quarta-feira, 24 de maio de 2017

A LEI CRISTÃ AMOR [Mateus 5.38-48]



A palavra do Senhor, nos diz:

38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;
40 e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa.
41 Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.
42 Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.
43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.
44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;
45 para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.
46 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?
47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?
48 Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.


Meus irmãos e amigos!

Encontramos neste trecho as normas de nosso Senhor Jesus Cristo quanto à nossa conduta de uns para com outros. Os que desejarem saber como deveriam agir e sentir, no tocante ao próximo, devem estudar com freqüência estes versículos. Eles merecem ser escritos em letras de ouro. Estes versículos têm sido elogiados até mesmo pelos adver­sários do cristianismo.

Portanto, observemos atentamente o que eles contêm.

O Senhor Jesus proíbe qualquer coisa parecida com um espírito vingativo, que não esteja disposto a perdoar.

A inclinação por ressentir­-se diante das ofensas, a prontidão em ficar ofendido, uma disposição contenciosa e briguenta, a insistência em reinvidicar nossos direitos — tudo isto é contrário à mente de Cristo. O mundo pode não perceber nada de errado nestes hábitos da mente. Tais coisas, porém, não fazem parte do caráter do verdadeiro cristão. Nosso Mestre disse: “Não re­sistais ao perverso”.

O Senhor Jesus nos manda cultivar um espírito de amor e be­nevolência para com todos os homens. Devemos pôr de lado toda malícia.

Devemos pagar o mal com o bem e a maldição com bênçãos. Jesus nos disse: “amai os vossos inimigos”.

Outrossim, não devemos amar so­mente de palavra, mas em verdade e de fato. Devemos negar a nós mesmos e nos esforçar por sermos gentis e corteses. “Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.” Compete-nos tolerar muita coisa, suportar muita coisa, ao invés de ofendermos ou prejudi­carmos a outras pessoas.

Em todas as coisas, devemos nos mostrar altruístas. Nosso pensamento nunca deveria ser: “Como é que as ou­tras pessoas se comportam para comigo?” Pelo contrário, deveria ser: “O que Cristo gostaria que eu fizesse?”.

Um padrão de conduta como esse poderia à primeira vista pa­recer demasiadamente alto. Porém, nunca nos deveríamos contentar com um padrão inferior. Precisamos observar os dois fortes argumentos com que nosso Senhor reforça esta parte de seu ensino. Estes argumentos merecem séria atenção.

Primeiramente porque, se não tivermos por alvo o espírito e a atitude aqui recomendados, então não somos ainda filhos de Deus. O nosso “Pai que está nos céus” é bom para com todos. Ele envia chuvas sobre bons e maus, igualmente. Ele faz o sol brilhar sobre todos os homens, sem distinção. Ora, um filho deve ser como seu pai. Porém, em que somos semelhantes a nosso Pai celeste, se não somos capazes de demonstrar misericórdia e bondade para com todos? Onde estão as evidências de que somos novas criaturas, se não temos amor? Estão todas em falta. Isto é um sinal de que ainda precisamos ‘ ‘nascer de novo’ ’ (Jo 3.7).

Se não almejamos ter o espírito e a atitude aqui recomendados, então, manifestamente ainda somos do mundo. Até mesmo os que não têm nenhuma religião podem “amar aos que os amam”. Eles podem fazer o bem e mostrar gentileza, quando seus afetos e interesses os mo­vem a tanto. Porém, o crente deveria ser dirigido por princípios mais altos do que o interesse próprio. Estamos procurando evitar esse teste? Achamos impossível praticar o bem em favor dos nossos inimigos? Se esse é o caso, então podemos ter a certeza de que ainda não nos con­vertemos. Enquanto isso prevalecer, ainda não teremos recebido “o Espírito que vem de Deus” (1 Co 2.12).

Em tudo o que já vimos, há muitas coisas que clamam em alta voz pela nossa solene reflexão. Há poucas passagens nas Escrituras que tão bem se prestam para despertar em nossas mentes tais pensamentos de contrição. Temos aqui um amorável quadro do cristão, tal como ele deveria ser. Observando-o, não podemos deixar de sentir alguma dor. Todos devemos admitir que esse quadro difere largamente daquilo que o crente geralmente é.

Podemos depreender daí duas lições gerais.

Em primeiro lugar, se o espírito destes onze versículos fosse mais continuamente relembrado pelos verdadeiros crentes, eles recomenda­riam o cristianismo ao mundo de maneira multo mais eficiente.

Não podemos nos permitir supor que as palavras desta passagem sejam su­perficiais e de pouca importância, nem mesmo as mínimas coisas afirmadas. A realidade é outra. A devida atenção ao espírito deste texto bíblico é que faz tão atrativa a nossa religião cristã. A negligência quanto às verdades ali contidas leva à deformação do cristianismo. Cortesia, gentileza, ternura e consideração pelas outras pessoas são alguns dos melhores ornamentos do caráter dos filhos de Deus. O mundo pode com­preender estas coisas, mesmo quando não são capazes de compreender as doutrinas do cristianismo. Não existe religião cristã na grosseria, na aspereza, na indelicadeza ou na falta de civilidade. A perfeição do cristianismo prático consiste na atenção que damos tanto aos pequenos quanto aos grandes deveres da santidade.

Em segundo lugar, se o espírito destes onze versículos tivesse maior domínio e poder sobre o mundo, quão mais feliz o mundo seria do que realmente é.

Quem não sabe que as discussões, as desavenças, o egoísmo e a indelicadeza causam metade das misérias que afligem a humanidade? Quem não percebe que coisa alguma tenderia mais por aumentar a felicidade entre os homens do que a propagação do amor cristão, tal como é aqui recomendado por nosso Senhor? Que todos nos lembremos disto. Os que se iludem pensando que a verdadeira religião tem alguma tendência em fazer os homens infelizes, estão grandemente enganados. A ausência da verdadeira religião é a causa de tal infelici­dade, e não a sua prevalência.

Portanto, para concluir!

A verdadeira religião exerce o efeito diametralmente contrário. Ela tende por promover a paz e o amor ao próximo, a gentileza e a boa vontade entre as pessoas. Quanto mais os homens seguirem os ensinos do Espírito Santo, tanto mais eles se amarão mutuamente, e mais felizes serão.
  
Programa Evangélico Fome e Sede de Justiça
17/05/2017

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