sexta-feira, 23 de junho de 2017

A PRÁTICA DO ESFORÇO NA VIDA CRISTÃ [Mateus 11.12]



INTRODUÇÃO

Vivemos em tempos muito estranhos. Os acontecimentos se sucedem com extraordinária rapidez. Nunca sabemos “o que o dia nos trará”, quanto mais o que nos trará o ano! Nos nossos dias vemos muitos fazerem confissões de sua religiosidade. Em muitas partes do país as pessoas expressam vivo desejo de seguir um curso de vida santo e um grau mais alto de espiritualidade.

É muito comum ver como as pessoas recebem a Palavra com alegria, porém depois de dois ou três anos se afastam e voltam a seus pecados. Há muitos que não consideram o custo de ser um verdadeiro cristão e um crente santo. Nossos tempos requerem de um modo muito especial que paremos e consideremos o custo e o estado especial de nossas almas. Este tema deve preocupar-nos. Sem dúvida o caminho da vida eterna é um caminho delicioso, porém seria loucura de nossa parte fechar os olhos ao fato de que se trata de um caminho estreito e que a cruz vem antes da coroa. [1]

O texto que lemos diz: “o reino dos céus é tomado por ESFORÇO”

Ao reino dos céus “se faz violência” (ACF); “tomado por esforço” (ARA) A expressão é uma metáfora de uma cidade ou um castelo envolvidos em uma guerra e que não podem ser conquistados de modo algum, exceto se forem tomados de assalto. De modo semelhante, o reino dos céus não será tomado sem violência — “pela força se apoderam dele”.

A terra será herdada pelos mansos (Mt 5.5); o céu, pelos que batalham. A vida cristã é semelhante à vida militar. Cristo é nosso Capitão; o evangelho, nossa bandeira; as graças do Espírito, nossa artilharia espiritual. E o céu somente pode ser conquistado por meio da força.

Essa afirmativa tem dois aspectos:
1. O combate – “se faz violência”;
2. A conquista – “pela força se apoderam dele”.
A maneira correta de apoderar-se do céu é tomá-lo de assalto; ou seja, ninguém vai ao céu, exceto os que batalham por ele. [2]


1. O QUE É ESFORÇO?

Anders Erikson, célebre psicólogo da Universidade da Florida, explica que as pessoas que alcançam o sucesso ou o triunfo não dispõem de nenhum tipo de células que os façam diferentes do resto. Está claro que nem todos “servimos para tudo”, mas há quem saiba agregar uma série de dimensões básicas que lhe permitem, sem dúvida, alcançar aquilo que propõem. [3]

Esforço é a mobilização de todas as forças físicas ou morais para atingir um objetivo. Para o servo de Deus o esforço não é uma opção. Ele é exortado a fazer esforçadamente a sua parte na construção do reino de Deus. O verbo esforçar aparece sempre de forma imperativa: Rm 12.17; Js 1.7.

O cristão não é para fazer a obra de Deus de qualquer jeito. Fazer a obra do Senhor de qualquer jeito ou mesmo somente quando der – “Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente! Maldito aquele que retém a sua espada do sangue!” – Jr 48.10


I. PAULO, O TEÓLOGO DO ESFORÇO

O apóstolo Paulo é o teólogo do esforço e isso é comprovado com a sua vida.

1. Esforço para ter uma consciência limpa, At 24.16
Ter uma consciência limpa significa:
a) Nunca ser julgado por ninguém, 1 Co 2.15
b) Não permitir que o diabo nos acuse de alguma falta, Tt 2.7-8
c) Glorificar o nome do Senhor com nossa vida, evitando o mesmo seja blasfemado pelos incrédulos, Mt 5.16; Rm 2.24

2. Esforço para pregar evangelho, Rm 15.20
O apostolo Paulo era um homem dedicado a ação evangelística. E a recomendação do mesmo é pra que sejamos esforçado para a pregação da palavra – “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” – II Tm 4.2

3. Esforço para ser agradável, 2 Co 5.9 
Uma das características que impulsionou o crescimento da Igreja primitiva era a simpatia que despertou nas pessoas. A alegria deve ser algo marcante, não tão somente quando as coisas vão bem, e sim, quando tudo parece muito difícil. A alegria do cristão é um estado de Espírito, Pv 15.13; 17.22

4. Esforço para ajudar o pobre, Gl 2.10
Lembrar-se dos pobres, era algo que o apóstolo Paulo muito se esforçava. A bíblia recomenda que “as boas obras”, foram feitas não para se obter a salvação, mas sim, como resultados delas – todo salvo compreende a necessidade de se esforçar para se fazer o bem. Boas obras implica em galardão – “então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” – Mt 25.34-36

Boas obras, principalmente aos da fé – “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” – Gl 6.10

5. Esforço para servir a Deus, Cl 1.29
Servir a Deus não deve ser um peso ou uma obrigação.
a) Servir a Deus é algo que só é feito com espírito de gratidão – “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério” - 1 Tm 1.12
b) Servir a Deus com o coração cheio de alegria – “Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico” – Sl 100.2.
c) Servir a Deus de qualquer modo implica em maldição – “Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente! Maldito aquele que retém a sua espada do sangue!” – Jr 48.10


II. A MOTIVAÇÃO DO ESFORÇO

A motivação do esforço é amor, paixão, é o entusiasmo que o cristão sente pelo Sr. Jesus. Movido por este amor, o crente larga tudo se possível for – “Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos. Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna” – Mc 10.28-30


III. O CUIDADO COM O ESFORÇO PERDIDO

Tanto o apóstolo Paulo, como também o apóstolo João, tinha certa preocupação com o esforço perdido, principalmente sobre o esforço perdido do desenvolvimento da salvação. O apóstolo Paulo, recomenda aos filipenses a desenvolver a salvação que receberam do Senhor, ou seja, eles precisavam crescer na fé a cada dia – “Assim, pois, amados meus, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” – Fp 2.12

Muitos missionários se esforçaram para pregar o evangelho e anunciar as boas novas de salvação, contudo alguns que receberam esta palavra, não aceitaram de forma completa e acabaram abandonando a igreja e o amor a Deus. O apóstolo Paulo escreveu: “preservando a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente” – Fp 2.16

O apóstolo João recomenda: “Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão” – II Jo 8.

Existe também o esforço perdido com aquela preocupação exagerada com coisas materiais, como, Lc 12.16-21

CONCLUSÃO

Sem esforço pessoal as boas intenções não duram muito, não vão a frente. A própria qualidade do trabalho prestado deixa muito a desejar. Deus requer do crente a prática do esforço, do muito esforço, o mais possível.

Aqueles que servem a Deus com esforço deixam uma folha notável de serviço e será para sempre lembrado tanto por Deus como também pela história.

“Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” – Hb 6.10

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” – I Co 15.58

Portanto, a motivação do esforço é: AMOR, PAIXÃO E O ENTUSIASMO PELA PESSOA DE JESUS CRISTO.

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[1] RYLE, J. C. Quanto custa ser um cristão. Disponível in: http://www.monergismo.com/textos/sotereologia/quanto_custa_cristao_ryle.htm
[2] WATSON, Thomas E. O Céu tomado por esforço. Disponível in: http://www.monergismo.com/textos/santificacao/ceu.pdf
[3] ERICKSON, A. Perseverança, Esforço e Sacrifício. Disponível in:
https://amenteemaravilhosa.com.br/nao-sorte-perseveranca-esforco/

2 comentários:

Léia Silva disse...

A praz pastor,
que excelente texto, já anotei algumas frases.

Matheus Felepe disse...

Excente professor