sábado, 19 de março de 2016

BATISMO POR ASPERSÃO: EXPRESSÃO INICIAL DA FÉ CRISTÃ (Mt 3.1-6; 13-17)



INTRODUÇÃO

A comunidade evangélica da atualidade é imersionista (Batistas e pentecostais), é possível que muitos cristãos históricos (congregacionais, presbiterianos, metodistas, etc) tenham assimilado essa prática e gerado um preconceito contra o batismo por aspersão. 


Tais pessoas defendem o ensino imersionista contra o modo por aspersão, de duas formas:
a) Pela associação com o Batismo Católico Romano – Ser aspersionista é ser católico romano; assim, dizem os crentes modernos.
b) João Batista batizou no Rio Jordão – Esse tem sido o argumento do imersionistas, pois, eles supõem que se João, o Batista, batizou em um rio esse batismo foi por imersão.

Contudo, falamos pouco sobre o assunto porque consideramos a forma de batizar de importância relativa. Em outras palavras, não cremos que a validade desta ordenança de Cristo dependa da quantidade de água empregada ou do modo como esta água é aplicada.

Assim, o nosso estudo visa: Primeiro: mostrar que estas duas premissas estão erradas. O batismo por aspersão não é do catolicismo romano, mas é uma forma bíblica de Batismo; João, o Batista, jamais praticou a imersão. Segundo, pretendemos demonstrar que se a validade depende da forma, então o único batismo válido é por aspersão ou efusão, mas nunca por imersão.


I. BATISMO: SIGNIFICADOS E TERMOS

1. O QUE É O BATISMO?

O Breve Catecismo de Westminster (pergunta 94) diz que “o batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, significa e sela a nossa União com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da Graça, e nosso compromisso de pertencemos ao Senhor.” [1]

Portanto, o batismo significa e sela a nossa união com Cristo: O batismo aponta para a realidade de que fomos alcançados por Cristo, Deus declara-nos que fomos salvos e que lhe pertencemos mediante este sacramento.

2. O QUE É UM SACRAMENTO?

O sacramento é, portanto, um meio de que Deus se serve, para comunicar bênçãos aos seus filhos. Sobre o sacramento devemos notar o seguinte:

a) O batismo é um Sacramento: O termo “Sacramento” significa algo que é Santo. Um sacramento, dentro da definição reformada, é “um sinal visível de uma graça invisível” que tem sido destinada aos crentes em Cristo, devemos levar em consideração este conceito reformado, o batismo não é qualquer coisa, tem valor e muito valor.

b) O sacramento não tem poder em si mesmo. Os sacramentos se tornam meio eficazes unicamente pela operação do Espírito Santo e pela benção de Cristo que os instituiu.

c) O sacramento consta de duas partes: um sinal exterior e visível; uma graça interior e espiritual, representada pelo sinal. Em resumo: um sinal visível de uma graça invisível.

A Declaração de Savoy, foi a primeira Confissão de Fé dos congregacionais e é aceita por todas as Igrejas Evangélicas Congregacionais. redigida e publicada em 1658, prefaciada pelo célebre John Owen. Este documento é de grande importância para os congregacionais ingleses. É um documento histórico e muito valioso para construção de nossos valores e princípios congregacionais.

O capítulo 29 artigo 1, 2 e 3 da Declaração de Savoy, intitulada “Do batismo”, contém o seguinte texto:

(1) O batismo é um sacramento do Novo Testamento, inspirado por Jesus Cristo, para servir à pessoa batizada de sinal e selo do pacto da graça, de sua união com Cristo, da sua regeneração , da remissão dos pecados e também da sua consagração a Deus, por meio de Jesus Cristo, a fim de andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação do próprio Cristo, há de continuar na sua igreja até o final do mundo.

(2) O elemento exterior, usado neste sacramento, é a água, com a qual a pessoa é batizada em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, por um ministro do Evangelho, legalmente ordenado.

(3) Não é necessário imergir o candidato na água, mas o batismo é corretamente administrado derramando-se ou aspergindo-se água sobre a pessoa. [2]

Como expresso no artigo 3, o batismo era realizado na forma de aspersão. Confirmando a adoção aspesionista pelos congregacionais ingleses o Manual of Congregational Principles, R. W. Dale, antigo ministro congregacional comenta o seguinte: “... Quando havia água suficiente acessível para o ato – um rio, uma piscina ou uma banheira – a pessoa a ser batizado se colocava na água, e o batizador levava água a sua cabeça repetindo a forma batismal. A forma de administrar o rito aspergindo água sobre a pessoa é a prática atual. [3]

As Igrejas congregacionais brasileiras oriundas do trabalho pioneiro do Dr. Robert Reid Kalley, como as nossas, entendem que o batismo por aspersão ou efusão são corretos e bíblicos, embora respeitem outras formas de batismo praticados por grupos evangélicos. [4]


II. A FÓRMULA E A FORMA DE BATISMO

a) Quanto a formula, uma pessoa é batizada - No batismo bíblico, água é aplicada à pessoa “em nome do Pai, do Filho e do espírito Santo” - Mt 28.19. Assim, Deus usa um símbolo externo para denotar uma realidade espiritual interna.

b. Quanto a forma de aplicar o batismo –Existem três formas de administração do batismo praticadas hoje: aspersão, imersão e efusão.

Aspersão – em que se aplica água à cabeça do batizando, aspergindo-o com a mão;
Efusão – Em que se derrama um vaso com água;
Imersão – segundo a qual é ele mergulhado na água.
A Confissão de fé de Westminister, afirma: “Não é necessário imergir na água o candidato, mas o batismo é devidamente administrado por efusão ou aspersão. At. 2:41, e 10:46-47, e 16:33; I Cor. 10:2.” (Cap. XXVIII.III)[5]
No terceiro século, Cipriano declarou que não era a quantidade de água nem o método que purificava do pecado, mas sim, onde a fé do destinatário era genuína, a aspersão era tão eficaz como qualquer outro modo[6]

Portanto, ainda que a Igreja Congregacional considere como tais os cristãos batizados por qualquer dos dois outros modos, por considerar a forma de batismo coisa secundária, todavia adota a aspersão, não só por ser mais conveniente, mas também por ser esta a forma mais de acordo com o ensino bíblico e mais usado na igreja cristã, desde o seu início.

Para os presbiterianos o batismo por imersão é aceito para aqueles que vêm de outros segmentos denominacionais, contudo, não permite que seja uma prática, pois descaracteriza a identidade confessional, e o pastor que a pratica é passível de disciplina.


III. RAZÃO PORQUE BATIZAMOS POR ASPERSÃO[7]

1. POR UMA QUESTÃO EXEGÉTICA:
a) Vocábulo “Batismo” - Os imersionistas dizem que o termo “Baptô” e “Baptizô” significa sempre “Imergir na água”. É verdade que no grego clássico ou secular estes termos significavam “imergir”, todavia, o grego Novo Testamento é o Grego conhecido como Koinê (aquilo que é comum, aquilo que é do povo). E os termos nunca são empregados no Novo Testamento com esse sentido de imergir. [8]

Alexander Carson em sua defesa clássica da visão batista, ‘Batismo: Seus Modos e Sujeitos,’ escreveu: “meu critério é que este vocábulo (baptizo) significa sempre submergir; e que sempre se refere ao modo. Pois bem: dado que, tendo todos os lexicógrafos e comentaristas estão contra mim.” [9]

O verbete “Batismo”, do Dicionário Bíblico Davis, publicado pela JUERP da Igreja Batista, diz assim: “BATISMO – O rito de lavar com água simbolizando a purificação religiosa, ou consagração a Deus, era usado com muita freqüência, conforme as prescrições legais que se encontram em Ex. 19:4; 30:20; 40:12; Lv 15; 16:26,28: 17:15; 22:4,6; Nm 19:8 (...). O modo pelo qual João batizava não é claramente descrito, porém, como Jesus entrasse no Jordão para receber o batismo, Mc. 1:9-10, é possível que fosse administrado por aspersão ou por imersão. (...) [10]

b) Batizar nem sempre é imergir: Cristo não se Batizava antes de comer veja o que diz Lc 11.38, o vocábulo grego empregado é “Ebaptisthê”. Outro fato interessante é o que Mc 7.4 “quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem “baptisôntai”; e há outras cousas que receberam para observar, como a lavagem “Baptismus” de copos, jarros e vasos de metal e camas”. [11]

Ora, se a palavra “Batismo” significa somente imergir, então, como explicar a imersão das camas de dormir – em qual tanque eles praticavam isso? No rio Jordão? Como? Levavam a cama na cabeça até o rio?

c) Batismo com o Espírito - Mt 3.11 - “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”, no cumprimento desta promessa vemos o Espírito Santo sendo derramado sobre as pessoas (At 2.3; Jl 2.28), ninguém foi mergulhado no Espírito, mas o Espírito desceu sobre eles, logo, aqui a palavra ‘batismo’ significa ‘derramar’.

d) Batizar não é sepultar: Os imersionistas advogam que o Batismo é símbolo da morte de Cristo. [12] E apelam para Rm 6.4, estes textos fala de nossa identificação com Cristo no Batismo dele que é caracterizado como a sua morte, e este batismo, sela nossa união com Ele. Associam que o descer a sepultura de Cristo, é figura do seu batismo. [13]

A questão aqui que não é o modo de batismo o elemento importante nesta referência. Paulo enfatiza não o rito ou a cerimônia, mas a proclamação e a fé que acompanham o batismo. De acordo com John Stott, o argumento essencial de Paulo é que ser cristão im­plica uma identificação vital com Jesus Cristo e essa união é representada por nosso batismo, como se fosse um dra­ma simbólico. Paulo, portanto, não se refere aqui à forma do batismo, mas a seu significa­do, nossa identificação com Cristo em sua morte. O nosso batismo foi uma espécie de funeral. John Stott afirma que fomos unidos a Cristo interiormen­te pela fé e exteriormente pelo batismo. (União Mistica). [14]

Portanto, se o texto de romanos diz que fomos sepultados nos seu batismo pela sua morte - Se a morte de Cristo - sepultamento - significa enterrar, conforme pensam os imersionistas, então, temos um choque cultural no próprio simbolismo! Pois, Cristo não foi sepultado como somos ele foi depositado dentro de uma rocha! Ser sepultado no pensamento da época era dessa forma? [15]

Landes comentando este texto escreve: “Imersão em água não representa adequadamente o sepultamento e a ressurreição de Jesus... no seu sepultamento, o corpo de Jesus não foi colocado por baixo da terra, mas anteslateralmente, em uma sepultura aberta em uma rocha, a qual tinha uma entrada que podia ser tapada com uma pedra (Mt. 27:60). Não cobriram o corpo com terra”. [16]

e) Os imersionistas, questiona a frase: saiu logo da água. (Mt 3.16) - A preposição usada neste passo, no grego, é APÓ, que se traduz pela preposição portuguesa DE, e indica o lugar de onde saiu. Em At 9.8 diz-se que Saulo levantou-se DA terra, usando a mesma preposição APÓ. Não se pode entender que Saulo se tenha levantado DE dentro DA terra. Assim podia Jesus ter saído da água, sem ter saído DE dentro dela, sem que estivesse nela imergido.[17]

f) O batismo de João – Sobre o batismo algumas coisas precisam ser observadas.

