domingo, 28 de maio de 2017

TEONTOLOGIA - O DEUS VERDADEIRO [Aula 01]


INTRODUÇÃO

É evidente que precisamos de mais do que um conhecimento teórico sobre Deus. Mas, podemos conhecê-lo apenas quando Ele se revela a nós nas Escrituras, e não podemos compreender as Escrituras até que estejamos dispostos a ser transformados por elas. O conhecimento de Deus só ocorre quando reconhecemos nossa profunda necessidade espiritual e tornamo-nos receptivos à Sua graciosa provisão por meio da obra de Cristo e da aplicação dessa obra em nossa vida pelo Espírito Santo.

Com base nisso, voltamos à questão concernente ao próprio Deus e perguntamos: Quem é Deus? Quem é esse que se revela nas Escrituras na pessoa de Jesus Cristo e na do Espírito Santo? Talvez admitamos que um conhecimento verdadeiro de Deus pode transformar-nos. Talvez até estejamos dispostos a mudar. Todavia, por onde começamos?


1. AUTO-EXISTENTE

Já que na Bíblia prevalece a unidade, podemos responder a essas questões partindo de qualquer afirmativa constante nela. Podemos começar por Apocalipse 22.21 tanto como por Gênesis 1.1.

Contudo, não há melhor passagem para tomar como base do que a da revelação de Deus de si mesmo na sarça ardente. Mesmo antes desse episódio, Moisés , o grande líder de Israel, já tinha consciência do Deus verdadeiro, pois havia nascido em uma família temente ao Senhor. Ainda assim, quando Deus disse que o enviaria ao Egito e que por intermédio dele livraria o povo de Israel, Moisés respondeu: Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. (Êxodo 3:13,14)

A denominação EU SOU O QUE SOU está ligada ao nome antigo de Deus, Jeová. Todavia, isso é mais que um nome; é um nome descritivo, apontando para tudo o que Deus é em si mesmo. Em particular, mostra que Ele é aquele que é totalmente auto-existente, auto-suficiente e eterno.

Esses são conceitos abstratos, mas importantes, pois tais características, mais que quaisquer outras, diferenciam Deus de sua criação e revelam o que Ele é. Deus é perfeito em todos os Seus atributos.

Contudo, há algumas virtudes divinas que nós, criados à imagem e semelhança de Deus, compartilhamos. Por exemplo, Deus é perfeito em Seu amor; porém, por Sua graça, nós também amamos. Ele é totalmente sábio; entretanto, também temos uma medida de sabedoria. Ele é todo-poderoso; nós exercemos um poder, ainda que limitado.

No entanto, não é assim em relação à auto-existência de Deus, à Sua auto-suficiência e eternidade. Só Ele possui essas características. O Senhor existe nele mesmo e por si mesmo e por si mesmo; nós não. Ele é auto-suficiente;; nós não. Ele é eterno, mas nós acabamos de “entrar em cena”.

A auto-existência consiste em que Deus não foi criado por outrem e, por conseqüência, não deve explicações a ninguém.

Matthew Henry declarou em Comentary on the Whole Bible: O maior e melhor homem do mundo pode dizer ‘pela graça de Deus eu sou o que sou’, mas Deus declara de forma absoluta – e isso é mais do que qualquer criatura, homem ou anjo possa afirmar – Eu sou o que sou. [1]

Assim, Deus não tem principio nem fim; Sua existência não depende de ninguém.

A auto-existência é um conceito difícil para nós entendermos porque significa que Deus, como é em si mesmo, é impossível de ser conhecido. Tudo o que vemos, cheiramos, ouvimos, provamos ou tocamos tem uma causa. Não conseguimos pensar em nenhuma outra categoria.

Qualquer coisa que observemos tem de ter uma causa adequada para explicá-la. Buscamos por isso. Causa e efeito são até mesmo a base para a crença em Deus nutrida por aqueles que não o conhecem.

Tais pessoas acreditam em Deus não porque tiveram uma experiência pessoal com Ele ou porque o descobriram nas Escrituras, porém simplesmente por que inferem Sua existência. Elas raciocinam da seguinte forma: “tudo vem de alguma coisa; portanto, deve haver um grande ser que está por trás de tudo”.

Causa e feito apontam para Deus, entretanto – essa é a questão – apontam para um Deus que está fora do nosso alcance, para aquele que está além de nós em  tudo. Eles indicam que Deus não pode ser conhecido ou avaliado como as outras coisas podem.

A. W. Tozer percebeu que essa é uma razão pela qual a filosofia  e a ciência sempre simpatizaram com a ideia de Deus. Essas disciplinas são dedicadas à tarefa de explicar as coisas como as conhecemos, e são impacientes com tudo o que não se deixa explicar.

Filósofos e cientistas admitem que há muito que eles não sabem. Contudo, diferente disso é admitir que há alguma coisa que nunca poderão conhecer por completo e que, na verdade, não desvendam porque a tecnologia de que dispõem é insuficiente.

Para encontrar Deus, cientistas podem tentar rebaixá-lo ao nível deles, definindo-o como uma lei natural, evolução ou algum principio desse tipo. No entanto, ainda assim Deus lhes escapa. Há mais sobre Ele do que qualquer desses conceitos é capaz de delinear.

Talvez, também, seja por isso que pessoas que crêem na Bíblia parecem passar pouco tempo pensando sobre a pessoa e o caráter de Deus.

Em Conhecimento do sagrado, Tozer escreveu: Poucos de nós deixam o coração contemplar maravilhados o EU SOU, o Ser auto-existente, que nenhuma criatura pode compreender. Tal entendimento é muito doloroso para nós. Preferimos pensar no que nos trará melhor proveito – como construir uma ratoeira mais eficaz, por exemplo, ou como fazer duas camadas de grama crescerem onde antes só crescia uma. Por isso, estamos pagando um preço alto demais pela secularização de nossa religião e pela decadência de nosso ser interior. [2]

A auto-existência de Deus significa que Ele não deve satisfações a nós nem a ninguém, e não gostamos disso. Queremos que o Senhor se explique, para justificar Suas ações. Embora Ele às vezes o faça, não tem obrigação, e com freqüência não o faz.


2. AUTO-SUFICIENTE

A segunda qualidade de Deus comunicada a nós pelo nome Eu Sou o que Sou é auto-suficiência. È possível ter pelo menos um senso de significado desse termo abstrato. Ser auto-suficiente significa não depender de ninguém.

Nesse caso vamos de encontro a uma idéia difundida e popular: Deus coopera com o homem, e vice-versa; cada um suprindo o que falta no outro. Imagina-se, por exemplo, que Deus sente falta de glória, por isso criou homens e mulheres para supri-la. Deus cuida deles como recompensa. Ou então, imagina-se que Deus precisa de amor, e criou homens e mulheres para amá-lo. Alguns falam da criação como se Deus fosse solitário e nos tivesse criado para lhe fazer companhia.

Em um nível prático vemos o mesmo posicionamento naqueles que imaginam que homens e mulheres são imprescindíveis para executar o plano de Deus de salvação como testemunhas e defensores da fé, esquecendo que Jesus declarou que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão (Lc 3.8).

Deus não precisa de adoradores. Arthur W. Pink, que escreveu sobre esse tema em The Attributes of  God [Os atributos de Deus], enfatizou: “Deus não estava sob nenhuma pressão, nenhuma obrigação, nenhuma necessidade para criar. Ele ter escolhido fazê-lo foi puramente um ato soberano de Sua parte, provocado por nada exterior a Ele mesmo, determinado por nada além de Seu bel-prazer, pois Ele faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade (Ef 1.11). Ele ter criado foi simplesmente para Sua manifesta glória [..Deus não tira proveito de nossa adoração. Ele não estava com necessidade da glória externa de Sua graça que advêm de Seus redimidos, pois Ele é glorioso o suficiente em si mesmo sem isso.O que o moveu a predestinar Seus eleitos para o louvor da glória de Sua graça? Foi como está escrito em Efésios 1.5: segundo o beneplácito de sua vontade. A força disso é que é impossível fazer com que o Todo-poderoso fique obrigado com a criatura; Deus não lucra nada conosco.” (Pink, p. 2,3) [3]

Tozer ressaltou o mesmo ponto: Se toda a humanidade repentinamente se tornasse cega, ainda assim o sol brilharia todos os dias e as estrelas à noite, pois estes não devem nada aos milhões que eles beneficiam com sua luz. Da mesma forma, se todos os homens se tornassem ateus, isso não afetaria Deus de modo algum. Ele é o que é em si mesmo sem dizer respeito a nenhum outro. Crer nele não adiciona nada à Sua perfeição, e duvidar dele não lhe subtrai nada. (Tozer, 1961, p. 40). [4]

Deus também não precisa de ajudadores. Essa verdade é mais difícil ainda para aceitarmos do que qualquer outra. Isso porque imaginamos Deus como a figura de um avô,simpático, porém quase patético, alvoroçado para ver quem Ele pode encontrar para ajudá-lo a administrar o mundo e salvar a humanidade. Que caricatura!

Com certeza, o Senhor confiou a nós um trabalho de administração. Ele disse a Adão e Eva no Éden; Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra (Gn 1.28). Deus também deu a todos os que crêem uma comissão: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura (Mc 16.15).

A verdade, entretanto, é que nenhum aspecto da disposição de Sua criação tem um fundamento em si mesmo. Deus escolheu fazer as coisas dessa forma. Ele não precisava fazê-las. Poderia tê-las feito de inúmeras outras maneiras. O Senhor escolheu agir assim porque depende unicamente do exercício livre e soberano de Sua vontade.

Declarar que Deus é auto-suficiente também significa que Deus não precisa de defensores. É claro, temos a oportunidade de falar em Seu favor perante aqueles que desonram Seu nome e difamam Seu caráter. Devemos fazer isso. Contudo, mesmo que falhemos, não devemos pensar que Deus é prejudicado por isso. Ele não precisa ser defendido, pois é como é e permanecerá assim a despeito dos ataques arrogantes e pecaminosos de pessoas más. Um Deus que precisa ser defendido não é Deus. Na verdade, o Deus da Bíblia é auto-existente e verdadeiro defensor de Seu povo.

Quando nos damos conta de que Deus é o único verdadeiro e auto-suficiente, começamos a entender por que a Bíblia tem tanto a dizer sobre a necessidade da fé somente nele e porque não crer em Deus traz conseqüências tão graves.

Tozer escreveu: De todos os seres criados, nenhum se atreve a confiar em si mesmo. Somente Deus o faz; os outros seres precisam confiar nele. A descrença na verdade é uma fé pervertida, pois coloca sua confiança não no Deus vivo, mas no homem perecível. (Tozer, 1961, p. 42) [5]

Se nos recusamos a ter fé em Deus, o que estamos mostrando é que ou nós ou outra pessoa ou coisa merece mais nossa confiança. Isso é calúnia contra o caráter de Deus, e é vaidade. Nada além dele é auto-suficiente. Por outro lado, se começamos a confiar no Senhor, encontramos um fundamento sólido para toda a nossa vida. Deus é suficiente, e podemos confiar em Sua Palavra para tudo o que Ele criou.

Porque Deus é suficiente, podemos descansar nessa suficiência e trabalhar com eficiência para Ele. Deus não precisa de nós. Mas a alegria de vir a conhecê-lo está em aprender que Ele, apesar disso, trabalha naqueles e por meio daqueles que são Seus filhos, portanto crentes e obedientes.


3. ETERNO

Uma terceira qualidade contida no nome de Deus revelado a Moisés, Eu sou o que sou, é a perenidade, perpetuidade ou eternidade. É difícil encerrar tal característica em uma palavra, porém significa simplesmente que Deus sempre foi e sempre será, e que é imutável. Encontramos esse atributo divino em todas as partes da Bíblia.

Abraão chamava Jeová de Deus eterno (Gn 21.33). Moisés escreveu: “SENHOR, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” Salmo 90.1,2.


O livro de Apocalipse descreve Deus como o Alfa e o ômega, o Princípio e o Fim (Ap 1.8; 21.6; 22.13). De acordo com a visão de João, as criaturas diante do Seu trono diziam: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é,e que há devir (Ap4.8).

O fato de que Deus é eterno traz duas grandes conseqüências para nós. A primeira é que é possível confiar nele porque Ele permanecerá como revela ser. Em geral a palavra usada para descrever essa característica é imutabilidade, que significa invariabilidade. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17).

