domingo, 20 de março de 2016

ESTUDO Nº 02 - ENFRENTANDO OPOSIÇÃO NO MINISTÉRIO (2 Coríntios 1.12-2.13)


INTRODUÇÃO

A vida de Jesus e de seus apóstolos foi marcada pela presença constante de oposições. O dia a dia da Igreja em Atos, mostra a existência das oposições, que impuseram à comunidade cristã dolorosas perseguições, muitas chegando à via da morte, como foi o caso de Estevão (At 7.54-60) e Ti ago (At 12.1-3).

Os reformadores João Huss, Lutero, Calvino e outros , registraram sua existência sempre enfrentando oposições acirradas à sua pessoa e à mensagem do Evangelho. As oposições são sempre de natureza variada.

Às vezes são externas, às vezes internas, vindo de dentro da própria comunidade, visando desestruturar a Igreja. No estudo de hoje, estaremos analisando e refletindo sobre as oposições que sobrevieram a Paulo e seu ministério em Corinto. Tomando por base o texto de II Coríntios 1.12 a 2.13, veremos de que forma o apóstolo Paulo enfrentou as oposições o ministério.

Após render graças a Deus pela libertação divina que tivera na Ásia (1.811), Paulo agora segue, a partir do versículo 12, fazendo uma defesa de sua conduta aos irmãos de Corinto. Ele precisou mudar seu roteiro de viagem, levando alguns, por isso, a acusá-lo de não haver cumprido com a sua palavra, I Co 16.5; (Atos 16.9-10; 1 Co 2.12-13)

As acusações contra ele tinham por objetivo arruinar sua credibilidade perante a igreja coríntia. Porém, o apóstolo estava ciente de que havia pessoas sinceras e amorosas que o conheciam e estavam seguras de sua sinceridade no trato com a igreja.

O apóstolo começa a ser desafiado pela oposição dentro da própria Igreja. Ao visitar Corinto, torna-se alvo de maldoso ataque pessoal disparado por um indivíduo que, segundo ele, "causou tristeza não apenas a ele" (2. 5).

No texto que lemos, o apostolo Paulo defende sua integridade pessoal (1.12-14) e depois, justifica-se quanto à mudança de planos sobre sua viagem a Corinto (1.15 a 2.4). Finalmente, oferece e ensina o perdão ao seu ofensor (2.5-11).


NOTAS EXPLICATIVAS

A princípio, prometera que passaria o inverno em Corinto, "se o Senhor o permitir" (1 Co 16.2-8). Paulo desejava coletar as ofertas que os coríntios haviam juntado para os cristãos judeus pobres e dar à igreja o privilégio de enviá-las, e a seus colaboradores, para Jerusalém. Contudo, Paulo ainda não tinha feito a visita, II Co 1.23

Paulo mudou seus planos e planejava fazer duas visitas a Corinto, II Co 1.15-17

Grande parte do pesar e perturbação de Paulo deviam-se ao fato de ter sido necessário mudar de planos. Os cristãos acusavam Paulo de falsidade e de indiferença porque o apóstolo havia sido obrigado a mudar seus planos.

Paulo havia informado a Igreja das mudanças no itinerário da viagem, mas nem isso calou a oposição. Os Coríntios o acusaram de:
a) Seguir a Sabedoria Humana, v. 12
b) Ignorar a vontade de Deus, v. 17
c) De fazer planos só para agradar a si mesmo,

Os mal-entendidos no meio do povo de Deus muitas vezes podem ser difíceis de esclarecer, pois um mal-entendido com freqüência puxa outro. Uma vez que começamos a questionar a integridade de outros ou desconfiar de suas palavras, abre-se a porta para todo tipo de problema. Mas, a despeito de qualquer coisa que seus acusadores pudessem dizer, Paulo manteve-se firme, pois sua consciência estava limpa. Suas cartas, seu discurso e sua vida eram coerentes. Afinal, ao fazer os primeiros planos, acrescentara a condição: "se o Senhor permitir" (1 Co 16:7, e notar Tg 4:13-17).


I. UM MINISTÉRIO APOSTÓLICO EM BOA CONSCIÊNCIA (1.12-22)

1. A força de sua consciência (1.12) - Paulo era um homem tão íntegro e tinha um caráter tão firme que, diante de tais acusações, apela para a sua consciência como testemunho de sua sinceridade nas ações de seu ministério. Paulo afirma que três árbitros determinaram a sua conduta:
a) sua consciência;
b) santidade e sinceridade de Deus;
c) o mundo e os Coríntios. [1]

Ele havia passado dezoito meses entre os coríntios, em sua primeira visita àquela cidade, e durante esse tempo, e nos contatos subseqüentes, havia tomado o máximo cuidado para comportar-se de modo exemplar.

Comportamento semelhante demonstrou Samuel quando resignou o seu cargo diante do povo (I Sm 12.1-5) e a mesma integridade podemos ver na vida do profeta Daniel (Dn 6.4).

A palavra consciência ocorre mais vezes na correspondência paulina do que em todos os demais livros do Novo Testamento, somados. Paulo usa o termo consciencia mais de vinte vezes em suas epístolas e em seu ministério de pregação registrado no Livro de Atos. (At 24.16). Quando uma pessoa tem consciência pura, também tem integridade, é sincera e confiável.[2]

Na época de Paulo três definições sobre a “conciência”. Mas, diferentemente dos estóicos, Paulo não considerava a consciência como sendo a voz de Deus dentro de nós, e tampouco restringia sua função aos atos do passado da pessoa (em geral os maus), como se acreditava no mundo grego secular dos dias do apóstolo. Para Paulo, a consciência era a faculdade humana pela qual a pessoa aprova ou desaprova suas ações (quer executadas, quer apenas intencionadas) e as de outras pessoas.[3]

Determinante nisso é para ele o “testemunho da consciência”. O julgamento da consciência continua sendo determinante também para quem crê. Em nossa consciência se manifesta uma sentença insubornável sobre nós mesmos, que acusa de mentiroso um gloriar falso de nossos lábios, Rm 2.15 [4]

Essa integridade pessoal, essa consciência limpa foi usada por Paulo na luta contra seus opositores e esta é uma arma, sem dúvida, eficaz ao enfrentarmos o desafio das oposições. Este desafio nos leva a buscar uma consciência cristã, limpa e pura. É preciso ter uma consciência tranqüila diante de Deus, dos homens e de si mesmo.

2. Confiabilidade, a garantia do ministério (1.15-24) - Paulo havia desistido da viagem a Corinto pela terceira vez, e os irmãos coríntios, influenciados por alguns opositores, começaram a alegar que, tal atraso, não passava de displicência do apóstolo. A conclusão é que ele não era confiável e chegam a insinuar que Paulo estava agindo com “leviandade” (v. 17).

No versículo 18, Paulo “argumenta que suas mensagens não eram vacilantes e que não oscilavam entre sim e não. O apóstolo então apela, de forma incisiva, afirmando que ele e seus companheiros de ministério eram fiéis. Para confirmar o seu testemunho perante a igreja coríntia, Paulo diz que o Jesus que eles pregavam não era “sim e não”, mas “sim”.

Jesus nos instrui a ser claros e sinceros no que dizemos: "Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno" (Mt 5:37). Somente uma pessoa de caráter duvidoso cerca sua resposta com uma porção de palavras desnecessárias.

Qual era a garantia da integridade da mensagem?
a) Confirmação da parte de Deus (v.21) Isso indica seu fortalecimento em Deus.
b) A unção da parte de Deus (v. 21) indica aqui um comissionamento para uma obra específica.
c) o Selo do Espírito Santo (v.22) significa manter em segredo, ou marcar com um sinal identificador.
d) O Penhor do Espírito (v.22) - referindo-se ao Espírito Santo que Deus concede aos cristãos, como garantia de total participação dos mesmos nas bênçãos do porvir.

O "Dia de Jesus" refere-se à ocasião em que Cristo virá para levar sua Igreja para o céu. Quaisquer que sejam os mal-entendidos que tenhamos hoje, quando estivermos diante de Jesus Cristo, tudo será perdoado, esquecido e transformado em glória, para o louvor de Jesus Cristo. [5]

3. O perdão ao ofensor arrependido e a disciplina eclesiástica (2.5- 11) - Comentadores mais modernos defendem que uma pessoa ou partido (tinha recentemente se levantado para desafiar a autoridade apostólica de Paulo. Essa atitude ganhou adeptos e Paulo ficou muito triste e ofendido (2.4).

A rigidez do apóstolo provocou contenda, e isto o obrigou a abrandar sua atitude, preocupando-se com a recuperação do ofensor (2.6-11).

Em outra ocasião, escrevendo aos cristãos de Roma, Paulo dá o mesmo antídoto perante o desafio das oposições: "Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, ma s vence o mal com o bem" (Rm 12.20-21).


