sexta-feira, 30 de março de 2007

Ansiedade

Ansiedade é um dos grandes empecilhos à eficácia da oração. Há um hino que nos ensina uma lição que precisamos aprender. Ele diz: "Leva o teu fardo ao Senhor e deixa ali"; e o coro repete várias vezes a expressão-chave: "deixa ali, deixa ali". Creio que não há cristão que não leve os seus problemas e as suas aflições a Deus em oração, mas quantas vezes será que realmente deixa os problemas com Ele? Alguém disse que é muito difícil entregar todas as dificuldades a Deus, em perfeita confiança na sua solução. Disse mais que, antes de dormir, pode falar com Deus sobre as suas aflições e pedir que essas sejam resolvidas de acordo com a vontade divina, mas ainda fica acordado muitas horas, preocupando-se com uma solução. Devemos convencer-nos do fato que Deus tem cuidado de nós, que Ele quer ajudar-nos, mas exige de nós perfeita confiança. Se terminarmos a oração ainda com ansiedade, fracassamos no orar. Voltemos, então, para a presença de Deus, pois Ele está pronto a nos tirar os fardos e nos dar perfeito descanso. Assim, podemos dizer com o salmista: "Em paz me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança" (Salmos 4:8).

quarta-feira, 28 de março de 2007

As Tempestades da Vida


Quantas vezes na nossa vida parece estar tudo indo muito bem, os ventos da bonança soprando sobre nossa vida, conduzindo nosso barco de maneira serena, e de repente tudo muda, as nuvens começam a ficar escuras e pesadas anunciando que uma grande tempestade se aproxima, e aí surge problemas, tais como doenças, dificuldades financeiras, quebra do relacionamento conjugal, e aí a nossa vida vira uma bagunça. Os ventos começam a soprar fortes levando para bem longe, os momentos bons de paz e harmonia, deixando os destroços de tristezas, angustia e solidão.

Quero chamar atenção, para dois textos bíblicos que irei ler neste momento.

Primeiro - no Evangelho de Mateus 8.23-24, diz: “Então, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia”.

Segundo texto - no mesmo Evangelho de Mateus 14.22-24 diz: “Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário”.

Observamos que existem: Duas tempestades, duas situações difíceis na vida dos discípulos, dois modos no comportamento de Jesus e duas perguntas precisam ser feitas.

Primeiro - Quem causou aquelas tempestades?

Segundo - Qual era a finalidade das tempestades?

A primeira tempestade, foi causada provavelmente pelo inimigo, ou seja, o diabo, visando a destruição dos discípulos e até mesmo do Senhor Jesus.

A segunda foi causada pelo próprio Deus visando o crescimento dos seus discípulos

Outra coisa que nos chama atenção é que tanto uma, como a outra estavam no controle do Senhor Jesus

Na primeira tempestade, o texto diz, que: “Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos! Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens, dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mateus 8.25-27). O Senhor Jesus sente como homem, o cansaço físico, a ponto de aparentemente dormir, mas quando as tempestades da vida vem sobre o nosso barco, Ele se levanta e repreende!

Na segunda tempestade, observamos que: “Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os discípulos, ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma! E, tomados de medo, gritaram. Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor! E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste? Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!” (Mateus 14. 25-31_.

O Senhor Jesus, vai até aquele barquinho andando por cima das águas nos mostrando que, não importa o tamanho das tempestades que nos sobrevém, pois todas elas, estão debaixo dos seus pés, e Ele tem domínio sobre todas. Que Deus tremendo! Ele nos garante vitória nos piores momentos de nossa vida, basta termos um pouco de ousadia e fé. Meus irmãos e amigos, talvez neste momento, você esteja enfrentando uma grande tempestade na sua vida. O seu barco esteja no meio de um grande mar de problemas. E você esteja enfrentando a tempestade das dívidas, a tempestade de doenças, a tempestade de falta de amor e paz no seu lar.

Pois há muitos problemas que nos sobrevém como tempestades, destruindo relacionamentos, bens e outras coisas mais. E você pode estar perguntando neste momento: “Se as tempestades da vida estão todas debaixo da autoridade de Cristo, por que a minha tempestade ainda não passou? Porque parece que já estou lutando a tanto tempo e ainda não consegui enxergar a terra firme da vitória. Possuo fé, creio em Deus, mas nada muda”. Preste bem atenção meu querido ouvinte: Existe um tipo de tempestade que você entra por sua própria conta! E quando você está nesta tempestade, a única coisa que acontece é a perda. Você entendeu? A única coisa que acontece é a perda

Em Atos 27 nos conta a história de Paulo um dos maiores discípulos do Senhor Jesus, que nesta ocasião ele se encontrava preso e estava sendo levado para Roma para ser julgado, pela sua fidelidade a Deus. Paulo deveria ser levado de barco, atravessando a costa de toda a Ásia e chegando até Roma . Em determinado momento, o comandante responsável pelos presos, queria novamente entrar nas águas, e chegar finalmente à Roma e cumprir as suas obrigações, mas havia um tempo determinado para se navegar, havia os meses certos para colocar os barcos na água ,e passado esses meses seria considerado suicídio navegar. Paulo sabia disso, o texto diz no versículo 9-11, que: “Depois de muito tempo, tendo-se tornado a navegação perigosa, e já passado o tempo do Dia do Jejum, admoestava-os Paulo, dizendo-lhes: Senhores, vejo que a viagem vai ser trabalhosa, com dano e muito prejuízo, não só da carga e do navio, mas também da nossa vida. Mas o centurião dava mais crédito ao piloto e ao mestre do navio do que ao que Paulo dizia”.

Partiram, começaram a navegar e não demorou muito para perceberem que Paulo estava com a razão. Começaram a enfrentar uma grande tempestade a ponto de lançarem no mar, cargas, partes do navio, alimentos, muitas vezes terem o desejo de se lançarem no mar, até que se culminou com a perda total do navio, tiveram então que nadar em meio a tempestade, com frio, com fome, cansados, abatidos, até uma ilha chamada Malta aonde foram recolhidos por Habitantes locais colocados em volta de uma fogueira.

Muitas vezes queridos ouvintes, diante de determinadas decisões que temos tomar, não escutamos a voz de Deus, não buscamos aconselhamento, não buscamos a orientação de Deus e acontece aquilo que aconteceu com aquela embarcação. Entramos numa tempestade onde muitas vezes, a perda será total. Não medimos as conseqüências dos nossos atos, agimos com irresponsabilidade.

Muitas vezes, Deus fala ao nosso coração como Paulo falou aqueles homens. Cuidado, a navegação vai ser perigosa para a vida de vocês! É hora de parar e esperar, aguardar no meu poder, aguardar no meu tempo, o mar está bravo, espere!!!!!!

Enfrentamos tempestades de doenças, por ouvirmos a voz da auto suficiência que precisamos curtir a vida.

Enfrentamos tempestades no casamento, por querer viver de viver de forma liberal, onde não há respeito entre os casais, entre pais e filhos, e outras coisas mais.

Enfrentamos tempestades financeiras, por querermos viver de aparências, imitando os moldes da TV.

Ouvimos tantas coisas, mas não ouvimos a voz de Deus! Não ouvimos e aí quando estamos no meio da tempestade, começamos a orarmos ao nosso Deus pedindo respostas acerca do nosso problema, das nossas necessidades, choramos aos pés de Cristo, assumimos compromissos com o Pai a fim de obter uma simples palavra, palavra esta que nós cremos, irá mudar a nossa vida. Porém, por mais que a gente faça, por mais que a gente peça, parece, e eu disse parece que os céus se encontram fechados, totalmente blindados, não entra nenhuma oração e de lá não sai nenhuma resposta, até parece que o nosso Deus não quer nos ouvir e muito menos nos responder.

Mas o ser humano infelizmente é ansioso, precisamos aprender a confiar no Senhor, quantas vezes por causa da demora em sermos atendidos nós mesmos pegamos o nosso barquinho e colocamos nas águas, queremos fazer as coisas ao nosso próprio modo. Não ouvimos Deus falar: Meu filho, pare agora e espere, senão você vai entrar em uma tempestade e nesta tempestade você vai perder coisas importantes na sua vida. Preste atenção, volto a repetir, quando você entra em uma tempestade por sua conta (desobediência) você só tem a perder.

Quais as lições que aprendemos com esta história da tempestade na vida do Apóstolo Paulo?

A primeira coisa que aqueles marinheiros perderam foi a Direção!

“Entretanto, não muito depois, desencadeou-se, do lado da ilha, um tufão de vento, e, sendo o navio arrastado com violência, sem poder resistir ao vento, cessamos a manobra e nos fomos deixando levar”, Atos 27.15-17.

A tempestade provocada por um tufão, deixou o barco em que se encontrava o apóstolo Paulo sem direção. As vezes as tempestades da vida caem sobre nós com tanta força, que as vezes ficamos perdidos pela nossa própria irresponsabilidade, não sabemos o que fazer, que rumo tomar, que decisão Ter, e por mais que a gente faça não conseguimos encontrar o caminho! Há muita gente por aí, sem rumo, sem esperança, sem direção. Gente que em determinando momento da vida, apesar de toda a orientação, se meteram em grandes tempestades. Tempestades das drogas, da prostituição, do vicio. Jovens que foram orientados a evitar bebida, os vícios, a promiscuidade e hoje se encontram sem direção, em busca de uma mão amiga que os ajude a sair desta tempestade. Homens e mulheres, que se esqueceram de Deus e se deixaram levar pelas propostas perniciosas do diabo e hoje se encontra sem seus lares, sem seus filhos, sem empregos, sem direção.

A Segunda coisa que tiveram que se desfazer foi a armação do navio

“Açoitados severamente pela tormenta, no dia seguinte, já aliviavam o navio. E, ao terceiro dia, nós mesmos, com as próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio.”, Atos 27.18-19.

Muitas vezes quando entramos nestas tempestades, temos que abrir mão de muitas coisas, vida financeira, emprego, família, sonho, realizações, temos que jogar coisas importantes do lado de fora do navio, na tentativa de não afundar. Muitas vezes para voltemos a terra firme, e fiquemos livres das tempestades, se faz necessário abrirmos mão de algumas coisas que julgamos mais interessantes do que a paz de espírito. Pois só fazendo iremos nos salvar e salvar a outros.

A terceira coisa que perderam foi a Esperança

“E, não aparecendo, havia já alguns dias, nem sol nem estrelas, caindo sobre nós grande tempestade, dissipou-se, afinal, toda a esperança de salvamento”, At 27.20.
Os ventos tempestuosos são como ladrões que vem para nos roubar a alegria, a paz e inclusive a esperança. Permita-me fazer uma pergunta? Como está a tua esperança? Será que você ainda crê na tua cura? Será que ainda crê na transformação do teu filho, será que você crê nas portas de emprego abertas, crê ainda na tua salvação, crê ainda no teu Senhor e Salvador Jesus Cristo? Talvez meu amado ouvinte você se encontre em uma destas situações, e esteja achando que não há mais jeito, lembre-se: O Deus a quem servimos é maior do que as tempestades da vida. Jesus repreendeu o mar revoltoso em tornos dos discípulos e o mar se acalmou. Paulo junto com aquelas pessoas foram salvas pelas mãos Deus a partir do vers. 39 a bíblia nos diz que enxergaram uma ilha ,e depois que o barco a fundou nadaram até a mesma e foram salvos.

