quarta-feira, 7 de outubro de 2015

ESTUDO Nº 14 - RESSURREIÇÃO E VIDA FUTURA (1 Coríntios 15.1-28)



INTRODUÇÃO

Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé. Foi o que afirmou Paulo aos cristãos de Corinto que, embora muito bem doutrinados (At 18. 1,11), ainda não criam na ressurreição do Filho de Deus. Por isso, o apóstolo escreveu o que viria a chamar-se o "Grande Capítulo da Ressurreição". Nessa passagem, encontram-se as provas irrefutáveis da ressurreição de Cristo e as bases escriturísticas da glorificação dos santos ao ressoar da última trombeta. 

Aceitar a doutrina da ressurreição e da vida eterna não é fruto de raciocínios humanos, de concepções filosóficas, nem tão pouco de meras tradições, mas, o resultado da leitura e estudo da Palavra de Deus, acompanhados da ação orientadora do Espírito Santo. 

Entretanto, já no tempo de Jesus, como também entre os cristãos da era apostólica, haviam aqueles que não acreditavam na ressurreição: 

a) Os Saduceus, Mt 22.23 - Os saduceus, os teólogos liberais de Jerusalém, influenciados pela filosofia grega, não acreditavam na ressurreição do corpo. Negavam a ressurreição e a existência de uma vida eterna após a morte, afirmando que a alma perecia junto com o corpo. Em determinada ocasião, Paulo se aproveitou dessa divergência entre saduceus e fariseus para dividir o Sinédrio que ia julgá-lo. (At 23.6; 24.21).[1]


b) Alguns teólogos de Corintos, I Co 15.12  - A igreja de Corinto começou a abandonar a sua fé e a substituir a teologia pela filosofia grega. A filosofia grega acreditava na imortalidade da alma, mas não na ressurreição do corpo. Ela acreditava na vida futura, mas não na ressurreição.[2]

Quando Paulo pregou sobre a ressurreição na cidade grega de Atenas, o povo escarneceu de Paulo (At 17.32). Para os gregos a ressurreição era algo intolerável e absurdo. Para muitos a ressurreição era algo incrível (At 26.8).

c) Os crentes de Tessalônica também tinham essa dificuldade, I Ts 4.13-14. - Os crentes de Tessalônica eram ignorantes a respeito do que acontece aos crentes que morrem antes da vinda do Senhor Jesus e, por isso, ficavam tristes sem motivos. Por ignorância não sabiam o que acontecia e onde estariam os crentes que morrem.


ASPECTOS CONCEITUAIS E TEOLÓGICOS ACERCA DA RESSURREIÇÃO

1. Conceito - Ressurreição, a palavra significa: ação de ressurgir; vida nova; renovação; surgir novamente; voltar à vida; tornar a manifestar-se; viver de novo.  No Novo Testamento, as palavras gregas para ressurreição: Anastasis, ressurreição; Anazao, voltar à vida, viver de novo; Egeiro, acordar, despertar, levantar. 

A primeira coisa que virá a acontecer quando da Volta de Nosso Senhor Jesus Cristo, será a ressurreição dos mortos em Cristo, isso deverá acontecer num momento antes do arrebatamento da Igreja, 1 Ts 4.15-16. [3]

E. M. Bounds corretamente afirma: “A ressurreição de Cristo é a pedra fundamental da arquitetura de Deus, é o coroamento do sistema bíblico, o milagre dos milagres. A ressurreição salva do escárnio a crucificação e imprime à cruz glória indizível”. [4]

2. A profecia no Antigo Testamento - A verdade da ressurreição dos mortos permeou de forma marcante as escrituras hebraicas. As três principais são: Jó, Davi e Daniel.

a) A profecia de Jó. Jó é considerado contemporâneo dos personagens do livro de Génesis, numa remota antiguidade. Em seu livro, no capítulo 19 e versículos 25 a 27, o patriarca afirmou que após sua morte, ressurgirá e verá claramente o seu Redentor.

b) A profecia de Daniel. Considerado o principal escritor apocalíptico do Antigo Testamento, refere-se assim esse profeta: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno" (Dn l 2.2).

c) A profecia de Davi. O rei Davi, que também era profeta, já antevia, por inspiração divina, que o Messias provaria a morte, mas haveria de ressuscitar dentre os mortos (SI 16.10; At 2.34).

CONTEXTUALIZAÇÃO

a) No texto base o apostolo inicia evocando testemunhos históricos inquestionáveis a respeito da ressurreição de Cristo (vv.3-8). 

b) Em seguida ele argumenta que, sem a ressurreição, a vida perde o seu significado, e a esperança torna-se inútil (vv.12-19).

c) Ele prossegue explicando a ressurreição de Cristo como um fato inegável, constituindo-se na garantia de nossa ressurreição (vv.20-28). 

d) O apóstolo fala, também, da necessidade de uma vida sóbria, justa e santa, face à realidade da ressurreição (vv.29-34). 

e) Daí ele conclui discorrendo sobre a situação dos ressuscitados e dos vivos, cujos corpos serão transformados por ocasião da segunda vinda gloriosa do Senhor Jesus, sendo assim finalmente concretizada a grande vitória da vida sobre a morte (vv.35-58). 


A partir desse texto pode-se destacar:


1. A GARANTIA DA RESSURREIÇÃO E DA VIDA FUTURA - Os planos de Deus pareciam estar frustrados com a queda de Adão e Eva. O pecado trouxe maldição e morte para o corpo humano (Gn 2.15-17; 3.16 e 17), porém, a ressurreição é a garantia de que a pessoa voltará a ter um corpo santo, que pode permanecer diante de Deus, sem que morra (Ap 22.3-5). A ressurreição é fruto da providência de Deus.  

O credo apostólico – uma das mais antigas declarações de fé dos cristãos - encerra em seu conteúdo a crença na ressurreição e na vida futura: "Creio... na ressurreição do corpo e na vida eterna". 

A Confissão de Fé de Westminster declara que "todos os santos que, pelo Espírito de Deus e pela fé estão unidos a Cristo, têm com Ele comunhão nas suas graças, nos seus sofrimentos, na sua morte, na sua ressurreição e na sua glória".[5] 

A ressurreição coincide com a segunda vinda de Cristo, com a revelação do Dia do Senhor, com o fim do mundo, e coloca-se imediatamente antes do juízo final e geral. A ressurreição dos mortos está diretamente relacionada com a segunda vinda de Cristo (Ap 20.11-15; I Ts 4.14-17). 

A nossa ressurreição jamais pode ser concebida sem o Cristo ressurreto. De acordo com John Syder, a ressurreição "nos fala de uma maneira tão forte porque o próprio Deus fala através dela e nos declara que Ele ressuscitou a Jesus dentre os mortos, e nos ressuscitará nos últimos dias". É oportuno lembrar, também, que os ímpios ressuscitarão, mas "para vergonha e horror eternos" (Dn 12.1-3).[6]


2. A EXPECTATIVA CRISTÃ QUANTO À RESSURREIÇÃO E A VIDA FUTURA - Infelizmente, há incalculável número de pessoas acreditando na reencarnação, que é uma crença pagã muita antiga e sem qualquer fundamento bíblico. 

O que é a reencarnação? Trata-se da crença de que a alma, ou o elemento psíquico do ser humano, passa para um outro corpo após a morte, fato esse que pode repetir-se muitas vezes com o mesmo indivíduo. A reencarnação indica o renascimento em outro corpo da mesma espécie, especialmente humano, ao passo que a metempsicose aponta para a travessia de fronteiras mais diversificadas: plantas, animais, seres humanos, demoníacos e divinos.[7]

A doutrina da reencarnação é oposta à Bíblia. Aquele que crê na reencarnação obriga-se a rejeitar várias doutrinas básicas do cristianismo. Há, também, aqueles que, mesmo não aceitando a reencarnação, acreditam em doutrinas que desconsideram a ressurreição e a vida futura, como por exemplo, a doutrina do sono da alma, do auto-aperfeiçoamento, dentre outras. 

