domingo, 11 de outubro de 2015

ESTUDO Nº 15 - TESTEMUNHO E ASSISTÊNCIA SOCIAL (1 Coríntios 16.1-4)




INTRODUÇÃO

Você já percebeu como são inúmeros os problemas que uma igreja enfrenta? Entre tantos, um dos problemas é o financeiro, ou seja, a falta de recursos e mesmo a questão da aplicação daqueles poucos existentes. 

Algumas comunidades vivem estagnadas, sem poder realizar empreendimentos maiores, sendo que o argumento é sempre o mesmo: Não há recursos financeiros. Percebem-se algumas igrejas vivendo apenas de modo a manter o que já possui, pois o que se arrecada só dá para pagar as despesas gerais. 

Diante deste quadro, como pensar em contribuir para atender às necessidades dos outros? Será possível socorrer alguém enquanto a igreja tem os seus compromissos financeiros?

Aqui está um grande desafio que precisa ser questionado e enfrentado pela Igreja de Cristo.

“O apóstolo Paulo termina o capítulo 15 nas alturas excelsas da revelação de Deus, falando-nos sobre a ressurreição de Cristo, a ressurreição dos remidos, a segunda vinda de Cristo, a vitória retumbante sobre a morte, a transformação dos remidos e a consumação de todas as coisas. Após descrever essas verdades gloriosas, Paulo conclui sua carta falando de dinheiro”. [1]

Precisamos entender que a responsabilidade social da igreja não pode ser desassociada da sua teologia do mundo porvir. A nossa teologia acerca das coisas futuras não é escapismo da nossa responsabilidade com as coisas do aqui e do agora.

Sabe-se que no ano 48 d.C. houve grande fome na Judéia e que vários cristãos judaicos viviam em estado de pobreza, carentes de auxílio (At 11.28; Rm 15.26). A «...fome...» predita por Ágabo também ficou registrada na história. Tácito e Suetônio se referem a diversos períodos de fome durante o reinado de Cláudio (41-54 D.C.). Josefo menciona uma fome especialmente severa na Judéia, que ocorreu em 46 D.C., a qual, sem a menor sombra de dúvida, é a escassez aqui referida por Lucas.[2]

A visão paulina é de que a igreja precisa entender que evangelização produz serviço global. Este serviço é altamente enfatizado em seus escritos, bem como os seus positivos resultados (II Co 9.12-14).

Paulo fala aqui de um levantamento de recursos para suprir uma necessidade emergente de irmãos na fé que passavam por uma grave e avassaladora crise econômica. É um socorro a pessoas necessitadas de Jerusalém. O princípio de Paulo é que os cristãos devem doar, do ponto de vista financeiro, para outras pessoas.


1. CONTRIBUIÇÃO SOLIDÁRIA EXPRESSA A UNIDADE DA IGREJA

Realmente, a situação dos cristãos naquela época não era muita boa. Havia pobreza e isto constituía num forte desafio para a Igreja. Era hora de demonstrar uma fé solidária. É neste momento que a igreja é conclamada a revelar a sua verdadeira unidade, indo ao encontro dos carentes. 

A Bíblia diz que quando um membro da igreja sofre, todos sofrem juntos (I Co 12.26). Assim sendo, a igreja só vai bem quando se alcança esta compreensão da família cristã, aonde cada membro se preocupa em ajudar. 

Não podemos esquecer que aquilo que tem a ver com a vida financeira também faz parte do testemunho cristão. Quando a igreja se une em prol dos necessitados, ela dá um testemunho positivo. A igreja é aquela que olha de modo solidário para as pessoas carentes neste mundo tão sofrido. 

É importante dizer que a igreja não pode revelar sua unidade só na hora de cantar, de orar, de evangelizar etc., pois esta unidade não pode faltar também quando é preciso socorrer as pessoas carentes. Quando há união, há força, há recursos, muitos são ajudados e a igreja demonstra a sua verdadeira saúde espiritual. (At 2.42-47).


2. A CONTRIBUIÇÃO SOLIDÁRIA TRADUZ EM AÇÃO O ENSINO DE JESUS

Jesus Cristo sempre se demonstrou solidário com as pessoas mais carentes. Ele foi ao encontro dos indivíduos sofridos, oprimidos e injustiçados de seu tempo. Em seu ministério público, percorrendo vários caminhos, a solidariedade e o socorro aos carentes era algo real (Mt 9.35- 36). Seu ensino sempre apresentou o desafio para repartir com os menos favorecidos (At 20.35). 

O próprio Cristo se deu totalmente pelos outros. Paulo declara o seguinte: "pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tomásseis ricos" (1 Co 8.9).

Os cristãos de Corinto compreenderam claramente a mensagem de Cristo e exerciam com zelo e dedicação atitudes de socorro como sinal de obediência ao ensino deixado por ele (II Co 9.1-2). 

É lógico que todo cristão está desafiado a viver de modo a imitar os exemplos deixados por Jesus. Ele é o modelo, o exemplo maior a ser seguido. Nele residem todos os ensinamentos que a igreja deve cultivar e externar ao mundo. Ser cristão não é só usufruir dos privilégios conferidos por Cristo e pela sua igreja, mas fazer o que Cristo fez especialmente indo ao encontro dos que sofrem, a fim de minorar a sua dor. A igreja só irá bem se seus membros estiverem dispostos a imitar verdadeiramente os ensinamentos deixados pelo Mestre.


3. A CONTRIBUIÇÃO SOLIDÁRIA É EXERCIDA A PARTIR DE DIRETRIZES CORRETAS[3]

3.1 - Divulgar as necessidades (16.1) - A primeira orientação é que as necessidades devem ser divulgadas de maneira clara e precisa. Observe que Paulo não é só direto, mas também enfático: "Ordenei às igrejas da Galácia". Ele não é tímido nem está se desculpando por pedir dinheiro.  

O fato de ajudar os carentes é questão bíblico-teológica e temos em apóstolo todo o desenvolvimento teológico desta verdade:

a) Oito anos antes de escrever essa carta Paulo já assumira um compromisso público com os apóstolos Pedro [Cefas], Tiago e João, líderes da igreja de Jerusalém, de que ele iria para os gentios e de que além de realizar o seu ministério entre eles também cuidaria dos pobres, Gl 2.9-10;

b) Diante da crise, A igreja de Antioquia já havia enviado uma ajuda financeira para os pobres da igreja de Jerusalém (At 11.29,30).

c) Paulo escreveu 2 Coríntios mais ou menos um ano depois de I Coríntios. Ele dá testemunho de que esse projeto de levantamento de ofertas para a igreja pobre de Jerusalém havia sido um sucesso (2 Co 8.2-4). 

d) Dois anos depois, quando ele fez um apelo à igreja de Roma, ele incluiu Corinto (Acaia) como um bom exemplo (Rm 15.26). 

e) Paulo entendia que as igrejas gentílicas deveriam abençoar financeiramente a igreja de Jerusalém pelos benefícios espirituais recebidos dela (Rm 15.25-27).

3.2 - Incentivar a contribuição como ato de adoração (16.2) - Depois de apresentar a necessidade, Paulo não hesitou em propor planos funcionais para contrabalançar a fraqueza humana nesta área. Ele recomenda que as pessoas comecem a dar sistematicamente. 

Era o "Dia do Senhor", dia principal de culto em Corinto e nas igrejas da Galácia. O ato de ofertar é um ato cúltico. E um ato de adoração. É por isso que ele recomenda vincular essa oferta ao primeiro dia da semana. Doar é um ato de adoração ao Salvador ressurreto. Devemos fazê-lo com espontaneidade e alegria , Fp 4.18.

Sobre o “primeiro dia da semana”, Erdman escreveu: “O primeiro dia da semana” já era reconhecido no tempo de Paulo como o dia do Senhor, dia da ressurreição. É um dia conveniente para atos regulares, como este, de culto cristão — contribuir para o sustento da obra do Senhor.[4]

É preciso começar a dar regularmente, utilizando os recursos que temos hoje (II Co 8.7,11; 9.6-9). John MacArthur, escreveu: “Um dos elementos do culto é dar ofertas a Deus em resposta agradecida por suas inúmeras bênçãos. Vamos à igreja para o culto porque Deus quer se encontrar e falar conosco a partir de sua Palavra. Cantamos seus louvores, confessamos nossos pecados, expressamos ações de graças por orações respondidas e apresentamos nossos pedidos. Demonstramos a ele nosso amor não só fazendo a sua vontade, mas também oferecendo nossas ofertas”. [5]

3.3 - Dar proporcionalmente (16.2) - A terceira orientação para a contribuição bíblica é que ela deve ser proporcional. Os que ganham mais devem dar mais. Os judeus sabiam que tinham de dar o dízimo, pois isto era praticado já antes de Moisés, sendo que Abraão deu o dízimo de tudo a Melquisedeque (Gn 14.20). 

Se 10% era a orientação básica para os judeus, deveria ser o mínimo para os cristãos. "Eu sou adepto do dízimo gradual", afirma o Dr. C. P. Wagner. Quando nosso ganho aumenta, nossa percentagem de contribuição deveria aumentar também. 

3.4 - Colher os benefícios pessoais da contribuição - Este ponto está embasado em II Coríntios 9. Será que os cristãos podem dar na intenção de também receber? É claro que não. Os cristãos dão porque isto agrada a Deus e o glorifica, e porque beneficia os outros. Entretanto, Paulo diz que os que plantam pouco, colhem pouco e os que plantam muito, colhem muito (II Co 9.6, Lc 6.38; Pv 3.9-10) 

3.5 - O dinheiro deve ser administrado com transparência (16.3-4) - Paulo envia com cartas o dinheiro levantado à Judéia. Paulo tinha um comitê financeiro responsável para conduzir essa oferta levantada à igreja de Jerusalém (2 Co 8.16-24). Muitos obreiros perdem a credibilidade do seu testemunho pela falta de transparência em lidar com o dinheiro.


Para concluir:

Pedir dinheiro de uma forma ética, bíblica, e correta, para motivos corretos é tão moral quanto você cuidar de sua família. Fazer doações para causas cristãs é uma obrigação cristã como ir à igreja, orar ou ser fiel à esposa. Pastores que ficam sem jeito, com medo, com muita preocupação de pedir dinheiro à igreja, ou falar de dinheiro à igreja para causas justas, não agem em consonância com a Bíblia. Jesus diz: “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20.35).[6]

Uma igreja que tem recursos financeiros tem também responsabilidade de ajudar os pobres.

____________________
[1] LOPES, Hernandes Dias Lopes, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008.
[2] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado – Vol. IV, I Coríntios a Efésios. São Paulo: Editora Candeia, 1995
[3] WAGNER, C. Peter. Se Não Tiver Amor. Curitiba: Luz e Vida, 1982.
[4] ERDMAN, Charles R. Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1957.
[5] MACARTHUR, John. I Coríntios - Estudos bíblicos de John MacArthur. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
[6] LOPES, Hernandes Dias Lopes, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008.


Nenhum comentário: