segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

ANA - UMA MULHER ATRIBULADA (1 Samuel 1.1-2,11)


INTRODUÇÃO

Em Efraim vivia um homem temente a Deus, chamado Elcana, que tinha duas esposas: Penina, que tinha filhos, e Ana, que era estéril.[1] Penina tornou-se arrogante e provocava Ana, que, não podendo agüentar sua esterilidade, tornou-se melancólica e insatisfeita com sua vida. Elcana tinha uma tarefa difícil para manter a harmonia no seu lar, mas a despeito dos problemas no lar, Elcana levava suas esposas e filhos para adorar a Deus todo ano em Siló.

Ana - A vida de Ana é caracterizada por um notável exemplo de fidelidade em todos os aspectos. Seu nome significa “graça”, e reflete o que realmente foi a vida desta serva de Deus. [2]
Samuel - Seu filho Samuel, recebido como resposta divina, foi um dos mais extraordinários vultos do Antigo Testamento, que marcou o fim da época dos juízes para o período dos reis de Israel.
Elcana – Elcana pertencia a linhagem levítica (1 Cr 6.16-28): assim sendo, seu filho Samuel pôde exercer um ministério tríplice: profeta, juiz e sacerdote, este último devido a descendência de Arão. Ele era um homem temente a Deus, juntamente com a sua família (1 Sm 1.1-4).


I. ATRIBUTOS POSITIVOS NO MEIO DAS TRIBULAÇÕES

1. Ana era temente a Deus - Lendo o primeiro capitulo de Samuel, notamos que seu coração estava em paz com Deus. Não podemos duvidar da sinceridade de sua oração, da sua confiança, da sua fé, ou da força da sua consagração.

2. Ana era uma mulher amável - Elcana a amava muito (1.5) e o fato dela ser estéril não diminuiu o seu valor aos olhos do marido. Note sua pergunta: “Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1.8). Era uma questão muito séria uma mulher ser estéril naqueles dias, pois era rejeitada pela sociedade que, em sua concepção popular, achava que a esterilidade era um castigo divino (Gn 16.2; 30,1-23; I Sm 1.6,20).[3] Outra questão era que toda israelita ansiava gerar filhos, pois uma delas poderia ser a mãe do Messias prometido. [4]

3. Ana possuía autocontrole - Penina a provocava excessivamente. Na festa anual, quando a provocação aumentava, Ana foi sozinha ao santuário, para chorar e orar solitária. Quando Eli a censurou por estar embriagada (1.14) ela respondeu de maneira branda. Aceitou a repreensão sem ressentimento, sem tentar justificar-se, sem reivindicar seus direitos; e respondeu de maneira branda porque estava na presença do Senhor.

4. Ana era uma mulher que meditava muito - Sua tristeza a obrigou a pensar muito e a levou a uma comunhão mais íntima com Deus. Esta característica é evidente quando ela fala, por exemplo, em 1 Sm 1.15-16 e no seu cântico, no cap. 2.

5. Ana participava dos cultos no Templo – Não faltava às reuniões no Tabernáculo, sempre acompanhada do esposo, quer quando estéril ou mesmo depois de o Senhor ter-lhe aberto a madre (1 Sm 1.1-7, 22-28; 2.19,20)


II. UM ESPIRITO ATRIBULADO GERA BENÇÃOS [5]

1. Ana aprendeu a orar - Ela correu ao Senhor para expor seu problema. Orou com amargura de alma e a amargura de alma deve ser adoçada pela oração. Aprendamos isso com Ana (Hb 12.15b).

2. Ana aprendeu a renunciar a seus direitos - A oração em que esperava escapar de triste situação era uma oração de renúncia. Ela queria um filho, mas estava pronta a dedicá-lo ao Senhor para o seu serviço (1.11). Aprender a renunciar aquilo que mais valorizamos e fazê-lo com alegria é renunciar de verdade. Note como Ana apresentou esta criança a Deus.
a) Ofereceu um sacrifício (1.24)
b) Demonstrou gratidão a Deus, por ter respondido à sua oração (1,27)
c) Fez uma entrega completa ao Senhor (1.28b)

3. Ana aprendeu a ter fé - Ana estava triste e magoada, mas quando Eli disse-lhe: “Vai-te em paz e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste” (1.17), imediatamente seu rosto alegrou-se (1.18). Ana ainda não havia recebido a benção, mas tinha fé em Deus. A oração transformou a sua vida.

4. Ana aprendeu muito a respeito de Deus (1 Sm 2.1-10) - Ana descobriu que a verdadeira alegria se acha, não na família, nem nos filhos, nem em coisas materiais, mas em Deus. No seu cântico, ela demonstra o seu conceito de Deus: [6]
            a) Regozija-se no Senhor, e não em Samuel, seu filho (v.1)
            b) Reconhece a santidade de Deus, (v.2a)
            c) Reconhece a suficiência de Deus (v.2b)
            d) Reconhece o método de Deus na Sua providência (vs 4-5)
            e) Reconhece a graça de Deus (v.8)
            f) Reconhece a fidelidade do Senhor (v.9)

III. TRIBULAÇÕES TRANSFORMADAS EM ALEGRIA

1. Oração respondida - Tal como Rebeca, Isabel e outras mulheres estéreis da Bíblia, Ana teve sua oração respondida e ganhou um filho.

2. Graça para criar o filho - Ana recebeu a incumbência de criar um filho para ser profeta em Israel. O próprio nome, “do Senhor o pedi”, o caráter e o preparo de Samuel para o ministério, são frutos de experiências vividas pela própria mãe na tristeza e no sofrimento. Ana teve poucos anos para educar seu filho, mas aproveitou o tempo para criá-lo na admoestação do Senhor e prepará-lo para servir ao Senhor. Não deixou para o sacerdote, Eli a responsabilidade espiritual que cabia a ela. Os pais de Samuel reconheceram que aos pais cabem a responsabilidade e privilégio de ensinar seus filhos a respeito do Senhor, desde cedo, mesmo antes deles poderem compreender as coisas espirituais. As vezes, pais crentes deixam com a igreja a tarefa de instruir os seus filhos no caminho do Senhor. Ana e Elcana, de fato, colocaram em prática o ensino de Dt 6.6-7 e Pv 22.6. [7]

3. Poder para louvar ao Senhor - Veja seu cântico em 2.1-10

4. Preparação para receber mais bênçãos - Ana ganhou mais três filhos e duas filhas, depois de levar Samuel à casa do Senhor (2.21) – cinco filhos em troca de um filho dedicado ao Senhor. Ela provou a promessa de Deus – “aos que me honram, honrarei” (2.30b)

CONCLUSÃO
Pensemos:
1. O sofrimento pode me levar a uma comunhão mais íntima com o Senhor, ou pode afastar-me dEle?
2. A oração realmente transforma pessoas e situações. Creio isso e já provei isso na minha vida?
3. Estou pronto, como Ana, a entregar meu filho para o sagrado ministério?


[1] É importante esclarecer que a Poligamia, ser casado com mais de uma mulher, não é uma ordenança divina. A Lei de Moisés claramente ordena: “Tampouco para si multiplicará mulheres” (Dt 17:17).  A poligamia nunca foi estabelecida por Deus para nenhum povo, sob circunstância alguma. Deus odeia a poligamia, assim como o divórcio, porque ela destrói o seu ideal para a família (cf. Ml 2:16). NOTA: GEISLER, Norman L e HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p. 191,192.
[2] HERRING, E. Truman. Ana - A Jornada da esterilidade à fertilidade espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2015, p. 49.
[3] SCHWARTS, Suzana. Uma visão da esterilidade na Bíblia Hebraica. São Paulo: -Associação Editorial Humanitas, 2004, p. 458
[4] BRENNER, A. A mulher israelita. Papel social e modelo literário. São Paulo: Edições Paulinas, 2001, p. 32
[5] WALLACE, Ronald S. A oração de Ana: um exemplo cativante de como Deus responde à oração. São Paulo: Editora Vida, 2005.
[6] CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Candeia. São Paulo, 1991.
[7] FILHO, João A. de Souza Filho. As Famílias de Eli & Ana. São Paulo: Editora Mensagens para todos. 2014, p 68.

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