sábado, 13 de maio de 2017

A ESPIRITUALIDADE DA LEI COMPROVADA POR TRÊS EXEMPLOS [Mateus 5.21-37]




21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento.
22 Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
23 Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 
24 deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.
25 Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.
26 Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.
27 Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
28 Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.
29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.
30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
31 Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
32 Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.
33 Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos.
34 Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus;
35 nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei;
36 nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.
37 Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.


Meus irmãos e amigos!

Estes versículos merecem a mais cuidadosa atenção por parte de todos os leitores da Bíblia. Um correto entendimento das doutrinas que eles contêm é fundamental ao cristianismo. 

O Senhor Jesus explica aqui mais completamente o significado das suas palavras, proferidas no vers. 17, quando disse: “não vim para revogar a lei, vim para cumprir”. 

Ele nos ensina que o evangelho mag­nífica a lei e exalta a sua autoridade. Ele nos mostra que a lei, conforme Ele a tinha apresentado, era uma regra muito mais espiritual e capaz de perscrutar o coração do que a maioria dos judeus imaginava. E isto Ele comprovava selecionando três dos dez mandamentos, como exem­plos para o que queria dizer.


1. JESUS EXPÔS O SEXTO MANDAMENTO.
"Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo."

Vejam bem. Muitos israelitas pensavam estar cumprindo esta parte da lei de Deus, simplesmente por não cometerem homicídio na prática. O Senhor Jesus, entretanto, mostra que as exigências desse mandamento vão muito além. Tal mandamento condena até mesmo a linguagem carregada de mágoa e repleta de rancor, especialmente quando utilizada sem motivo justificado. 

O versículo 22, diz: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.”

Salientemos bem esse ponto. Podemos ser perfeitamente inocentes no que tange a tirar a vida de outrem e, no entanto, podemos tornar-nos culpados de transgredir o sexto mandamento, com as nossas palavras.


2. JESUS APRESENTA O SÉTIMO MANDAMENTO.
"Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela."

Muitos supunham estar cumprindo esta parte da lei de Deus, apenas por não praticarem adultério. Mas, o Senhor Jesus nos ensina que podemos quebrar esse mandamento em nossos pensamentos, em nosso coração e em nossa imaginação, mesmo quando a nossa conduta exterior é moral e correta.  O Deus com quem tratamos vê muito além de nossas ações. Para ele, até mesmo um rápido lançar de olhos pode ser pecado.


3. JESUS, APRESENTA O TERCEIRO MANDAMENTO.
"Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno."

Muitos se iludiam pensando estar cumprindo esta parte da lei de Deus, contanto que não jurassem falsamente e cumprissem os seus votos. Mas o Senhor Jesus proíbe toda e qualquer espécie de juramento vão. Todo o juramento em nome de coisas criadas, mesmo quando o nome de Deus não está envolvido — todo juramento que tome a Deus como testemunha, exceto nas ocasiões mais solenes, é um grande pecado. Tudo isso é muito instrutivo. 

Este ensinamento deveria fazer-nos refletir com grande seriedade. Ele nos diz em alta voz, que sondemos cuidadosamente os nossos corações. 


Mas, o que nos ensina?


1. Ele nos ensina a tremenda santidade de Deus. 
Deus é um Ser puríssimo e perfeitíssimo, que percebe falhas e imperfeições onde os homens não vêem coisa alguma. Deus lê os motivos dos nossos corações. Ele observa não somente os nossos atos, mas também as nossas palavras e os nossos pensamentos. “Eis que te comprazes na verdade no íntimo” (Sl 51.6). 

Quem dera que os homens considerassem esse aspecto do caráter de Deus muito mais do que costumam fazer! Então não haveria lugar para o orgulho, para a justiça-própria e para a indiferença, se ao menos os homens vissem a Deus “conforme Ele é”.


2. Ele nos ensina a excessiva ignorância dos homens quanto às realidades espirituais. 
Existem milhares e milhares de professos cristãos, como é de temer, que não sabem mais a respeito dos requisitos da lei de Deus do que os mais ignorantes judeus. Conhecem a letra dos dez mandamentos suficientemente bem. Mas, à semelhança do jovem rico, julgam-se guardadores da lei: “tudo isso tenho observado, desde a minha juventude” (Mc 10.20). 

Para eles é inconcebível que se possa quebrar o sexto e sétimo mandamentos mesmo sem praticar qualquer ato exterior ou pecado explícito. E assim vão vivendo, satisfeitos consigo mesmos e plenamente contentes com a sua mini religião. Felizes mesmo são os que realmente compreendem a lei de Deus.


3. Aprendemos a enorme necessidade do sangue expiatório de Jesus Cristo para nos salvar. 

Qual o homem ou mulher neste mundo que poderia apresentar-se diante de Deus e declarar-se “inocente”? Há alguém que tenha atingido a idade da razão sem haver quebrado os mandamentos milhares de vezes? “Não há justo, nem sequer um” (Rm 3.10). 

Sem um Mediador poderoso, todos nós seriamos condenados no dia do juízo. A ignorância do real significado da lei é uma razão evidente por que tantas pessoas não dão valor ao evangelho, contentando-se em viver um cristianismo mesquinho e formal. Eles não percebem o rigor e a santidade dos dez mandamentos da lei de Deus. Se percebessem esse fato, não descansariam enquanto não estivessem seguras em Jesus Cristo.


4. Em último lugar, esta passagem nos ensina a enorme importância de se evitar tudo que possa dar ocasião ao pecado. 

Se nós realmente desejamos ser santos, diremos como o salmista: “Guardarei os meus caminhos, para não pecar com a língua” (SI 39.1). 

Precisamos estar prontos a resolver querelas e desacordos, para que tais coisas não nos conduzam a pecados ainda mais graves: “Como o abrir-se da represa assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas” (Pv 17.14). 

Precisamos nos empenhar em crucificar a nossa carne e mortificar os nossos membros. Devemos estar dispostos a fazer qualquer sacrifício, e até mesmo trazer sobre o corpo a incomodidade física, antes do que dar lugar ao pecado. 

Devemos guardar os nossos lábios, como que por um freio, e exercitar uma constante vigilância sobre nossas palavras. Que os homens nos chamem de “muito restritos ”, se assim desejarem. Que eles digam que somos “por demais meticulosos”, se isso lhes agrada. Não nos deixemos abalar com isso. 

Estamos apenas fazendo aquilo que nosso Senhor Jesus Cristo nos manda, e, sendo assim, não temos de que nos envergonhar.


Nenhum comentário: