quarta-feira, 25 de abril de 2007

A Teologia da Angústia

David Seamands, em seu livro “Cura das Memórias” escreveu: “A amargura é a maior razão de vidas e relacionamentos prejudicados, bem como pela perda de vitalidade, alegria e liberdade que muitos cristãos experimentam. A amargura faz com que multidões de cristãos percam toda eficácia. A causa de Jesus Cristo tem sofrido grandemente, pois, inúmeros de seus seguidores possuem problemas de amargura não resolvidos”.

Na nossa mensagem, iremos usar a pessoa de José do Egito, filho de Jacó, como modelo e exemplo. Essa história bíblica tem início no capítulo 36 do livro de gênesis Até ao capítulo 50. Através de sua vida e testemunho, podemos aprender a administrar, vencer e superar o sentimento de angústia!

Hebreus capítulo 12 e vers. 15 que diz: “atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”

Qual era o segredo de José?

Como mantinha um espírito dócil perante as adversidades e injustiças encontradas?
Se quisermos conhecer melhor a Deus, precisaremos ficar livres de qualquer amargura que esteja a muito ou pouco tempo dentro de nós, males passados, sublinhamos, mas nunca resolvemos.
Vamos rever algumas das causas potenciais de amargura que José experimentou e depois analisaremos os preventivos bíblicos por ele aplicados.
1. José foi odiado e rejeitado pelos irmãos;
2. Foi censurado e desacreditado pelo pai;
3. Foi acusado e difamado pela esposa de faraó;
4. Foi condenado e aprisionado pelo Faraó;
5. Foi desapontado e esquecido pelo copeiro, seu companheiro de prisão.

Estes incidentes na vida de José são citados para ilustrar algumas das maneiras pelas quais somos feridos por outros e como a dor pode rapidamente converter-se em amargura. A vida é dura! Muitas coisas rudes, injustas e imerecidas acontecem a todos nós. Essas experiências iniciam-se cedo e prosseguem como companhias freqüentes durante toda a vida. São, sem dúvida, situações desagradáveis e difíceis, mas as emoções negativas causadas devem ser liberadas. Se estas emoções não forem trabalhadas, mas somente reprimidas, terão um efeito desintegrador em toda a personalidade. Não pode haver inteireza física até que haja cura e perdão no coração. Você precisa aceitar e liberar as mágoas emocionais do passado se quiser ter um futuro saudável.
Parece que pela graça de Deus, a despeito de todas as dores, José foi capaz de manter o coração livre de amargura, incredulidade, ódio inveja e medo. Conseguiu permanecer notavelmente liberto dos traços de amargura e pôde se tornar uma pessoa frutífera para a glória de Deus. Não permitiu que o espinho do passado demorasse a sair de dentro dele. Podia recordar as experiências infelizes, porém, não demonstrava emoções negativas. Permaneceu livre e objetivo.

Como obteve sucesso?
Qual era o segredo?
O que podemos aprender com sua vida e com outras passagens das escrituras que nos capacitam na solução de amarguras que porventura estejamos remoendo?
Como podemos nos libertar da ameaça de amargura proveniente de outras tristezas que inevitavelmente percorrerão nosso caminho?
José utilizou-se de várias prevenções bíblicas contra amargura e você também poderá empregá-las.

Vejamos então as prevenções bíblicas:

Primeira prevenção - José não duvidou do amor de Deus:

Gênesis cap. 50 e vers. 20, diz: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida”.
Muito antes de o apóstolo Paulo escrever Romanos 8.28, José praticou-o. Romanos cap.8 e vers. 28, diz: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.
José estava firmemente convencido de que Deus decreta e governa e não permitiria que nada acontecesse a ele que destruísse seu potencial ou atrapalhasse o plano do Senhor para sua vida. Acredito que aceitava o fato de que mágoas e desapontamentos faziam parte da existência, mas optou por não permitir que o transformassem numa pessoa amarga, mas sim em um homem melhor. José adotava uma atitude positiva para com a ofensa e não negativa com o ofensor. Estava certo do amor de Deus por ele e do controle divino em cada incidente. Sabia que Deus os utilizaria para o bem, se respondesse a dor adequadamente. José tinha convicção de que o Senhor permitira e utilizara os ventos passados de sua vida, para levá-lo à posição que mais tarde ocupou. Isto o libertou da amargura que o passado doloroso poderia acarretar. Tinha certeza de que nada ocorreria em sua vida se não por um determinado propósito divino.
Você já estabeleceu a questão da soberania de Deus?
Acredita firmemente que nenhum acontecimento ocorre sem sua permissão?
Você crê que existe um objetivo para tudo o que acontece com você?

Segunda prevenção – José não remoia suas mágoas

Alguém já aconselhou: “escreva as ofensas na areia, e os favores na rocha!”. Não há registro de que José rememorasse o que lhe ocorreu de negativo. Deixava todas aquelas situações irem embora. Escolheu não remoê-las. Até colocou o nome de Manasses em seu filho mais velho, que literalmente significa “fazendo-me esquecer”. Isto está escrito em Gênesis cap. 41 e vers. 51, que diz: “José ao primogênito chamou de Manassés, pois disse: Deus me fez esquecer de todos os meus trabalhos e de toda a casa de meu pai”.
José estava mostrando que resolvera não rememorar todos os tristes eventos de sua vida.
No vers. Seguinte, o 52, está escrito: “Ao segundo, chamou-lhe Efraim, pois disse: Deus me fez próspero na terra da minha aflição”.
Estar aberto a “esquecer” e ser “frutífero” são atitudes muito relacionadas. Você não poderá ser frutífero na vida, seja em que área for, até que tenha tratado das mágoas passadas.

Terceira prevenção – José não permitiu que o ressentimento criasse raízes.

A mágoa é o início da amargura. Se você não lidar rapidamente com e ferida, ela pode facilmente fincar raízes e criar todos os tipos de problemas a você e aos outros. Eis porque o escritor de Hebreus escreveu: “atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”
Devemos tratar de nossas mágoas, bem como de atitudes erradas que mantenhamos contra outros, o mais rápido possível; torna-se difícil após criarem raízes profundas.

Quarta prevenção – José não mostrou-se vingativo

Uma das reações mais naturais e imediatas ao sermos afligidos, é o desejo de vingança. Tornando-nos amargos e defensivos; portanto, cresce a obsessão com pensamentos de revanchismo. O lema passa a ser: “Você vai ver só...”.
Não há registros de José ter agido em represália, mesmo quando teve oportunidades perfeitas. Quando seus irmãos se ajoelharam perante ele com medo e culpa devido ao modo como o tratou, tinham consciência do que José poderia fazer com eles. Porém, José tranqüilizou-os com estas palavras:
“Respondeu-lhes José: Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus?” (Gênesis 50.19).
José exemplificou o que Paulo escreveu em Romanos cap. 12 e vers. 19: “não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.
Quando você for ofendido, ore como Santo Agostinho: “Ó Senhor, livra-me da lascívia de estar sempre me vingando”.

Quinta prevenção – José não permitiu que o passado afetasse o Futuro.

As antigas ofensas não se tornaram obstáculos, ao invés disso, utilizou-as como degraus. Sabia que a volta constante ao passado seria força destrutiva. Não havia nada que pudesse fazer para modificar o que acontecera, então optou por viver no presente e futuro, ao invés de desperdiçar energia com o que já passara.
Você permitirá que dores passadas roubem as bênçãos que Deus quer lhe ofertar no presente e no futuro? De modo algum José permitiria que isto acontecesse a ele. Não deixe seu futuro amarrado pelo terror de seu passado.

Sexta prevenção – José abençoou os que o magoaram

Em pelo menos quatros ocasiões distintas, José tomou a iniciativa de retornar bem por mal. Não permanecia na defensiva, nem simplesmente, vislumbrava maneiras de ministrar àqueles que o ofendiam. Que atitude libertadora! Você pode, de modo criativo, utilizar a ofensa para atender as necessidades do ofensor e depois pedir a Deus para usá-lo de maneira a ministrar-lhe. Faça dessa situação uma oportunidade para ser uma bênção. No processo, sua atitude mudará em relação a quem o afligiu.

Eis porque José permanecia notavelmente livre de qualquer traço de amargura. Talvez você não tenha sido capaz de agir dessa forma e, portanto, foi afetado pela amargura.

Quer libertar-se dela e de todas as conseqüências devastadoras?

Primeiramente, confesse a Deus seu ressentimento e ódio.
I João cap. 1 e vers. 9 diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.

Segundo lugar, assuma a total responsabilidade por suas próprias atitudes, em relação aos que o ofenderam.

Em terceiro lugar, modifique o foco de concentração, do ofensor e dos erros que cometeu contra você, para Deus que o perdoou de todos os pecados e ofensas que você praticou contra ele. Lembre-se, os perdoados devem perdoar. Colossenses cap. 3 e vers. 13 diz: “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós”.

Quarto lugar, submeta todos os desejos (presentes e futuros) de vingança ao Senhor. Confie a ele o modo de lidar com o ofensor e saiba que é Deus quem sempre escreve o último capítulo.

Quinto, peça a Deus que faça de você um canal de bênção para o ofensor. Pense em maneiras criativas e específicas através das quais possa abençoá-lo.

Co-Herdeiros

Na parábola do pródigo, o Pai disse ao filho mais velho: “Tudo o que tenho é seu”. Essa frase precisa ressoar na mente de todos os cristãos, pois ela contém a promessa bíblica de que somos co-herdeiros com Cristo. Deus não estima as pessoas por sua capacidade de cumprir mandamentos ou alcançar níveis excelentes de santidade, ele ama gratuitamente. Ninguém precisa ter medo de fracassar, porque ninguém precisa fazer jus ao amor de Deus. Ponto final. Assim, qualquer um pode se sentir convidado para o banquete divino e colocar-se rumo ao fantástico projeto de ser lapidado à imagem de Jesus Cristo.

A Oração que Transforma

Nem sempre nossa compreensão sobre quem é Deus revela a verdadeira natureza divina. Por exemplo, Deus se revela como um Deus justo e reto e nós o experimentamos como um Deus caprichoso e vingativo; Deus se revela como um Deus sempre presente mesmo em meio ao sofrimento, e nós o experimentamos como um Deus ausente ou distante. O retrato que fazemos de Deus certamente não é mais importante do que o retrato que Deus faz de si mesmo. A percepção humana de Deus precisa sempre ser corrigida e transformada pela auto-revelação de Deus nas Escrituras. E nossas orações quase sempre revelam também a natureza de nosso caráter. Por isso a oração é não apenas um meio de relacionamento, mas também um caminho de transformação.

A Água da Vida

A caminhada da Judéia a Samaria deve ter durado a manhã inteira. Percurso a pé, sob o sol cada vez mais forte. Jesus estava “cansado da viagem” e com sede, talvez também suado e empoeirado. Então, ao meio-dia, Ele se assentou junto ao poço de Jacó para descansar as pernas e beber um copo d’água. Apesar do cansaço, da sede e da fome, Jesus iniciou uma longa e sábia conversa com a mulher samaritana que fora apanhar água do poço. Era uma senhora infeliz na vida conjugal, que tinha um histórico sentimental muito complicado. Já tivera cinco maridos e então vivia com outro homem. Essa mulher precisava de orientação, apoio e mudança. Ela tinha uma sede interior muito grande, que nem a água do velho poço, nem as sucessivas aventuras amorosas, não podiam satisfazer. E o Jesus “cansado da viagem” se revelou a ela como o Messias, chamado Cristo, que estava para vir, e lhe deu a “água viva” — aquela água misteriosa que mata a sede interior e ainda jorra para a vida eterna (Jo 4.1-26).

segunda-feira, 2 de abril de 2007

O mistério da vida, o mistério da morte e o mistério da ressurreição


A cada segundo, nascem 4,4 pessoas ao redor do mundo e morre quase o mesmo número. Graças ao pequeno saldo a favor dos que nascem, a população continua a crescer. Quando alcançarmos o pico da população mundial, talvez no final deste século, haverá por algum tempo certo equilíbrio entre os que nascem e os que morrem. A partir de então, é provável que o número de mortes supere o número de nascimentos e a população comece a diminuir. A morte pode perder a batalha demográfica (quando o número de nascimentos supera o número de mortes), mas nunca perde a batalha travada entre ela e a vida.


Temos sido obrigados a misturar o mistério da vida com o mistério da morte. Outro dia, por exemplo, enquanto um grupo de pessoas celebrava com muita alegria o casamento de um doutorando em botânica de 28 anos, outro grupo velava com muita tristeza o corpo do orientador do noivo, um professor de 58 anos.


No primeiro domingo de novembro de 2006, um garoto de sete anos vibrava com o passeio que fazia numa praia de Porto Seguro, BA, em cima de um “bote-banana”. Na última manobra da embarcação, quando todos deveriam cair na água, o pequeno Lucas teve a cabeça decepada pela hélice da lancha ou pelo cabo que ligava a lancha ao bote.


Vamos hoje à loja de móveis para comprar um bercinho, e amanhã, à funerária para comprar uma urna. No berço, colocamos nossos recém-nascidos e, na urna funerária, os nossos recém-mortos.


Ao mesmo tempo que misturamos o mistério da vida com o mistério da morte, precisamos misturar o mistério da morte com o mistério da ressurreição. Isso é muito confortante, mas é matéria de fé. A ciência não nos leva à ressurreição do corpo.


Dos três grandes mistérios — o mistério da vida (ainda não totalmente desvendado), o mistério da morte (ainda profundamente complexo) e o mistério da ressurreição (ainda não verificado) — o maior deles é o mistério da ressurreição. Chama-se de mistério tudo aquilo que a inteligência humana é incapaz de explicar ou compreender. É aí que entra a outra faculdade humana, a capacidade de acreditar em Deus, em seus atributos e em sua Palavra.


A ressurreição do corpo é uma esperança tão certa como a vida, tão certa como a morte. Essa esperança está de tal modo vinculada à ressurreição de Cristo que, se esta não acontecer, todo o edifício religioso construído sobre a pessoa de Jesus desmorona por completo. Não fica pedra sobre pedra.


Texto completo publicado na Revista Ultimato