domingo, 20 de novembro de 2011

COREOGRAFIA NA IGREJA: A DANÇA DA IGNORÂNCIA (Texto do Rev. Moisés Bezerril)


A ignorância dança na minha frente! Colorida, maquiada, e iluminada, ela se contorce feita serpente, mas não entendo o que ela quer dizer!

Trevas medievais se abatem sobre o culto de igrejas modernas. Novamente os ministros do evangelho estão buscando roupas, cores, luzes, sons, gestos mudos, e centralidade em mulheres que, sem saber, roubam a glória de Cristo nos cultos dessas igrejas. Dessa forma, a velha igreja Católica Romana com seu culto colorido tem sido lembrada no meio evangélico.

Estive pregando em um congresso para jovens presbiterianos, e fiquei decepcionado ao ver que, o culto desses jovens nada tinha a ver com o presbiterianismo histórico, nem com o sistema calvinista de adoração. Não sei quem é o culpado por tantos descaminhos dentro de nossas igrejas; o que sei é que o culto presbiteriano está aleijado em muitas igrejas; precisa de muletas para andar. O princípio que subjaz esta enfermidade é o fato dos líderes acharem que só a Palavra de Deus e os sacramentos já não podem mais ter tanta graça, e para isso insistem em trazer algo com mais engraçado. O que pude observar naquele congresso não posso chamar de culto. Não tive impressão de que as pessoas ali estivessem com suas mentes voltadas para Deus. Palco com muitas luzes pondo seus holofotes em moças maquiadas, brilhando à luz dos reflexos de sapatilhas prateadas, com vestidos multicoloridos, contorcendo seus corpos como serpentes, e até, sensualmente mostrando o contorno de seus corpos, dançando e sinalizando com os membros superiores e inferiores, gestos obscuros que ninguém entendia o que queriam dizer com aqueles movimentos.

Quando sento num banco de igreja e vejo aquelas mocinhas dançando na minha frente, nada mais consigo além da ignorância dançante de seus líderes. Como dançam ao som de músicas, entendo a letra da música, mas não sei o que elas pretendem dizer com seus braços e pernas que sobem e descem sincronizadamente, repetindo cansativamente os mesmos movimentos. Será que somente eu não compreendo a linguagem daqueles corpos coloridos, brilhantes e emudecidos, que se contorcem sobre o palco querendo dizer algo? Será que terei que aprender um alfabeto dos movimentos coreográficos para decodificar a mensagem dançada?

Foi-me dito que elas estão louvando a Deus. Estranho! Parece que esse louvor nunca poderá ser congregacional; ou imaginaremos os anciãos da igreja coreografando sincronizadamente? Por que essa modalidade de louvor só pode ser praticada por moças novas?

Por que a coreografia não é a vontade de Deus para o culto cristão?

1) PORQUE É UM MEIO ATRASADO E PRIMITIVO DE COMUNICAÇÃO QUE COMPROMETE O CULTO À OBSCURIDADE E AO ERRO.

O meio mais direto, perfeito e objetivo de nos comunicarmos com Deus é por meio da palavra inteligível. Os movimentos corporais podem representar simbolismos nas muitas religiões pagãs e de mistérios pelo mundo afora; mas só o culto revelado a Israel (Rm 9:4) contém os verdadeiros elementos que agradam a Deus. Nada há no culto de Israel que lembre o culto pagão das nações vizinhas, que era recheado de danças folclóricas. O louvor de Israel sempre foi por meio de palavras inteligíveis, e não por expressões corporais. Além disso, teria que haver uma codificação dos movimentos, para que a igreja pudesse ler e decodificar o significado de cada movimento, o que é impossível, pois como é uma dança ao som de músicas, as letras das músicas confundiriam as letras expressas pela linguagem corporal. Ainda assim, a expressão corporal seria inviável para o culto porque o corpo é mudo e seus movimentos limitados, tendo-se que repetir as mesmas coisas significadas, e caindo no erro das vãs repetições.

A coreografia é proibida pelo apóstolo Paulo por representar uma forma muda de expressão que nada expressa. Nenhuma formalidade sem sentido deveria fazer parte do culto cristão, (I Co 14:8-9). A própria palavra louvar (do lat. Laudare) sempre está relacionada a “dizer algo inteligível à mente”, “bendizer”; assim sendo nunca poderia ser empregada para gestos ou expressões corporais. O Salmo 150:4 emprega o termo para “adulfes e danças” porque está citando a expressão de Êxodo 15:20-21, que é acompanhada de bendições em alta voz por Miriam e as mulheres que acompanharam o coro.

Todo meio obscuro de cultuar a Deus é proibido em sua Palavra, pois a igreja tem entender a mensagem para dar o amém, (I Co 14:16). Toda forma de culto que não comunica a mensagem inteligívelmente, é semelhante a falar ao ar, (I Co 14:9). Além do mais, o apóstolo Paulo ensina que o culto cristão é racional, pertencente ao entendimento, (Rm 12:1). Cultos em que não se entende a mensagem ou o louvor, são caracteristicamente pagãos em sua essência.

Usar exemplos de Miriam ou Davi é cometer sério erro hemenêutico. Eles dançaram porque quiseram; não estavam obedecendo a nenhum mandamento da lei, nem seu exemplo ficou para ser seguido. O povo de Deus não segue exemplos, e sim ordens.

2) PORQUE NÃO É PARTE INTEGRANTE DE NENHUM DOS MEIOS DE GRAÇA, E, PORTANTO NÃO PODE FAZER PARTE DO CULTO.

Além dos sacramentos e da palavra, Cristo e os apóstolos não instituíram nada mais como meio de graça para o povo de Deus. Todos os elementos do culto cristão são, necessariamente, meios de graça. Mas fica difícil explicar como um grupo de mulheres fantasiadas e dançantes se tornariam um meio de graça para a igreja de Cristo. O que coreografia tem a ver com a história da redenção? O que as danças comunicariam à mente dos crentes? A música cantada é ordenada nas epístolas paulinas, e foi usada por Cristo ao término da ceia; nada há, porém, quanto à dança.

3) PORQUE NÃO FAZ PARTE DE NUNHUMA ORDEM LITÚRGICA ENCONTRADA NO VELHO OU NOVO TESTAMENTO.

A própria expressão “dança litúrgica” é precária, pois não há nenhuma liturgia de culto onde haja danças no Velho ou Novo Testamento.

O culto foi uma das dádivas pactuais dadas ao povo de Israel, e sobre o qual a nova aliança é inspirada. Não há nenhum registro do culto no Antigo Testamento que danças fizeram parte do culto israelita no templo. O culto de Israel era santíssimo, e jamais seria profanado por elementos de cultos pagãos. Os povos vizinhos de Israel adoravam o sol, as estrelas, gatos, serpentes, jacarés, deusas, e deuses, dançando religiosamente para eles. Esse culto dançante era originado da própria vontade humana, mas o culto do Deus de Israel tinha origem divina, e foi revelado pelo próprio Deus ao seu povo, (Rm 9:4); em nenhum lugar da revelação Deus requereu danças; elas eram exatamente o elemento mudo das religiões pagãs daqueles tempos. O mesmo pode-se entender no Novo Testamento. Nenhuma evidência há para uma tradição pagã entre os crentes da igreja primitiva.

4) PORQUE NÃO HÁ MODELO NEM MANDAMENTO APOSTÓLICO PARA ISTO.

As ordens apostólicas do conteúdo do culto no que se refere a louvor é salmo, (I Co 14:26); salmos, hinos e cânticos espirituais, (Ef 5:19). Em nenhum lugar da tradição apostólica foi incluída coreografia, sendo, portanto, uma tradição humana acrescentada ao culto cristão.

5) PORQUE ROUBA A GLÓRIA DE CRISTO E MACULA O CULTO DIVINO.

O movimento moderno secular de coreografia na igreja apresenta-se como um show, bem ensaiado, e que, impecavelmente pretende agradar à expectativa de quem assiste. A atenção dos expectadores está em acompanhar os movimentos dos corpos brilhantes e coloridos e conferir as falhas e os acertos para depois atribuir-lhes elogios. Nada há na coreografia que leve a mente dos crentes a glorificar a Cristo, pois os corpos dançantes não falam à mente. Se nada comunicam, acabam distraindo a mente dos crentes e desviando o foco das atenções do verdadeiro culto que é Cristo.

Nenhuma dançarina vai a um palco querendo dar glória a outrem, pois ela está ali para “demonstrar” e não para levar a mente das pessoas cativas a outro lugar que não sua própria pessoa. Assim, as dançantes amaldiçoam-se por roubar a centralidade da adoração a Deus, (Atos 12:21-23), por receber honras e elogios que deveriam ser de Cristo, e por tornar a adoração a Deus em show, culto profano e pagão.