II. UM MINISTÉRIO APOSTÓLICO DESENVOLVIDO COM FIDELIDADE A PALAVRA DE DEUS (2.14-17)


1. A visão do triunfo do Evangelho no mundo (2.14). Em algumas versões a palavra “triunfo” dá a ideia de um cortejo militar, onde um general vitorioso conduz seu exército numa marcha triunfal entrando na capital do império. O general traz seus prisioneiros de guerra e exibe os diante do povo, que assiste ao grande cortejo. Segundo os estudiosos, o povo queimava incensos e exalava fragrâncias variadas de flores, enchendo o ar daquele agradável cheiro. Dessa mesma forma, Paulo contemplava a força da mensagem do Evangelho.

2. Somos o bom cheiro de Cristo (2.15). O texto diz literalmente: “Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo”. O que Paulo estava dizendo à igreja de Corinto era que ele e seus companheiros de ministério eram os agentes que espalhavam a perfumada fragrância de Cristo por onde andavam.

Scott Hafmann considera 2 Coríntios 2.14 a 3.3 como parte do ‘coração teológico’ de 2 Coríntios. Ele interpreta que ‘nos faz triunfar’ para descrever um general romano em procissão triunfal de suas tropas. Pondo em exibição os inimigos por ele conquistados à medida que os conduz à morte. Como ex-inimigo de Cristo, Paulo estava sendo conduzido por Jesus à morte. Ao conduzi-lo, o propósito de Cristo era revelar-se. Sofrimento e fraqueza eram essenciais ao plano de Deus para disseminar o Evangelho. Assim, Paulo estava sendo esmagado como pétalas de rosa para extrair a fragrância.[6]

3. A ameaça dos falsificadores da Palavra de Deus (ARC 2.17). A palavra “falsificadores” pode ser entendida como “mercadores” (ARA) porque tais homens não tratam a Palavra de Deus como a revelação divina, mas como uma mercadoria, um produto de mercado que pode ser vendido e manipulado.

Esses obreiros fraudulentos eram mascates da religião. Eles não tinham compromisso com Deus, com sua Palavra nem com seu povo; visavam apenas o lucro. Faziam da religião um instrumento para se abastar. Faziam da igreja uma empresa; do evangelho um produto; do púlpito, um balcão, e dos crentes, consumidores. [7]

Pregadores mercadores são aqueles que oferecem um Evangelho de imitação, corrompido, o qual ilude aos interessados.
a) Paulo chama os tais de: falsos apóstolos, e obreiros fraudulentos (anjos de Satanás, II Co 11.13). Existe somente um evangelho, Gl 1.6-8.
b) Os que tais coisas praticam são “coisas vergonhosas” e adulteram a Palavra de Deus, 2 Co 4.2
c) Porém, declara com toda a sua alma que falava de Cristo com sinceridade na presença de Deus (v.17).[8]





Paulo pregava o evangelho na presença de Deus. Como apóstolo de Jesus Cristo, ele era um embaixador a serviço de Deus e só podia falar a mensagem exata que Deus lhe tinha dado. Quando um embaixador deixa de representar seu governo e fala o que pensa, ele é demitido sumariamente. Do mesmo modo, Paulo era obrigado a proclamar a própria Palavra de Deus em plena consciência de estar na presença de Deus.


Para Concluir

1. Temos que estar preparados para a realidade de que vamos e seremos muitas vezes criticados. A grande maioria das críticas terão origem na ignorância própria dos nossos acusadores e na ignorância dos fatos — aquilo que realmente existe, que é real. Uma grande verdade que não pode ser ignorada é que a vasta maioria dos nossos críticos não está sequer interessada nos fatos. O que eles querem é apenas falar mal da gente!

2. Qual é o padrão de conduta pelo qual seremos medidos? É o padrão divino, o juízo de Deus. Como este fato deve afetar nossos atos e palavras?

3. Quer gostemos ou não a opinião que as pessoas em geral têm de nós irá manter estreita relação com a opinião que pessoas em geral têm do Senhor Jesus. Nossa responsabilidade é, portanto, imensa. O apóstolo Paulo nos adverte: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios”, Ef 5.15


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[1] PFEIFFER, C. F., HARRISON, E. F. Comentário Bíblico Moody, vol 2. Rio de Janeiro: Editora Batista Regular, 2010
[2] WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Vol. 5. Geográ­fica Editora. Santo André, SP. 2006, p, 828
[3] KRUSE, Colin G. 2 Coríntios – Introdução e Comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 2011.
[4] BOOR, Werner. 2 Cartas aos Coríntios – Comentário Bíblico Esperança. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2004.
[5] WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Vol. 5. Geográ­fica Editora. Santo André, SP. 2006, p, 828
[6] Citado por HORTON, S. I e II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas soluções. Rio de janeiro: CPAD, 2003, p. 193.
[7] LOPES, Hernandes Dias Lopes, II Coríntios: O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldades. São Paulo: Hagnos, 2007, p. 68
[8] Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1073

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