domingo, 2 de setembro de 2007

LUXÚRIA – O PECADO DO EXCESSO, Marcos 7.16-23

O termo luxúria é uma palavra com muitos sinônimos que descrevem um mesmo e velho pecado.

Para início, busquemos definições técnicas e teológicas para três palavras que estão relacionadas:
Luxúria – incontinência, dissolução e corrupção;
Lascívia – sensualidade;
Libertinagem – devassidão.

O termo libertinagem é explicado da seguinte maneira. Em Nota de estudo da NVI diz: “Ato de viver somente para o prazer próprio, de esbanjar a vida em prazeres tolos e perversos”.

I BREVE ANÁLISE DE TEXTOS CORRELATOS

1. Nas variadas versões da bíblia , há textos onde a mesma palavra foi traduzida para o nosso idioma com uma ou outra dessas palavras acima. Como por exemplo: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia...” – Gálatas 1.19.

W. Hendriksen comentando este texto, afirma que os três vícios mencionados: prostituição, impureza e lascívia – “tem um significado distinto, contudo, os três vícios têm algo em comum, a saber, um desvio da vontade de Deus quanto ao sexo”.

2. O texto de Marcos 7.21 (versão atualizada) o termo luxúria é traduzido por “adultério”. E ainda o texto de Mateus 5.28 (versão atualizada) o termo luxúria foi traduzido por “intenção impura”.

3. Em I Coríntios 6.18, está escrito: “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo”.

O imperativo presente indica a ação habitual - “fazei vosso hábito fugir”.

Para o apóstolo Paulo, a luxúria, fere as próprias raízes da constituição essencial do ser homem – “Os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele. Porém o corpo não é para a impureza, mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo” – I Coríntios 6.13.

II. LUXÚRIA – CONCEITOS DO TERMO

O Dicionário de Teologia da ASTE, assim define a luxúria: “Este vicio é conhecido pela necessidade da pessoa em manter diversas relações sexuais, as vezes com diversos parceiros, e com todo tipo de variedade possível. A luxúria é a corrupção de um ato sublime. Faz frente a lealdade, pois o luxurio trai sua mente (intenção impura), trai seu cônjuge. Não ceder a luxúria (fugi...) é provar sua firmeza de caráter, seu domínio sobre seus desejos mais fortes e apelativos, uma prova de autocontrole” (Dicionário da ASTE, pág 1324).

Aprofundando este tema em nosso contexto, como lidar com isso?

Vivemos numa época de banalização do sexo. Todo tipo de impureza se intensifica a cada dia. Tudo começou com uma “amizade colorida”, depois veio o “ficar” e por último “casamento de homossexual”.

O apelo sexual da propaganda e publicidade é algo que incomoda

A multiplicação de motéis é estarrecedor

As revistas, as músicas, os programas de TV, de modo geral, sempre trazem um forte apelo sexual.

III. LUXÚRIA – UM MUNDO EM BUSCA DO PRAZER

A luxúria é o abuso do sexo, quando não se contem e não se controla, mas se corrompe e vive dissolutamente. Em um mundo que se busca sempre o prazer, observa-se três práticas:

1. A prática do individualismo

O sexo se torna uma forma de satisfazer os apetites de uma única pessoa. Não há uma preocupação mínima com a outra pessoa.

É como escreveu a profª Maria Clara Luchetti (doutora em teologia) – “Na luxúria o uso do outro é desordenado, e tenta-se colocar o outro a serviço de seu prazer e deleite. Vai-se em busca do próprio gozo e das próprias sensações e não se cuida do prazer do outro, do desejo de outro. Desta relação não brota, pois, a comunhão e muita menos a fecundidade. ´w um caminho que conduz a morte e não há vida. Seu fruto é amargo é o deserto, o vazio” (Pecados, pág. 121).

A bíblia tanto mostra como individualismo e a comunhão se manifesta através do sexo:

O individualismo – “Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; e chamaram por Ló e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles”. – Gênesis 19.4-5.

A comunhão – “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido. O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência”. – I Coríntios 7.1-5.

2. A prática da multiplicação das relações sexuais

É como se muito sexo com muitas pessoas diferentes capacitasse o ser humano a tornar-se melhor; como se o homem fosse mais masculino e a mulher mais feminina com a multiplicação das relações sexuais.

