sexta-feira, 2 de junho de 2017

TEONTOLOGIA - A SOBERANIA DE DEUS [Aula 02]



Há qualidades de Deus que nunca iremos entender por completo. Podemos falar sobre Sua autoexistência. Sua autossuficiência. Sua eternidade e Sua natureza trina. Todavia, temos sempre de reconhecer que não as compreendemos plenamente, pois não somos como Deus em nenhuma dessas características. Devemos com humildade confessar que Ele é o Criador e que nós somos Suas criaturas.


O infinito está além de nossa compreensão. Por outro lado, há atributos de Deus que conseguimos entender porque compartilhamos deles até certo ponto. Isso procede com a maioria das virtudes; sabedoria, verdade, misericórdia, graça, justiça, ira, benignidade, fidelidade, entre outras. É com essa categoria que nos ocuparemos agora. 

Comecemos pela soberania de Deus. Ele tem autoridade absoluta e governa sobre a criação. Ser soberano é saber tudo, ter todo o poder, além de ser livre. Se o Senhor fosse limitado em qualquer um desses predicativos, não seria soberano. Contudo, a soberania de Deus é maior do que todos os atributos que ela engloba.

Outras virtudes parecem ser mais importantes para nós, como, por exemplo, o amor. Todavia, um pouco de reflexão mostrará que o exercício de qualquer uma delas só é tornado possível pela soberania de Deus. O Senhor poderia amar, mas, se Ele não fosse soberano, talvez circunstâncias impedissem Seu amor tornando-o inútil para nós. O mesmo se dá com a justiça divina. Deus poderia desejar estabelecer justiça entre os seres humanos, porém, se Ele não fosse soberano, a justiça seria frustrada e a injustiça prevaleceria. 

Portanto, a doutrina da soberania de Deus não é um dogma filosófico destituído de valor prático. Antes, é uma doutrina que dá significado e substância às outras doutrinas. 

Como Arthur Pink observou a soberania de Deus "é o fundamento da teologia cristã [...], o centro de gravidade do sistema da verdade cristã - o sol ao redor do qual todas as órbitas menores estão agrupadas" (Pink, 1969, p. 263). [1] É também, como veremos a força e o conforto do cristão em meio às tempestades da vida


QUESTIONAMENTOS INTELECTUAIS

É claro que há problemas em afirmar o governo de Deus em relação a um mundo que seguiu seu próprio caminho. Podemos concordar que Deus governe os céus. Contudo, a terra é um lugar corrompido. Aqui a autoridade divina é burlada, e o pecado com freqüência prevalece.

Podemos com clareza declarar que Deus é soberano sobre tal mundo? Se olharmos para o mundo de modo isolado, acharemos que não. No entanto, se considerarmos a Escritura, como devemos fazer para conhecer Deus, poderemos afirmar isso, pois a Bíblia aponta em diversas passagens que Ele é soberano.

Podemos não entender essa doutrina relativa à soberania. Podemos ainda nos perguntar como Deus tolera o pecado. Contudo, mesmo assim não vamos duvidar da doutrina nem nos esquivar de suas conseqüências.

Na Escritura, a soberania divina é um conceito tão difundido e importante que é impossível tratá-la de modo abrangente. Observe alguns textos que a abordam:

“Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, SENHOR, o reino, e tu te exaltaste sobre todos como chefe [...] e tu dominas sobre tudo.” - 1 Crônicas 29.11,12 

“Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” - Salmo 24.1

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre as nações; serei exaltado sobre a terra.” - Salmo 46.10

“Pois Deus é o Rei de toda a terra.” - Salmo 47.7a

A doutrina da soberania de Deus é o fundamento de todas as exortações para confiar nele, louvá-lo e entregar seu caminho a Ele. 

Além desses textos e muitos outros, há exemplos do governo de Deus sobre a matéria. O mundo material obedece às regras que Ele estabeleceu, ou seja, às leis da natureza ou da ciência. Não devemos pensar que as leis são absolutas e que Deus de alguma forma é controlado ou limitado por elas, pois o Senhor age de modo sobrenatural para realizar o que chamamos de milagre. 

Deus mostrou Sua soberania sobre a natureza ao dividir o mar Vermelho para que Israel passasse do Egito para o deserto, e depois fez com que as águas voltassem ao seu curso e destruíssem os soldados egípcios que perseguiam o povo. O Senhor expressou Sua soberania ao enviar o maná para alimentar os israelitas enquanto estavam no deserto. 

Em outra ocasião Ele enviou codornizes ao campo como provisão para Israel. Deus dividiu as águas do rio Jordão para que o povo atravessasse para Canaã. Ele fez com que as muralhas de Jericó caíssem, e "parou o sol" nos dias de Josué em Gibeão, a fim de que Israel conquistasse a vitória completa sobre seus inimigos em fuga. 

No tempo de Jesus, a soberania divina manifestou-se quando Ele alimentou quase cinco mil homens multiplicando poucos pãezinhos e peixes, curou doentes e ressuscitou mortos. Por Em, a soberania de Deus foi vista nos eventos relacionados à crucificação de Cristo e Sua ressurreição. 

Outros textos mostram que a soberania de Deus atua sobre a vontade do ser humano e, por isso, influencia suas atitudes. Assim, o Senhor endureceu o coração do faraó para que ele se recusasse a deixar o povo de Israel partir. Por outro lado. Deus quebranta o coração de alguns para que respondam ao Seu amor e obedeçam a Ele. 

Pode-se argumentar que os homens, não obstante, desafiam Deus e desobedecem aos Seus princípios. No entanto, essa observação não pode subverter o ensino da Bíblia em relação ao governo de Deus sobre Sua criação, a não ser que a Escritura se contradiga, o que não ocorre.

A explicação para essa aparente contradição é a rebelião humana. Embora em oposição à expressa ordem de Deus, encaixa-se em Seu propósito eterno. Significa que o Senhor permite o pecado por Suas próprias razões, sabendo de antemão que Ele o julgará no dia de Sua ira, e que nesse ínterim o pecado não ultrapassará os limites que Deus estabeleceu para ele.

Em nossa perspectiva, muitas coisas trabalham contra a soberania de Deus. Contudo, na perspectiva de Deus, Seus decretos sempre são estabelecidos. Eles são, na verdade, como o Breve Catecismo de Westminster os descreve: 

“Desde toda a eternidade. Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, todavia de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.” [Confissão de Fé de Westminster, Igreja Presbiteriana do Brasil, p. 4]


QUESTIONAMENTOS HUMANOS

O verdadeiro problema com a soberania de Deus,sob uma perspectiva humana, não é que a doutrina pareça falsa, embora haja problemas em entendê-la, mas sim que os homens não gostam desse aspecto do caráter divino, visto que os perturba e humilha.

Poderíamos pensar, se olhássemos para esse assunto com superficialidade, que homens e mulheres vivendo em meio a uma cultura caótica seriam receptivos à soberania divina. Afinal, o que poderia ser melhor do que saber que as coisas estão sob controle, apesar das aparências, e que Deus é capaz de fazer com que todos os eventos concorram para o bem do ser humano? Essa constatação, contudo, falha ao não reconhecer a rebelião da humanidade contra Deus em busca de autonomia.

A rebeldia tem sido característica da humanidade desde a queda. No entanto, ela é patente na cultura contemporânea, como R. C. Sproul aponta em The Psychology Atheism [A psicologia do ateísmo]. Nosso sistema democrático, por exemplo, rejeita toda a autoridade monárquica. Não servimos a nenhum soberano aqui foi o slogan da Guerra de Independência americana.

Hoje, embora mais de 200 anos tenham se passado, o lema permanece. Assim, o governo do povo na verdade significa ser governado por si mesmo ou por aqueles que compartilham dos mesmos ideais. Deus, o Senhor de direito sobre todas as nações e todos os indivíduos, é sutilmente excluído das instituições decisórias de nossa vida nacional.

Nem a igreja está melhor, como indica Sproul. Com freqüência ouvimos as características de Deus como Salvador serem ressaltadas - Seu amor, Sua misericórdia. Sua bondade, entre outras -, todavia a soberania dificilmente é mencionada. Essa distorção é clara no evangelismo.

Na prática moderna, o chamado ao arrependimento é em geral denominado de apelo, o qual alguém pode aceitar ou recusar. É oferecido com educação. É raro ouvirmos que o arrependimento é uma exigência soberana de Deus, e que é requerida de nós total submissão à autoridade do Rei nomeado por Ele, Cristo Jesus.

Hoje, a ênfase da mensagem da Igreja é na libertação. No entanto, às vezes é pregado que o ser humano tem de libertar-se não só das estruturas sociais opressivas, como os proponentes da teologia da libertação denominam, mas também do próprio Deus. Sproul declarou: "A libertação moderna envolve uma revolta contra a autoridade soberana de Deus enquanto membros da Igreja e do Estado unem forças em um ato mútuo de traição cósmica" (Sproul, 1974, p. 139).[2]

A razão básica pela qual os homens não gostam da doutrina da soberania de Deus é porque não querem um Deus soberano. Eles desejam ser autônomos. Logo, ora negam a existência de Deus por completo, ora simplesmente o ignoram em todos os propósitos práticos.

O principal motivo do colapso atual do respeito à autoridade é o impacto do existencialismo europeu pela obra de homens como Friedrich Nietzsche, Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Martin Heidegger. Em suas obras a autonomia do indivíduo é um ideal filosófico dominante diante do qual todos os outros conceitos, incluindo a existência de Deus, devem ser eliminados.

Nós apenas nos encontramos quando as restrições externas são lançadas fora. Apenas quando Deus é descartado podemos ser autênticos humanos. Mas, isso funciona? Na obra de Nietzsche, a figura ideal é o super-homem ou o Uebermensch, aquele que cria seus próprios valores e que não deve satisfações a ninguém, a não ser a si mesmo.

Todavia, Nietzsche, o formulador dessa filosofia, morreu não como uma pessoa livre, mas como prisioneiro de sua própria mente pela insanidade. A filosofia da autonomia existencial é uma rua sem saída - pior que isso,um desastre. Ainda assim, é a filosofia dominante de nossa era. Deus é restritivo, por isso deve ser rejeitado. Esse é o ponto de vista.

Perguntas devem ser respondidas não com base em um princípio divino revelado do certo contra o errado, porém com base no que um indivíduo ou a maioria dos indivíduos deseja. Às vezes, a maioria dentro de um segmento da sociedade se coloca em oposição aos que fazem parte de outros segmentos. Entretanto, o problema não começou com o existencialismo.

A questão teve início muito antes disso, quando Satanás confrontou a primeira mulher no jardim do Éden ao fazer a Eva a pergunta diabólica; Deus disse? E depois sugerindo que, ao desobedecer ao que Deus disse, ela e seu marido se tornariam como o Senhor, conhecendo o bem e o mal. Como Deus é a expressão crucial, pois ela significa tornar-se autônomo. Foi a tentação de tentar substituir Deus no tocante à soberania, como o próprio Satanás havia tentado fazer.

Os resultados prometidos pela serpente se cumpriram? De maneira alguma. É verdade que o homem e a mulher aprenderam a diferença entre o bem e o mal, mas de uma forma pervertida. Eles aprenderam fazendo o mal. No entanto, não ganharam a liberdade que desejavam. Em vez disso, foram escravizados pelo pecado, do qual apenas o Senhor Jesus Cristo, por Sua obediência ao Pai, foi capaz de livrar tanto eles como nós.

A autonomia humana atingiu seu ápice com a crucificação de Cristo. 

“Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos se mancomunam contra o SE NHOR e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras e sacudamos de nós as suas cordas.” - Salmo 2.2-3.

A verdadeira liberdade é conseqüência da crucificação com Cristo, como o apóstolo Paulo indicou: 

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.” - Gálatas 2.20

Isso é um paradoxo, é claro, como Agostinho, Lutero, Edwards, Pascal e outros ressaltaram. Quando indivíduos se rebelam contra Deus, eles não conquistam a liberdade; ao contrário, passam a viver em escravidão, porque a rebelião é pecado, e o pecado é um tirano. 

Por outro lado,quando os homens se submetem ao Senhor, colocando-se como servos dele, tornam-se livres de verdade. Eles conquistam a capacidade de transformarem-se em seres plenos, especiais e únicos, como Deus os criou para ser.


BENÇÃOS DA SOBERANIA

Encontramos a genuína liberdade quando nos dispomos a aceitar a realidade como ela é, inclusive a justa e efetiva soberania de Deus sobre toda a Sua criação, e quando permitimos que Ele nos transforme em tudo o que pode fazer de nós. A questão da soberania divina, longe de continuar a ser uma ofensa para nós, pode tornar-se uma doutrina maravilhosa da qual obtemos grandes bênçãos. 

Quais são essas bênçãos? 

Primeiro, o entendimento de que a soberania de Deus inevitavelmente aprofunda nossa adoração ao Deus vivo e verdadeiro. 

Sem a compreensão e apreciação dessas verdades, é questionável se em absoluto conhecemos o Deus do Antigo e do Novo Testamento ou não, pois o que é um Deus cujo poder é frustrado pelos planos das pessoas e de Satanás? Que tipo de Deus é esse cuja soberania tem de ser cada vez mais restringida, para que não pensemos nele como um invasor da fortaleza do nosso livre-arbítrio? 

Quem pode adorar uma divindade tão incompleta e digna de pena? Em Soberania de Deus, Pink afirmou o seguinte: Um deus cuja vontade é resistida, cujos planos são frustrados, cujo propósito é questionado, não pode ser considerado uma divindade, e está muito longe de ser um objeto adequado de adoração; ele não merece nada, a não ser desprezo.(Pink, 1969, p. 28) [3]

Por outro lado, um Deus que verdadeiramente reina sobre Seu universo é um Deus que se deve buscar com alegria, adorar, e a que se deve obedecer. É o Deus contemplado por Isaías em sua visão: 

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo. Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, e com duas cobriam os pés, e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo; Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”, - Isaías 6.1-3.

O Deus das Escrituras é grande. Foi uma visão dele, não de um deus menor, que trans formou o ministério de Isaías. 

A segunda bênção que um conhecimento de Deus em Sua soberania proporciona é conforto em meio às provações, tentações e à dor. 

Tentações e dor atingem cristãos e não cristãos da mesma forma. A pergunta é: como as enfrentaremos? 

Sem dúvida, se tivermos de enfrentá-las sem a convicção de que estão sob o controle de Deus e são permitidas pelo Seu bom propósito, elas não terão significado, o que nos levará a concluir que a vida é uma tragédia. Isso é o que muitos existencialistas afirmam. Mas, se crermos que Deus ainda está no controle, saberemos que tais circunstâncias são conhecidas dele e têm um propósito. 

É claro que não conhecemos todos os propósitos de Deus. Para tal, teríamos de ser Deus. Contudo, podemos conhecer alguns deles porque o Senhor os revela a nós.Por exemplo, o apóstolo Pedro, já idoso, escreveu para alguns que passavam por grandes provações, lembrando-os de que ainda não seria o fim — Jesus voltaria; enquanto isso, Deus os fortaleceria e purificaria por meio de suas lutas: 

Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo. 1 Pedro 1.6,7 

De forma semelhante, Paulo escreveu aos cristãos em Tessalônica que tinham perdido seus entes queridos por morte, lembrando-os de que o Senhor Jesus Cristo voltaria, e de que naquele momento reuniria todos os que estivessem vivos e seus queridos. Paulo concluiu: “Portanto, consolai-vos uns aos outros com essas palavras (1 Ts 4.18).

A terceira benção proveniente da compreensão da soberania de Deis de Deus é o encorajamento e alegria no evangelismo. 

Como pode alguém evangelizar sem tamanha confiança? Como alguém pode propor-se a pregar a mensagem que é tão desagradável ao homem natural e ter qualquer esperança de movê-lo a aceitá-la, a não ser que Deus seja capaz de quebrantar e mudá-los?

Se Deus não consegue fazer isso, como pode qualquer ser humano são ter esperança em si mesmo de fazê-lo? Ele tem de ser alheio ao problema ou, de forma ridícula, autoconfiante. No entanto, se Deus é soberano nesses e em todos os outros assuntos – se Deus chama quem Ele quer e o faz com efetividade -, então podemos ser audaciosos no evangelismo, sabendo que o Senhor, pela graça, pode usar-nos, pois é pelo nosso testemunho que Deus atrai os outros para si.

Por último, um conhecimento da soberania de Deus nos dará um profundo sentimento de segurança. Se olharmos para nós mesmos, não encontraremos segurança alguma. As cobiças da carne e dos olhos e o orgulho da vida são mais fortes do que nós. Todavia, quando olhamos para a força do nosso Deus, podemos ter confiança.

Paulo Escreveu:

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, mas as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor! (Romanos 8.31,35,37-39)


DEUS PODE

Do começo ao fim a Bíblia é cheia de afirmações sobre o que Deus é capaz de fazer e fará por seu povo. A seguir constam sete versículos que, quando analisados juntos, aludem a quase todas as doutrinas fundamentais do cristianismo.

1. Hebreus 7.25, em certo sentido, engloba os textos restantes. Ele nos mostra que Jesus Cristo pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Mel Trotter, um evangelista da geração anterior que Deus havia resgatado do alcoolismo, disse que esse era seu versículo. Ele falou sobre a habilidade de Deus de salvar uma pessoa “da terrível sarjeta para a total liberdade”. Essa é a nossa história também. Ela envolve o passado, o presente e o futuro de nossa salvação.

2. Em 2 Timóteo 1.12 Paulo escreveu: Porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia. A metáfora é bancária, e o versículo literal quer mostrar que Deus tem o poder de cuidar de nossos depósitos espirituais. Ele não nos desapontará.

3. Em seguida, em 2 Coríntios 9.8, Paulo afirmou: E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra. Alguns cristãos pensam que a salvação de um homem ou de uma mulher por Deus é apenas para o futuro, mais ou menos como uma filosofia pie in the Sky [torta no céu] [4] Não é assim. Na Bíblia vemos que a graça de Deus está disponível para nos ajudar em toda boa obra agora. É nesta vida que devemos transbordar na suficiência dele.

4. Também nos é dito que Deus pode ajudar-nos nos momentos de tentação. A Bíblia declara de Jesus: Porque, naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados (Hb 2.18). O melhor comentário para esse versículo se encontra nas Escrituras. Depreendemos de outras passagens que, embora a tentação seja comum ao homem, Deus não permite que sejamos tentados além de nossa capacidade de resistir. Além disso, Ele provê o escape mesmo antes que a tentação nos confronte (1 Co 10.13).

5. Efésios 3.20 nos mostra que Deus pode ajudar-nos a crescer espiritualmente. Isso está registrado em forma de ação de graças. Ora aquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

6. O poder do Senhor de salvar não atua somente em nosso espírito, mas também se estende ao nosso corpo. Jesus Cristo transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas (Fp 3.21).

7. Por fim, em Judas 1.24,25, Deus é exaltado por seu poder: Ora aquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém!

Esses versículos declaram que Deus, além de salvar-nos pode guardar-nos da tentação e da queda, conduzindo-nos à eternidade. Pode, também, proporcionar-nos ótimas experiências e satisfazer-nos por completo. Essas afirmações são verdadeiras? Sim, porque é o plano eterno e imutável do Deus que é soberano.

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Fundamentos da Fé Cristã: Uma Manual de teologia ao alcance de todos. James Montgomery Boice. São Paulo: Central Gospel, 2011, p. 103-109.


[1] PINK, Arthur. The sovereignty of God [A Soberania de Deus]. Michigan: Baker Books, 1969.
[2] SPROUL. R. C. The Psiychology of Atheism [A Psicologia do Atéismo]. Minneapolis: Bethany Fellowship, 1974.
[3] PINK, Arthur W. The Sovereignty os God [A Soberania de Deus] Michigan: Baker Books, 1969
[4] A expressão Pie in the Sky [torta no céu], usada por Joe Hill em 1911 na canção The Preacher and the slave [O pregador e o escravo], é uma paródia ao hino In the Sweet By and By, do Exercito da Salvação, que foi incorporado à Harpa Cristã sob O Dia do Triunfo de Jesus, hino 48. A canção de Joe Hill caçoa da promessa do céu, que para ele, é uma ilusão, negação da realidade, ou tentativa de fuga do sofrimento na terra. [Fonte: HTTP://wikipedia.org/wiki/The_Preacher_and_the_Salave]


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