quarta-feira, 10 de maio de 2017

O CARÁTER DOS VERDADEIROS CRENTES - O ENSINO DE CRISTO E O ANTIGO TESTAMENTO [Mateus 5.13-20]


Mateus 5.13-20

13 Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.
14 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;
15 nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa.
16 Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.
17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.
18 Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.
19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.
20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.


Nestes versículos, o Senhor Jesus trata de dois assuntos. Um deles é o caráter que os verdadeiros crentes precisam defender e manter neste mundo. O outro é a relação entre as doutrinas que Ele ensinava e os ensinos do Antigo Testamento.

É muito importante termos uma visão bem clara sobre ambos os assuntos.


1. Os verdadeiros cristãos devem ser neste mundo como o sal. – O Versículo 13 diz: Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.”

Ora, o sal tem um sabor todo peculiar, diferente de qualquer outra coisa. Quando misturado com outras substâncias, preserva da corrupção. O sal transmite um pouco do seu sabor a tudo com o que é misturado. Só é útil enquanto preserva o sabor, do contrário para nada mais presta. Pergunta: Somos crentes verdadeiros? Atentemos para a nossa posição e nossos deveres neste mundo!


2. Os verdadeiros crentes devem viver como luzes neste mundo. Os versículos 14-16, diz: Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”

A propriedade da luz é ser totalmente diferente das trevas. A menor centelha em uma sala escura pode ser vista prontamente. Dentre todas as coisas criadas, a luz é a mais útil. A luz fertiliza o solo. A luz guia. A luz reanima. A luz foi a primeira coisa que Deus trouxe à existência. Sem a luz, este mundo seria um vazio obscuro. Pergunta: Somos crentes verdadeiros? Nesse caso, consideremos novamente a nossa posição e as nossas responsabilidades!

Se estas palavras têm algum significado, então, certamente, Je­sus intenciona nos ensinar, com estas duas figuras, sal e luz, que precisa haver algo notório, distintivo e peculiar a respeito do nosso caráter, se somos verdadeiros cristãos.

Se desejamos ser reconhecidos como pertencentes a Cristo, como o povo de Deus, jamais poderemos passar a vida desocupados, pensando e vivendo como fazem as demais pessoas neste mundo. Temos a graça divina? Então ela precisa ser vista. Temos o Espírito Santo? Então deve haver o fruto. Temos uma religião salvadora? Então deve haver uma diferença de hábitos e preferências e também uma mentalidade diferente entre nós e aqueles que pensam segundo o mundo.

É perfeitamente claro que o cristianismo verdadeiro envolve algo mais do que ser batizado e ir à igreja. “Sal” e “luz”, evidentemente, implicam numa peculiaridade, tanto no coração quanto na vida diária, tanto na fé quanto na prática. Se nos consideramos sal­vos, devemos ousar ser singulares e diferentes da humanidade em geral.


3. A relação entre o ensino de nosso Senhor e o ensino do Velho Testamento foi esclarecida por Jesus mediante uma sentença incisiva. Os versículos 17-18 dizem: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.

Estas são palavras dignas de nota. Elas foram profundamente importantes quando proferidas, porquanto davam resposta à ansiedade natural dos judeus quanto a este assunto. São palavras que continuarão sendo tremendamente importantes, enquanto este mundo continuar, como um testemunho de que a religião do Antigo e Novo Testamento forma um todo harmônico.

O Senhor Jesus veio a este mundo a fim de cumprir as predições dos profetas, os quais desde os tempos antigos haviam profetizado que, um dia, viria ao mundo um Salvador.

E Ele veio para cumprir a lei cerimonial, tornando-se o grande sacrifício pelo pecado, para o qual todas as oferendas da lei mosaica tinham sempre apontado.

Ele veio para cumprir a lei moral, prestando-lhe obediência perfeita, o que nós mesmos jamais poderíamos ter feito. Ele também cumpriu a lei pagando com o seu sangue reconciliador a penalidade pela nossa quebra da lei, uma penalidade que nós jamais poderíamos ter pago.

De todas essas maneiras, o Senhor Jesus exaltou a lei de Deus, e fez a sua importância ainda mais evidente. Em suma, Ele engrandeceu a lei e a fez gloriosa. O profeta Isaías escreveu no cap. 42.21: Foi do agrado do SENHOR, por amor da sua própria justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa.”


Há profundas lições de sabedoria a serem aprendidas por meio destas palavras de nosso Senhor. Portanto, meditemos cuidadosamente sobre elas, entesourando-as em nosso coração.


1. Tomemos cuidado para não desprezar o Antigo Testamento, sob nenhum pretexto.

Nunca demos ouvidos àqueles que recomendam pôr de lado o Antigo Testamento, como se fosse um livro antiquado, obsoleto e inútil.

A religião do Antigo Testamento é embrião do cristianismo. O Antigo Testamento é o evangelho em botão; o Novo Testamento é evangelho aberto em flor. O Antigo Testamento é o evangelho brotando; o Novo Testamento é o evangelho já em espiga formada.

Os santos do Antigo Testamento enxergaram muitas coisas como que por um espelho, obscuramente. Porém, todos contemplavam pela fé o mesmo Salvador, e foram guiados pelo mesmo Espírito Santo que hoje nos guia. Estas não são questões de pouca importância. O ignorante desprezo pelo Antigo Testamento dá origem a muita infidelidade.


2. Também devemos ter muito cuidado em não desprezar a lei dos dez mandamentos.

Nem por um momento suponhamos que essa lei tenha sido posta de lado pelo evangelho, ou que os crentes não têm nada a ver com ela.

A vinda de Cristo em nada alterou a posição dos dez mandamentos, nem mesmo a largura de um fio de cabelo. O que ela fez foi exaltar e destacar a sua autoridade. O apostolo Paulo escreveu em Rm 3.21: Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas”

A lei dos dez mandamentos é a medida eterna de Deus para o que é certo e o que é errado. Através da lei é que vem o pleno conhecimento do pecado. Pela lei é que o Espírito mostra aos homens a sua necessidade de Cristo e os leva a Ele.

Cristo deixou ao seu povo a lei dos dez mandamentos como norma e guia para uma vida santa. Em seu devido lugar, a lei dos dez mandamentos é tão importante quanto o “glorioso evangelho”.

A lei não pode nos salvar. Não podemos ser justificados por ela. Porém, nunca jamais a desprezemos. O menosprezo pela lei dos dez mandamentos é um sintoma de ignorância e insanidade em nossa religião. O verdadeiro crente autêntico tem “prazer na lei de Deus”. O apóstolo Paulo escreveu aos romanos, (Rm 7.22). Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus”.


3. Em último lugar, cuidemos em não supor que o evangelho tenha rebaixado o padrão de santidade pessoal

...ou que o cristão não deva ser tão estrito e cuidadoso em sua conduta diária quanto o eram os ju­deus. Este é um terrível engano, mas que, infelizmente, é muito comum.
Bem ao contrário, os santos do Novo Testamento deveriam exceder em santidade aos santos dos tempos antigos, pois estes só tinham o Velho Testamento para lhes servir de orientação.

Quanto mais luz temos, maior o nosso amor a Deus. Quanto mais claramente enxergamos nosso pleno perdão em Cristo, tanto mais devemos trabalhar de coração para a sua glória.

Sabemos o quanto custou a nossa redenção, melhor do que os santos do Antigo Testamento souberam. Já lemos o que aconteceu no Getsêmani e no Calvário, mas eles só viram estas coisas indistinta e obscuramente, como algo que ainda estava por acontecer.

Que jamais nos esqueçamos das nossas obrigações! O crente que se satisfaz com um baixo padrão de santidade pessoal ainda tem muito a aprender.

Que Deus nos abençoe!

Programa Evangélico Fome e Sede de Justiça
Salgado FM
03/05/2017

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