sábado, 10 de dezembro de 2011

O MELHOR DE DEUS AINDA ESTÁ POR VIR?


Milton Jr.

A frase virou mesmo um chavão e está constantemente na boca de vários irmãos. Diante dos problemas e adversidades, a palavra de “consolo” é: “Não se preocupe, o melhor de Deus para a sua vida está por vir”. O que se quer dizer com isso é que por mais que a vida tenha lá suas adversidades e problemas, aquele que sofre pode estar descansado, pois haverá um dia em que as lutas cessarão, não haverá mais pranto e nem dor.

Conquanto seja isso verdadeiro e prometido na Escritura, que afirma que o Senhor enxugará dos olhos toda lágrima (Ap 21.4), é preciso analisar o que de fato se deseja ao dizer que “o melhor de Deus está por vir”.

Se com essa frase os crentes estivessem almejando estar de uma vez por todas na presença física do Senhor Jesus, ela ganharia um belo sentido, porém, ao observar que ela é dita geralmente em momentos de dificuldades, fica evidente que “o melhor de Deus” que é esperado é simplesmente a ausência das tribulações. Nesse caso, perde-se a perspectiva de que o melhor de Deus já veio quando ele enviou seu Filho ao mundo (Jo 3.16) em semelhança de homens (Fp 2.7) para justifica-los pela fé e conceder a eles paz com Deus (Rm 5.1).

Quando o Senhor Jesus afirmou a seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (Jo 14.27), ele falava sobre a reconciliação com Deus, não sobre a ausência de problemas. Se assim não fosse, os discípulos não teriam ouvido dele que no mundo teriam aflições (Jo 16.33). A despeito disso ele ordena aos discípulos ter bom ânimo, o que demonstra que o consolo não estava em esperar a cessação das aflições, mas na certeza de que aquele que venceu o mundo estaria com eles todos os dias, inclusive em meio às dificuldades, até a consumação dos séculos (Mt 28.20).

Era a certeza de que Jesus era o melhor de Deus e, portanto, suficiente para a sua vida que levava Paulo a declarar: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Sua alegria não dependia das circunstâncias, mas de estar na presença do Senhor Jesus. Por isso mesmo ele também podia dizer que viver para ele era Cristo, e morrer, lucro, pois sabia que estar com Cristo é incomparavelmente melhor (cf. Fp 1.21,23).

Saber que o melhor de Deus para nós, Cristo Jesus, já veio deve nos levar ao entendimento de que até as tribulações e aflições não fogem a seu controle, antes, são usadas pelo Senhor para nos tornar cada dia mais parecidos com o nosso Redentor. Isso nos leva também a colocar em prática as palavras de Tiago, que diz que devemos ter como motivo de muita alegria o passar por várias provações, entendendo que a finalidade da provação é produzir a esperança, que cumpre o seu papel ao nos tornar perfeitos, íntegros e em nada deficientes (Tg 1.2-4).

Como já foi afirmado, uma vida sem aflições, sem pranto e nem choro é prometida por Deus para aqueles que são de Jesus. Porém, querer estar com Jesus não por quem ele é, mas por aquilo que ele nos concede e concederá é uma atitude idólatra, que revela que amamos mais a bênção concedida do que aquele que nos abençoa.

O melhor de Deus já veio, Cristo Jesus, e se buscarmos nele alegria e satisfação viveremos também contentes, em toda e qualquer situação.

Fonte: E a Bíblia com isso?

ESTUDO Nº 10 - PERSEGUIÇÃO – A PROVA DE FOGO DA FIDELIDADE CRISTÃ (Mateus 5.10-12)


INTRODUÇÃO
De todas as bem-aventuranças, certamente a mais ilógica para o mundo é a última, a que fala a respeito das perseguições. Ser perseguido, injuriado, acusado, caluniado está tão longe da felicidade quanto a terra dista do sol. Existem dois aspectos com relação às bem-aventuranças: 


1. A relação entre elas. - O caráter do verdadeiro cristão se manifesta da seguinte forma:
(a) É uma pessoa que reconhece sua pobreza espiritual diante de Deus, v.3;
(b) Por isso chora e lamenta seu estado miserável, v.4;
(c) É uma pessoa mansa e gentil, pois sabe de suas fraquezas, v.5;
(d) Tem fome e sede pelas coisas de Deus, pois deseja ser uma pessoa justa, v.6;
(e) Pelo fato de ter experimentado a misericórdia de Deus, transmite a todos que se aproxima dele, v.8;
(f) Ao mesmo tempo em que tenta transmitir-lhes a mesma paz que ele próprio experimenta, v.9.

Enfim, era de se esperar que depois de tudo isso ele fosse reconhecido e amado pelas pessoas, mas o Senhor Jesus disse que acontece exatamente o contrário, ele será odiado e perseguido – “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”, Mt 5.10.

2. A promessa da bem-aventurança - A promessa vinculada a esta bem-aventurança é a mesma ligada a primeira bem-aventurança – “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”, Mt 5.3.

Começamos pelo reino dos céus e também terminamos pelo reino dos céus.

I. PERSEGUIÇÃO – SIGNIFICADOS E APLICAÇÕES
O Senhor Jesus nunca disse que seria fácil ser crente. O preço pode ser muito alto. A vida cristã é difícil quando vivemos de acordo com a Palavra de Deus. Tais desafios se manifestam nas palavras de Jesus, Jo 16.33; Mt 10.16. Antes de entendermos a causa principal da perseguição, precisamos avaliar algumas interpretações equivocadas que as pessoas tem desta bem-aventurança: 

1. Não é uma perseguição por razões políticas – Sempre houve pessoas que foram perseguidos por defenderem os pobres e os oprimidos. Foram presos e até assassinados. 
2. Não é uma perseguição por sermos fanáticos ou muitos zelosos – há crentes que são fanáticos e por isso sofrem perseguição. Exageram na sua forma de cultuar e de ser.
3. Não é uma perseguição por causa de nosso próprio pecado – há cristãos que não são aceitos e sofre discriminação, mas não por ser justo, e sim, por causa do seu comportamento errado, I Pe 4.14-16.

Qual então o significado desta bem-aventurança? A perseguição tem sido a marca dos fiéis através da história, Hb 11.36-38.
O mundo tem um esquema, ou uma forma, a qual deseja que todos se amoldem. Aqueles que rejeitam o esquema do mundo sofrerão perseguição, Mt 5.10.
As características do cristão verdadeiro apresentadas nas bem-aventuranças anteriores nos dão a idéia do significado de “justiça”. As sete primeiras descrevem a vida justa do crente. A oitava é a reação do mundo diante de sua atitude. É uma conseqüência de ser cristão, Jo 15.20.


II. PERSEGUIÇÃO – SUAS MANIFESTAÇÕES
Todo cristão genuíno, de uma forma ou de outra, é perseguido por causa de sua vida cristã, que depõe naturalmente contra a vida do descrente. Esta é a razão porque o mundo “odeia os filhos de Deus”, I Jo 3.13; Jo 15.19.

O mundo não suporta ver pessoas que tentam viver como agrada a Jesus. Qual é a vida que agrada a Deus?
É a semelhante a que ele viveu. Portanto, ser justo significa ser parecido com Jesus, II Tm 3.12. Há muitos ensinos bíblicos a respeito deste assunto, Mt 10.22; Jo 15.18.

Estas perseguições se manifestarão das seguintes formas:
(a) As autoridades (religiosas ou políticas), Mc 13.9;
(b) Os ímpios, Mt 5.10;
(c) Os familiares, Lc 21.16-17.

Há algum motivo específico, alguma acusação concreta que venha justificar tal perseguição? Jo 15.25. Assim como Cristo foi perseguido sem motivo, também o cristão é, Mt 5.10; Jo 15.18-20. Se o mundo tiver motivos verdadeiros para acusar o crente, então ele não estará sendo perseguido por causa de Jesus, mas por suas próprias falhas, pelas debilidades do seu caráter ou por ações pecaminosas. Podemos afirmar que somos crentes, mas se formos perseguidos porque não pagamos as contas, por enganar as pessoas ou por espalhar notícias falsas e fazer fofocas, de forma alguma seremos bem-aventurados, I Pe 4.14-16.

III. PERSEGUIÇÃO – SUA RECOMPENSA
A recompensa daqueles que são perseguidos por causa da justiça é tríplice: 

(1) O Reino dos céus, Mt 5.10 - Os perseguidos são bem-aventurados, não por causa dos seus sofrimentos, mas porque, aos que tem tal caráter, é dado entrar no reino dos céus. As bênçãos dos céus são para aqueles que demonstram uma vida tão justa que Satanás se encoleriza;
(2) Alegria sem fim, Mt 5.12 – O significado literal desta expressão é “saltar excessivamente”. A reação à perseguição é alegria incontida. O apóstolo Paulo afirmou que sentia prazer em sofrer por amor a Cristo, Cl 1.24.  E não somente Paulo, mas os cristãos primitivos tinham uma reação de alegria quando sofriam por amor a Cristo, At 5.40-42.
(3) Galardão nos céus, Mt 5.12. Uma recompensa além da herança da vida eterna desafia a nossa imaginação. O apóstolo Paulo também escreveu a respeito do tamanho do galardão que Deus oferecerá aos perseguidos, II Co 4.17.

Para o apóstolo, o valor do galardão é mais do que suficiente para compensar qualquer tribulação ou sofrimento que os inimigos do evangelho possam provocar, Rm 8.18. Sofrer perseguição por causa da justiça e por amor a Cristo significa andar no caminho dos profetas, dos santos e mártires do passado, Hb 11.32-38. Jesus e seus seguidores são os sucessores dos profetas, Mt 10.41; Mt 23.34.

PARA CONCLUIR: 
Todos os crentes devem demonstrar as características detalhadas nas bem-aventuranças – humildes, carentes, mansos, famintos, misericordiosos, puros de coração, pacificadores e como conseqüências, perseguidos por a Cristo e a sua justiça. E diante destas características, o Senhor Jesus parabeniza aqueles que o mundo mais despreza, e os chama de “bem-aventurados” aqueles que o mundo rejeita, e nos dá como herança – o reino dos céus, consolo, a terra prometida, misericórdia, contemplação de Deus e de ser chamado filho de Deus. Nossa recompensa será incalculável e, além disto, a perseguição é uma prova da genuinidade da nossa fé. Contudo, todas as recompensas são somente para aqueles que nasceu de novo e está consciente do seu papel neste mundo.