(1) Lembremo-nos de que o significado do batismo é também purificação e não somente morte e ressurreição. Todos os atos de purificação na religião judaica, instituída por Deus, e que nos seus cerimoniais tipificavam ou simbolizavam a Cristo, eram realizados por aspersão. [18] Era tão comum que a bíblia menciona derramamento e aspersão mais de 200 vezes (Lv 8.1012; 9.18; Nm 8.6,7; Ez 36.25; Jo 2.6; Hb 9.13,1922);

(2) Os judeus que foram submetidos ao batismo realizado por João Batista não se submeteriam alegremente a ele se o rito fosse feito por imersão, prática essa desconhecida nos rituais do culto judaico. Considerem que até os saduceus membros do Sinédrio e os fariseus fervorosos observadores da Lei e extremamente legalistas procuraram o batismo ministrado por João Batista, Mt 3.47. Como

(3) O batismo de João Batista era um batismo de acordo com os costumes do Antigo Testamento e significava apenas a disposição do participante para confessar seu pecado. Hodge escreveu que “o que era novo, era a doutrina que pregava, não a cerimônia que praticava. Esta prática todos conheciam desde há muito tempo.”[19] Sendo assim, o batismo de João Batista era para o arrependimento, ou seja, para purificação (Atos 19:4; Nm 19.17-22).

Ele pregava no deserto, onde não havia água, e daí a necessidade de ir ao Jordão. João batizou também em Enom, junto a Salim (Jo 3.23). Enom é, no hebraico, o plural de fonte. Quer dizer que ali existiam muitas águas, isto é, muitas fontes e não muita água.
2. POR UMA QUESTÃO CONTEXTUAL: Existem alguns casos de batismos na Bíblia onde a imersão seria impraticável, por exemplo:

a) Os três mil batizados no Pentecostes - At 2.41 - Três mil batizados em um só dia, na desértica Palestina, contando a igreja com apenas doze oficiais (os apóstolos), seria uma impossibilidade física (250 convertidos por oficial batizante), impossibilidade geográfica (pois a Palestina é carente de água) e impossibilidade lógica (pois os judeus não permitiriam o uso dos grandes rios de Israel para o batismo cristão de milhares de ex-adeptos do judaísmo). Levemos ainda em conta que este fato se deu em Jerusalém, cidade que não é cortada por rio algum, e o mesmo texto não fala e nem insinua o deslocamento das pessoas que foram batizadas.

b) Filipe e o eunuco - At 8.26-39 - Comumente este é um texto julgado claramente em favor da imersão. Em sua viagem, o etíope lia Isaías 53. Filipe lhe explicou a passagem e, quando chegaram a um lugar onde havia água, desceram a ela e Filipe batizou o eunuco. Por imersão? Mesmo entendendo o texto como uma entrada real na água, nem por isso fica demonstrada a imersão. Por outro lado, é muito duvidoso que no lugar deserto onde se encontravam houvesse uma corrente de água com profundidade suficiente para submergir o eunuco. O texto diz: entrar na água significa ser imerso, ou seja, ser batizados totalmente? Então, o texto de Felipe e Eunuco anuncia que ambos entraram na água - significa que ambos foram imergidos? se entrar na água significa sempre a imersão, então, meu amigo quem batizou quem? Leiamos com atenção Jz 7.4-6.

c) O Batismo de Paulo - At 9.17,18 - Saulo, ficou durante três dias cego e em jejum; logo estava fisicamente fraco. Quando Ananias lhe impôs as mãos e orou por ele, Paulo recuperou a visão, ficou em pé e foi batizado (veja toda a história em At 9.1-18).

d) O Batismo de Cornélio e sua família, At 10.47 - “Porventura pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o dom do Espírito Santo?” Pedro batizou estas pessoas por imersão? De um lado somente uma suposição contra toda evidência.

e) O Batismo do Carcereiro e família - At 16.33 - O carcereiro de Filipos foi batizado de madrugada, após um terremoto, como não havia luz elétrica, era impossível procurar um rio naquelas condições e se houvesse qualquer tanque na prisão, provavelmente não sobreviveria ao terremoto, a imersão era ali impraticável.

