terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A FÉ MORTA DO NEO-PENTECOSTALISMO


Por Célio Lima

No contexto em que tratou exaustivamente sobre os dons espirituais em sua primeira carta aos crentes da cidade de Corinto, Paulo terminou por afirmar a esses irmãos, seus contemporâneos: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1 Coríntios 13:1 RA).

Obviamente que o apóstolo quis destacar que, embora no tempo presente esses três dons façam parte da vida de todo cristão genuíno, haverá um dia no qual a fé e a esperança deixarão de existir, haja vista que são dons instrumentais, vinculados à realização/cumprimento das promessas divinas. A parousia (vinda de Cristo), portanto, porá fim à fé e à esperança, por perderem tais dons a razão das suas existências.

Porém, o amor, por fazer parte da essência de Deus e, por conseguinte, “… do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Efésios 4:24 RA), permanecerá pelos séculos dos séculos, como o vínculo de união entre Deus e o homem, e entre os homens entre si. Não é sem razão que Paulo escreveu aos cristãos da cidade de Colossos: “acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3:14 RA).

O amor, desse modo, exerce uma posição sublime, elevada, na vida cristã. Tal fato é comprovado pelas palavras do próprio Jesus Cristo, o Deus encarnado: “… Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mateus 22:37-40 RA). Paulo, o mesmo que nos disse “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Coríntios 11:1 RA), deixou-nos escrito palavras semelhantes às de Jesus, embora mais resumidas: “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Romanos 13:10 RA).

No mesmo sentido de Jesus Cristo e de Paulo, Tiago, irmão na carne do Senhor, ensinou-nos: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tiago 2:14-17 RA).

Não necessita muito esforço hermenêutico, interpretativo, para se chegar à conclusão que por “obras”, no contexto, Tiago está se referindo ao “amor”, pois dá como exemplo de boa obra o socorro ao irmão ou irmã que por acaso estão em necessidades materiais de alimento e vestimenta. Nem é de surpreender que Tiago tenha o amor em mente, diante do fato de que “… o cumprimento da lei é o amor”, e em face da afirmação bíblica de que “… em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor” (Gálatas 5:6 RA).

Fé considerada à parte do amor, “… por si só está morta”, tratando-se, por conseguinte, de fé falsa, antibíblica, inútil e diabólica, posto não gerada pelo Espírito e pela Palavra de Deus. A fé verdadeira se concretiza, isto é, torna-se perfeita e eficaz na expressão do amor, no cumprimento da lei. A fé, então, é instrumento da graça divina para a vida cristã nesse mundo pecaminoso posta à serviço do amor. Em suma, a fé verdadeira é serva do amor.

Não obstante ser o ensino que acima expus sobre a fé a doutrina clara e nítida da Escritura Sagrada, o neopentecostalismo inverte a ordem, fazendo da fé a virtude suprema. Nem é necessário ser um bom observador para se constatar que a doutrina neopentecostal anda em caminho contrário ao da Escritura, ao magistério de Jesus, Paulo e Tiago, por ensinar que o cumprimento da lei é a fé.

Qualquer pessoa de mente iluminada pela Palavra de Deus que se dispuser, como eu, a passar horas e horas assistindo na televisão aos vários pregadores neopentecostais, concluirá, a despeito de não ouvir da boca de nenhum deles a frase literal de “… que o cumprimento da lei é a fé”, que esse é o cerne da doutrina neopentecostal.

Toda pregação deles termina por conclamar o povo à uma atitude de fé, como satisfação da vontade de Deus. Diga-se que por atitude de fé eles têm sempre em mente o exercício dela relativamente à curas, milagres, soluções de problemas financeiros, de saúde, emocionais, afetivos e coisas semelhantes. Para eles, o fato de alguém “não se revoltar” contra as tribulações de diversas naturezas pelas quais passa é atestatório de desobediência à vontade de Deus revelada (sua Palavra), e demonstração ímpia de falta de fé.

Contudo, como demonstrarei abaixo, apesar de a fé ser o ponto central e culminante da pregação e da doutrina neopentecostal, ela é morta e falsa, e conquanto pareça ser a pregação dessa orientação teológica muito piedosa por exaltar a fé em Deus, pelos motivos que a acuso (morte e falsidade), a fé neopentecostal é uma verdadeira expressão de falsa piedade cristã.

Aludi, com base nas palavras de Jesus e de Paulo, que o cumprimento da lei e dos profetas é o amor. O amor do cristão tem uma dimensão vertical, para com Deus, e uma dimensão horizontal, o amor recíproco entre os irmãos em Cristo e para com o próximo.

O amor a Deus é constantemente nas Escrituras retratado em termos de ação obediente aos seus mandamentos: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama…” (João 14:21 RA). Mas, o que diz a Escritura sobre como deve reagir o cristão quando estiver enfrentando diversas tribulações? Que o próprio Espírito, através de um daqueles que inspirou, nos diga: “Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:4-6 RA).

É certo que nós ainda não somos seres perfeitos nesta vida, o pecado ainda habita em nós, mesmo sendo redimidos. Por si só, esse fato deve nos lembrar de que estamos sujeitos à correção do Senhor, simplesmente porque o pecado não foi totalmente expurgado de nós até o dia da redenção final, o dia do retorno de Cristo. Em face disso, o escritor da carta aos Hebreus recorreu ao Antigo Testamento para nos lembrar do mandamento do Senhor: “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe”.

Ele, o escritor de Hebreus, usou os verbos “menosprezar” e “desmaiar” no modo imperativo na língua grega, indicando ser, de fato, mandamento de Deus. O primeiro verbo, “menosprezar”, é o verbo grego ολιγωρεω (oligoreo), que signfica “não importar-se com, não considerar com seriedade, fazer pouco caso” (Léxico de Strongs). Já o segundo, “desmaiar”, é o vocábulo grego εκλυω (ekluo), cujo significado é “1) soltar, desprender, tornar livre; 2) dissolver, metáf., afrouxar, relaxar, extenuar; 2a) ter a força de alguém relaxada, estar enfraquecido até a exaustão, tornar-se fraco, tornar-se cansativo, estar cansado; 2b) desanimar, perder a esperança” (Léxico de Strongs).

Então, o mandamento do Senhor envolve que quando o crente passar por provação, deve considerá-la com a máxima seriedade, aplicando o seu coração em compreender a vontade de Deus para aquele caso específico. Deve, igualmente, manter-se esperançoso, animado, forte, a despeito das adversidades que se lhe acometem.

O interessante é que ambos os verbos estão no original grego no tempo presente, implicando que o cristão deve agir assim continuamente. Deve ser um padrão perene de conduta cristã. Todavia, o verbo ολιγωρεω foi usado na voz ativa, enquanto que o verbo εκλυω foi empregado na voz passiva. O que isso significa? A voz ativa implica que o sujeito pratica a ação. Desse modo, Deus requer de seu filho, do crente, que ele, ao ser corrigido, aplique toda diligência do seu coração em relação à disciplina que está sofrendo, a fim de tirar o proveito máximo dela. Por outro lado, na voz passiva, o sujeito é paciente da ação, isto é, sofre a ação. Uma tradução literal do que o autor aos Hebreus escreveu, seria: “nem sejas afrouxado de…”. Ou seja, Deus impõe sobre seu filho, sobre aquele que está sendo objeto de correção, a responsabilidade de não deixar que as tribulações advindas dessa correção o desanime, o “afrouxe” em seu animus, em seu espírito.

Se levarmos em conta o padrão típico do pensamento hebraico, ou melhor, da expressão do pensamento hebraico (judaico) em forma de paralelismo, então concluiremos que “… não desprezes a correção que vem do Senhor… ” é frase sinônima de “… nem desamies quando por ele é reprovado”. Dessa forma, aquele que não considera com seriedade a disciplina, que faz pouco caso dela, termina por desanimar, tornando-se cansado e exausto, combalindo em sua esperança e, assim, desobedece ao mandamento de Deus, dando clara demonstração de não amá-lo.

Não obstante, para compreendermos bem o intento do escritor bíblico, faz-se necessário entendermos a natureza da correção. Por exemplo, o escritor bíblico utilizou o verbo “corrigir” e, no contexto, o substantivo “disciplina” (haja vista que “correção” corresponde à mesma palavra grega que “disciplina”). “Corrigir” é o verbo grego παιδευω (paideuo): “1) treinar crianças: 1a) ser instruído ou ensinado; 1b) levar alguém a aprender; 2) punir: 2a) punir ou castigar com palavras, corrigir: 2a1) daqueles que moldam o caráter de outros pela repreensão e admoestação; 2b) de Deus: 2b1) purificar pela aflição de males e calamidade; 2c) punir com pancada, açoitar: 2c1) de um pai que pune seu filho; 2c2) de um juiz que ordena que alguém seja açoitado” (Léxico de Strongs). “Disciplina” é o vocábulo παιδεια (paideia): “1) todo o treino e educação infantil (que diz respeito ao cultivo de mente e moralidade, e emprega para este propósito ora ordens e admoestações, ora repreensão e punição). Também inclue o treino e cuidado do corpo; 2) tudo o que em adultos também cultiva a alma, esp. pela correção de erros e contenção das paixões: 2a) instrução que aponta para o crescimento em virtude; 2b0) castigo, punição, (dos males com os quais Deus visita homens para sua correção)” (Léxico de Strongs).

Dos significados lexicográficos das palavras gregas aludidas, tem-se que a disciplina, além de ter um elemento repreensivo/punitivo, inflitivo de dor, todavia tem também um elemento de instrução, que visa o aperfeiçoamento moral/espiritual do corrigido, do disciplinado. Aliás, é exatamente esta última dimensão que o escritor aos Hebreus destaca com essas palavras: “É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige?” (Hebreus 12:7 RA) [εις παιδειαν υπομενετε ως υιοις υμιν προσφερεται ο θεος τις γαρ υιος ον ου παιδευει πατηρ;].

Apenas para corroborar o significado de παιδεια (paideia) como instrução, destaco que essa palavra tinha uma importância enorme na cultura grega antiga. Werner Jaeger, que compôs um livro sobre a educação do homem grego, escreveu sobre o objeto de sua obra: "Não é possível descrever em poucas palavras a posição revolucionária e solidária da Grécia na história da educação humana. O objeto deste livro é apresentar a formação do homem grego, a paidéia, no seu caráter particular e no seu desenvolvimento histórico" (Paidéia - A Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 07). No mesmo sentido, Giovanni Reale & Dario Antiseri escreveram, em argumentação sobre a origem do termo "humanismo": "Para os mencionados autores latinos, 'humanitas' significava aproximadamente o que os helênicos indicavam com o termo 'paidéia', ou seja, educação e formação do homem" (História da Filosofia, vol. 02. São Paulo: Paulus, 1990, p. 17).

É para o ensino, para a instrução, para a aprendizagem, para a disciplina, que os filhos de Deus permanecem firmes mesmo debaixo das mais duras provações (εις παιδειαν υπομενετε…). O verbo “perseverar”, grego υπομενω (hupomeno), segundo Strongs, tem a acepção de: 1) ficar; 1a) retardar; 2) ficar, i.e., permanecer, não retirar-se ou fugir; 2a) preservar: sob desgraças e provações, manter-se firme na fé em Cristo; 2b) sofrer, aguentar bravamente e calmamente: maltratos”. Como enfatizei no início deste parágrafo, é para que adquiram instrução através das duras provações, que os filhos de Deus suportam, aguentam, brava e calmamente, as aflições que vêm com a correção divina. E eles suportam isso porque creem que “… que filho há que o pai não corrige?” Que filho há que o Pai não imponha as aflições da sua amorosa instrução?

Haja vista que é para o aprendizado, para o crescimento espiritual, moral, que os filhos de Deus são disciplinados e suportam, permanecem firmes, nessa disciplina, é que eles, por causa da fé, aplicam toda diligência em tirar proveito e aprendizado do fogo da purificação da correção do Senhor, alimentando, mesmo em tais condições, o ânimo em seus corações. A disciplina (παιδεια) busca formar o caráter cristão naquele que é corrigido.

Porém, a motivação última dos verdadeiros filhos de Deus em suportar tudo isso é o amor que têm pelo Pai, em Cristo Jesus, nosso Senhor. Neste caso, a fé atua, torna-se eficaz, poderosa, através do amor. Como escreveu Paulo, e eu já trascrevi acima, o que tem, de fato, valor em Cristo é “… a fé que atua pelo amor” (πιστις δι’ αγαπης ενεργουμενη). Nessas palavras de Paulo, o vocábulo “atua”, na verdade, é o particípio presente médio ενεργουμενη (energoumene), do verbo ενεργεω (energeo): “1) ser eficaz, atuar, produzir ou mostrar poder; 1a) trabalhar para alguém, ajudar alguém; 2) efetuar; 3) exibir a atividade de alguém, mostrar-se operativo” (Léxico de Strongs).

Segundo Fritz Rienecker & Cleon Rogers, o fato desse particípio estar na voz média é indicativo de “demonstrar atividade, trabalhar, operar efetivamente” (Chave Linguística do Novo Testamento Grego, São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 381). A voz média é uma voz referencial, e sempre tem o sujeito como referência da ação, haja vista que a ação é para ele, tendo ele em vista, ou a partir dele mesmo (média intensiva). Portanto, somente quando atua através do amor é que a fé se faz eficaz, produtiva, operativa. Essa é a natureza da fé verdadeira.

Logo, a fé verdadeira, em condições difíceis, de tribulação, de provação, em cumprimento ao mandamento do Senhor, que equivale a demonstrar amor por Ele, procura com toda a diligência e paciência adquirir conhecimento, instrução, de forma que resulte um bem permanente, o aperfeiçoamento moral, sendo a correção divina a ocasião propícia para esse crescimento. Sendo assim, embora seja almejada a saída da situação de provação, ela não é almejada sem que a sua finalidade seja alcançada, pois a obediência ao mandamento de Deus requer isso.

A “fé neopentecostal” destoa, claramente, da fé bíblica conforme acima exposta. Toda e qualquer tribulação é vista como tendo origem diabólica, e os mestres neopentecostais ensinam os seus discípulos a desejarem, acima de tudo, a libertação imediata da tribulação. Quanto mais rápida for a saída, segundo concebem, de uma situação adversa, tanto mais forte é a fé do “vencedor”. Não há lugar para o aprendizado, para a dimensão da disciplina que a caracteriza como instrução, como formação do caráter. A mente é estimulada a vislumbrar a “vitória” sobre a tribulação, pura e simplesmente, mesmo ao custo de nenhum aprendizado, de nenhum aperfeiçoamento moral (pelo padrão da Lei do Senhor).

O crente neopentecostal deve, pois, “determinar” a cessação da tribulação, “revoltando-se” contra ela, haja vista ser ela uma inflição maligna de dor já abolida por Cristo na cruz do calvário. A fé do “fiel” dessa orientação religiosa é caracterizada por uma batalha contra o diabo, e não por uma submissão amorosa ao Deus soberano.

Homem e mulher de fé, na visão neopentecostalista, são aqueles que “vencem” as tribulações, e derrotam o diabo. A resignação paciente é vista como incredulidade e desobediência à Palavra de Deus, haja vista que imaginam que um Deus amoroso jamais trará qualquer tipo de dor ou sofrimento sobre um de seus filhos.

Mas, como vimos, a disciplina, que implica em dor e aprendizado, vem do Senhor, pois nos é ordenado: “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor…” (… υιε μου μη ολιγωρει παιδειας κυριου…). O diabo pode ser até usado como instrumento da disciplina e do sofrimento que vem em seu bojo, mas, em última instância, ela vem do Senhor, o Soberano. Além do mais, a correção é prova do amor de Deus e de sua paternidade: “É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos” (Hebreus 12:7-8 RA).

O autor aos Hebreus afirma que é justamente porque Deus trata o cristão verdadeiro como filho que ele o corrige. Além do mais, esse escritor afiança “… que todos se têm tornado participantes…” da correção (παιδεια, disciplina), e aqueles que não têm se tornado participantes dela, ou seja, aqueles que estão sem correção, são bastardos e não filhos. Mas os neopentecostais veem as angústias da correção como obra diabólica, e não divina.

Escrevendo aos crentes de Roma, Paulo consignou: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28 RA). “Sabemos”, οιδαμεν (oidamen), é o perfeito ativo do indicativo de οιδα, que por sua vez é o perfeito do obsoleto (não usado no presente) ειδω (eido) (Harold K. Moulton, Léxico Grego Analítico, São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 294). Moulton ensina que “Em um considerável número de verbos, o perfeito é usado com uma significação estrita de presente. A explicação desse uso deriva-se simplesmente da idéia completa dada pelo tempo perfeito…” (op. cit., p. xlix).

Mas o que quero enfatizar é o significado do verbo, que, segundo Strongs, se traduz como “1) ver: 1a) perceber com os olhos; 1b) perceber por algum dos sentidos; 1c) perceber, notar, discernir, descobrir; 1d) ver; 1d1) i.e. voltar os olhos, a mente, a atenção a algo; 1d2) prestar atenção, observar 1d3) tratar algo 1d31) i.e. determinar o que deve ser feito a respeito de 1d4) inspecionar, examinar; 1d5) olhar para, ver; 1e) experimentar algum estado ou condição; 1f) ver i.e. ter uma intrevista com, visitar”, e como 2) conhecer: 2a) saber a respeito de tudo; 2b) saber, i.e. adquirir conhecimento de, entender, perceber; 2b1) a respeito de qualquer fato; 2b2) a força e significado de algo que tem sentido definido; 2b3) saber como, ter a habilidade de; 2c) ter consideração por alguém, estimar, prestar atênção a (#1Ts 5.12)”.

Então, para Paulo, os que foram chamados por Deus, os seus eleitos, sabem, adquirem o conhecimento, entendem, percebem, conhecem a força e o significado de que todas as coisas contibuem para o seu bem. É uma convicção, firmemente estabelecida na Palavra de Deus que lhes dá esse entendimento. Isso é o que a Escritura chama de fé. E esses tais que foram chamados por Deus são os mesmos que o amam, pois “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

Mas, com qual propósito Deus chama seus eleitos? Paulo responde, no mesmo contexto: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:29 RA). O propósito de Deus em chamar seus eleitos, aqueles que Ele predestinou, é fazer deles “… conformes à imagem de seu Filho”, ou seja, é fazê-los semelhantes a Jesus Cristo. Esse é o bem para o qual todas as coisas cooperam (concorrem).

Mas, no contexto, o que são “todas as coisas”? Um pouco à frente o apóstolo indaga: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada” (Romanos 8:35 RA)? Um pouco antes, Paulo escrevera:

“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Romanos 8:18-25 RA).

Portanto, fundamentalmente o apóstolo tinha em mente por “todas as coisas” “…os sofrimentos do tempo presente…”, pois, como disse ele “… nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo…”. Então, completa dizendo: “Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos”. Fé, esperança e paciência se unem nesse contexto, de modo que “todas as coisas”, que, como vimos, fundamentalmente são os sofrimentos, as tribulações, as angústias, concorram para o processo de assemelhação dos cristãos à pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tudo isso está de acordo com o pensamento do autor aos Hebreus, demonstrando a unidade doutrinária e teológica da Escritura. A fé tem como objeto o próprio Deus, que nós o conhecemos pela sua Palavra, em especial pela sua Palavra encarnada, Jesus Cristo.

Como todas as coisas cooperam para o bem, para o crescimento em Jesus Cristo, para a assemelhação com ele, e isso todo cristão deve saber, entender, ter convicção, segue-se que com paciência espera o fruto da obra do Espírito em torná-lo semelhante ao Mestre. Isto quer dizer que o cristão se aplica em compreender a obra de Deus em sua vida através desses sofrimentos, dessas aflições, dessas angústias, de modo que ao invés de desanimar por causa delas ele afirme como Paulo: “… nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5:3-5 RA). Tribulação e amor de Deus estão sempre vinculadas. O cristão se gloria nelas porque sabe que elas são fruto do amor de Deus, que está derramado em seu coração pelo Espírito Santo.

O cristão, então, demonstrando amor por seu Pai, por Deus, segue o exemplo daquele com quem deve ser assemelhado através das tribulações, Jesus Cristo, o qual “embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hebreus 5:8 RA). Não são as próprias tribulações que assemelham o crente à Jesus Cristo, mas a Palavra e o Espírito de Deus, que operam a obediência no meio sofrimento, assim como fez Jesus. As tribulações são as ocasiões nas quais Deus opera a mudança no caráter do cristão, através da Palavra e do Espírito.

Então, quando o cristão pacientemente se porta na tribulação, aguaradando a hora de Deus por um fim nela, que deve ser quando Ele julgar que houve o fruto para o qual a correção foi infligida, a assemelhação à Jesus Cristo, demonstra amor a Deus que paternalmente lhe disciplina, levando-o a um estado espiritual mais elevado do que antes. Para alcançar esse estado, o cristão age pela fé que atua pelo amor.

Tudo isso é muito distinto do que os neopentecostais chamam de fé, uma fé revoltosa, que não suporta a provação, que não tira dela ensinamento e crescimento espiritual que os leve a cada vez mais ficarem parecidos com Jesus Cristo. Com isso demonstram ódio por Deus, ao se revoltarem com toda e qualquer aflição, imputando ao diabo a origem do sofrimento deles. Fé falsa e ímpia, morta, sem nenhum fruto, mormente aquele do amor a Deus, pois a pregação neopentescotal estimula os seus ouvintes a desobedecerem o mandamento de Deus. E uma fé que leva à desobediência, que é demonstração de ódio a Deus, conforme a Escritura, não é fé verdadeira, pois a fé sem obras é morta, a fé sem amor é uma inutilidade: “… ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei” (1 Coríntios 13:2 RA).

Mas também a fé neopentecostal se mostra falsa, morta e inoperante na dimensão horizontal do amor, do amor recíproco entre irmãos, e para com o próximo. O conceito neopentecostal de fé tem implicações práticas na vida de seus adeptos. Estar em uma situação de provação significa fraqueza e debilidade de fé. Então, quando uma pessoa nessa condição procura um pastor neopentecostal ou alguém versado na doutrina neopentecostal, ao invés de receber ajuda naquilo que precisa, é instada a se revoltar contra aquela situação, a abandonar a sua incredulidade e à exercitar fé para “vencer” aquela aflição diabólica.

Se a aflição é financeira, por exemplo, como a de uma viúva cheia de dívidas, ao invés de ser ajudada financeiramente será instada a “sacrificar” o pouco que tem, ou que não tem, como demonstração de fé, a fim de que seja honrada por Deus por causa dessa sua fé. Ouvirá que Deus lhe quer livrar daquele estado de humilhação, que o diabo está levando vantagem sobre ela, etc. O que ela não receberá é ajuda financeira, pois a fé neopentecostal não promove o amor, a caridade, a não ser para fins egoísticos, para fins de política eclesiástica, para a promoção das igrejas desse tipo de orientação religosa.

As coisas ocorrem assim porque os neopentecostais estão impregnados com a doutrina da recompensa, pois doam sempre esperando receber algo em troca. Doam o dízimo para serem abençoados financeiramente. Doam ofertas pelo mesmo motivo. O amor não é o fundamento da doação deles, não é a motivação última e mais sublime.

Contudo, Tiago escreveu que “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1:27 RA). Por visitar Tiago não tinha em mente, certamente, apenas levar palavras de conforto, e muito menos de repreensão, no sentido de se afirmar que os órfãos e as viúvas estão naquela situação por falta de fé. Ele tinha em mente que a religião verdadeira consiste em ajudar os necessitados da igreja, em suas tribulações, que no caso de órfãos e viúvas, em função do contexto do tempo do escritor bíblico, eram angútias principalmente ligadas ao sustento, ao comer e ao vestir. A religião pura e sem mácula, segundo a Palavra infalível de Deus, consiste na assistência real a esses necessitados.

Isso é absolutamente certo, haja vista que foi o mesmo Tiago quem disse o que acima já transcrevi: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tiago 2:14-17 RA).

Logo, o que a fé neopentecostal promove é a avareza, e não o amor, a caridade. Todo aquele discurso de instar o necessitado à fé, a que se revolte contra a situação difícil em que se encontra sem, contudo, meter a mão no bolso para ajudá-lo não passa de falsa piedade, de religiosidade enganosa e diabólica. É corolário lógico da pregação neopentecostal que ajudar alguém em situação difícil, causada pelo diabo, é a mesma coisa que perpetuar o necessitado no laço diabólico. Destarte, o crente dessa fé jamais será incentivado à caridade sem que isso viole as suas convicções mais íntimas, mais profundas. A doutrina neopentencostal, portanto, é uma mina que explode e destrói a piedade cristã, o amor bíblico e a fé verdadeira. O neopentecostalismo é, assim, uma “religião impura e maculada, para com o nosso Deus e Pai”. Medida pelo padrão da Escritura, é uma falsa religião.

Seus mestres, por serem profetas de uma falsa religião, são falsos profetas, cegos guias de cegos. Contudo, seus seguidores não são menos culpados do que eles, haja vista que se cercaram deles porque lhes dão o que as suas concupiscências desejam. Não ouvem a advertência de Jesus: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis…” (Mateus 7:15-16 RA). E Jesus advertiu o povo a se acautelar dos falsos profetas porque o destino deles é o inferno, e, como também falou o Mestre, “… se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco” (Mateus 15:14 RA). Com isso Jesus quis dizer que o destino do discípulo é o mesmo do mestre, o destino do seguidor do falso profeta é o mesmo dele, o lago de fogo e enxofre.

Diante de tudo isso, advirto aos seguidores desses falsos profetas que se arrependam, que abram os seus olhos, e que julguem a sua religiosidade pelo paradigma da Escritura Sagrada. Como disse Jesus, “… arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15 RA). E como também disse o Espírito de Cristo, pelo profeta Jeremias, “Saí do meio dela, ó povo meu, e salve cada um a sua vida do brasume da ira do SENHOR” (Jeremias 51:45 RA).

Que o Senhor Deus conceda o verdadeiro arrependimento e a verdadeira fé a muitos dos que agora estão enganados!

Fonte: [ Vox Reformata ]
Via: [ Eleitos de Deus ]

ESTUDO Nº 13 - A LEI MORAL DO REINO DE DEUS (Mateus 5.17-20)


INTRODUÇÃO
Deus estabeleceu, já nos primórdios, o mais perfeito código de lei, conhecido por Dez Mandamentos ou Decálogo. Em Mateus 5.17-20 Jesus focaliza o íntimo relacionamento existente entre a Lei e o Evangelho, ou seja, entre o Novo Testamento e o Antigo Testamento. A expressão “Lei e Profetas” significa todo o Antigo Testamento (Lc 24.44).

Até então, Jesus falara sobre o caráter do cristão e sobre a influ­ência que este teria no mundo, caso manifestasse tal caráter, produzindo, assim, o fruto de “boas obras”. Agora, ele pros­segue definindo melhor este caráter e estas boas obras em termos de justiça.

Ele explica que a justiça, já duas vezes mencionada, e da qual os seus discípulos têm fome (v. 6) e por cuja causa eles sofrem (v, 10), é uma correspondência à lei moral de Deus e ultrapassa a justiça dos escribas e fariseus (v. 20). As “boas obras” são obras da obediência. Ele começou o seu Sermão com as bem-aventuranças na terceira pessoa (“Bem-aventurados os humildes de espírito”); continuou na segunda pessoa (“Vós sois o sal da terra”); e, agora, muda para a primeira pessoa, usando, pela primeira vez, sua fórmula característica e dogmática: Por­que . . . (eu) vos digo (vs. 18 e 20).[1]

1. LEI MORAL - TERMOS E DEFINIÇÕES
“A Lei é composta por três partes: a parte cerimonial, a judicial e a moral. 


Na parte cerimonial, a Lei determina os sacrifícios que deveriam ser feitos, a ordem do culto e cerimônias no templo, entre outros detalhes (Cumprido).

Na parte judicial, a Lei apresenta um grande número de casos e como o povo de Israel tinha que proceder no julgamento de tais casos (Cumprido). Por fim...

Na parte moral, os dez mandamentos resumem a essência moral da Lei de Deus, mas existem também muitos outros mandamentos morais na Lei que derivam desses dez (Presente hoje ainda).”[2]

Nos ensinamentos morais da Lei, contêm a vontade de Deus para a vida do seu povo, que somos nós, a Igreja de Cristo. Por esse motivo, depois do Senhor ter falado que Ele veio para cumprir a Lei e os Profetas, ainda acrescentou: “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus”.

Disto o Senhor Jesus vai tratar em todo o resto do capitulo 5 do Sermão do monte. Na perspectiva do ensino de Jesus há lições práticas sobre a Lei e é isso que serão abordados nos próximos estudos.

1. JESUS E O CUMPRIMENTO DA LEI, v. 17-19
Jesus deixa claro que veio cumprir a Lei. Ele não apenas falou das leis, mas as cumpriu durante a sua vida.

Vejamos o que Ele nos diz, v. 17.

a) Ele não revoga a Lei – A palavra revogar vem de uma palavra grega que significa derrubar, subverter ou destruir.  Os dons de Deus são irrevogáveis, de modo que Ele não pode dar algo a alguém e depois tomá-lo, se isso é verdade no que concerne aos dons o é também com a Sua própria Lei. Ele não faria uma Lei para revogá-la, pois seria como se Ele tivesse mudado de opinião acerca dela. O que foi retirado da Lei foram os rituais e cerimônia, mas não o princípio moral, pois estes são eternos.

b) Ele cumpriu a Lei – A Escritura ensina que Jesus veio para guardar a lei. “Então, eu disse:  eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei” (Sl. 40:7-8).

De fato, Ele nasceu sob a Lei (Gl. 4:4). Assim, Ele guardou a Lei em detalhe na Sua vida pessoal (Mt. 8:4; 17:24; Marcos 11:16-17).

Por causa da natureza do pecado como transgressão da Lei, Cristo não tinha pecado porque guardou a Lei completamente. Assim, ele pôde dizer: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (João 8:46; cp. 1 João 3:4; João 15:10). Esse sendo o caso, Ele é o nosso perfeito exemplo de guardar a Lei. 

A Lei de Deus é um código moral estabelecido pelo Senhor. É uma constituição do povo eleito e sua entrega foi feita no Sinai. O Senhor Jesus tinha consciência das implicações que adviriam de Seu ensinamento, por isso fala em termos comparativos.[3]

João Calvino afirmou: “No Sermão do Monte Vemos Jesus não como um novo legislador, mas como o fiel explanador da Lei que já fora dada”.[4]

O verso 18 deixa claro que nem um “i” ou um “til” jamais passará da Lei. Isso revela a perfeição das leis estabelecidas por Deus, sendo que tudo o que está nas Escrituras é fato incontestável.

Por isso é necessário crer de verdade na importância das leis do Senhor, pois elas revelam o amor do Pai e a sua fidelidade para com a humanidade; pois Deus sempre deseja o amor para seus filhos.

Diante da veracidade da Lei do senhor podemos acatá-la, gravando-a em nossos corações, pois: “Fiel é a palavra e digna de inteira aceitação” (I Tm 4.9).

3. JESUS E A OBSERVÂNCIA DA LEI, v. 20.

Jesus diz, ainda, que a justiça dos discípulos deve exercer em muito à dos fariseus. Jesus explica que a justiça, já duas vezes mencionada, e da qual os discípulos tem fome (v.6) e por cuja causa eles sofrem (v.10), é uma correspondência à Lei Moral de Deus e ultrapassa a justiça dos escribas e fariseus (v.20).

Não se trata de uma simples obediência cega à Lei. O cristão que tem o Espírito de Deus no coração precisa cumprir com justiça a lei. É o Espírito Santo no coração do cristão que o capacita para o seu cumprimento em toda a profundidade, Jr 31.31-34.


DOIS TIPOS DE JUSTIÇA
ESCRIBAS E FARISEUS
NO ENSINO DE JESUS
1. Não satisfaz o coração (legalista)
1. Satisfaz ao coração (interior)
2. Não satisfaz a mente (raciocínio enganoso
2. Satisfaz a mente (está em harmonia com Deus), Rm 12.1-2.
3. É de autoria própria (produzia orgulho), Lc 18.9.
3. Glorifica a Deus (sacia o sedento, MT 5.6 e é humilde, Lc 18.9-14).

Theodoro Bezza, teólogo reformado, escreveu: O que chamamos de Lei é a doutrina cuja semente é escrita pela natureza em nossos corações. Entretanto, para que nosso conhecimento fosse mais preciso, ela foi escrita por Deus, em duas tábuas e é compreendida, resumidamente, em dez mandamentos. Neles, Deus estabelece para nós a obediência e a perfeita justiça, as quais devemos a Sua majestade e aos nossos semelhantes, em termos contrastantes: vida eterna, se guardarmos a Lei perfeitamente, sem omitir um ponto sequer, ou morte eterna, se não cumprirmos completamente cada mandamento (Dt. 30: 15-20; Tg. 2:10).[6]

Portanto, a lei não deve ser observada simplesmente por ser lei, mas por aquilo que ela realiza de justiça. Cumprir a lei fielmente não significa subdividi-la em observância minuciosa, criando uma burocracia escravizante; significa, isto sim, buscar nela inspiração para a justiça e a misericórdia, a fim de que o homem tenha vida e relações mais fraternas.

A observância da lei reveste de autenticidade a fé que professamos (l Jo 2.3-6).

__________________________________________________
[1] STOTT, Contracultura Cristã, pag. 62 – ABU Editora
[2] PORTELA, Solano. Os Três Aspectos da Lei de Deus. In http://www.solanoportela.net/palestras/tres_aspectos.htm
[3] GOMES, A Lei de Deus e o ensinamento do Senhor Jesus Cristo (artigo da internet).
[4] STOTT, Contracultura Cristã, pag. 74 – ABU Editora
[5] SPROUL, Como viver e Agradar a Deus, p. 33 (Cultura Cristã)
[6] BEZZA, Theodoro. As Duas Partes da Palavra de Deus: Lei e Evangelho in http://www.eleitosdedeus.org/

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A "MARCHA PARA JESUS" - UMA AVALIAÇÃO CRÍTICA (Augustus Nicodemus)


INTRODUÇÃO

A "Marcha para Jesus" é um evento que acontece em muitas cidades do Brasil, patrocinado pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo, e consiste basicamente numa grande passeata de evangélicos com shows gospel. O evento ocorre desde 1993 no Brasil e costumava dividir opiniões tanto na mídia secular quanto evangélica. Hoje, já mais arrefecida, a "Marcha" continua chamando a atenção, embora com menos intensidade. O presente artigo visa apresentar uma análise crítica, não do evento propriamente dito, mas das razões e argumentos apresentados para justificar o evento. Estas razões e argumentos, bem como informações institucionais e históricas sobre a Marcha estão disponíveis no sitewww.marchaparajesus.com.br (em 12/01/2005).

HISTÓRICO DA MARCHA PARA JESUS

Conforme informações do referido site, a primeira Marcha para Jesus aconteceu em 1987 na cidade de Londres (Inglaterra), e foi fundada pelo pastor Roger Forster, pelo cantor e compositor Graham Kendrick, Gerald Coates e Lynn Green. Portanto, não é uma invenção da Igreja Renascer do Brasil. Ela simplesmente importou a idéia para nossa pátria. No início da década de 90, a Marcha se tornara um evento de proporções continentais, ocorrendo em toda Europa. Em 1992 a Marcha para Jesus já se tornava em um movimento mundial, chegando a outros países da América, África e Ásia. No ano de 1993, chega a vez do Brasil realizar a sua primeira edição do evento, sob a orientação da Renascer. A partir daí, a cada ano, o evento toma mais e mais aspecto de show gospel, apresentação de artistas evangélicos e desfiles, sempre com muita dança ao som de pagode e axé ditos evangélicos. Em alguns locais, não sabemos se de acordo com a coordenação da Marcha ou não, políticos evangélicos têm aproveitado a oportunidade.

A IDEOLOGIA POR DETRÁS DA MARCHA

Existe uma justificativa teológica elaborada para a Marcha, que procura abonar o evento à luz da Bíblia. Os pontos abaixo foram retirados do site Marcha para Jesus (www.marchaparajesus.com.br) e se constituem na "teologia da Marcha". Aliás, a maior parte deles se encontra exatamente debaixo do tópico "teologia" no site da Marcha. Segue um resumo dos principais argumentos, entre outros, seguidos de um breve comentário.
  1. A ordem de "marchar" aparentemente foi dada mediante revelação do Espírito Santo. Diz o site:
    A visão inicial da Marcha para Jesus, como qualquer outra ação em que os cristãos empreendem para Deus, está baseado [sic!] no conhecimento e na obediência. Nós acreditamos que Deus diz para nós marcharmos, e esta obediência precede uma revelação. O Espírito Santo de Deus nos conduz em toda a verdade (João 16:13) e a teologia do ato de marcharmos para Jesus emerge quando nós nos engajamos em ouvir o que o Espírito Santo está dizendo para uma Igreja atuante e batalhadora nesta terra.
    Comentário: O parágrafo acima não é claro, mas dá a entender que a visão inicial foi mediante uma revelação de Deus, seguida da obediência da Renascer, em cumprir a visão. Líderes da Renascer negam que a visão inicial foi dada por revelação. Contudo, o parágrafo acima sugere que a visão da Marcha foi dada pelo Espírito para a Renascer. Quando nos lembramos que a Renascer tem um "apóstolo" (uso o termo entre aspas, não por qualquer desrespeito ao líder da Renascer, mas porque não creio que existam apóstolos hoje à semelhança dos Doze e de Paulo), imagino que "revelações" (uso o termo entre aspas não por desrespeito às práticas da Renascer, mas porque não creio que existam novas revelações da parte de Deus hoje) devam ser freqüentes.
  2. Segundo a Renascer, a Marcha é uma declaração teológica: a Igreja está em movimento e está viva! É o meio pelo qual os cristãos querem ser conhecidos publicamente como discípulos de Jesus.
    Comentário: Se esta é a forma bíblica dos cristãos mostrarem que estão vivos e que são seguidores de Jesus, é no mínimo estranho que não encontremos o menor traço de marchas para Jesus no Novo Testamento, ou para Deus no Antigo.
  3. 3. A Marcha é entendida como uma celebração semelhante às do Antigo Testamento, possuindo uma qualidade extremamente espontânea e alegre. Participam da Marcha jovens de caras pintadas, cartazes, roupas coloridas e canções vivazes. Isto é visto como uma celebração do amor extravagante de Deus para o mundo.
    Comentário: Na minha avaliação, o ponto acima dificilmente pode ser tomado como um argumento bíblico ou teológico para justificar o evento. As "marchas" de Israel no Antigo Testamento, não tinham como alvo evangelizar os povos - ao contrário, eram marchas de guerra, para conquistá-los ou exterminá-los, conforme o próprio Deus mandou naquela época. Fica difícil imaginar os israelitas organizando uma marcha através de Canaã, com os levitas tocando seus instrumentos e dando shows, para ganhar os cananeus para a fé no Deus de Israel!
  4. Marchar para Jesus é visto também como um ato profético que dá consciência espiritual às pessoas. Josué mobilizou as pessoas de Israel para marchar ao redor das paredes de Jericó. Jeosafá marchou no deserto entoando louvores a Deus. Quando os cristãos marcham, estão agindo profeticamente, diz a Renascer.
    Comentário: Entendo que se trata de um uso errado das Escrituras. Por exemplo: se vamos tomar o texto de Josué como uma ordem para que os cristãos marchem, por que então somente marchar? Por que não tocar trombetas? E por que só marchar uma vez, e não sete ao redor da cidade inteira? E por que não mandar uma arca com as tábuas da lei na frente? E por que não ficar silencioso as seis primeiras vezes e só gritar na sétima?
  5. Marchar para Jesus traz uma sensação natural de estar reivindicando o lugar no qual os participantes caminham. Acredita-se que assim libera-se no mundo espiritual a oportunidade desejada por Deus: "Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, eu a darei ..." (Josué 1.3).
    Comentário: Será esta uma interpretação correta das Escrituras? Podemos tomar esta promessa de Deus a Josué e ao povo de Israel como sendo uma ordem para que os cristãos de todas as épocas marquem o terreno de Deus através de marchas? Que evangelizem, conquistem, e ganhem povos e nações para Jesus através de marchar no território deles? Que estratégia é esta, que nunca foi revelada antes aos apóstolos, Pais da Igreja, missionários, reformadores, evangelistas, de todas as épocas e terras, e da qual não encontramos o menor traço na Bíblia?
  6. A Marcha destrói as fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas das cidades e regiões onde ela acontece, declarando com fé que Jesus Cristo é o Senhor do Brasil.
    Comentário: Onde está a fundamentação bíblica para tal? Na verdade, este ponto é baseado em conceitos do movimento de batalha espiritual, especialmente o conceito de espíritos territoriais, e em conceitos da confissão positiva, que afirmam que criamos realidades espirituais pelo poder das nossas declarações e palavras.
  7. Os defensores da Marcha dizem que ela projeta a presença dos evangélicos na mídia de todo o Brasil.
    Comentário: É verdade, só que a projeção nem sempre tem sido positiva. Além de provocar polêmica entre os próprios evangélicos, a mídia secular tem tido por vezes avaliação irônica e negativa.
  8. Os defensores da Marcha dizem que ela projeta a presença dos evangélicos na mídia de todo o Brasil.
    Comentário: É verdade, só que a projeção nem sempre tem sido positiva. Além de provocar polêmica entre os próprios evangélicos, a mídia secular tem tido por vezes avaliação irônica e negativa.
  9. Os defensores da Marcha dizem que pessoas se convertem no evento.
    Comentário: Não nos é dito qual é o critério usado para identificar as verdadeiras conversões. Se for levantar a mão ou vir à frente durante os shows e as pregações da Marcha, é um critério bastante questionável. As estatísticas que temos nos dizem que apenas 10% das pessoas que atendem a um apelo em cruzadas de evangelização em massa, como aquelas de Billy Graham, permanecem nas igrejas. Mas, mesmo considerando as conversões reais, ainda não justificaria, pois não raras vezes Deus utiliza meios para converter pessoas, meios estes que não se tornam legítimos somente porque Deus os usou. Por exemplo, o fato de que maridos descrentes se convertem através da esposa crente não quer dizer que Deus aprova o casamento misto e nem que namorar descrentes para convertê-los seja estratégia evangelística adequada.
  10. Os defensores dizem ainda que a Marcha promove a unidade entre os cristãos. Em alguns lugares do mundo, a Marcha é concluída com um "pacto" entre as denominações, confissões e indivíduos, exigindo que cada um deles não faça mais discriminação por razões doutrinárias.
    Comentário: Sou favorável à unidade entre os verdadeiros cristãos. Mas não a qualquer preço e não qualquer tipo de união. A unidade promovida pela Marcha, sob as condições mencionadas acima, tem o efeito de relegar a doutrina bíblica a uma condição secundária. O resultado é que se deixa de dar atenção à doutrina. Em nome da unidade, abandona-se a exatidão doutrinária. Deixa-se de denunciar os erros doutrinários grosseiros que estão presentes em muitas denominações, erros sobre o ser de Deus, sobre a pessoa de Jesus Cristo, a pessoa e atuação do Espírito, o caminho da salvação pela fé somente, etc. Unidade entre os cristãos é boa e bíblica somente se for em torno da verdade. Jamais devemos sacrificar a verdade em nome de uma pretensa unidade. A unidade que a Marcha mostra ao mundo não corresponde à realidade. Ela acaba escondendo as divisões internas, os rachas doutrinários, as brigas pelo poder e as divisões que existem entre os evangélicos. Se queremos de fato unidade, vamos encarar nossas diferenças de frente e procurar discuti-las e resolve-las em concílios, reuniões, na mesa de discussão - e não marchando.
  11. Os defensores da Marcha dizem que ela é uma forma de proclamação do Evangelho ao mundo.
    Comentário: A resposta que damos é que a proclamação feita na Marcha vem misturada com apresentações de artistas gospel profissionais, ambiente de folia e danceteria, a ponto de perder-se no meio destas outras coisas. Além do mais, a mensagem proclamada é aquela da Renascer em Cristo, com a qual naturalmente as igrejas evangélicas históricas não concordariam, pois é influenciada pela teologia da prosperidade e pela batalha espiritual.

É evidente que, analisada de perto, a "teologia da Marcha" não se constitui em teologia propriamente dita. Os argumentos acima não provam que há uma revelação para que se marche, e não justificam a necessidade de os cristãos obedecerem organizando marchas. Não há qualquer justificativa bíblica para que os cristãos façam marchas, nem qualquer sustentação bíblica para a idéia de "dar a Deus a oportunidade" mediante uma marcha, ou ainda de que, marchando e declarando, se conquistam regiões e cidades para Cristo. Se há fundamento bíblico, por que os primeiros cristãos não o fizeram? Por que historicamente a Igreja Cristã nunca fez?

Pelos motivos acima, entendo que os argumentos bíblicos e teológicos apresentados para justificar a Marcha para Jesus não procedem. Nada tenho contra que cristãos organizem uma Marcha para Jesus. Apenas acho que não deveriam procurar justificar bíblica e teologicamente como se fosse um ato de obediência à Palavra de Deus. Neste caso, estão condenando como desobedientes todos os cristãos do passado, que nunca marcharam, e os que, no presente, também não marcham.
______________________________
Este texto foi originalmente publicado no site da Igreja Presbiteriana do Brasil em 17/01/2005
O autor é paraibano, casado com Minka, pai de Hendrika (19), Samuel (16), David (15), Anna (13). Pastor presbiteriano (IPB), mestre e doutor em Interpretação Bíblica (África do Sul, Estados Unidos e Holanda), chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de exegese, Bíblia, pregação expositiva no Centro Presbiteriano de Pós Graduação Andrew Jumper, da IPB, autor de vários livros.

ESTUDO Nº 12 - LUZ – A IMPORTÂNCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO – PARTE II (Mateus 5.14-16)


INTRODUÇÃO


“Há uma história de uma viúva cristã, já bem velhinha, que residia em uma solitária casa de campo sobre um penhasco na beira do mar. Ela freqüentemente se angustiava ao ver restos de barcos de pesca que eram levados pelas ondas até a praia nas noites de tempestades. Às vezes, até mesmo ouvia gritos de homens perecendo e aquilo lhe penetrava o coração. Numa noite tempestuosa, quando o ganido do vento foi mais horripilante e forte que o usual, ela teve uma idéia repentina. Talvez, se ela colocasse uma lâmpada em sua janela, esta pudesse funcionar como um pequeno farol a avisar aos desprevenidos marinheiros sobre a traiçoeira costa que ficava bem próxima. Ouvia mais tarde que sua luz tinha sido vista e socorrido alguns marinheiros que estavam perdidos em meio à tempestade. Muitas outras vezes ela pôde fazer isso e assim ajudar muitos marinheiros”.[1]

No texto que estamos estudando, o Senhor Jesus apresenta a sua segunda metáfora com a seguinte afirmação – “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”, Mt 5.14-16.

Portanto, todo cristão nascido de novo, é a luz do mundo. Isso significa que há algo que devemos fazer, se somos a luz do mundo. Temos uma função neste mundo, da qual não podemos nos esquivar.

“Vós sois” – a palavra “vós” aponta diretamente para cada um de nós, pessoas regeneradas. A palavra “vós” acha-se em posição enfática. Poderíamos ler assim – “vós, e vós somente, sois a luz do mundo”.

I. LUZ DO MUNDO – SIGNIFICADOS E APLICAÇÕES
Na ordem da criação, a luz foi a primeira coisa criada. A primeira ordem de Deus foi – “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”, Gn 1.3. A luz possui características bem peculiares, como por exemplo: 

1. A luz é totalmente diferente das trevas.
Apenas uma fagulha de luz é suficiente para vencer a escuridão. Sem luz o mundo seria um caos. Tudo seria trevas. É importante ver que o mundo está dividido entre os “filhos da luz” e os “filhos do mundo” (trevas), Lc 16.8; I Ts 5.5. Nesta divisão, é impossível a comunhão, II Co 6.14. O mundo estava na escuridão e num estado de trevas total, na região da sombra da morte, mas Jesus reverteu esta situação mudando os rumos da história, Mt 4.16. 

 Os crentes também são a “luz do mundo”. Assim o testemunho do discípulo no mundo onde está inserido é também decisivo para modificar ou alterar o comportamento desta sociedade – “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as”, Ef 5.11.  É através deste testemunho (vida) dos cristãos que as trevas do mundo será reduzida.

2. Nas Escrituras, luz indica o verdadeiro conhecimento de Deus.
Jesus disse: “Vós sois a luz do mundo”. Com tal declaração, ele estava afirmando que os discípulos pertencia ao verdadeiro conhecimento de Deus, II Co 4.6. Quando cremos no evangelho, recebemos de Jesus, luz, conhecimento e instrução, Jo 8.12.  Deus é luz (I Jo 1.5), e ele está em nós, e nós estamos nele, e é precisamente por este motivo que pode ser dito: “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”, Ef 5.8.

3. Nas Escrituras, Luz é o verdadeiro discípulo.
É interessante que Jesus convoca seus discípulos a ser aquilo que ele mesmo é – “Eu sou a Luz do mundo”, Jo 8.12. Aqueles que permanecem em Cristo, a verdadeira luz, são também luz. Sua luz brilhando neles, aparece nos seus rostos, nas suas palavras, nas suas ações, e ilumina o mundo ao seu redor. O verdadeiro discípulo é como João Batista, uma luz acesa que ardia e iluminava – “Ele era a lâmpada que ardia e alumiava, e vós quisestes, por algum tempo, alegrar-vos com a sua luz”, Jo 5.35.

II. LUZ DO MUNDO – POSIÇÃO E FUNÇÃO

1. Sua Posição, Mt 5.14-15.
O Senhor Jesus está dizendo que a luz tem um lugar próprio. A idéia não é coloca-la onde melhor possa ser vista, mas onde melhor possa iluminar. Ninguém fica olhando para o sol ou para uma lâmpada. As pessoas buscam enxergar o que as cerca, por isso usam a luz. Assim os crentes foram comissionados para iluminar – “Vós sois a luz do mundo”, Mt 5.14.  Como luz precisamos, fazer sentir nossa influência onde quer que estejamos por meio de uma vida de testemunho, I Pe 2.9.  

É inconcebível um cristão esconder sua influência ou deixar de mostrar quem é. Deve ser natural para um crente demonstrar para as pessoas seu caráter transformado e sua vida iluminada pela luz de Cristo – “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”, Ef 5.8.  Muitos crentes são como candeias colocadas debaixo do alqueire, de onde não iluminam coisa alguma, Lc 11.35-36. 

 “Foi Cristo quem acendeu a luz em nós; não devemos colocá-la debaixo do alqueire da conduta mundana, nem de uma vida de leviandade e nem dos cuidados deste mundo”.[2]

2. Sua Função, Mt 5.16.
O apóstolo Paulo escrevendo aos filipenses enfatiza sua função – “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo”, Fp 2.15. 

Por meio de nossa vida devemos glorificar ao nosso Deus. A luz é vista nas obras que realizamos. Trata-se menos de uma mensagem dirigida ao intelecto e mais um modo de vida exibido diante das pessoas. Quando os de fora vêem que seguir a Cristo leva a uma vida de boas-obras glorificam não o crente, mas o Pai do crente – o Pai que está nos céus. É através do testemunho do discípulo que os homens conhecerão a Deus, pois somos “cartas de Cristo” através das quais as pessoas precisam conhecer Jesus, II Co 3.2-3.  

O testemunho dos companheiros de Daniel foi decisivo para que o rei Nabucodonossor viesse a glorificar a Deus, Dn 3.28-30; O mesmo aconteceu com o rei Dario, através do testemunho de Daniel, Dn 6.26-28.  O testemunho cristão é a diferença entre luz e as trevas. Os cristãos são por natureza diferentes, e coloca-nos a sermos diferentes na prática. Quando tentamos reduzir esta diferença, não servimos a Deus, nem a nós mesmos, nem ao mundo.

PARA CONCLUIR:
O Senhor Jesus nos diz que somos a luz do mundo. A situação do nosso mundo é caótica – “Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos”, Is 60.2.

Por todos os lados as pessoas estão morrendo em meio às trevas do pecado e do engano, mas o Senhor quer que sejamos luz. Se Ele habita em nós, a luz está dentro de nós. Não podemos ser negligentes; pelo contrário, é necessário que irradiemos essa luz e não a escondemos.

É hora de colocarmos nossa luz na janela para que ela ilumine e traga alguma esperança aos perdidos!

É oportuno lembrar aqui as palavras do compositor sacro que escreveu:
“Brilha no meio do teu viver,
Brilha no meio do teu viver!
Pois talvez algum aflito possa socorrer;
Brilha no meio do teu viver!”
[3]

_______________________________
[1] LIMA, As Bem Aventuranças, p.41.
[2] BOYER, Mateus – O Evangelho do Rei, p.85.
[3] W. E. Entzminger, Brilha no Viver, hino n. 320, Novo Cântico. 



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

DISTANTE DO TRONO E MISTURADO NO CALDEIRÃO (Com muito prazer e alegria que republico este texto)


"Desta vez, temos o sagrado e o profano, a babel das religiões, passando pelo funk carioca, o axé da Bahia e as atrações evangélicas".

Essa frase foi proferida pelo apresentador Luciano Huck no programa "Caldeirão do Huck" do último sábado (31/12/2011), que contou com a saudosa participação do grupo "Diante do Trono".

Quando o apresentador chamou o grupo pra se apresentar disse à Ana Paula Valadão: "Há tempos que eu tava ensaiando pra ter essas grandes atrações gospel aqui (...)", e depois: "Eu queria dizer que o Caldeirão é palco pra todas as crenças, credos, cores, ritmos.. Isso aí é uma mistura de religiões, mistura de ideais, quer dizer, na minha casa já é assim. Eu sou judeu, minha mulher é católica, minha sogra é evangélica, então é uma mistureba já em casa.."

Diante disso, a pastora (...) respondeu: "Acho que o legal é você refletir o que o Brasil é, tem espaço pra todo mundo. Muito obrigada!!"

Antes de continuar, eu preciso esclarecer que gosto de algumas das músicas antigas desse grupo, mas que não consigo assistir nem os primeiros 30 segundos desse vídeo sem ficar enojado.. Tanto pelo jeito da moça aí que me irrita (questão de gosto) como pela postura ridícula que o grupo assumiu abertamente.. Também nem ouvi ou vi a música porque não gosto desse estilo musical, então nem posso comentar sobre como foi a reação das pessoas durante a música.

Enfim, quero falar um pouco sobre o comportamento de omissão velada que a pastora (...) e sua trupe tem demonstrado.

Eu poderia citar os ensinos hereges que essa igreja tem disseminado, relembrar do episódio no qual a pastora (...) engatinhou como um leãozinho ou quando caiu ao ser tocada por um "pastor super-poderoso" finlandês, mas não adianta mais bater na mesma tecla, já que uns já estão mais que conscientes sobre isso e condenam, e outros preferem continuar voluntariamente cegos e omissos em relação à Verdade do evangelho.. Sendo assim, quero falar mais especificamente sobre o que tem ocorrido nos últimos meses.


Semanas atrás houve o tão famigerado "Festival Promessas", que gerou uma grande discussão no meio cristão por ter muitos defensores e muitos opositores (como eu). Nesse Festival cheio de idéias alheias ao que a bíblia ensina (como um "troféu" em forma de "Arca da Aliança"), uma galera dentre os "astros go$pel" participou usando o argumento de divulgarem o evangelho pra uma renca de gente, mas quem não é tonto (e nem se esforça pra ser) percebeu que era tão somente uma chance de divulgar o trabalho deles de forma massiva.

É interessante observar que alguns (não sei se todos) eram funcionários da "Som Livre" (que pertence à Globo), então o festival (que inclusive de forma anticonstitucional teve apoio financeiro da prefeitura do Rio de Janeiro) foi a solução ideal para que os "astros go$pel" divulgassem seus trabalhos e ao mesmo tempo a Globo aproveitava para investir nesse mercado que tem arrecadado bilhões de reais anualmente.. Um plano muito eficiente!!

Foi engraçado ver que das 200.000 pessoas esperadas só foram 10%, e foi triste saber que o evangelho genuíno não foi pregado, mas isso já era de se esperar.

O que foi divulgado pelos astros go$pel foi aquele falso evangelho que promete muitas coisas (vide o nome do festival), mas que não cobra ninguém.. Não é o evangelho que prega o "negar-se a si mesmo" ou o "carregar a cruz", e sim aquele das "bênçãos com sabor de mel". Um lixo!!

Teve até o Malafaia aproveitando a boquinha pra fazer propaganda do seu material (e descaradamente dizer que foi Deus que abriu as portas da Globo pra eles pra não entrar em contradição com seus tantos comentários contra essa rede).

Enfim, sobre esse Festival já houve muita discussão, então quero atentar para esse último acontecimento envolvendo o grupo Diante do Trono.

Como eu citei no começo, o apresentador chamou o grupo de "atração gospel", e abertamente falou do sincretismo ideológico do programa. E qual foi a reação da pastora (...) ?? Agradecer pelo convite...

Sim, ela não recusou o título de "atração gospel" e pra piorar agradeceu por ser só mais um dos "ingredientes" nesse caldeirão. Não deve ter ligado de saber que logo após o grupo se apresentar foi a vez dos funkeiros.

Leitor(a), você enxerga algum problema nisso tudo ou ainda acha que "vale a pena"??

 Deixa eu ressaltar mais uma vez o comentário do apresentador durante o programa:

"Desta vez, temos o sagrado e o profano, a babel das religiões, passando pelo funk carioca, o axé da Bahia e as atrações evangélicas".
Se você é cristã(o) é acha normal essa mistura escancarada entre sagrado e profano, leia cuidadosamente esse texto aqui:

Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: "Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo". Portanto, "saiam do meio deles e separem-se", diz o Senhor. "Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei" "e lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas", diz o Senhor Todo-poderoso. (2 Coríntios 6:14-18)

Historicamente temos um exemplo do dano desse sincretismo, bastando nos lembrarmos das conseqüências do ato de Constantino de tentar instaurar o cristianismo no Império Romano forçosamente.. Ali as práticas pagãs se misturaram contraditoriamente às doutrinas cristãs e eis o resultado: Igreja Católica Apostólica Romana, havendo futuramente a necessidade da Reforma Protestante para corrigir tantas heresias.

Porém, o que essa "atração go$pel" fez ao admitir participar dessa miscelânea foi simplesmente menosprezar o poder de Deus e negar as instruções que foram deixadas a nós cristãos.. Ao se tornarem uma fonte de renda no mercado go$pel para uma rede que não hesita em denegrir a imagem do evangelho, o grupo está traindo a crença que diz professar.


A pastora (...) teve a chance de dizer ao apresentador do programa que o evangelho é contrário a muitas das práticas que a rede divulga e de pregar sobre a exclusividade de Jesus na salvação humana, mas ela preferiu agradecer por ser uma parte da "torre de babel religiosa".

Ela se satisfez em fazer o público cantar e dançar as músicas, achando que isso é grande coisa, como se ao fazer isso as pessoas estivessem agradando a Deus.. E é pastora (...)


Pra dar o toque final à "torre de babel religiosa", o apresentador colocou no mar um barquinho com oferendas a Iemanjá, e aí eu me pergunto qual teria sido a reação da pastora (...) e atração gospel, já que tempos atrás ela disse ter tido uma visão onde Deus dizia: "as praias são minhas! As praias são minhas!" e que por isso mesmo ela lançou o super Cruzeiro Diante do Trono, para consagrar as águas ao Senhor.

Será que enquanto pastora (...) ela não deveria ter advertido o apresentador sobre esse ato supersticioso?? Ou será que o negócio é continuar mendigando espaço na rede que há anos ataca os valores cristãos.


Mendigando não, isso é o que ela dá a entender no texto sobre A Rede Globo, a Babilônia e a Pérsia, mas sendo ela uma funcionária da rede toda essa história perde o sentido..
Creio que em breve eu faça um artigo especificamente sobre esse "texto-muleta" que ela divulgou, mas que não se encaixa no contexto atual.

Enfim, se você é cristão e se indignou com tudo isso, continue assim!! Não tome a forma desse mundo (Romanos 12:2), tenha paciência e ore para que Deus abra os olhos desse povo evangélico enganado e alienado.

Se você é um(a) dos que acha que "o importante é que o evangelho está sendo pregado", eu te digo que esse evangelho fajuto deve ser considerado maldito (Gálatas 1:8-9) e certamente esses que o estão espalhando serão julgados por isso.

Um "evangelho" que não prega arrependimento e não aponta os pecados como condenáveis pode ser qualquer coisa menos cristianismo.

Por fim, se você é parte daqueles que fingem não ligar pra isso, preferindo ignorar esse caos fruto da ganância (ou ignorância) e apostasia dos "astros go$pel", eu só posso lamentar.. Você é aquele(a) que é chamado de "morno" em Apocalipse 3:16, alguém que se conforma a esse mundo perdido e não faz diferença enquanto cristã(o).. Repense seu cristianismo!!


Pra terminar, um brinde à falta de compromisso para com o evangelho verdadeiro, daqueles que manipulam a massa de manobra evangélica ignorante e/ou omissa!!!

Todos os evangélicos sincretistas estão convidados a participar dessa festa e celebrar as migalhas concedidas pela rede que é tida como a "toda-poderosa", e que agora pretende se aproveitar dessa parceria para aumentar mais ainda essa "soberania".

Tudo isso e todos esses são parte de algo que já foi anunciado há milênios:

"Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos." (Mateus 24:24)

 Que Deus nos ajude!!

Fonte: [ Barrabas-livre ]
Via: [ 
Ministério Batista Bereia ]

ESTUDO Nº 11 - SAL – A IMPORTÂNCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO – PARTE I (Mateus 5.13)


INTRODUÇÃO
Nas bem-aventuranças nós aprendemos sobre as características que o cristão deve possuir como prova da sua nova vida. A partir deste estudo nós iremos estudar sobre a influência que o cristão deve exercer no mundo e o modo de como manifestar a sua nova natureza. 

Qual é a influência que o cristão deve exercer num mundo tão cheio de maldade, de corrupção e de violência? Qual deve ser, a relação entre o povo de Deus e o mundo?  Estamos no mundo, mas não somos do mundo (Jo 17.14-16). Para definir a natureza desta influência e orientar os discípulos quanto ao seu testemunho neste mundo, Jesus usa duas figuras comuns do lar – sal e luz. Qual é o lar, por mais pobre que seja, que não usa tanto o sal como a luz? Sal e luz são itens indispensáveis em qualquer lugar.

Neste estudo iremos nos deter sobre o significado, função e eficácia do sal e ao mesmo tempo fazendo a aplicação do termo usado pelo Senhor Jesus à vida do cristão – “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens”, Mt 5.13. 

I. SAL – SUA FUNÇÃO
O sal tem, pelo menos, três funções: 

1. O sal é tempero – produz sabor. - Esta é a função mais conhecida. Qualquer que seja a comida, sem sal, ela perde suas qualidades, Jó 6.6. 

(a) O sal possui um sabor único – o sal é impossível de ser recriado em laboratório. Isso quer dizer que o verdadeiro crente tem “sabor” de crente verdadeiro e não pode ser imitado. Alguns podem até fazer-se de crente; mas nunca terá o sabor de crente, Mt 7.17-18. 

(b) O sabor do sal é impossível de ser ignorado – Se você experimentar um alimento identifica imediatamente se ele tem sal ou não. Jesus quer que isso aconteça com seus discípulos. O cristão deve ser tão diferente dos outros homens como o sal no prato difere do alimento em que é colocado. Assim como o sal não pode deixar de ser notado, nossa maneira de viver deve ser vista pelos homens, deve ser notada, deve fazer diferença, II Co 3.2. 

2. O sal é preservador – evita a putrefação.
No mundo antigo o sal era o preservador mais comum. Antes da geladeira, o sal era usado para preservar e aumentar o tempo de conservação dos alimentos evitando assim o apodrecimento. O crente também precisa demonstrar um tipo de comportamento que impeça a putrefação do mundo. Portanto, nunca devemos compartilhar das obras podres do mundo, Rm 12.2; Ef 5.11. 

3. O sal é purificador - Os romanos diziam que o sal era a coisa mais pura de todas as coisas, porque veio das coisas mais puras, o sol e o mar. Se o crente vai ser o “sal da terra”, tem de ser um exemplo de pureza. Os discípulos são chamados a serem purificadores em um mundo cujos padrões morais são baixos. 

Somos chamados para apresentar um padrão de vida superior:

(a) Nas palavras – o crente precisa ser um exemplo no modo como fala, evitando piadas sujas e palavreados que não edificam, Cl 4.6; Cl 3.8;

(b) Nas atitudes – devemos evitar atitudes que comprometa a nossa fé, I Ts 5.22.

Em sua oração sacerdotal o Senhor Jesus afirmou... Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. (Jo 17.15). 
Como o sal não pode permanecer no saleiro, e sim, na panela, o crente continua no mundo, mas não é do mundo, e assim tem que manter sua pureza e sabor, Tg 1.27. 

II. SAL – SUA EFICÁCIA CONDICIONAL 
Havia uma região da Palestina, nos tempos de Jesus, chamada Colinas de Sal. Era formada por sal de rochas, não de mar. Este era um sal completamente inútil pois era misturado com outras substâncias e não tinha nenhuma serventia. 

No Comentário Bíblico Broadman, lemos que: “O sal puro, como conhecemos hoje, não perde o seu sabor; mas o sal tirado do Mar Morto, nos tempos de Jesus, era uma mistura de sal e outras matérias. Exposto ao tempo o sal podia perder suas propriedades tornando-se algo que apenas tinha aparência de sal. Assim, o sal comercial podia ser adulterado, tendo a mistura enfraquecida pouco ou nenhum sabor”.[1]

Portanto, podemos afirmar que a eficácia do sal é condicional. Para continuar a ser útil, o sal tem de conservar a sua salinidade. Já vimos acima que o sal não pode perder sua qualidade de salinidade, mas o Senhor Jesus fez a seguinte afirmação: “ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?”. 

Jesus está alertando seus discípulos de que o sal pode ser adulterado por impurezas. A mesma coisa pode acontecer com os crentes. Embora sendo sal da terra, ele pode se deixar contaminar pelas impurezas do mundo, e, com isto, perdendo a sua capacidade de influenciar. O sal pode conservar a sua aparência de sal, mas não o seu caráter. 

Diante deste fato, é preciso observar três realidades do sal insalubre, de acordo com o texto bíblico: 

1. É irrecuperável – “como lhe restaurar o sabor?” - O sal perde o seu sabor quando são adicionados impurezas a ele. Um sal “misturado” pode mesmo ser algo prejudicial à saúde. Da mesma forma o crente não mantém sua pureza de sal quando se deixa influenciar pelas coisas mundanas. Não há remédio para o sal em sua salinidade, Tt 1.6. 

2. É inútil – “Para nada mais presta” - Além do sal “misturado” ser algo prejudicial a saúde, ele não pode ser lançado em solo fértil, porque pode destruir a fertilidade do terreno. 

Orlando Boyer nos diz que “na cidade de Hutchinson, na América do Norte, um grande monte de sal ficou estragado. Experimentaram calçar uma rua com esse sal para não deixar desperdiçar tudo. Mas com as primeiras grandes chuvas, o que parecia grande êxito, tornou-se em deplorável fracasso; a rua mais bela da cidade transformou-se na rua mais triste. Até as árvores, à beira da rua, morreram”.[2]

Quando nos igualamos ao mundo tornamo-nos inúteis. Não trazemos o sabor vivificante de Cristo ao mundo, (Lc 14.33-34). Jesus estabeleceu seus discípulos como o sal da terra. Se, como cristãos, não cumprirmos essa missão, seremos as criaturas mais inúteis que já existiram, Ap 3.1. 

3. É condenado à destruição – “lançado fora, ser pisado pelos homens”. - Da mesma forma que o sal é lançado fora, o discípulo que perde a relevância do testemunho, da santidade dos valores e princípios, ele será jogado fora e será pisado, humilhado e escarnecido pelos homens. O Senhor Jesus nos mostra o perigo da vida sem testemunho, Mt 7.19. 

PARA CONCLUIR 
O Senhor Jesus ainda falou: “Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros”, Mc 9.50. A nossa identidade de crente é revelada através de nossos atos. O mundo inteiro está em estado de putrefação e nos fomos colocados neste mundo para torna-lo melhor. Através do nosso comportamento duas coisas acontecem:
a) Glorificamos a Deus, I Pe 2.12.
b) Blasfemamos o nome de Deus, Rm 2.24.

O Senhor Jesus se refere à mulher de Ló como uma estátua de sal e a usa como símbolo de desobediência – “Lembrai-vos da mulher de Ló”, Lc 17.32.

Infelizmente muitos crentes têm negligenciado o privilégio de sal da terra, e se tornam vidas sem testemunhos e infrutíferas, que mais parecem verdadeiras “estátuas de sal”.

Que tipo de discípulos somos – Sal da terra ou Estátua de Sal?




[1] BROADMAN, Mateus-Marcos, vol VIII, p.141.
[2] BOYER, Mateus – O Evangelho do Reino, p.85.