domingo, 16 de outubro de 2011

ESTUDO Nº 05 - OS MANSOS – UMA ATITUDE DE CORAÇÃO (Mateus 5.5)


INTRODUÇÃO


Uma das virtudes que a humanidade mais perdeu com a queda e de que mais necessita para resolver e apaziguar os seus conflitos pessoais e relacionais é a mansidão. Mas uma vez o Senhor Jesus choca os seus ouvintes, quando os mesmos o ouviram dizer, em sua terceira afirmação sobre as bem-aventuranças, que não os valentes, mas os mansos os que deveriam ser considerados felizes.


È importante perceber que as bem-aventuranças são, claramente ligadas umas as outras.


a) a primeira – os humildes – nos diz que precisamos considerar nossa debilidade e incapacidade;


b) A segunda – os que choram – afirma que a consciência disto nos leva a chorar por causa de nossos pecados e de nosso verdadeiro caráter.


c) A terceira – os mansos – nos diz que somente aquele que tem as qualidades das anteriores é que pode ser manso.

Outro fato – As duas primeiras bem-aventuranças, levam a pessoa a reconhecer a sua total dependência de Deus e buscar o consolador da sua alma – ou seja, trata-se do meu relacionamento com Deus. A terceira bem-aventurança – os mansos – trata-se do meu relacionamento com outras pessoas.

I. OS MANSOS – CONCEITOS E SIGNIFICADOS


1. O que não significa ser manso - É fácil compreender erroneamente a mansidão. Algumas pessoas acham que ser manso é o homem que não possui convicções firmes, que não toma posição em favor de nenhuma causa. Vejamos:


a) Ser manso não significa covarde - Covarde é aquele que deixa de agir motivado pelo medo, e não por autocontrole. Os covardes sequer entrarão no céu, Ap 21.8.

b) Ser manso não significa ter um temperamento calmo - Há muitas pessoas que são calmas por natureza.


c) Ser manso não significa ter personalidade débil - Há pessoas que estão sempre dispostas a abrir mão de suas convicções, opiniões, crenças, apenas para não criar problemas com outros. Debilidade de caráter, definitivamente, não significa ser manso.

2. O que realmente significa ser manso - Na língua portuguesa, e no conceito brasileiro, esta qualidade não uma boa virtude. No original, manso (praús = suave , gentil) é uma palavra usada para descrever um animal que domesticado e treinado a obedecer ao comando do seu mestre. Portanto, ser manso... 


a) Significa aquele que entende realmente qual é a sua posição - O mundo nos oferece ocasiões para perder o controle a todo instante, pois freqüentemente as pessoas tentam usurpar nossos direitos. Pela fé o crente não fica preocupado com sua posição, com seu orgulho, com seu direito de resposta. Ele sabe como e quando parar, pela graça. Prefere sofrer a injustiça a cometê-la. O mundo diz que devemos defender nossos direitos. O manso, porém, não exige a sua própria vontade, nem os seus próprios direitos. Ele está disposto à entregar o seu caso a Deus, que julga retamente, Rm 12.19-21. 


Jesus foi manso, o moderado por excelência. Isto não significa que ele nunca tenha se irado. Certamente ele se irou, mas no momento certo, na ocasião propícia, e sempre por um motivo justo, Is 53.7. 


Paul Earnhart escreveu – “Mansidão não é fraqueza... aquele que tinha 72 mil anjos sob seu comando (Mt 26.5) descreveu-se como ‘manso e humilde de coração’, Mt 11.29”.[1]

b) Significa alguém que demonstra autocontrole. - No conceito de Jesus, manso é alguém cujo intimo é dominado pelo Espírito de Deus, capaz de vencer o ressentimento e o rancor.
Isto significa que manso é o crente que tem todo o impulso e toda paixão natural sob seu controle e sabe quando deve e não deve irar-se.

Jaime Kemp escreveu – “O indivíduo manso não se zanga por insultos ou injúrias dirigidas contra ele, mas pode ficar muito zangado quando há insultos e injúrias dirigidas contra seu Rei e seu Reino”.[2]

Esta mansidão se demonstra nas relações com as pessoas que Deus coloca em nosso caminho e as circunstância da vida. Pois a mansidão tem a ver com fortaleza. Somente alguém forte consegue ter autocontrole a ponto de não revidar quando ultrajado. Isto está em perfeita harmonia com o ensino de Jesus, Mt 5.39-48.

Aristóteles, o grego, ensinou: “Homem forte não é aquele que controla os outros, mas aquele que controla a si mesmo” , Pv 16.32.

c) Significa alguém que não visa seus próprios interesses, e sim, do outro - Aquele que tem esta característica não fica zangado quando alguém usa e abusa do que lhe pertence. Podemos notar este espírito nos grandes homens de Deus: Abraão, Gn 13.8-11; José Gn 50.19-20; Davi, I Sm 24.12-15.