6) PORQUE A COREOGRAFIA SEMPRE ESTÁ ENVOLVIDA COM CARNALIDADE.

Na coreografia, os movimentos dançantes são voltados para demonstrações dos corpos de quem dança. A mente de quem assiste é eficazmente desviada para contemplar movimentos, e não para pensar em Deus ou em Cristo. As moças fantasiam-se sensualmente, - exatamente como procedem as dançarinas mundanas para atrair olhares, e provocar impressões sensoriais fortes em quem assiste. Quando dizem que estão imitando a profetisa Miriam, com coreografias modernas, tais coreógrafos esquecem-se de que uma profetisa judia nunca vestiria trajes tão pecaminosos como as atuais fantasias que circulam nos palcos eclesiásticos dos nossos dias. Pelo efeito que produz, a coreografia é uma obra de sensualidade, voltada para o pecado da carne; e o pendor da carne é morte, (Rm 8:6).

7) PORQUE É PECAMINOSO POR ENALTECER A NATUREZA HUMANA.

Nada pode ocupar o centro da adoração cristã senão a Palavra de Deus, por meio do pregador. As danças, os conjuntos, cantores e corais são terminantemente proibidos de ocupar o lugar central da Palavra de Deus no verdadeiro culto cristológico. Todas essas pretensiosas formas de expressões de louvor são individuais e particularizadas, devendo apenas ser para uso de cada um em ambiente privado, não na igreja. Na igreja o culto é público, e o louvor sempre é congregacional. O apóstolo Paulo foi incisivo contra os coríntios com seus individualismos em detrimento da igreja como corpo. A visão de cantor A, conjunto B, coral C, que se apresentam sozinhos, segregando-se do louvor congregacional, nada mais é do que uma visão de fama, e isto é pecaminoso aos olhos de Deus.

Uma expressão absurda que se usa muito nas liturgias seculares é o termo “participação especial” para designar um cantor que vai cantar na frente da igreja. Sem perceber, o liturgo anuncia que o culto vai parar porque alguém mais especial vai cantar.

Sempre que houver o incentivo à manifestações particulares de louvor, a tendência é à segregação, individualismo, fama, elogios, e exaltação à pessoa que canta ou grupo que se apresenta. Assim sendo, tais modelos são carnais, (Gl 5:20-21) e devem ser evitados na igreja de Cristo. Todos esses modelos são seculares, trazidos do mundo pagão para dentro da igreja, sem nenhuma base bíblica. No céu toda a igreja cantará em um coral universal; lá não haverá participação especial de A ou B. Se a igreja de Cristo quer agradar a Deus, então, deverá copiar o modelo das coisas celestiais, e não das terrenas, (Cl 3:2).

8) PORQUE É AFÔNICA E DENUNCIA-SE DESNECESSÁRIA

A mais absurda idéia que podemos ouvir dos defensores da coreografia na igreja é que ela é uma maneira de louvar a Deus. Usam os textos dos Salmos 150 e o exemplo de Miriam (“Se ela dança, eu danço!”), e o exemplo de Davi – textos que tratarei mais adiante – para fundamentar uma teologia contraditória, por desconhecerem a verdadeira idéia do salmo 150 e do exemplo de Miriam.

A grande contradição da coreografia é que ela precisa da música para louvar. Ora, como pode um corpo dançante louvar, se louvar é bendizer, e o corpo nada diz?

Ao olharmos para o Salmo 150:4 (“Louvai ao Senhor com adulfes e danças”), o termo hebraico mahol “dança”, é um termo usado como símbolo de alegria após uma vitória. Normalmente uma mahol era acompanhada de adufes (tof); por isso o salmista usa o conjunto “adulfes e danças”. A expressão hebraica do Salmo 150:4 é exatamente a mesma encontrada em referência à dança de Miriam em Êxodo 15:20, em sua forma verbal (“tocaram adulfes e dançaram”). Algo muito importante que muitos deixam de esclarecer é que a dança de Miriam nada tem a ver com o moderna coreografia praticada nas igrejas. Vejamos as diferenças: 1) A dança de Miriam foi resultado de uma alegria de vitória do povo de Israel sobre os egípcios; 2) Foi acompanhada por um instrumental próprio; 3) Constituiu parte do ato de louvor a Deus pela vitória, que compunha-se de repertório, som, e dança. Daí podemos concluir: a) que Miriam não coreografou apenas gestos mudos; b) Que é errado referir-se a Miriam apenas à sua dança, pois ela tocou, cantou, e dançou; c) Que a parte mais importante do seu ato não foi a dança, e sim a letra da música que ela proferiu; d) Que o que louvou a Deus não foi o movimento do seu corpo, e sim as palavras que proferiu para engrandecer e bendizer a Deus; e) Que a dança de Miriam não foi uma parte integrante do louvor, e sim o resultado da alegria que sentiu, sendo apenas uma manifestação contingente.

Uma segunda abordagem importante é lembrar que aquele ato de Miriam foi um ato profético extraordinário e inspirado, no qual, ela como profetisa inspirada, estava profetizando Palavras de Deus que ficaram registradas no cânon das Escrituras do Antigo Testamento. Portanto ninguém pode querer dançar como Miriam dançou, porque sua dança foi um mover inspirado do Espírito de Deus no profetismo do Antigo Testamento, que tinha fins de escrituração da Palavra de Deus; Miriam não dançou porque quis, e sim porque o Espírito quis. Quando as pessoas querem imitar Miriam, estão assumindo a postura do falso profeta, pois não têm credenciais para isto.

Quanto ao Salmo 150, estaria dando ordens para louvar a Deus com danças? Absolutamente não! O salmista não está se referindo apenas à “dança”, separadamente de adulfe, pois ele está se referindo ao ato de Miriam. “Adulfes e danças” é a expressão do louvor profético da profetisa Miriam, que foi inclusa no livro dos salmos para ser lembrada continuamente no cântico de Israel, porque continha os elementos da redenção de Israel.

Grande parte do erro da coreografia deve-se à visão errada que as pessoas têm dos Salmos. A maioria acha que os salmos são mandamentos; e quando lêem o Salmo 150:4, acham que o salmista está ordenando ao povo de Deus a dança como louvor. Os salmos são poemas musicais compostos pelos israelitas da antiguidade para serem usados como hinos na adoração. Ao invés de dançarem por causa da expressão do salmo, eles apenas cantavam o salmo; não há nenhum indício de que os israelitas dançassem no templo. Na verdade, o Salmo 150:4 não foi dado para imitar Miriam, mas para cantar a vitória redentiva que ela celebrou. Portanto, o Salmo 150:4 não é para ser dançado, e sim cantado. Bater tambores e movimentar o corpo nada diz acerca das grandezas de Deus; portanto, não é à dança ao que o salmista está se referindo, e sim ao que foi dito por Miriam quando dançou.

O caso da dança de Davi em I Crônicas 15:29 tem sido usado como modelo ou mandamento para justificar coreografia. Isto consiste muito mais em ignorância do que exegese. Davi não deu ordens a ninguém para dançar, nem instituiu em seu reinado a “dança litúrgica”. Mais uma vez, somente o rei se empolgou porque estava vindo de uma vitória contra os filisteus, e apenas ele dançou. Davi dançou e se alegrou, mas depois é que adorou ao Senhor com cânticos dos Salmos de sua autoria, (I Cr 16:7-36). Isto é prova de que as danças do Antigo Testamento estão relacionadas com a história das vitórias de Israel, e nunca com a adoração. Danças no Antigo Testamento é uma expressão de alegria, e não de louvor.

A dança celebra alegria, festa; a única festa a qual somos ordenados celebrar é a ceia do Senhor no dia do Senhor, (I Co 5:7,8).

9) PORQUE ROUPAS, CORES, FORMAS, LUZES E SONS SEMPRE CARACTERIZAM O VELHO CULTO CATÓLICO ROMANO.

O culto reluzente e colorido é o culto que não agrada a Deus. No Antigo Testamento havia muitas figuras, cores, formas e ritos, mas tudo tinha um significado tipológico. Com a vinda de Cristo, toda expressão profética do antigo culto cumpriu-se. Agora, somente os aspectos da nova aliança devem interessar à igreja de Cristo. Nada há Novo Testamento que nos dê a entender que o culto da Nova Aliança seja recheado de cores, luzes e sons. Ao contrário, a recomendação apostólica, quanto ao culto cristão, é de simplicidade e humildade. A igreja neotestamentária que mais deu trabalho ao apóstolo Paulo quanto à humildade do culto foi Corinto. Loucos por extravagâncias, os coríntios foram duramente repreendidos pelo apóstolo.