f) Batismo na Nuvem e no mar, 1 Co 10.2 - Como considerar os hebreus batizados por imersão, em face das palavras de Paulo aos Coríntios, se a nuvem e o mar jamais os envolveram? Pois a Bíblia afirma que os filhos de Israel passaram a seco pelo meio do mar (Êx 15.19). Os que foram imersos no mar foram os carros e os cavaleiros de todo o exército de Faraó (Êx 14.28).

g) Batismo no Dilúvio, 1 Pe 3.20-21 - O apóstolo Pedro afirma que as águas do dilúvio representam o batismo. Os ímpios foram imersos, porém, não batizados e pereceram. Sobre a arca que levava Noé e seus familiares, as águas foram derramadas. Foram batizados, porém, não foram imersos.

h) Batismo de Nabucodonosor, Dn 4.25 - Na LXX, em Dn 4.25, é dito que “Nabucodonosor foi batizado [bapto] com o orvalho do Céu”. Claramente esse batismo não foi por imersão; mas o sentido da palavra batismo no texto é que o orvalho caiu sobre ele.


3. POR UMA QUESTÃO DE COERÊNCIA: Quando o Senhor Jesus Cristo instituiu a Santa Ceia, fê-lo durante o jantar pascal judaico, Mt 26.17-30. Segundo o rito judeu, Jesus tinha em suas mãos pão asmo de tamanho normal (pois era um jantar) e vinho com teor alcoólico, 1 Co 11.20-22.

Enquanto comiam é que Jesus instituiu este sacramento, Mt 26.26, que tinha originalmente, portanto, proporções de jantar. A palavra grega é “deipnon”, que era a mais abundante refeição do dia para os gregos.

Hoje em dia, quase a unanimidade das igrejas evangélicas, celebram a Ceia com minúsculos pedaços de pão (fermentados) e suco de uva, o que demonstra claramente que a forma não implica na validade ou não do ato.

Se como querem alguns, o batismo só é válido por imersão, pelo fato de, segundo eles, Jesus e outros terem sido assim batizados (sendo que há sérias dúvidas sobre isto), a Ceia só seria válida com pão asmo, vinho alcoólico e em quantidade de refeição completa. Como sabemos que, no caso da ceia, ninguém exige a chamada ‘forma original’, por coerência não podemos exigir também o mesmo no batismo, se é que podemos determinar qual a ‘forma original’ do batismo cristão.

O Didaquê – Primeiro documento histórico da Igreja Cristã (145-150 d.c.), diz assim no cap 7: “Quanto ao batismo, procedam assim: Depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Se você não tem água corrente, batize em outra água (...) Na falta de uma e outra, derrame três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.[20]

É importante lembrar que o batismo por imersão surgiu em 1521 A.D. por um homem chamado Thomas Müntzer através de uma revelação extra-bíblica. Se existe algum batismo anti-bíblico pela história não é o aspersionista (Contra Lutero e o reformadores)[21].


Para concluir

“Quando meu avô estava morrendo de câncer os membros de uma determinada igreja evangélica, levados à sua casa por uma empregada que pertencia àquela denominação, queriam transportar meu avô até uma piscina e imergi-lo nas águas. Obviamente a família não permitiu, pois seu ventre estava aberto e cheio de tubos. Para aqueles "crentes" ele não seria salvo a menos que passasse pelo batismo da "igreja" deles.” [22]

1. De acordo com a nossa visão de batismo, há unidade e harmonia na Escritura. Há um método de purificação em ambos os Testamentos, e este é por aspersão - aspersão de água, aspersão de sangue.