Cremos, também, na ressurreição dos redimidos e nutrimos expectativas quanto a esse glorioso dia. As mensagens mais confortadoras que as famílias recebem por ocasião da partida de um ente querido para a eternidade, são referentes à esperança e certeza da ressurreição e da vida na "morada celestial". 

Jesus Cristo deixou claro este assunto quando afirmou: "Na casa de meu pai há muitas moradas" (Jo 14.1-3). 

O apóstolo Paulo também declarou: "A nossa pátria está nos céus" (Fp 3.20). Sim, a pátria aqui da terra é transitória. A pátria definitiva está na eternidade. Conforme escreve o autor da carta aos Hebreus, "Na verdade, não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir" (Hb 13.14). 

Cada cristão deve estar preparado para o encontro com o Senhor (por ocasião da sua morte ou do juízo final). Este preparo envolve arrependimento, fé na pessoa de Cristo, compromisso e santificação (II Pe 3.11-14). Aguardamos confiantes e com júbilo, aquele glorioso dia de encontro de todos os salvos. "E assim estaremos para sempre com o Senhor" (I Ts 4.17). Para o cristão, há esperança; para ele, há um glorioso futuro, tanto para a alma quanto para o corpo. Afirma o teólogo Simon J. Kistemaker que, "A imortalidade, segundo o conceito bíblico, é a bem-aventurança eterna".[8]


3. O TESTEMUNHO CRISTÃO A RESPEITO DA RESSURREIÇÃO E DA VIDA FUTURA 

As doutrinas contrárias ao Evangelho são gigantescos desafios que a igreja enfrenta. Quanto mais conhecimento da Palavra a igreja adquirir, mais condições ela terá para confrontar as heresias. Os argumentos humanos são insuficientes. Somente a Bíblia tem as respostas. 

Já no primeiro momento da ressurreição, Maria Madalena e a outra Maria, ao serem informadas da ressurreição de Jesus por um anjo, retiram-se apressadamente para divulgar a boa notícia aos discípulos (Mt 28.1-8). E, a partir daí, os discípulos passam a proclamar a grande notícia. 

A mais notável de todas as características da pregação cristã primitiva é a sua ênfase na ressurreição de Cristo (At 17.18). Afirma o apóstolo Paulo que "se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé" (v.14). Portanto, a Igreja precisa anunciar com entusiasmo esta mensagem confortadora.

Para concluir, Peter Wagner afirma que Paulo destaca três aspectos fundamentais da doutrina da ressurreição: [9]
a) A ressurreição no passado, como um fato histórico (15.1-11); 
b) A ressurreição no presente, como um artigo de fé (15.12-19)
c) E a ressurreição no futuro, como uma esperança bendita (15.20-57).

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[1] SCHOLEM, G.G. A mística judaica, São Paulo: Editora Perspectiva 1972, pp. 41-42.
[2] LOPES, Hernandes Dias Lopes, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 274
[3] ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo, S.P: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1999, p.504.
[4] BOUNDS, E. M. A glória da ressurreição. Miami, Florida: Editora Vida, 1980: p. 27.
[5] A CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, Cap. XXXII - do estado do homem depois da morte e da ressurreição dos mortos. Comentada por Charles Hodge. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.
[6] SNYDER, John. Reencarnação ou Ressurreição? São Paulo: Editora Vida Nova, 1988
[7] MATOS, Alderi de Souza. Creio na ressurreição do corpo: os primeiros cristãos e a reencarnação. Disponível in: http://www.mackenzie.br/6932.html. Acesso em 12 jun 2015.
[8] KISTEMAKER, Simon J. Comentário do Novo Testamento – Exposição da Primeira Epístola aos Coríntios. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003.
[9] WAGNER, C. Peter. Se Não Tiver Amor. Curitiba: Luz e Vida, 1982.


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