Antigamente, antes das missões protestantes alcançarem as Américas, a roupa comum dos crentes era, naturalmente, o paletó. O pregador usava paletó porque era a roupa de todos os homens presentes na igreja; não havia destaque do pregador pela roupa ou qualquer outro utensílio. Hoje as igrejas buscam destacar cada vez mais o pregador da multidão. Contrariamente aos reformadores do passado, o Catolicismo procurou enaltecer infinitamente seu clérigo, pondo sobre ele roupas, cores, e objetos, que o tornam o centro da missa. O papa católico, com seus grandiosos palácios e fortunas, com tantos aparatos, ouro, e finíssimas roupas sobre si, nunca poderia ser o representante de Cristo na terra; Cristo morreu nu, desprezado, sem riqueza, e abandonado numa cruz. Por este motivo, o verdadeiro culto cristão é aquele que melhor representa a humildade do nosso Senhor. Implementar o culto com tantas paramentas é voltar à ostentação do culto católico romano, culto abominável a Deus.

10) PORQUE IMPEDE QUE A PRÓPRIA MENSAGEM PRETENDIDA CHEGUE A MENTE, POR APRISIONAR-SE AOS OLHOS.

Deus nunca estabeleceria coreografias para o seu culto porque seria uma contradição de propósitos. Seria a coreografia para os olhos ou para mente? Até agora nunca vi nada diferente do que as tais danças proporcionam para quem as assiste, além de novidades para os olhos. Nada diz ao coração, nem à mente. Ninguém entende nada que se faz com o corpo. É mero lazer para quem pratica, e confusão para quem vê. Dessa forma, a coreografia constitui um elemento proibido pela literatura apostólica. Nela não há mensagem de louvor, palavras de gratidão ou qualquer coisa parecida. Como poderia algo tão inócuo e irracional fazer parte do culto racional dos cristãos, (Rm 12:1)?

11) PORQUE DESOBEDECE AO MANDAMENTO DA MODÉSTIA DA MULHER NO CULTO.

As dançarinas produzidas em vestes, cores e arranjos ferem a ordem apostólica dos trajes modestos que Paulo dá em I Timóteo 2: 9 para o culto cristão. O culto não é lugar para demonstrações de fantasias de danças femininas. Certamente isto constitui um pecado grave para com Deus: a profanação do seu santo culto.

12) PORQUE FAZ PERDER A SIMPLICIDADE DO CULTO A DEUS.

O culto cristão é um momento onde todos os crentes devem estar quebrantados de espírito, arrependidos de seu mal, perdoado o próximo, e na mais total dependência de Deus. O sentimento de igualdade e dependência mútua como partes de um corpo deve permear o ambiente sagrado, fazendo de todos um único organismo. Quando o culto é recheado de destaques, privilégios, participações “especiais”, apresentações e representações individuais, (cores, movimentos, sons, personalidades centralizadas no palco, concorrências, etc.) elementos chamativos da atenção da congregação para um único indivíduo ou grupo, perde-se então, a verdadeira natureza de culto a Deus; a adoração é transformada em relações psico-sociais e antropológicas. Personagens se tornam o foco das atenções, as mentes são desviadas de Cristo, e o interesse aumentado em direção aos talentos, cores, sons, gestos e aplausos.

Para a maioria das pessoas o culto não tem graça quando o único atrativo é Deus. Haverá sempre muito mais adeptos do falso culto, porque, além de tal culto não exigir pré-requisitos espirituais, ainda garante um relaxamento e lazer para os participantes.

13) PORQUE CONTRARIA OS PRINCÍPIOS DE LITURGIA DO CALVINISMO, CARACTERIZANDO OS USUÁRIOS COMO NÃO CALVINISTAS.

Calvinismo é um sistema de culto e vida. Incrivelmente, podemos encontrar coreografia em igrejas que vêm de origens calvinistas; até mesmo alguns pastores coreógrafos querem ser identificados como calvinistas. Com toda certeza esses movimentos coreográficos seriam taxados por Calvino e seus sucessores como movimentos pagãos. O culto do calvinismo clássico está muito longe das caricaturas modernas do culto protestante. Os praticantes da coreografia evangélica desconhecem o verdadeiro culto calvinista, e não partilham da tradição reformada deixada pelos gigantes do calvinismo clássico.

A ênfase dada pelos calvinistas ao culto cristão condena qualquer representação visível (CONFISSÃO DE WESTMINSTER, cap. 1, seção 1), seja de danças, de teatro, ou de qualquer outra coisa. Pastores que afirmam serem presbiterianos, ou que adotam a Confissão de Westminster como símbolo de fé, jamais deveriam estar envolvidos em práticas coreográficas no culto reformado, pois isso é negar o voto ministerial, e incorrer numa infidelidade para com a Igreja Presbiteriana do Brasil.

14) PORQUE A ORDEM É LOUVAR COM A BOCA, E NÃO COM DANÇAS.

“Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome.” (Hebreus 13:15)

A palavra “sacrifício” da expressão “sacrifício de louvor”, representa a adoração a Deus no Antigo Testamento. O autor está citando a mesma idéia contida em Oséias 14:2 (“sacrifícios de nossos lábios) para afirmar a verdade comparativa com o Antigo Testamento: enquanto a adoração da Antiga Aliança era por meio de sacrifícios de animais, a adoração da Nova Aliança é por meio de um outro tipo de sacrifício,“o sacrifício que procede dos lábios”. O autor desta epístola é unânime com a doutrina apostólica, quando fundamenta toda a adoração do Novo Testamento sobre o louvor dos lábios dos crentes. Indiscutivelmente, quando alguém tem dúvida sobre a adoração do Novo Testamento, podemos dizer-lhe que aquilo que era para o antigo culto de Israel, é hoje o louvor dos lábios dos crentes. Esse é o modelo neotestamentário de adoração da Nova Aliança, não havendo nenhuma outra forma de adorar a Deus, além de nossos lábios.

15) PORQUE NO CÉU O CORAL É DE VOZES E NÃO DE DANÇARINAS.

“Era necessário que, as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores.” (Hebreus 9: 23)

O culto terreno, instituído por Cristo e pelos apóstolos, é figura do que há no céu, e lá não há grupos de dançarinas, apenas um imenso coral de vozes dos redimidos, (Apocalipse 7 e 19). O texto de Hebreus está intimamente relacionado com o sacrifício de louvor dos lábios dos crentes. Não há nenhuma margem para cultos dançantes no céu. A adoração a Deus que acontece na terra é uma cópia da adoração celestial. Por isso João tem a visão apocalíptica de um grande coral, e não de dançarinas.

16) PORQUE DENUNCIA A IGNORÂNCIA TEOLÓGICA DOS LÍDERES QUE APOIAM ESTE PECADO NA IGREJA.

Como já vimos anteriormente, a prática da coreografia na igreja é uma prática mundana que entrou no culto dos mais desinformados. A liderança que compartilha de tais “expressões de louvor” desconhece a história do Calvinismo, ignora os símbolos de fé reformados, não tem raciocínio teologicamente preciso, e nunca aprenderam teologia reformada. Cansam-se de dizer que são reformados, quando na verdade só acreditam, com reservas, no sistema de governo e na doutrina da predestinação. Se olharmos para o presbiterianismo histórico, veremos que os antigos líderes eram homens mais conscientes da doutrina reformada, e detinham certa cultura teológica; essa é razão porque nunca encontramos coreografia na igreja quando recuamos um pouco na história. A maioria da liderança perdida com coreografia representa um pessoal que nada lê ou estuda; ignora a teologia, as letras, e o conhecimento. Assim, perecem no paganismo de sua própria ignorância.

Quando corpos se contorcem feitos serpentes na frente de uma igreja, a única coisa que representam com aquelas danças é a materialização dançante da ignorância de seu pastor.

16) PORQUE CONTRARIA A ORIENTAÇÃO LITÚRGICA DA IPB.

A base constitucional contra a coreografia na igreja está nos Princípios de Liturgia cap. III, Artigos. 7 e 8, no qual a IPB define os elementos que devem constar no culto presbiteriano.

