quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

KUNG FU PANDA 3 [RESENHA]



Se o primeiro Kung Fu Panda (2008) conquistou o público com uma história pessoal de superação – do panda gordinho fazedor de macarrão cujo maior sonho é dominar as artes marciais –, o terceiro filme, que chega agora aos cinemas, confirma a evolução da franquia – e do personagem – ao jogar a trama para um contexto mais amplo, de valorizar o que há de melhor em cada um (sem perder a graça e o humor tão peculiares à condição de um panda “filho” de um ganso, claro).

Uma vez estabelecido com o Dragão Guerreiro, Po agora vê a China ameaçada por um novo e perigoso inimigo. Ok, a premissa vale tanto para Kung Fu Panda 2, como para o 3. A diferença é que o filme de 2011 não traz nenhuma grande novidade narrativa para o arco mais amplo da franquia. O filme da sul-coreana Jennifer Yuh – que assumiu a função de diretora depois do excelente início pelas mãos de Mark Osborne (que, futuramente viria a comandar a nova adaptação de O Pequeno Príncipe para os cinemas) –, é mais apoiado em sequências de ação do que no texto propriamente dito.

Para o terceiro longa, Yuh volta à direção, com o apoio de Alessandro Carloni (em seu primeiro longa na função, embora já tenha trabalhado em diferentes departamentos de vários títulos de animação). O filme começa como todos os outros, ou seja, com um prólogo em 2D que serve, basicamente, para apresentar o vilão e puxar o gatilho para as cenas de ação.

A bem da verdade, descontado o leopardo Tai Lung do primeiro filme, “filho” do mestre Shifu, vilões não são o grande atrativo deste universo. Assim como o pavão lorde Shen, a bola da vez, o touro Kai, O Coletor, poderia ser qualquer animal/ personagem que desse na telha dos roteiristas. Ele pula para dentro da história “do nada”, e os autores (de novo Jonathan Aibel e Glenn Berger) procuram justificar a entrada do novo malvado como um “lendário” desafeto do Mestre Oogway no plano dos mortos.

Mas aqui, a contextualização da aguardada batalha do bem contra o mal toma emprestado da medicina tradicional chinesa a noção do Chi, grosso modo, um tipo de “energia vital”, uma excelente aposta para o mundo da franquia. É ela que vai fazer nosso herói ensinar (para as crianças?) que se deve buscar o que há de melhor em cada um – quase um discípulo de Paulo Freire – para derrotar um inimigo que parece indestrutível. Uma metáfora educativa, inserida sem didatismo chato.

Em paralelo, corre com (muita) força a trama pessoal do protagonista, que finalmente vai conhecer o pai de sangue, Li. É o mote para fazer crescer um dos personagens mais interessantes do universo da Dreamworks, o Sr Ping, o pai ganso pai de Po, e seu humor involuntário. Do “conflito” desses personagens, surge outra lição, de que o conceito de família pode ir muito além daquela foto emoldurada de papai, mamãe, filhinho e filhinha.

E precisa mais? Se deu por falta, Kung Fu Panda 3 ainda traz um visual caprichado, com ótimas cenas de luta. Difícil especular para onde a franquia poderia seguir, sem perder em qualidade; se for realmente encerrada aqui, Po e sua turma se despedem com um golpe de mestre.

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