quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SÉRIE O FRUTO DO ESPÍRITO: ESTUDO Nº 03 - AS TRÊS DIMENSÕES DO AMOR (João 15.12-17)


Ministrado no Culto de Doutrina da 
Igreja Evangélica Congregacional Família Viva
Salgado de São Félix - PB


INTRODUÇÃO

"Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei." (Gl 5.22-23) 


Para melhor entendimento dos nossos estudos vamos dividir os nove atributos do fruto do Espírito em três partes:
1) Relacionamento com Deus: Amor, Alegria e Paz;
2) Relacionamento com o próximo: Longanimidade, Benignidade e bondade;
3) Relacionamento conosco: Fidelidade(Fé), Mansidão e Domínio próprio.

Nesta lição, estudaremos o significado do amor como fruto do Espírito, e como é manifestado na vida do crente. É inevitável que o amor fique no início da lista, porque Deus é amor (I João 4.8), e, portanto, necessariamente, o maior destes é o amor (1 Co13.13). O amor é o vínculo da perfeição, o vínculo perfeito, que liga tudo numa harmonia perfeita (Cl 3.14), e o amor é em si mesmo o cumprimento da lei (Rm 13.10).

A quem Jesus tanto amou que voluntariamente deu sua própria vida? A indivíduos perfeitos? Não! Um dos discípulos negou-o; outro duvidou dele; três dos que compunham o círculo interno dormiram enquanto Ele agonizava no jardim do Getsêmani; dois desses almejaram elevadas posições em seu Reino; outro tornou-se o traidor. E quando Jesus ressuscitou, alguns não creram. Mas Jesus amou-os até ao fim — até à plena extensão do seu amor. Ele foi abandonado, traído, desapontado e rejeitado, contudo, amou! [1]


I. AMOR – CONCEITOS E DEFINIÇÕES TEOLÓGICAS

No grego, existem 4 palavras que dão significados ao termo “amor”.

(1) Há a palavra Eros. É caracteristicamente a palavra para o amor entre os sexos, o amor de um rapaz para com uma jovem; sempre há um lado predominantemente físico, e sempre envolve o amor sexual (Compulsão da paixão). Costuma basear-se no que vemos e sentimos; pode ser egoísta, temporário e superficial, e tornar-se concupiscência. É inferior aos outros porque muitas vezes é usado levianamente.

(2) Há a palavra philia. Esta é a palavra mais nobre no grego secular para expressar o amor. Descreve um relacionamento caloroso, íntimo e tenro do corpo, mente e espírito. É um amor circunstancial – uma amizade. Em 2 Pedro 1.7, encontramos o amor expresso pela palavra original philiíi, que significa "amor fraternal ou bondade fraterna e afeição". É amizade, um amor humano, limitado. Esse tipo é essencial nos relacionamentos interpessoais, porquanto depende de uma reciprocidade; ou seja, somos amigáveis e amorosos somente com os que assim agem (Lc 6.32).

(3) Há a palavra storgè. Esta é a palavra mais limitada na sua esfera, porque no grego secular é a palavra do amor no lar, do amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais, para o amor entre irmãos, irmãs e parentes. [2]

(4) Há a palavra Agapê que descreve uma qualidade nova que significa "amor abnegado; amor profundo e constante", como o amor de Deus pela humanidade. Esta perfeita e inigualável virtude abrange nosso intelecto, emoções, vontade, enfim, todo o nosso ser, para que pudéssemos amar com o amor que Ele nos amor. O amor (ágape) nos constrange e leva-nos a agir ao contrário daquilo que a lógica estabeleceu como padrão. (1Co.13) é o exemplo daqueles que nasceram do Espírito: vivem um amor que não busca seus próprios interesses.

O Espírito Santo a manifestará em nós, à proporção que lhe entregamos inteiramente a vida. Este predicado flui de Deus para nós que o retornamos em louvor a Deus, adoração, serviço e obediência a sua Palavra: "Nós o amamos porque ele nos amou primeiro" (l Jo 4.19). É o amor ágape descrito em l Coríntios 13. [3]


II. AMOR A DEUS - A DIMENSÃO VERTICAL

1. Amar a Deus acima de tudo. Amar a Deus é nosso maior dever e privilégio. Como fazer isso? De todo o nosso coração, alma, força e entendimento (Mt 22.36). Devemos amar a Deus com toda a plenitude de nosso ser, acima de tudo. Assim sendo, também amaremos o que Ele ama e lhe pertence: sua Palavra, seus filhos, sua obra, sua igreja e as ovelhas perdidas. 

2. O teste do amor ágape. Seu amor ágape é direcionado a Deus? Isto pode ser verificado através de sua obediência (Jo 14.15, 21, 23-24). O Espírito Santo revela-nos o amor de Deus com o intuito de amá-lo e conhecê-lo ainda mais. Nossa sensibilidade em sua direção expressa obediência, e agrada a Deus.


III. AMOR AO PRÓXIMO – A DIMENSÃO HORIZONTAL

1. O amor como um mandamento - Jesus disse que o grande e primeiro mandamento da Lei é amar a Deus com toda a força do nosso ser. E como complemento da lei, Ele acrescentou o amor ao próximo (Mt 22.36-39). Noutra ocasião, Ele disse aos discípulos: Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros (Jo 13.34). Não é estranho? Um mandamento para amar! Mas este é o ponto. A maioria das pessoas pensa que o amor é um sentimento que surge naturalmente. Mas, Não conseguiremos amar nosso semelhante com amor ágape, salvo se amarmos a Deus primeiro.

2. Os três aspectos de um mandamento - Kierkegaard, filósofo dinamarquês, escreveu sobre Os Feitos do Amor. Ele destacou três aspectos do mandamento do amor: [5]

a) TU deves amar... O mandamento do amor não é geral ou impessoal; é uma ordem de Deus a MIM e a VOCÊ.

b) Tu DEVES AMAR... Os poetas falam do amor como emoção, afeição, paixão, e desejo. A Bíblia fala do amor como um DEVER.

c) Tu deves amar O TEU PRÓXIMO. Podemos escolher nossos amigos, a namorada, o namorado, o cônjuge; não o próximo. Este, à nossa revelia, cruza o nosso caminho, senta-se ao nosso lado no ônibus, vem morar no apartamento vizinho, arranja trabalho onde nós trabalhamos, estuda onde nós estudamos, freqüenta a nossa igreja. Deus o põe ali para que o amemos.

3. O amor ágape e gratuito e expressa-se em atos – Há quem diga: Amarei o próximo na medida em que ele me amar. Mas isto é egoísmo. O verdadeiro amor é gratuito e tem prazer em dar, independentemente do comportamento da pessoa amada.
a) Amar e orar pelos nossos inimigos, Mt 5.43-48; Rm 12-17-21.
b) Amar e agir em benefício do irmão necessitado, 1 Jo 3.17-18;
c) Amar como uma prova de fé, Tg 2.14-17
d) Amar o irmão em sua integralidade, 1 Jo 4.19-21

Portanto, o verdadeiro amor não é mero sentimento, mas uma determinação de obedecer a Deus e buscar o bem estar do próximo, ele se manifestará concretamente. 


IV. AMOR A SI MESMO - A DIMENSÃO INTERIOR

1. O "amor a si mesmo" reflete o amor de Deus por nós. Pode parecer estranho sugerir que o amor ágape inclui amar a si mesmo. Mas, o mesmo mandamento que nos manda a amar o próximo, usa como referencial o “amor a si mesmo” (Mt 22.39). Este amor leva-nos a preocuparmo-nos com o eu espiritual, e a buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça, porquanto reconhecemos ser a vida eterna mais importante do que nossa existência aqui na terra (Auto-conceito, auto-imagem e auto estima).

O amor a si mesmo é caracterizado pela:
- Auto-Descrição - idéia que fazemos de nós mesmos
- Descrição de um personagem, traços de um caráter, pontos fortes e fracos e aparência física.
- Incluem pensamentos, atitudes e sentimentos que temos a respeito de nós mesmos.

Na manifestação desse amor próprio, devemos manifestar sentimentos de auto rejeição, tais como:

1) O sentimento de culpa - É um sentimento que experimentamos quando temos a consciência de que erramos em relação às leis de Deus e os padrões éticos e morais socialmente aceitos. A Bíblia diz que nós somos declarados ‘não culpados’ por causa de Cristo, I Jo 2.12; 3.19-22.

2) Um complexo de inferioridade - Esse sentimento que experimentamos quando, em função dos erros e pecados nos julgamos menores do que os outros e incapazes de agradar a Deus. Você é Santuário de Deus onde habita o Espírito Consolador que provém de Deus e que mesmo sendo o cristão tão limitado e tendencioso a pecar continuamente, somos consolados e fortalecidos pelo Espírito Santo, I Co 3.16; 1 Co 1.27; Jl 3.10

c) Uma postura de auto-piedade - Esse é um comportamento egocêntrico que termina bloqueando o fluxo final do perdão e o amor curativo de Deus. Perdemos as esperanças. Recusamo-nos a nos erguer, a tomar nossa cruz de fragilidade humana e seguir Jesus, Ec 7.16.


CONCLUSÃO

Para concluir é importante pensarmos sobre a medida do amor. Na lei, a medida do amor era o amor “a si mesmo”, (Mt 22.37-40). Na Graça, o amor ultrapassa qualquer medida, pois a medida é o amor de Deus (Jo 15.12)

Jesus almeja que amemos as pessoas como Ele nos ama: "O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo 15.12). Isso nunca seria possível mediante o amor humano, limitado. Entretanto, à medida que o Espírito Santo desenvolve a semelhança de Cristo em nós, aprendemos a amar como Cristo amou.

  

O amor é a seiva que faz com todo o restante do fruto do Espírito se manifestem em nossas vidas. Sem amor não há fruto.
Gálatas 5.22-23
I Coríntios 13.1-7
Amor
Não busca seus próprios interesses, não é egoísta ou egocêntrico.
Alegria
O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
Paz
O amor não se exaspera, mas é sereno e estável.
Longanimidade
O amor é paciente; é benigno
Benignidade
O amor é misericordioso, interessado, tem consideração pelos outros; não inveja.
Bondade
O amor é maravilhoso, cheio de graça, generoso; é bondoso e terno.
Fidelidade
O amor não malicioso, mas tem fé em
Deus e nos outros.
Mansidão
O amor é humilde e meigo;
nunca exalta a si mesmo.
Domínio Próprio
O amor é disciplinado e controlado. Não se porta inconvenientemente.




[1] GILBERTO, Antonio. Fruto do Espírito – Um Serviço Cristão. Campinas, SP: ICI – Global University, 1984.
[2] BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo, Vida Nova, 1985. reimpressão, 2003.
[3] LUCADO, Max. Um amor que vale a pena. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
[4] GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A Plenitude de Cristo na vida do crente. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
[5] KIERKEGAARD, Soren. As obras do amor: algumas considerações cristãs em forma de discursos. Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco; Petrópolis: Vozes, 2005.

Nenhum comentário: