domingo, 25 de maio de 2008

A SANTIFICAÇÃO DE UM PONTO DE VISTA REFORMADO

A SANTIFICAÇÃO DE UM PONTO DE VISTA REFORMADO
I Coríntios 6.9-11

Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a Palavra de Deus está repleta de recomendação para que o povo de Deus viva uma vida de santidade. A santidade de Deus exige de seu povo uma vida também santa.

O Senhor Jesus afirmou – “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”, Mt 5.48

O apóstolo Pedro exortou – “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” I Pe 1.16

De acordo com o Breve Catecismo de Westminster, a santificação é: “Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão” (Breve Catecismo, pergunta 35).

Portanto, a santificação é uma mudança contínua operada por Deus em nós, livrando-nos dos hábitos pecaminosos e formando em nós afeições, disposições e virtudes semelhantes às de Cristo: “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. A mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências”. Gl 5.22-24.

A santificação é uma real transformação e não mera aparência.

I. O SIGNIFICADO BÁSICO DA SANTIFICAÇÃO

O significado básico da santificação é separar para Deus, para o seu uso. Porém, esse ato, é operado por Deus naquele a quem Ele reivindica como sua propriedade, de maneira a torná-los semelhantes a “imagem do seu filho”: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”; Romanos 8.28-29

Esse processo, pelo qual somos crescentemente mudados naquilo que éramos outrora. Ocorre pela ação do Espírito que habita em nós: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita”. Rm 8.11.

Deus chama seus filhos para a santidade e, graciosamente, lhes dá o que Ele mesmo exige: “Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; I Ts 4.4-5;

Abstende-vos de toda espécie de mal. E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, e ele também o fará. I Ts 5.23-24.

II. SANTIFICAÇÃO E REGENERAÇÃO

As definições encontradas pelo teólogos tanto para a santificação, como para a regeneração apresentam semelhanças, contudo, há um limite para ambos.

1. Regeneração
Regeneração é nascimento. Na regeneração, Deus implanta em nós desejos que antes não tínhamos – desejo para Deus, desejos pela santidade e de glorificar a Deus; desejos de orar e de cultuar; desejo de amar e de fazer o bem aos outros. A regeneração é um ato instantâneo de Deus que leva a pessoa da morte para a vida (novo nascimento).

2. Santificação
A santificação é crescimento. Na santificação, o Espírito santo capacita o crente para cumprir seus novos e santos desejos: “De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fp 2.12-13.

A santificação é um processo constante, que depende da ação contínua de Deus no crente, e consiste na contínua luta do crente contra o pecado: “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. Fp 3.12-14.

III. A SANTIFICAÇÃO E A CARNE

“Esta santificação é no homem todo, porém imperfeita nesta vida; ainda persistem em todas as partes dele resto de corrupção, e daí nasce uma guerra contínua e irreconciliável – a carne lutando contra o Espírito e o Espírito contra a carne”. (Confissão de Fé de Westminster, capítulo XII.II – Rm 7.19,23; Gl 5.17; I Pe 2.11).

Os crentes encontram dentro de si mesmos impulsos contraditórios: Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Rm 7.15-20.

O Espírito Santo sustenta os desejos e propósitos regenerados, porém, os instintos decaídos (a carne) obstruem o caminho e arrasta-o para trás. Esse conflito e frustração acompanharão os crentes enquanto viverem no corpo. Contudo, vigiando e orando contra a tentação e cultivando virtudes opostas ao pecado, eles podem, através da ajuda do Espírito santo, “mortificar” maus hábitos específicos.

Concluindo, afirmamos que o Senhor Jesus Cristo, requer a perfeição do homem - “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”, Mt 5.48. Contudo, Ele provê santidade mediante p seu perfeito sacrifício, que removeu para sempre os pecados do seu povo, Hb 9-10.

O Espírito Santo inscreve as leis morais de Deus em seus corações: Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, Hb 12.14