terça-feira, 1 de agosto de 2017

A INUTILIDADE DA PROFISSÃO RELIGIOSA SEM A PRÁTICA E OS DOIS CONSTRUTORES [Mateus 7.21-29]



Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.  Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas. (Mt 7.21-29)

Meus amigos e irmãos

O Senhor Jesus encerra o Sermão da Montanha com uma apli­cação penetrante. A sua admoestação abrange desde os falsos profetas até os “professos” cristãos, desde falsos mestres até ouvintes negligen­tes. Temos aqui uma palavra para todos. Que nós possamos aplicá-la aos nossos próprios corações!

Vamos agora, as lições do texto para a nossa vida

1. A primeira lição aqui, é a inutilidade de uma profissão mera­mente externa do cristianismo.

21. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23. E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Aqui temos um grande alerta! Nem todos os que dizem “Senhor, Senhor” entrarão no reino dos céus. Nem todos os que professam o cristianismo, ou se dizem cristãos, serão salvos.

Prestemos atenção a este fato: para salvar uma alma é preciso muito mais do que a maioria das pessoas parece julgar necessário.

a) Po­demos até ter sido batizados em nome de Cristo, e nos orgulhar presunçosamente em nossos privilégios eclesiásticos.
b) Podemos ser do­nos de grande conhecimento intelectual, e estar bem satisfeitos com a nossa condição.
c) Podemos até mesmo ser pregadores e mestres sobre outrem, e fazer “muitas obras maravilhosas” em conexão com a igreja a que pertencemos.

Mas, durante todo esse tempo, temos praticado a vontade do Pai celeste?
Temos verdadeiramente nos arrependido?
Te­mos realmente confiado em Cristo e vivido vidas santas e humildes?

Se assim não for, a despeito de todos os nossos privilégios, e do nosso professo cristianismo, perderemos o céu afinal, e seremos rejeitados para todo o sempre. Ouviremos aquelas terríveis palavras: ‘ ‘Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

O dia do juízo final haverá de revelar coisas muito estranhas. As esperanças de muitos dos que foram considerados grandes cristãos, quando em vida, serão totalmente vãs. A corrupção de sua religião será desmascarada e lançada ao opróbrio, perante os olhos do mundo inteiro. E então ficará provado que, para ser salvo, é necessário muito mais do que apenas “uma profissão de fé”.

Devemos praticar o nosso cris­tianismo, tanto quanto professá-lo. Que nós com freqüência nos lem­bremos desse grande dia do juízo, e nos julguemos a nós mesmos, para não sermos julgados e condenados (1 Co 11.31) pelo Senhor. Sem im­portar o que mais sejamos, que o nosso alvo consista em sermos reais, verdadeiros e sinceros.


2. A segunda lição, nesta passagem, é um impressionante quadro das duas classes de ouvintes.

24. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
25. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
26. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
27. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

Nós temos duas classes de pessoas: os que ouvem, mas não praticam; e os que não apenas ouvem, mas põem em prática o que ouvem, com os seus respectivos destinos traçados até o fim.

Quem ouve o ensino cristão e põe em prática o que ouve, é como o “homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”. Isso significa que tal pessoas, não se contenta em apenas ouvir exortações ao arrependimento, exortações a confiar em Cristo e a viver uma vida santa. Ele de fato se arrepende. Ele realmente crê. Ele realmente abandona a prática do mal, aprende a fazer o bem, abomina tudo que é pecaminoso e apega-se ao que é bom. Ele não só é um ouvinte, mas também é um praticante.

O apóstolo Tiago nos adverte (Tg 1.22-23): E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.”

E qual é o resultado de tudo isso? Em tempos de provação, a sua religião não o desampara. Os dilúvios de enfermidade, tristeza, po­breza, desapontamento e desolações desabam sobre ele, mas em vão. A sua alma permanece inabalável. A sua fé não cede terreno. Nunca é destituída de conforto. A sua religião talvez lhe tenha custado tribu­lações, em tempos passados. Os seus alicerces podem ter sido obtidos com muito esforço e lágrimas. Para descobrir o seu interesse pessoal na pessoa de Cristo, talvez ele tenha passado muitos dias de buscas in­cessantes, muitas horas de luta em oração. Porém, os seus labores não foram em vão. Agora ele colhe uma rica recompensa. A religião ver­dadeira é aquela que é capaz de resistir à provação.

O homem que ouve o ensino cristão, mas nunca passa da mera fase do ouvir, assemelha-se a “um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia”.

Contenta-se unicamente em ouvir e aprovar; porém, não vai além disso. Por ter alguns sentimentos, convicções e desejos de natureza espiritual ele imagina que vai tudo bem com sua alma. É nessas coisas que ele confia. Ele nunca rompe, de fato, com o pecado ou põe de lado o espírito mundano. Ele, na verdade, nunca se apropria de Cristo. Nunca toma realmente a sua cruz. É ouvinte da verdade, mas nada mais.

E qual é o fim da religiosidade desse homem? Ela é demolida inteiramente, sob a primeira torrente de tribulações. Na hora de maior necessidade, a sua religião o desampara completamente, como uma fonte que seca durante o verão. Ela o deixa em seco, como um barco nau­fragado sobre um banco de areia — um escândalo para a igreja, uma zombaria na boca do incrédulo e uma miséria para si mesmo. A grande verdade é que, o que custa pouco, vale pouco! Uma religião que nada nos custa, e que não consista em outra coisa, senão em ouvir sermões, sempre provará ser uma atividade inútil, por fim.

Meus irmãos e amigos!

É assim que termina o Sermão do Monte.

28. E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina;
29. Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.


Portanto, jamais se tinha pre­gado um sermão como este anteriormente. Talvez jamais se pregou outro igual desde então. Cuidemos para que ele tenha uma influência dura­doura e permanente sobre nossa alma. Ele foi dirigido tanto a nós como àqueles que primeiro o ouviram. Nós somos os que terâo de prestar contas pelas lições deste sermão, lições que nos sondam o coração. O que pensamos a respeito destas lições não é questão de pouca importância. A palavra que Jesus tem proferido, essa mesma palavra nos julgará no último dia.

Para concluir, quero ler aqui em 12. 46-50, que diz:

Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia. Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito.

Que Deus nos abençoe!

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