sábado, 24 de setembro de 2011

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE A EXPRESSÃO "SONHOS DE DEUS"?



Nos últimos anos tenho observado que existe uma idéia propagada no meio evangélico que se refere aos “sonhos de Deus”. Talvez este texto se torne extenso pela necessidade de se expor algumas verdades. Começamos a analisar sobre o que é um sonho e suas formas de ser.

Do ponto de vista Neurológico: É a prova real de atividade cerebral enquanto um ser humano dorme. No inicio de seus estudos, Sigmund Freud (pai da psicanálise) utilizava-se de uma técnica chamada hipnose para perscrutar as causas raiz dos problemas de seus pacientes. Com o passar do tempo, aprimorando as técnicas de averiguação, esta técnica foi descartada, pois Freud observou que os sonhos dos seus pacientes eram uma forma mais eficaz de se chegar há algumas conclusões sobre cada caso. Ele conclui que os sonhos são uma porta de acesso do inconsciente para o consciente.

Em um primeiro momento já descartamos uma das possibilidades de o todo poderoso sonhar. Ele não dorme! ... "é certo que não dormita e nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4)



Se o Senhor não dorme, então não sonha.


Do ponto de vista humano: Existe aquele sonho que chamamos de desejo, algo que almejamos muito e por vezes é impossível de ser realizado. Mas há também aquele sonho que com muita luta e esforço poderá ser realizado. Muitos de nós homens sonhadores (e é assim que devemos ser) nos pegamos sonhando acordados.


Mas será possível aplicar esta realidade ao Deus Criador? Aquele que tudo sabe? Tudo vê? Tudo pode? A resposta é Não! Em todos os textos bíblicos em que fala da vontade do Senhor para o homem, em nenhum momento está se refere a um sonho.


..."Bem sei que tudo podes e nenhum de seus planos (e não sonhos) pode ser frustrado” (Jó 42.2)


...“Porque eu bem sei os pensamentos (e não sonhos) que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperai” (Jeremias 29.11)


...“Vós não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos designei (não sonhei), para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda”. (João 15.16).


- Notas entre parênteses inseridas pelo autor.


Queridos leitores, escrevo este texto para dizer que é um erro grave dizer que Deus tem um sonho para alguém. Nas igrejas tem se cantado, tem sido pregado sobre “os sonhos de Deus” lamento informar que esta idéia não passa em um crivo teológico partindo-se de uma exegese bem feita. Alguém pode perguntar agora, e eu? Como fico?


Acalme-se! Deus não tem sonhos para você! Mas têm planos, pensamentos, propósitos, designos, e projetos como vimos nos textos acima o que é bem diferente de um “sonho”.


Concluindo: A figura “sonho” é de porte humano e não podem ser aplicados a Deus. Desafio a qualquer teólogo, aspirante, profeta, pregador, falador de Deus, bispo, padre, frade, papa, pastor, semideus etc..., a provar que estou errado.


Ajudo-os ainda dizendo que existe um termo teológico que poderia dar a entender que dizer que “Deus Sonha” é uma forma poética de se expressar. O termo é “Antropomorfismo”, mas já lhes digo que não se aplica ao todo poderoso criador quando traz o sentido de degradação.


Antropomorfismo é uma forma de pensamento que atribui características ou aspectos humanos a Deus e só se aplica quando o Senhor é exaltado. Quando dizemos que ele sonha certamente não estamos dando o devido tratamento. Portanto sugiro que os ministros de hoje revejam os seus conceitos e parem com essa discrepância. Cante e pregue de acordo com o que diz as sagradas letras.

Pensamento:
“Os sonhos de Deus jamais vão morrer por que jamais vão nascer, não existem!”

Por Gustavo Silveira
Fonte: [ Sociedade Calvinista ]
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ESTUDO Nº 03 - OS HUMILDES DE ESPÍRITO – DEPENDÊNCIA DE DEUS (MT 5.3)


INTRODUÇÃO

A idéia que domina o mundo do nosso tempo é – “você precisa confiar em si mesmo”. Os livros mais vendidos na atualidade são os que ajudam as pessoas a desenvolver uma auto-imagem positiva – você precisa despertar o deus que existe dentro de você. Até mesmo os evangélicos cantam: “você tem valor” – o lema é “chega de baixa estima, chega de falar em pecado, falemos de prosperidade, falemos de realizações e feitos poderosos”. Para o mundo, os felizes (bem-aventurados) são os ricos, os que nunca precisam chorar, os valentes, os que aproveitam á vida, os que nunca precisam abrir mão de coisa alguma. O desafio de Jesus nesta bem-aventurança é bem diferente.


