas começam a se deparar ou a ter consciência das primeiras provações, angustias e tentações e então abandonam a Palavra de Deus.
Desta forma, Satanás utiliza-se de todos os recursos para abater a nossa fé e para nos enfraquecer espiritualmente, induzindo-nos para direções erradas e nos desviando de Jesus, o autor e consumidor da fé, Hebreus 12.2. (Recomendo: a leitura do livro do profeta Habacuque e de Hebreus 10.19 a 11.40).

4. A tentação nos entristece
          A tentação dói, gera tensão violenta e toca em questões vitais da nossa existência. O processo tentatório e a luta interior para não cedermos a tentação nos fazem chorar lágrimas amargas, o mesmo ocorrendo quando caímos e chegamos a consciência de que não resistimos. Porém, a tristeza produzida pela tentação e temporária, embora amargurante e cruel, Gênesis 3.4-6, Salmo 32.3, Salmo 51.1, 8 e 12, Mateus 27.1-5 (remorso).
A tristeza promovida pela tentação e tão intensa que pode desembocar numa depressão profunda, como no caso de Judas Iscariotes, que cometeu suicídio, mas, em contra partida, essa tristeza não pode ser comparada a alegria e a exultação espiritual que nos advém quando resistirmos a tentação, Tiago 1.2-3, 1 Pedro 1.6-7, 1 Pedro 4.12-13 e Tiago 1.12.
Podemos usar a tristeza provocada pela tentação de maneira positiva, glorificando e louvando a Deus por participarmos dos sofrimentos de Cristo.

Para Concluir:
“e não nos deixeis cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mateus 6.13).

Essa é uma oração feita pelo homem que confia no socorro e cuidado de Deus. Deus nos conhece bem, conhece as nossas fraquezas e limitações; e Satanás não age fora da esfera da permissão de Deus. Por isso, a tentação nunca é superior ao suprimento divino, I Co 10.13.
Quando fazemos esta oração estamos buscando o nosso socorro naquele que foi tentado e a venceu, Hb 2.18.
O socorro amparador de Deus deve ser um estimulo à nossa resistência na fé, a permanecermos firmes diante das variadas tentações que visam a nos afastar de Deus e da sua palavra. Portanto, devemos estar atentos às nossas falhas, olhando com misericórdia aqueles que caírem, procurando, com toda humildade, extrair lições para a nossa vida, a fim de não cometermos o mesmo erro[8], Gl 6.1; II Co 13.5.
Quando, pela misericórdia de Deus, resistimos à tentação, somos aprovados por Deus com uma recompensa eterna, Tg 1.12; I Pe 1.6-7; 4.12-14.


[1] STOTT, John. A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: ABU-Editora. 1993, p. 155.
[2] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 62
[3] SPURGEON, C. H. in: Bruce H. Wilkinson, Vitoria sobre a Tentação, 2ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 182.
[4] HENDRIKSEN, Willian. Mateus – Comentário do Novo Testamento, Vol I: Cultura Cristã, 2010 2ª Ed. p. 416.
[5] CALVINO, João. O Livro de Salmos, São Paulo, Edições Parakletos, Vol 2, p. 333-334.
[6] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 73
[7] LLOYD-JONES, Martyn. O Clamor de um desviado: Estudos sobre o Salmo 51. São Paulo: PES. 1997, p. 16.
[8] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 78

O SUICÍDIO E O SEXTO MANDAMENTO - "NÃO MATARÁS"


Por  François Turretini (1623-1687)


XXIII. Que o suicídio (autocheirian) é um crime em extremo hediondo, transparece das razões seguintes:

Um suicida (autocheir) peca contra Deus por tripudiar...
Sua autoridade, porque é o único Senhor da vida; 
Sua bondade, por havê-lo preservado tão bondosamente entre os vivos; 
Sua providência, cuja ordem o suicida tudo faz para perturbar. 

Ele peca contra si mesmo por violar a inclinação natural que inspira a cada um o amar a si próprio e a nutrir a preservar sua própria carne (Ef 5.29). 

Ele peca contra o Estado por destruir um de seus cidadãos; 

Ele peca contra sua família por dilacerar violentamente um membro e (talvez o principal) precipitar todos os seus familiares em desgraça, tristeza e luto; 

Ele peca contra a igreja e a religião por estigmatizar o sistema cristão com ignomínia, causando tristeza a todos, escandalizando os bons e ocasionando escárnio aos inimigos. 

Opõe-se à lei da natureza, a qual obriga a cada um à auto-preservação; 

Opõe-se à confiança e piedade em Deus, que deve receber todos os males, ou descansando em nós ou nos ameaçando, como de Deus; 

Opõe-se à sabedoria, porque este crime é concretizado não tanto por reflexão quanto por fúria e impulso selvagem. Nem mesmo Sêneca pôde negar isto: "Um homem sábio não deve dar ajuda a seu próprio castigo; é insensatez morrer pelo medo da morte" (Epistle 70 [Loeb, 2:60,61]). 

Opõe-se a justiça, porque o homem não é mais senhor de sua própria vida do que da de outro. Ele é um servo que tem um senhor, um soldado que tem um general. Ele é colocado em seu próprio posto; não deve ser irregular (leipotaktes) nem deserdar a seu bel-prazer, mas deve deixar que outro o despeça. Isto é expresso na mais excelente forma pelo próprio Epicteto, que ordena que os homens esperem até que Deus dê o sinal (ekdechesthai ton theon) e nos descarte deste serviço (Discourses 1.9.16 [Loeb, 1:68,69]). 

Opõe-se à força de vontade, porque se origina de uma impaciência ante o mal enviado, ou do medo de que este seja enviado, seja a fim de poder removê-lo ou evitá-lo. Daí Agostinho dizer com propriedade que o suicídio não pertence à magnanimidade, e que merecidamente se diz que tem maior alma quem pode suportar uma vida de tribulações do que quem foge dela (CG 1.22* [FC 8:54]). 

Opõe-se ao consentimento dos mais sábios entre os pagãos, seja gregos ou romanos: Pitágoras, Platão, Aristóteles, Sêneca, Cícero entre outros, os quais confessam que ele é perverso. Cabem aqui os exemplos de auto-homicídio (autocheirias) registrados nas Escrituras, os quais são atribuídos somente aos incorrigíveis: em Saul (1Sm 31.4); em Aitofel (2Sm 17.23); em Judas Iscariotes (Mt 27.5; At 1.18)

XXIV. O exemplo de Sansão (Jz 16.30) não favorece o suicídio (autocheiria), porque nas ruínas da casa que ele derrubou ele se sepultou não menos que os demais. Este foi um feito singular, perpetrado pela influência extraordinária do Espírito Santo, como transparece tanto do apóstolo (Hb 11.34), que declara que ele fez isso pela fé, baseado nas orações que ofereceu a Deus para a obtenção de força extraordinária para este ato, e no fato de que elas foram ouvidas (Jz 16.28). 

Deus aumentou sua força e lhe outorgou o desejado sucesso para que assim ele fosse um eminente tipo de Cristo, que causa grande destruição de seus inimigos por meio de sua morte e que quebra o jugo tirânico posto no pescoço de seu povo. Finalmente, o desígnio não visava simplesmente a uma vingança privada, mas à vindicação da glória de Deus, da religião e do povo, visto que ele era uma pessoa pública e levantada por Deus dentro o povo como vingador.

XXV. Tampouco os exemplos de Eleázar, irmão de Judas Macabeus, que morreu ao rastejar-se debaixo de um elefante e ser esmagado pelo mesmo (1Macabeus 6.43-45); e de Razias (que se matou com sua própria espada, 2Macabeus 14.41,42) favorecem o suicídio, porque são extraídos de livros apócrifos. Não pode ser chamado generosidade, mas o cúmulo da pusilanimidade, alguém voluntariamente precipitar-se em sua total destruição em virtude de um mal incerto. Não fazem parte do presente caso os exemplos dos que desejaram enfrentar perigos extremos em prol de seu país ou de amigos, com o intuito de adquirir a tranquilidade e segurança de outros por meio de sua própria morte. 

Uma coisa é alguém expor-se aos perigos motivado pela pressão da necessidade e em resposta a uma chamado especial de Deus; outra é matar-se. Tampouco deve ser considerado suicida (autocheir) quem entrega sua vida por outro, pois então, ao entregar Cristo sua vida por nós, teria ele sido suicida (autocheir) (o que ninguém diria).

XXVI. O ato dos que destroem seus navios (como às vezes ocorre com marinheiros que, reduzidos a uma situação extrema, ateiam fogo a seu próprios navios para que não se vejam sob a tirania dos inimigos; nem os instrumentos militares, em seu poder, sejam revertidos pelo inimigos à destruição e seu país nativo e para que as mesmas ações inflijam dano ao inimigo, eliminando-se juntamente com o navio), embora seja aprovado por certos teólogos (ou afastado da esfera do suicídio (autocheiria), porque não se destinavam à sua própria destruição, mas à matança do inimigo e para o bem de seu país); 

não obstante, de modo algum é aprovado por nós e por muitos outros. Por meio deste ato, direta e voluntariamente, trazem a morte sobre si mesmos como uma causa física e moral; e assim não podem escapar ao crime de auto-homicídio (autophonon). Além disso, nele contrariam a confiança em Deus, limitando sua providência, como se nele não existissem mil maneiras de escape mesmo quando presumimos que estamos cercados de todos os lados.

Opõem-se à prudência cristã porque comparam uma certa e presente destruição com uma chance e um evento incertos, e atribuem maior peso àquela. Poderia, se bem que quase vencidos, sair-se superiores; o inimigo poderia poupar suas vidas; alguns poderiam salvar suas vidas nadando ou de alguma outro maneira. 

Opõem-se à força, pois constitui bravura não abandonar vilmente nosso posto desesperando da vitória ou da segurança, mas lutar até o último suspiro. 

Opõe-se ao amor e à bondade para com as pessoas desvalidas: os idosos, os fracos, os doentes, as crianças - a quem os próprios inimigos poderiam poupar e em sua maioria costumam poupar. 

Portanto, tais pessoas não podem ser absolvidas na culpa, segundo a regra do apóstolo (não praticar males para que venham bens); nem pode alguma lei, seja de guerra ou do Estado, fazer oposição à sanção divina. Embora tais atos às vezes possam ser escusados um tanto, contudo não podem ser escusados de todo, quer digam que os pratiquem como pessoas privadas que como servos públicos. Não pode a autoridade pública obrigar-nos em oposição à autoridade divina. Tampouco pode alguma desvantagem feita ao inimigo ou vantagem ao país ser tão grande que absolva a consiciência aqui. Nem pode a intenção de injuriar o inimigo ser totalmente abstraída do certíssimo conhecimento de destruir-se juntamente com o inimigo e de trazer sobre si morte indubitável.

XXVII. É bom retribuir a Deus o que dado por ele, mas quando isso é exigido de nós como devolvido de maneira devida; no entanto, não quando nem é exigido nem devolvido da maneira devida. Admitimos que a morte é às vezes melhor que a vida; porém infligida por outros, não buscada por nós mesmos. 

A morte pode ser licitamente desejada, porém não buscada. Assim como a vida é recebida só pela vontade divina, assim também não deve ser entregue a não ser por sua ordem. É bravo desprezar aquele terribilíssimo mensageiro (to phoberotaton) de Deus; porém, precipitar-se sobre ele voluntariamente é temerário e insano (o que Aristóteles, Nichomachaen Ethics 3.8 [Loeb, 19:163-171]), ensina que não e bravura, mas covardia). E também o amor pelo país, a segurança de outros e o anelo pela imortalidade, que podem impelir à brava sujeição à morte enviada contra nós, não devem ter a mesma influência em levar-nos a convidá-la quando não enviada.

XXVIII. Uma coisa é suportar a morte, deixar-se matar; sim, inclusive apresentar-se a ela bravamente ante o chamado de Deus. Outra coisa é matar-se. O primeiro caso, em algumas circunstâncias, é lícito, e Cristo, os mártires e os heróis fizeram algo semelhante; porém não igualmente o segundo caso.

XXIX. "Dar o próprio corpo para ser queimado", no dizer de Paulo (1Co 13.3), não é um ato temerário e destituído de valor, pela qual alguém voluntaria e desnecessariamente se expõe à morte em prol da causa de Deus. Antes, é um ato necessário e santo, pelo qual ele enfrenta o martírio atendendo ao chamado de Deus e não recusa tal chamado, ou mentindo, ou negando a verdade pelo amor da família ou do mundo, quando lhe cabe por sorte ser levado aos tribunais dos pagãos pelos inimigos do evangelho.

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Fonte: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, Livro II, Ed. Cultura Cristã, págs. 153-156.

A IMPORTÂNCIA DA CONFIANÇA (Salmo 125)


INTRODUÇÃO

         Sem dúvida nenhuma, vivemos dias em que as pessoas não confiam mais em ninguém.    Ninguém mais confia na palavra do outro, e aumenta o número de papéis que são utilizados para comprovar os atos dos homens em seus negócios.
          Ninguém confia na palavra falada.
       Entretanto, queremos ressaltar, no nosso estudo, o valor que a confiança tem, não na confiança no homem, mas a confiança no Senhor.

LIÇÕES PRÁTICAS

      Nos dias do salmista, como hoje, as pessoas confiavam nas suas próprias forças, na grandeza dos seus exércitos, na quantidade de suas armas, nos seus cavalos, etc.
          Neste ambiente de excesso de confiança, é que este salmo foi escrito
          Este Salmo divide-se em duas partes:
          a) Uma expressão de confiança no Senhor, v.1-3
          b) Uma oração e advertência sobre o excesso de confiança em coisas sem sentido, v.4-5
          Portanto, vamos verificar qual a importância da confiança.

I. A CONFIANÇA TRAZ FIRMEZA.
Aqueles que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não pode ser abalado, mas permanece para sempre, v 1

          A confiança no Senhor produz uma firmeza inigualável.
      Golias, o filisteu, confiava no seu tamanho, nas suas armas, e essa confiança não lhe trouxe sucesso, Davi o derrotou, I Sm 17.41-58.
        Zerá, o etíope, tinha um exército de um milhão de homens e trezentos carros, e estava confiante na vitória, mas acabou sendo derrotado por um exercito de 580 mil homens liderados pelo rei Asa, II Cr 14.9-15.
        Vejamos o que diz o profeta Jeremias: Assim diz o Senhor: Maldito o varão que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! Pois é como o jumento no deserto, e não verá vir bem algum; antes morará nos lugares secos do deserto, em terra salgada e inabitada. Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Porque é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto. Jeremias 17.5-8.
        Aqueles que tem esta confiança são pessoas convictas, conscientes de seus propósitos, cônscios para desenvolverem suas funções no Reino de Deus.

II. A CONFIANÇA TRAZ PROTEÇÃO, V.2
Como em redor de Jerusalém estão os montes, assim o Senhor, em derredor do seu povo, desde agora e para sempre.

        O homem que confia no Senhor pode passar por momentos de insegurança, assim como Jerusalém, que apesar de estar rodeadas de montes, sempre corria o risco de ser atacadas por inimigo, contudo, ela estava protegida.
        A confiança de que nossa vida está totalmente nas mãos de Deus traz a certeza de que o Senhor está ao redor do seu povo, agora e sempre.
        O apóstolo Paulo passou por momentos de aflição, ma s a sua confiança era segura. Por esta razão sofro também estas coisas, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia. II Timóteo 1.12
        No final de sua vida, quando ele se sentiu abandonado pelos homens, não manifestava insegurança, pois a sua confiança era patente. Mas o Senhor esteve ao meu lado e me fortaleceu, para que por mim fosse cumprida a pregação, e a ouvissem todos os gentios; e fiquei livre da boca do leão, E o Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém. II Timóteo 4.17-18
        O homem do século XX, está a procura de uma proteção maior: seguro de vida, seguro (?).
        Contudo, somente no Senhor, é que teremos proteção total e plena. Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Salmos 127.1 
         De modo que com plena confiança digamos: O Senhor é quem me ajuda, não temerei; que me fará o homem? Hebreus 13.6

III. A CONFIANÇA TRAZ VITÓRIA, v. 3
Porque o cetro da impiedade não repousará sobre a sorte dos justos, para que os justos não estendam as suas mãos para cometer a iniqüidade, v.3
      
      Esta verdade é sustentada pela profecia enfática de que o domínio dos maus não permanecerá ou não ficará permanentemente sobre a sorte daqueles que confiam no Senhor.
        Na vida cristã, podemos experimentar momentos de aparente derrota. Contudo, tais momentos contribui para o nosso envolvimento com o Senhor.
E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Romanos 8.28
      Precisamos hoje, mais  do que nunca, exercitar a nossa confiança no Senhor, para podermos experimentar os benefícios desta confiança.
       
VISÃO BÍBLICA E DISCUSSÃO

  1. Qual a promessa de Deus para aqueles que confiam nele? Sl 37.5
  2. Por que entre os reis de Judá, não nenhum parecido com Ezequias? II Rs 18.5.
  3. Como é descrito o homem que confia no Senhor? Sl 84.12
  4. Que atitude teve Miquéias numa época de desconfiança entre os homens? Mq 7.7.
  5. Que resultado benéfico a confiança produz em nossa vida de oração? I Jo 5.14
  6. Como demonstrar confiança em meio as crises da vida?
  7. Muita gente diz: “Eu confio, desconfiando”. O que você acha disso? Porque?
  8. Como conciliar a confiança com a prudência?
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Estudo ministrado no Culto de Doutrina
Igreja Presbiteriana de Salgado de São Félix