quinta-feira, 6 de julho de 2017

A PROIBIDA PREOCUPAÇÃO COM ESTE MUNDO [Mateus 6.25-34]



Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (Mateus 6.25-34)


Meus irmãos e amigos

Estes versículos revelam o misto da sabedoria e compaixão do Senhor Jesus Cristo em seus ensinos. Ele conhece o coração humano. Ele sabe que todos nós estamos prontos a desconsiderar as suas adver­tências contra o mundanismo, com o argumento de não poder evitar estarmos ansiosos acerca das coisas desta vida.

Muitos chegam até a questionar: “Acaso não precisamos suprir o necessário para nossas famílias? Será que não precisamos aten­der às nossas necessidades materiais? Como poderemos vencer na vida, se dermos atenção principal às nossas almas?”

O Senhor Jesus previu tais pensamentos e nos forneceu uma resposta.

No texto que lemos, Ele nos proíbe de manter um espírito de ansiedade e solicitude quanto às coisas deste mundo. Por quatro vezes Ele nos diz: “Não an­deis ansiosos...” com a vida, com a alimentação, com o vestuário e com o amanhã. “Não andeis ansiosos.” Não se preocupe demais; não esteja demasiadamente aflito.

Entendemos perfeitamente que é correto fazer uma provisão cautelosa para o futuro; mas, nota-se que tudo isso vem acompanhado com a fadiga excessiva, a preocupação desgastante, a ansiedade que atormenta — tudo isso está errado.

Jesus nos lembra do cuidado providencial que Deus continua­mente tem para com tudo quanto Ele criou.

Ele nos deu “vida”? Então, certamente não permitirá que coisa alguma nos falte para a manutenção dessa vida.

Ele nos deu um corpo? Então, certamente não nos deixará morrer por falta de agasalho.

Ele que nos deu o ser, sem dúvida en­contrará alimentos para nos sustentar.

Jesus mostra a inutilidade da ansiedade excessiva. A nossa vida está inteiramente nas mãos de Deus. Nem mesmo toda a ansiedade do mundo nos fará viver um minuto além do tempo que Deus determinou para nós. Não morreremos enquanto a nossa obra não estiver terminada.


Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?  (v. 26-27)

Aqui, Ele nos manda observar as “aves do céu”, para recebermos ins­trução. Elas não fazem qualquer provisão para o futuro: “não semeiam, nem colhem ...” Elas não “ajuntam em celeiros” para prevenir o fu­turo. Literalmente, as aves vivem, dia após dia, daquilo que conseguem encontrar usando o instinto que Deus lhes deu.

Devemos aprender, com as aves, que Deus jamais permitirá cair em miséria quem estiver cum­prindo seu dever, no lugar em que Deus o colocou.


E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? (v. 28-30)

Jesus também nos manda observar “os lírios do campo”. Ano após ano, eles se adornam com as mais alegres cores, sem o menor trabalho ou esforço. “Eles não trabalham nem fiam.” Deus, pelo seu infinito poder, os veste de beleza sem par, a cada estação. Este mesmo Deus é o Pai de todos os crentes. Por que deveriam duvidar de que Ele é capaz de lhes prover as vestes necessárias, tal como o faz para os lírios do campo? Ele que toma cuidado das flores do campo, que são passageiras, certamente não negligenciará os corpos nos quais ha­bitam almas imortais.


Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;  buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.  Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (v. 31-34)


Aqui, Jesus nos dá a entender que a excessiva preocupação com as coi­sas deste mundo é algo extremamente indigno de um cristão. Uma grande característica do paganismo é viver para o presente. Deixe que os pagãos estejam ansiosos, se assim desejarem. Eles nada sabem a respeito de um Pai celestial. Mas os cristãos, que têm um maior conhecimento e uma visão clara da realidade, devem dar prova disso, pela sua fé e con­tentamento.

Quando perdemos alguém que amamos, não devemos nos entristecer “como os demais, que não têm esperança” (1 Ts 4.13). Quando tentados pelas ansiedades desta vida, não devemos estar por demais preocupados, como se não tivéssemos nem Deus e nem Cristo.

Cristo nos ofereceu uma graciosa promessa, como um remédio contra a ansiedade de espírito:


buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (v. 33)

Nestes dois versículos, Ele nos garante que, se buscarmos pri­meiro, e acima de tudo, um lugar no reino de graça e glória, então todas as coisas de que realmente precisamos nos serão dadas. Todas estas coisas vos serão “acrescentadas”, acima e além da herança celestial.

“Todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).
 “O Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente” (SI 84.11).


Por fim, Jesus sela a sua instrução sobre este assunto com uma das mais sábias afirmações:

Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (v. 34)

Não devemos carregar preocupações antes do tempo próprio. Devemos atender às ocupações do dia de hoje e dei­xar as preocupações do amanhã para quando raiar o novo dia. Podemos morrer antes do amanhecer! A única coisa de que podemos ter certeza é que, se o dia de amanhã nos trouxer uma cruz, Aquele que a envia pode, e irá, nos enviar a graça necessária para carregá-la.

Em toda essa passagem existe um tesouro de lições de ouro. Pro­curemos usá-las na nossa vida diária. Que não apenas leiamos essas lições, mas que as ponhamos em prática.

Vigiemos e oremos contra um espírito ansioso e excessivamente preocupado. Isto afeta profunda­mente a nossa felicidade. Metade das nossas misérias são causadas pela ilusão de coisas que nós pensamos estarem vindo sobre nós. Metade das coisas que imaginamos estarem vindo sobre nós, na verdade jamais acontecem.

Onde está a nossa fé?

Onde está a confiança que temos nas palavras de nosso Salvador?

Lendo estes versículos bem podemos nos envergonhar de nós mesmos, para então examinarmos os nossos co­rações.

Contudo, podemos ter certeza de que as palavras de Davi ex­pressam uma grande verdade: “Fui moço, e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl 37.25).

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