A posição mais recente da Igreja Presbiteriana do Brasil quanto à coreografia está na resolução exposta no documento CXIII da reunião ordinária do SC/IPB-98, a qual rejeita o movimento coreográfico na igreja em bases teológicas, históricas, e confessionais, ordenando aos concílios que façam lembrar aos pastores o voto de seguir os padrões institucionais quando da ordenação, e que também façam cumprir os princípios de liturgia quanto ao culto público da IPB no cap. III, artigos 7 e 8. Todos os líderes eclesiásticos que compartilham, ensinam, ou praticam coreografias em suas igrejas incorrem em grave falta, sendo passivos de disciplina pelos concílios da IPB, bastando para isso que qualquer membro da igreja ou concílio denuncie tal líder. Aqueles que não concordam ou sentem-se ultrajados por causa de seus líderes dançarinos, devem enviar documento formal, com base constitucional (tanto do Manual Presbiteriano, quanto do doc. CXIII-SC/IPB-98) ao conselho, pedindo que tal documento seja enviado ao Presbitério. Em tal documento deve haverá: a) denúncia formal de que o pastor promove ou permite danças no culto público; b) a base constitucional que referenda a falta ( Manual Presbiteriano e doc. CXIII-SC/IPB-98); c) a requisição pedindo que seja proibido pelo concílio superior o procedimento coreográfico de tais líderes.


Moisés C. Bezerril
Em: [ Teologia Hoje ]
Via: [ Blog dos Eleitos ]

ESTUDO Nº 09 - PRATICAR A PAZ E SER FILHO DE DEUS (Mateus 5.9)



INTRODUÇÃO

Esta bem-aventurança apresenta um princípio que é totalmente contrária ao ponto de vista do mundo. O homem fracassou totalmente na sua busca de paz entre os homens, entre os grupos e entre as nações.

A história tem demonstrado amplamente que não há possibilidade de paz no mundo, Jr 6.14.  

A ausência de paz no mundo é devido à falta de relacionamento entre o homem e Deus. E isso é provocado pela inimizade entre o homem e Deus. “Inimizade” é o termo que Paulo escolheu para descrever o relacionamento entre Deus e o homem rebelde, Rm 8.7-8.

Portanto, há uma grande necessidade, hoje em dia de pacificadores – na indústria, na família e na igreja. Para alguns é mais fácil criar casos e incentivar atritos do que criar clima de paz. Mas entre os crentes é necessário a existência da paz, Ef 4.1-3.

Mas o que significa o termo paz?
Como ser um pacificador num mundo tão cheio de ódio?

I. PAZ – SIGNIFICADOS E CONCEITOS

1. Significados do termo

a) Shalom (Hebraico) – Paz aqui deve ser entendida com o sentido hebraico, porque Jesus e seus discípulos eram judeus em sua forma de ser e de pensar. Shalom era um conceito fundamental para o povo hebreu. Seu significado principal é bem estar, ou saúde, no sentido mais amplo, tanto material como espiritual.

b) Eirene (grego) – William Barclay ensina – “Descreve também a saúde do corpo, o bem estar e a segurança, a perfeita serenidade e a tranqüilidade, de uma vida e um estado em que o homem tem um relacionamento perfeito com seu próximo e com seu Deus”.[1]

2. Conceito de Pacificador

Com respeito ao significado preciso de pacificador, precisamos enfatizar que estamos falando de uma obra divina. Pois o mundo não tem a paz de Deus. O Senhor Jesus faz uma distinção entre a paz que ele concede e a paz que o mundo oferece:

(a) Paz do mundo – significa uma ausência de conflitos, de guerras e lutas.
(b) Paz de Jesus – é um estado de espírito que depende da companhia de Jesus, Jo 14.27.

Ninguém pode ser um pacificador, se primeiro não tiver experimentado a paz em si mesmo, isso significa conversão, Rm 5.1.

Somente quem já experimentou a paz com Deus pode viver em paz com os outros, I Ts 5.13.

Portanto, trata-se de uma paz real, que nasce de um coração transformado e desejoso de viver de forma íntegra e obediente ao Senhor, Rm 14.19.

O filho de Deus é chamado a ser um pacificador tanto na Igreja como na sociedade, portanto, devemos: 
Primeiro: Buscar a paz, I Pe 3.11;
Segundo: Seguir a paz com todos, Hb 12.14;
Terceiro: Até onde depender de nós, ter paz com todos os homens, Rm 12.18.

Portanto, aqui não se trata dos pacificadores no sentido comum – o da mediação de disputas humanas – mas no alto sentido de trazer os homens a paz com Cristo, Is 52.7.

II. PAZ – SUAS MANIFESTAÇÕES

Aqueles que receberam o dom da paz, em seus corações, por meio de Jesus, agora são instrumentos da paz. E como instrumentos da paz, há da parte dele um envolvimento ativo que confronta o problema e o resolve de todo, pois o seu propósito é à busca da paz, Sl 34.14.

Portanto, suas manifestações são as seguintes:

1. O pacificador precisa saber controlar seus pensamentos e suas atitudes
O pacificador precisa saber controlar seus pensamentos e atitudes. Quando ele enfrenta uma situação problemática, ele precisa ter a capacidade de pensar friamente sobre o que Jesus faria naquela situação (paz é fruto do Espírito, Gl 5.22).

2. O pacificador deve saber como falar
Depois de ter pensado cuidadosamente sobre como reagir, ele deve saber como falar. O pacificador deve saber controlar sua língua. Tiago fala sobre os prejuízos por falta de controle na língua, Tg. 3.6.

Poder guardar segredos é uma das principais necessidades do pacificador. Este mundo seria um lugar muito mais agradável se o homem pensasse primeiro e respondesse depois.

3. O pacificador está disposto a perdoar e pedir perdão
O pacificador está constantemente disposto a perdoar e pedir perdão quando ofende alguém, Mt 5.23-24.

O pacificador não é agressivo na sua natureza e maneira de tratar outras pessoas. Ele não procura rixas com outros. Essa maneira diferente de agir é resultado da atuação do Espírito Santo em sua vida. Ele é um pacificador porque ele procura a paz através de maneiras práticas. Esta disposição de promover a paz é em razão de ser uma nova criatura em Cristo. Nossas ações e atitudes são indicadores da nossa filiação, I Co 14.33.

III. PAZ – SUA RECOMPENSA

Ser pacificador não é uma tarefa fácil, mas necessária e poderíamos até dizer, obrigatória para alguém que se diz crente. A paz que devemos estabelecer é a que deriva de relacionamentos corretos entre  os membros da família humana. Se trabalharmos em prol da reconciliação, teremos a nossa recompensa – seremos chamados filhos de Deus. Paz é uma condição de amizade com Deus. A verdadeira paz é marcada pela intimidade paterno-filial com o Pai – mulheres e homens que, de tão amigos de Deus, “serão chamados filhos de Deus”.

Carlos Queiroz escreveu – “Jesus, o príncipe da Paz, preferiu a cruz a apelar para a espada de Pedro, ou mesmo uma legião de anjos para guerrear em seu favor”.[2]

Ser pacificador recebe a promessa de serem declarados filhos de Deus no juízo final – “O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”, Ap 21.7.

PARA CONCLUIR:

Esta bem-aventurança, uma vez mais lembra-nos que isso é absolutamente impossível o homem sem Cristo ter e ser um pacificador. Somente a pessoa espiritualmente renovada pode ser um pacificador. Pregar o evangelho, é o maior ato em prol da paz verdadeira.

Entretanto, de nada adianta pregar um evangelho da paz (dizer que sou crente) e não viver em paz com meu semelhante, pois minhas atitudes desfazem minhas palavras. O discípulo é feliz por ser um habilidoso construtor da paz; sua realização, sua bem-aventurança, consiste em ser pacificador. Sente-se realizado, de bem com a vida, quando, usando sua genialidade criativa, equaciona uma perfeita parceria entre a paz e a justiça.

O verdadeiro pacificador é aquele que experimentou a obra de Deus em sua vida, que recebeu a paz de Deus, e empenha-se de todas as formas para que as pessoas possam também recebê-la, ao mesmo tempo em que vive em paz com o seu próximo.

Toda a resposta positiva indica que você é um pacificador e que é filho de Deus. Qualquer resposta negativa indica que você precisa ter um encontro real com Deus para que goze de paz no coração e saiba compartilhar a paz com os outros.



[1] BARCLAY, Willian. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. p.67. Edições Vida Nova.
[2] QUEIROZ, Carlos. Ser é o Bastante, p. 101. Editora Ultimato



domingo, 13 de novembro de 2011

O Dia de Pentecostes - Postado por Augustus Nicodemus Lopes


Fiquei envergonhado comigo mesmo uns cinco meses atrás - mais especificamente no domingo 12 de junho. Era o dia de Pentecostes no calendário litúrgico cristão e eu havia me esquecido. Lembrei-me que era o dia dos namorados, mas não que era o dia de Pentecostes.



Faço parte daquela grande maioria de evangélicos reformados que não prestam muita atenção ao chamado calendário litúrgico da Igreja. Acho que em parte é uma reação, por vezes inconsciente, contra os abusos deste calendário praticados pela Igreja Católica.

Mas o fato é que esta data, dia de Pentecostes, está razoavelmente firmada na história. Pentecostes era a festa dos judeus celebrada 50 dias após a Páscoa. E foi durante uma celebração destas que o Espirito Santo de Deus veio sobre os apóstolos e os 120 discípulos em Jerusalém, cerca de 50 dias após a morte do Senhor, de acordo com Atos 2:1-4. Os cristãos se interessam pela data, portanto, por este motivo e não pela festa de Pentecostes em si.

A descida do Espírito naquele dia marcou o início da Igreja Cristã. Todavia, este que foi um evento da mesma magnitude que a morte e a ressurreição do Senhor Jesus, acabou se tornando motivo de polêmicas e controvérsias em meio à Cristandade, apesar de existir um bom número de pontos em comum entre os evangélicos sobre Pentecostes.

Podemos, por exemplo, concordar que a vinda do Espírito representou o início da Igreja Cristã. Concordamos que ele veio para capacitar os discípulos com poder para poderem pregar o Evangelho ao mundo, que Ele agora habita na Igreja de Cristo, isto é, em todos que são realmente regenerados. Confessamos que Ele concede dons espirituais ao povo de Deus, que Ele nos ilumina, santifica, guia e consola em nossas tribulações. Concordamos que devemos buscar a plenitude do Espirito mediante a oração. Cremos que nossos pecados entristecem o Espírito. Sabemos que o Espírito nos sela para a salvação, que é o penhor, a garantia que Deus nos dá de que haveremos de herdar o Seu Reino.

Todavia, em que pese este consenso não pequeno, permanecem diferenças de entendimento sobre diversos aspectos da obra do Espírito e o significado histórico-teológico de Pentecostes. Vamos encontrar homens de Deus, sérios, dedicados e usados por Deus em lados diferentes. Ainda que brevemente, vou enumerar algumas destas diferenças e expressar a minha opinião.

1 - Quanto ao significado histórico de Pentecostes. Para muitos, o que aconteceu em Pentecostes é um paradigma, um modelo e um padrão para hoje. A descida do Espírito, o revestimento de poder e as línguas faladas pelos apóstolos estão hoje à disposição da Igreja exatamente como aconteceu naquele dia no cenáculo em Jerusalém. Os que assim acreditam se caracterizam pela busca constante desta experiência. Para eles, a Igreja ficou sem o Pentecostes por quase dois mil anos, e foi somente em 1906, no chamado avivamento da Rua Azusa 312, em Los Angeles, Estados Unidos, que ele retornou à Igreja, e tem se repetido constantemente entre os cristãos de todo o mundo.

Do outro lado há os que pensam diferente, como eu, por exemplo, mas que crêem que podemos experimentar a plenitude e o poder do Espirito Santo hoje. Desejo isto e busco isto constantemente. Todavia, não creio que cada enchimento que eu ou outro irmão venhamos a ter é uma repetição de Pentecostes, mas sim uma apropriação pessoal daquele evento, que aconteceu de uma vez por todas e que não tem como se repetir. Pentecostes foi o cumprimento das promessas dos profetas do Antigo Testamento de que o Messias derramaria Seu Espírito sobre Seu povo. Foi assim que Pedro entendeu, ao dizer que a descida do Espírito era o cumprimento das palavras de Joel (Atos 2). Pentecostes é um evento da história da salvação e à semelhança da morte e da ressurreição de Cristo, ele não se repete. E da mesma forma que hoje continuamos a nos beneficiar da morte e da ressurreição do Senhor, continuamos a beber e a nos encher daquele Espírito que já veio de um vez por todas ficar na Igreja. E eu creio que neste ponto podemos todos concordar.

2 - Não há consenso, igualmente, em como designar o enchimento do Espírito. Alguns irmãos chamam esta experiência de plenitude e revestimento de poder de "batismo com o Espírito". Outros, entre os quais me incluo, não estão certos de que esta designação é a mais correta. Ninguém discute que devemos buscar esta plenitude. Eu quero ser sempre cheio do Espírito. Mas não acho que devamos chamar o enchimento de "batismo". Meus motivos para isto estão num artigo que escrevi comparando a posição de John Stott e Martyn Lloyd-Jones. Fico com Lloyd-Jones que enfatiza a necessidade de buscarmos este enchimento como uma experiência distinta da conversão, mas fico com Stott em não chamá-la de batismo. Apesar da diferença de nomenclatura, acredito que estamos juntos neste ponto, que todos precisamos nos encher constantemente do Espírito de Deus.

3 - Há diferença também quanto aos sinais miraculosos que acompanharam a descida do Espírito. Alguns acreditam que falar em línguas é o sinal externo da descida do Espírito sobre uma pessoa. Assim, buscam esta experiência constantemente e encorajam os novos convertidos a fazer o mesmo. Eu, contudo, não encontro na Bíblia evidência suficiente que me convença que a plenitude do Espírito sempre será seguida pelo falar em línguas e que devemos buscar falar em línguas como um dos melhores dons. Em Pentecostes houve outros sinais além das línguas, como o som de um vento impetuoso e a aparição de línguas de fogo, que aparentemente não são repetidos nas experiências de hoje (salvo desinformação de minha parte). A minha dificuldade e de muitos outros é que não conseguimos ver nas cartas do Novo Testamento qualquer orientação, ordem ou direção para que aqueles que já são crentes busquem o batismo com o Espírito seguido pelas línguas. O que eu encontro são ordens para nos enchermos do Espírito, andarmos no Espírito, vivermos no Espírito e cultivarmos uma vida no Espírito. Bem, este ponto é mais controverso e acirra mais os ânimos do que os anteriores. Ainda assim existe o consenso entre nós de que sem os dons do Espírito a Igreja não tem como realizar sua missão aqui neste mundo.

Lamento tão somente que, apesar de termos tanta coisa em comum quanto ao Espírito, acabemos divididos por uma atitude de arrogância espiritual por parte daqueles que acham que somente eles conhecem o Espírito, e pela atitude de soberba daqueles que se consideram teologicamente superiores aos ignorantes que vivem à base de experiências.

Minha oração é que todos os que verdadeiramente crêem no Senhor Jesus e o amam de todo o coração, apesar das diferenças, glorifiquem ao Pai e ao Filho por terem enviado o Espírito Santo para santificar, capacitar e usar a Sua Igreja neste mundo.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A ARROGÂNCIA HUMANA - Tiago 4.13-17


Em linhas gerais, todo mundo sonha e faz plano. Seja em sua vida particular, familiar, profissional etc., as pessoas de diferentes lugares, vivem na expectativa de alguma coisa. Alguém já disse que este é o sinal maior da nossa existência, de maneira que, quando alguém pára de sonhar, possivelmente, não está de bem com a vida e começa a morrer. Aliás, este é um dos sintomas daqueles que se encontram estressados e desanimados com a vida.

No início de cada ano, é muito comum encontrar sonhadores que esperam novas oportunidades e grandes desafios. Uns querem se mudar, outros aguardam um ano melhor; alguns querem obter grandes lucros, outros, pretendem mudar de vida: casar, vencer um vício, arranjar um novo emprego, fazer um novo curso etc. Até aí, tudo bem.

Porém, isto nem sempre depende da gente. Dizia Salomão que “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Pv 16.1). Aqueles, portanto, que confiam em si mesmos, tendem a sofrer grandes decepções. “É o problema dos presunçosos e arrogantes que, sentindo-se donos do mundo, vivem de reivindicações, como se dissessem: “eu tenho a força”, ou citando distorcidamente as Escrituras dizem: “ tudo posso naquele que me fortalece”. Aliás, esta interpretação deficiente é que move os adeptos da teologia da Confissão Positiva.

Já no primeiro século, o apóstolo Tiago aborda este assunto, trazendo uma séria exortação aos que se alimentam da arrogância para sustentar os seus projetos de vida. E então, vamos considerar este tema?

Tiago é um dos poucos autores bíblicos a se referir a atividades comerciais. Porém, sabe-se que, no primeiro século, houve um progresso considerável do setor comercial. O imperador romano Cláudio (44-45 a.D), por exemplo, estimulou sobremaneira o transporte fluvial, facilitando a remoção das produções, uma vez que o transporte por terra era muito dispendioso. Naturalmente, muitas viagens perigosas ofereciam riscos constantes aos viajantes. Além de proporcionar a movimentação de pessoas e recursos, transportava também problemas de toda ordem. É o alto preço do progresso que, vezes em conta, leva a reduzir o custo-benefício do comércio. Muitas vidas foram vítimas de naufrágios ou engolidas pelas fortes correntezas e inundações. Na linguagem popular, pode-se dizer que “muitos sonhos e planos foram por água abaixo”.

Enquanto os comerciantes se gloriavam nas suas conquistas, o apóstolo Tiago apresentava uma séria advertência que continua a incomodar a quantos que confiam em si mesmos sem perceber que a vida possa como uma neblina que logo se dissipa, Afinal, “que é a vossa vida?” – pergunta Tiago.