Deixe o Espírito Santo te dizer algo, ainda que você tenha perdido a direção, ainda que você tenha perdido coisas importantes da sua vida, ainda que você tenha perdido a esperança, ainda que você tenha perdido o barco, Deus te fala hoje: Se esforce, nade, vença o frio, vença o cansaço, vença o desânimo, vença hoje esta tempestade, ainda há esperança para sua vida. Deus coloca diante dos teus olhos uma ilha, um lugar seguro, um lugar de paz, aonde você vai se aquecer e fortalecer, e esta ilha se chama: Jesus!!!

Saia hoje desta tempestade!

Superando a Tristeza

"Tristeza não tem fim, felicidade sim". Esta frase refere-se a um verso de uma música de um dos melhores compositores brasileiro, Tom Jobim. O escolhi como ilustração para abrir a nossa temática de hoje porque o tema não poderia ser mais apropriado para os mais tristes e porque não, aos mais alegres também.

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. E para onde eu vou vós conheceis o caminho. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Evangelho de João 14.1-6.

Quem nunca sentiu o peito apertado, um nó na garganta, uma vontade de chorar... quem já não passou por isso? E por mais explicações que tenhamos a respeito, ou por mais que saibamos os motivos do qual estamos sentindo, o que podemos fazer para melhorar? É sobre isso que quero falar com você nesta manhã, esteja você triste ou não.

Queridos, é impossível viver esta vida sem experimentar tristeza. A perda de um ente querido, o desapontamento de um sonho aniquilado, a dolorosa constatação de uma traição jamais sonhada.... O fato e que a vida nos apresenta inúmeras tristezas. Tristeza fere. E difícil. Porem, ela traz algo de bom. Tristeza nos traz a constatação de que somos sensíveis para com as circunstancias e para com as outras pessoas. Ainda que tremendamente dolorosa, considere a alternativa. Paradoxalmente, a ausência da dor, é a maior de todas as dores.

Nos temos que experimentar e ate mesmo apreciar os nossos períodos de deserto sem que venhamos a ser sucumbidos pôr eles. Temos que lidar com a tristeza a semelhança de uma avenida de duas mãos. Em uma via nós a entregamos para Deus, Aquele que conhece como ninguém a nossa dor, segundo a exortação do apóstolo Pedro. Numa outra via nos podemos retirar da tristeza aquilo que ela nos oferece: uma oportunidade de conhecer melhor a nos mesmos, as outras pessoas, a verdade, o amor, vida e o melhor de tudo: o coração do próprio Deus.Mesmo na dor da tristeza, existe um significado, propósito e esperança. Da tristeza pode nascer um profundo senso de apreciação. Um brilho de sol é muito mais precioso após uma semana inteira de forte chuva e sol encoberto. Na tristeza existe um convite para uma sólida caminhada ao futuro e uma oportunidade de triunfo sobre todo obstáculo.

O que é tristeza?

Psicologicamente, a tristeza é aquele sentimento que lhe traz angústia, desânimo, solidão, em casos extremos ela lhe presenteia com uma depressão terrível. Esse sentimento é oposto à felicidade, pois, enquanto a felicidade é nutrida através de muito esforço, ação, adaptação e auto-imagem positiva, a tristeza penetra na alma quando mais se está fragilizado.

Mas, em termos técnicos, poderíamos dizer que a tristeza é complicada de definir. A raiz latina, strig, remete à idéia de apertar e districtus, apertado por todos lados. No latim vulgar, districtum deu lugar à districtia, que significa estreiteza. Daí chegou-se à tristeza. No francês antigo, a palavra significava ao mesmo tempo passagem estreita, senso moral, severidade e constrangimento. Depois a expressão adquiriu o sentido de situação desesperada.

Estreiteza no agir. Constrangimento da decisão. Desespero do irreversível. A tristeza vem, na verdade, junto com a certeza da nossa incapacidade de resolver um conflito. Ficamos tristes quando um amor não dá certo, quando perdemos um espaço, quando perdemos alguém. Tristeza é perda. Não há tristeza que não venha colada com uma perda. E quanto maior a perda, maior a correlação com o tamanho da tristeza. A tristeza vem para nos lembrar que somos sujeitos incapazes de lidar com o mundo. É a reação humana a um constrangimento inelutável, à incapacidade de aceitar um “não” do mundo. É a vontade de “sumir do mundo”. Ela vem para não nos deixar esquecer o tamanho da nossa pequeneza frente às forças externas.

Todos os dias as pessoas desejam aos outros sucesso e felicidade. E esquecem que quem vive no sucesso e na felicidade o tempo todo se aliena do mundo real, composto de muita tristeza. Só fica triste quem teve algo e o perdeu. Falo aqui da tristeza boa. A tristeza que faz pensar no quanto o mundo nos coloca em cheque todos os dias pedindo que decidamos pelo indecidível. Ontem à noite, cantava em meu teclado de computador a tristeza que nos ocupa os espaços da mente nos levando às reflexões mais difíceis, mais indesejadas e, por isso mesmo, as mais necessárias.

É duro admitir, mas amadurecemos mesmo é na tristeza. Pelos menos essa foi a declaração do salmista, no salmo 119.71 “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos”.

O apóstolo Tiago, também usava a mesma pedagogia. Ele escreveu em sua epístola 1.2-3: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança”. Contudo, quando aquelas duas espessas lágrimas rolam silenciosas no canto do olho, levando com elas rosto abaixo os 21 gramas de nossa alma, sentimos uma dor fininha que faz pensar no que não mais podemos ter. E aí começa o nosso dilema: Como conciliar a vida e a perda? Perder-se para se encontrar? Mas o encontro novo traz consigo a perda do encontro antigo. Eis que vem, de novo, a onipresente tristeza. E só ela. Ficamos desertos de emoções. Órfão de sentimentos. Quem viveu alguns anos já se encontrou com a tristeza várias vezes. É o tipo de sensação que nenhum de nós jamais gostaria de ter.

