segunda-feira, 18 de julho de 2011

Arrogância, principal tentação do reformado



O que leva reformados ao caminho da arrogância e soberba? Essa pergunta pode soar estanha e imprópria. Entretanto a altivez e o orgulho espiritual é um pecado no qual muitos reformados caem. A razão para o deslize – por incrível que pareça - é causado pelo conhecimento doutrinário que se recebe. O que fazer com ele? A resposta a essa pergunta é que faz toda a diferença.

Diz o velho jargão que “conhecimento é poder”. É fato que aqueles que têm contado com a fé reformada - e se afadigam no estudo da mesma - estão à frente daqueles cristãos evangélicos que só conhecem superficialmente o Evangelho de Cristo. Os reformados estão entre os leitores de livros doutrinários e históricos, freqüentam simpósios e encontros, além de utilizar ferramentas da mídia eletrônica para se atualizarem nos blogs e sites. Esse conhecimento os separa e os distingue das massas alienadas fabricadas pelo raso evangelicalismo moderno. Como resultado alguns reformados se julgam superiores ao demais gerando, assim, soberba e arrogância.Estranho esse proceder, pois quanto mais conhecimento obtemos de Deus mais conscientes deveríamos ficar da nossa miséria e falência. Como resultado Isso deveria nos levar ao quebrantamento e a servidão de tal forma que consideraríamos os outros superiores a nós mesmos.Ao contemplar a glória de Deus no Templo, após uma profunda crise , Isaías em êxtase gritou: “Ai de mim! Estou perdido!”. O peso da glória divina esmagou toda a prepotência e vaidade do profeta - fê-lo conhecer sua insignificância e vileza. Além disso, logo após essa confissão, brotou uma identificação com o próximo de tal maneira que o levou ao serviço: “eis-me aqui”. Essa visão reformou completamente o profeta. O conhecimento de Deus o lançou ao povo a fim de instruí-lo na verdade. Eis um homem consciente da sua miséria e depravação com uma mensagem de perdão e esperança nos lábios. A contemplação da majestade de Deus não levou Isaías ao orgulho espiritual e nem ao isolamento dos demais homens.Mas, hoje, em muitos casos, não é isso o que acontece. Por quê? É simples: muitos têm uma apreensão intelectual da Verdade, porém essa nunca desceu para o coração. Assim sendo, o conhecimento de Cristo e da sua doutrina quando não nos leva à humildade, inevitavelmente, nos conduz à soberba e, por que não dizer, ao farisaísmo. Às vezes ouço a antiga oração ecoando por aí: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, arminianos, pentecostais e dispensacionalistas, nem ainda como um liberal; leio a Confissão de Fé duas vezes por dia e dou o máximo de tudo quanto ganho para comprar livros reformados, freqüentar congressos e simpósios”. Esses se consideram justos e desprezam os demais. Algo não muito raro no nosso meio.Concluo enfatizando que precisamos de um calvinismo experimental - uma reforma que nos leva a uma experiência diária de real quebrantamento diante de Deus e humildade perante os demais homens. O “eis-me aqui” de Isaías precisa ser acompanhado pelo “Ai de mim! Estou perdido!”. São essas duas expressões que devem moldar o caráter do reformado, pois somente assim poderemos fazer diferença no nosso meio e na nossa geração. Então, quando o discurso e a prática estiveram presentes na nossa fé reformada seremos realmente relevantes para o mundo. Porém, se tivermos apenas a fé reformada sem a experiência de vida reformada estaremos falando de nós para nós mesmos – presos no gueto da nossa própria vaidade e futilidade. Medite nessas cousas!


Rev. Naziaseno C. Torres


Fonte: [ Vozes da Reforma ]
Via:[ Projeto Os Puritanos ] / [ Ministério Batista Beréia ]






sexta-feira, 15 de julho de 2011

FALSIDADE – CONVIVENDO COM O INIMIGO - Salmo 12



INTRODUÇÃO

Em todas as épocas há uma grande carência de pessoas piedosas e fiéis e atualmente, não é fácil encontrar alguém digno de confiança. Por toda parte só se ouve falar de desonestidade e corrupção. É muito comum encontrar pessoas que foram vítimas da falsidade e estão frustradas com todas as demais pessoas. Hoje é raro encontrar pessoas autênticas e fiéis.        A sinceridade precisa ser a identificação do crente em Cristo Jesus.