I. OS HUMILDES DE ESPÍRITO - CONCEITOS 

Em sua versão, o evangelista Lucas diz simplesmente – “os pobres” (Lc 6.20). Não há diferença entre os “humildes” de Mateus e os “pobres” de Lucas. Há duas palavras no grego para “pobres” ou humildes”.

a) Penes – esta palavra descreve o homem que precisa trabalhar para ganhar o pão. Ele trabalha para suprir as suas próprias necessidades. Portanto, esta não é a palavra usada por Jesus.

b) Ptochos – Fala do homem que não tem absolutamente nada. Esta é a palavra usada neste texto.

Não poderia haver uma frase mais chocante para os ouvintes de Jesus, pois entendemos que as bênçãos ou felicidade estão inseparavelmente ligadas a prosperidade material. Surge então a grande questão – “como uma pessoa pode ser pobre e feliz ao mesmo tempo?”. Mas será que Jesus referia-se aos pobres no sentido social? Alguns têm sustentado que sim. Mas a partir do texto não é possível manter tal idéia. Quando Jesus disse que os pobres eram bem aventurados não estava pensando nos pobres no sentido social, mas nos pobres de espírito. Portanto, a palavra “pobre” passou a ter o sentido de uma humilde dependência de Deus.

II. OS HUMILDES DE ESPÍRITO – QUEM SÃO?

O que significa ser humilde de espírito? No sentido exato da palavra, é alguém que não tem absolutamente nada. É alguém completamente incapaz de manter-se por si mesmo. Ele necessita de ajuda externa.


John Stott 

Ser pobre de espírito é reconhecer nossa absoluta pobreza, ou como disse Jonh Stott – “nossa falência espiritual diante de Deus, pois somos pecadores, sob a santa ira de Deus”.[1]

Pobres de espírito são aqueles que tornaram-se consciente de sua miséria e necessidade.
a) seu velho orgulho foi quebrado, puseram-se a clamar por Deus, Lc 18.13.
b) São de um espírito contrito e temente a Deus, Is 57.15
c) perceberam sua total miséria, Rm 7.14
d) Não esperam nada de si mesmo (auto-suficiência); esperam tudo de Deus.

O mais rico deles (materialmente falando) ainda confessa: “miserável homem que sou!”. Não tem nada a ver com a pobreza material, embora a maioria deles seja pobre de bens materiais. Há pobres de bens terrenos que são mais orgulhosos que muitos ricos.


Willian Barclay 

Wiilian Barclay parafraseia a primeira bem-aventurança de modo desafiador – “Bem aventurado o homem que reconhece sua própria debilidade extrema e confia exclusivamente em Deus”.[2]

III. OS HUMILDES DE ESPÍRITO – SUAS EVIDÊNCIAS
As manifestações da humildade de espírito são observados através da Palavra de Deus através de três valores que deve transparecer:

1. A verdadeira humildade exalta o próximo, Fp 2.3-4 - A humildade nada mais é do que a manifestação plena e perfeita do amor cristão, que é amar ao próximo acima de si mesmo além de preocupar-se egoisticamente com seus próprios interesses, Mt 23.12.

2. A verdadeira humildade exalta a graça de Deus, I Co 15.9-10. – A verdadeira humildade confere à graça de Deus o devido valor quando esta transforma vidas e atitudes.

3. A verdadeira humildade é exaltada por Deus, I Pe 5.5-6 – O verdadeiro sentido de humildade cristã é exaltada por Deus, ao passo que o orgulho tem a queda como sua conseqüência, Pv 16.18-19. O evangelista João registra um exemplo excelente de humildade de espírito quando este colocou água numa bacia e lavou os pés dos discípulos, Jo 13.2-11.

IV. HUMILDES DE ESPÍRITO – SUA RECOMPENSA
O reconhecimento de pobreza espiritual é a condição indispensável para receber o Reino dos Céus. O que Jesus enfatiza é que o Reino dos Céus é oferecido somente aqueles que são humildes de espírito. Isso significa que ricos de Espírito e os soberbos não têm acesso à comunhão com Deus, nem agora, nem no futuro, Lc 18.9-14.


Orlando Boyer 

Orlando Boyer escreveu – “Os grandes, com aparente grandeza de espírito recebem a homenagem dos reinos da terra. Mas as almas humildes mansas e submissas recebem a glória do Reino dos Céus”.[3]

PARA CONCLUIR 
Portanto, os mais felizes, em primeiro lugar, de acordo com o Senhor Jesus, são os pobres ou humildes de Espírito. Eles não são felizes por ser pobres, mas pelo reconhecimento de sua pobreza espiritual. O fato de reconhecerem que não possuem nenhum mérito e nenhuma vantagem pessoal faz com que recebam da parte de Deus o próprio reino dos céus, II Co 6.10. Ser pobre em espírito é uma característica exclusiva do cristão.

