sábado, 22 de outubro de 2016

ESTUDO Nº 01 - Qual o fim principal do homem?



PERGUNTA 01: Qual é o fim principal do homem?
RESPOSTA: O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre
REFERÊNCIAS BÍBLICAS: Rm 11.36; I Co 10.31; Sl 73.24-26; Is 43.7 Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Jo 17.22,24; Is 61.3.


INTRODUÇÃO

“O Senhor fez todas as coisas para determinados fins...” (Pv 16.4). 

Para que fez o homem? Para que este O glorificasse e gozasse para sempre. Este é o fim ou propósito principal da nossa existência. 

O evolucionista não concorda que o fim supremo e principal do homem seja glorificar a Deus.[1] Charles Darwin através de seu livro “A Origem das Espécies”, citado por Sponville,[2] afirma ser o homem um ser insignificante numa mera continuidade dos primatas e que não existe felicidade ou gozo fora de si mesmo.

Partindo deste principio, Pinker investigando a felicidade sob a perspectiva evolucionista indicou a tendência humana para a infelicidade. Segundo o pesquisador, a habilidade de se entediar com os prazeres teria proporcionado ao homem a vantagem evolutiva de “querer cada vez mais” [3].

Contudo, o Breve Catecismo começa nos colocando no relacionamento correto com o Deus soberano: primeiro o glorificamos, depois, como resultado, gozamos de sua comunhão – a verdadeira felicidade.

Precisamos deixar as desculpas para justificar a nossa negligência no relacionamento com Deus (a falta de tempo, o estresse da vida moderna, as diversões, a preocupação com os negócios da vida, etc.) e colocar em prática o que a Palavra de Deus nos ensina. Sem isso, desfrutar a companhia do Senhor, que é o maior bem que existe (Sl 16.11, Sl 73.24-26), será uma realidade distante.

Nenhum outro, por legítimo que seja, iguala-se a este em importância. E este, como se vê, relaciona-se com Deus e com o próprio homem. Diz respeito à glória de Deus e à felicidade do homem.


I. A ORIGEM E O PROPÓSITO PARA O QUAL O HOMEM FOI CRIADO.

1. A origem do homem

A Bíblia afirma que “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins...” (Pv 16.4). E entre todas as coisas criadas está o homem. O homem não é resultado de evolucionismo naturalista ou descendente de macacos. O homem é produto de um direto e especial ato criador de Deus, Gn 2.7.

O homem não é somente a coroa da criação, mas também é objeto de um especial cuidado de Deus. E a revelação de Deus na Escritura é uma revelação dada não somente ao homem, mas na qual o homem é de interesse vital. O homem ocupa um lugar de central de importância na Escritura. Segundo Berkhoff – “O homem é descrito como alguém que está no ápice de todas as ordens criadas. Foi coroado como rei da criação inferior e recebeu domínio sobre todas as criaturas inferiores. Como tal, foi seu dever e privilégio tornar toda natureza e todos os seres criados, que foram colocados sob seu governo, subservientes à sua vontade a o seu propósito, para que ele e todos os seus gloriosos domínios magnificassem o onipotente Criador e Senhor do universo, Gn 1.28; Sl 8.4-9.”[4]

2. O propósito para o homem foi criado

Portanto, Deus nos criou para sua própria glória. Deus fala de seus filhos e filhas de todo o mundo como aqueles que ele criou para a Sua glória (Is 43:7, cf.Ef 1:11-12). Portanto, somos chamados a fazer tudo o que fazemos "para a glória de Deus" (1 Co 10:31).

Portanto, qual é o nosso propósito na vida? Nosso objetivo deve ser para cumprir a razão pela qual Deus nos criou: glorificá-Lo, Sl 73.25-26.

A primeira pergunta do Breve Catecismo: Qual é o fim principal do homem? A resposta vem em seguida: O fim principal do homem é glorificar a Deus.

A palavra “fim” tem o significado de uma intenção sincera, um propósito definitivo para toda a vida do crente. “O homem terá outros propósitos nesta vida (estudar, cuidar da família, trabalhar, mas seu propósito ‘principal’ deverá ser glorificar a Deus.” [5]

O sentido desta pergunta é que o propósito de glorificar a Deus estará sempre acima de qualquer outro propósito e será a base para todas as outras realizações humanas. 

Dizem-nos as Escrituras que, quando glorificamos e desfrutamos a Deus, ele se alegra conosco, Is 62.5; Sl 3.17-18.

Paulo exclama: "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele pois, a gloria eternamente. Amém! (Rm 11.36). Quando passamos a apreciar a natureza de Deus como o Criador infinitamente perfeito que merece todo louvor, nosso coração então não descansa enquanto não lhe damos glória de todo o nosso "coração ... alma ... mente ... e força" (Mc 12:30).

C. S. Lewis, questionou: “Por que Deus deseja ser louvado e elogiado? Por que Ele quer ser sempre o centro de afeições e atenção? Então, ele encontrou a resposta. Eu não havia percebido que é no processo de adoração que Deus comunica a sua presença aos homens. ... Até mesmo no judaísmo, a essência do sacrifício não era realmente o fato de os homens darem bois e bodes a Deus, mas o fato de que, ao fazerem-no, Deus Se dava a Si mesmo aos homens...” [6]


III. COMO SE GLORIFICA A DEUS?

1. A glória de Deus

A Bíblia diz: “Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que em todas as coisas seja Deus glorificado...” (I Pe 4.11). O fim ou propósito de tudo que fazemos deve ser a glória de Deus.

Mas, o que é a glória de Deus? Em que sentido e de que modo o homem pode glorificar a Deus? As Escrituras fazem a seguinte distinção: [7]

GLÓRIA INTRÍNSECA
GLÓRIA ATRIBUÍDA
É a que Deus tem em si mesmo, por Sua natureza (Sl 104.1). A glória de Deus é infinita, eterna e imutável, e não pode ser aumentada ou diminuída. Portanto, glorificar a Deus não significa fazê-lo mais glorioso.
É a que o homem atribui a Deus (Sl 29.1,2), reconhece em suas obras (Sl 111.2-3), exalta e proclama (Sl 145.10-12). É neste sentido que o homem pode e deve glorificar a Deus e a Cristo.



2. Como podemos glorificar a Deus?

Glorificar a Deus é buscar a sua própria glória antes e acima de todas as coisas, crendo em suas promessas e crendo que ele é poderoso para realizar tudo o que prometeu.

a) Glorificamos a Deus através da adoração. Sl 29.2. Nosso culto a Deus deve refletir nossas vidas santificadas. Deus não suporta “iniqüidade associada ao ajuntamento solene” (Is 1.13).

b) Glorificamos a Deus dando graças por suas bênçãos. Sl 50.23; 103.2. A maioria das pessoas vive se queixando da vida e não glorifica a Deus por Suas bênçãos diárias.

c) Glorificamos a Deus atribuindo-Lhe a glória de tudo o que somos e temos, e de todo o sucesso que alcançamos. I Cr 29.10-14. Nabucodonosor gabou-se de sua grande Babilônia, dizendo: “... eu a edifiquei, com meu grandioso poder, para a glória da minha majestade...” Deus lhe tirou o reino e o humilhou em extremo, durante sete anos. O rei aprendeu a lição e disse: “Agora... louvo e exalto e glorifico ao rei do céu” (Dn 4.30-37. Ver I Co 15.9-10).

d) Glorificamos a Deus dando frutos. Jo 15.8,16. O contexto parece referir-se principalmente à multiplicação dos frutos resultantes da evangelização e do discipulado.

e) Glorifica-se a Deus defendendo a verdade do evangelho de Jesus Cristo. Mas, como diz Calvino: só podemos glorificar a Deus quando sabemos quem Ele é. Somente podemos glorificar algo que conhecemos, como poderíamos dar glória a algo desconhecido. 

Calvino nos diz que a “glória de Deus é quando sabemos o que ele é”. A maior e mais perfeita forma de glorificar a Deus é conhecê-lo, para isto Ele nos deu a Escritura, todo aquele que ama a Deus ama a Palavra de Deus, e somente através da Escritura podemos saber quem é o Deus que devemos glorificar. 

3. As conseqüências de se glorificar a Deus

O verbo glorificar vem antes do verbo gozar, e isto é bastante lógico, não se pode ter o gozo de Deus sem antes glorificá-lo, não se pode glorificá-lo sem antes conhecê-lo, mas não é bem isto o que tem acontecido. 

“O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.” Nessa ordem, o crente que nesta vida tudo faz visando a glória de Deus, goza, necessariamente, a bênção inefável da comunhão com Deus. Ele pode orar como o salmista: “Estou sempre contigo... Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Sl 73.23-25). Na terra ou no céu, agora e “para sempre”, Deus é o nosso gozo maior. Na Sua presença há “plenitude de alegria” e “delícias perpetuamente” (Sl 16.11).

O homem foi criado para Deus e não Deus para o homem, o perigo de se pensar em usufruir as bênçãos de Deus antes de glorificá-lo ocorre com freqüência assustadora, raramente os crentes louvam a Deus pelo que Ele é. [8]

As religiões modernas têm se transformado em religiões meramente emocionais, onde se despreza o conhecimento de Deus, onde os crentes passam a exigir favores de Deus, exigindo retribuição de suas contribuições, procurando curas milagrosas e por aí vai...

O relacionamento correto do cristão com Deus acontece quando se olha para Deus antes de olharmos para nós mesmos, quando se anseia por Deus antes que pelas necessidades, quando se busca o conhecimento de Deus acima do conhecimento do mundo, Mt 6.33.


CONCLUSÃO

É fato lamentável que o cristão comum, que promete ser leal aos padrões de Westminster, é um cristão que muitas vezes não vive esses padrões nas ocupações diárias da vida. Devemos sempre reconhecer que a primeira lição do nosso Catecismo a ser aprendida é que nossa preocupação primária é estar a serviço do Deus Soberano.

Que Deus possa ajudar a cada um de nós a fazer uma pausa neste exato momento, ler novamente a primeira pergunta e a resposta de nosso Breve Catecismo e orar a Deus para que de hoje em diante, a cada dia, vivamos para sua glória. Não é difícil conhecermos as características de uma vida assim. 

“Servir conscientemente ao propósito para o qual Deus o criou é a glória do homem (...) Conforme disse Agostinho em suas Confissões: Tu nos criaste para Ti mesmo, oh Deus, e o nosso coração não descansa até que repousa em ti”.[9]

James Benjamim Green nos diz que a resposta à primeira pergunta do catecismo afirma duas coisas:
a) O Dever do homem – Glorificar a Deus.
b) O destino do homem – Gozá-lo para sempre.[10]

____________________________
[1] GEERHARDUS VOS, Johanees. Catecismo Maior de Westminster Comentado. São Paulo: Editora Os Puritanos, 2007.
[2] SPONVILLE, A. C. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo, Martins Fontes, 1997.
[3] PINKER, Steven. Como a mente funciona. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
[4] BERKHOFF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas, SP: Luz para o Caminho, 1990.
[5] VAN HORN, Leonard t. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo, SP: Editora Os Puritanos, 2009.
[6] LEWIS, C. S. Lendo os Salmos. Viçosa (MG): Editora Ultimato, 2015.
[7] WATSON, Thomas. A Fé Cristã: Estudos Baseados no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2009.
[8] VANHORN, Leonard t. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo, SP: Editora Os Puritanos, 2009.
[9] GEERHARDUS VOS, Johanees. Catecismo Maior de Westminster Comuntado. São Paulo: Editora Os Puritanos, 2007.
[10] VANHORN, Leonard t. Estudos no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo, SP: Editora Os Puritanos, 2009.

Nenhum comentário: