sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

DO LIVRE ARBÍTRIO - CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER [CAP IX]




Do Livre Arbitrio
Capitulo IX da Confissão de Fé de Westminster
[1]

Este capítulo trata da vontade do homem em seus quatro estágios na história da humanidade: o estado da inocência, o homem caído, o homem justificado e o homem na glória. A vontade do homem é livre conforme suas tendências naturais, assim sendo, ela é determinada inevitavelmente por causas secundárias e contingentes, como por exemplo: família, cultura, economia, meio ambiente, idade, condições históricas e geográficas, perigo iminente, necessidade de sobrevivência e outras.

Esta liberdade de escolha, apesar de atrelada às causas secundárias e contingentes, torna o homem responsável pelos seus atos ao mesmo tempo em que esta vontade do homem é controlada por Deus, através da determinação destas causas e condições, em cada instante de sua vida. Isaías 63,17: “Ó Senhor, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que te não temamos? Volta, por amor dos teus servos e das tribos da tua herança”.

Este é um assunto extremamente delicado. Isso se dá, principalmente, pelos usos distintos que arminianos e calvinistas fazem do termo “livre-arbítrio”. É necessário compreender que, “a expressão ‘livre-arbítrio’ não se encontra na Bíblia, e o conceito popular que se tem dele também não”. [2]


Seção 1. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade natural, que ela nem é forçada para o bem nem para o mal, nem a isso é determinada por qualquer necessidade absoluta de sua natureza. Ref. Tg 1:14; Dt 30:19; Jo 5:40; Mt 17:12; At 7:51; Tg 4:7.

A natureza humana não possui determinação intrínseca (natural) para o bem ou para o mal. Essa é a liberdade da natureza humana, procedente da estrutura da criação, e a Bíblia, com freqüência e naturalidade, faz referência a essa situação, apelando ao “querer” das pessoas.

A LIVRE AGÊNCIA DO HOMEM, ou seja, homem tem liberdade de escolha conforme sua natureza, livre de força direta e imediata que a dirija para o bem ou para o mal. 

O Dr. Héber Carlos de Campos define “livre-agência” como segue: “a capacidade que todos os seres racionais têm de agir espontaneamente, sem serem coagidos de fora, a caminharem para qualquer lado, fazendo o que querem e o que lhes agrada, sendo, contudo, levados a fazer aquilo que combina com a natureza deles”. [3] Em outras palavras, a livre-agência é a capacidade que os seres racionais possuem de agirem de acordo com as inclinações dominantes das almas deles. No caso de Adão e Eva e de todos os seres humanos após a Queda, está correto em se afirmar que possuem livre-agência.

Um agente é “alguém age, realiza um ato, ou tem poder para agir – uma força em movimento”. O homem é um agente moral livre, mas ele não tem um livre-arbítrio. O homem é somente livre para agir de acordo com sua natureza, e o mesmo nasce com uma natureza pecaminosa (veja Salmos 51:5). 


Seção 2. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse cair dessa liberdade e poder. Ref. Ec 7:29; Cl 3:10; Gn 1:26; 2:16, 17 e 3:6.

Entretanto, essa plena liberdade existiu no que a CFW chama de “estado de inocência”, ou seja, até a queda em pecado. No Cap. 4, seção 2, falando “da Criação”, a CFW indica que nossos primeiros pais foram “deixados à liberdade da sua própria vontade, que era mutável”. Voltando ao Cap. 9, quando o pecado entrou no mundo o homem perdeu essa “liberdade e poder” (“...Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” – Ec 7.29).

O LIVRE ARBÍTRIO DO HOMEM. É a capacidade de realizar escolhas contrárias à inclinação moral do indivíduo. No caso de Adão, que possuía uma natureza santa e uma inclinação para o bem, o livre-arbítrio consistiria na capacidade dele escolher aquilo que era diametralmente oposto à sua natureza santa e boa: o mal.

Como o pecado não estava presente, o homem tinha plena liberdade de obedecer a ordem de Deus ou desobedecê-la (como o fez). Isso configura a existência do livre arbítrio dado por Deus ao ser humano.

Em seu primeiro estado, Adão era livre em suas inclinações e desejos, tendo responsabilidade de decidir entre o certo e o errado, capaz tanto à obediência quanto à quebra da ordem recebida. Entre a liberdade e a vontade do primeiro casal, não existia nenhum obstáculo natural, tanto Adão como Eva foram criados adultos e com pleno conhecimento e capacidade para as funções a que foram destinados, sendo seres racionais completos, não passando pelas fases de infância e adolescência. [4]

A liberdade do primeiro casal não tinha os impedimentos que surgiram posteriormente à queda, os descendentes de Adão não conhecem este primeiro estado, motivo pelo qual fica difícil avaliar os desejos e inclinações que levaram Adão à desobediência. A sedução, a tentação externa e a excitação da carne não resistiram ao chamado de Satanás, a outra opção de crença oferecida pela serpente, foi forte bastante para transformar a convicção da soberania de Deus na afirmação da vontade própria do homem - Como Deus, sereis... Esta é a tentação que permanece até o dia de hoje, o homem deseja desesperadamente ser o próprio agente de sua salvação, livre da soberana vontade de Deus e escravizado à sua vontade inconstante e dependente das circunstâncias.

Deus estabeleceu para Adão deveres e direitos, a proposta externa da desobediência foi sedutora porque o primeiro homem encontrou em sua consciência a propensão para a substituição da vontade de Deus pela sua justiça própria. Apesar de que, o primeiro homem tinha a capacidade de escolher entre obedecer ou não, a queda estava previamente determinada no plano eterno de Deus, de forma a manifestar a sua glória no decreto da redenção em Cristo.


Seção 3. O homem, ao cair no estado de pecado, perdeu inteiramente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação; de sorte que um homem natural, inteiramente avesso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Ref. Rm 5:6; 8:7, 8; Jo 15:5; Rm 3:9, 10, 12, 23; Ef 2:1, 5; Cl 2:13; Jo 6:44, 65; 1Co 2:14; Tt 3:3-5.

O livre arbítrio, portanto, faz parte da natureza criada, mas não subsiste na natureza caída. Como pecadores, não podemos realizar qualquer “bem espiritual” que leve à salvação. Nesse sentido, toda a raça humana está morta “no pecado”. As pessoas são incapazes, cegas pelo pecado, de converter-se, ou mesmo “de preparar-se para isso”. Perdemos, portanto, o livre arbítrio, com a queda em pecado 

1) Depravação Total do homem - A queda trouxe ao homem a depravação espiritual total, tornando todos os homens incapazes de desejar o bem e agradar a Deus. (Textos Bíblicos Grifados)

Após a entrada do pecado no mundo, percebemos claramente que a penalidade imposta por Deus em caso de desobediência passa a vigorar. O homem tem diversas perdas, passando a morrer fisicamente e a também estar morto espiritualmente. Essa condição é clara, o homem passa a ser pecador e a não mais ter poder pleno de exercer o seu livre-arbítrio, já que sua natureza agora pende e é inclinada para todo tipo de pecado e maldade.

A queda provocou uma total corrupção na raça humana, de forma que a vontade natural do homem é totalmente cativa à sua natureza pecaminosa, somente a graça de Deus, em Cristo, pode trazer o homem à salvação.

2) Pelágio - rejeitou a doutrina do pecado original, afirmando que o homem mantinha sua capacidade de escolher entre o bem e o mal, desta forma Adão torna-se simplesmente um mau exemplo e Cristo apenas um bom exemplo. A salvação de acordo com o livre-arbítrio consiste então em seguir o exemplo de Jesus: o que os homens precisam é de uma direção moral e não da justiça perfeita de Cristo, à qual nada pode ser adicionado. Desta forma, Pelágio viu a salvação em termos naturais, tendo origem e definição no próprio homem. [5]

A heresia do livre-arbítrio, trazida por Pelágio, foi condenada por todos os concílios da igreja cristã: Cartago, Milevis, Éfeso, Orange, condenando também os aderentes e seguidores de Pelágio e as formas mais sutis de manifestação do livre-arbítrio, como o semi-pelagianismo, que admitia a necessidade da graça, mas exigia a cooperação do homem na preservação da salvação. [6]

Na época da Reforma a heresia do livre-arbítrio ressurgiu através de Jacó Armínio, após sua morte em 1560, seus seguidores, os remonstrantes, exigiram da igreja da Holanda a modificação dos documentos oriundos da Reforma que não davam lugar ao livre-arbítrio de forma alguma: o Catecismo de Heidelberg e a Confissão Belga, adotados pela igreja da Holanda. Em resposta aos remonstrantes, a igreja da Holanda convocou o primeiro sínodo internacional da Reforma, O Sínodo de Dort, que condenou firmemente o livre-arbítrio e baniu os remonstrantes da igreja considerando-os como hereges. [7]

3) A incapacidade do homem em seu estado natural:

a) A incapacidade do homem natural é absoluta, ou seja, o homem não tem capacidade natural para cumprir a lei de Deus, aceitar ou rejeitar sua própria salvação, nem desejar ou preparar a si mesmo para receber a salvação, Jo 6.65-66.

b) A incapacidade do homem é originada na depravação moral, visto que tanto antes como depois da queda o homem possui a capacidade de escolha e a consciência da existência de Deus. Sua incapacidade resulta tão somente da sua má disposição espiritual, por este motivo o estado natural do homem é de cegueira espiritual e trevas, apontando para a morte, Ef 4.18; Rm 8.7-8.

Agostinho ensinou que quando os seres humanos “pecaram, embora não perdessem a sua capacidade de fazer escolhas, perderam a sua capacidade de servir a Deus sem o pecado – em outras palavras, a sua verdadeira liberdade. O homem tornou-se, então, um escarvo do pecado; ele passou ao estado de ‘não ser capaz de não pecar’ (non posse non peccare).” [8]

3) O Controle de Deus sobre a vontade do Homem - O filósofo reformado Gordon Clark cita alguns exemplos de passagens bíblicas que mostram, de maneira inequívoca, que Deus exerce controle sobre a vontade dos seres humanos e predestina suas escolhas, Êx 34.24; 2 Sm 17.14; 2 Cr 10.15 e Fp 2.12,13. Nesse ponto, apenas confessamos a doutrina da Incompreensiblidade de Deus. Não compreendemos as razões últimas dos decretos divinos. Não obstante, não podemos negar sua onipotência e soberania sobre todos os eventos do cosmos. [9]


Seção 4. Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o liberta de sua natural escravidão ao pecado e, somente por sua graça, o habilita a querer e a fazer com toda liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por causa da corrupção ainda existente nele, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau. Ref. Cl 1:13; Jo 8:34, 36; Fp 2:13; Rm 6:18, 22; Gl 5:17; Rm 7:15, 21-23; 1Jo 1:8, 10.

Alguns entendem que após sermos reconciliados recuperamos essa condição de exercer o livre-arbítrio, mas essa não é a realidade que a Bíblia ensina. O convertido possui apenas livre-agência. Ele possui duas naturezas. A nova foi implantada pela ação do Espírito Santo ao aplicar nele os benefícios do sacrifício redentivo de Jesus. “O convertido não tem livre-arbítrio porque age segundo a sua natureza. Quando faz o bem, age segundo o Espírito que está nele; quando faz o mal, age segundo a carne”. [10] Paulo afirma em Gálatas 5.16: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”.

Mesmo os salvos, sendo alcançados por Deus e transformados, mesmo que busquem diligentemente a santificação, ainda assim são influenciados diretamente pela sua natureza humana pecaminosa, que tira qualquer liberdade isenta de escolher o bem, mas, claro, deve ser resistida com a ajuda de Deus. Veja o que Paulo diz sobre isso: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7:19). Isso pode ser visto também na prática, pois, se realmente tivéssemos o livre-arbítrio deveríamos, como crentes, termos a capacidade de não mais pecar pela nossa livre decisão. Deveríamos decidir que não mais pecaríamos e ter condições de cumprir isso, o que não acontece. É por isso que Deus estabelece a necessidade do arrependimento e do perdão para nossa bênção.

Contudo, a livre agência na vida do convertido “seria a capacidade recebida de Deus de planejarmos os nossos passos (Ti 4.13), de decidirmos o nosso caminhar. Quando entendemos bem esse aspecto, nunca vamos achar que essas decisões são autônomas, ou “desligadas” do plano de Deus (Ti 4.14-15). É ele que opera em nós “tanto o querer como o realizar” (Fl 2.13) e o faz milagrosamente, imperceptivelmente, sem “violentar a vontade da criatura”. Longe de ser uma contradição, esse entendimento reformado, retrata Deus em toda sua majestade, ao lado de criaturas preciosas. Livres agentes, que perderam a possibilidade de escolha do bem (livre arbítrio), mas continuam formadas à imagem e semelhança da divindade, necessitadas da redenção realizada em Cristo Jesus e aplicada nas vidas dos que constituirão o Povo de Deus, pelo seu Espírito Santo.” [11]


Seção 5. É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o bem só. Ref. Ef 4:13; Jd 24; 1Jo 3:2

Na vida por vir a nossa liberdade será plenamente aperfeiçoada. O Pai da Igreja, Aurélio Agostinho, bispo de Hipona, afirmou que estaremos no estado non posse peccare, que significa “não posso pecar”. Em razão da nossa glorificação final, nossa vontade não se inclinará para aquilo que é mau e corrupto. Ela se inclinará inteira e absolutamente para aquilo que é bom, puro, santo e reto, Rm 8.20-21; Ap 21.27, 22.3-5

Com isso em mente, afirmo que, na glória, “seremos enfim totalmente livres” [12], mas continuaremos a possuir apenas a livre-agência. Agiremos consoante nossa inclinação dominante. E, uma vez que nossa inclinação será completa e totalmente para o bem, faremos apenas o bem. Esse é o ensinamento da afirmação da Confissão de Fé de Westminster: “É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente livre para o bem só”.


Conclusão

Os reformados, os calvinistas crêem no livre-arbítrio, como tendo sido uma habilidade concedida a Adão e perdida na queda. Desde então o homem ficou desprovido de qualquer habilidade para fazer escolhas santas, agradáveis a Deus. Não lhe resta outro desejo senão o de pecar, conforme as inclinações de seu próprio coração, sendo assim, um agente livre e responsável. 

Cremos que, nunca mais tal habilidade fará parte da existência humana. O fato de Deus nos libertar do pecado nos habilitando a fazer escolhas acertadas, não é o mesmo que dizer que temos o livre-arbítrio. As escolhas sempre estarão de acordo com a nossa natureza, ou naturezas. 

A Confissão de Fé de Westminster faz outras referências ao livre arbítrio, por exemplo, diz que Deus executa o seu plano “segundo o seu arbítrio” (Cap. 5, seção 3); diz ainda que a perseverança dos santos, ou seja a segurança dos crentes em um estado de salvação “não depende do livre arbítrio deles”, mas “do livre e imutável amor de Deus Pai” (Cap. 17, seção 2). Simultaneamente, uma liberdade de ação, e conseqüentes responsabilidades, é reconhecida, na CFW. No Cap. 20, seção 1, ela indica que os crentes procuram seguir os preceitos de Deus “... não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário”. Por último, a CFW fala da liberdade de consciência (Cap. 20, seção 2), registrando que “só Deus é o senhor da consciência”; fala da “verdadeira liberdade de consciência”, e avisa contra “destruir a liberdade de consciência”, bem como contra nunca utilizar essa liberdade como pretexto para cometer “qualquer pecado” ou concupiscência, pois o propósito dela é servir “ao Senhor em santidade e justiça, diante dele todos os dias da nossa vida”. 

_________________________
[1] Estudo ministrado pelo Prof. Antonio de Pádua na Reunião de Estudos Doutrinários da Igreja Presbiteriana de Salgado de São Félix (PB) em 09/02/2017.
[2] LIMA, Leandro Antonio de. Razão da Esperança: Teologia para hoje. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 97.
[3] CAMPOS, Héber Carlos de. Curso de Antropologia Bíblica, 22. Material não publicado. Apostila da disciplina de Antropologia Bíblica do Curso de Teologia, Validação, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
[4] HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 699.
[5] Pelágio, um monge britânico de aproximadamente 400 d.C, de todos os escritores professamente cristãos antes do século vinte, patrocinou as teorias mais extremas e mais anti-bíblicas de regeneração e conversão.
[6] WALKER, Williston, História da Igreja Cristã. Rio de Janeiro /São Paulo: JUERP/ASTE, vol. 1, 1980, p. 240.
[7] Ibid, p. 241
[8] AGOSTINHO, Santo, O Livre Arbítrio. Tradução: Nair de Assis Oliveira. 2ª Ed. São Paulo: Paulus. 1995, p. 25
[9] RENNÊ, Alan. Consulta sobre Livre Arbítrio. Disponível in: http://bereianos.blogspot.com.br/2013/08/consulta-sobre-o-livre-arbitrio.html. Acesso em 07/02/2017
[10] LIMA, Leandro Antonio de. Razão da Esperança: Teologia para hoje. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 99.
[11] PORTELLA, Solano. O que os Reformados Entendem por Livre Arbítrio?. Disponível in: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2009/07/o-que-os-reformados-entendem-por-livre.html Acessado em 07/02/2017.
[12] HOEKEMA, Anthony. Criados à imagem de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, p. 268.


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