______________________________________
[1] STOTT, A Mensagem do Sermão do Monte, p. 28.
[2] Citado por SHEDD, A Felicidade Segundo Jesus, p.16.
[3] BOYER, Mateus – O Evangelho do Reino, p.76.


LIXÃO GOSPEL, DE QUEM É A CULPA?


Ontem entrei no salão para cortar o cabelo e um moço, membro da mesma Igreja Evangélica que o cabeleireiro disse: “Oia, oia!” Eu, com cara de poucos amigos (quem já me viu cansado, chateado sabe bem do estou falando...) olhei sem entender nada.

O rapaz apontou para o aparelho de som e disse: “Oia a música Vaso!”. Tocava algo que não consegui decodificar bem, não sei se pelo cansaço ou pela minha “burrice” espiritual. Apenas sei que aquilo que o menino me mandava “oiar” doeu nos ouvidos e piorou meu estado de espírito.

Hoje cá estou pensando no que escrever, abro minha Bíblia, leio: 

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11.33-36). 

Que belíssimo texto de exaltação ao Senhor Deus. Ler essa majestosa poesia “atiça” minha mente que começa a ferver em questionamentos. O que está acontecendo com a poesia? Por onde anda boa música? O que foi feito com o talento no meio cristão? Onde estão todos? Não consigo ligar o rádio do carro e escutar por mais de cinco minutos uma rádio dita evangélica. Não dá pra ouvir “remove a minha pedra”, ou “quando eu prego o diabo me bateu” ou os jargões da adoração profética e tantos outros e não ficar quase chorando de indignação diante dessa bagaça existencialista, antropocêntrica e mentirosa da música cantada em nossas Igrejas (inclusive nas históricas). Se fosse possível, meus ouvidos lacrimejariam quando fossem atacados com os jargões doentios da música gospel. NÃO SUPORTO ESSA COISA TOSCA MIADA, CHORADA, GRUNIDA, EMOCIONALISTA, MANIPULADORA E CLARAMENTE COMERCIAL. 

Carecemos urgentemente de poesia naquilo que cantamos, precisamos homens e mulheres de Deus, com talentos e dons dedicados a composições de boa poesia, de canções que nos levem ao trono da graça, em adoração sincera ao Rei dos reis e Senhor dos senhores. Não sou de modo algum um defensor da tese de ritmo santo. Apenas almejo por ouvir e cantar música de qualidade, com fidelidade bíblica e se possível, encaixada na cultura local. Amo ouvir o pé-de-serra do Sal da Terra, também deleito-me nos acordes de João Alexandre e Nelson Bomilcar, consigo ficar em paz e me alegrar coma loucura do Metal Nobre. Na verdade, até ouvir o que ainda reste de bom de quem já esteve Diante, mas hoje está Distante do Trono.

Infelizmente a música evangélica virou comercial e em nada promove a exaltação ao Senhor Deus. Mas DE QUEM É A CULPA? Quem são os responsáveis por esse cenário tão sombrio? Penso que há três culpados. 1. Pastores; 2. “Cristãos” Artistas; 3. Cristãos “comuns”. Deixem-me ser claro:

1. Pastores são culpados pelo simples fato de que estão preocupados com quaisquer outros assuntos e não com o doutrinamento bíblico das ovelhas que Deus lhes deu para cuidar, alimentar, guiar e amar. Muitos são covardes ou mercenários que preferem calar ante as vontades de pessoas que não amam a Deus, mas que lhes enchem os bolsos de dinheiro. Há ainda pastores que não ensinam porque simplesmente não sabem e não querem aprender. Tem preguiça de ler a Palavra e preferem proferir as mais impensáveis sandices, mas que agradam aos corações doentes. Seremos culpados pastores se não pregarmos a verdade! Seremos culpados pastores se não estivermos prontos a dilacerar pela Palavra o ego humano, a sua arrogância, e prepotência! Seremos culpados pastores quando não nos dispusermos a pregar com o mais profundo desejo de que as pessoas rendidas ao Soberano, o louvem pelo que ELE É e não pela “barganha da fé”. 

