sexta-feira, 14 de abril de 2017

TENTAÇÃO [Mateus 4.1-11]


Após o batismo de Jesus, o primeiro acontecimento a ser registrado pelo apóstolo Mateus, na vida do Senhor, foi a tentação. Trata-se de um assunto profundo e circundado de mistérios. Há muita coisa, no relato bíblico a esse respeito, que não sabemos esclarecer. No entanto, à superfície da narrativa há lições práticas perfeitamente claras, que faríamos bem em dar atenção.

Em primeiro lugar aprendamos que temos, no diabo, um inimigo real e poderoso. Ele não temeu desfechar os seus ataques nem mesmo contra o próprio Senhor Jesus. Por três vezes em seguida, ele tentou ao próprio Filho de Deus. Nosso Salvador foi conduzido ao deserto com o propósito de ser “tentado pelo diabo”.

Foi por intermédio do diabo que o pecado entrou no mundo, no começo da história da humanidade. Foi o diabo que oprimiu Jó, enga­nou Davi e fez Pedro cair em perigoso pecado. A Bíblia intitula o diabo de “homicida”, “mentiroso” e “leão que ruge”. Aquele que é o ad­versário das nossas almas, nunca dorme e nem cochila. É ele que, por cerca de seis mil anos, vem realizando uma única obra nefanda — ar­ruinar a homens e mulheres, atirando-os no inferno. Ele é um ser cuja sutileza e astúcia ultrapassam a toda a compreensão humana, de tal ma­neira que, com freqüência, ele parece ser um “anjo de luz” (2 Co 11.14).

Cumpre-nos vigiar e orar diariamente, acerca dos perversos es­tratagemas do diabo. Não existe inimigo pior do que aquele que nunca pode ser visto e que nunca morre; que está sempre perto de nós, onde quer que nos encontremos, e que vai conosco onde quer que formos. Também não é coisa de somenos a maneira leviana e até humorística com que os homens se referem ao diabo, de uma maneira tão genera­lizada. Lembremo-nos a cada dia que, se quisermos ser salvos, não somente teremos de crucificar a carne e vencer o mundo, mas também teremos de fazer conforme as Escrituras nos recomendam: “resisti ao diabo” (Tg 4.7).

Em seguida, devemos aprender que todos nós não devemos en­frentar a tentação como se fosse uma coisa estranha. “Não é o servo maior do que seu senhor” (Jo 15.20). Se Satanás atacou ao próprio Jesus Cristo, então, sem dúvida alguma, também atacará aos crentes.

Como seria bom, para todos os crentes, se eles se lembrassem dessa realidade. No entanto, tendemos muito por esquecer tal coisa. Com freqüência, os crentes detectam maus pensamentos em suas men­tes que eles poderiam afirmar que odeiam. Dúvidas, indagações e uma pecaminosa imaginação são coisas que lhes são sugeridas, contra o que se revolta todo o seu homem interior. Não devem permitir, no entanto, que essas coisas destruam a sua paz e os furtem de suas consolações. È necessário lembrar que o diabo existe, e não deveriam surpreender-se ao descobrir que ele está sempre bem perto deles. Ser vítima das ten­tações ainda não é incorrer em pecado. Pecamos somente quando cedemos diante das tentações, dando lugar ao pecado em nossos corações, algo que muito deveríamos temer.

Convém que aprendamos, em seguida, que a principal arma que devemos usar para resistir a Satanás é a Bíblia. Por nada menos de três vezes o grande adversário das nossas almas apresentou tentações diante de nosso Senhor. Por três vezes o oferecimento diabólico foi re­pelido, sempre mediante o emprego de algum texto bíblico como motivação: “Está escrito”.

Essa é apenas uma, dentre muitas razões, pelas quais devemos ser leitores diligentes das Sagradas Escrituras.

A Palavra de Deus é a espada do Espírito (Ef 6.17). Jamais estaremos combatendo, como convém ao crente, enquanto não estivermos usando a Bíblia como a nossa principal arma de ataque e defesa.

A Palavra de Deus também é lâmpada para os nossos pés. Jamais nos conservaremos no elevado caminho do Rei, que leva ao céu, se não estivermos jornadeando ilu­minados por essa luz. Com toda a razão podemos temer que, entre os crentes, a Bíblia não é lida de maneira suficiente.


Não basta possuirmos as Escrituras. É necessário lê-las e orar a respeito de nós mesmos. A Bíblia não nos fará nenhum bem se, tão-somente, ficar guardada em nossos lares. Antes, precisamos estar familiarizados com o conteúdo das Escrituras, com o seu texto armazenado em nossa mente e em nossa memória. O conhecimento bíblico nunca pode ser adquirido por mera intuição. Tal conhecimento só pode ser adquirido mediante a leitura regular, trabalhosa, diária, atenta e desperta. Queixamo-nos do tempo e do trabalho que isso nos custa? Se assim estivermos fazendo, então isso será sinal de que ainda não estamos aptos para o reino de Deus.

Em último lugar, devemos aprender o quanto nosso Senhor Je­sus Cristo é um Salvador que simpatiza conosco. “Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.18).

A simpatia de Jesus por nós é uma verdade que deveria ser par­ticularmente valorizada por todos os crentes. Eles poderão descobrir que essa é uma verdade que serve de mina de poderosas consolações. Nunca deveriam esquecer-se de que eles contam com um poderoso Amigo nos céus, o qual simpatiza com eles em todas as tentações e provações por que tiverem de passar. Ele sente, juntamente com eles, as suas an­siedades espirituais.

São os crentes tentados, por Satanás, a desconfiarem da bondade e dos cuidados de Deus por eles? Jesus também foi tentado desse modo. São eles tentados à presunção, em relação à misericórdia divina, arriscando-se desnecessariamente e sem garantias? Assim tam­bém Jesus foi tentado. Eles são tentados a cometer algum grande pecado particular, como se isso lhes oferecesse alguma vantagem? Essa tam­bém foi uma das tentações que assaltou a Jesus Cristo. São eles tentados a fazer alguma errônea aplicação das Escrituras, como justificativa para a prática do mal? Outro tanto sucedeu a Jesus.

Ele é exatamente o Sal­vador de que precisam aqueles que são tentados. Por conseguinte, que os crentes se refugiem no Senhor, pedindo-Lhe ajuda e expondo diante dEle todas as suas dificuldades. E então haverão de descobrir que Ele está sempre preparado a simpatizar com eles. Jesus pode entender todas as suas tristezas.

Oxalá todos nós reconhecêssemos, em nossa própria experiência diária, o quanto vale um Salvador cheio de simpatia! Não há nada que se lhe possa comparar, neste nosso mundo frio e enganador. Aqueles que buscam encontrar a felicidade neste mundo e desprezam a religião revelada nas Escrituras, não fazem a mínima idéia do verdadeiro con­solo que estão perdendo.

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