As colocações do apóstolo merecem toda a nossa atenção. Sobretudo, daqueles que se encontram envaidecidos e exaltados pelo que conquistam ou pelo que possuem e concentram os seus esforços em suas posses, planejando grandes lucros em seus negócios. Esta mensagem não se envelhece com o tempo. Aliás, a cada dia se torna mais atual e necessária ao nosso tempo, onde as pessoas perdem de vista a perspectiva do além, deixando-se dominar por muitas sutilezas e superenfatizando as coisas efêmeras e passageiras da vida. Na verdade, Tiago parece ser um dos nossos contemporâneos. Ele ensina a respeito desta inquietante questão da vida nossa de cada dia, orientando-nos quando às seguintes questões:

1. A INSTABILIDADE DA VIDA

Tiago pretende ensinar que a nossa vida é muito instável, sujeita a inúmeras situações adversas. Ao levantar a questão: “que é a vossa vida?”, o apóstolo faz uma feliz comparação, utilizando uma figura comum da natureza, ou seja, uma neblina que possa e logo se dissipa. Ensina o apóstolo que a arrogância humana não combina com a vida que é tão instável. Frente a esta terrível realidade, o homem não tem motivos para se exaltar. Observa-se, a partir daí que:

1.1 A vida é muito frágil – Tal qual alguns produtos, deveríamos carregar conosco a seguinte recomendação: “Cuidado, frágil”. Vidas são ceifadas de diferentes maneiras. Algumas bastantes jovens ou através de situações quase inexplicáveis. Na verdade, a nossa vida vive a um pequeno fio que, ao se romper, tudo está terminado. Somos criaturas inteligentes sim, porém muito sensíveis.

1.2 A vida é muito breve – Quando pensamos na idade da terra, somos levados a perceber que a vida humana – mesmo que alguns poucos ultrapassem a casa dos 100 anos – é muito curta e passa velozmente. São muitas as figuras bíblicas que descrevem a brevidade da vida, por exemplo, a sombra, a lança, a corrida, o vapor etc. O salmista dizia: “Diante da tua presença o tempo de minha vida nada é” (...) “como é breve a minha existência” (SI 39.5; 89.47). Semelhantemente, dizia Moisés: ...”acabam-se os nossos anos como um breve pensamento (...) pois tudo passa rapidamente e nós vamos” (SI 90,10).

1.3 A vida é muito insegura – A morte é uma realidade universal comum a todos os mortais. Não são poucos os que buscam a proteção dos seguros, planos de saúde, aposentadoria etc., pois sentem quão inseguras é a existência humana. Inclusive, os cristãos que crêem na eternidade, também contam com estes recursos que se tornam indispensáveis à vida presente. Se de um lado, a ciência alcança resultados fabulosos em suas pesquisas, de outro, sentem-se acompanhada e terrivelmente ameaçada por muitas enfermidades mortais.

2. A SUBMISSÃO A DEUS

Para Tiago, os planos que fazemos só podem se concretizados se se colocarem submissa à vontade suprema do Senhor. Parece se daí, a origem da conhecida (e repetida) expressão: “ Se Deus quiser !”, que utilizamos com freqüência, apesar de muitas vezes, nem nos lembramos de consultar a Deus. E por quê?

2.1 Deus é o autor da vida – Somos criados por Deus e ele sabe tudo a nosso respeito. Desde o ventre da mãe, Deus tem um plano para cada criatura (Veja SI 139.14-16). Ou citou o apóstolo Paulo em Atenas: “ pois nele vivemos e nos movemos, e existimos, como algum dos vossos poetas têm dito: ‘dele somos geração” (At 17.28). Infelizmente, milhões de pessoas não nascem, porque criminosos interrompem a gestação de muitas vidas, e o Brasil, lamentavelmente, é o campeão mundial na prática de abortos. Deus nos fez e conhece todas as nossas necessidades e haverá de revelar aos seus filhos a sua vontade.

2.2 Deus é o preservador da vida – Nada acontece por acaso, como obra do destino ou mera coincidência. Cremos na providência de Deus e descansamos em seu cuidado, proteção, companhia. Ele é, de fato, o Deus Emanuel, Deus conosco, que controla todas as coisas e exerce o seu domínio sobre todas as coisas. Um exemplo mencionado por Jesus, diz respeito aos lírios do campo e às aves dos céus: “olhai os lírios co campo” (...) olhai as aves do céu” (Mt 6.25 - 34). Se Deus cuida deles de uma forma especial, imagine o quanto Deus faz em nosso favor, como criaturas feitas à sua imagem e semelhança !.

2.3 Deus é o Senhor da vida – Disse Jesus: “ toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18). E o apóstolo menciona que todo joelho se dobrará e toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fp 2.10,11). Aqueles que ostentam arrogância, autoconfiança, e pretensamente se colocam no lugar de Deus, precisam se voltar ao poder do Deus todo-poderoso e que domina sobre tudo e todos.

3. INCERTEZA DO FUTURO

Afirma o apóstolo Tiago: “vós não sabeis o que sucederá amanhã”, É interessante observar que, por quatro vezes, ele utiliza o verbo “fazer”, denunciando a disposição das pessoas de seu tempo em fazer, em projetar, em executar, esquecendo-se de que o futuro é sinônimo de incerteza e não se encontra disponível às pessoas. Mais do que isto, pode-se verificar no texto que:

3.1 O futuro pertence a Deus – Quando entregamos a nossa vida ao poder e domínio do Senhor, aprendemos a lhe entregar todas as nossas necessidades e a lhe confiar todas os nossos dias. Compreendemos, então, que o futuro se encontra nas mãos de Deus. Ensinou o Mestre dos mestres: “ não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; gasta aos dia o seu próprio mal” (Mt 6.34). Semelhantemente, recomenda o sábio: “não te glories no dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz” (Pv 27.1).

3.2 Os valores espirituais merecem a prioridade da vida – O texto não condena fazer planos, almejar melhores resultados nos negócios, melhorar o padrão de vida, ou mesmo possuir riquezas. Condena sim, a arrogância que fazem destas coisas o seu alvo principal de vida, esquecendo-se de que os verdadeiros valores são de ordem espiritual, e estes precisam ocupar a primazia de nossa vida. Critica Tiago aqueles que são tão autoconfiantes, que terminam por abandonar a Deus e os seus valores. Segundo o apóstolo, esta arrogância ou pretensão é jactanciosa (vaidosa, presunçosa, arrogante), é maligna, e se constitui em amor ao mundo (Veja l Jo 2.15 - 17). Ou como a personagem mencionada por Jesus que obteve muitos lucros, mas esqueceu-se do principal: “Louco, esta noite te pedirão a sua alma e o que tens preparado para quem será” (Lc 12.20).

3.3 Deve-se fazer o bem aos outros – Conclui Tiago, condenando os mercadores que deixam de fazer o bem com os seus benefícios. Lamentavelmente, torna-se comum a busca de lucros às custas dos outros e sem uma preocupação com o bem-estar social. Isto é próprio de modelos, tal como aquele adotado pelo governo atual, onde o progresso é construído com um alto custo social; o cidadão comum é transformado em consumidor, as pessoas sofridas (desempregados, favelas, mendigos, sem-teto, sem-terra etc.) são tidas apenas com um mero detalhe, podendo até ser abandonadas ou eliminadas em nome do desenvolvimento. Ao contrário, ensina a Palavra que os nossos ganhos devem ser repartidos e compartilhados com os necessitados: “... trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28). Aliás, não é este o modelo bíblico de igreja? (At 2.42-47; 4.32-35). Que o Senhor nos ensine a dar uma dimensão de um amor social e político ao nosso trabalho!






AS SETES RAZÕES PARA NÃO CHAMAR MÚSICOS DE IGREJA DE LEVITAS!


Sei que esse assunto já foi batido e rebatido várias vezes, por isso é possível que esse texto não apresente nenhuma novidade para alguns irmãos. Entretanto, gostaria de compilar aqui algumas das melhores razões para não usarmos a expressão levita para designar as pessoas que tocam e cantam no “período de louvor”. E mesmo que você não use o termo, proponho que leia pelo prazer de ver a história da salvação se desenrolando na figura do sacerdote.

Com isso, desejo não apenas levar irmãos a repensarem esse costume, mas também mostrar que a teologia por trás do sacerdócio levítico é muito mais bela, ampla e grandiosa do que parece. Quero deixar claro (antes que alguém objete) que uma igreja pode usar essa expressão e ainda realizar cultos de adoração verdadeira, e que ninguém será condenado pelo uso do termo. Entretanto, não há nenhuma boa razão para cometer esse erro deliberadamente. E, creio, qualquer desvio do ensino bíblico, mesmo os que parecem mais simples, podem ser portas para distorções perigosas. Por isso, sugiro que líderes e pastores levem em consideração o que está exposto aqui.