2. “Cristãos” Artistas são culpados, não por fazer da música uma profissão e por receberem dinheiro por isso. Creio que é justo que recebam sim. Não vejo menor problema em honrar um músico, afinal de contas eles viverão como? Mas vocês são culpados quando transformam Deus uma espécie Frankenstein da “Gospelândia”. Um monstro estereotipado que tem diversas “emendas” teológicas e que está sempre pronto a atender aos caprichos ensinados com os pedaços das heresias recolhidas do Lixão Gospel. São sim responsáveis por se dizerem “Levitas” sem o menor conhecimento de quem eram eles. São sim culpados por não amarem a Escritura e não buscarem reproduzir com fidelidade o que ela ensina.Artistas, sejam cristãos verdadeiros, parem de colocar “pedras” no caminho da fé e depois evocar a Bíblia como base para suas heresias. Parem reconstruir o véu! Lembrem-se que Cristo já o rasgou na Cruz (um bom artista já cantou isso – honras a João Alexandre).Não banalizem o evangelho para engordar suas contas. Voltem ao trono, dobrem-se ante o Soberano eo louvem pelo que ELE é, não pela “barganha da fé”.

3. Cristãos “Comuns” são culpados quando não conferem tudo pela Escritura. São responsáveis por “engolir” tudo como se fosse sagrado. Cada servo de Deus é responsável pelo que aceita em sua casa. E quando você meu irmão, recebe sem refletir aquilo que é contrário ao caráter de Deus, torna-se tão culpado quando quem produziu a heresia.Quando canta algo que deturba um texto bíblico, quando se deleita naquilo e faz disso praticamente uma oração ou confissão de fé, está dizendo a Deus que crê do seu jeito e que Ele tem que agir de acordo com sua crença, não como a Palavra ensina. Cristãos “comuns” parem de se dobrar diante dos ídolos e curvem-se diante do Soberano, louvem-no pelo que ELE É. Não pela “barganha da fé”.

Oro diariamente para que isso mude e creio que mudará quando pastores tiverem coragem de ensinar a Bíblia, quando tivermos mais artistas cristãos sem aspas mesmo e quando os demais crentes forem mais bíblicos.

Que o AQUELE que tem ser louvado pelo que É e não pela barganha da fé nos bendiga!

Um abraço,
Caco, o pastor


Texto Transcrito na íntegra do Blog:


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ESTUDO Nº 02 - AS BEM AVENTURANÇAS – TERMOS E SIGNIFICADOS (Mateus 5.1-12)


INTRODUÇÃO 
Quando Jesus subiu aquele monte, aos arredores do mar da Galiléia, estava determinado a mostrar ao mundo o que significa realmente ser feliz. 

I. BEM-AVENTURANÇAS – TERMOS TEOLÓGICOS? 
São diversas afirmações de Jesus que começam com a expressão “bem-aventurados os...”, a respeito de certas pessoas – os cidadãos do Reino de Deus.  As bem-aventuranças falam do caráter, conduta e comportamento daqueles que nasceram de novo. A primeira palavra do sermão, bem-aventurados, que seria repetida mais sete vezes neste trecho, chamaria a atenção dos ouvintes. 

O termos bem-aventurança, é uma palavra especial no grego (makarioi), que descreve aquela alegria ou felicidade de quem tem o seu segredo dentro de si e é completamente independente das coisas externas da vida.

Vejamos alguns exemplos:

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. A o mestre de canto. Para instrumentos de cordas" (Habacuque 3.17-19).


"Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece (Filipenses 4.11-13)

"Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar" (João 16.22)


O texto começa assim: “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo:”, Mt 5.1-2. 

Note que Jesus está ensinando aos seus discípulos, e não ao mundo. O Senhor Jesus começou seu ensino dirigindo as palavras a seus discípulos. As bem-aventuranças refletem as qualidades da vida cristã normal (não anormal), e devem ser vistas na vida de cada crente sem exceção, II Co 5.17. 

II. BEM-AVENTURANÇA – SEU SIGNIFICADO 

1. É algo que somente Deus pode dar. 
Nós não temos os recursos para produzir a condição espiritual que seria aceitável por Deus. 

Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer (Salmos 14.1-3). 

2. Não depende das circunstâncias. 
O apóstolo Paulo afirma em duas cartas: 

"Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece (Filipenses 4.11-13)

Mui grande é a minha franqueza para convosco, e muito me glorio por vossa causa; sinto-me grandemente confortado e transbordante de júbilo em toda a nossa tribulação. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte (II Coríntios 7.4 e 12.10).

3. É relacionada com a obediência à Palavra de Deus. 
Vejamos uma situação vivida por Jesus, Lc 11.27-28. Se quisermos ser um povo bem-aventurado (feliz), necessitamos obedecer totalmente a Palavra de Deus, Sl 1.1-2. 

III. BEM-AVENTURANÇA E A FELICIDADE VAZIA 
Para muitos, a felicidade consiste em possuir muitos bens, uma grande conta bancária, ou como diz a modinha popular – “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Tudo isso é bom, mas não é a causa de felicidade de ninguém. 

O rei Salomão era: Um administrador brilhante, um compositor com mais de mil cânticos, um sábio com mais de três mil provérbios, possuía 1400 carros e 12 mil cavalos, seu rendimento anual incluiu 666 talentos (isso equivale hoje, 119 milhões e 188 mil reais), sua paixão sexual foi satisfeita por 700 mulheres e 300 concubinas. Mas no fim de sua vida, veja a sua conclusão: 

Tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas. Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol Eclesiastes 2.10-11.

Isso comprova que o “ter” não traz felicidade. O seu humano é infeliz por natureza. Freud escreveu: “nós seres humanos somos infelizes. A felicidade não é algo natural no homem, uma vez que o seu conflito e sua angustia com a civilização são eterno”.[1]

O ser humano não tem felicidade, ele vive momentos felizes. Mas o crente tem uma alegria e felicidade que não depende das circunstâncias lá fora, mas do seu estado espiritual, visto aos olhos de Deus – ele não depende do ter, e sim, do ser. 

PARA CONCLUIR: 
Através das bem-aventuranças, o Senhor Jesus mostra que seu desejo é que o crente tenha um caráter diferente e demonstre uma conduta diferente, porque de ser como sal, impedindo a deterioração, e como luz, brilhando nas trevas. Jesus mostra que o crente tem de ser diferente não somente do mundo, mas do sistema religioso (ilustrado pelos fariseus do tempo de Jesus). Assim o crente tem de ser diferente, tanto do crente nominal, como do mundo secular. 


Jonh Stott escreveu – “Creio que Jesus desejava que o seu Sermão do Monte fosse obedecido. De fato, se a Igreja tivesse aceitado realisticamente os seus padrões e valores, como aqui demonstrados, e tivesse vivido segundo eles, ela teria sido a sociedade alternativa que sempre tencionou ser, e poderia oferecer ao mundo uma autêntica contra cultura cristã”.[2]

[1] FREUD, O Futuro de uma ilusão, p. 68.
[2] STOTT, A Mensagem do Sermão do Monte, p. 11.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A DECADÊNCIA NEOPENTECOSTAL E O CRESCIMENTO DAS IGREJAS TRADICIONAIS



Crescimento numérico nunca foi, necessariamente, prova da aprovação de Deus. Se assim fosse, teríamos que admitir que os Espíritas e Mulçumanos têm essa aprovação. Porém, isso vinha iludindo um número cada vez maior de pessoas. Quem, sendo membro de uma igreja tradicional, nunca teve que ouvir, num tom sarcástico, irônico e de superioridade: "sua igreja não cresce", não é relevante para o o reino de Deus? Essa fala era embalada pelo "sucesso" de igrejas como a Renascer e Sara Nossa Terra, que serviu de modelo para muitas outras denominações neopentecostais.

As estatísticas eram, de fato, desoladoras para as igrejas tradicionais. O senso IBGE de 1991/2001 apontava um crescimento irrisório de denominações tradicionais, como das Igrejas Presbiterianas (0,36%) e Luteranas, que além de não crescer perdeu milhares de membros. Nem mesmo os 20% de crescimento dos Batistas, tradicional denominação protestantes, podiam ser comparados aos mais de 1200% (mil e duzentos pontos percentuais) de crescimento de igrejas como Renascer e Sara Nossa Terra.

Muitos se gloriavam com esse crescimento afirmando ser uma onda de "reavivamento" que o Brasil estava passando. Muitos líderes enriqueceram com o dinheiro do povo. Alias, esse é o propósito da existência de muitas dessas igrejas. Os que não conseguiram enriquecer, por pura falta de talento teatral ou ainda algum resquício de vergonha na cara, hoje vivem das migalhas de suas estagnadas igrejas, que já não dão mais sinais de que se tornarão "mega igrejas", como uma dia sonharam. Mas há uma luz no fim do túnel: muitas igrejas outrora neopentecostais, estão, progressivamente, abandonando esse desvio e se aproximando, cada vez mais, das antigas doutrinas da graça, assumindo uma nova identidade que mais se parece com o modelo das igrejas tradicionais.

Em 1996, então aluno do SPN, lembro-me perfeitamente de uma aula de um renomado professor de História do Cristianismo, Rev.Maeli Vilella, analisando o momento de euforia que as igrejas neopentecostais estavam experimentando. Dizia ele: "Se a situação econômica, financeira e educacional do país se estabilizar veremos um fenômeno inverso: as denominações pentecostais e neopentecostais entrarão em crise, em declínio, inclusive de crescimento, enquanto as igrejas tradicionais (Batistas, Congregacionais, Presbiterianas) passarão a crescer e a recuperar os anos de estagnação de crescimento".

Dez anos se passaram, o Brasil entrou num importante processo de estabilização em todas essas áreas e o que aconteceu com o crescimento das igrejas neopentecostais, especialmente Renascer, Sara Nossa Terra e todas as outras que seguem esse modelo? O que aconteceu com o crescimento das igrejas tradicionais?

Bem, recentemente o Senso IBGE 2001/2011 andou divulgando um importante decréscimo no ritmo de crescimento das denominações neopentecostais e, em contrapartida, uma clara recuperação de Igrejas Históricas ou tradicionais. É só pesquisar na blogosfera. Muito embora essas estatísticas apresentem algumas falhas metodológicas, segundo alguns blogueiros, servem para apontar uma tendência que irá, inquestionavelmente, ficar mais clara com o passar do tempo, em permanecendo a atual conjuntura.

Essa análise paralela da relação entre fatores econômicos/sociais/educacionais com as questões religiosas não é nenhuma novidade. Max Weber já havia pensado nessa relação, em seu famoso livro "Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", já abordado nesse blog.

Será que o Rev.Maeli, meu antigo professor, estava profetizando naquela aula? Teria ele recebido uma nova revelação de Deus? Evidentemente que não! Tratava-se apenas de uma análise sociológica e histórica de alguém que conhecia bem o funcionamento das estruturas religiosas ao longo dos séculos. 

Na verdade, a equação é bem simples: ninguém com o mínimo de formação, inteligência e conhecimento bíblico engole as ladainhas enlouquecidas e ávidas por dinheiro dos neopentecostais. Ou seja, mais incautos = mais neopentecostais. Mais pessoas esclarecidas = menos neopentecostais. Simples assim! Talvez a saída para essas igrejas seja migrar para países ainda menos favorecidos, como Angola e Moçambique. É isso que o visionário Edir Macedo já está fazendo. Sigam-no os bons! (bons?) como diria Chapolim Colorado ou assistam, passivamente, as portas de seus templos serem fechadas. E não se preocupem: suas igrejas não farão a menor falta ao Brasil!

A Revista Isto É, com uma visão privilegiada do momento histórico, registrou a DERROCADA, A DECADÊNCIA E A FALÊNCIA DOS NEOPENTECOSTAIS, na figura antes ilustre da Bispa Sônia Hernandes. Reproduzimos abaixo um breve trecho da entrevista histórica:

ISTOÉ – Em 2002 a Igreja Renascer tinha 1.100 templos no mundo. Hoje são menos de 300. O que aconteceu? 

Sônia Hernandes – Houve uma readequação, algumas igrejas pequenas foram agrupadas para formar igrejas maiores, ao mesmo tempo que houve um incentivo para a abertura de grupos de desenvolvimento que acontecem nas casas, muitas vezes alimentados pela tevê e pela rádio. 

ISTOÉ – Só em São Paulo existem cerca de 40 ações de despejo contra a Renascer. Por que a igreja não consegue cumprir com suas obrigações? Sônia – Todas as ações estão em negociação e a igreja tem feito um grande esforço para resolver as questões pendentes. Para acessar a entrevista completa, clique: http://www.istoe.com.br/reportagens/158685_APRENDI+QUE+TUDO+QUE+PASSAMOS+NA+VIDA+TEM+UM+PROPOSITO+

"O líder que poderia imprimir agilidade à administração, o bispo Tid, primogênito de Estevam e Sônia que sempre teve saúde frágil, está em coma profundo há quase dois anos num leito de hospital. Da equipe de aproximadamente 100 bispos de primeiro time que a denominação tinha espalhada pelo Brasil até 2008, metade saiu para outras igrejas levando consigo pastores, diáconos e presbíteros. Para o lugar deles, ascenderam profissionais com menos experiência, o que, especula-se, pode ser um dos motivos da debandada de fiéis [..]. Hoje os Hernandes sangram a igreja para dar sobrevida ao padrão de vida nababesco que têm”, acusa um dissidente. Se nos anos 1990 a opulência do casal servia de chamariz para os adeptos da teologia da prosperidade, que celebra a riqueza material como uma dádiva proporcional ao fervor com que o devoto professa sua fé, hoje ela é uma ameaça à sobrevivência da instituição [...]. Foi também em 2010 que a igreja perdeu seu garoto-propaganda e principal dizimista, o jogador de futebol Kaká. Com a mulher, Caroline Celico, eles formavam uma dupla que fortalecia e divulgava a Renascer no Brasil e no mundo. O casal Hernandes não comenta a saída, muito menos o atleta do Real Madrid. Apenas Caroline arrisca alguns comentários enviesados. “Confiei no que me falavam. Parei de buscar as respostas de Deus para mim e comecei a andar de acordo com a interpretação dos homens”, escreveu ela em seu blog. O mau uso do dízimo pago pelo craque, que sabia do fechamento de templos e da fuga de lideranças, teria motivado o rompimento com a igreja. Foi um baque financeiro e tanto. Kaká é o sexto jogador mais bem pago do mundo e, estima-se, depositava nas contas da Renascer 10% dos R$ 21 milhões anuais que recebia": http://ministeriobbereia.blogspot.com/2011/09/o-declinio-da-igreja-da-bispa-sonia.html

Se eu desejo o fim do Neopentecostalismo? Claro que sim! Excetuando-se a qualidade musical, com graves restrições a maioria de suas letras, o neopentecostalismo não trouxe nenhuma contribuição ao verdadeiro evangelho. De onde procedem os escândalos? As vergonhosas propinas recebidas? A ideia de que todo pastor é ladrão? A falsa pregação? O engano? O evangelho água com açúcar? A famigerada teologia da prosperidade? Dos Neopentecostais. Alguém pode negar isso? Esse deveria ser o desejo de todo aquele que tem as Escrituras Sagradas como sua única regra de fé e de prática. E acreditem: isso não é desejar mal ao próximo. É, antes, desejar o bem ao evangelho de Cristo.

Fonte: [ Filosofia Calvinista ]

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A capacidade humana de escolher Deus (R. C. Sproul)


É irônico que no mesmo capítulo, na verdade no mesmo contexto, em que nosso Senhor ensina a absoluta necessidade da regeneração para ver o reino, quanto mais escolhê-lo, visões não-reformadas encontram um dos seus principais textos-prova para argumentar que homens decaídos possuem uma pequena ilha de habilidade para escolher Cristo. É João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

O que esse famoso versículo ensina sobre a capacidade do homem decaído de escolher Cristo? A resposta é: simplesmente nada. O argumento usado pelos não-reformados é que o texto ensina que todas as pessoas do mundo têm em si o poder para aceitar ou rejeitar a Cristo. Um olhar cuidadoso no texto revela, no entanto, que ele nada ensina sobre isso. O que ensina é que todos os que creem em Cristo serão salvos. Quem faz A (crê) receberá B (vida eterna). O texto não diz nada, absolutamente nada, sobre quem vai crer. Ele não diz nada sobre a capacidade (moral) natural do homem decaído. Reformados e não-reformados, ambos, concordam plenamente que todos que creem serão salvos. Eles discordam plenamente sobre quem tem a capacidade de crer.

Alguns provavelmente responderão: “Tudo bem. O texto não ensina explicitamente que homens decaídos têm a capacidade de escolher Cristo sem antes nascerem de novo, mas ele certamente implica isso”. Não estou disposto a concordar que o texto implique uma coisa dessas. No entanto, mesmo se fizesse não faria diferença no debate. Por que não? Nossa regra de interpretação das Escrituras é que implicações extraídas das Escrituras devem sempre ser subordinadas ao ensino explícito das Escrituras. Nunca, nunca, nunca devemos reverter isso para subordinar o ensino explícito das Escrituras para possíveis implicações retiradas das Escrituras. Esta regra é compartilhada por pensadores reformados e não-reformados.

Se João 3.16 implicasse uma capacidade humana, natural e universal dos homens decaídos de escolher Cristo, então essa implicação seria apagada pelo ensino explícito contrário de Jesus. Acabamos de ver que Jesus ensinou explícita e inequivocamente que nenhum homem tem a capacidade de chegar a ele sem que Deus realize alguma coisa para lhe dar essa capacidade, isto é, atraí-lo.

O homem decaído está na carne. Na carne, ele não pode fazer nada para agradar a Deus. Paulo declara, “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.7,8).

Perguntamos, então, “Quem são aqueles que estão ‘na carne?”. Paulo continua: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). A palavra crucial aqui é “se”. O que distingue aqueles que estão na carne daqueles que não estão é a habitação do Espírito Santo. Ninguém que não é regenerado é habitado por Deus Espírito Santo. Pessoas que estão na carne não foram regeneradas. A menos que sejam primeiro regenerados, nascidos do Espírito Santo, eles não podem estar sujeitos à lei de Deus. Eles não conseguem agradar a Deus.

Deus nos ordena a crer em Cristo. Ele se agrada com aqueles que escolhem Cristo. Se as pessoas não regeneradas pudessem escolher Cristo, então poderiam se submeter a pelo menos um dos mandamentos de Deus, e poderiam pelo menos fazer algo que é agradável a Deus. Se é assim, então o apóstolo errou aqui em insistir que aqueles que estão na carne não podem estar sujeitos a Deus, nem agradá-lo.

Concluímos que o homem decaído continua livre para escolher o que deseja. Porém, porque os seus desejos são somente maus, ele não tem capacidade moral de chegar a Cristo. Enquanto ele permanece na carne, não regenerado, nunca chegará a Cristo. Ele não pode escolher Cristo precisamente porque não pode agir contra a sua própria vontade. Ele não tem desejo por Cristo. Ele não pode escolher o que não deseja. A sua queda é grande. É tão grande que somente a graça eficaz de Deus trabalhando em seu coração pode lhe trazer fé.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ESTUDO Nº 01 - INTRODUÇÃO AO SERMÃO DO MONTE (Mateus 5.1-2)



INTRODUÇÃO

No Evangelho de São Mateus, a partir do cap. 5, encontramos as palavras do Senhor Jesus, fazendo uma exposição da constituição do Reino de Deus, o qual se estende por três capítulos 
(5 ao 7). Lendo e estudando este texto podemos chegar a mesma conclusão que os soldados tiveram quando ouviram as suas palavras – “Jamais alguém falou como este homem”, Jo 7.46.

I. O QUE É SERMÃO DO MONTE?

O evangelista Mateus fez uma exposição do ministério de Jesus, Mt 4.23. O destaque neste texto é que o Senhor Jesus pregava o “evangelho do reino”.

Portanto, Jesus anuncia o “a chegada do Reino, anuncia também o espírito que orienta e os princípios que caracterizam o novo estilo de vida própria dos participantes do novo reino. O Sermão do Monte é um resumo básico da maneira em que a vida se ordena no Reino de Deus”.[1]

II. O SEU REAL SIGNIFICADO

1. É o evangelho do Reino de Deus

Evangelho é boa nova de salvação eterna, e Reino indica o reinado de Deus no coração e vida do povo do pacto da graça. O Sermão do Monte revela que esse povo existe e vive dentro da vontade soberana do Deus que domina seus corações.

2. É a expressão do amor de Deus

O conteúdo do Sermão do Monte revela a vontade amorosa, pois Deus deseja que seus súditos sejam perfeitos. Através desse sermão percebemos que Jesus nos diz que esse é o único caminho da felicidade humana – “bem aventurados”.

III. QUEM PODE PRATICÁ-LO?

Este sermão foi pronunciado visando ao mundo inteiro? Ele é destinando a todas as classes e a todas as nações? O descrente pode praticá-lo? Deus espera isso ou exige isso dele? Ou ele é destinando a uma só classe de pessoas? Só pode praticar o Sermão do Monte:

1. Quem já nasceu de novo, Jo 3.3

Somente a pessoa, em cujo coração o Espírito Santo plantou a semente do amor a Deus, pode sentir prazer em ler, meditar e querer viver de acordo com este ensinamento de Jesus, Sl 1.1-2,4.

Um coração não regenerado, que não recebe luz do alto, não iria querer viver segundo o padrão do Sermão do Monte, I Co 2.14.

2. Quem é capacitado pelo Espírito Santo

O homem natural é incapaz de agradar a Deus. Somente  aquele que agora é habitação do Espírito pode encarar este Sermão e praticá-lo infinitamente, II Co 3.5; Fp 4.13.

O cristão genuíno tem condição infinita de viver o padrão divino de vida. Não existe limite no conteúdo do Sermão do Monte e nem na possibilidade de o cristão praticá-lo, pois a capacidade que o Espírito lhe concede é sem fronteiras, I Co 2.15-16.

3. Quem está disposto a esforçar-se.

Para se praticar o Sermão do Monte é preciso muito esforço e boa vontade, Mt 11.12; Lc 13.24; Rm 12.17; Ef 4.3. 

O Cristianismo é a religião do esforço abençoado. O Sermão do Monte só pode ser vivido por aqueles que se esforçam, olhando para o alto, lutando contra sua natureza rebelde, imitando dia a dia o caráter de seu divino Mestre.

PARA CONCLUIR:

O Sermão do Monte nos coloca sob requisitos morais, éticos, e outras exigências pessoais, que são absolutos e finais. Deus nos propõe, uma justiça que exceda à dos escribas e fariseus (Mt 5.20). O sermão do Monte exclui o orgulho, a superficialidade, o engano do legalismo, e também a irresponsabilidade moral e ética.

Robert H. Mounce escreveu: “É verdade que as exigências estão definidas em termos absolutos – Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48).[2]

Ministrado na Igreja Presbiteriana de Salgado de São Félix (Paraíba)
[1] MOUNCE, Mateus: Novo Comentário Bíblico Contemporâneo, p. 48.
[2] DRIVER, Ouça Jesus, p.37-38.