sexta-feira, 9 de junho de 2017

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO E O PERDÃO MÚTUO [Mateus 6.9-15]



Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;  e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6.9-15)


Meus irmãos e amigos!
Estes versículos são poucos em número e podem ser lidos com facilidade; no entanto, são de imensa importância. Eles contêm o ma­ravilhoso modelo de oração com o qual o Senhor Jesus supriu o seu povo, e que comumente é chamado de “oração do Pai Nosso”.

Talvez nenhuma outra porção das Escrituras seja tão bem conhe­cida quanto esta. As suas palavras são conhecidas onde quer que exista  o cristianismo. Milhares e milhares de pessoas, que nunca viram uma Bíblia ou que nunca tiveram oportunidade de ouvir o evangelho puro estão familiarizados com o “Pai Nosso”. Contudo, afirmamos que o mundo seria bem melhor se o espírito e o objetivo desta oração fossem tão bem conhecidos quanto o são as suas palavras!

Talvez nenhuma outra porção das Escrituras seja ao mesmo tempo tão simples e tão completa como esta. Ela é a primeira oração que apren­demos, quando crianças. Nisto consiste a sua simplicidade: ela contém o princípio de tudo quanto o mais desenvolvido filho de Deus possa desejar. Nisto consiste a sua plenitude: quanto mais ponderamos as suas palavras, tanto mais sentimos que esta oração procede de Deus.

A oração do Pai Nosso consiste em dez partes ou sentenças:
Há uma declaração que diz respeito ao Ser a quem oramos.
Há três petições referentes ao nome de Deus, ao seu reino e à sua vontade.
Há quatro petições a respeito de nossas necessidades diárias, nossos pecados, nos­sas debilidades e perigos.
Há uma declaração dos nossos sentimentos a respeito do próximo.
Há uma atribuição final de louvor.

Em todas estas partes da oração somos ensinados a dizer “nós” ou “nosso”. De­vemos nos lembrar das outras pessoas, tanto quanto de nós mesmos. Um livro poderia ser escrito a respeito de cada uma das partes dessa oração, mas, no momento, precisamos nos contentar em observar sen­tença após sentença, assinalando em que direção aponta cada uma delas.


Vejamos agora quais as sentenças desta oração:


1. A primeira sentença declara a quem devemos orar. “Pai nosso que estás nos céus”.

Não devemos clamar a santos ou a anjos, mas exclusivamente ao Pai, o Pai eterno, o Pai dos espíritos, o Senhor dos céus e da terra. Podemos chamá-Lo de Pai no sentido de que Ele é o nosso criador, conforme fez o apóstolo Paulo, perante os atenienses: “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos... dele também so­mos geração” (At 17.28).

Nós também O chamamos de Pai no sentido mais elevado da Palavra, como o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, porquanto Deus nos reconciliou consigo mesmo por meio da morte de seu Filho, Jesus Cristo. Paulo escrevendo aos Colossenses, diz: “E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis (Colossenses 1:20-22)

Nós professamos aquilo que os santos do Antigo Testamento, se viam, viam-no como que por um espelho, isto é, professamos ser filhos de Deus, mediante a fé em Cristo, e professamos ter o “espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15).

Isto é algo que jamais devemos esquecer; se desejamos ser salvos, devemos almejar esta filiação com Deus. Sem a fé no sangue de Jesus Cristo, e sem a nossa união com Ele, é inútil falarmos em confiança na pater­nidade de Deus.


2. A segunda sentença consiste em uma petição concernente ao nome de Deus: “santificado seja o teu nome”.

Quando falamos no “nome” de Deus, entendemos todos aqueles atributos divinos através dos quais Ele se tem revelado a nós — o seu poder, sabedoria, santidade, justiça, misericórdia e verdade. Quando rogamos que esses atributos sejam “santificados”, pedimos que eles sejam feitos conhecidos e glorificados. A glória de Deus é a primeira coisa que os filhos de Deus deveriam almejar. Esse foi o assunto de uma das orações do próprio Senhor Jesus: “Pai, glorifica o teu nome” (Jo 12.28). Este é o propósito para o qual o mundo foi criado. Esta é a finalidade pela qual os santos são chamados e convertidos. A principal coisa que deveríamos buscar nesta vida é que “em todas as cousas seja Deus glorificado” (1 Pe 4.11).


3. A terceira sentença envolve uma petição acerca do reino de Deus: “venha o teu reino”.

Por “teu reino” entendemos, primeiramente, o reino da graça que Deus estabelece e mantém no coração de todos os membros vivos do corpo de Cristo, por meio de seu Espírito e de sua Palavra. Mas, principalmente, entendemos tratar-se daquele reino de glória que um dia será estabelecido, quando o Senhor Jesus vier pela segunda vez. Então todos conhecerão ao Senhor, “desde o menor deles até ao maior” (Hb 8.11). Nessa ocasião o pecado, a tristeza e Satanás serão expulsos do mundo. Os remanescetes serão convertidos e virá a plenitude dos gentios (Rm 11.25), e será o tempo mais desejável que jamais exis­tiu. Esta petição, portanto, tem um lugar de proeminência dentro da oração do Pai Nosso.


4. A quarta sentença é uma petição concernente à vontade de Deus: “faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.

Neste ponto, ora­mos no sentido de que as leis de Deus possam ser obedecidas pelos homens tão perfeita, pronta e incessantemente como o são pelos anjos, no céu. Rogamos que aqueles que agora não obedecem às leis de Deus, sejam ensinados a obedecê-las, e que aqueles que obedecem o façam ainda com maior empenho. A nossa mais autêntica felicidade consiste em perfeita submissão à vontade de Deus; é demonstração do mais alto amor cristão orar no sentido de que toda a humanidade possa conhecer a vontade de Deus, obedecê-la e submeter-se a ela.


5. A quinta sentença é uma petição referente às nossas próprias necessidades diárias: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje”.

Somos aqui ensinados a reconhecer a nossa inteira dependência de Deus para o suprimento das nossas necessidades diárias. Tal como Israel preci­sava do maná diariamente, assim também precisamos diariamente do nosso pão. Nós confessamos que somos pobres, fracos, criaturas ne­cessitadas, e suplicamos a Deus, nosso Criador, que tome conta de nós. Pedimos pão como a mais simples das nossas necessidades materiais; mas, nessa palavra, incluímos todas as necessidades do nosso corpo.


6. A sexta sentença é uma petição a respeito dos nossos pecados: “perdoa-nos as nossas dívidas”.

Confessamos que somos pecadores e que precisamos receber diariamente o perdão de nossas transgressões. Esta é uma parte da oração do Pai Nosso que merece ser especialmente relembrada. Ela condena toda justiça-própria e auto-justificação. So­mos aqui instruídos a manter um hábito contínuo de confissão junto ao trono da graça; e um hábito contínuo de buscar misericórdia e re­missão. Que isto jamais seja esquecido. Precisamos “lavar os pés” diariamente (Jo 13.10).


 7. A sétima sentença é uma declaração atinente aos nossos senti­mentos para com o próximo: rogamos ao Pai que nos perdoe “as nossas dívidas assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”.

Esta é a única declaração de um compromisso nosso para com Deus que apa­rece em toda a oração, e a única parte da oração na qual Jesus se detém para fazer um comentário posterior. Jesus nos relembra que não deve­mos esperar receber o perdão, quando oramos, se o fizermos com malícia ou rancor no coração, para com os outros. Orar com tal atitude mental é mero formalismo e hipocrisia. É ainda pior do que hipocrisia. É como dizer: “Não me perdoe”. Nossa oração nada vale sem amor. Não de­vemos esperar ser perdoados, se nós não conseguimos perdoar.


8. A oitava sentença é uma petição a respeito de nossas fraquezas: “não nos deixes cair em tentação”.

Ela nos ensina que a todo momento podemos ser enganados e cair em transgressão. Ela nos instrui a con­fessar nossas debilidades, e a buscar a Deus para nos sustentar e não nos deixar andar em pecado. Rogamos que ele, que ordena todas as coisas no céu e na terra, não nos deixe incorrer naquilo que é preju­dicial às nossas almas, e que jamais permita que sejamos tentados acima do que somos capazes de suportar (1 Co 10.13).


9. A nona sentença é uma petição acerca dos perigos que nos ame­açam: “livra-nos do mal”.

Somos aqui ensinados a pedir que Deus nos livre do mal existente neste mundo, do mal que está dentro dos nossos próprios corações, e, não menos importante, do maligno, que é o diabo. Confessamos que, enquanto estamos no corpo, estamos cons­tantemente vendo, ouvindo e sentindo a presença do mal. Ele está do nosso lado, dentro de nós e ao nosso redor, por todos os lados. Assim rogamos a Deus, que é o único que pode nos preservar, para que se­jamos continuamente libertos do poder do mal (Jo 17.15).


10. E última sentença é uma atribuição de louvor: “teu é o reino, o poder e a glória”.

Com tais palavras, declaramos a nossa crença de que os reinos deste mundo são legítima propriedade de nosso Pai ce­lestial, que a Ele pertence todo o poder, e que só Ele merece receber toda glória. Concluímos a grande oração oferecendo ao Senhor a pro­fissão dos nossos corações, de que Lhe conferimos toda honra e louvor, e nos regozijamos no fato de que Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores.


Agora, como aplicar todo este ensino a nossas vidas?

Agora, examinemos a nós mesmos, para saber se realmente de­sejamos ter as coisas que somos ensinados a pedir, nesta oração. É de temer que milhares de pessoas repitam formalmente estas palavras, dia após dia, sem jamais considerarem o que estão dizendo. Eles não têm a menor preocupação com a glória, o reino ou a vontade do Senhor. Não têm nenhum senso de dependência, de pecaminosidade, de fraqueza pessoal ou de perigo. Não têm amor nem compaixão para com os seus inimigos. E, ainda assim, repetem a oração do Pai Nosso!

As coisas não deveriam ser assim. Que nós possamos tomar uma decisão e, com a ajuda de Deus, fazer com que nossos lábios e nossos corações ca­minhem juntos! Bem-aventurado é quem verdadeiramente pode chamar Deus de Pai celestial, por intermédio de Jesus Cristo, seu Salvador, e que, portanto, pode sinceramente dizer “Amém”, de todo o coração, a tudo quanto a oração do Pai Nosso contém.

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