segunda-feira, 12 de outubro de 2015

SÉRIE O FRUTO DO ESPÍRITO: ESTUDO N° 01 - A VIDEIRA E O FRUTO DO ESPÍRITO (João 15.1-16)


Ministrado no Culto de Doutrina da
Igreja Evangélica Congregacional Família Viva em Salgado de São Félix (PB)


INTRODUÇÃO

No interior de cada crente é travado um grande conflito: o Espírito contra a carne. “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”, Gl 5.17.

O apostolo Paulo manifestou aos romanos toda a malignidade desta guerra interior, Rm 6.18-25

Até o dia da nossa conversão, a "carne" ou a natureza pecaminosa reinava sozinha. Nascemos de novo e o Espírito Santo veio habitar em nós com o objetivo de controlar e mudar toda a nossa vida. O conflito é inevitável, mas se desejamos uma vida cristã vitoriosa, devemos entregar o controle e a direção da nossa vida ao Espírito Santo. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito (Gl 5.25). O Espírito Santo reinando em nós produzirá o caráter cristão. Ele produzirá em nós as virtudes do caráter de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo chama estas virtudes de o "Fruto do Espírito Santo". O princípio da frutificação encontra-se em Génesis 1.1. Note que cada planta e árvore devia produzir fruto segundo a sua espécie. A frutificação espiritual segue a mesma regra.

O texto base para INTRODUÇÃO ao estudo sistemático sobre o Fruto do Espírito começa por João 15.1-16. Jesus é a videira e seu Pai é o Agricultor. Os discípulos são os ramos. Ele se dirige aos onze discípulos que ainda estavam com ele enquanto se preparava para ir para o Jardim do Getsêmani. Eles eram os ramos que deviam permanecer com ele até o fim. Os ramos que não produziram frutos e foram cortados são representados por Judas, que já tinha se retirado a fim de denunciar Jesus aos líderes judeus, mais tarde, naquela noite.

Jesus usou a ilustração da videira por, pelo menos, três boas razões: 


(1)
seus discípulos reconheceriam imediatamente a analogia, porque Israel era freqüentemente mencionado como uma vinha nas Escrituras do Antigo Testamento;
(2) as videiras cresciam por toda parte na Palestina, e quando Jesus falou sobre os procedimentos de poda, ele descreveu exatamente o que os vinhateiros faziam para produzir boas colheitas de uvas;
(3) e a videira e os ramos ilustram perfeitamente o tipo de relacionamento que deve existir entre Jesus e aquele que deseja ser seu discípulo.

Essa analogia é para todos os cristãos. Quem quer conhecer a vida e produzir fruto, deve estar ligado a Jesus Cristo. [1]

Em João 15.1-16, Jesus enfatizou este princípio esclarecendo aos seus seguidores que, a fim de se desenvolverem espiritualmente, precisavam apresentar abundante fruto para Deus.

De que tipo de fruto Jesus estava falando? A resposta encontra-se em Gálatas 5.22. Por conseguinte, o fruto do Espírito desenvolve no crente um caráter semelhante ao de Cristo, que reflete a imagem de sua pessoa e a natureza santa de Deus.

A glória pelo fruto gerado não pertence ao ramo, mas ao vivificador que lhe transmite vitalidade, a fim de que este tenha uma colheita abundante.


I. O QUE E O FRUTO?

A metáfora do "fruto" aparece várias vezes no Novo Testamento, designando sempre algum "resultado" (Mt 3.8; 7.16; Rm 1.13; Ef 5.9; Hb 13.15). O fruto do Espírito são qualidades morais divinamente implantadas. São resultados da ação do Espírito em nosso caráter. Os ramos só têm duas finalidades: eles só servem para produzir fruto ou para serem queimados. Deus, como viticultor espera frutos de nós.

Qual é a importância de se produzir frutos? Jesus diz: “Eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15.16). Estamos aqui para cumprirmos os sonhos de Deus e trazermos glória para o seu nome através de uma vida frutífera.

1. A sua origem é sobrenatural: "do Espírito" (genitivo grego que indica fonte ou causa). Enquanto as "obras da carne" são atos que praticamos naturalmente, o "fruto do Espírito" é de responsabilidade do próprio Espírito. Precisamos ter humildade, pois não podemos produzir este fruto.

2. O seu crescimento é natural. O "fruto" faz parte da "lei da semeadura e da colheita": "aquilo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7).  O nosso interior é como um campo onde estamos semeando diariamente. Aquilo que você semear você irá colher. "Semeie um pensamento, e você colherá uma ação; semeie uma ação, e você colherá um hábito; semeie um hábito e você colherá um caráter; semeie um caráter e você colherá um destino". Se você deseja que o Espírito Santo produza o fruto em você, forneça-lhe os meios: oração e leitura bíblica. "A graça nos confere os meios para colhermos abundante safra espiritual".[2]

3. A sua maturidade é gradual. Antes de ser um fruto maduro, há etapas que precisam ser cumpridas. Isto demanda tempo: primeiro a flor, depois o embrião e por fim, o fruto (Mc 4.28). O Espírito Santo não tem pressa e um caráter cristão maduro é resultado de uma vida inteira.


II. A SINGULARIDADE DO CARÁTER CRISTÃO

1. A pessoa é identificada pelo seu fruto. Em Mateus 7.15-23, deparamo-nos com declarações notáveis, proferidas pelo Mestre, acerca da importância do caráter. Assim como nós, os falsos profetas são reconhecidos pelo tipo de fruto que produzem (Mt 7.16-19).

2. Os sinais contestados pelo fruto. Jesus acrescentou que algumas pessoas fariam muitas maravilhas, expulsariam demônios em seu nome, porém, Ele jamais as conheceria (Mt 7.22-23). 

Como é possível? A resposta é encontrada em 2 Tessalonicenses 2.9. Este trecho bíblico comprova ser possível Satanás imitar milagres e dons do Espírito. Contudo, o fruto do Espírito c a marca daqueles que possuem comunhão com o Senhor (Mt 7.17-18; l Jo 4.8), e jamais poderá ser imitado.


III. A VIDEIRA E SEUS RAMOS

1. Os ramos que não produzem fruto são arrancados (Jo 15.2) - O propósito do ramo é produzir fruto. Se isto não ocorre, o ramo perde sua valia, por isso o lavrador o tira. o quadro é de um vinhateiro que retira o galho morto e se refere aos cristãos apóstatas que nunca creram verdadeiramente e são tirados para aguardar o julgamento.[3]

Outro triste exemplo deste tipo de sentença é encontrado na história de Israel. Este povo foi designado para ser a videira de Deus, a fim de refletir o amor, a misericórdia, a bondade e a glória de Deus entre as nações. Mas fracassou, e veio o julgamento (Is 5.1-7; Rm 11.21).

2. Os ramos que não permanecem ligados à videira são lançados no fogo (Jo 15.6). - O ramo, ao ser arrancado do tronco, começa a secar e a morrer, porquanto, ao afastá-lo da videira, o fluxo da seiva é imediata mente interrompido, ou seja, a ligação vital entre eles cessa, ocasionando a morte do ramo, recolhido e queimado depois.

A inutilidade de um ramo ou de uma arvore infrutífera é demonstrado na Palavra de Deus de trágica:
a) O ramo infrutífero ele é cortado e lançado no fogo, Jo 15.6
b) A arvore que não produz o fruto desejado é amaldiçoado pelo próprio Deus, Mc 11.12-14,20-21.
c) A arvore sem fruto é classificada como inútil, e deve ser cortada, Lc 13.6-9.

“O fogo é o lugar mais adequado para os ramos murchos; não são bons para outra coisa. Procuremos viver mais simplesmente da plenitude de Cristo, e crescer mais frutíferos em todo bom dizer e fazer, para que seja pleno nosso gozo nEle e em sua salvação” (Mathew Henry)[4]

3. Os ramos que dão fruto são podados (Jo 15.2). - O desejo do lavrador é que o fluxo da seiva seja transportado até aos ramos produtivos, e não aos estéreis e inúteis. A podadura do ramo é um processo indispensável porque objetiva produzir maior quantidade e melhor qualidade de fruto. A frase "limpa toda vara que dá fruto" acontece através da disciplina do Senhor em nossa vida. 

A disciplina (instrução e correção) tem propósito definidos (Hb 12.4-11)
a) É prova de que Deus nos ama, v. 6
b) Nos ajuda a ser perseverantes na fé, v, 7
c) Mostra a nossa condição de filhos de Deus, v, 8
d) Tem propósito definido – sermos santos, v, 10
e) A disciplina nos traz tristeza temporária e produz frutos, v, 11

Muitos cristãos pedem a Deus que possam dar mais frutos, mas não gostam do processo necessário de poda pelo qual devem passar em resposta a essa oração. A dor é grande quando remove algo que consideramos precioso; mas à medida que a "colheita espiritual" é produzida, vemos que o Pai sabia o que estava fazendo.[5]
IV. AS CONDIÇÕES PARA A FRUTIFICAÇÃO ESPIRITUAL