Esta oração do salmo 12 é direta e objetiva. O salmista percebe o crescimento da hipocrisia, da falsidade e da traição. Davi sente-se cercado por pessoas que se orgulham da sua condição mentirosa. Esta oração traz um desafio para o povo de Deus que se vê constantemente cercados por pessoas falsas.

A partir do Salmo 12, analisaremos a falsidade, que é um pecado que deve ser combatido no meio do povo de Deus.

1. a falsidade provém do afastamento de deus, v.1

O clamor do salmista é resultado da observação que o mesmo faz a sua volta, quando ele percebe que não há mais pessoas honestas  e dignas de confiança. O Salmista identifica a ação maligna e traiçoeira dos falsos. Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido”, v. 2

Aqueles que se distanciam de Deus tem a facilidade de manipular as palavras. O diabo é o pai da mentira e a falsidade está diretamente ligada aos que se encontram distantes de Deus.

O apóstolo Tiago adverte - “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz”. Tiago 4.11

O Apóstolo Pedro exorta – “Pois, quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano” - I Pedro 3.10

2. a falsidade incorrerá no juízo de deus, v. 3-4

O salmista cercado pela falsidade, pede a interferência do Senhor contra os bajuladores e soberbo. Os que vivem na falsidade devem lembrar que a justiça divina os haverá de encontrar – “Corte o SENHOR todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente, pois dizem: Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós?” - v.3-4

Há muitos e bons artistas que no teatro representam com arte os mais diversos papéis e ganham pelo seu trabalho. Mas é bom afirmar que há muitos que vivem de constante representação, como se a vida fosse um teatro. Só que em vez de um bom salário, irá ouvir a voz do juízo de Deus. – “Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado”. Mateus 12.36-37.

Para os que se mantém na verdade, diz o salmista que o Senhor oferece proteção e livramento. Afinal os falsos estão em toda parte, mas o juízo de Deus os encontrará – “Sim, SENHOR, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre. Por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada” - v.7-8.

3. a falsidade se corrige pela palavra de deus, v.6

Mostra o salmista que há um tratamento para a falsidade, que é aplicação da Palavra de Deus – “As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes” - v.6

O remédio divino para a falsidade é a aproximação da verdade do Senhor. Viver o evangelho e a sua mensagem depurada é a exigência para se combater a falsidade. A aplicação da palavra muda o comportamento do homem. – “Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”. Salmo 119.11.

Há necessidade de se encarar a palavra da verdade para se enfrentar a hipocrisia. É com a Palavra que se trata a falsidade. 

Existem três outras verdades sobre este salmo. Este salmo fala de três sentenças e três erros, v.4

1. Pois dizem, com a língua prevaleceremos Contudo, a língua dos falsos nunca prevalecerá, pois o Senhor julgará cada um – “Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado”. Mateus 12.36-37.

2. Os lábios são nossosOs lábios não são deles para falar o que quiserem. “Respondeu-lhe o SENHOR: Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR?” – Ex 4.11

3. Quem é o Senhor sobre nós? Cada um tem um Senhor. No caso dos falsos, suas línguas envenenadas  são seus senhores, porque quem peca é escravo do pecado. – “Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” Romanos 6.16

conclusão

a) Como era tratada uma pessoa que agisse com falsidade contra seu irmão?
“Quando se levantar testemunha falsa contra alguém, para o acusar de algum transvio, então, os dois homens que tiverem a demanda se apresentarão perante o SENHOR, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias. Os juízes indagarão bem; se a testemunha for falsa e tiver testemunhado falsamente contra seu irmão, far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e, assim, exterminarás o mal do meio de ti; para que os que ficarem o ouçam, e temam, e nunca mais tornem a fazer semelhante mal no meio de ti. Não o olharás com piedade: vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” - Dt 19.16-21

b) Na visão do salmista, o que deve está em lugar da falsidade?
"Por meio dos teus preceitos, consigo entendimento; por isso, detesto todo caminho de falsidade” - Sl 119.104.

c)  No saltério, que condição existe para se obter a benção do Senhor?
“O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do SENHOR a bênção e a justiça do Deus da sua salvação” - Sl 24.4-5.

d) Que procedimento devemos ter com os pecadores mexeriqueiros?
“O mexeriqueiro revela o segredo; portanto, não te metas com quem muito abre os lábios” - Pv 20.19.

e) Qual o nono mandamento da lei de Deus?
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” - Ex 20.16.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

A MAIOR DE TODAS AS VIRTUDES - M. Lloyd-Jones



Tenho por vezes notado a tendência de nem sequer dar valor ao  que a Bíblia considera como a maior de todas as virtudes, a saber, a humildade. Numa comissão ouvi pessoas discutindo sobre certo candidato e dizendo: “Sim, muito bom; mas lhe falta personalidade”. Quanto na minha opinião sobre aquele candidato específico era que ele era humilde.

Existe a tendência de justificar a atitude de uma pessoa em fazer uso de si próprio e de sua personalidade e de tentar projetá-la, impondo aos outros a sua aceitação. Os anúncios publicitários que estão sendo crescentemente empregados em conexão com a obra cristã proclamam em alto e bom som essa tendência.

Leia os antigos relatos das atividades dos maiores obreiros de Deus, dos grandes evangelistas e outros, e verá como procuravam apagar-se a si próprios. Hoje porém, estamos experimentando algo que é quase o completo inverso disso.

Que significa isso? “Não pregamos a nós mesmos” – diz Paulo – “mas a Cristo Jesus, como Senhor”. Quando visitou Corinto, conta-nos ele, foi para ali “em fraqueza, temor e grande tremor”. Não subia a plataforma com confiança, segurança e desenvoltura, dando a impressão de uma grande personalidade. Antes, o povo dizia dele “a presença  pessoal dele é fraca, e a palavra desprezível”.

Quão grande é a nossa tendência de desviar-nos da verdade e do padrão das Escrituras. Como a Igreja está permitindo que o mundo e os seus métodos influenciam e dirijam a sua perspectiva e a sua vida!!

Que pena! Ser “pobre de espírito” não é tão popular, mesmo na Igreja, como o foi outrora e sempre deveria ser. Os crentes devem reconsiderar essas questões. Não julguemos as coisas segundo a aparência do seu valor; acima de tudo, cuidemos para não sermos cativados por essa psicologia mundana; e tratemos de entender, desde o princípio, que estamos no domínio de um reino diferente de tudo quanto pertence a este “presente mundo mau”.

(Liga Calvinista)

sábado, 2 de julho de 2011

A TEOLOGIA DE SER IGREJA



Existem duas formas de tentar ser igreja: uma delas, é aquela que quer crescer a qualquer custo e da maneira mais rápida sem se importar se é certo ou errado. É o que você, geralmente, já vê na televisão e na mídia de uma forma geral o tempo todo mesmo, a atração não é a vida do servo humilde, não é o tomar a sua cruz, negar a si mesmo e andar como Jesus andou na verdade e na simplicidade. O que esta "igreja" propõe é somente a compra da bênção e nada mais. As pessoas adoram ouvir que elas podem ser muito prósperas, que os problemas delas serão resolvidos num passe de mágica ou na liberação de uma “palavra profética”, que elas vão ganhar ou alcançar isto e aquilo se participarem de uma campanha tal, se fizerem algum tipo de voto ou sacrifício financeiro para ofertar, se forem oradas ou ungidas pelo pastor, apóstolo ou missionário tal.

Elas querem resolver o imediato, o que precisam agora, a oração tem que ser respondida na hora, senão não vale. Às vezes reclamam com Deus porque elas fizeram um voto, determinaram, participaram de uma corrente de oração com alguém famoso, mas Deus não cumpriu a parte dele.

