sábado, 25 de junho de 2011

AVAREZA – A IDOLATRIA DO TER (Lucas 12.13-34)



Um certo homem fez um pedido muito estranho quando Jesus estava ensinando a uma multidão – “Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança”, v.13. Ninguém sabe quem era este homem. Contudo, sabemos que ele pensava que seu irmão estava enganando-o na partilha da propriedade da família  queria que Jesus interviesse para resolver o assunto. O Senhor Jesus recusou-se, mas no processo ele explicou a relação do homem com as posses e os princípios que governam a atitude cristã com os bens terrenos.

1. UMA PERGUNTA – Lucas 12.14 - Quando o homem pediu a Jesus que arbitrasse a disputa pela herança, ele recusou fazendo uma pergunta: “Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?” (v.14). O Sr. Jesus estava simplesmente dizendo que não era sei propósito acertar diferenças de herança ou propriedades. Aquele homem tinha entendido mal a missão de Jesus. Muitas vezes pensamos que Deus na sua imensa bondade, estará disposto a resolver todo tipo de problema, onde na maioria são movidos por sentimentos egoístas, Tiago 4.3.


2. UMA ADVERTÊNCIA – Lucas 12.15Jesus acrescentou uma advertência,v.15. Além do “tende cuidado...”. Ele acrescentou: “Guardai-vos...”. Do que? - AVAREZA!


1.  O QUE É AVAREZA

Avareza é um desejo desordenado por coisas materiais. Vemos e queremos, não importa como. A avareza é um comportamento pecaminoso advertido com muito rigor nas Escrituras, I Co 5.10-11.

A avareza tem palavras correlatas como: ganância, cobiça e idolatria, e está colocada ao lado de pecados como: injustiça, malícia, maldade, homicídio, adultério, roubo e mentira, I Coríntios 6.9-10.

A avareza se manifesta da seguinte forma:

a. Coisas materiais tornam-se mais importante para nós do que o Senhor – motivo pelo qual a avareza é chamada de idolatria,  Efésios 5.5.

O Novo Testamento coloca as riquezas materiais como um poder que pretendia a adoração, Mt 6.24
Calvino escreveu“Todos os avarentos, necessariamente negam a Deus e põe as riquezas em sue lugar. Minha resposta consiste em que esta enfermidade é amplamente difundida e contamina as mentes de muitos como uma epidemia, mas que não é reconhecida como tal, senão que, ao contrário, é louvada e tida na estima popular” (Comentários de Efésios, pág. 155).
Alguém escreveu“Nunca vi um carro forte acompanhando um carro fúnebre”.

b. Permitimos que o nosso emprego interfira na nossa devoção, Mateus 13.22

Com o propósito de ganhar mais e mais, não temos tempo para: ensino, estudo, oração e adoração. A raiz do problema é que queremos mais e o nosso trabalho é um Deus para conseguir isto.

O autor de Hebreus ensina: Seja a vossa vida isenta de ganância - Hebreus 13.5
Às vezes achamos que nos sentiríamos bem se tivéssemos apenas mais um pouco daquilo que os outros tem, e quando conseguimos, queremos mais alguma coisa.
O Rei Salomão adverte: Quem ama o dinheiro não se fartará de dinheiro, Ec 5.10.
O Apóstolo Paulo adverte que o líder cristão não pode ser avarento, I Timóteo 3.1-3

Esta advertência é necessária porque alguns poderiam ser tentados a aceitar cargos pela promessa de dupla honra (conf. I Timóteo 5.17), como alguns que imaginavam que a santidade era um meio de ganho certo (conf. I Timóteo 6.5). Se não estamos contentes com o que temos, não ficaremos contentes com coisa nenhuma – a avareza é insaciável.

Jesus simplesmente adverte. Lc 12.15 - Coisas materiais não são tudo o que a vida é. Nada realmente valioso, desejável ou duradouro pode ser comprado.

2. UMA PARÁBOLA SOBRE A AVAREZA – Lucas 12.16-21

Este homem tinha três problemas:

a. Era egoísta - Ele estava pensando no seu conforto e segurança, v. 18. Neste versículo está evidente o seu egoísmo, ele fala: “meus celeiros... meu produto... meus bens...”. No início do versículo 17 ele pergunta: “Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?”. Esta é a pergunta que cada ser humano tem que responder, quando possui mais do que necessita, para sustentar a sua própria vida, I João 3.17; Efésios 4.28. Alguém disse: “O avarento acumula riquezas, não para usufruí-las, mas para possuí-las’.

b. Viu só o que estava perto, v.19. As riquezas dão ilusão de segurança hoje, mas no futuro a riqueza não fará diferença, Pv 11.4. O homem fica satisfeito porque pensa que as suas possessões serão o suficiente para muitos anos: “muitos bens... muitos anos...”. Os “muitos anos” foram exatamente o que ele não pode propiciar, pois morreu no dia seguinte. Muitos bens não garantem muitos anos. O Rei Salomão escreveu que o avarento é um suicida em potencial, Provérbios 1.19.

c. Tinha uma meta errada, v. 21. Rico para com Deus é antítese do ajuntamento de tesouros para si mesmo. Como é que se faz para ser rico para com Deus? – Tomando a direção oposta a do homem rico: sendo sensível ás necessidades da humanidade e ministrando a elas, em nome de Deus. A proposta divina para os ricos deste mundo é denunciada pelo apóstolo ao seu amado filho Timóteo:  I Tm 6.17-19. Billy Graham escreveu: “A avareza induz o vendedor de leite a adicionar-lhe água para lucrar mais, ensina o lavrador a colocar as boas maças por cima das meios apodrecidas. É a ganância que faz o advogado mentir, e que leva o mercador a escamotear seus fregueses. É o pecado da avareza que faz com que o sangue dos jogadores e apostadores fervam, endurecendo pouco a pouco seus corações, de tal forma que chegam a perder não só dinheiro e a saúde, mas também suas almas”.

3. UM SERMÃO SOBRE A AVAREZA – lucas 12.22-34 

Neste sermão ele:

a. Prega sobre a preocupação, v.22 - Jesus nos ensina a não nos preocuparmos com as coisas materiais – e deu razões concretas para isso
 A vida é mais importante do que alimento, e se Deus cuida dos pardais e dos lírios, muito mais cuidará de nós.
- Não podemos mudar o curso da historia.
 Agir com preocupação por coisa da vida é agir semelhante aos incrédulos.
- Preocupação revela falta de confiança em Deus.

b. Prega sobre prioridades, v.31 - O Sr. Jesus advertiu sobre a preocupação deste mundo e engano das riquezas que afogam a Palavra em nosso coração para que não dê nenhum fruto, Mateus 13.22. Muitos estão colocando as bênçãos materiais acima das espirituais – cristão que gastam mais tempo e esforços assegurando sua própria prosperidade do que promovendo o reino de Deus. 

c. Pregou sobre a generosidade, v.33 - os cristãos da igreja primitiva vendiam seus bens para ajudar os necessitados - Atos 2.45. Em vez de armazenarmos nossas posses, precisamos ser bons administradores de tudo o que possuímos e usar estas bênçãos para o Senhor e o seu povo – leiamos novamente I Tm 6.17-19.

d. Pregou sobre o coração, v.34 - Podemos ficar ligados a esta vida, porque quando a nossa atenção se concentra aqui, nosso coração seguirá.

Para concluir, vejamos uma ilustração:

Conta-se a história de carcaça de animal descendo flutuando num rio, num frio dia de inverno. Um abutre viu o corpo, precipitou-se sobre ele e começou a comer vorazmente. Á distância, o abutre viu uma perigosa cachoeira, mas sabia que havia muito tempo para comer. Depois de um longo tempo, o abutre levantou os olhos; a cachoeira estava se aproximando rapidamente. Mas, louco de apetite, o abutre continuou comendo, acreditando que teria tempo para engolir mais alguns pedaços. Finalmente, no último momento possível, quando a carcaça estava na borda da queda de água, abutre abriu as asas e tentou levantar vôo. Mas não conseguiu. Suas garras estavam congeladas no corpo do animal e ele mergulhou para a morte.

Seremos como o abutre, se continuarmos anos devotar as causa desta vida. Leiamos novamente Lucas 12.31: “Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas cousas vos serão acrescentadas”.


terça-feira, 21 de junho de 2011

DEUS É ALEGRE E EU QUERO SER TAMBÉM!...


Deus é alegre.
Deus é feliz.
Deus é amor.

Afinal, se Deus me manda ser alegre, grato e contente, é porque Ele mesmo é assim...

Deus grato?...— que blasfêmia!

Ora, o amor é feliz, se alegra, exulta, come e bebe contentamento, até quando não há razões externas; posto que a alegria do amor não venha de baixo, mas de cima... Sim, vem do alto; vem de Deus; e não depende de mais nada além da felicidade de Deus, da paz de Deus e do Gozo do Amor no qual Deus É. 

Grato a “Quem”?...

Ora, se Deus se entende com Deus por mim, segundo o patriarca Jó; e se Jesus disse que Deus é manso e humilde de coração...; e se Paulo disse que Deus se submeteu a Deus em Jesus — então, para mim, é simples crer que Deus seja também grato e feliz. Não sei como é..., mas sei que Deus é grato assim como Jesus demonstrou gratidão sempre.

Toda a tônica da Escritura quando se trata de bem-aventuranças, sempre nos remete para a alegria. Afinal, a alegria do Senhor é a nossa força! Os salmos são convites regulares e freqüentes à alegria, ao salmodiar, ao fazer poesia para Deus e para a vida...

No Evangelho tudo é alegria, até a lágrima que faz o coração estranhamente feliz: uma verdadeira bem-aventurança. Os Profetas sempre dizem que o sinal da reconciliação do homem com Deus implica em alegria, em festa, em folguedo, em dança, e baile de gratidão. 
Sim, até o fim do mundo deve ser visto com exultação prospectiva, pois, se crê que haverá novos céus e nova terra.

“Alegrai-vos”; “exultai”; “erguei as vossas cabeças” — são expressões que nos mandam abraçar a alegria mesmo que seja enquanto se foge, errantemente..., e sem chão no mundo...  Paulo nos diz que o grande poder na vida é contentamento sempre, é gratidão sempre, é a capacidade de poder tudo Naquele que nos fortalece; seja no tudo do tudo..., ou seja no tudo do nada... 

Provavelmente o grito mais emblemático desse mandamento existencial da alegria venha do Profeta Habacuque, quando disse que deveríamos viver alegres com uvas ou com espinhos, com leite ou com lama, com pastos verdes ou na grama marrom da seca, tendo ou não tendo, ou até esperando e vendo a promessa mentir ou atrasar-se... — enfim, em qualquer circunstância; e sempre dizendo: “Ainda que seja tudo ruim, eu me alegro no Senhor, no Deus da minha salvação”.

Segundo Jesus, a grande resposta do homem à calamidade, à perseguição que aconteça em razão da verdade e da justiça, deve levá-lo para um lugar de exultação.  No entanto, o contentamento, a alegria, a gratidão que vêm de Deus, só se estabelecem em nós com a invasão da eternidade no coração do homem, e com a consciência em fé que o faça transcender..., sim, na esperança da glória de Deus; pois, somente depois disso é que se dá o passo seguinte, que é aprendermos a nos gloriar nas próprias tribulações. Em Paulo, sua maior exortação à alegria foi feita enquanto ele estava preso em um calabouço gelado e sem amigos...

Assim, saiba:
Você não tem que andar gargalhando...
Alegria não é gargalhada necessariamente...
Ao contrario, muitas vezes as alegrias mais profundas vêm nas correntes das lágrimas...

Sim, pode; pois o Espírito da Vida habita em nós! 
Entretanto, seja sorrindo seja chorando, a alma pode aprender a alegria e a serenidade exultante no espírito!

Nele, que viu o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficou satisfeito...

sábado, 11 de junho de 2011

GLUTONARIA – A IDOLATRIA DO VENTRE (Filipenses 3.17-21)


INTRODUÇÃO

No livro “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, quando ele descreve o inferno, afirma que há um lugar reservado só para os glutões – era o chamado “Terceiro Círculo”.

O que é glutonaria (gula)? - Antes de trabalhamos o conceito devemos fazer uma distinção entre os dois tipos de gula:

a) A Gula Biológica – que deriva de uma disfunção do organismo.

Segunda a revista Veja (22/03/2000, pág. 114), 2% da população mundial sofre de doença chamada “transtorno do comer compulsivo”. As vítimas sofrem e fazem até cirurgia para reduzir o tamanho do estômago, recorrem a medicamentos e se submetem a tratamentos rigorosos, com o objetivo de diminuir o apetite e manter o corpo numa boa forma.

b) A Gula Filosófica ou Espiritual – esta é a pior, porque deriva de uma opção – “a opção pelo ventre” (Fp 3.19).

O glutão “não comem para viver, viver para comer”. Portanto, o glutão é aquele que coloca o prazer de comer muito acima de qualquer outra coisa. Para o glutão, a vida só tem sentido nos banquetes e festas gastronômicas. O pecado da gula é, portanto, comer sem necessidade, sem sentir fome; comer além do limite, compulsivamente (Boca Nervosa – Ana Maria Braga). Na Roma antiga, os romanos eram glutões inveterados. Ficaram famosos na história, entre outros motivos, pelos requintados e infindos banquetes, nos quais comiam até não mais agüentam a comida. Depois, iam à janela mais próxima, colocavam para fora tudo o que havia sido ingerido e voltavam para a mesa. Para quê? Para comer de novo.

No texto que fundamenta o nosso estudo, o apóstolo Paulo diz que alguns crentes daquela Igreja, em vez de procurar manter seus apetites físicos sob controle, estas pessoas se entregarem a glutonaria. Com base no ensinamento bíblico, percebe-se que a glutonaria é um pecado por algumas razões, entre as quais podemos destacar:

1.  a gula é pecado porque significa a idolatria do ventre

Baseado em Fp 3.19, conclui-se, que a prática da glutonaria constitui-se em idolatria, pois a comida torna-se um Deus, isto é, a coisa mais importante para a pessoa. O verbo mais conjugado na vida do guloso é comer – o estômago é um Deus que precisa ser saciado. O apóstolo Pedro associa glutonaria a idolatria,– I Pedro 4.3. O apóstolo Paulo diz que a glutonaria é um comportamento mundano e desonesto, Romanos 13.12-13.

No Antigo Testamento, a glutonaria era algo tão sério, que associava a rebeldia, o glutão pagava com a própria vida por esse pecado – Deuteronômio 21.17-18. (versão corrigida).

Nenhum cristão está proibido de participar de festas onde há muita comida. O importante é não priorizar estas coisas em detrimentos do Reino, – Provérbios 13.25. Comer bem não significa comer exageradamente. É perfeitamente possível comer bem, aplicando-se a moderação.

Os homens de Filipos, aos quais o apóstolo Paulo considerava como “inimigos da cruz de Cristo” (v.18), a única preocupação deles era com satisfação dos desejos carnais. O seu Deus é o estômago. São glutões.

2. a gula é um perigo porque demonstra um comportamento egoísta

O guloso se farta em suas orgias enquanto que milhares a sua volta estão morrendo de fome. O rico da parábola contada por Jesus era um glutão. Enquanto ele se banqueteava, Lázaro comia o que era jogado no lixo (Lucas 16.19-31). Na Igreja os mais ricos, antecipavam as suas ceia, enquanto outros não tinham o que comer e passavam forte – I Coríntios 11.21. O apóstolo Judas denuncia os falsos líderes que assim se comportam, pois comprometem a imagem da Igreja, Judas 12.

Observa-se, ainda hoje, que tal atitude está presente em muitas vidas. Não são poucos aqueles que comem além do necessário, desperdiçavam comida e fecham os olhos para as necessidades dos outros. O egoísmo não é próprio daquele que caminha com Jesus. Aliás, o desafio é para que alimentamos inclusive os nossos inimigos – Romanos 12.20.

3. a gula é um pecado porque implica em males físicos

Todos sabem dos grandes males que o cigarro é o álcool provoca no organismo, no entanto, não há a mesma preocupação com os males provocados  pela falta de equilíbrio e controle alimentar. O texto da revista Veja diz: “... o comer compulsivo não só dilata o estômago como provoca distúrbios cardiovasculares, eleva a taxa de colesterol e aumenta a propensão ao diabete”. 

A Bíblia é clara em afirmar que:
a) O nosso corpo é tabernáculo do Espírito Santo, I Coríntios 6.19.
b) O nosso corpo deve ser oferecido como sacrifício vivo santo e agradável a Deus, Romanos 12.1.

Portanto, a glutonaria é pecado, pois atinge o corpo que é propriedade exclusiva de Deus. Na culinária do povo de Deus, havia a recomendação para não se ingerir gordura – “Estatuto perpétuo será durante as vossas gerações, em todas as vossas moradas; gordura nenhuma nem sangue jamais comereis.” – Levítico 3.17.

4. a cura para a gula - moderação

A Moderação se aplica a tudo na vida. Evitar exagero e ultrapassar limites, são atitudes que revelam equilíbrio e bom senso, trazendo resultados benéficos para a caminhada neste mundo. Isso se aplica a questão alimentar. É importante aprendermos duas:

1. O desejo de comer não é, em si mesmo, um pecado. É uma função física normal de nossos corpos – contudo, quando este desejo está fora de controle, permitimos que a glutonaria entre em nossa vida;

2. Comer bem não significa comer exageradamente. É perfeitamente possível comer bem, aplicando-se a moderação.

conclusão

O Cristão precisa entender de que consiste o Reino de Deus –Romanos 14.17. Como se comportaria alguns cristãos gulosos diante do propósito que tomou o profeta Daniel em recusar a comida do rei, por uma questão de santificação –– Daniel 1.8-18Talvez seja em função dos males físicos e  espirituais da glutonaria que a Bíblia recomende a prática do jejum. O Senhor Jesus recomenda  (João 6.27). A nossa oração diante deste pecado é – Salmo 141.3-4