Deus é imutável em Seus atributos. Por isso, não devemos temer, por exemplo, que o Deus que uma vez nos amou em Cristo de alguma forma mude de idéia e deixe de amar-nos no futuro. O Senhor sempre é amor em relação a Seu povo.

De maneira semelhante, não devemos pensar que Ele talvez mude Sua atitude em relação ao pecado, de modo que comece a classificar como permissível algo que sempre foi proibido. O pecado continuará sendo pecado porque é definido como qualquer transgressão ou falta conforme a Lei de Deus, que é imutável. Deus permanecerá santo, sábio, gracioso, justo e tudo o mais que se revele ser. Nada que possamos fazer mudará o Deus eterno.

Deus também é imutável em Seus desígnios. Ele faz o que predeterminou que faria, e não há variação em Sua vontade. Algumas pessoas tentam mostrar, baseadas em determinados versos da Bíblia, que Deus se arre pendeu de um ato, como em Gênesis 6.6: “Então, arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra.”

Nesse exemplo, o verbo arrepender-se é usado para indicar o severo desprazer do Senhor com as atividades do homem. No entanto, o conceito que temos de arrependimento não se aplica a Deus, como pode ser constatado nos textos a seguir: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” [Números 23.19]; “E também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem, para que se arrependa.” [1 Samuel 15.29];  “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.” [ Romanos 11.29];  “O conselho do SENHOR permanece para sempre; os internos do seu coração, de geração em geração.” [Salmo 33.11]

Tais afirmações proporcionam grande conforto ao povo de Deus. Se o Senhor fosse como nós, não poderíamos confiar nele. Ele mudaria, e, como resultado disso. Sua vontade e Suas promessas mudariam. Não poderíamos depender dele. No entanto, Deus não é como nós. Ele não muda. Como conseqüência. Seus propósitos permanecem os mesmos de geração a geração.

Arthur Pink declarou em Atributos de Deus: “Aqui, pois, está a rocha sobre a qual podemos fixar nossos pés, enquanto a poderosa torrente varre tudo ao nosso redor. A permanência do caráter de Deus garante o cumprimento de Suas promessas.” (Pink, p. 41) [6]

A segunda maior conseqüência da eternidade de Deus para nós é que Ele é inevitável. Se o Senhor fosse um mero humano, e não gostássemos dele ou do que Ele faz, poderíamos ignorá-lo sabendo que Ele teria a opção de mudar, afastar-se de nós ou morrer. No entanto. Deus não muda de idéia. Ele não se afasta nem vai morrer.

Como conseqüência, não podemos escapar dele. Mesmo que o ignoremos agora, teremos de prestar-lhe contas de nossos atos no porvir. Se o rejeitarmos hoje, teremos de, por fim, enfrentar Aquele que rejeitamos e experimentar Sua eterna rejeição a nós.


4. NENHUM OUTRO DEUS

Somos levados a uma conclusão natural: devemos buscar e adorar o Deus verdadeiro. Este capítulo é baseado em sua maior parte em Êxodo 3.14, passagem em que Deus revela a Moisés o nome pelo qual Ele deseja ser conhecido. Tal revelação convergiu para a libertação de Israel do Egito. Após o êxodo. Deus fez uma revelação no monte Sinai que se aplica à revelação anterior dele mesmo como o Deus verdadeiro e à vida religiosa e de adoração da nação liberta.  “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas de baixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.” Êxodo 20.2-6

Esses versículos estabelecem três pontos fundamentados na premissa de que o Deus que se revela na Bíblia é o Deus verdadeiro:
1. Devemos louvá-lo e obedecer a Ele.
2. Devemos rejeitar a adoração a qual quer outro deus.
3. Devemos rejeitar a adoração ao Deus verdadeiro por qualquer meio que não seja digno dele, como o uso de retratos ou imagens.

À primeira vista, parece um pouco estranho que uma proibição contra o uso de imagens na adoração tenha ocupado um lugar no início dos Dez Mandamentos. No entanto, percebemos que não é tão estranho quando lembramos que os princípios de uma religião dependem da natureza do deus dessa religião. Se o deus é sem valor, a religião não terá valor também. Se o conceito da divindade é da maior importância, a religião será do mais alto nível.

Assim, Deus nos mostra nesses versículos que qualquer representação física dele é uma desonra. Por quê? Primeiro porque ela obscurece Sua glória, pois nada visível é capaz de sequer representá-lo de maneira adequada. Segundo porque isso desvirtua aqueles que o adoram.

Esse erro pode ser observado no episódio da fabricação do bezerro de ouro por Arão, como J. I. Packer indica em sua discussão sobre idolatria. Para Arão, pelo menos, o bezerro tinha como propósito representar Jeová. Ele pensou que, sem dúvida, a figura de um boi, mesmo que pequeno, simbolizaria a força de Deus. Todavia, é claro, isso não aconteceu. E de maneira nenhuma a estátua comunicou os demais atributos do Senhor: soberania, justiça, misericórdia, amor e retidão. Em vez disso, o bezerro os obscureceu.

Ademais, a figura de ouro desencaminhou os adoradores. Eles de imediato associaram-na com os deuses e deusas da fertilidade do Egito, e o resultado de sua adoração foi uma orgia. Packer concluiu: “É certo que, se você tem o hábito de focalizar seus pensamentos numa imagem ou retrato daquele para o qual você vai dirigir sua oração, pensará nele e orará de acordo com o que a imagem representa. Portanto, nesse sentido, você se curvará e adorará sua imagem, deixando de adorar a Deus em verdade. É por isso que Deus nos proíbe de fazer uso de imagens em nossa adoração.” (Packer, 1973, p. 41) [7]


4. O LOUVOR A DEUS

Contudo, apenas evitar a adoração a imagens ou mesmo o uso destas na adoração ao Deus verdadeiro não é em si adoração. Temos de reconhecer que o Deus verdadeiro é o eterno, auto-existente e auto-suficiente Senhor, aquele que está imensuravelmente além de nossos pensamentos mais sublimes.

Temos de humilhar-nos e aprender dele, permitindo que nos ensine como Ele é e o que Ele fez pela nossa salvação. Fazemos o que o Senhor manda? Podemos ter certeza de que em nossa adoração estamos de fato adorando o Deus verdadeiro, que se revelou na Bíblia?

Só há uma maneira de responder a essa questão com honestidade. É perguntando: “Eu realmente conheço a Bíblia e louvo a Deus com base na verdade que encontro nela?”

Essa verdade é centrada no Senhor Jesus Cristo. Nas Escrituras, o Deus invisível torna-se visível, o inescrutável torna-se conhecido, o eterno Deus é revelado no tempo e no espaço.

É necessário que nos questionemos: “Eu olho para Cristo no intuito de conhecer Deus? Eu penso nos atributos divinos pelo que Jesus mo mostra deles?” Se a resposta é não, estamos adorando uma imagem de Deus, ainda que forjada em nossa própria mente. Se olharmos para Jesus, saberemos que estamos adorando o Deus verdadeiro, como Ele se revelou.

Paulo declarou que, embora alguns conhecessem Deus, eles não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças [Romanos 1.21]. Vamos rogar que isso aconteça conosco.

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Fundamentos da Fé Cristã: Uma Manual de teologia ao alcance de todos. James Montgomery Boice. São Paulo: Central Gospel, 2011, p. 90-95.


[1] HENRY, Mathew. Commentary on the Whole Bible [Comentário de toda a Bíblia]. Vol 1. New YorK Fleming H. Revel [s/d], p. 284
[2] TOZER, A. W. The Knowledge of the Holy [O Conhecimento do Sagrado]. New York: Harper & Row, 1961, p. 34.
[3] pink, Arthur W. The Attributes of God [Os Atributos de Deus]. Michigan: Baker Book House [s/d].
[4] TOZER, A. W. The Knowledge of the holy [O Conhecimento do Sagrada]. New Yoerk: Harper & Row, 1961.
[5] IBID
[6] Pink, Arthur W. The Attributes of God [Os Atributos de Deus]. Michigan: Baker Book House [s/d].
[7] PACKER, J. I. Knowing God [Conhecendo a Deus]. Illinois; IVP, 1973.

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