II. OS MANSOS – SEU GALARDÃO.


O salmista Davi afirma – “Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz”, Sl 37.11.  É interessante notar que há muitos que estão pensando conquistar um pedaço de terra, contudo, os mansos não conquistarão, e sim, herdarão. 

Mas que terra é esta que somente os mansos herdarão? A referência aqui não é terras físicas que passariam aos mansos nesta vida no sentido literal. Vejamos a declaração do apóstolo Pedro, II Pe 3.13. 


A terra já tem um dono, Sl 24.1. E esta terra ela dará como herança aos que ele determinou. Naquele dia, quando o Senhor completar sua obra, e o novo céu e a nova terra forem criados, somente seus filhos poderão desfrutar das bênçãos e do domínio do novo lar.

Para Concluir


Somente os mansos, os que sempre confiaram e esperaram em Jesus, herdarão o novo céu e a nova terra e todo o universo renovado, do qual toda a maneira de pecado e rastro de maldição foram apagados.
Como diz o hino “não é dos fortes a vitória, nem dos que correm melhor, mas dos fiéis e sinceros que seguem junto ao Senhor”.[3]




[1] EARNHART, O Sermão da Montanha, p.11.
[2] KEMP, A verdadeira Felicidade, p.22-23.
[3] CROSBY e GINSBURG, Sempre vencendo, hino 49, Novo Cântico.



A HÓSTIA — A Abominável Heresia do deus-pão


Wilhelmus à Brakel, Th. F. (1635-1711)

Até o ano 800 d.C. a doutrina da ceia do Senhor permaneceu pura, e tudo concernente a esse sacramento referia-se tão somente à sua administração, a relação entre o sinal e a matéria significada, e a eficácia de seu selo. Contudo, daquele tempo em diante, houve um gradual desvio da verdade, e os fundamentos para a mais abominável idolatria foram lançados.

Os papistas integralmente negaram a função da ceia do Senhor como selo, desde que começaram a considerar o pão e o vinho como corpo e sangue do Senhor, e assim o próprio Cristo. Além do mais, eles também defendem que cada participante, com sua boca física, participam do Cristo pleno em Sua carne ― quer dizer, Deus e homem, como foi nascido de Maria e crucificado no Gólgota — e digerem-no corporalmente.

Para dar aparência de veracidade, eles sustentam que, o padre, ao realizar a missa — resmungando sob sua respiração as palavras, "Isto é o meu corpo”, transforma o pão e o vinho na própria essência natural do corpo e do sangue de Cristo, (Sua alma e Sua divindade inclusas), e assim criam um deus a partir daquele pedaço de pão. Conseqüentemente, serão trazidos à existência tantos Cristos quanto houver hóstias sobre as quais se resmunguem aquelas palavras.

Ainda não satisfeitos com isto, eles transformam a ceia do Senhor em um sacrifício, não de louvor ou gratidão, mas como um sacrifício expiatório no sentido literal da palavra. Assim, ninguém tem o perdão dos pecados pelo sofrimento de Cristo a menos que o corpo de Cristo seja diariamente partido e sacrificado por eles. Eles não ousam dizer que o sangue de Cristo é derramado diariamente; mas, desde que o corpo de Cristo está sendo partido, é necessário que Seu sangue seja também derramado. Eles partem a hóstia — que para eles é Cristo ― sem que Cristo em Si mesmo seja partido. Como pode a hóstia ser partida, contudo sem que o corpo de Cristo seja partido, se a hóstia é o próprio Cristo? A isto eles chamam missa, na qual o celebrante (a quem eles chamam padre) permanece ante uma mesa (que eles chamam de altar) decorada com prata, ouro e outras ostentações físicas, e com imagens, cruzes, e velas acesas (até mesmo em plena luz do dia). Além do mais, o padre realiza muitas cerimônias grotescas e cômicas como remover um livro de um lugar para outro, ajoelhar-se, emborcar pedras repetidas vezes, fazer barulhos com sinos, e um resmungo por trás de suas vestes que ele levanta de trás de si. Ao fim de tudo, ele faz originar de sua hóstia um Cristo, que é um deus, o qual ele levanta acima de sua cabeça e mostra para todos os presentes com o propósito de ser adorado. Isto ele faz enquanto dobra os joelhos e sussurra baixinho, palavras com grande reverência. Depois que o deus-pão tem sido adorado, o padre o parte em pedaços, com uma simulação de membros trêmulos ― como se estivesse aterrorizado. Depois ele o come, sobre o qual esvazia a taça com uma só golada, tendo transformado o vinho no sangue de seu deus. Isto é um sacrifício para o perdão dos pecados, seja para os vivos ou para as almas no purgatório, as quais são fortalecidas por isto. Depois de concluído, ele declara ita missa est.

Eles sempre têm em suas mãos um suprimento do tal criado deus-pão. Esses mini deuses comestíveis são enclausurados em um vidro, e ocasionalmente carregados pelas ruas com grande pompa, sendo todo mundo obrigado a se ajoelhar diante desses deuses e adorá-los. Eles carregam diariamente esses deuses, tendo sido adorado pelo caminho, entregando aos enfermos os quais engolem o deus-pão como sua última refeição, ou, incapazes de fazer isso, o vomitam dentro de uma bacia com água, e ali jaz o seu deus.
Eles pronunciam o anátema ― uma maldição tão poderosa que deve ser temida tanto quanto o seu deus-pão ― sobre aqueles que não acreditam nisso, e que nunca se curvarão diante do tal deus nem o honrará de nenhuma forma. Ainda não satisfeitos em pronunciar o anátema, eles matam e, por meio de milhares de diferentes métodos de tortura, trazem ao seu fim todos os que não desejaram honrar a este deus-pão, nem se juntaram à comissão dessa abominável idolatria. Assim, a grande prostituta da Babilônia com todos os seus canibais e ébrios de sangue têm se embriagado com o sangue dos santos mártires.

Esta é a abominação do anti-Cristianismo. A grande ilusão de acreditar em mentiras, a qual Deus envia a todos aqueles que não acolheram o amor da verdade para serem salvos, (II Ts 2:10-11).

Aqueles que não querem ser eternamente condenados devem se abster dessa terrível forma de idolatria, e deveriam morrer mil mortes, a negar a Cristo e ser um participante da sua idolatria ― para ir com eles para o lago de fogo preparado para os idólatras.... “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras, e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. (Ap 21:8)



terça-feira, 4 de outubro de 2011

ESTUDO Nº 04 - OS QUE CHORAM – UMA TRISTEZA SEGUNDO DEUS (Mateus 5.4)


INTRODUÇÃO 
O mundo faz tudo para a gente não chorar. Bilhões são gastos diariamente em filmes, TV, programas, shows, livros e revistas, com uma única finalidade – fazer as pessoas rirem e ajudá-las a esquecerem sua miséria, problemas e pecados. Vivemos num mundo de prazer onde o princípio que prevalece para uma vida realizada é felicidade, alegria e divertimento.


Contudo, não é assim de acordo com o texto bíblico. A felicidade verdadeira vem através do choro. E para aqueles que somente o riso produz felicidade, leiamos a advertência de Jesus, Lc 6.25. Mas que tipo de choro se refere esta bem-aventurança? Será que todo choro é abençoado com santo consolo? O que Jesus quis dizer quando ele falou esta frase surpreendente? O que significa chorar? Como uma pessoa que chora pode ser abençoada?


I. OS QUE CHORAM - MOTIVOS
O termo que Jesus usa para a palavra “chorar”, é muito forte, ela é usada para lamento pelos mortos, lamentação por um ente querido, Gn 37.34.


Na vida, certamente, há muitos motivos para chorar (doenças, desemprego, violência, fome). Somente os alienados ou sobremodo endurecidos é que não derramam lágrimas diante do quadro que vivemos. Uma das verdades das Escrituras é que no inferno, também haverá “choro e ranger de dentes”, Mt 8.12.


O Senhor Jesus foi um homem de lágrimas. São vários os momentos em que as escrituras descrevem Jesus chorando: 
a) Jesus chorou diante do túmulo lacrado de Lázaro, Jo 11.35; 
b) Jesus também chorou devido a incredulidade de Jerusalém, Lc 19.41; 
c) Jesus Chorou ainda no jardim do Getsemâni, Hb 5.7.


Apesar do termo “chorar”, ser muito amplo, contudo, a segunda bem-aventurança ela é bem específica, Mt 5.4.


II. OS QUE CHORAM – SEU SIGNIFICADO
Todos choram por alguma coisa, mas o choro ao qual Jesus se refere é motivado por algo específico. Jesus está chamando atenção para um tipo especial de pessoa que está triste e por isso chora. Este pessoa é a pobre em espírito do estudo anterior. Ela reconhece sua falência espiritual – são felizes os que choram por causa do pecado. Uma coisa é ser espiritualmente pobre e reconhece-lo (confissão); outra é entristecer-se e chorar por causa disso (contrição).


Como escreveu David Brainerd em seu diário, a 18 de outubro de 1740 – “Em minhas devoções matinais minha alma desfez-se em lágrimas, e chorou amargamente por causa da minha extrema maldade e vileza”.[1]


Portanto, bem-aventurado os que choram de arrependimento. Pearlman escreveu: “Pessoas há que pecam sem acusarem dor na consciência. A lepra do pecado torna insensíveis as suas almas”.[2]


O Apóstolo Paulo escreveu: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte”, II Co 7.10.


Assim, há dois tipos de tristeza:
1. Tristeza do mundo - A tristeza segundo o mundo traz muitos tipos de desgraça – o divórcio, a depressão, o suicídio e a guerra. Esta é uma pequena lista das tristezas do mundo que infelizmente não trazem nenhum fruto de bem-aventurança. Esta tristeza produz mais remorso do que verdadeiro arrependimento. Remorso produz lágrimas de frustração por causa de nossas ações erradas (caso de Judas, Mt 27.4). Arrependimento produz corações quebrantados (caso de Pedro, Lc 22.62, 32).


2. A Tristeza segundo Deus - É a tristeza do arrependimento que leva a salvação, demonstrando assim uma profunda necessidade de Deus, Sl 42.2-3. É a tristeza de Pedro, que após negar tão lamentavelmente a seu Senhor, caindo em si, chorou amargamente (Mt 26.75).


Vejamos outros exemplos bíblicos desta tristeza pelo pecado: Davi, Sl 38.4,18; Isaías, Is 6.5; Paulo, Rm 7.15,18-19,24.


Como explicar esta ausência de tristeza nos corações de muitos crentes?
A falta de tristeza pelo pecado é a melhor explicação para olhos enxutos. 
O que devemos fazer então?


a) Chegar-se a Deus (Tg 4.8) - É a presença de Deus que leva o pecador a chorar, e a enormidade dos seus pecados que derruba suas desculpas mesquinhas.
b) O auto-exame (Sl 139.23-24) - O auto-exame de um coração arrependido é o caminho certo para alguém sentir pesar por causa do pecado.
c) Contemplar a glória do Senhor (Is 6.1,5) - Quando contemplamos a santidade de Deus através das Escrituras e em seguida contemplamos a vida que ele espera de cada um de nós, então é que sentimos o nosso total desamparo e desesperança (examinar Rm 7.14-24).


É importante observar que a “tristeza segundo Deus” não deve ser tão somente pelos nossos pecados, mas também, pelos pecados dos outros.
a) Jesus chorou pelos pecados dos outros, quando se aproximou da cidade de Jerusalém, por causa da sua impenitência, Lc 19,41.
b) O salmista chorava porque o povo não guardava a lei de Deus, Sl 119.136.
c) Paulo chorou por causa dos falsos pastores, Fp 3.18.


Deve haver por parte do crente esta tristeza pelos pecados dos outros – lágrimas quando vemos um irmão cair no pecado, em vez de fofoca sobre seu pecado.


III. OS QUE CHORAM – SEU GALARDÃO
Jesus disse – os que choram são felizes porque serão consolados. O segredo da felicidade não está no choro, mas no consolo dado por Deus. Consolação de acordo com os profetas do Velho Testamento seria uma das missões do Messias, Is 61.1.


O consolo prometido por Jesus, pode ser sentido tanto na vida presente, como também na vida futura:
a) Vida presente – O maior de todos os consolos é a absolvição enunciada sobre cada pecador que chora (Sl 32.1-2). A felicidade dos que se arrependem de modo sadio, bíblico e profundo será grande, Sl 51.8.
b) Vida futura – No dia da volta de Cristo não precisaremos mais chorar, pois Deus mesmo estará conosco para sempre, Ap 7.17; 21.4.


Para Concluir:
Jesus disse: “Bem-aventurados os que choram”. Esta é uma afirmação paradoxal, principalmente aos olhos do mundo que tem por felizes os que nunca precisam chorar. Mas o grande prêmio dos que choram, segundo Jesus, é que eles, e somente eles, serão consolados e por isso são felizes. Convém que meditemos sobre o quanto temos nos importado com a santidade de Deus e o quanto temos chorado por causa das pessoas que se recusam a obedecê-los.


É importante também que pensemos sobre como reagimos ao nosso próprio pecado. 
Temos lamentado? Ele tem nos causado dor? 
E que tipo de consolação temos recebido? 
A certeza do perdão dos pecados? 
Se experimentarmos isso, somos bem-aventurados!


[1] EDWARDS, A Vida de David Brainerd, p. 23.
[2] PEARLMAN, Mateus: O Evangelho do Grande Rei, p.32.