segunda-feira, 21 de março de 2016

ESTUDO Nº 07 - A NOSSA HABITAÇÃO CELESTIAL (2 Coríntios 5.1-10)



INTRODUÇÃO

O cap. 5 está intimamente relacionado com o precedente (4.16-18), e desenvolve mais a idéia da glória eterna do crente, em contraste com sua presente vida temporal.

Paulo entra em maiores particularidades, quando trata da ressurreição pessoal dos crentes, do que a maioria dos outros escritores do Novo Testamento. [1]

Paulo acabara de falar de um corpo fraco e de um espírito renovado (4.16), de um presente doloroso e de um futuro glorioso (4.17), e de coisas visíveis temporais e coisas invisíveis eternas (4.18). Agora, ele continua sua argumentação mostrando que a morte não é o fim da linha, mas o raiar de uma gloriosa eternidade. A morte não tem a última palavra, mas esperamos o glorio­so corpo da ressurreição.[2]


I. A CASA TERRESTRE E A CELESTIAL, 1-4

Nesta passagem há uma progressão muito significativa do pensamento, progressão que nos dá a própria essência do pensamento de Paulo, com respeito a transformação do corpo na vinda de Jesus.

1. O Conceito de corpo, v.1 - Os gregos, romanos e alguns judeus tinham uma concepção equivocada com respeito ao corpo. os pensadores gregos e romanos desprezavam o corpo. Diziam: "O corpo é uma tumba."

Contudo, Paulo chama este corpo terreno e fisico de “tabernáculo” (templo do Espírito Santo, 1 Co 6.19), que um dia irá se desfazer. Por isso ele, usa a metáfora familiar de um tabernáculo que pode ser desmontado a qualquer tempo (cf. Hb 11.8-10).

Quando isso acontecer, receberemos uma “casa não feita por mãos, eterna, nos céus”, ou seja, um corpo ressurreto prometido aos crentes.

Ray Stedman corretamente diz que uma barraca ou tenda é habitação transitória e temporária, enquanto a casa é uma habitação definitiva e permanente. Quando morrermos, mu­daremos do que é temporário para o que é permanente; da barraca para a casa, eterna nos céus.[3]

Para Paulo será um dia prazeroso aquele em que se desfaça de seu corpo humano. Considera-o simplesmente como uma tenda, um lugar onde se vive transitoriamente, em que residimos até chegar o dia em que se dissolve e entramos na verdadeira morada de nossa alma. [4]

2. Um gemido pelo que é eterno, v. 2-4 – A palavra “gememos” é usada por Paulo por duas vezes (v. 2, 4) e é como ele se expressa para mostrar a sua frustração diante das limitações desta vida, com seu pecado, fraqueza e corrupção. Ele expressa uma forte vontade de ser vestido com a vestimenta que Deus providencia.

O gemido é uma expressão profunda de dor, desconforto e sofrimento. O gemido expressa nossa fraqueza e impotência.

Em sua Epístola aos Romanos, Paulo menciona os gemidos da criação, dos redimidos e do Espírito. Tanto a criação como os remidos suportam aflição e anseiam pelo dia em que os filhos de Deus serão libertados, isto é, quando experimentarão a redenção do corpo. Enquanto isso, o próprio Espírito Santo geme enquanto intercede em favor do povo de Deus (Rm 8.22, 23, 26). [5]

3. Uma condicional – “se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus” (v. 3) - Earle Ellis mantém que o conceito nu deve ser visto no contexto de vergonha, culpa e julgamento, uma interpretação que apresenta o conceito num cenário ético e que antecipa as referências de Paulo ao trono do juízo de Cristo (v. 10).


II. A CONSUMAÇÃO DO PROPÓSITO DE DEUS, 5-8

1. foi o próprio Deus quem nos preparou, v. 5 - Paulo escreve que Deus nos preparou “para esse exato propósito”, mas qual é o propósito? É ser revestido com um corpo ressurreto e a futura glória que Deus já preparou para nós. Em outras palavras, Deus reservou em nosso plano futuro uma existência, da qual a vida pura de Adão e Eva no paraíso é um reflexo. Essa existência é aquela que Deus projetou originalmente, antes de o pecado ter entrado no mundo, aquela que agora ele tem planejado para nós. No fim dos tempos, cada cristão será revestido com um corpo transformado ou ressurreto. [6] 

2. Portanto, sempre bom ânimo, v. 6 – Paulo mais uma vez usa expressões para nos animar com respeito ao futuro glorioso de cada crente (4.1,16; 5.). A despeito de muitas dificuldades, corrupção do corpo, tribulações (4.16-18) ele permaneceu confiante em Deus, ele reiterou várias vezes sua confiança e o fato de que não desanimou. E para vencer o desânimo, o olhar de Paulo se volta para Deus, que nos “prepara para isso”, a fim de desejarmos ser revestidos.

3. Visto que andamos por fé, e não pelo que vemos, v. 7-8 - Isto sugere que enquanto estamos no corpo, Deus não está acessível à nossa vista (e neste sentido estamos ausentes do Senhor), só podemos alcançá-lo mediante a fé (cf. Jo 20:29).

Por mais real que a habitação do Senhor como Espírito possa ser real em nós, por mais que possamos fazer tudo “em Cristo”, ainda assim não o vemos agora “como ele é”.


II. MOTIVAÇÃO PARA O MINISTÉRIO, 9-10

1. Por isso nos esforçamos, para lhe sermos agradáveis, v. 9 – A versão NVI traduz este versículo assim: “Porém, acima de tudo, o que nós queremos é agradar o Senhor, seja vivendo no nosso corpo aqui, seja vivendo lá com o Senhor”.  Paulo não deseja especular a respeito à maneira ou ao tempo que continuará a viver no corpo, ou se vai morrer logo e deixar o corpo. Mas ele pode determinar como vai viver, que vai vier para agradar ao Senhor. 

A palavra Esforçamos (gr philotimoumetha, "fazemos nossa ambição”). Em corpo ou fora do corpo, o alvo de Paulo seria de agradar unicamente a Deus. O esforço de Paulo, então, é agradar ao Senhor, não importa se for chamado a comparecer diante do tribunal dele (v. 10) ou se continuar pregando o evangelho (v. 11). 

O magnífico capítulo da ressurreição em 1Co 15 encerra com o encorajamento: “Sede abundantes na obra do Senhor!” [1Co 15.58].

2. Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, v.10 - Paulo determinou que vai viver para agradar o Senhor porque sabe que todos os crentes deverão comparecer perante o tribunal de Cristo. A palavra grega, aí, significa "trono para a concessão de prêmios" e era empregada com relação aos jogos olímpicos. 

Este tribunal é o momento de benção e alegria para todos os fiéis. Aqui é a recompensa do cristão, embora ele seja salvo pela graça pura (Ef 2.8), é a qualidade resultante da sua própria vida, vista como um todo' (Ef 6.8; cf. Lc 19.16-27; 1 Co 3.10-15). [7]

O tribunal de Cristo será meticuloso. Nossas palavras, ações, omissões e pensamentos serão julgados. O que nós se­mearmos, isso será o que colheremos (G16.7,8). O Senhor re­tribuirá, a cada um, segundo o seu procedimento (Rm 2.6).

O tribunal dos homens julga apenas as ações, mas o tribunal de Cristo julga as intenções (l Co 4.3).

3. Para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo, v. 10 - Deus avaliará as vidas e ministérios de seus filhos, e recompensará aos que agiram com fidelidade, enquanto os infiéis sofrerão a perda de todas as recompensas. – Rm 14.12

O que a pessoa fez por meio do corpo é que será avaliado no tribunal de Cristo. Ações que ocorreram durante a vida do crente em Seu ministério terreno. Isso não inclui o julgamento de pecados, porque eles são executados na cruz de Cristo (Ef 1.7). Paulo estava se referindo a todas as atividades que os crentes realizam durante a sua vida que se relacionam com a sua recompensa eterna e louvar a Deus. Em seus olhos, tudo o que fazem os cristãos em seu corpo temporário terá um impacto para a eternidade. [8]

O tribunal de Cristo será retribuidor. Será um lugar de prestação de contas, em que daremos um relatório de nos­sas obras (Rm 14.10-12). Será um lugar de recompensa e de reconhecimento para os fiéis (I Co 3.10-15; 4.1-6) e de condenação dos infiéis.[9]


CONCLUSÃO

O crente não somente está bem seguro pela fé de que existe outra vida ditosa, depois desta; tem boa esperança, pela graça, do céu como morada, um lugar de repouso, um esconderijo. Na casa de nosso Pai há muitas moradas, cujo arquiteto e fazedor é Deus. 

A felicidade do estado futuro é o que Deus tem preparado para os que o amam: habitações eternas, não como os tabernáculos terrenos, as pobres choças de barro em que agora habitam nossas almas; que apodrecem e se deterioram, cujos cimentos estão no pó. O corpo de carne é uma carga pesada, as calamidades da vida são uma carga pesada, porém os crentes gemem carregados com um corpo de pecado, e devido às muitas corrupções remanescentes que rugem dentro deles. 

A morte nos despirá das roupas de carne, e de todas as bênçãos da vida, e acabará com todos nossos problemas daqui embaixo. Mas as almas fiéis serão vestidas com roupas de louvor, com mantos de justiça e glória. [10]

_________________________
[1] DAVIDSON, F. O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo, SP: Ediçoes Vida Nova, 1997.
[2] LOPES, Hernandes Dias Lopes, II Coríntios: O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldades. São Paulo: Hagnos, 2007.
[3] STEDMAN, Ray. A Dinâmica da Vida Autentica. São Paulo: Editora Sepal, 1975
[4] BARCLAY, William. 2 Coríntios: O Novo Testamento Comentado. Buenos Aires: Ediciones La Aurora, 1983.
[5] SISTEMAKER, Simon. 2 Coríntios – Comentário do Novo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
[6] IBID.
[7] BEACON. Comentário Bíblico: Romanos, 1 e 2 Coríntios – Vol 8 – Rio de Janeiro, RJ: CPAD,
[8] MACARTHUR, John. Comentários da Bíblia de Estudo de John MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010
[9] WIERSBE, William. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, Vol 1. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006.
[10] HENRY, Mathews. Comentário Bíblico, vol 6. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2004.

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