A bíblia afirma que a multiplicação das relações sexuais é algo que causa a desonra do ser humano: “Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si”. – Romanos 1.24

3. A prática sexual insaciável

Vivemos em um mundo que sofre de hipersexualidade. O ser humano nunca se contém, nunca está satisfeito e pensa no sexo como se o mesmo fosse capaz de lhe trazer respostas e dignidade.

Aqui entra a compulsão sexual – “Uma necessidade irrefreável de sexo que faz com que o indivíduo perca o controle sobre o próprio desejo” (Revista TUDO, de 09/08/2002).

O Prof. Silvio José Pilon (psicólogo) diz: “As pessoas estão fazendo muito sexo, mas continua infelizes” (Revista TUDO, 30/08/2002).

IV. COMO O CRISTÃO DEVE SE COMPORTAR DIANTE DA LUXÚRIA

1. “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo”. – I Coríntios 6.18

O verbo “fugir” aqui, não é sinal de covardia. Neste tipo de confronto, a fuga não representa perda, e sim, ganho – observar o comportamento de José, diante da luxúria.

2. “Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam; nada disto se me pegará”. – Salmo 101.3

Os vídeos e cinemas eróticos, revistas, os trajes indecentes e outros, fomentam e propiciam toda sorte de tentação e luxúria.
“... e, como Sodoma, publicam o seu pecado e não o encobrem. Ai da sua alma! Porque fazem mal a si mesmos” – Isaías 3.9

Há importância fundamental na nossa espiritualidade, o usar dos nossos olhos – “São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!”. – Mateus 6.22

PARA CONCLUIR

A Igreja deve ter uma clara percepção da ação divina nela e através dela, pois é a ação de Deus que nos capacita a deixar as obras da carne e produzir o fruto do Espírito.

A Igreja deve apresentar um claro ensino sobre a sexualidade, a partir da sadia doutrina do corpo humano, aprendendo com uma boa teologia bíblica evangélica, evitando que os santos cometam aberrações.

Portanto, forças para agir de modo diferente do mundo vem de Deus, não de nós mesmos.
“Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça. Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita” – Romanos 8.5-11.

GLUTONARIA – PECANDO DE BARRIGA CHEIA, Filipenses 3.17-21

No livro “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, quando ele descreve o inferno, afirma que há um lugar reservado só para os glutões – era o chamado “Terceiro Círculo”.

O que é glutonaria (gula)?
Antes de trabalhamos o conceito devemos fazer uma distinção entre os dois tipos de gula:

1. A Gula Biológica – que deriva de uma disfunção do organismo.
Segunda a revista Veja (22/03/2000, pág. 114), 2% da população mundial sofre de doença chamada “transtorno do comer compulsivo”.
As vítimas sofrem e fazem até cirurgia para reduzir o tamanho do estômago, recorrem a medicamentos e se submetem a tratamentos rigorosos, com o objetivo de diminuir o apetite e manter o corpo numa boa forma.

2. A Gula Filosófica ou Espiritual – esta é a pior, porque deriva de uma opção – “a opção pelo ventre” – “O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.” – Filipenses 3.19.

O glutão “não comem para viver, viver para comer”.

Portanto, o glutão é aquele que coloca o prazer de comer muito acima de qualquer outra coisa. Para o glutão, a vida só tem sentido nos banquetes e festas gastronômicas.

O pecado da gula é, portanto, comer sem necessidade, sem sentir fome; comer além do limite, compulsivamente (Boca Nervosa – Ana Maria Braga).

Na Roma antiga, os romanos eram glutões inveterados. Ficaram famosos na história, entre outros motivos, pelos requintados e infindos banquetes, nos quais comiam até não mais agüentam a comida. Depois, iam à janela mais próxima, colocavam para fora tudo o que havia sido ingerido e voltavam para a mesa. Para quê? Para comer de novo.

No texto que fundamenta o nosso estudo, o apóstolo Paulo diz que alguns crentes daquela Igreja, em vez de procurar manter seus apetites físicos sob controle, estas pessoas se entregarem a glutonaria – “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.” – I Coríntios 9.27

Com base no ensinamento bíblico, percebe-se que a glutonaria é um pecado por algumas razões, entre as quais podemos destacar:

I. A GULA É PECADO PORQUE SIGNIFICA IDOLATRIA DO VENTRE
“O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.” – Filipenses 3.19

Baseado neste texto, conclui-se, que a prática da glutonaria constitui-se em idolatria, pois a comida torna-se um Deus, isto é, a coisa mais importante para a pessoa.
O verbo mais conjugado na vida do guloso é comer – o estômago é um Deus que precisa ser saciado.

O apóstolo Pedro associa glutonaria a idolatria – “Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias (glutonarias), bebedices e em detestáveis idolatrias”.– I Pedro 4.3

O apóstolo Paulo diz que a glutonaria é um comportamento mundano e desonesto – “A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidade, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja”.– Romanos 13.12-13

No Antigo Testamento, a glutonaria era algo tão sério, que associava a rebeldia, o glutão pagava com a própria vida por esse pecado – “Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, seu pai e sua mãe o pegarão, e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é dissoluto e beberrão. Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra; assim, eliminarás o mal do meio de ti; todo o Israel ouvirá e temerá”. - Deuteronômio 21.17-18. (versão corrigida).

Nenhum cristão está proibido de participar de festas onde há muita comida. O importante é não priorizar estas coisas em detrimentos do Reino – “O justo tem o bastante para satisfazer o seu apetite, mas o estômago dos perversos passa fome.” – Provérbios 13.25.

Comer bem não significa comer exageradamente. É perfeitamente possível comer bem, aplicando-se a moderação.

Os homens de Filipos, aos quais o apóstolo Paulo considerava como “inimigos da cruz de Cristo” (v.18), a única preocupação deles era com satisfação dos desejos carnais. O seu Deus é o estômago. São glutões.

II. A GULA É UM PERIGO PORQUE DEMONSTRA UM COMPORTAMENTO EGOÍSTA

O guloso se farta em suas orgias enquanto que milhares a sua volta estão morrendo de fome.

O rico da parábola contada por Jesus era um glutão. Enquanto ele se banqueteava, Lázaro comia o que era jogado no lixo (Lucas 16.19-31).

Na Igreja os mais ricos, antecipavam as suas ceia, enquanto outros não tinham o que comer e passavam forte – “Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague.” – I Coríntios 11.21

O apóstolo Judas denuncia os falsos líderes que assim se comportam, pois comprometem a imagem da Igreja – “Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, banqueteando-se juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas”, Judas 12.

Observa-se, ainda hoje, que tal atitude está presente em muitas vidas. Não são poucos aqueles que comem além do necessário, desperdiçavam comida e fecham os olhos para as necessidades dos outros.

O egoísmo não é próprio daquele que caminha com Jesus. Aliás, o desafio é para que alimentamos inclusive os nossos inimigos – “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.” – Romanos 12.20.

III. A GULA É UM PECADO PORQUE IMPLICA EM MALES FÍSICOS

Todos sabem dos grandes males que o cigarro é o álcool provoca no organismo, no entanto, não há a mesma preocupação com os males provocados pela falta de equilíbrio e controle alimentar.

O texto da revista Veja diz: “... o comer compulsivo não só dilata o estômago como provoca distúrbios cardiovasculares, eleva a taxa de colesterol e aumenta a propensão ao diabete”.

A Bíblia é clara em afirmar que:

O nosso corpo é tabernáculo do Espírito Santo – “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” I Coríntios 6.19.

O nosso corpo deve ser oferecido como sacrifício vivo santo e agradável a Deus – “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Romanos 12.1.

Portanto, a glutonaria é pecado, pois atinge o corpo que é propriedade exclusiva de Deus.

Na culinária do povo de Deus, havia a recomendação para não se ingerir gordura – “Estatuto perpétuo será durante as vossas gerações, em todas as vossas moradas; gordura nenhuma nem sangue jamais comereis.” – Levítico 3.17

IV. A CURA PARA A GULA – MODERAÇÃO

A Moderação se aplica a tudo na vida. Evitar exagero e ultrapassar limites, são atitudes que revelam equilíbrio e bom senso, trazendo resultados benéficos para a caminhada neste mundo.

Isso se aplica a questão alimentar.

É importante aprendermos duas:

1. O desejo de comer não é, em si mesmo, um pecado. É uma função física normal de nossos corpos – contudo, quando este desejo está fora de controle, permitimos que a glutonaria entre em nossa vida;

2. Comer bem não significa comer exageradamente. É perfeitamente possível comer bem, aplicando-se a moderação.

Para Concluir:

O Cristão precisa entender de que consiste o Reino de Deus – “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Romanos 14.17

Como se comportaria alguns cristãos gulosos diante do propósito que tomou o profeta Daniel em recusar a comida do rei, por uma questão de santificação – “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. Ora, Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos. Disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; por que, pois, veria ele o vosso rosto mais abatido do que o dos outros jovens da vossa idade? Assim, poríeis em perigo a minha cabeça para com o rei. Então, disse Daniel ao cozinheiro-chefe, a quem o chefe dos eunucos havia encarregado de cuidar de Daniel, Hananias, Misael e Azarias: Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias; e que se nos dêem legumes a comer e água a beber. Então, se veja diante de ti a nossa aparência e a dos jovens que comem das finas iguarias do rei; e, segundo vires, age com os teus servos. Ele atendeu e os experimentou dez dias. No fim dos dez dias, a sua aparência era melhor; estavam eles mais robustos do que todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei. Com isto, o cozinheiro-chefe tirou deles as finas iguarias e o vinho que deviam beber e lhes dava legumes. Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos. Vencido o tempo determinado pelo rei para que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe à presença de Nabucodonosor.”– Daniel 1.8-18”.

Talvez seja em função dos males físicos e espirituais da glutonaria que a Bíblia recomende a prática do jejum.

O Senhor Jesus recomenda – “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo” (João 6.27).

A nossa oração diante deste pecado é – “Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios. Não permitas que meu coração se incline para o mal, para a prática da perversidade na companhia de homens que são malfeitores; e não coma eu das suas iguarias”.– Salmo 141.3-4

PREGUIÇA – O PECADO DA INDOLÊNCIA, Provérbios 6.6-11


Mário Quintana disse: “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de andar, não teria inventado a roda”. O Bicho-preguiça na natureza é muito interessante:
a) A Preguiça não caça animais, mas se alimenta apenas de folhas. Ela é seletiva, não come qualquer folha;
b) A postura natural da preguiça é invertida em relação aos outros animais. Ela precisa viver nos galhos, e não no chão. Fica pendurada e as mãos funcionam como ganchos. Se não tiver um galho para se pendurar entra em stresse;
c) A lentidão dos movimentos, o longo período de inatividade e a forma de se locomover e a postura são algumas de suas características;
d) Elas não bebem água, pois a água que precisam para viver é absorvida do próprio alimento;
e) É um animal dócil e indiferente ao que acontece ao seu redor. Conhece o perigo, mas não reage;
f) As preguiças costumam dormir cerca de 14 a 16 horas por dia.

Você conhece algum assim?
Aquela moleza própria da segunda feira, ou curtir a cama num domingo de chuva, sem a obrigação de trabalho, escola ou igreja é pecado?

I. PREGUIÇA – SEUS CONCEITOS

O que é Preguiça?

1. Os dicionários definem a preguiça como: “Indolência, falta de inclinação ao exercício, inatividade, vadiagem, ociosidade, vagabundo, lento, vagarosos, viver a custa dos outros, relaxado, molenga, passar o tempo, dorminhoco, inútil, comportamento vegetativo, imobilidade, inércia, folgado, negligente, etc”.

2. O Catecismo Católico diz: “Este pecado indica a pessoa que por opção, não tem preocupação em fazer nada e nem se preocupar com nada, e quando faz algo, é de má vontade e de forma vagarosa (ou rápida demais) e imperfeita”.

3. Uma autodefinição: “Sou um homem preguiçoso, acho que ficar em pé é melhor do que andar; sentar, melhor do que ficar em pé; deitar, melhor do que sentar e dormir é ainda melhor do que ficar só deitado”. (O Elogio da Preguiça – Uma Crônica Budista)

4. Ponto de vista antropológico: “Do ponto de vista antropológico, a preguiça não pode ser interpretada como virtude. A necessidade do lazer, do descanso é um direito. A preguiça, portanto, não é lazer, mas é negação e omissão à participação na solução de situações, é omissão na integração comunitária, é isentar-se da responsabilidade individual e social (Isidoro Mazzarolo, doutor em teologia da PUC, RJ)”.
5. Ponto de vista científico: Ricardo Moreno, psiquiatra da USP, afirma – “A preguiça é um dos sintomas de alguma doença. Entre elas, a anemia, câncer, hipertiroidismo, depressão e até uma virose deixam qualquer um sem gás. Por isso é preciso ficar alerta quando se passa a prejudicar a vida pessoal, social e profissional por preguiça” (Jornal O Correio da Paraíba, 23/08/1998).

Ricardo Moreno afirma que há os “preguiçosos por natureza. São pessoas mais lentas, detalhistas, do tipo que levam horas para fazer algo, gostam e precisam de mais descanso. Isso se deve ao metabolismo, que dita um ritmo mais vagaroso, e apenas 1% da população mundial tem este biotipo”

Mesmo tendo conceitos tão negativos tão negativos, há ainda quem defenda a preguiça de forma ardente, como por exemplo:
a) Oscar Wilde (Escritor) – “O trabalho é o refúgio de quem não tem nada de interessante pra fazer”.
b) Anna Matilde (Psicóloga da USP) – “O preguiçoso é apaziguador, faz de tudo para gradar e não discute nem quando tem razão. O preguiçoso abdica de sua autonomia para que alguém faça as coisas por ele”.
c) Mario Quintana – “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda”.

II. ANÁLISE DO TEXTO – Provérbios 6.6-11

No livro de Provérbios encontramos vários textos sobre o assunto. O mais conhecido de todos é – “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio” – Provérbios 6.6.
Havia na Palestina, um tipo de formiga chamada Ceifadora. E o rei Salomão faz comparação bem a propósito. A formiga tem líder, tem ordem, tem horário, tem rota, tem tarefa definida.
Elas trabalham com afinco para guardar sua comida para o inverno. Formigas nunca morrem de fome. Bicho-preguiça freqüentemente morrem. Aprender com a formiga foi a intimação do autor bíblico.

III. AS CARACTERISTICAS DO PREGUIÇOSO

Do ponto de vista teológico, a partir das declarações de Salomão podemos perceber a gravidade deste mal e o motivo por que é tratado como um dos setes pecados capitais.

1) A vida dos preguiçosos é cheia de dificuldades, atraso, medo, desapontamentos e sofrimentos.
a) Uma vida cheia de espinhos - “O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é plana”. – Provérbios 15.19
b) Uma vida cheia de perigos – “Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas”. – Provérbios 22.13

2. O preguiçoso é apático e indiferente as circunstâncias, aos conflitos e as necessidades da vida.
a) Não cuida da sua lavoura – “Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas”. Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a instrução”. – Provérbios 24.30-32.
b) Não cuida da casa – “Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa” – Eclesiastes 10.18.
O texto do Jornal Correio da Paraíba, de 23 de Agosto de 1998, traz o depoimento da recepcionista de salão de beleza, Marta Jussara de Souza, de 37 anos, que diz: “penso em melhorar, mas tenho preguiça até de ir me matricular no curso de informática que ganhei da dona do salão”. A mesma Jussara, está enrolando há dois anos para tirar uma nova identidade e aposentar seu RG rasurado. A o tentar abrir uma firma no Cartório com o velho documento, foi rejeitado pelo escrivão.

3. A sua apatia é tão grande que a sua vida, é como do bicho preguiça, consiste em dormir.
“Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?” – Provérbios 6.9.
“A preguiça faz cair em profundo sono, e o ocioso vem a padecer fome”. – Provérbios 19.15.
“Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” – Provérbios 24.33-34.

4. O preguiçoso é sonhador
a) Deseja, mas nunca alcança – “O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta” – Provérbios 13.4.
b) Deseja, mais não quer trabalhar – “O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar” – Provérbios 21.25.
A mente dos preguiçosos é muitos preocupados com “eu desejo”, associado com vâs imaginações de viver fácil e indulgente, enquanto que seus corpos físicos se recusam a mover-se. Eles almejam muito, mas conseguem poucos, por que suas mãos se recusam a trabalhar – “O que lavra a sua terra será farto de pão, mas o que corre atrás de coisas vãs é falto de senso” – Provérbios 12.11.

5. O extremo da preguiça
O preguiçoso vive momentos de extremos tremendamente absurdos.
a) Ele tem preguiça para fazer sexo
A psicóloga Lígia Telles, diz: “Quanto a preguiça de fazer sexo é mais comum do que a gente pensa. A maioria das pessoas, hoje em dia, vai para a cama na hora em que estão morrendo de sono. Aí, bate mesmo aquela preguiça. Nessa hora, para o preguiçoso dormir é o melhor negócio”
b) Ele tem preguiça para se alimentar
Quando uma pessoa tem fome, o estômago desperta na ânsia de comer e isto dispara aquela pessoa a se mover e envidar esforços. Mas há os que são tão preguiçosos que até mesmo comer é trabalhoso – “O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar à boca” – Provérbios 26.15

6. A companhia de um preguiçoso traz sérios problemas
O preguiçoso pode causar dano para a família ou congregação, sua ausência é muito melhor do sua presença – “Quem é negligente na sua obra já é irmão do desperdiçador” (Provérbios 18.9); “Como vinagre para os dentes e fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam” (Provérbios 10.26).

IV. O APÓSTOLO PAULO E OS PREGUIÇOSOS DE TESSALÔNICA
O apóstolo Paulo tratou deste assunto de forma muito taxativa quando confrontou os preguiçosos da Igreja de Tessalônica – II Tessalonicenses 3.6-12
a) Estes irmãos que andavam desordenadamente eram desocupados e inimigos do trabalho, v. 6,11
b) Estes indivíduos tiravam proveitos da generosidade da Igreja – “No tocante ao amor fraternal, não há necessidade de que eu vos escreva, porquanto vós mesmos estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos outros; e, na verdade, estais praticando isso mesmo para com todos os irmãos em toda a Macedônia. Contudo, vos exortamos, irmãos, a progredirdes cada vez mais”. – I Tessalonicenses 4.9-10.
c) Eles dependiam dos irmãos que ganhava a vida trabalhando normalmente, v. 8.
d) Sem ocupação própria, tais preguiçosos intrometiam-se nos negócios alheios, v. 11
As pessoas desocupadas são disseminadoras de boatos, criticando o trabalho de outras pessoas e espalhando mentiras sobre os outros.
Observem o que Paulo orientou a Timóteo sobre não aceitar as viúvas novas no trabalho de assistência social da Igreja – “Mas rejeita viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se, tornando-se condenáveis por anularem o seu primeiro compromisso. Além do mais, aprendem também a viver ociosas, andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o que não devem. Quero, portanto, que as viúvas mais novas se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa e não dêem ao adversário ocasião favorável de maledicência” – I Timóteo 5.11-14
e) O apóstolo Paulo afirma que não se deve dar comida ou dinheiro as pessoas em perfeitas condições físicas de trabalho, que não querem emprego fixo para ganhar a vida, v. 10.
Paulo proibiu a Igreja de sustentar pessoas assim, e chegou mesmo a exortar que não se associassem com elas, v. 6
Paulo ensina que aqueles que trabalham no evangelho merecem seus salários: “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (I Coríntios 9.14), mas na Igreja de Tessalônica, fazia –se necessário um exemplo firme para aqueles que recusavam-se a trabalhar. Paulo renuncia seus direitos a recusava-se a receber remuneração, v. 7-9

Para Concluir:
Precisamos entender que a pessoa acaba ficando preguiçosa, não por uma questão de caráter, mas também por algum problema pessoal, tais como:
a) Uma pessoa com anemia, a pressão sangüínea desce e ela acaba tendo pouca vitalidade e vontade de fazer as coisas;
b) Uma pessoa desmotivada, acaba tendo uma apatia (ou preguiça) para fazer qualquer coisa.
Para estes problemas, um tratamento médico pode resolver.
A preguiça é pecado quando se torna parte integrante do nosso caráter. Os cristãos não devem ser ociosos, mas trabalhar coma finco e constância para ganhar o próprio sustento e da família, além de ter com que ajudar os necessitados – “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” – Efésios 4.28