2. Batismo por aspersão é universalmente aplicável.

a) Universalmente aplicável com respeito ao lugar. Onde quer que haja água suficiente para sustentar vida, há pessoas que podem ser batizadas por aspersão. Uma evidência em favor da aspersão no NT é o fato de que as pessoas eram batizadas imediatamente, no lugar em que se convertiam, quer fosse na cidade, quer no deserto; numa casa ou em uma estrada; na prisão ou à margem de um rio; no inverno ou no verão. Não havia demora, não há referência alguma à saída para um lugar adequado para a imersão.

b) Universalmente aplicável com respeito ao tempo. Ele pode ser administrado com segurança no congelado Norte, no inverno, bem como no agradável Sul.

c) Universalmente aplicável com respeito às pessoas. Lembre-se: de acordo com a Bíblia, as pessoas eram batizadas com água, não em água; elas eram batizadas com o Espírito Santo, não no Espírito Santo. A água era aplicada à pessoa, não a pessoa à água. O Espírito era aplicado à pessoa, não a pessoa ao Espírito. E os crentes eram batizados imediatamente no lugar onde estavam.

Raciocinando sobre o uso de baptizo na Escritura, sobre o significado do ritual do batismo e sobre os exemplos de sua administração, concluímos que o batismo era, e deve ser agora, por aspersão (Ez 36.25; Hb 10.22).

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[1] O BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2015.
[2] A DECLARAÇÃO DE SAVOY - A PRIMEIRA CONFISSÃO CONGREGACIONAL DE FÉ. João Pessoa: Editora da AIECB, 2009.
[3] CARREIRO, Vanderli Lima. Lições de História do Congregacionalismo. Curso de História Denominacional. Rio de Janeiro: Seminário Teológico Congregacional do Rio de Janeiro, [s.d].
[4] CONFISSÃO DE FÉ. Disponível in: http://www.ieccm.org.br/p/confissao-de-fe.html. Acesso em 05 mar 2016.
[5] HODGE, A. A. Confissão de Fé de Westminster comentada. São Paulo: Editora Os Puritanos, 1999
[6] ENNS, P. P. The Moody handbook of theology, Chicago, Ill.: Moody Press, 1997, p. 364.
[7] BARTH, Karl e CULLMANN, Oscar. Batismo: Em diferentes visões. São Paulo. Editora Cristã Novo Século LTDA. 2004.
[8] GODOY, Ademar de Oliveira Prática Exegética Noções Elementares Casa Editora Presbiteriana, São Paulo, 1ª edição, 1990.
[9] On Baptism, p.79, citado por Hodge em O Batismo Cristão, p.8.
[10] DAVIS, John. Dicionário da Bíblia. Rio de Janeiro: JUERP, 2002.
[11] ROGERS, Clement f. Baptism and Christian Archaeology. Oxford: The Clarendon Press, 1903
[12] REIS, Felipe. Qual a forma correta de batismo: por imersão ou aspersão? Disponível in < http://biblia.com.br/perguntas-biblicas/batismo/qual-a-forma-correta-de-batismo-por-imersao-ou-aspersao/>. Acesso em 08/11/2013.
[13] MENZIES, W. W.; HORTON, S. M. Doutrinas bíblicas: os fundamentos da nossa fé. 5.ed., RJ: CPAD, 2005.
[14] STOTT, John. A Mensagem de Romanos. São Paulo: ABU Editora, 1989.
[15] GOWER, Ralph. Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos (Rio de Janeiro: CPAD, 2002
[16] LANDES, Philippe. Estudos Bíblicos Sobre o Batismo; o Modo de Administrá-lo 2ª ed. (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1964)
[17] NOVO TESTAMENTO Interlinear grego-português. São Paulo. Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.
[18] LADD, George E. Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: JUERP, 1993.
[19] HODGE, Charles. O Batismo Cristão. Imersão ou Aspersão? São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998.
[20] DIDAQUÉ - O catecismo dos primeiros cristãos de hoje. São Paulo: Editora Paulus, 1997.
[21] BETTENCOURT, Estêvão, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997
[22] Testemunho de Mario Persona. Disponível in: http://www.respondi.com.br/2013/03/o-batismo-por-aspersao-e-valido.html

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