Ao examinarmos os ensinamentos registrados em João 15 acerca da frutificação espiritual, percebemos que há pelo menos três condições para uma abundante colheita:

1. A poda feita pelo Pai - Como estudamos anteriormente, a poda é necessária para a produção do fruto do Espírito. Depois de sermos salvos, o Espírito Santo nos convence de áreas em nossa vida que precisam progredir em santificação (l Ts 5.23; Hb 12.10-14; 2 Co 7.1).  Na vida do cristão, este processo é efetuado pelo Pai através de circunstâncias que resultam em amadurecimento e dependência de Deus. Barclay comenta que: Uma vinha nova não era deixada a florescer durante os três primeiros anos. Cada ano era podava para que se desenvolvesse e conservasse a vitalidade e a energia.[6]

Qual a lição que tiramos disso:
a) Os discípulos foram treinados durante três anos pelo Senhor Jesus;
b) Três anos foi o tempo de treinamento de Paulo no deserto da Arábia, Gl 1.17-18.

Como um galho na videira verdadeira precisamos ser treinados (podados) para que venhamos produzir o fruto desejado pelo Supremo Agricultor.

2. A permanência em Cristo (em amor e alegria) - Jesus usou o verbo permanecer (15 vezes) quando descreveu a relação entre ele e seus seguidores. Ele asseverou: "Permanecei em mim, e eu, em vós" (Jo 15.4).

A primeira parte desta frase: "Permanecei em mim", diz respeito à nossa posição em Cristo. Permanecer em Cristo refere-se a nossa unidade e comunhão com ele (Ef 2.6). Meditando na partícula em, chegamos à conclusão de que onde estamos é de grande significância.[7]

Esta permanência em Cristo tem suas implicações:
a) Temos respostas as nossas orações, v.7
b) Experimenta um amor cada vez mais profundo por Cristo e por outros cristãos, v. 9-10; 12-13
c) Temos alegria completa, v.11
d) Há um vínculo de amizade com Cristo, v. 14
e) É a prova de que soberanamente somos eleitos, v. 16

Chamo a atenção para o v. 9, quando diz “permanecei no meu amor”. Aqui não uma afeição mística ou emocional, mas obediente, como está definido no versículo 10. Tudo isso produz uma alegria sem fim, v.11.

3. A permanência de Cristo em nós - A segunda parte da frase: "E eu permanecerei em vós" (Jo 15.4b) está relacionada a nossa semelhança com Cristo aqui na terra, isto é, à manifestação do perfeito caráter de Cristo em nós por intermédio do Espírito. É a santidade de Cristo refletindo-se através de nossa vida.

Vejamos alguns exemplos:
a) O lavrador. Os lavradores compreendem a importância de ter uma abundante fonte de vida fluindo da videira até ao fruto.
b) O fruto. A qualidade do fruto é proporcional à quantidade de seiva recebida da videira e por ele conservada. Nossa natureza é transformada à medida que Cristo permanece em nós (2 Co 3.17,18).
c) A seiva. É a seiva que conserva os ramos vivos e frutíferos. Da mesma maneira, é Cristo que nos sustenta, mediante a presença do Espírito Santo, e faz-nos viver de modo consistente e frutífero. A vida frutífera só é possível por meio desta relação: o cristão EM Cristo.


CONCLUSÃO

Certa feita Jesus estava indo para Jerusalém e teve fome. Ele olhou para uma figueira e viu muitas folhas. Ele foi procurar fruto e não achou. Aquela figueira anunciava fruto, mas não tinha fruto. Então, Jesus fê-la secar. Ela nunca mais produziu fruto. Fruto é o que o Senhor espera de nós e não folhas. Ele não se contenta com aparência, mas ele quer fruto. Nossa união com Cristo é uma união viva, por isso podemos dar frutos; é uma união afetuosa, por isso podemos desfrutar nosso relacionamento com ele; é, também, uma união duradoura, por isso não precisamos temer.

___________________
[1] MACARTHUR, John. João: Estudos Bíblicos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. P.63
[2] HOLLOMAN, Henry. O poder da santificação. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.29-30.
[3] MACARTHUR, John. João: Estudos Bíblicos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. P.64
[4] HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do AT e NT. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1711
[5] WIERSBE, Warren w. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento, vol 1. Santo André: Geográfica Editora, 2006.
[6] BARCLAY, William, Comentário Bíblico do Novo Testamento. Versão em português, de domínio publico.
[7] BRUCE, F. F. Comentário Bín]blico NVI: Antigo e Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2008, p. 1739


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