Há várias situações que provocam a tristeza. Por exemplo, quando você perde coisas ou possessões, quando o seu comércio vai mal, ou a casa se vai em um negócio mal feito. Quando de repente fica sem emprego, sem os amigos e você entra no mundo da solidão. Quando perde um parente através da morte ou do divórcio, parece que a tristeza é profunda e dói demais.

Em horas assim difíceis você recorre as promessas da Palavra de Deus?
Ainda consegue acreditar no amor divino quando tudo esta escuro?
Queridos, o próprio Filho de Deus quando aqui esteve, passou por momentos de tristeza.

O profeta Isaías O chamou de homem de dores. Certamente apesar dos sentimentos de alegria por salvar a humanidade da morte, a tristeza da traição, o abandono dos apóstolos nos momentos cruciais do seu sofrimento, invadiram e machucaram o Seu coração. Em Mateus 26:38. Ele pediu aos discípulos: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. Até o Seu querido Pai, que várias vezes O chamou de Filho Amado, teve que deixá-Lo sofrer para realizar a salvação da humanidade.

É bom saber que mesmo quando estamos tristes, podemos ter a certeza de Seu amor, e de Sua companhia ao nosso lado. Essa é uma das maravilhosas promessas que Ele nos deu. No livro do profeta Isaías capítulo 57:15, está escrito: "Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo. Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos."

Após Sua ressurreição, o Senhor deixou tudo para acompanhar a pé, dois discípulos que iam para a cidade de Emaús, que estavam vencidos pela decepção e pela tristeza. Quando ele contemplou aqueles corações tristes e abatidos, se aproximou e perguntou: “Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos.”.

Ao fazer esta pergunta, o Senhor Jesus manifestou total solidariedade para com os que estão tristes. E mais uma vez cumpriu a promessa, e mais do que isto, revelou a Sua consideração e o carinho por todas as pessoas tristes.

Há outros exemplos bíblicos que são um conforto para os tristes e sofredores. Foi em um deserto que Deus supriu durante 40 anos, a um milhão de peregrinos, com o pão vindo do céu. Foi durante um período de fome nacional que o Senhor mandou ao profeta Elias duas refeições diária transportadas por aves. Durante uma grande crise, houve farinha suficiente e azeite quase interminável para sustentar uma fiel e carente viúva, que pertencia ao povo de Deus.

Queridos, precisamos aprender que a extremidade humana é a oportunidade de Deus. Se está faltando alguma coisa, coloque sua confiança no Senhor porque Ele não o abandonará. Quando você disser: o que vamos comer hoje ou amanhã? Lembre-se das palavras de Jesus, escrita em Mateus 6.31-33, que diz: : "Vosso Pai Celestial sabe que necessitais destas coisas. Portanto não vos inquieteis com o dia de amanhã." Mateus 6:31-33. Se está perdendo a saúde, lembre-se do Médico dos médicos. Aquele que curou a tantos enfermos, vai também reservar uma benção para você. Lembre-se também que todas as coisas vão contribuir para o bem integral daqueles que buscam com sinceridade os caminhos de Deus. (Romanos 8:28)

Se o mundo hoje se tornou uma ameaça... Se a segurança e a paz estão cada vez mais distantes... Se o temor coletivo intranquiliza todas as classes. Podemos sentir a paz descrita no evangelho de João 14:27: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize."

Se hoje você está triste porque perdeu uma oportunidade e está se lamentando: por que aconteceu isto? Ah se eu tivesse feito isto ou aquilo! Eu deveria estar dormindo quando aceitei aquela proposta. Por que eu não disse não?

Amigo, quem acredita em Deus, pode sempre recomeçar, pode recuperar o tempo e as coisas perdidas. Recomeçar, ter forças para superar os obstáculos, são os desafios de todo aquele que crê. Em II Coríntios 6:2 está escrito: "Eis agora o tempo oportuno. Eis agora o dia da salvação."

Vivemos num mundo de tristeza. Se você está triste porque sua imagem foi manchada e as pessoas não confiam mais em você... Se está recebendo críticas e o seu mundo parece desabar, lembre-se que você é muito precioso para Deus. O profeta Jeremias registra uma belíssima declaração de amor dedicada a você, escrita no capitulo 31.3: "Com amor eterno eu te amei, por isso com benignidade te atraí."

Se está desolado porque a morte feriu o seu lar, lembre-se que Deus tem um remédio para isso também. Aquele Jesus que disse: Lázaro sai para fora! Vai dizer a mesma frase aos nossos queridos, no dia maravilhoso em que vai voltar ao mundo. Naquele dia todas as nossas tristezas irão embora para sempre. Apenas precisamos acreditar. Acreditar na virada que Deus vai dar em toda essa situação.

O que precisamos é aprender a plantar esperança.

A Bíblia diz: "Aquele que sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes." Salmo 126:6.

"Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã." Salmo 30:5

Há duas coisas que podem nos ajudar:
1.. Jesus nos dá forças para suportar.
2. Jesus colocará fim ao sofrimento quando vier.

Graças a Deus podemos aguardar com fé a chegada dessa gloriosa manhã. E isso nos dá serenidade. Nenhuma tempestade é suficientemente forte para nos assustar quando sabemos que o nosso barco chegará ao Porto com segurança. Não há tristeza que possa diminuir a alegria da bem-aventurança que nos aguarda. Louvemos ao Senhor, porque através dEle podemos hoje superar a tristeza. Ele nos garante em Apocalipse 21:4: E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

Queridos, eu já falei que existem momentos nos quais pensamos em desistir tamanha é a tristeza que nos invade.Pois, a vida é engraçada em alguns momentos, triste em outros, dura em mais alguns, amorosa em vários outros, enfim, ela nos leva a vivenciar milhares de diferentes momentos e, assim, experimentamos milhares de novas sensações. Uma sensação que tem afetado muito o dia-a-dia das pessoas é a tristeza por perdas; perdas em geral. Em certos momentos como, por exemplo, quando perdemos um ente querido, perdemos um emprego desejado, não passamos na prova do vestibular, terminamos um relacionamento, ou outra situação contrária ao nosso desejo ficamos realmente entristecidos.

O ser humano já está sensível em decorrência da competitividade, da falta de amor, da falta de carinho e afeto que a sociedade impõe hoje. E qualquer perda é um agravante para que essa sensibilidade aflore e algumas pessoas entrem em depressão, ou sejam tomadas por uma tristeza profunda.

Entretanto, existe alguém capaz de sarar nossa alma, de curar nossas feridas e quando estamos caminhando ao lado dele temos o discernimento de sermos mais que vencedores. O nome dele é Jesus. Por toda a Bíblia podemos encontrar diversas situações e diversas pessoas que sofreram e vivenciaram as piores aflições que um ser humano pode passar, mas sempre houve um livramento. E no livro de Salmos, capítulo 116, versículo 8, você pode ler o seguinte: “Pois livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés de tropeçar.” É esse o único Deus capaz de trazer a existência às coisas inexistentes, só ele é capaz de transformar uma vida e fazer dessa pessoa mais que vencedora. Por isso, as pessoas precisam parar de viver a dar lugar apenas aos problemas. Todos precisam ter uma coisa chamada confiança. Confiar é, segundo o Dicionário Aurélio, ter fé! E a fé é, ainda segundo o Aurélio, uma adesão pessoal a Deus, seus desígnios e suas manifestações.

Então, pelo conhecimento de que a fé é o que nos move aos lugares mais altos, podemos transformar qualquer perda em uma conquista; qualquer tristeza em alegria; qualquer aparente derrota em uma grande vitória, desde que queiramos realmente que isso aconteça e depositemos nossa confiança em JESUS CRISTO.

E como está escrito: “Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas eu vos tornarei a ver, e alegrar-se-á o vosso coração, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.” (João 16.22.)

Creia nessa verdade e seja feliz ao lado de Jesus!

O Silêncio de Deus


Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta. Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor e lhe enxugou os pés com os cabelos. Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas. Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para a morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ele glorificado. Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando pois soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava.
João 11.1-6.

Há circunstâncias em nossa vida que, as vezes parece que Deus não sabe, ou não quer intervir em nossos problemas. Ás vezes, o nosso coração abatido e a nossa alma aflita, tem a sensação de que ele não sabe, ou não pode, ou não quer saber.

Esta poderia ter sido a pergunta de muitos dos que estavam em casa de Lázaro ou na companhia de Jesus. Lázaro ficara doente e imediatamente mandaram chamar o Senhor, ele porém, demorou-se dois dias – “Quando pois soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava.” v. 6

Todos os presentes questionaram a ausência de Jesus:

- Marta – “Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão”, v. 21

- Os que estavam ali – “Mas alguns objetaram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer que este não morresse?” v. 37

A questão em outras palavras era – Se ele tivesse vindo na hora certa e se quisesse nada disso teria acontecido! Quantas vezes essa não tem sido a nossa indagação? Por que? Qual a tua vontade?

Através desta experiência de Lázaro e de sua família, aprendemos lições preciosas sobre o silêncio de Deus.

1. APRENDEMOS QUE A NOSSA VIDA É PROJETO DE DEUS E QUE VISA O NOSSO BEM E A SUA GLÓRIA

Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para a morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ele glorificado. v. 4

Quando as irmãs de Lázaro mandaram informar Jesus sobre a enfermidade do seu irmão, o Senhor não ficou desesperado e saiu correndo. O Senhor Jesus sabia que aquele problema resultaria na glória de Deus.

Em nossa vida, temos a mesma promessa. Quando fomos alcançados pelo Senhor, recebemos de suas mãos um projeto que vai se cumprir literalmente – “O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração por todas as gerações”, Salmo 33.11.

Nos somos impactados com aquilo que ouvimos: O diagnóstico do médico; As palavras duras e difamadoras de alguém; O extrato bancário; As surpresas trágicas de um acontecimento imprevisto. Essas notícias chegam até nós minando a nossa fé e a nossa estrutura emocional.

"Mas onde está Deus? “Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou... e te formou...: não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor, teu Deus... o teu salvador”, Isaías 43.1-3.

O texto diz: “Quando passares...” Isto significa que serão momentos, períodos e circunstâncias – não é definitivo. Queridos somos a menina dos olhos do Senhor – “Guarda-me como a menina dos olhos, esconde-me à sombra das tuas asas”, Salmo 17.8

2. APRENDEMOS QUE O TEMPO EM QUE DEUS PARECE DEMORAR A AGIR NÃO SIGNIFICA DESCASO, MAS SIM, CUMPRIMENTO DOS SEUS DECRETOS (AGENDA).

Quando pois soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava. v. 6
Jesus de maneira alguma desprezou a gravidade de Lázaro e a dor dos seus familiares – a questão era que havia um propósito divino naquela ocasião. Há um propósito divino em nossas vidas. Deus só tem boas intenções a nosso respeito e ninguém pode impedir os seus desígnios sobre nossa vida. O Patriarca Jó declarou – “Bem sei que tudo podes e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” Jó 42.2
Deus tem uma agenda sobre a sua vida que deverá se cumprir literalmente. Há uma canção que diz: “quem tem promessa de Deus, não morrerá, antes que ela se cumpra”. Nada impediu o poder do milagre na vida de Lázaro.

3. APRENDEMOS QUE DEUS DESEJA DESENVOLVER A NOSSA FÉ

Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu; e por vossa causa me alegro de que lá não estivesse, para que possais crer; mas vamos ter com ele, v. 14-15.

O Senhor Jesus afirma que um dos motivos porque se demorou é para que os discípulos e a família de Lázaro desenvolvessem a fé. Como nós aprendemos coisas sobre Deus e sobre a nossa vida em meios as provações? O salmista declarou – “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos”, Sl 119.71. Esta também foi a conclusão do Patriarca Jó depois da prova – “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem”. Jó 42.5

Muitos conhecem a Deus do “ouvir falar”; Muitos só conhecem o Deus das caixinhas de promessas. Queridos, a nossa fé deve ser mediante a Palavra de Deus.

Existem vários motivos em que Deus usa a prova para o desenvolver da nossa fé:
1. Deus não nos responde não por que não queira, mas porque a resposta pode nos afastar de uma maior intimidade com ele.
2. Se Deus nos respondesse imediatamente, não haveria necessidade de buscá-lo.
3. Na maioria das vezes, o Senhor deseja falar mais do que esperamos ouvir.

O v. 45 diz – “Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele”.

4. APRENDEMOS QUE NO MOMENTO EM QUE DEUS RESOLVE AGIR, NADA PODE IMPEDI-LO.

Então ordenou Jesus: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias. Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste. E tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. v. 39-44.

Quando Deus age, ele não quer saber se o tempo do homem já passou, se a possibilidade já passou. Quando Deus age, ele não quer saber se cheira mal, se apodreceu, não quer saber o que vão pensar. Quando Deus age, ele não quer saber se um morto ouve ou se um atado anda – ele ordena e tudo acontece. Quando Deus age, a morte é vencida, o impossível acontece, o que estava morte é ressuscitado.
Diante de todas as lições deste texto, qual deve ser a nossa postura:

1. Procurarmos Jesus para solucionar os nossos temores, v. 3 - Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas. Na sua aflição procure Jesus.

2. Reconheça a oportunidade que Deus está lhe dando para desenvolver a sua fé. O apóstolo Tiago exorta – “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada produz perseverança”. Tg 1.2-3. A provação nos torna maduro.

3. Creia no milagre de Deus, v. 40 - Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus?

A fé é imprescindível para a realização do milagre. Queridos, mesmo no silêncio de Deus é possível ouvi-lo dizendo – “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?”, v. 25-26.

Que Deus nos abençoe!!!

terça-feira, 27 de março de 2007

A Teologia da Solidão


A internet está cada vez mais na moda. São milhões de internautas todos os dias conectando-se, trocando informações, trocando mensagens via e-mail, etc. Em qualquer grande site você sempre encontra uma ou mais “salas de bate papo”, onde pode fazer novas amizades ou até encontrar uma “cara metade”. Porque as pessoas recorrem a esses serviços na internet? A resposta é simples – é porque sentem algo que é uma das maiores fontes de sofrimento para o ser humano – A SOLIDÃO!

A solidão é a grande companheira do ser humano, é uma das características da vida moderna, e teve início na natureza pecaminosa do homem. A solidão é o grande drama do século XXI. Já rendeu muitas letras de músicas, livros, filmes e sempre foi o grande tema do teatro. Muito mais que um problema espiritual ou psicológico, é também um fenômeno sócio cultural.

Vivemos em uma sociedade, cercado por milhões de pessoas. Os centros urbanos são locais de grande aglomeração humana, porém, também são onde encontramos os maiores focos de solidão. Porque solidão é uma separação emocional do outro. É a falta de interação e de comunicação emocional entre um individuo e o outro ser humano. O outro pode estar próximo geograficamente; no entanto, a solidão impede qualquer aproximação psicológica, afetiva. Tudo isso pode ocorrer com o solitário em meio à multidão: todos estão presentes e, ao mesmo tempo, estão distantes, próximos e, todavia separados. Porque a solidão não é a mesma coisa que estar só. A solidão é sentir-se só.

E muitos têm tentado resolver esse problema indo às festas, boates, teatros, diversões, viagens ou até mesmo se envolvendo em promiscuidade sexual. Mas, na maioria dos casos, tais expedientes só servem para acentuar ainda mais a sensação de vazio e solidão.

Dentro da concepção de Deus, a solidão é vista como algo que não deve ser permanente. O texto de Gn 2.18 nos diz que não é bom que o homem esteja só. O texto traduz o pensamento do Criador, ao formar a raça humana.

Todos precisam de um amigo, a quem podem contar as suas frustrações e tristezas, com quem podem compartilhar as suas alegrias e vitórias, que sirva de apoio na hora da fraqueza, e que exalte a sua força. Davi tinha Jônatas, Moisés tinha Josué, Elias tinha Eliseu. O próprio Jesus, no jardim do Getsemâni, pediu aos discípulos que fossem o seu sustento naquele momento de angústia.

A solidão está presente na vida do solteiro, do casado, na família, no enfermo, no idoso, no adolescente e até na criança. Muitas vezes a criança não é ouvida a respeito de suas necessidades, não recebe carinho, e não se sente compreendida.

A solidão é grave! Até recentemente, os psicólogos tendiam a subestimar o problema, considerando- uma espécie de resfriado emocional. Novos estudos, porém, apontam a solidão como fator importante no suicídio, consumo excessivo de álcool e várias doenças.
Um jornalista perguntou a Elvis Presley, seis semanas antes de sua morte: “Elvis, quando você começou a tocar, disse que queria três coisas na vida: ser rico, famoso e feliz. Você é feliz?” Elvis respondeu: “Não. Eu estou tão solitário como o inferno”.

O que é solidão?

“A solidão é fogo. A solidão devora. É amiga das horas, prima e irmã do vento, que faz nossos relógios caminharem lento, causando descompasso no meu coração”. Este trecho da canção de Alceu Valença, consegue descrever os sentimentos de uma pessoa que sente na pele o martírio de estar só e viver, num marasmo onde nada de novo ou de extraordinário acontece.

Os psicólogos definem quatro tipos de solidão: Transitória, situacional, crônica e parcial.

1. Solidão Transitória
Sentimos solidão transitória quando, depois de um dia duro de trabalho, temos a necessidades súbita de ter alguém com quem conversar. A solidão, mesmo sendo transitória, incomoda, porque em geral o homem teme ficar só. A pressão para manter-se socialmente ativo vai além do prazer da companhia alheia. As pessoas sempre se ajudam umas às outras a permanecerem ocupadas, para não se lembrarem de que estão vazias e que suas vidas não tem sentido. Pascal, teólogo e filosofo francês, observou a necessidade insaciável que o homem tem de fugir de si mesmo, lançando-se ao incessante movimento e diversão. Para evitar a solidão insuportável ele prefere o ruído, a balada e a movimentação.

2. Solidão Situacional
Já a solidão situacional ocorre quando alguém, com uma vida social estável, se vê privado dela por alguma circunstância, como por exemplo:

a) Uma mudança – As mudanças de cidade afetam a vida social. Para um universitário, é deixar o seu lar, seus amigos de infância e começar a vida numa nova cidade; para uma criança pode ser o primeiro dia de aula. Outro exemplo de solidão situacional:

b) São as perdas – as perdas são uma das grandes causa da solidão. Alguns perdem familiares para a morte, outros perdem amigos por causa de brigas e discussões, e outros perdem o companheiro de trabalho por causa de uma transferência. Não importam o tipo de perda, ela causa um vazio interior que parece impossível de ser preenchido novamente. Na opinião da psicóloga Kiev Marques, que atende no Centro de Atendimento Psicológico, em Patos, o fim de qualquer relacionamento, principalmente o conjugal, faz com que a pessoa mude totalmente seu ritmo de vida – diz ela que na realidade, a separação é uma perda, muitas vezes irreparável, que leva o individuo a sofrer muito, sentir a falta do outro e se sentir só. As pessoas que se sentem só sofrem muito, porque não conseguem tomar iniciativas que a faça a sair da rotina que está vivendo.

O exemplo mais sério de solidão situacional, como já enfatizamos, é a solidão do casamento. As pessoas se casam para fugir da solidão, contudo, temos observado que o casamento tem sido alvo fácil para o ataque da solidão. Os casais muitas vezes passam os dias juntos, ou jantam juntos, compartilham a mesma cama, mas muitas vezes existe uma distância emocional, uma falta de intimidade e cumplicidade. Muitas vezes não conversam, não falam de si, não se comunicam. E essa falta de comunicação gera a solidão do casamento.

Uma enquête feita pela USP mostrou que 75% das pessoas se sentem bem se nunca se casassem pela primeira ou segunda vez. Os mais solitários de todos os entrevistados eram os casados que não amavam mais os companheiros, mas continuavam morando com eles.

A solidão do casamento gera melancolia, profunda tristeza, rejeição, sensação de abandono e desamparo. Esta é a pior da solidão – a solidão do casamento.

3. Solidão Crônica

A solidão que persiste depois desse período é considerada crônica. Acredita-se que esses solitários de longo tempo tenham problemas de relacionamentos com outras pessoas. Como por exemplo:

a) Pessoas com espírito de competição – esse negócio de um quer ser melhor do que outro acaba quebrando as amizades e a pessoa ficando só, solitária.

b) Pessoas com problemas de comunicação – a falta de conversa sincera entre as pessoas gera conflitos e solidão.

A solidão pode levar a que a pessoa forme uma imagem negativa de si própria e julgue que ninguém a aprecia. A dor de estar só, é um dos preços a pagar pelo individualismo – que, na esteira do progresso material, hoje marca as relações humanas em diferentes âmbitos. Como por exemplo – o computador, a televisão, videocassete, DVD, entre outros equipamentos da era Hightech, propõe o isolamento. A televisão e o computador têm ocupado cada vez mais espaço que antigamente era dos amigos, parentes e vizinhos. Isso tem tirado um confortante sentimento de integração à comunidade, de pertencer a um grupo social específico.

4. Solidão Parcial
Podemos vivenciar também uma solidão parcial, se temos uma vida social satisfatória mas nos falta uma ligação mais íntima ou, ao contrário, um casamento feliz mas sem amigos.

Os Males provocados pela Solidão

Uma enquête de saúde pública feita pela USP com 10 mil pessoas mostrou: os que vivem sozinhos e são solitárias estão mais sujeitos ao câncer e doenças infecciosas de todos os tipos. Ainda não se sabe de que maneira a solidão enfraquece a saúde. Talvez ela própria cause doenças ou, então, possa ser o comportamento que as pessoas solitárias passam a ter, como o grande uso de drogas e álcool, que, por sua vez, afetam o sistema imunológico. A solidão é também responsável por uma série de problemas psicológicos. Pessoas que culpam os outros por sua falta de amizade, dizendo a si mesmas que todos são egoístas, tornam-se raivosas e amargas. Por outro lado, os que se culpam pela ausência de amigos tendem a depressão. Estes sentimentos negativos acreditam os especialistas, levam os solitários a tomar tranqüilizantes ou drogas mais pesadas, abusar do álcool ou comer demais. Os consultórios de psicoterapeutas estão abarrotados de pessoas que buscam compreender a solidão. E tem outro mal da solidão muito sério – A solidão, muitas vezes, faz com que a pessoa perca o estímulo para viver. As estatísticas confirmam que solteiros e divorciados tem mais possibilidade de cometer suicídio. A própria enquete da USP, informa que dos 25.560 suicídios da década de 90, cerca de 65% foram motivados pela solidão. Geralmente, os casos de suicídios acontece com os aqueles que sofrem de solidão crônica. A solidão crônica que já foi definida como um sentimento de perda que não tem fim. O solitário nunca se livra do sentimento de luto, nunca desperta do passado. No pensamento freudiano, o solitário se isola até atingir a solidão metafísica, ou seja, o mundo para ele, é pobre de sentido. O solitário em um mundo cheio de aparatos, de computadores e de máquinas pode afinal terminar a sua existência sem que ninguém se dê conta de sua passagem.

Quem se torna solitários?

O que é capaz de fazer pessoas perfeitamente normais mergulharem, de repente, no abismo da solidão? Alguns grupos são particularmente vulneráveis à solidão:

1. Pessoas Idosas
Na velhice a solidão pode atacar mais forte. O tempo está se esgotando, muitos amigos já partiram, os filhos deixaram o lar, a saúde já não é a mesma, as ambições estão reduzidas. O idoso exige bastante atenção, porque pode cair facilmente na tristeza da solidão.

2. Ausência de amigos
Todo ser humano precisa de um companheiro, em níveis diferentes de relacionamentos. Contudo, a solidão crônica costuma disfarçar-se de falta de aceitação social do solitário: “eu sou sem graça”, “não tenho valor”, “sou tolo”... mas, segundo os psicólogos, os solitários é que tendem a não gostar dos outros e dizer não serem apreciados por eles. Também há muitos que sofrem com o medo da intimidade. A proximidade real os torna ansiosos, talvez porque perdas anteriores os tornaram desconfiados ou porque a carência afetiva os fez invejosos e ressentidos. Resultado – embora estejam loucos para encontrar um amigo, agem de maneira a afastar todo mundo. O mais difícil de tudo é que os solitários costumam mostrar-se mais egocêntricos que os outros. As pessoas sociáveis dão aos outros tudo que podem – afeição, atenção e respeito – enquanto os solitários querem obter ajuda, aprovação, assim, como também a confirmação de uma idéia fixa – o mundo é um lugar hostil. Em outras palavras: eles tendem a reclamar de tudo.

3. Doentes terminais
As pessoas que estão doentes, principalmente em fase terminal, sofrem também de solidão. Na maioria das vezes não tem com quem falar sobre sua dor não contam com ninguém para apóiá-los na angústia, e desespero, e esse sentimento de abandono e rejeição pode fazer com que a doença progrida. Nem sempre a presença de um amigo ou familiar, uma palavra de carinho, um gesto afetuoso, resultará em cura da doença, mas poderá curar a dor emocional e a dor da solidão.

4. Alienação
O sentimento de alienação é devastador. Quando ninguém sustenta a nossa causa ou defende as nossas idéias, nos sentimos abandonados. Quando nos sentimos diferentes do grupo, quer seja na aparência física ou nas roupas que usamos, sentimo-nos alienados. Sentir solidão já é dolorido o suficiente, mas nos machuca mais quando atravessamos um momento difícil e ninguém se importa. Às vezes até zombam de nós.

Como lidar e vencer a solidão

Fugas não resolvem. O álcool e as drogas são fugas bastante procuradas. O trabalho excessivo também; pessoas buscam o ativismo para preencher todo o seu tempo e, assim, esquecer a tristeza. Alguns procuram fugir da solidão amorosa por meio de relacionamentos ilícitos; não importa com quem seja e nem por quanto tempo, contanto que se anestesie a solidão. Alguns encontram no consumismo a sua forma de fuga. Acham que a aquisição de algo novo vai reanimá-los. A solidão se estabelece como um hábito, uma atitude, e uma vez estabelecida será necessário um esforço da nossa parte para superá-lo. Às vezes é muito difícil vencer o hábito da solidão, ou mesmo superar o sentimento de estar só. Mas a bíblia sagrada, a Palavra de Deus, nos ensina a utilizar a solidão para produzir algo novo.

1. Reaja contra a baixa auto-estima.
Um dos primeiros efeitos da solidão é a baixa auto-estima. Pessoas se sentem impotentes e ficam abatidas. Isso geral auto-piedade e falta de zelo por si mesmo. Há muitos que deixam de cuidar de si mesmo, não comem direito, não se exercitam, não se veste bem. Essas pessoas precisam aprender a não sucumbir à baixo auto-estima. A bíblia diz em Filipenses 4:13 “tudo posso naquele que me fortalece”.

2. Não alimente a dor
Uma das piores reações é curtir a dor, alimentar a amargura. Gostar de sofrer complica tudo. Não adianta odiar as causa da solidão. Criar muralhas que nos afastam ainda mas das pessoas só vai piorar tudo. Além do mais, ninguém gosta de ficar ao redor de uma pessoa amarga e cheia de ódio. Procure ser útil para os outros. Não diga “Eu não tenho amigos”. Seja um amigo. Não construa paredes, mas pontes.

3. Reconheça a proximidade de Deus
Quando você sente solitário, onde está Deus? Onde sempre esteve, bem ao seu lado, pronto para fortalecê-lo. Deus está com você mesmo que você não o sinta próximo.

Jesus compreende a nossa solidão, pois ele mesmo sentiu-se só. A bíblia diz em Isaías 53.3: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso”. Ele foi rejeitado, primeiramente pelo seu próprio povo. Não recebeu apoio dos discípulos no jardim do getsemâni, foi traído por Judas, foi negado por Pedro e abandonado pelo seu próprio Pai celestial. E ele mesmo nos oferece conforto, dizendo:

“Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros”, Jô 14.18

“E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”, Mt 28.20.

Aproveite a fragilidade causada pela solidão e aproxime-se mais de Deus, tornando-se mais dependente e íntimo dele. Chegue-se a ele em oração e experimente quão aliviadora é a presença do nosso Senhor. O salmista declara: “Deus faz que o solitário more em família”.

Que Deus nos abençoe!