As pessoas vão se cansando desta loucura toda, mas por incrível que pareça é que o resultado ainda são "igrejas" lotadas, mas de gente que não quer ser tratada pelo Senhor de verdade, até fazem alguma entrega, mas é tudo muito superficial, nunca se entregam por inteiro. Estão ali enquanto a oferta da bênção é boa. Estas pessoas até resolvem os seus problemas exteriores, mas a casa por dentro continua mau arrumada e o “valente desamarrado” habitando nelas. Algumas até choram de emoção durante uma música bonita ou uma palavra bem pronunciada, mas continuam vazias de Deus.

Depois de um tempo elas descobrem um outro “mover”, um outro “homem de deus” (com “d” minúsculo mesmo) e vão pra lá, não tem vínculo, andam de “igreja” em “igreja” procurando uma bênção que nunca vem. Outras vezes se dispersam para alguma outra religião até mesmo não cristã afim de ter o encontro que nunca tiveram. Acabam culpando e achando que Deus teve alguma coisa com isto... Ledo engano!

A outra forma de ser Igreja (com "i" maiúsculo) é a da maneira simples como Jesus ensinou mesmo, é descobrir-se como Igreja serva, e servo dentro da Igreja e do Reino, como povo que não dá um passo sem ouvir atentamente a direção certa e segura da Palavra de Deus, são homens e mulheres que buscam no Evangelho puro e simples, e somente nele, sem barganhas ou "novíssimas revelações" a perfeita vontade do Senhor e entendem que nem sempre a oração é respondida na hora e da forma como queremos que seja. Nossos caprichos e vaidades, nossa própria vontade solitária, não serão atendidos, mas serão tratados se estiverem fora da perspectiva do Reino de Deus. Esta Igreja ama a Deus pelo que Ele é e não pelo que Ele pode dar financeiramente.

Nesta Igreja todos, ou a pelo menos a maioria, vivem um para o outro, o alimento é a Palavra revelada em Jesus, que trata, cuida, zela, confronta os pecados resistentes. Esta Igreja está interessada em pregar o que é certo, não o que dá certo.

Preste atenção! Existe muita diferença entre pregar o que é certo ao invés do que dá certo!
Esta igreja não ensina “os sete segredos para prosperar na vida financeira de forma mágica" e também não está interessada em ostentar o templo mais luxuoso da terra, mas ela busca as coisas que são lá do alto. Seu tesouro é outro, não é deste tempo ou desta terra, suas riquezas estão onde a traça e a ferrugem não podem destruir. Ela deseja que todos sejam alcançados pela presença de Deus de forma real e intensa, não apenas através do marketing da fé. Ela testemunha a transformação que o Evangelho provoca nas pessoas por inteiro e não na vida financeira somente. Ela não busca empresários da fé, mas sim servos de Jesus.

Nem sempre esta Igreja vai atrair "clientes" tão rápido, mas com o tempo as pessoas em volta, pelo testemunho da Graça de Deus, saberão distinguir quem é sério e quem não é. Quem está pregando por amor ao Reino e quem está somente tentando se beneficiar do Reino e das ovelhas do Reino por amor ao dinheiro e poder que eles lhe dão.

Nesta Igreja a cura, o milagre, a libertação de poderes do mau, a bênção estão presentes também e de forma muito mais intensa e poderosa mas esta não é sua propaganda. A propaganda aqui é a presença de Jesus. O que ela experimenta na presença do Espírito verdadeiro de Jesus é o que atrai as pessoas, é o amor não fingido que transforma e retém quem dela se aproxima.

Um dia o Senhor vai olhar para muitos daqueles que expulsavam demônios, falavam em outras línguas, profetizavam nas igrejas, faziam grandes sinais e maravilhas, os grande homens e mulheres que nós achamos importantes, até mesmo aqueles que andam entre nós hoje em dia; e Ele, o Senhor, vai dizer assim: “apartai-vos de mim todos os que praticam pecado, porque eu não vos conheço” (Mateus 25.41). Pecado aqui é não se esforçar por amar de forma prática, é o pecado de não fazer o bem podendo e sabendo que é para ser feito.

Isto é muito sério! Certamente não são as “boas obras” que nos salvam como muitos pensam, mas a nossa fé e nível de relacionamento com Deus são medidos e mensurados pela forma e intensidade com que temos vontade de externar, espontaneamente, sem hipocrisia e com muita alegria de Deus o nosso amor a quem precisa de nós, seja essa pessoa quem for. Irmão da fé ou não.

O apóstolo João nos ensina como é este amor, ele diz assim: "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1 João 3.18)

Quem ama, crê; e quem crê é seguido pelos sinais do Reino. A libertação, as curas e os sinais acontecem naturalmente quando o amor de Deus é experimentado sem barreiras. O poder e a autoridade espiritual são conseqüência do amor, nunca o contrário.

Este é o convite para a cura através do amor de Deus: "Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas. Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã." (Isaías 1.17-18)

Existem muitos que querem vencer na força e no grito, na demonstração pública de autoridade, subjugando e impondo medo aos irmãos. De fato o que eles conseguirão é um arregalar de olhos, podem assustar e deixar outras pessoas admiradas, serão chamados de poderosos e talvez até de sábios, mas sem amor nunca quebrarão cadeias mais fortes. Aquelas que se alojam no mais profundo da alma, onde só o amor verdadeiro consegue penetrar, sondar e amolecer até a pessoa não suportar mais o constrangimento da presença do amor de Deus e desejar se libertar das cadeias da falta de perdão, do rancor, da avareza e do ódio.

Logo, é até possível que uma “igreja” consiga crescer sem amor, é possível experimentar até coisas sobrenaturais como uma aparente libertação de alguns poderes espirituais, profecias, curas e cultos com sensação de grande visitação de Deus. Podemos até ver pessoas chorando, se emocionando, entregando tudo o que possuem. Sim, é possível! Mas tudo isso sem amor é um grande nada diante de Deus.

A Palavra nos convida a aprender a amar de verdade, a olharmos para dentro de nós mesmos e sermos confrontados pelo poder do Evangelho. Deus é amor, somos filhos amados, se você ainda não descobriu como viver nesta dimensão do amor de Deus, convide ao Espírito de Jesus, o Espírito Santo, para mudar seus sentimentos agora mesmo e quebrar todas as cadeias e travas que lhe impedem de amar livre e totalmente.

Você verá como é fácil conseguir amar quando descobrimos que já somos amados por Ele antes mesmo de merecermos ser amados. A revelação do amor de Deus é a nossa grande motivação, é a nossa “mola mestra” para amarmos como Jesus nos amou e ser uma Igreja da Verdade.


O Deus que nos ama irremediavelmente te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

Texto publicado  por Pablo Massolar  (http://ovelhamagra.blogspot.com)

TENTAÇÃO NÃO É PECADO (Hb 4.15)



"Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer das nossas fraquezas antes foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado" Hb 4.15.

Segundo as Escrituras Sagradas não há pecado em sermos tentados. A tentação não nos leva a pecar. A Palavra de Deus afirma que devemos ter grande gozo por sofrermos as tentações - "Meus irmãos tende grande gozo quando cairdes em várias tentações”, Tg 1.2.

A tentação tem como objetivo a provação de nossa fé. Segundo a leitura do texto anteriormente citado, Tiago continua dizendo: "Sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve Ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes”, Tg 1.3-4.

Billy Sunday afirmou que: "A tentação é a matéria prima com que são feitos os cristãos. Se o diabo nunca lhe tentar, você jamais poderá desenvolver uma resistência ao pecado". Muitos pensam que o isolamento ou a solidão impediriam os ataques da tentação. O Senhor Jesus foi tentado o deserto. Nem mesmo o jejum e a oração afastam sempre o tentador, pois Jesus havia utilizado amplamente desses elementos. 

Vendo o caso da tentação de Jesus no capítulo 4 do livro de Mateus, observamos Satanás introduzindo a tentação através de uma dúvida com relação à filiação divina do Mestre – “Então o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se tu és Filho de Deus...”, Mt 4.3. 

O ataque aconteceu com um "se" e não com uma negação direta. "A dúvida presta-se mais ao propósito satânico do que a heresia". Satanás pôs em dúvida a afirmação bíblica: "Tu és o meu Filho...” Sl 2.7.

Segundo Spurgeon, Satanás colocou em dúvida toda uma vida. Desde o começo Jesus estivera empenhado nos negócios de Seu pai; entretanto, depois de trinta anos a Sua divina filiação foi posta em dúvida. O tentador sempre está atirando um "se" contra nós. No caso de Jesus, ele atacou a Sua filiação divina.  Em nosso caso, ele nos faz duvidar de nossa regeneração. Somos constantemente bombardeados pelo "se" satânico.

Por exemplo:
a) Muitas vezes podemos nos sentir solitários e o tentador rapidamente nos diz: "Se você é filho de Deus por que se sente abandonado?"
b) É possível que estejamos prostrados num deserto. A sugestão satânica para pensarmos é a seguinte: - Como herdeiro de Deus pode estar num lugar como este?
c) Muitos irmãos podem temporariamente sofrer algum tipo de privação em suas vidas. Prontamente o tentador dirá: - Como poderia um Pai amoroso deixar com fome um filho seu?

E de muitas outras maneiras Satanás ataca os filhos de Deus. Ele sempre tem preparado em suas mãos o terrível míssil da duvida, mais conhecido como "se".

I. Como podemos ter vitória diante destes terríveis ataques malignos?

Precisamos novamente olhar para o caso de Jesus. A consolidação da vitória do Senhor não se deu através de argumento ou de demonstração de poder. Jesus triunfou através de Sua firmeza nos registros das Escrituras Sagradas. Todos os ataques satânicos contra Jesus forma torpedeados e destruídos pela palavra de Deus. A Bíblia é a única e a mais poderosa arma que os filhos de Deus tem para se defenderem contra os ataques malignos da dúvida.

Charles Spurgeon disse que: "Quando vencido, o "se" do tentador torna-se útil. Quando vem de Satanás, é uma certidão de nossa autêntica descendência divina. Satanás só põe em dúvida a verdade; portanto somos filhos verdadeiros."

Thomas Brooks demonstrou muita percepção deste assunto quando escreveu: "Deus teve apenas um Filho sem corrupção, mas não teve nenhum sem tentação. De tal sorte é a inimizade de Satanás para com Deus Pai que, quanto mais próximo e querido lhe for qualquer filho, tanto mais Satanás perturbará e atormentará a este com tentações. Ninguém foi tão bem amado quanto Cristo; e ninguém foi tão tentado quanto Ele.

Não há como vivermos neste mundo isento de tentações. Podemos afirmar que o verdadeiro cristianismo está cercado delas por todos os lados.

A Bíblia fiz que nós devemos nos regozijar ao sofrermos tentações. Lemos em Tiago 1:12: "Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam”.

II. Qual a origem da tentação?

Algo importante para compreendermos a respeito da tentação, é que ela tem a sua origem em Satanás e na fraqueza humana.

a) Satanás - No livro de Lucas 4:13 está escrito: "E, acabando o Diabo toda a tentação, ausentou-se Dele por algum tempo.”
b) Fraqueza humana - O apóstolo Paulo mostra que a tentação também pode Ter a sua origem na fraqueza humana. Em I Coríntios 10:13 lemos assim: "Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que possais suportar”.

Tiago esclareceu bem este assunto quando disse: "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela própria concupiscência”. Tiago 1:13-14.

III. A tentação nos aproxima de Deus

Nunca podemos perder de vista que a tentação que recai sobre o filho de Deus sempre contribui para o seu crescimento espiritual. O lugar mais ideal para nos conhecermos melhor é a fornalha da tentação.

Thomas a Kempis escreveu: "O fogo prova o ferro; a tentação, o justo. Ignoramos muitas vezes o que valemos. A tentação faz-nos ver o que somos”. Devemos ter gravado em nossos corações que cada tentação pode se constituir uma ótima oportunidade para ficarmos mais perto do nosso Deus. A comunhão com o nosso Deus é o santo remédio que todo filho de Deus tem para vencer todas as tentações. 



sexta-feira, 1 de julho de 2011

PREGUIÇA – O PECADO DA INDOLÊNCIA (Provérbios 6.6-11)




INTRODUÇÃO

Mário Quintana disse: “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de andar, não teria inventado a roda”.

O Bicho-preguiça na natureza é muito interessante:
a) A Preguiça não caça animais, mas se alimenta apenas de folhas. Ela é seletiva, não come qualquer folha;
b) A postura natural da preguiça é invertida em relação aos outros animais. Ela  precisa viver nos galhos, e não no chão. Fica pendurada e as mãos funcionam como ganchos. Se não tiver um galho para se pendurar entra em stresse;
c) A lentidão dos movimentos, o longo período de inatividade e a forma de se locomover e a postura são algumas de suas características;
d) Elas não bebem água, pois a água que precisam para viver é absorvida do próprio alimento;
e) É um animal dócil e indiferente ao que acontece ao seu redor. Conhece o perigo, mas não reage;
f)As preguiças costumam dormir cerca de 14 a 16 horas por dia.

Você conhece algum assim?  Aquela moleza própria da segunda feira, ou curtir a cama num domingo de chuva, sem a obrigação de trabalho, escola ou igreja é pecado?

1. PREGUIÇA E SEUS CONCEITOS

1. Os dicionários definem a preguiça como: “Indolência, falta de inclinação ao exercício, inatividade, vadiagem, ociosidade, vagabundo, lento, vagarosos, viver a custa dos outros, relaxado, molenga, passar o tempo, dorminhoco, inútil, comportamento vegetativo, imobilidade, inércia, folgado, negligente, etc”.

2. O Catecismo Católico diz: “Este pecado indica a pessoa que por opção, não tem preocupação em fazer nada e nem se preocupar com nada, e quando faz algo, é de má vontade e de forma vagarosa (ou rápida demais) e imperfeita”.

3. Uma autodefinição: “Sou um homem preguiçoso, acho que ficar em pé é melhor do que andar; sentar, melhor do que ficar em pé; deitar, melhor do que sentar e dormir é ainda melhor do que ficar só deitado”. (O Elogio da Preguiça – Uma Crônica Budista)

4. Ponto de vista antropológico: “Do ponto de vista antropológico, a preguiça não pode ser interpretada como virtude. A necessidade do lazer, do descanso é um direito. A preguiça, portanto, não é lazer, mas é negação e omissão à participação na solução de situações, é omissão na integração comunitária, é isentar-se da responsabilidade individual e social (Isidoro Mazzarolo, doutor em teologia da PUC, RJ)”.

5. Ponto de vista científico: Ricardo Moreno, psiquiatra da USP, afirma – “A preguiça é um dos sintomas de alguma doença. Entre elas, a anemia, câncer, hipertiroidismo, depressão e até uma virose deixam qualquer um sem gás. Por isso é preciso ficar alerta quando se passa a prejudicar a vida pessoal, social e profissional por preguiça” (Jornal O Correio da Paraíba, 23/08/1998).

Ricardo Moreno afirma que há os “preguiçosos por natureza. São pessoas mais lentas, detalhistas, do tipo que levam horas para fazer algo, gostam e precisam de mais descanso. Isso se deve ao metabolismo, que dita um ritmo mais vagaroso, e apenas 1% da população mundial tem este biotipo”

Mesmo tendo conceitos tão negativos tão negativos, há ainda quem defenda a preguiça de forma ardente, como por exemplo:

a)      Oscar Wilde (Escritor) – “O trabalho é o refúgio de quem não tem nada de interessante pra fazer”.
b)      Anna Matilde (Psicóloga  da USP) – “O preguiçoso é apaziguador, faz de tudo para gradar e não discute nem quando tem razão. O preguiçoso abdica de sua autonomia para que alguém faça as coisas por ele”.
c)      Mario Quintana – “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda”.

2. AS CARACTERÍSTICAS DO PREGUIÇOSO

No livro de Provérbios encontramos vários textos sobre o assunto. O mais conhecido de todos é – “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio” – Provérbios 6.6.

Havia na Palestina, um tipo de formiga chamada Ceifadora. E o rei Salomão  faz comparação bem a propósito. A formiga tem líder, tem ordem, tem horário, tem rota, tem tarefa definida. Elas trabalham com afinco para guardar  sua comida para o inverno. Formigas nunca morrem de fome. Bicho-preguiça freqüentemente morrem. Aprender com a formiga foi a intimação do autor bíblico.

Do ponto de vista teológico, a partir das declarações de Salomão podemos perceber a gravidade deste mal e o motivo por que é tratado como um dos setes pecados capitais.

1) A vida dos preguiçosos é cheia de dificuldades, atraso, medo, desapontamentos e sofrimentos. - Uma vida cheia de espinhos e perigos, Pv 15.19; Pv 22.13

2. O preguiçoso é apático e indiferente as circunstâncias, aos conflitos e as necessidades da vida. - Não cuida da sua lavoura e nem da casa - Pv 24.30-32.

O texto do Jornal Correio da Paraíba, de 23 de Agosto de 1998, traz o depoimento da recepcionista de salão de beleza, Marta Jussara de Souza, de 37 anos, que diz: “penso em melhorar, mas tenho preguiça até de ir me matricular no curso de informática que ganhei da dona do salão”. A mesma Jussara, está enrolando há dois anos para tirar uma nova identidade e aposentar seu RG rasurado. A o tentar abrir uma firma no Cartório com o velho documento, foi rejeitado pelo escrivão.

3. A sua apatia é tão grande que a sua vida, é como do bicho preguiça, consiste em dormir.

a) vive deitado – Pv  6.9; 19.15; Pv 24.33-34.

4. O preguiçoso é sonhador

a) Deseja, mas nunca alcança e nem quer trabalhar para alcança-los - Pv 13.4; Pv  21.25; Pv 12.11.

5. O extremo da preguiça

O preguiçoso vive momentos de extremos tremendamente absurdos, ou seja, tem preguiça até de se alimentar - Pv 26.15

6. A companhia de um preguiçoso traz sérios problemas

O preguiçoso pode causar dano para a família ou congregação, sua ausência é muito melhor do sua presença –Pv 18.9; Provérbios 10.26.

3. o apóstolo paulo e os preguiçosos de tessalônica

O apóstolo Paulo tratou deste assunto de forma muito taxativa quando confrontou os preguiçosos da Igreja de Tessalônica – II Tessalonicenses 3.6-12

a) Estes irmãos que andavam desordenadamente eram desocupados e inimigos do trabalho, v. 6,11
b) Estes indivíduos tiravam proveitos da generosidade da Igreja– I Tessalonicenses 4.9-10.
c) Eles dependiam dos irmãos que ganhava a vida trabalhando normalmente, v. 8.
d) Sem ocupação própria, tais preguiçosos intrometiam-se nos negócios alheios, v. 11

As pessoas desocupadas são disseminadoras de boatos, criticando o trabalho de outras pessoas e espalhando mentiras sobre os outros. 

Observem o que Paulo orientou a Timóteo sobre não aceitar as viúvas novas no trabalho de assistência social da Igreja– I Timóteo 5.11-14

e) O apóstolo Paulo afirma que não se deve dar comida ou dinheiro as pessoas em perfeitas condições físicas de trabalho, que não querem emprego fixo para ganhar a vida, v. 10.

Paulo proibiu a Igreja de sustentar pessoas assim, e chegou mesmo a exortar que não se associassem com elas, v. 6. Para concluir a sua exortação, Paulo ensina que aqueles que trabalham no evangelho merecem seus salários: “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (I Coríntios 9.14), mas na Igreja de Tessalônica, fazia –se necessário um exemplo firme para aqueles que recusavam-se a trabalhar. Paulo renuncia seus direitos a recusava-se a receber remuneração, v. 7-9

conclusão

Precisamos entender que a pessoa acaba ficando preguiçosa, não por uma questão de caráter, mas também por algum problema pessoal, tais como:

a) Uma pessoa com anemia, a pressão sangüínea desce e ela acaba tendo pouca vitalidade e vontade  de fazer as coisas;
b) Uma pessoa desmotivada, acaba tendo uma apatia (ou preguiça) para fazer qualquer coisa.

Para estes problemas, um tratamento médico pode resolver.

A preguiça é pecado quando se torna parte integrante do nosso caráter. Os cristãos não devem ser ociosos, mas trabalhar coma finco e  constância para ganhar o próprio sustento e da família, além de ter com que ajudar os necessitados – “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” – Efésios 4.28