segunda-feira, 19 de outubro de 2015

SÉRIE O FRUTO DO ESPÍRITO: ESTUDO Nº 02 - A PLENITUDE DO FRUTO DO ESPÍRITO (Gálatas 5.16-25)


Ministrado no Culto de Doutrina da 
Igreja Evangélica Congregacional Família Viva em Salgado de São Félix - PB

INTRODUÇÃO

O fruto é o resultado da presença do Espírito Santo na vida do Cristão. A Bíblia deixa bem claro que todos recebem e são batizados com o Espírito Santo no momento em que recebem a Jesus como Senhor e Salvador, Rm 8.9; 1 Co 12.13; Ef 1.13-14.

Um dos propósitos principais do Espírito Santo ao entrar na vida de um Cristão é transformar aquela vida. É a tarefa do Espírito Santo conformar-nos à imagem de Cristo, fazendo-nos mais e mais como Ele.

As obras da natureza pecaminosa são descritas em Gl 5.19-21. O apóstolo Paulo destaca aqui, muito fortemente o desenvolvimento prático da vida dominada pela carne e que tais obras “são conhecidas”.

Com “carne” Paulo quer dizer o que somos por natureza e hereditariedade, nossa condição caída, o a BLH chama de “os desejos da natureza humana”.

Sobre os que tais coisas praticam pesa um juízo divino: a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. (v. 21) [1]

Enquanto que a nossa carne pecaminosa produz certos tipos de obras, o Espírito Santo produz um tipo fruto em nossa vida.


I. CARNE E ESPÍRITO – A REALIDADE DO CONFLITO
"Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer." (Gl 5.16-17)

O vers. 16 diz: “andai no Espírito” – “Andar em Espírito (ARC) significa conduzir-se duma madeira tal que o comportamento e, por extensão, toda a vida sejam ordenados e submetidos ao governo do Espírito Santo. Só assim poderá realmente ser cumprida a lei do amor”. [2]

Os combatentes no conflito cristão são chamados de “a carne” e ‘‘o Espírito”.

a) Com “carne” Paulo quer dizer o que somos por natureza e hereditariedade, nossa condição caída, o que a Bíblia na Linguagem de Hoje chama de “os desejos da natureza humana”. A “carne” representa o que somos por nascimento natural.

b) Com “Espírito” ele parece referir-se ao próprio Espírito Santo, que nos renova e regenera, primeiro dando-nos uma nova natureza e, então, permanecendo em nós. O “Espírito” o que nos tornamos pelo novo nascimento, o nascimento do Espírito, Ef 4.22-24.

Estes conflito e vivido em três perspectivas:[3]

1. Situação de luta - o “andar no Espírito” (v. 16)‖ não transcorre sem conflito nem além da luta entre bem e mal, na qual cada ser humano está inserido conforme a criação.

2. Situação de luta acirrada – O homem nascido de novo, vive uma situação de luta acirrada contra esse desejar da carne. Ele faz renúncias necessárias, contra a sua vontade de desfrutar prazeres de todo tipo, a manifestação de sentimentos rivais em relação ao próximo, ou a tendência para todas as nuanças de hipocrisia, v.24

3. Supremacia do Espírito. Carne e Espírito, porém, não estabelecem um dualismo equilibrado. O versículo anterior, que atestava a supremacia do Espírito, não pode ser esquecido tão rapidamente. A revolta da carne indubitavelmente cria problemas que são profundos e reais, mas eles não triunfam. O crente não luta com o desespero na espinha, mas com a vitória nas costas. ―Somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou‖ (Rm 8.37).

Portanto, estes dois, a carne e o Espírito, vivem em ferrenha oposição. Eles nos empurram para direções opostas. Existe entre os dois “uma rivalidade interminável e mortal”. E o resultado desse conflito é: “para que não façais o que porventura seja do vosso querer”, v. 17.

Uma ilustração perfeita deste conflito encontra-se em Rm 7.18-25.


II. FRUTO DO ESPÍRITO – QUANTO A SUA ORIGEM
"Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei." (Gl 5.22-23)
É significativo o uso do singular “fruto” ao invés do plural, porque este último sugeriria produtos diversos, enquanto o verdadeiro alvo de Paulo é demonstrar os vários aspectos da única colheita. Nenhuma destas qualidades que Paulo menciona pelo nome pode ser isolada e tratada como uma finalidade em si mesma. Portanto, o fruto do Espírito é o produto normal de cada crente guiado pelo Espírito.

1. A sua origem é sobrenatural: "do Espírito" (genitivo grego que indica fonte ou causa). Enquanto as "obras da carne" são atos que praticamos naturalmente, o "fruto do Espírito" é de responsabilidade do próprio Espírito. Precisamos ter humildade, pois não podemos produzir este fruto.

2. O seu crescimento é natural. O "fruto" faz parte da "lei da semeadura e da colheita": "aquilo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7).


III. FRUTO DO ESPÍRITO – QUANTO A SUA CLASSIFICAÇÃO [4]
Temos aqui um aglomerado de nove graças cristãs que parecem descrever a atitude do cristão para com Deus, outras pessoas e de mesmo.

a) Amor, alegria, paz - Esta é uma tríade de virtudes cristãs universais. Mas parece que se referem principalmente a nossa atitude para com Deus, pois o primeiro amor do cristão é o seu amor a Deus, sua principal alegria é a sua alegria em Deus e a sua paz mais profunda é a sua paz com Deus. Assim, podemos dizer que “amor, alegria, paz” vão principalmente na direção de Deus.

b) longanimidade, benignidade, bondade. São virtudes sociais, principalmente voltadas para os outros e não para Deus. “Longanimidade” é paciência para com aqueles que nos irritam ou perseguem. “Benignidade” é uma questão de disposição, e “bondade” refere-se a palavras e atos. Estas virtudes “longanimidade, benignidade, bondade”, caminham na direção do homem.

c) fidelidade, mansidão, domínio próprio. “Fidelidade” parece descrever a certeza de se poder confiar em uma pessoa cristã. “Mansidão” é aquela atitude de humildade que Cristo tem (Mt 11.29; 2 Co 10.1). E ambas são aspectos do “autocontrole” ou “domínio próprio”, que encerra a lista. “Fidelidade, mansidão, domínio próprio”, para consigo mesmo.

E todos eles são “o fruto do Espírito”, o produto natural que aparece na vida dos cristãos dirigidos pelo Espírito. Por isso Paulo acrescenta novamente: Contra estas cousas não há lei (versículo 23), pois a função da lei é controlar, restringir, impedir, e aqui não há necessidade de limitações.


CONCLUSÃO
"E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros." (Gl 5.24-26)

Aqueles que são verdadeiramente de Cristo devem ser como Ele na participação da cruz. Eles crucificaram a carne. Idealmente, isto aponta para a sua identificação com Cristo na Sua morte (2.20). Praticamente, enfatiza a necessidade de carregarmos o princípio da cruz na vida redimida, uma vez que a carne, com as suas paixões e desejos continua sendo uma realidade sempre presente (cons. 5:16, 17). A mesma tensão entre a provisão divina e a apropriação humana se encontra em relação ao Espírito. [5]

A Bíblia NVI, o vers. 16 está escrito assim: “Por isso digo: VIVAM pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne”.

Agora não se diz, “vivam pelo Espírito”, como foi dito no versículo 16, nem “são guiados pelo Espírito”, versículo 18, mas “andemos pelo Espírito”. A palavra stoichein (andar), originalmente era um termo militar. Significa “marchar em ordem”, “formar fila”. A vida dos cristãos se realiza através de um caminho ajustado ao Espírito e regido segundo este Espírito. [6]


_________________________
[1] GUTHIRIE, Donald. Gálatas – Introdução e Comentário. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1999.
[2] BOYD, Frank M. Gálatas - Comentário do Novo Testamento. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 1996.
[3] POHL, Adolf. Carta aos Gálatas – Comentário Esperança. Curitiba, PR: Editora Evangélica Esperança, 1995.
[4] STOTT, John. A Mensagem de Gálatas: Somente um caminho. São Paulo, SP: ABU Editora, 2007.
[5] PFEIFFER, Charles F; HARRISON, Everett F. Gálatas: Comentário Bíblico, vol 2. São Paulo, SP: Editora Batista Regular, 2010.
[6] SOARES, Germano. Comentários de Gálatas. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2009.

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