segunda-feira, 21 de março de 2016

ESTUDO Nº 09 - O MINISTÉRIO DA INTEGRIDADE (2 Coríntios 5.11-17)



INTRODUÇÃO

Paulo enfrentava diversas oposições ao seu ministério e pessoas. Esteve preso, outras vezes fora apedrejado, torturado, fustigado com varas... Mas quanto aos coríntios, estes diziam que Paulo não era apóstolo porque não foi testemunha ocular da vida terrestre de Jesus, nem lhe conheceu as palavras e atos. Por isso, não podia ser testemunha do Evangelho.

Alguns lideres da Igreja de Corinto, estavam questionando a verdadeira condição espiritual de Paulo, o qual já tinha manifestado sua sinceridade, honestidade e autenticidade. Aqui ele defende sua integridade contra os mentirosos que estavam atacando ele, Paulo fala de três motivos para a sua defesa: temor, integridade e o amor de Cristo pela igreja.


I. TEMOR – CONCEITOS E DEFINIÇÕES TEOLÓGICAS, v. 11

1. E assim, conhecendo o temor do Senhor, - A palavra assim indica que o que Paulo está prestes a dizer é continuação do que vinha dizendo no versículo 10, sobre o crente estar preparado para comparecer perante o tribunal de Cristo. Paulo não tem “medo” do Senhor, mas um “temor reverente” e reconhece que sua vida toda e seu ministério ficarão sob o escrutínio de Deus. Ele persuade aos homens mediante esta sua convicção. [1]

2. Definições teológicas - “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 9.10). Este temor não é uma barreira ao crescimento, mas um caminho para o crescimento e a realização eterna. 

Existem dois tipos de temor.

a) O temor como “medo”. Um tipo de temor é aquele que foge do Senhor com pavor, que se esconde e se afasta dele com terror. Esse tipo de medo é pagão, não cristão, que se sente assim é um adversário de Deus, Hb 10.27. 

b) O temor como reverência e amor. Temer a Deus é respeitá-Lo como sendo quem é; é reverenciá-Lo e obedecê-Lo baseado em toda a revelação de Sua santidade, justiça, grandeza, misericórdia, benignidade, vontade, amor e outros milhares de atributos revelados a nós.

Comentando este texto, Wiersbe, afirma que: "O famoso estudioso da Bíblia B. F. Wescott escreveu certa vez: Cada ano me faz estremecer diante da ousadia com que as pessoas falam de coisas espirituais (...) Observamos, muitas vezes, uma falta de reverência nos encontros da igreja, de modo que não é de causar espanto que as gerações mais jovens não estejam levando as coisas de Deus a sério.” [2]

Calvino, ligando esse versículo ao anterior, ele escreveu: “Porquanto, conhecer o temor do Senhor é conscientizar-se de que cada um de nós, um dia, terá de prestar contas de todas as suas ações ante o tribunal de Cristo. E, se alguém considera seriamente tal coisa, esse mesmo não pode fazer outra coisa senão despertar-se pelo temor e livrar-se de todas as suas negligências” [3]

É o temor que evita que o homem faça coisas que destroçam o coração daqueles que ama. “O temor do SENHOR é limpo” (Salmo 19:9). [4]

3. Persuadimos aos homens. - O apóstolo está dizendo que a certeza de que deverá prestar contas a Deus motiva-o a ser diligente em seus esforços no sentido de persuadir os homens, fazê-los chegar à obediência da fé, de acordo com seu chamado. Ele procurou remover barreiras, vencer preconceitos e ignorância, convencer mediante argumentação e testemunho, e pela proclamação honesta e franca do evangelho. [5]


II. INTEGRIDADE – LONGE DE TODA A FALSA APARENCIA, v. 12-13

Paulo está tentando convencer os homens de sua própria sinceridade. Não tem nenhuma dúvida de que aos olhos de Deus suas mãos estão limpas e seus motivos são puros, mas seus inimigos suspeitaram dele, e deseja demonstrar sua sinceridade a seus amigos de Corinto. 

1. Glória na aparência, v. 12 - “Gloriar-se na aparência”, se refere ao sistema de avaliação do mundo. Os falsos apóstolos em Corinto (11.13), se comportavam dentro desta filosofia mundana, que se gloriavam na aparência exterior, com base em si mesmos e sendo dirigidos pelos desejos por dinheiro, poder e prestígio e não pela sinceridade do coração. [6]

A partir de indícios encontrados tanto nos capítulos 1-7 como nos capítulos 10-13, que os falsos apóstolos de Corinto se orgulhavam de suas:
a) De suas cartas de recomendação que portavam (3.1),
b) de sua eloquência, (10.10; 11.6);
c) de sua ascendência judaica (11.22),
d) de suas experiências extáticas e visionárias (12.1)
e) e os sinais apostólicos que desempenhavam (12.11-13). [7]

Paulo está plenamente consciente de seus oponentes e de sua influência nociva na comunidade coríntia. Ele percebe que eles estão se gabando de suas próprias credenciais. São guiados pela vista e não pela fé; apresentam uma mensagem impotente que estimula um ministério centrado em resultados.

Eles se gloriavam em possuir essas coisas externas e zombavam de Paulo porque não as possuía. Seus objetivos eram gloriar-se a respeito de aparências, habilidades e linhagem, mas eles não viam que a verdadeira religião (Tg 1.27) é uma questão do coração que precisa estar acertado com Deus (I Sm 16.7). Segundo Paulo, gloriar-se deve ser sempre gloriar-se no Senhor (1Co 1.31). [8]

Comentando este versículo, Calvino escreveu: “Isto significa fazer da aparência externa um disfarce, e considerar a sinceridade do coração como de nenhum valor, pois aqueles que são realmente sábios jamais se gloriarão, a não ser em Deus (1 Co 1.31). Mas, onde há exibicionismo fútil, aí não há sinceridade, nem retidão de coração. [9]

Ele teve uma revelação divina quando foi arrebatado ao terceiro céu (12.2), mas essa visão em nada contribuiu para seu ministério ao povo de Deus (12.5, 6). Visões e revelações faziam parte da vida de Paulo, mas ele nunca exibiu essas experiências como distintivos de autoridade apostólica. Paulo estava interessado não em se promover, mas em expandir a Igreja a que ele servia sem permitir qualquer distração. Assim, ao servir a Jesus, ele seguia nos passos do Senhor (Jo 13.15, 16). 

2. “Porque se enlouquecemos” v. 13 – Provavelmente se refere aos momentos de adoração e oração durante os quais Paulo era visto em intensa consciência da presença de Deus. Vendo assim, se pensou que Paulo estava louco (At 26.24). Esta frase grega significa geralmente sofrem de demência ou ser delirante, mas aqui Paulo usou o termo para descrever-se como uma devoção dogmática da verdade. 

Paulo estava sofrendo a mesma incompreensão que Jesus tinha sofrido (Mc 3.21). Jesus fora acusado de loucura por causa de seu zelo inquebrantável no ministério (Mc 3.21), e porque seu ensino ofendia a seus ouvintes (Jo 10.20). A pessoa verdadeiramente entusiasta sempre corre o risco de parecer um louco para as pessoas indiferentes. [10]


III. O AMOR DE CRISTO, v 14-17

1. O amor de Cristo nos constrange, v.14 [11]- A expressão "o amor de Cristo" significa amor por nós no contexto de sua morte sacrifical. "Nós amamos porque ele nos amou primeiro" (1 Jo 4.19). Ele nos amou quando não éramos dignos de ser amados, quando éramos ímpios, pecadores e seus inimigos (Rm 5.6-10). 

Quando morreu na cruz, Cristo provou seu amor pelo mundo (Jo 3:16), pela igreja (Ef 5:25) e pelos pecadores como indivíduos (Gl 2:20). 

a) Morreu para que vivêssemos (w. 15-17) - Este é o aspecto positivo de nossa identificação com Cristo: não apenas morremos com ele, mas também fomos ressuscitados com ele para que pudéssemos andar em "novidade de vida" (Rm 6:4). 

b) Ele morreu para que vivêssemos por meio dele - Essa é nossa experiência de salvação, a vida eterna pela fé em Jesus Cristo, 1 Jo 4.9.

c) Ele morreu para que vivêssemos para ele, não para nós mesmos. Esta é nossa experiência de serviço, 2 Co 5.15.

2. E morreu por todos (?), v. 15 - Isto expressa a verdade da morte vicária de Cristo. Esta verdade está no coração da doutrina da própria salvação. A ira de Deus contra o pecado exigida morte como pagamento. Jesus recebeu toda aquela raiva e morreu no lugar do pecador. 

Um aspecto teológico - Será que Paulo tem em mente que Cristo morreu por todo ser humano? Ou está se referindo a todo crente? O que podemos dizer é que a morte expiatória de Cristo é suficiente para todas as pessoas, mas eficiente para todos os verdadeiros crentes. Só aqueles que em fé se apropriam da morte de Cristo é que estão incluídos na palavra todos. O uso de “todos” nas cartas de Paulo nem sempre significa universalidade. 

Com esta breve frase, Paulo definiu a extensão da expiação e limitado a sua aplicação. Toda esta declaração o sentido lógico da frase anterior e, assim, afirma: "Cristo morreu por todos os que morreram em Cristo" ou "um morreu por todos, logo todos morreram". Paulo estava cheio de gratidão que Cristo amou e tinha tanta graça a ele que fez dele um dos "todos" os que morreram nEle.


3. Se alguém está em Cristo, v. 17 - Estas duas palavras – está em Cristo - são uma breve, mas profunda declaração de infinita importância do resgate do crente, que inclui o seguinte:
(1) a segurança do crente em Cristo, que carregou em seu corpo o juízo de Deus contra pecado;
(2) a aceitação do crente em Aquele em quem Deus se agrada;
(3) a segurança futura do crente naquele que é a ressurreição para a vida eterna, e que a única garantia da herança do crente no céu, e
(4) a participação do crente na natureza divina de Cristo, a Palavra eterna (2. Pe 1.4).

Ser Nova criatura descreve algo que é criado para um novo nível de excelência. Refere-se a regeneração ou o novo nascimento (Jo 3.3, Ef 2.1-3; Tito 3.5, 1 Pe 1.23, 1 Jo 2.29). O termo inclui o perdão para os cristãos de seus pecados que foram pagos na morte vicária de Cristo. (Gl 6.15; Ef 4.24). 

Coisas antigas já passaram - depois que uma pessoa foi regenerada, sistemas, valores, prioridades, crenças, amores e planos para a velha vida se foram. O mal e o pecado ainda estão presentes, mas o crente vê uma nova luz e não mais controlado. 

Tudo se fez novo - a gramática grega indica que a nova condição é contínua e prática. A nova percepção espiritual que o crente tem de todas as coisas é uma realidade constante para ele, e agora vive por toda a eternidade, as coisas não temporais. 


CONCLUSÃO

Neste pequeno texto fomos confrontados por três aspectos que foram bem elucidados durante explanação da lição: [12]

1. Temor a Deus - Paulo andava de forma íntegra com Deus e com os homens. Ele temia a Deus, por isso, nada tinha a esconder dos homens. Seus motivos e suas ações estavam abertos diante de Deus. 

2. Não se gloriar na aparência - Paulo não se gloriava em suas credenciais nem procurava se auto-afirmar perante os coríntios, mas simplesmente sustentava sua integridade pessoal.

3. O amor de Cristo - Fator determinante que motivou Paulo a abraçar o mi­nistério da nova aliança foi o amor de Cristo. O amor de Cristo o constrangeu, motivou-nos e empurrou-o a entre­gar-se ao ministério da reconciliação. A motivação certa para os atos da vida cristã é o amor, e não o dever (Jo 14.15). 

Enquanto entre os homens, o exemplar Paulo, apóstolo do Senhor Jesus Cristo, marcou sua vida e a de outros de diversas formas. Aliás, ele ainda faz isso através de seus preservados e inspirados escritos para diversas igrejas e pessoas de sua época. Ele foi incontestavelmente um eminente modelo, um exímio mestre e um espetacular mentor.

_____________________
[1] KRUSE, Colin. II Coríntios: Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1994.
[2] WIERSBE, William. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, Vol 1. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006.
[3] CALVINO, João. 2 Coríntios: Série Comentários Bíblicos . São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2008.
[4] BARCLAY, William. 2 Coríntios: O Novo Testamento Comentado. Buenos Aires: Ediciones La Aurora, 1983.
[5] IBID
[6] MACARTHUR, John. Comentários da Bíblia de Estudo de John MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010
[7] KRUSE, Colin. II Coríntios: Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1994.
[8] SISTEMAKER, Simon. 2 Coríntios – Comentário do Novo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
[9] CALVINO, João. 2 Coríntios: Série Comentários Bíblicos . São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2008
[10] Notas da Bíblia de Estudo de Genebra.
[11] WIERSBE, William. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, Vol 1. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006.
[12] LOPES, Hernandes Dias Lopes, II Coríntios: O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldades. São Paulo: Hagnos, 2007

2 comentários:

Daniel Gomes Batera disse...

PAZ MEU AMIGO, QUE O ETERNO DEUS CONTINUE ABENÇOANDO SUA VIDA.
MUITO BOM SEU COMENTÁRIO SOBRE O MINISTÉRIO DA INTEGRIDADE.
PR ABRAHAO CIPRIANO DA SILVA.

Daniel Gomes Batera disse...

SAUDADES DE VCS.