quinta-feira, 6 de julho de 2017

A CENSURA É PROIBIDA E A ORAÇÃO É ENCORAJADA [Mateus 7.1-12]



Não julgueis, para que não sejais julgados. 2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão. Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem. Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem? (Mt 7.1-12)


Meus irmãos e amigos

A primeira parte destes versículos é uma das passagens bíblicas que precisamos ter o cuidado de não forçar para além do seu devido significado. Esta parte é freqüentemente corrompida e aplicada de modo errôneo pelos inimigos da verdadeira religião. É possível pressionar de tal maneira as palavras da Bíblia que elas acabam produzindo não o remédio espiritual, e, sim, veneno.

Nosso Senhor não intencionava de modo algum dizer que é er­rado proferir um juízo desfavorável sobre a conduta e a opinião de outras pessoas. Precisamos ter opiniões bem formadas e decididas. Devemos julgar “todas as cousas” (1 Ts 5.21). Devemos provar “os espíritos” (1 Jo 4.1). Nem, tampouco, Cristo quis dizer que seja errado reprovar os pecados e as faltas de outras pessoas, enquanto nós mesmos não te­nhamos atingido a perfeição e não estejamos destituídos de falta. Tal interpretação seria uma contradição a outras passagens da Escritura. Isso tornaria impossível condenar o erro e as falsas doutrinas. Seria um impedimento para qualquer um que desejasse ser ministro do evan­gelho ou juiz. A terra estaria nas mãos dos perversos (Jó 9.24). As heresias se espalhariam. Os malfeitores se multiplicariam por toda a parte.

O que nosso Senhor condena é um espírito crítico que em tudo encontra alguma falta. A prontidão em condenar as pessoas por causa de pequenas coisas ou questões de pouca importância, o hábito de fazer julgamentos duros e precipitados, a disposição em exagerar os erros e fraquezas do próximo, e de sempre pensar o pior — isso tudo nosso Senhor nos proíbe. Essas coisas eram comuns entre os fariseus, e con­tinuam sendo comuns desde aquela época, até hoje. Todos precisamos vigiar para não cairmos em tal erro. O amor “tudo crê, tudo espera” das outras pessoas, e nós deveríamos ser muito vagarosos em procurar defeitos no nosso próximo. Esse é o verdadeiro amor cristão (1 Co 13).

A segunda lição contida nesta passagem é a importância de se ter discrição quanto à pessoa com quem falamos sobre os assuntos de religião. Tudo é maravilhoso no seu devido tempo e lugar. Nosso zelo deve ser temperado por uma prudente consideração acerca da ocasião, do lugar e das pessoas a quem nos dirigimos. Salomão disse: “Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça” (Pv 9.8). Não é sábio abrir o coração com todo mundo, a respeito das coisas espiri­tuais. Há muitos que por causa de um temperamento violento, ou de hábitos abertamente pervertidos, são totalmente incapazes de dar valor às verdades do evangelho. Podem mesmo explodir de ira e cair em ma­iores pecados, se você tentar fazer bem às suas almas. Mencionar o nome de Cristo a tais pessoas é como lançar pérolas aos porcos. Isso não lhes faz bem, e, sim, mal. A tentativa só fará despertar nessas pes­soas toda a sua corrupção, e as deixa furiosas. Em suma, eles são como os judeus de Corinto (Ato 18.6), ou como Nabal, acerca de quem ficou registrado: “ele é filho de Belial, e não há quem lhe possa falar” (1 Sm 25.17).

Esta é uma lição particularmente difícil de se usar de maneira adequada. É preciso muita sabedoria para aplicá-la corretamente. A ma­ioria de nós inclina-se muito mais a errar por excesso de cautela do que por excesso de entusiasmo. Geralmente tendemos muito mais por lembrar “o tempo de estar calado” do que “o tempo de falar”, Não obstante, esta é uma lição que deveria despertar em nós um espírito de auto-inquirição. Acaso, nós mesmos, às vezes, não desencorajamos os nossos amigos quando eles tentam nos dar bons conselhos, pela nossa morosidade ou irritabilidade de temperamento? Nunca obrigamos ou­tras pessoas a se manterem em silêncio e a nada dizerem, por causa do nosso orgulho ou impaciente desprezo pelos conselhos que recebe­mos? Será que nunca nos voltamos contra os nossos gentis conselheiros, e os silenciamos pela nossa violência e ira? Infelizmente, com razão podemos temer que nós também temos errado quanto a essa questão!

A última lição contida nesta passagem é o dever de orar, e os ricos encorajamentos à oração. Existe uma maravilhosa conexão entre esta lição e aquela que lhe antecede. Queremos saber quando estar em “silêncio” e quando “falar”? quando devemos apresentar as coisas “santas” e quando expor as nossas “pérolas”? Então devemos orar. Este é um assunto ao qual o Senhor Jesus evidentemente atribui grande importância. A linguagem que Ele usa é uma prova clara. Ele emprega três vocábulos diferentes para exprimir a idéia de oração: ‘ ‘Pedi... bus­cai... batei...” Jesus reserva as maiores e mais ricas promessas para os que oram. “Pois todo o que pede, recebe.” Ele ilustra a disposição de Deus em ouvir as nossas orações, mediante um argumento extraído da prática corriqueira dos pais para com seus filhos. Ainda que os pais sejam maus e egoístas por natureza, não negligenciam as necessidades de seus filhos segundo a carne. Muito mais um Deus de amor e mise­ricórdia atenderá aos clamores daqueles que são seus filhos, mediante a graça.

Devemos dar atenção especial a estas palavras de nosso Senhor a respeito da oração. Bem poucos dos seus ensinamentos, talvez, sejam tão bem conhecidos e tão freqüentemente repetidos quanto estes. Mesmo os mais pobres e ignorantes são capazes de dizer que “quem procura, acha”. Mas, de que adianta saber estas cousas, se não fazemos uso de­las? O conhecimento não aprimorado e não bem empregado, servirá apenas para agravar a nossa condenação no dia do juízo.

Será que sabemos como pedir, buscar e bater? Por que razão não saberíamos? Nada existe tão simples e claro quanto a oração, se o ho­mem realmente tem o desejo de orar. Mas, infelizmente, não existe nada que os homens menos se disponham a fazer. Eles fazem uso de muitas formas de religiosidade, cumprem muitas ordenanças e fazem muitas coisas que estão certas, mas não estão dispostos a orar. Todavia, sem oração, nenhuma alma jamais se salvará.

Será que realmente oramos? Em caso contrário, quando chegar­mos na presença de Deus, ficaremos sem desculpa, a menos que nos arrependamos em tempo. Não seremos condenados por não fazer aquilo que não poderíamos ter feito, ou por não saber aquilo que não pode­ríamos ter conhecido. Entretanto, descobriremos que uma das principais razões porque estamos perdidos é porque nunca pedimos para ser salvos.

Será que de fato oramos? Então oremos ainda mais, sem nunca desanimar. Orar nunca é trabalho perdido, nem em vão. Haverá um dia de produzir fruto, mesmo que se passe muito tempo. Esta palavra de Jesus nunca falhou: “Pois todo o que pede, recebe”.


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