1) Nem todos os levitas eram músicos

A Bíblia relata, é verdade, que existiam levitas envolvidos com a música no antigo Israel. Vemos corais e bandas formados por membros da tribo de Levi e voltados exclusivamente para esse ministério. Entretanto, também lemos sobre levitas que cuidavam de outras atividades cultuais, como o sacrifício, e aqueles que se envolviam em tarefas administrativas e operacionais.

Sei que alguns defensores da expressão “levita” sabem disso. (Por exemplo, o polêmico concurso “Promessas” admite isso em seu site oficial). Ainda assim, preferiu-se ignorar todas as outras funções associadas ao ministério levítico e concentrar-se apenas nessa. Por quê?

Alguns entendem que é por estrelismo dos músicos, mas prefiro pensar que há um motivo mais profundo – a valorização medieval de funções “sagradas” em detrimento de funções “seculares”. Varrer o chão, organizar culto, carregar coisas – qualquer um faz. Adorar, somente os crentes. Há um fundo de verdade aí, mas também há uma ignorância quanto ao chamado geral de Deus para humanidade. Tanto o administrador quanto o zelador podem glorificar a Deus em suas respectivas funções. Isso não é um culto público, mas é um culto.

Assim, alguém responsável por assuntos cotidianos como arrumar cortinas do templo poderia “ser tão adorador” quanto Asafe, o compositor. E um músico no culto público pode estar profanando o nome de Deus – se seu alvo não for a glória do Criador.

2) O chamado levítico originalmente envolvia toda a humanidade

Um dos assuntos mais interessantes da Bíblia é a teologia do local de adoração. Quando Adão e Eva foram criados, eles receberam um chamado de glorificar a Deus por meio do casamento e da procriação, do domínio sobre a natureza e do descanso no sétimo dia. E eles foram colocados em um Jardim, onde poderiam adorar o Criador e exercer a função de guardar e cuidar do Éden.

Algo que passa despercebido pela maioria dos cristãos é que Moisés e outros autores bíblicos repetiram certas expressões e símbolos sobre o Jardim do Éden quando falavam sobre o tabernáculo e o templo. Ou seja, o Éden era um “templo” que deveria ser guardado pelos primeiros levitas – Adão e Eva. O termo “lavrar e guardar” (Gn 2.15) é a mesmo usado para as funções dos levitas em Números 3.7-8, 8.26 e 18.5-6. O chamado de adoração e cuidado com o “templo” é um chamado geral, dado a nossos primeiros pais, assim como o casamento, a família, o trabalho e o descanso.

“Se o Éden é visto como um santuário ideal, então talvez Adão deva ser descrito como um Levita arquetípico” (Gordon J. Wenham)1

3) O levita tinha um papel de mediador, assumido por Cristo

Como ungidos do Senhor, os levitas tinham um papel de mediar a Aliança entre Yahweh e o povo de Israel. Eles não eram simplesmente pessoas que “ministravam a adoração” para a congregação. Muitos veem o povo realizando sacrifícios e entendem que aquilo era o paralelo de nossos momentos de louvor hoje. Há certa relação, mas os sacerdotes faziam muito mais.

Como mediadores, eles exerciam o papel de representar Deus para o povo e representar o povo para Deus. É por isso que esse era um cargo de extrema importância e perigo. Se o levita chegasse contaminado na presença de Deus, ele estava dizendo que a nação estava em pecado. Se ele chegasse maculado na presença de Israel, era uma blasfêmia – “Deus” estava corrompido. Eles não estavam simplesmente realizando cultos, eles tornavam o culto possível.

Hoje, esse papel é cumprido perfeitamente por nosso sacerdote e cordeiro Jesus. Como perfeito Deus e perfeito homem, ele pode posicionar-se como representante de Yahweh diante do povo e representante da igreja diante de Deus. Como afirma o Apóstolo, “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tm 2.5). Assim, o ministro de louvor hoje é meramente alguém dependente do verdadeiro mediador, aquele que torna o culto possível, o Senhor Jesus.

4) Jesus não é representante do sacerdócio levítico

Entretanto, apesar de sacerdote, Jesus não pode ser considerado um levita. Um motivo para isso é biológico – ele não é descendente de Levi, mas de Judá. Como ele poderia assumir a função sacerdotal? O segundo motivo é teológico. O autor de Hebreus ensina que Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5.10).

O Salmo 110 (não sem motivo o texto do Antigo Testamento mais citado no Novo) nos fala de um rei-sacerdote que se assenta no trono de Davi. De fato,o próprio Davi cumpriu certas funções sacerdotais sem ser realmente um levita. Como isso seria possível? Isso acontece porque esse sacerdote é da mesma ordem de um misterioso personagem de Gênesis 14, um rei de Salém (note as sílabas finais de uma tal Jerusalém) chamado Melquisedeque.

Esse personagem, por estar envolto em tanto mistério, é considerado uma figura de Cristo. Ele era “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus” (Hb 7.3) e tanto rei de justiça, quanto de paz (7.2). Assim,valorizar demais o sacerdócio levítico pode nos levar a renegar uma ordem superior, a de Melquisedeque, por quem vem a perfeição (Hb 7.11).

5) A Nova Aliança, da qual fazemos parte, tornou o sacerdócio levítico caduco

O autor de Hebreus vai mais além e diz que o sacerdócio da ordem de Arão foi revogado. Diante da superioridade de um sacerdote que é eterno (Hb 7.24), mediador de uma Aliança superior (Hb 8.6), ele conclui que o sistema anterior era fraco e não podia aperfeiçoar (7.18,19).

Usando o relato sobre Abraão e Melquisedeque, o autor de Hebreus mostra que, quando o Patriarca entregou seus dízimos ao Rei de Salém, estava ali comprovado que o sacerdócio levítico era inferior ao sacerdócio de Jesus. Como assim? Ele explica que a tribo de Levi era responsável pelo recolhimento do dízimo no antigo Israel. Mas o que vemos em Gênesis? Um antepassado dos levitas entregando as ofertas e sendo abençoado por outro sacerdote! Levi, ainda nos lombos de Abraão (7.10), colocou-se debaixo da autoridade de Melquisedeque. Como sabemos, somente o maior abençoa o menor (7.7).

Assim, depois dessa interpretação pouco usual (mas inspirada), o autor de Hebreus conclui – a Nova Aliança envelheceu a primeira, que está velha e prestes a acabar (8.13). Assim, fazer referência a essa instituição em cultos neotestamentários é exaltar as sombras que passaram, que não aperfeiçoam (10.1) e são fundadas no que é terrestre e passageiro (8.2).

6) Em Cristo, todos somos sacerdotes

Unidos a Cristo, somos tratados como portadores de sua perfeita vida de obediência e, assim, podemos ser considerados sacerdotes. Um dos chamados de Israel era ser um reino de sacerdotes (Êx 19.6) – justamente a posição que Adão falhou em cumprir. O apóstolo Pedro aplica essa expressão à igreja e afirma que somos sacerdócio real (1 Pe 2.9).

Da mesma forma que a humanidade foi chamada, no primeiro Adão, para guardar o Éden, a nova humanidade, no último Adão, é chamada a ministrar na Nova Criação. Todos os crentes são chamados a adorar e oferecer sacrifícios (Rm 12.1), não apenas uma classe especial de pessoas. É isso que chamamos de sacerdócio universal dos crentes.

7) Cria uma divisão entre crentes “levitas” e “não-levitas”

A última razão é mais prática que teológica. Em muitas igrejas, essa separação entre “ministros de louvor” e a congregação gera uma perigosa classificação de espiritualidade. É claro que pessoas que se colocam à frente da congregação (e, de certa forma, ensinam e lideram o rebanho) devem tomar um cuidado especial em relação a suas atitudes e serão responsabilizados mais rigorosamente.

Entretanto, isso não coloca necessariamente os cantores e músicos em algum tipo de posição diferente, como alguém mais consagrado, um foco maior de ataques do inimigo, imune à críticas, etc. Tanto pastores, quanto músicos e “leigos” são aceitos por Deus por meio da fé em Cristo, porque ele viveu e morreu de forma perfeita por nós. Diante de Deus, todos têm 100% de aprovação.

Ao mesmo tempo em que músicos e cantores devem estar atentos para que não caiam, eles precisam se lembrar de que a cruz nivela tudo – somos todos merecedores da ira eterna, somos todos considerados perfeitos por Deus. Em Cristo, não em Levi, todos somos templo,sacrifício e sacerdotes. Se Deus nos uniu assim, quem somos nós para separar?

Em Cristo, não em Levi, todos somos templo, sacrifício e sacerdotes. Se Deus nos uniu assim, quem somos para separar?

Retirado do Genizah, que Hiper,mega Indico: http://www.genizahvirtual.com/


CONTENTAMENTO – UM MODO SUPERIOR DE VIDA Filipenses 4.10-13


INTRODUÇÃO

Deus tinha resgatado milagrosamente os israelitas da escravidão.
Ele tinha aberto o Mar Vermelho para que eles pudessem escapar da perseguição do exército egípcio. Ele os conduziu, alimentou-os, deu-lhes água, e prometeu conquistar para eles uma terra onde manava leite e mel. Para uma nação que poucos meses antes não tinha esperança de jamais escapar das garras dos senhores egípcios, isso era bom demais para parecer verdade.

Incrivelmente, contudo, este povo constantemente resmungava e se queixava quando andavam através do deserto. Eles nunca estavam satisfeitos com o que o Senhor tinha providenciado. Eles até se queixavam de que o alimento que o Senhor provia era enjoativo e lhe faltava a deliciosa variedade que eles tinham lá no Egito. Em mais de uma ocasião os israelitas desejaram voltar à terra da escravidão. De fato, uma vez até falaram do Egito como sendo a terra onde manava leite e mel e sugeriram que Moisés os estava conduzindo na direção errada - “porventura, é coisa de somenos que nos fizeste subir de uma terra que mana leite e mel, para fazer-nos morrer neste deserto, senão que também queres fazer-te príncipe sobre nós?” (Números 16:13)!

A constante queixa dos israelitas parecia absurda - Depois de tudo o que o Senhor tinha feito por eles, deviam estar transbordantes de gratidão.

E quanto a nós? - Vivemos em algo mais substancial do que tendas e temos mais variedade em nossa dieta do que maná e codorna. O Senhor proveu um meio de sermos libertados de uma servidão muito mais devastadora do que a escravidão física do Egito, Gálatas 5:1

Todos nós devemos estar contentes (1 Timóteo 6:6-8; Hebreus 13:5). Existem três áreas da nossa vida em que devemos manifestar total contentamento, por que esta é a vontade de Deus – “em tudo dai graças”

1. contentamento com nossas bençãos materiais
A Bíblia nos ordena que estejamos contentes com o que temos:
a) Seja a vossa vida sem avareza, Hebreus 13.5.
b) apreendi a viver contente em toda e qualquer situação, Filipenses 4.11;
c) contentai-vos com o vosso soldo. - Lucas 3.14

Uma falha em estar contentes leva a múltiplos problemas: queixa, aflição, inveja, ingratidão, cobiça, etc. Aqueles que não estão contentes compram coisas que não podem pagar e depois tentam conseguir uma maneira de pagar mais tarde. 

Pensamos que há um grande problema quanto a estar contente com nosso nível de prosperidade - "Não temos o suficiente... mas se conseguíssemos um pouco mais então ficaríamos contentes".

Que mentira! Se não estou contente com o que tenho no momento, eu não ficaria contente (por mais do que um ou dois dias) com o dobro disso.

O escritor de Eclesiastes foi claro, Eclesiastes 5.10; 6:7 - Contentamento material nada tem a ver com quanto temos; se tivesse, os israelitas teriam estado contentes e também nós.

O contentamento depende de nossa atitude quanto ao que temos - Em vez de querer o que não temos e não podemos ter, precisamos aprender a querer o que temos. Existem razões sérias para estarmos contentes com nossa prosperidade material? Existe sim!!!

- É um modo de vida superior, Ec 4:6. - Aqueles que estão sempre querendo mais tornam-se infelizes e, mesmo assim, raramente ganham o que estão buscando.

- Temos o suficiente, 1 Timóteo 6:6-8 - É verdadeiramente notável quantas coisas algumas pessoas esperam da vida. Pensamos que merecemos todas as coisas que estamos buscando? Quando nos compararmos com alguém como Paulo, ou como os israelitas no deserto, devemos envergonhar-nos de nossa insatisfação e estar determinados a apreciar e ser gratos pelas coisas que o Senhor nos tem dado.

- Uma falta de contentamento é uma manifestação de cobiça, que é uma forma de idolatria, Efésios 5:5 - Não estamos contentes porque temos desejos insatisfeitos, e os temos porque somos gananciosos.

- Quando Deus está conosco, nada mais é importante, - Hebreus 13:5-6 - Pensaríamos que é absurdo se um homem que acabasse de ganhar um milhão de reais se irritasse por ter sido enganado em uns poucos reais, ou se irritasse muito por causa de qualquer coisa. A grande bênção de receber tanto dinheiro deveria tender a fazer com que outras frustrações se reduzissem a nada.  Ter Cristo é muito mais do que ter um milhão de reais. Devemos estar contentes com ele, contentes até mesmo só com ele.

2. contentamento com limitações pessoais

Todos os homens têm certas limitações pessoais - Elas podem ser limitações de capacidade, de educação, de ambiente, etc. Precisamos não permitir que estas limitações nos causem descontentamento. Em 2 Coríntios 12, Paulo sentia um doloroso espinho em sua carne. A natureza exata do espinho de Paulo é desconhecida, e como resultado, ela serve de excelente modelo para qualquer situação penosa que enfrentemos, 2 Coríntios 12.9-10.

Paulo reagiu adequadamente - Afinal, o Senhor em sua providência governa o universo. Se ele permite que alguma limitação pessoal nos aflija e lhe pedimos que a tire de nós e ele não tira, então precisamos nos lembrar de que o propósito de Deus é superior ao nosso.

O descontentamento com limitações pessoais leva a muitos erros - O homem com um talento, em Mateus 25, usou sua incapacidade como desculpa para não servir em nada ao senhor. Muitos pensam que se não podem fazer alguma grande coisa para o Senhor, não podem fazer nada mesmo.

Alguns permitem que deficiências pessoais os levem a justificar seus pecados - Eles se sentem como se suas circunstâncias limitadas façam deles exceções para os mandamentos do Senhor.

Outros sentem-se tristes consigo mesmos e murmuram e se queixam - Algumas pessoas até se tornam invejosas de outras que não têm a limitação com a qual elas sofrem. Mas desde que o Senhor é responsável por governar o universo, eu deveria estar contente e regozijar-me em qualquer situação, sabendo que ele é mais sábio do que eu.

3. contentamento com as circunstâncias

Deus permite que os cristãos passem por circunstâncias frustrantes - Quando Paulo escreveu Filipenses 4.11-12 ele estava na prisão, e tinha estado por muitos anos. Mas ouça o que ele disse (...)

A prisão deve ter sido terrivelmente frustrante para um homem que passou sua vida viajando para visitar os irmãos e para desbravar novos territórios para o evangelho. Não obstante, ele declarava que sua prisão tinha feito o evangelho progredir ainda mais (veja Filipenses 1:12-20 para pormenores).

Onde estivermos, podemos servir o Senhor. Precisamos nunca usar nosso ambiente como desculpa para o pecado.

A mais baixa classe social do Império Romano era a dos escravos - É difícil para nós que conhecemos somente uma vida de liberdade imaginar como seria degradante existir como propriedade pessoal de alguém. Contudo, Paulo escreveu: "Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade" - 1 Coríntios 7.21.

Não é que devemos evitar tirar vantagem de oportunidades para melhorar nossas circunstâncias, mas sim que, quando isto não pode ser feito, não devemos nos afligir por isso.

Afinal, o Senhor precisa de bons escravos cristãos - Lembrar o domínio soberano do Senhor deve ajudar-nos a descansar nele e deixar de atormentar-nos pelas limitações causadas por nossas circunstâncias, Romanos 8:28.

Há uma área na qual o contentamento precisa ser evitado: é nas coisas espirituais.

Quando a igreja de Laodicéia decidiu sentar-se e descansar porque pensava que tinha tudo -  Apocalipse 3:14-22, - isso era um engano terrível!
a) O contentamento espiritual é um sintoma de orgulho (Lucas 18:11-13).
b) O homem com a atitude adequada sempre se verá ainda longe da meta e estará constantemente redobrando seus esforços para crescer (Filipenses 3:12-14; 2 Pedro 3:18).

conclusão

Estamos contentes? Os israelitas, no deserto, deviam ter apreciado tanto as bênçãos do Senhor que nenhuma queixa jamais passasse por seus lábios. Em vez disso, desejavam sempre mais e mais e logo ficaram chateados com o Senhor. Nós que vivemos melhor que numa tenda, comendo mais do que maná, e tendo água boa todos os dias, temos ainda menos razão para murmurar. Estamos contentes?